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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Retrospectiva Literária 2013

Gente, 2013 foi um ano bom demais em termos literários. A primeira coisa boa é que eu finalmente consegui chegar (e superar!!!!) a marca de 60 livros no ano, coisa que eu realmente nunca tinha conseguido fazer. Fiquei tão animada com isso que até coloquei a minha meta em 2014 para 52 livros! Torçam por mim para que eu consiga chegar lá!

Mas além de termos "estatísticos", 2013 foi um ano de boas descobertas e muitos livros que me surpreenderam. O ano começou muito promissor com "The book of lost things", que já começou o ano levando a nota máxima, de tão lindo que ele é. Começar o ano lendo fantasia é tudo de bom!

Para reafirmar a vontade de ler coisa boa, em seguida eu devorei "Skin of Glass", que não só é um livro muito bom como mudou a minha vida. Sério. E claro, desde então tenho DVDs da autora e fiz diversos cursos on-line com ela.

Como a vida é feita de altos e baixos, depois de ler tanto livro bom, era hora de um "fastfood literário", e eu acabei lendo "50 tons de cinza", que valeu a pena só para escrever a resenha mais divertida da história do blog. Talvez não a mais popular... os livros seguintes da série, "50 tons mais escuros" e "50 tons de liberdade" fizeram tanto sucesso que em menos de 3 meses estavam na lista de posts mais lidos do blog. Nada como falar de best sellers.

Claro que entre os livros da série eu PRECISAVA de algo para alimentar o cérebro, então li "Oriente, Ocidente" do Salman Rushdie e "Stonehenge" do Bernard Cornwell, dois livros fabulosos dentro das suas características próprias. Isso tudo só em janeiro!

Em fevereiro, caí de cara na literatura brasileira, mais especificamente nos livros "O menino no espelho" e "O grande mentecapto" do Fernando Sabino. A ideia original eram livros que fizessem rir, mas essa é uma das especialidades do mineiro, então tá tudo certo. Para dar uma quebra no nacionalismo, peguei "Alta fidelidade", que é o melhor livro que já li do Nick Hornby (dificuldades com referências à parte). Depois, para descansar um pouco a barriga depois de tanto rir, li "Shadow of Night", a continuação de "Discovery of Witches", que deixou muito, muito a desejar. Tanto que depois dele, precisei voltar a trabalhar o meu humor com "Viver de rir II", uma coletânea bastante eclética de contos de humor.

Em março resolvi voltar ao fastfood por conta do filme que seria lançado "Beautiful Creatures", o que não adiantou de nada na pressa, dado que só vi o filme em julho no voo para a casa do meu primo. Mas problemas de agenda à parte, o livro me surpreendeu positivamente. Não que seja BOM, mas é melhor do que eu esperava!

Mas março o tema era animais protagonistas, então eu resolvi apostar no desconhecido "A arte de correr na chuva", que me pegou desprevenida! Livros capazes de marejar os olhos são raridade para mim (chorar então... não lembro de nenhum), e esse ainda por cima fala de cachorros fofos e dramas familiares, armadilha pura.

Depois de apostar no desconhecido, resolvi ler o clássico "A revolução dos bichos", que definitivamente merece o título de clássico, seguido por uma leitura mais rápida, mas não menos pesada, "Maus", uma Graphic Novel que fala sobre um sobrevivente do holocausto. E aproveitando o clima mais filosófico, emendei com o livro sufi "A conferência dos pássaros", que ignoradas as partes muito século XII pro meu gosto, também é muito bom.

Então em abril, achei que era hora de tentar ler Virginia Woolf, só para quase morrer de sono com "As ondas", fiquei tão traumatizada que confesso que não sei quando vou tentar ler novamente algo dela. Tanto que para me recuperar precisei da ajuda da minha autora favorita, Amélie Nothomb, com "Le voyage d'hiver", que não só me ajudou na ressaca pós Virginia Woolf, como também cabia no tema do mês, livros com estações do ano no título.

Mas a ressaca foi tão forte que acabei entrando na vibe fastfood novamente, e acabei lendo os 4 primeiros livros da série "Vampire Diaries", "The awakening", "The struggle", "The Fury" e "Dark Reunion". O que foi um grande erro e perda do meu tempo. Por enquanto esses livros estão com o título de "pior livro que já li na minha vida"/"não faz o menor sentido isso fazer sucesso".

Claro que depois dessa, a ressaca foi é de fastfood literário. Então precisei me medicar durante a leitura com "O jardim e a primavera", mais um livro sufi simplesmente maravilhoso, que manteve a minha esperança na humanidade, e depois com "Bordados" da Marjane Satrapi, para começar um processo de desintoxicação, que continuou com Shakespeare e "Sonhos de uma noite de verão", que precisou ser lido no original pra fazer efeito.

Depois do "detox", resolvi voltar a estudar e fui ler "O mundo falava árabe", livro originário de uma tese de doutorado, muitíssimo interessante e mais fácil de ler do que parece. Seguindo os estudos, mudei um pouco de foco e resolvi ler "Wisdom comes dancing", uma coletânea de textos da bailarina revolucionária Ruth St. Denis. Nota 10.

E como eu já tinha conseguido ler um livro de Shakespeare no original, resolvi repetir a dose para garantir a minha cura, com "Conto de Inverno".

Já devidamente recuperada, entrei em Maio com o pé direito, com "O mágico de Oz", que apesar de ser literatura infantil, hoje em dia não seria considerado apropriado para menores de 14 anos. Mas como nem tudo são flores nessa vida, logo em seguida caí numa armadilha com "Madame Bovary", disputando com vontade o título de livro mais chato com "As ondas". Depois dessa eu precisava mesmo de uma dose de adrenalina com "O apanhador no campo de centeio", que nem tem tanta adrenalina assim, mas deu para levantar o astral. Levantou tanto o astral que eu me animei a tentar novamente os clássicos e emendei 2 livros da Jane Austen, "Razão e sensibilidade" e "Orgulho e preconceito". Tudo dentro do tema livros citados em filme, claro.

Em junho o ritmo de leituras deu uma boa diminuída, mas ainda assim consegui devorar "Mercure" da minha amada Amélie Nothomb e "Tão veloz quanto o desejo", ambos podendo ser classificados como romance psicológico (seja lá o que isso realmente queira dizer). Explico que parte da culpa da pouca produtividade dessa época foi devida ao livro seguinte "O vermelho e o negro", já no tema de julho, mas que demorei séculos para conseguir ler, de tão chato. Pelo menos depois deu para respirar com "Laranja mecânica" antes de tirar parte do mês de julho e depois de agosto para viajar, o que interrompeu um pouco o ritmo, que já estava mais para lento, né?

Mesmo já estando com o kindle na mão, consegui resistir por algum tempo aos preços baratos da Amazon e encarar alguns livros em papel que ainda tenho aos centenas em casa: "God dies by the Nile" sem dúvida foi uma leitura maravilhosa de retorno de férias. Gente, eu amo literatura egípcia, é tudo de bom. E continuando pelo Oriente, segui com "Shalimar, o equilibrista", no segundo livro do Salman Rushdie do ano (sempre maravilhoso!), e mais uma Graphic Novel "V de vingança", que finalmente consegui ler até o fim.

Depois de um mês vingativo, entrei em Setembro determinada a conhecer novos nomes da literatura portuguesa, pois apesar de adorar Saramago e ter estreado o tema com "Todos os nomes", uma das coisas legais na vida é conhecer coisas novas, então arrisquei com "Nenhum olhar" e errei feio, muito feio (um dos piores livros do ano), mas em compensação acertei mais do que em cheio com "O filho de mil homens", que ganhou o prêmio de livro mais bonito desse ano. E de melhor livro também.

No meio do caminho li mais um livro sobre dança: "Unveiling", que foi uma leitura interessante, mas eu esperava muito mais, então não atendeu às expectativas.

Cheguei então à conclusão que eu precisava novamente de algo mais leve para ler, e fui encarar o resto da série que começou com "Beautiful Creatures", e devorei rapidamente "Beautiful Darkness", "Beautiful Chaos" e "Beautiful Redemption", que foi mais do mesmo na minha opinião. As autoras precisam de muito arroz e feijão para melhorar suas habilidades literárias.

Depois encarei um livro escrito por uma amiga, "Fan Fiction - Year 1", que me divertiu horrores e que recomendo para quem gosta de rir das limitações da humanidade.

Claro que depois de ficar tanto "tempo" longe dos temas do Desafio Literário, precisei correr atrás do prejuízo com histórias de superação, e ataquei "A street cat named Bob", que eu trouxe da viagem de julho/agosto, e que achei fofo, apesar de não ser lá grandes coisas, encarei o tijolo "Tempo entre costuras", que me surpreendeu muito positivamente, e por fim mais um livro egípcio "The beginning and the end", dessa vez no prêmio nobel Naguib Mahfouz, que eu ainda não tinha encarado esse ano (vergonha!).

E finalmente chegamos em novembro, com o tema "livros proibidos", que deu margem a muitas leituras diferentes e interessantes, começando com o clássico do Mark Twain "As aventuras de Tom Sawyer", que tenho orgulho de ter conseguido ler no original (é mais difícil do que Shakespeare!) e que levou a nota máxima, depois, o romance erótico "Exit to Eden" da Anne Rice, e que mostrou que o tema só precisa de uma boa autora para ficar interessante, passando por "A casa dos espíritos" da maravilhosa Isabel Allende, que superou minhas expectativas, e um pouco atrasado, "As aventuras de Hucleberry Finn", que me animei a ler depois do sucesso com Tom Sawyer.

Agora dezembro foi um mês interessante, apesar de eu me ater pouquíssimo ao tema natalino (sofri com a falta de livros com esse tema em casa, fazer o quê?). Comecei um livro, que depois descobri ser um conto, da Agatha Christie, "A Christmas tragedy", que mesmo sendo receita de bolo da autora, é uma ótima receita :-) Em seguida fui novamente correr atrás de um livro que saiu no cinema agora, "Carrie" do Stephen King, e novamente me surpreendi, não em termos de qualidade que ficou bem dentro do esperado, mas em termos de tema, onde ele me pegou de surpresa (eu não tinha a menor ideia do que se tratava o livro, acredita?). Tudo só para poder enrolar um pouco para chegar no último livro do Desafio Literário, e que novamente era da Agatha Christie: "O Natal de Poirot". Mais receita de bolo, mas a receita funciona, então tá valendo.

Fiquei então o resto do mês podendo ler o que me desse na telha, e resolvi diversificar. Primeiro li "Stories of a traveling bellydancer", que deveria ser classificado mais como blog do que como livro, mas que foi uma leitura muito interessante e construtiva, depois um romance LGBT com "Tessa Masterson will go to prom", que foi mediano, e terminei o ano mergulhada na literatura turca, com "As preces são imutáveis" e "Um golpe de sorte", ambos comprados numa promoção de fim de ano indicada pela minha sogra, e muito bons! Dessa forma, fechei o ano com chave de ouro!

Ufa! E assim terminei o ano de 2013! Que venha 2014, com novos desafios e ótimas leituras! Se a média for tão boa quanto em 2013 já estarei muito mais do que satisfeita! Vejo vocês ano que vem!




Livros lidos em 2013:

  • Um golpe de sorte - Reha Çamuroglu
  • As preces são imutáveis - Tuna Kiremitçi
  • Tessa Masterson will go to Prom - Emily Franklin & Brendan Halpin
  • Stories of a Traveling Bellydancer - Zaina Brown
  • Hercule Poirot's Christmas - Agatha Christie
  • Carrie - Stephen King
  • A Christmas Tragedy: A Miss Marple Story - Agatha Christie
  • The adventures of Huckleberry Finn - Mark Twain
  • A casa dos espíritos - Isabel Allende
  • Exit to Eden - Anne Rampling
  • The adventures of Tom Sawyer - Mark Twain
  • The beginning and the end - Naguib Mahfouz
  • O tempo entre costuras - María Dueñas
  • A street cat named Bob - James Bowen
  • Fan Fiction - Year 1 - Vivian Wolkoff
  • Beautiful Redemption - Kami Garcia & Margareth Stohl
  • Beautiful Chaos - Kami Garcia & Margareth Stohl
  • Beautiful Darkness - Kami Garcia & Margareth Stohl
  • O filho de mil homens - Valter Hugo Mãe
  • Unveiling: the inner journey - Alay'nya
  • Nenhum Olhar - José Luís Peixoto
  • Todos os nomes - José Saramago
  • V de Vingança - Alan Moore e David Lloyd
  • Shalimar, o Equilibrista - Salman Rushdie
  • God dies by the Nile - Nawal El Saadawi
  • Laranja Mecânica - Anthony Burgess
  • O vermelho e o negro - Stendhal
  • Tão veloz como o desejo - Laura Esquivel
  • Mercure - Amélie Nothomb
  • Orgulho e Preconceito - Jane Austen
  • Razão e sensibilidade - Jane Austen
  • O apanhador no campo de centeio - J. D. Salinger
  • Madame Bovary - Flaubert
  • The Wonderful Wizard of Oz - L Frank Baum
  • The Winter's Tale - William Shakespeare
  • O Mundo Falava Árabe - Beatriz Bissio
  • A Midsummer Night's Dream - William Shakespeare
  • Bordados - Marjane Satrapi
  • Wisdom Comes Dancing - Ruth St. Denis
  • Vampire Diaries - Dark Reunion
  • O Jardim e a Primavera - Amir Khusru
  • Vampire Diaries - The Fury
  • Vampire Diaries - The Struggle
  • Vampire Diaries - The Awakening
  • Le voyage d'hiver - Amélie Nothomb
  • As Ondas - Virginia Woolf
  • A Conferência dos Pássaros - Farid Ud-Din Attar
  • Maus - Art Spiegelman
  • Animal Farm - George Orwell
  • The art of racing in the rain - Garth Stein
  • Beautiful Creatures - Kami Garcia & Margareth Stohl
  • Viver de Rir II - Flávio Moreira da Costa
  • Shadow of Night - Deborah Harkness
  • O grande mentecapto - Fernando Sabino
  • O menino no espelho - Fernando Sabino
  • Fifty Shades Freed - E. L. James
  • Stonehenge - Bernard Cornwell
  • Fifty Shades Darker - E. L. James
  • Oriente, Ocidente - Salman Rushdie
  • Fifty Shades of Grey - E. L. James
  • Skin of Glass, finding spirit in the flesh - Dunya Dianne McPherson
  • The Book of Lost Things - John Connolly

Um golpe de sorte


SPOILER FREE

Então, finalmente chegamos no último livro do ano!!! E na contagem final de 62 livros lidos em 2013, ufa! Tudo bem que esse último também era menorzinho, mas isso não conta pra mim.

Como eu disse no último post, ainda estou na literatura turca, e "Um golpe de sorte" é um livro no mínimo interessante, que conta a história de uma tentativa de assassinato que realmente aconteceu ao Sultão Vermelho (último sultão do Império Otomano), no início do século XX. Confesso que pouco conheço da história da Turquia dessa época, mas como o autor é historiador e nada destoou, me parece que ele fez mesmo uma boa pesquisa histórica.

O livro, apesar de curto, é cheio de intrigas e até o final o que realmente aconteceu fica extremamente nebuloso, isto é, quem estava realmente por trás da tentativa de assassinato é uma incógnita até o fim! Política interna e externa ao Império Otomano se misturam, e o nome dos inimigos mudam a cada instante, o que mostra que o autor fez uma tentativa bem sucedida de retratar a realidade.

Pena que esse é o único livro traduzido ao português do autor, porque gostei demais dessa quase amostra grátis (não foi grátis, infelizmente) e gostaria de ler outros romances históricos dele, e de lambuja conhecer um pouco mais sobre essa parte do mundo.

Nota 9.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

As preces são imutáveis


SPOILER FREE

E superando as metas do ano (mais uma vez!) cheguei ao 61° livro! Dessa vez confesso que praticamente roubei, já que ele é fininho (eu não sabia desse detalhe quando comprei pela internet). Sugestão de compra dada pela minha literária sogra, que encontrou uma mega promoção direto na Editora de livros turcos, resolvi que seria interessante terminar o ano relembrando a Turquia, essa terra mágica. (já tem mais um sendo devorado dessa safra)

"As preces são imutáveis" trata da história de uma jovem turca chamada Pelin, que mora numa cidade certinha e indefinida da Europa, onde ela vê num jornal um anúncio procurando por alguém que falasse turco e resolve responder. O anúncio foi postado por Rosella, uma velha senhora judia que passou alguns dos seus melhores dias em Istambul, e numa tentativa de manter a sua memória desses dias resolve que não pode jamais esquecer o idioma turco.

Como eu mencionei anteriormente, o livro é fininho, e esse é o seu maior defeito. A ideia do autor é tão singela e a história tão delicada, que por diversos momentos a sensação que você tem ao ler é: mas não pode ser só isso, quero mais! É o tipo de narrativa que poderia se alongar muito mais, com mais detalhes deliciosos para serem compartilhados entre as personagens. Em alguns momentos a coisa é tão rápida que parece superficial, tanto que se chega no final da história com a sensação de que aconteceu pouca coisa para justificar a ligação que se forma entre as personagens. Não que não seja possível, mas novamente o problema é a sensação de rapidez e consequente superficialidade do texto. Taí um livro que com uma boa escolha de atrizes, daria um melhor filme do que o livro. E nem precisaria cortar nada do texto! Suas 180 páginas caberiam bem em 90 minutos.

Fora esse problema, o livro é uma delícia, com boas descrições da Istambul da época da Segunda Guerra, cheio de detalhes históricos que costumam passar batido nas aulas do colégio (ninguém lembra da Turquia na Segunda Guerra, só na Primeira), e boas notas de rodapé do tradutor (que traduziu direto do turco!!!). E vou precisar dar uma olhada nos cantores turcos mencionados... parecem no mínimo interessantes.

Nota 8.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Tessa Masterson Will Go to Prom


SPOILER FREE

Então... eu topei com esse livro na Amazon num dia desses de promoções e não resisti em comprar e ver qual é a do livro quando descobri que era sobre dois amigos, Tessa e Lucas, que passaram a infância toda juntos, mas acabam se desentendendo quando Lucas chama Tessa para ir para o Prom (ainda bem que não temos esse evento nas nossas escolas) e ele descobre que sua melhor amiga é lésbica.

Fiquei extremamente feliz ao ver que já há livros disponíveis para adolescentes que lidam com essas situações, e fiquei satisfeita ao ver que trata de uma lésbica (já que as lésbicas costumam ser esquecidas nessas horas, a não ser para fazer casais para os homens verem, o que definitivamente não é o caso).Afinal, esse é um tema ainda considerado muito complicado por parte da população e ainda mais pelos pais.

Apesar do livro tratar do tema de uma forma que me pareceu convincente no que concerne a reação da cidade pequena onde os dois amigos vivem, achei que ele se prende muito a clichês do que é esperado de uma lésbica. Apesar de eu achar legal Tessa querer ir para o Prom usando um terno, ela mesma encara suas características "pouco femininas" como um sinal claro de sua opção sexual, e isso pode ser problemático, ainda mais quando estamos falando de um público leitor potencial de adolescentes (já imagino as adolescentes super femininas e lésbicas se perguntando se estão certas aiaiaiai). Outras características de Tessa que seriam "sinais claros": ela não sai com garotos (e as meninas que ainda não chegaram nessa fase ou são muito tímidas serão taxadas de quê com isso? socorro), usa calça jeans e camiseta o tempo todo (juro que revirei os olhos toda vez que vi isso no livro, e, sério, se isso fosse um tipo de sinal mais da metade das minhas amigas seriam lésbicas), gosta de correr (como assim????) e, o único sinal que realmente importa, ela gosta de garotas.

Mas, se você conseguir fazer vista grossa a esses "detalhes", o livro é divertido. A transformação pela qual Lucas passa é interessante, pois ele precisa aprender a lidar não só com o fora que ele leva da melhor amiga, mas com o fato de que ela não é exatamente do jeito que ele achava que ela era. Confesso que a primeira parte do livro é um pouco dramática demais para o meu gosto, e pessoalmente achei a reação do Lucas exagerada e extremamente egoísta, mas, também precisamos lembrar que ele é um adolescente, e nessa fase (que às vezes nem passa) nós temos a tendência de sermos exagerados e egoístas. É o tipo de reação que se desculpa num adolescente, então dá para engolir.

A forma como Lucas se redime é no mínimo fofa (e combina com a construção do personagem), e o final tem aquele quê de final feliz de filme estilo comédia romântica.

O livro não é uma denúncia do que pode acontecer com jovens gays (apesar de flertar com o tema), e sim uma história água com açúcar com um tema considerado ousado atualmente. Podia ser melhor, sem dúvida, mas para um tema tão pouco trabalhado, é válido. Afinal, precisamos de todos os tipos de histórias para todos os tipos de personagens, não é mesmo? Espero ver o dia em que esse tipo de livro não chame atenção pelo tema, e sim pela história contada mesmo.

Nota 8.

PS: agora a coisa mais legal sobre esse livro: é o 60° do ano!!!!!! Uhuuuuuuuu!!!! Será que passo disso até dia 31? Aguarde e confira :-)

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Stories of a Traveling Bellydancer


SPOILER FREE

Então, como muitos já sabem (ou devem ter percebido), eu sou bailarina e adoro ler sobre dança e sobre o Oriente Médio. Quando descobri esse e-book estilo diário de viagem de uma bailarina de dança do ventre, não pude resistir e comprar, ainda mais pelo preço módico oferecido na Amazon!

Depois de passar algumas semanas me namorando no kindle, finalmente resolvi que era hora de lê-lo. Para minha surpresa, o livro é melhor do que eu esperava! (Pois é, confesso que não dava grandes coisas por ele, foi apenas uma paixonite por conta do tema, e vamos combinar que a capa tem um jeito terrível de chick lit).

Zaina Brown é uma bailarina da Finlândia (agora posso dizer que conheço uma autora de lá, vejam só!), que depois de morar algum tempo em Nova Iorque, resolveu passear pelo Egito, e de lá começou a viajar e a dançar pelo Oriente Médio, África e alguns outros lugares exóticos. O livro é uma adaptação dos emails que ela enviava aos amigos durante essas viagens, e o estilo da sua escrita é igual a de qualquer blog. Nesse quesito, Zaina é mediana, ela não escreve mal, mas não é brilhante, e a limitação de estilo pode ser chata para aqueles que buscam outros tipos de leitura.

Mas o que esse livro tem de fabuloso não é o estilo, e sim a história a ser contada! Zaina é uma boa cronista, e seus comentários sobre a forma como as pessoas vivem nos diversos locais por onde ela passa são ótimos! E além de visitar locais absolutamente exóticos (daqueles que você só vê fotos na National Geographic), ela é daquelas turistas que gosta de vivenciar a forma de vida local (até certo ponto, como boa européia ela tem limitações, especialmente no quesito talheres), e se mete em cada aventura que me deixou imaginando de onde ela tira tanta coragem. Além disso, todas as fotos das viagens contadas no livro estão no Facebook dela, o que dá um colorido extra ao livro, já que você pode depois ver o que foi descrito.

Agora fiquei triste por ter tão poucos vídeos dela no Youtube, gostaria de conhecer um pouco melhor a bailarina depois de ter lido o livro. Quem sabe agora que o Oriente Médio está meio complicado de se viajar, ela fique um pouquinho mais nos EUA e faça uns vídeos legais para os leitores assistirem também?

Nota 8.


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

O Natal de Poirot


SPOILER FREE

Pois é, mais um livro da Agatha Christie... tudo por conta do tema Natal do quase falecido Desafio Literário. E quem diria, até mesmo ebooks podem ter história. Essa começou no início de 2013, quando quase entrei em pânico por não ter nenhum livro em casa no tema definido no Desafio, nenhumzinho! Daí, achando que os livros da Agatha fossem domínio público, lá fui eu catar um PDF do "Natal de Poirot". Quando finalmente peguei o arquivo para ler (depois de ter devidamente convertido em MOBI para ler no kindle), descobri algumas coisas: primeiro, descobri que a autora ainda não caiu em domínio público (uma semana antes eu li outro livro dela que precisei comprar na Amazon), segundo, a versão que eu tinha conseguido era em português de Portugal (imagine isso falado com sotaque para ficar mais divertido), e terceiro, mas não menos importante, na verdade, mais importante do que tudo isso, o arquivo que eu tinha conseguido veio corrompido. Tipo, no meio do livro (meio mesmo, 50% de leitura de acordo com o kindle) começou a aparecer um monte de palavras pela metade soltas pelas páginas.

Imagina o meu pânico! Como você vai ler um livro de mistério como os da Agatha Christie sem ter ideia se está perdendo um monte de parágrafos ou não? Obviamente que não consegui continuar lendo desse jeito. Entrei no site da Amazon e acabei por comprar a versão original (uma lição bem dada sobre pirataria, só que não, já topei com diversos livros "originais" com resenhas assustadoras sobre diagramação na Amazon, isso é azar mesmo).

Bom, historietas à parte, vamos ao livro em si! "O Natal de Poirot" é mais uma narrativa clássica da autora inglesa. Muito divertido de ler, e, para variar, não dá para largar até o fim, e, para variar, a solução do mistério não só é brilhante, como também é, para variar, surpreendente. No estilo "não tinha como adivinhar". Agatha Christie certamente era uma mulher extremamente criativa e definitivamente brilhante.

Porém, confesso que a sua fórmula é um pouco cansativa. Porque, apesar de tudo, os livros dela me parecem seguir sempre o mesmo roteiro, apesar das diferenças entre os crimes. E mesmo sendo muito agradável a sua leitura, cheguei à conclusão de que preciso de variedade na minha vida literária. Ler muitos livros do mesmo estilo um atrás do outro cansa e desanima, diminuindo o ritmo de leitura e, por consequência, o total de livros lidos no ano.

Para quem não sabe, o "Natal de Poirot" trata de um assassinato que acontece numa mansão de uma família riquíssima da Inglaterra no dia do Natal, numa ocasião por si só extraordinária, pois após tantos anos finalmente toda a família se reuniu. E no meio das brigas e disputas familiares, Poirot precisa descobrir quem é o assassino, antes que ele fuja ou encubra definitivamente os seus traços.

Nota 9, porque, apesar do meu cansaço, sei apreciar um bom livro, se eu tivesse lido esse livro sem ter lido o outro conto da Agatha Christie esse mês, tenho certeza que eu teria gostado muito mais :-)

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Carrie


SPOILER FREE

Dando uma pausa entre um livro e outro da Agatha Christie (tudo por causa do tema natalino do Desafio Literário), resolvi ler um livro que agora está nos cinemas, só para poder dizer que li antes de ver o filme. E como o kindle é tudo de bom, ainda por cima li sem carregar peso ou sentir cheiro de livro velho (a alergia agradece).

Podem julgar (eu não ligo), mas confesso que eu não tinha a menor ideia do que se tratava a história de "Carrie", e descobri que é puramente sobre bulling. Para quem esperava algo bem estilo "O iluminado", achei bobinho, pois não é um livro de terror ou assustador. Mas... Stephen King escreve muito. Inquestionável.

A forma como a história é contada é simplesmente das mais originais que já vi, alternando diversos tipos de narrativa: extratos de "livros" publicados por sobreviventes, matérias de jornal, "livros científicos", relatórios de comissões de investigação, e, como não podia faltar, uma narrativa clássica que ainda por cima tem seus toques de originalidade. E tudo isso é montado de uma forma para fazer a tensão ir num crescendo até o grande evento fatídico que é o clímax do livro, e terminando de uma forma suave e despretensiosa. Agora fiquei com vontade de ver o filme, mas confesso que acho que não vai chegar aos pés do livro, e corre um grande risco de virar só um filme trash cheio de sangue. Mas enfim... só vendo para poder dizer.

Então, como todos já devem saber, Carrie é uma garota que sofre demais com bulling na escola, até o dia em que ela descobre que tem um poder único, e resolve se vingar dos seus torturadores na noite da sua maior humilhação: o baile de formatura. Parece simples, mas Stephen King consegue fazer milagre com esse tema tão adolescente. Já viram que ele já está na lista de leitura programada para o ano que vem, né? Um livro dele por ano parece uma boa média (ano passado foi "O Iluminado").

Nota 8,5.

Desafio Literário 2014

Então chegou a época do ano em que é bom planejar (pelo menos em parte, nunca sigo a risca) as leituras do próximo ano!

Fiquei muito triste com a notícia, mas o Desafio Literário não terá uma nova edição em 2014, por isso comecei a buscar enlouquecidamente novas fontes de inspiração de temas diversificados para ler no ano que vem. E no meio dessa loucura, resolvi que ia participar de diversos desafios ao mesmo tempo, por que não, né?

O primeiro desafio que escolhi participar é o Desafio da Coruja, cujos temas simplesmente me cativaram. Vejam vocês mesmos:

Janeiro
Não tem desafio. Mas os demais desafios cobrem essa lacuna.



Fevereiro

Fevereiro é mês de Carnaval e por isso o tema é um livro que escolhi pela capa. Quem nunca entrou numa livraria e botou um livro debaixo do braço porque gostou da capa que jogue a primeira pedra!


Bônus: uma foto do livro por cuja capa você se apaixonou.



Março

É tanto livro na estante que alguns têm títulos ou partes do título parecidas. E por isso é que meu tema para março será dois livros com títulos semelhantes


Bônus: fazer uma comparação entre os dois livros, especialmente na forma como eles abordam o termo semelhante em seus títulos.



Abril

Eu empresto muito livro e pego muitos livros emprestados também. Ou tenho livros emprestados pra mim. Já aconteceu com vocês? Um amigo chegar pra ti e dizer 'você tem de ler esse livro' e antes que você consiga abrir a boca, ele já empurrou o volume pra ti e está na expectativa de que você leia e comente com ele e diga que tudo é lindo-e-maravilhoso-e-espetacular-e-como-é-que-você-adivinhou-que-esse-livro-era-a-minha-cara?


Bônus: escrever um bilhete agradecendo/reclamando da indicação do seu amigo.



Maio

Maio é o mês de aniversário do Coruja, o que significa que já fico bastante enrolada com as comemorações... mas tudo bem. Em homenagem ao aniversário, o tema de maio será um livro que tenha sido um presente.


Bônus: dar um livro de presente para a pessoa que te presenteou em primeiro lugar. Ou fazer uma indicação para ela, inspirada pelo livro que ela te deu.



Junho

Já é metade do ano, estamos quase na época das férias (não as minhas...), mas ainda há muita coisa por fazer. Então, um tema fácil: um livro de um autor favorito.


Bônus: escrever uma carta para seu autor favorito dizendo porque ele é seu autor favorito.



Julho

Férias! Ou não, quem se importa? Seja como for, uma vez que julho é mês de férias e teoricamente temos mais tempo, então o tema para julho é, hilariantemente, um livro grande.


Bônus: quanto pesa seu livro?



Agosto

Ler livros novos é sempre muito bom... mas volta e meia, sempre fico feliz em retornar aos meus favoritos. Assim é que agosto será o mês para uma releitura.


Bônus: você consegue dizer o que mudou da sua primeira leitura para essa?



Setembro

Eu adoro, adoro, adooooooro História. Assim é que tenho muitos livros de História na minha estante - tanto de ficção quanto de não ficção. Por isso o tema do mês de setembro é um livro e um fato histórico.


Bônus: conseguir ler um livro de ficção e um de não ficção sobre o mesmo período histórico.



Outubro

Gosto muito de fantasia e tenho uma inteira prateleira dedicada ao gênero na minha estante. Como outubro tem o Halloween, o tema desse mês vai ser um livro com bruxos.


Bônus: escreva seu próprio feitiço (versos, latim, com dancinha, você decide...)



Novembro

Já que julho, sendo o mês de férias, é um mês para ler 'livros grandes', então novembro, que é um mês de caos e desespero (ou, pelo menos, é para mim), o tema vai ser um livro pequeno.


Bônus: qual a diferença de peso entre o volume de julho e o volume de novembro?



Dezembro

Dezembro não tem tema. Ou melhor, até que tem: carte blanche. O que quer que se queira ler, como quer que se queira ler, fazendo seu próprio desafio, lendo de cabeça pra baixo ou pendurado no teto!



Somando a esse desafio, resolvi encarar o Desafio de Clássicos do blog Sonhar de Olhos Abertos! Que certamente encaixa bem no da Coruja:


Desafio 12 Clássicos em 2014
É só ler algum clássico que se encaixe nos seguintes temas:

Janeiro: Época Vitoriana
Fevereiro: Romance
Março: Séc.XVIII ou anterior
Abril: Fantasia ou ficção científica
Maio: Literatura europeia (excepto inglesa)
Junho: Infantil
Julho: Séc. XIX
Agosto: Aventura
Setembro: Séc. XX
Outubro: Terror/ Mistério /Gótico
Novembro: Foi adaptado para cinema
Dezembro: Livre

E no mesmo blog tem mais um desafio interessante que não briga com os anteriores:


Desafio Diversidade Literária 2014




O objectivo é ler um livro por mês dos seguintes géneros literários:

Janeiro: Fantasia
Fevereiro: Romance histórico
Março: Policial/mistério
Abril: Ficção científica
Maio: Romance contemporâneo
Junho: Livro infantil
Julho: Chick-lit
Agosto: Thriller/Aventura
Setembro: Young adult (YA)
Outubro: Terror
Novembro: "Conto de fadas" /Lendas/Mitos
Dezembro: Livre

E a cerejinha do bolo:

Ler 52 livros no ano!!!!

Não pretendo me ater tanto assim no 1 por semana, pra mim o total é mais importante, até porque com livros grandes e pequenos no meio do caminho, é claro que a quantidade de livros vai acabar variando... e como esse ano eu consegui ultrapassar essa meta (nem eu acredito), minha meta para 2014 é conseguir manter esse ritmo! Coisa que, confesso, nunca imaginei que eu fosse conseguir (agradeço imensamente ao Desafio Literário por isso, ficarei órfã a partir de agora), então se eu manter o ritmo de leituras desse ano já vou ficar muito mais do que satisfeita!

Explicado tudo isso vamos à lista teórica para o próximo ano:

Janeiro
"O retrato de Dorian Gray", de Oscar Wilde (clássico da época vitoriana que é uma fantasia)

Fevereiro
"O segredo do anel", da Kathleen McGowan (livro escolhido pela capa)
algum livro da Jane Austen (romance clássico)
algum livro do Naguib Mahfouz (romance histórico)

Março
"The jungle book" e "Miss Buncle's book" como os livros de títulos parecidos
alguma coisa de "Shakespeare" (sec XVIII ou anterior)
"Good Night, Mr. Holmes", da Carole Nelson Douglas (policial/mistério)

Abril
"Wolverine - Arma X" (livro emprestado)
algum livro do Jules Verne (clássico da ficção científica)

Maio 
"O museu da inocência", do Orhan Pamuk (ganhei de presente e é contemporâneo)
"O pequeno príncipe" (clássico europeu não-inglês)

Junho
algum livro da Amélie Nothomb (autor favorito)
"Alice através do espelho" (clássico infantil)

Julho
"Les misérables" (livro grande e um clássico do século XIX)
algum chick lit que estiver barato na Amazon (meu marido ficou de me emprestar um que ele leu numa aposta esse ano, mas esqueci o nome)

Agosto 
"As brumas de Avalon" (uma releitura que é um clássico de aventura! pretendo reler os 4 livros)

Setembro
mais um livro do Naguib Mahfouz como romance histórico
que combina com o livro que nunca consegui sair do primeiro capítulo "The voice of Egypt", que conta a história da cantora Umm Kulthum
"Ender's game" (clássico YA)

Outubro
"A modern witch", da Debora Geary (livro com bruxos)
"Green mile", do Stephen King (clássico do terror)

Novembro
"Uma escuridão bonita", do Ondjaki
"Crônicas de Nárnia" (clássico que virou filme estilo conto de fadas)

Dezembro
livre!

Agora torçam por mim! Ano que vem promete :-)


segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

A Christmas Tragedy - A short story


SPOILER FREE

Então, como está chegando o Natal, o último mês do último Desafio Literário tem como tema histórias natalinas. Como mencionei no final do ano passado, eu não tinha nenhum livro com esse tema em casa que eu ainda não tivesse lido, mas como agora tenho um Kindle, resolvi pesquisar algo em conta na Amazon e encontrei essa pequena pérola da Agatha Christie.

Confesso que fiquei chateada ao descobrir que os livros dessa autora clássica ainda não são grátis, mas pelo menos eles são realmente bem baratinhos. Esse em especial, estava ainda mais barato por ser praticamente um conto.Quem sabe no futuro comprarei outros por preço de banana para ler no original?

Voltando ao conto, "A Christimas Tragedy" segue a estrutura clássica da Agatha Christie, Miss Marple surpreende sempre a todos com a sua percepção aguçada da natureza humana e uma memória prodigiosa para detalhes (ainda mais prodigiosa em se tratando de uma senhora de idade), e, como sempre, o final surpreende! Aí está uma coisa que nunca consegui compreender nesse tipo de livro (e de autor), como eles conseguem montar a história de um jeito que o leitor não consegue vislumbrar quem é o assassino ou como a história vai terminar! Acho fantástico isso, e adoro a sensação de surpresa!

No mais, o livro não tem nada de tão extraordinário, é a receita de sempre da autora, para quem gosta da Miss Marple é um prato cheio, para quem gosta do estilo também, mas se você procura algo diferente, não vai encontrar aqui.

Nota 9.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

As aventuras de Huckleberry Finn



SPOILER FREE

Como já comentei anteriormente, comprei na Amazon a coletânea completa das obras de Mark Twain, e como eu já tinha lido no início do mês "As aventuras de Tom Sawyer", fiquei com vontade de ler a continuação da história, que conta como narrador e personagem principal o melhor amigo de Tom, Huckleberry Finn.

Assim como o primeiro livro, "As Aventuras de Huckleberry Finn" foi proibido pelos mesmos motivos: racismo, linguagem chula e violência. Só que as duas primeiras acusações são bem piores nesse volume do que no primeiro.

Nessa continuação, Huck Finn foge de sua cidadezinha na companhia de um escravo, Jim, e os dois passam por diversas aventuras ao descer o rio Mississipi numa balsa, e o assunto preconceito/racismo/escravidão acaba ficando com uma enorme evidência, e é tratado pelo autor com uma enorme ironia, que certamente pode ser (e foi) muito mal interpretada. Além disso, assim como nas aventuras de Tom Sawyer, novamente o autor prima reprodução da linguagem falada (daí a acusação de linguagem chula e completamente fora das normas gramaticais e ortográficas), o que no caso do escravo, pode trazer enormes dificuldades para entender diversas palavras. Como meu marido comentou acertadamente comigo, a única forma de entender as falas do Jim é ler em voz alta o que está escrito. Sério.

Agora, diferentemente das aventuras de Tom, as aventuras de Huck não é um livro preocupado com fazer um retrato da infância, e sim de toda uma sociedade em uma época específica, e o assunto escravidão e ética são exaustivamente trabalhados pelo autor, pois essa era uma grande questão daqueles tempos. Por isso é que o livro foi tão criticado, pois a ferramenta usada por Mark Twain, o humor irônico, pode diversas vezes ser entendido de forma equivocada, e diversas passagens do livro são extremamente racistas e preconceituosas se você não ver com esse olhar (e com certeza muita gente acha que é racista e preconceituoso independentemente da ironia, porque a ironia não é tão clara). Além disso, tem a questão do uso exaustivo da palavra "nigger", que é considerada extremamente racista. Por conta disso, a leitura pode ser meio chocante, pois a forma como Jim é tratado durante toda a narrativa é, no mínimo, absurda. Mas serve como um retrato de quão bizarra era a forma de ver os seres humanos antigamente, desafiando a racionalidade do leitor. (mais absurdo ainda é quando você pensa que ainda tem gente que pensa assim, mas enfim, isso é outra discussão)

Levando tudo isso em consideração, a leitura certamente não é tão leve quanto no primeiro livro, e algumas passagens são tão chocantes que chegam a dar raiva. Apesar de ser um livro com uma grande afirmação política velada, pessoalmente acho que a mensagem ficou um pouco disfarçada demais, e em alguns momentos isso pesa muito. Além disso, a leitura não teve para mim o mesmo frescor de novidade que "As aventuras de Tom Sawyer".

Nota 8,5.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A casa dos espíritos


SPOILER FREE

Confesso que ultimamente tenho tido muita vontade de ler esse livro, mas o seu preço salgado aliado a uma estante lotada de livros esperando a sua vez (que agora além de ser física é também virtual por causa do Kindle), acabei protelando indefinitivamente a sua leitura. Até que veio o Desafio Literário desse mês com o tema Livros Proibidos e ele estava na lista de leituras indicadas. Aí confesso que deu coceira. Tipo assim, comecei a buscar loucamente uma alternativa para arranjar o livro, e nos sebos só tinha edições muito velhas que não fariam bem à minha saúde, na Amazon só tinha a versão em inglês (no, thank you) ou em espanhol (que vergonhosamente tenho muita dificuldade em ler), e nas livrarias à moda antiga o preço estava realmente salgado.

Até que semana passada, fui com a minha mãe trocar um DVD que ela comprou errado e sobrou uma graninha... daí sugeri a ela dividirmos o custo do livro e ela topou! Ela também queria ler, então foi um bom negócio para ambas.

Finalmente de posse de um exemplar comecei a ler! E me surpreendi positivamente. Explico: quando era pré-adolescente eu vi o filme, e achei chatérrimo, tão chato que nem me lembrava mais da história, e foi justamente por causa do filme e dessa experiência que fiquei tantos anos sem vontade de ler Isabel Allende. Mas depois de ter algum contato com outras escritoras latino-americanas e sabendo que o livro contava como era o Chile na época do golpe, voltei a me interessar. E valeu muito a pena!

Isabel Allende acertou em cheio em A Casa dos Espíritos. O livro é lindo, e bem escrito até a última vírgula. E como se trata de um romance histórico, a impressão que você tem é que se trata de uma história absolutamente real (apesar dos seus elementos mágicos, que são tratados de tal forma que parecem possíveis e normais). Confesso que fui buscar a biografia da autora na internet para ver até que ponto o conteúdo do livro não poderia ser real, e infelizmente descobri que muito menos do que eu gostaria que fosse o é.

Mas no fundo isso não importa, porque real ou não a história que é contada poderia muito bem o ser, e por isso ela nos deixa tão arrebatados, e seus ensinamentos são tão importantes em termos de não repetirmos o passado. Gosto de pensar, também, que esse é um livro atemporal, desses que durarão gerações e que possa servir de testemunho do que acontece quando as pessoas querem se manter no poder sem medir consequências. Além de mostrar até que ponto o ser humano é capaz de chegar, o que não é nada lisonjeiro para a nossa espécie.

Para quem não sabe do que se trata, A Casa dos Espíritos conta a história das mulheres de uma família ao longo de três gerações no Chile, desde o início do século XX, até o golpe que derrubou o presidente Salvador Allende. Além de fazer um retrato das modificações pelas quais o país passou, o livro retrata as relações, amores, traições e misticismos que envolvem a família e como elas são afetadas pelo os acontecimentos do país.

Bom demais, literatura de primeira qualidade.

Nota 10.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Exit to Eden


SPOILER FREE

E depois de diversos percalços durante esse mês, finalmente terminei mais um livro proibido, "Exit to Eden" da Anne Rice, escrito sob o pseudônimo de Anne Rampling. Dessa vez o motivo para proibição é bem óbvio: as cenas de sexo. Aliás, acho que todos os livros que tratam desse tema já foram proibidos em algum momento... mas enfim.

 Ainda sem tradução para o português, "Exit to Eden" é um dos livros eróticos da famosa escritora de "Entrevista com o Vampiro" que ela publicou com outro nome (ela chegou a usar 2 pseudônimos diferentes em seus livros eróticos: Anne Rampling e A. N. Roquelaure), mas não é o mais famoso deles, pois a trilogia da Bela Adormecida é bem mais conhecida (e mencionada como um clássico em "Exit to Eden"! Adoro esse tipo de referência).

Resolvi ler esse livro porque fazia muito tempo que eu queria ler algo dessa linha da Anne Rice e sempre acabava postergando, mas agora com o Kindle, consegui o livro numa promoção e nem precisei esperar chegar pelo correio, baixei direto pela internet e comecei a ler. E sabe de uma coisa? "Exit to Eden" é tudo o que "50 tons de cinza" gostaria de ser mas não é, em todos os quesitos que você puder imaginar.

"Exit o Eden" é bem escrito (estamos falando da Anne Rice, gente, isso era o mínimo de se esperar), os personagens são extremamente interessantes e complexos, o BDSM não é tratado como uma doença, mas como uma forma muito interessante e saudável de se encarar a sexualidade, as cenas de sexo são críveis e muito, mas muito mais interessantes. Ah sim, e elas não são a única graça do livro e nem surgem em abundância (rsrsrsrsrs) ou sem propósito.

Depois descobri que fizeram um filme meio comédia do livro, e pelo o que li sobre o dito cujo, ele não tem quase nada a ver com a história original (mudaram um mundo de coisas e acrescentaram todo um plot que não existe no livro), e confesso que não fiquei com a mínima vontade de assistir, então não tenho como falar nada sobre tal aberração.

Mas voltando ao livro, ele trata da história de um homem, Elliot, que foi treinado no mundo do BDSM para ser um submisso, e de uma mulher, Lisa, que é chefe de um clube exclusivo de BDSM para ricaços que fica numa ilha, onde ela trabalha como uma das treinadoras dos submissos e é uma dominatrix extremamente bem sucedida e conceituada. Mas tudo isso pode mudar quando Elliot chega na tal ilha, conhecida como The Club, e algo fora do controle dos dois acontece entre Elliot e Lisa.

Além das cenas de sexo, para mim "Exit to Eden" trabalha também com um tema muito caro à autora: a culpa, e como ela foi marcante para a sua formação católica. Quase todos os livros dela giram em torno desse tema, a diferença é como cada personagem da autora lida com essa herança cultural tão forte e também tão presente na nossa cultura brasileira. É sempre interessante ver as nuances e pontos de vistas dos personagens da Anne Rice (pelo menos até ela mesma mudar de ideia e resolver virar católica de carteirinha), apesar de nesse quesito "Exit to Eden" não ser o livro mais interessante que já li dela.

Para quem quer ler literatura erótica de verdade mas não quer nada muito pesado, é um ótimo livro. Leitoras, deixem Christian Grey de lado e leiam Anne Rice, vocês não vão se arrepender.

Nota 9.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

As Aventuras de Tom Sawyer



SPOILER FREE

Apesar de eu ter lido esse livro no kindle, nas obras completas de Mark Twain ilustradas que comprei por menos de de 2 dólares, esse livro tem história. Meu pai era um grande fã de Mark Twain (gosto que herdei), e amava esse livro. Até uns dois anos atrás eu ainda tinha o livro original do meu pai em casa, mas minha forte alergia somada à quantidade absurda de livros em casa e ao fato de que eu achava que dificilmente eu leria o volume em questão me fez desfazer do livro de capa linda mas já carcomida pelo tempo que eu tinha. Nada grave, pois rapidamente arranjei uma versão de bolso por um preço razoável. Que acabei não lendo porque assim que comprei o meu kindle fiz uma grande busca por obras clássicas fornecidas de graça pela Amazon, o que depois me levou a comprar bem baratinho a versão que mencionei lá no início.

Histórias sobre o livro à parte, finalmente li um dos livros mais amados pelo meu pai, que eu nunca tinha tido realmente vontade de ler (vai entender). Mas nada que o Desafio Literário não corrija, não é? "As Aventuras de Tom Sawyer" já foi proibido diversas vezes, e por motivos diferentes. Já foi proibido por conta da sua linguagem chula (para a época), por conta do excesso de informalidade (quase a mesma acusação de linguagem chula, mas não é exatamente a mesma coisa), por racismo (versão americana da história com o Monteiro Lobato e o racismo da época em que a obra foi escrita), por violência explícita e também por não ser apropriado ao público infanto-juvenil (grandes coisas, hoje em dia "O Mágico de Oz" provavelmente também não seria mais considerado apropriado para crianças).

E, claro, o livro tem isso tudo em profusão em suas páginas.

E sinceramente, não acho nada negativo. O livro retrata uma época e um lugar onde tudo isso realmente existia (racismo, linguagem chula e coloquial) e onde e quando ainda por cima isso era considerado normal para jovens, então me parece bastante razoável que o livro seja assim.

E claro, o que era considerado chulo era muito diferente! O que torna a leitura muito interessante! Confesso que não identifiquei nenhum "palavrão moderno", e desconheço o que era considerado palavrão na época. "Gay" ainda tinha outra conotação e era usado sem outras intenções, a forma de contrair as palavras para denotar a forma de falar é um espetáculo (e uma dificuldade) à parte, e faz com que o leitor se aproxime ainda mais do mundo retratado por Mark Twain. E os personagens e situações são simplesmente geniais! Como me arrependo de não ter lido esse livro antes! Hum, talvez eu não tivesse apreciado tanto se tivesse lido antes, é verdade, mas o livro é muito bom.

Tom Sawyer viveu numa época onde não havia muitas opções para crianças, então todos os seus jogos e brincadeiras são feitos fora de casa, no meio da floresta, tudo com muito faz-de-conta e se baseando no que era considerado clássicos infantis da época: piratas, índios, ladrões, caçadores de tesouros e, claro, Robin Hood. A escola era um lugar de sofrimentos para um jovem tão ativo (provavelmente hoje Tom Sawyer seria diagnosticado com hiperatividade) e os castigos físicos em classe eram comuns e considerados normais. Além disso a Igreja aos domingos era uma obrigação de todos na sua pequena cidade (pense mais numa vila do que numa cidade), e nesse dia todos precisavam se vestir bem, o que era outra tortura para crianças, que precisavam colocar sapatos e roupas pouco confortáveis (sério, quem nunca foi criança e detestou uma roupa por essas razões?). Tudo muito diferente do que é hoje em dia, mas as razões das crianças e sua forma de pensar e brincar não mudou tanto assim, e aí está a imortalidade da obra de Mark Twain.

Tom Sawyer representa aquela juventude ainda inocente, onde fantasia e realidade podem ainda se misturar e o que pode ser considerado riqueza ainda é muito relativo e único para cada criança. E ver o que podia ser considerado um tesouro para crianças no século XIX é no mínimo divertido. Uma época onde todas as crianças brincavam soltas, podiam "fugir" de casa no meio da noite e andar por cemitérios, sumir por dias num rio e brincar por horas a fio no meio de uma floresta. Que criança hoje em dia nunca pensou em fazer essas coisas?

É um fiel retrato de uma época que já vemos de uma forma bem romântica, que serve tanto para desmistificar quanto para deixar saudades.

Nota 10.