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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Retrospectiva 2015

2015 foi um ano difícil. Foi muito complicado chegar na meta dos 50 livros, que bati no apagar das luzes do ano, e foi um ano em que atrasei a leitura de muitos temas ao longo do ano. Nesse sentido espero mesmo que 2016 seja mais produtivo e pontual.

Foi também um ano de grandes contrastes. Tiveram livros absolutamente sensacionais e livros que me deram muito trabalho para ler até o final. Uma certa falta de paciência da minha parte certamente não ajudou os livros mais complicados.

Mas, lembrando de tudo desde o início, 2015 começou bem, com Valter Hugo Mãe, no seu sensacional (mas pesado, ô ano pesado) "apocalipse dos trabalhadores". Já virei fã de carteirinha do autor português, tão fã que estou me dispondo a conhecer ainda mais autores lusitanos em 2016. Em seguida, consegui terminar um livro que na verdade eu havia começado no ano anterior, "The old magic of Christmas" foi um livro que achei absolutamente maravilhoso, e que eu realmente gostaria de ter terminado de ler durante a época "correta", mas que vale a leitura em qualquer momento do ano. Ainda na onda de início do ano, entrei numa vibe "vou arrumar a minha casa" e li "Miss Minimalist", que foi interessante, mas minimalismo não combina muito comigo, pretendo ler mais sobre arrumação com outros autores no futuro. Ah, a arrumação foi terminada, mas os descartes estão até hoje num canto da casa, uma vergonha.

Depois de tanta leitura informativa ou pesada, entrei na onda da fantasia e li em seguida "The tenth life of Mr Whiskers", que foi fofo demais e eu bem que queria que tivesse mais para ler, "The museum of literary souls", do genial John Connely, outro autor que entrou para a lista de favoritos e agora fico aguardando novos lançamentos. Então fiz uma pequena pausa para ler o clássico "Romeu e Julieta", que, assim, achei ruim, dentro de tudo que já li de Shakespeare, não consigo entender o sucesso dessa obra em específico e nem toda a mitologia em torno do romance, que é muito mais tragédia do que qualquer coisa. Depois disso, só voltando para o gênero da fantasia para tirar o grude do açúcar, então li "Anna dressed in blood", que me surpreendeu tanto que levou uma nota 10 e a sua continuação está na minha wish list da Amazon, aguardando uma queda significativa no seu preço para que eu compre.

Depois de tanto tempo lendo coisas em inglês, fiz um detox com "A confissão da leoa", do moçambicano Mia Couto, porém a leitura foi mais pesada do que eu esperava, e eu simplesmente precisei fazer um detox do detox com Neil Gaiman, com a graphic novel "The sleeper and the spindle". Neil Gaiman é Neil Gaiman, ele faz parte daquela lista de autores de quem eu leria até a lista de compras do supermercado. Mas o livro era muito curto e rápido, então, ainda em fevereiro eu consegui ler "The book of life", último livro da série "discovery of witches". Essa série é daquelas que me deixa triste, tinha tanto potencial para ser fantástica mas é simplesmente medíocre. Uma pena.

A partir de então a velocidade de leituras desandou para o resto do ano, em março eu resenhei apenas um livro, "O jogo de Ripper", da maravilhosa Isabel Allende, muitíssimo recomendado. Mas depois consegui colocar em dia, com outro fechamento de série, "The ruby circle", da série "Bloodlines", outra série cujo potencial não foi realizado, mas que é ainda mais triste, visto que a autora já fez melhor antes. Depois me deprimi profundamente ao ler a autobiografia da divina Isadora Duncan, "Minha Vida", e segui as leituras para o oriente, com a iraniana Marjane Satrapi em "Frango com ameixas", que é muito bom, como as demais obras dela, e o egípcio ganhador do nobel de literatura, Naguib Mahfouz em "O jogo do destino", que é bom, mas dentro do trabalho do autor deixa muito a desejar.

Depois desse passeio, voltei aos livros "young adult", com o sensacional "The Duff" (não vejam o filme!), super super super recomendado. Daí terminei abril com o fundo do poço "Outlander", detestei demais o livro, acho que nada se salva na história, talvez a pesquisa histórica, mas sério, se eu quisesse ler um livro só sobre isso não teria escolhido um romance, muito menos esse romance.

Junho começou bem melhor, com a original continuação da história de Penny em "Please don't tell my parents I blew up the moon", apesar dos problemas técnicos o enredo é tão legal que em 2016 eu pretendo ler outros livros do autor. Em compensação, segui para um livro que me decepcionou, "The secrets of Egypt", da bailarina portuguesa Joana, pois achei que o texto foi um grande tiro pela culatra. Pelo menos, o que veio depois foi o clássico "História sem fim", que apesar de ficar meio lento no meio, é tão lindo e poético e perfeito que simplesmente me arrebatou.

O mês continuou muito bem, no extremo oriente, com o japonês "O incolor Tsukuru Takazi e seus anos de peregrinação", um exemplo perfeito do que é literatura oriental. Para melhorar ainda mais, li "Choreographic Politics", uma obra imperdível para quem gosta de danças folclóricas ou étnicas. Depois, deu uma amornada com "O legado de Arn", cujo conteúdo histórico era muito, mais muito mais interessante do que o livro em si. Pelo menos eu recuperei o ânimo com o nada tradicional "Real vampires don't sparkle", que apesar de bobo é tão divertido que quase ganhou a nota máxima. Fechando o mês veio "Bloodchild", uma coleção maravilhosa de contos da premiadíssima Octavia E. Butler.

Logo em seguida, por pura falta de controle, li a continuação "Real vampires do it in the dark", porque livros "pipoca-trash" às vezes são necessários para a sanidade mental de uma pessoa. Depois a coisa deu uma boa esfriada com "Pó de lua", que simplesmente me pareceu muito melhor na livraria do que na hora de ler de verdade. Pelo menos "Barbe bleue", da minha autora favorita Amélie Nothomb, veio em socorro do mês de julho para ter pelo menos uma leitura de alta qualidade.

Em agosto tudo virou de cabeça para baixo e eu não li nada. A partir daí, tudo ficou atrasado.

Setembro foi uma correria para tentar colocar alguma coisa em dia e ainda comemorar o meu aniversário. Foi quando li "A leitora do Corão", que é bom, mas eu esperava mais. Depois li "Horns", porque amei o filme e precisei ler o livro, que é ainda melhor que o filme. O problema é que depois afundei na série "Instrumentos Mortais", que apesar de ter sido avisada por amigas que não conseguiram ler tudo, eu insisti em ler até o final. Perda de tempo e de paciência... Aí, resolvi arriscar em um autor português contemporâneo, o que foi uma escolha acertada, se fosse meio depressiva, pois "Depois de morrer aconteceram-me muitas coisas" é sensacional, mas triste demais.

Outubro foi outro mês morto e cheio de atrasos. Esse ano foi difícil...

Então novembro precisou começar leve, com "LOL", da mesma autora de "Duff", só que o livro não era tão bom quanto o primeiro. Então apelei novamente para Octavia Butler, com "Kindred", que devia ser leitura obrigatória para todos, apesar de ser muito pesado. Ainda bem que o planejamento de leituras foi seguido pelo maravilhosamente leve e divertido "The Duke and I", que foi tão bem avaliado que levou a mais duas leituras até o final do ano.

Só que antes eu li a "Trilogia Milenium", que me deixou absolutamente viciada e vidrada na Salander, personagem feminina das mais interessantes que já li na vida, e isso não é dito levianamente. Finalizando o mês, pequei a rainha do mistério, Agatha Christie, com "Um corpo na biblioteca", que é um livro dentro dos padrões da inglesa, o que significa que é bom.

E finalmente chegamos a dezembro, o mês da correria para cumprir prazos e metas do ano. E 2015 foi um ano chato e complicado até o final.

Começou com "At the mountains of madness", que é um clássico do H.P. Lovecraft, que foi interessante, apesar de lento. Aliás, dezembro foi o mês dos livros lentos, porque a louca aqui continuou com "Notre Dame de Paris", um modelo de como fazer livros lentos. Fiquei tão desesperada que apelei para as continuações de "The Duke and I", "The Viscount who loved me" e "An offer from a gentleman", que não foram tão bons quanto o primeiro volume.

Fechando o ano, ainda consegui ler "The King of Taksim Square", que muito me agradou, afinal sou apaixonada por literatura oriental, e "Tea with the black dragon", uma fantasia com uma estrutura interessante, mas a escrita da autora deixou a desejar.

Na média, o ano foi bastante inconstante, com muitos altos e baixos, segundo o Goodreads, eu li mais de 16 mil páginas esse ano. Razoável, não? Com uma média de 343 páginas por livro nos 50 livros devidamente lidos. Cravei a minha meta! Mas foi suado...

Para 2016 eu espero algo mais tranquilo. Manterei a meta de 50 livros, mas vamos ver se vai ser melhor.


quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Desafio Literário 2016

Para o ano de 2016 pretendo seguir apenas um Desafio Literário, o proposto pela Coruja do blog Coruja em Teto de Zinco Quente. Como 2015 foi um ano complicado, e eu sou uma pessoa minimamente realista, também manterei a minha meta de livros: 50. Se 2016 for melhor do que 2015, talvez eu seja mais animada em 2017. Mas vamos ao Desafio Corujesco e o que eu estou programando para 2016!

Janeiro:
Um Livro Escrito em Cartas
Bônus: Existe alguém – personagem fictício ou real – que você adoraria bisbilhotar a correspondência? Por quê?
Para esse tema eu separei os seguintes títulos como opções:
The Perks of Being a Wallflower
Dracula
Love, Rosie
we need to talk about kevin

O que eu conseguir ler dessa lista ficarei satisfeita, até porque não tenho todos os títulos ainda!


Fevereiro:
Um Livro Vencedor de Algum Prêmio
Bônus: que motivos você acredita terem levado os jurados a escolherem o livro que você leu?
Prêmio nobel: Alice Munro
Prêmio hugo: Redshirts
Prêmio nebula: Dune

Março:
Um Livro de uma Lista
Bônus: Que tal fazer sua própria lista dos seus livros favoritos que você acha que todo mundo tem necessariamente de ler? Ou de livros que VOCÊ acha que você não pode morrer sem ler?
Lolita
100 anos de solidão
Jane Eyre


Abril:
Um Livro com Título Bem Longo
Bônus: Todos os pontos para quem conseguir encontrar um título com mais de dez palavras (mas, veja bem, tem de ser o título, não conta o subtítulo!)
How to tell if your cat is plotting to kill you
zen and the art of motorcicle maintenance

Maio:
Um Livro Escrito por uma Mulher
Bônus: você acredita que existe algum tipo de diferença na forma como homens e mulheres escrevem? Por quê?
Não separei nada porque tenho tantos livros de autoras mulheres que é muito fácil escolher. São tantas opções... e é bom ter uma certa flexibilidade.

Junho:
Um Livro com um Personagem Animal
Bônus: qual a diferença entre escolher um protagonista humano e um animal? Personificar animais leva sempre a alegorias?
Segundo livro da série Nárnia

Julho:
Um Livro de Não-Ficção
Bônus: escolher um livro sobre alguma área que você não conhece. Nada como aprender algo completamente novo!
livro sobre fermentação (sim, eu tenho um)

Agosto:
Um Livro com Número no Título
Bônus: se o título do seu livro for apenas números, sem palavras.
Julio Verne (várias opções de livros com números no título)

Setembro:
Um Livro Publicado no Ano do seu Nascimento
Bônus: qual era o contexto da época em que o livro foi escrito (e você nasceu)? Existe alguma reflexo desse contexto na obra?
The color purple
Tia Julia e o escrevinhador

Outubro:
Um Livro com Título de uma Palavra Só
Bônus: se o seu título não é o nome de um personagem, mas uma palavra que não te entregue de imediato do que se trata a história.
Neverwhere

Novembro:
Um Livro para Terminar em Um Dia
Bônus: quanto tempo você levou para ler? Qual a sua velocidade média de leitura?
Um livro do autor Ondjaki.

Dezembro:
Um Livro Publicado esse Ano
Bônus: você tem algum livro pelo qual esteja esperando ansiosa para o próximo ano?
Ainda não escolhi... mas tenho 2016 todo para isso, quem sabe lança a continuação de "Please don't tell my parents"?

Tea with the black dragon



SPOILER FREE

Fechando 2015, com o tema dragões, eu li o livro mais óbvio com o tema que eu pude encontrar no meu kindle super lotado. "Tea with the black dragon", da americana R. A. MacAvoy, foge um bocado do que eu esperava num livro com dragões. Primeiro porque quando imagino dragões eu imagino algo bem na linha Senhor dos Anéis, numa espécie de fantasia medieval, segundo porque eu imagino dragões com uma aparência muito muito muito óbvia de dragões.

Nada disso nesse livro.

Primeiro, a história se passa nos EUA durante o que chuto que seja os anos 80. Então nada de batalhas épicas, castelos ou qualquer coisa do gênero. Segundo, o dragão em questão, além de ser chinês, já não tem mais a forma clássica de dragão. Mas ao mesmo tempo... bom, só lendo para entender.

A história conta a saga de Martha Macnamara, que está em busca de sua filha Elizabeth, com quem ela tem mantido um contato bastante superficial por telefone nos últimos anos. Ela sabe que Liz se meteu numa grande encrenca, mas não sabe a natureza do problema. Para ajudá-la surge a figura do Sr Long, um homem de aparência chinesa extremamente misterioso.

A história em si é bastante cativante e intrigante, com uma temática zen incomum na literatura norte-americana. Agora, o estilo da escritora me deixou insatisfeita. Talvez seja o formato do livro no kindle, que não tenha captado algumas opções do formato original do texto, mas fiquei com a sensação que a autora simplesmente mudava de tema, cena ou diálogo, de forma displicente. Algo que vejo demais em literatura contemporânea e que eu não consigo entender.

Apesar do incômodo, o livro tem uma leitura bem dinâmica e agradável, além de ser mais curto do que eu imaginava. A parte zen é meio clichê, mas não chega a comprometer. Já a parte dos mistérios e da perseguição são extremamente divertidas e interessantes.

No geral, é um livro mediano e equilibrado. E, claro, tem uma continuação, que eu pretendo ler um dia, mas não é nenhuma pressa ou prioridade.

Nota 8.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

The king of Taksim Square



SPOILER FREE

Esse livro foi escolhido para o tema de novembro, um livro sobre ou que se passe num lugar para onde você viajou. Confesso que fiquei muito na dúvida do lugar (são tantos com literaturas maravilhosas!), e fiquei na dúvida se classificava "Notre Dame de Paris" nesse tema também. Mas achei que seria roubar e que seria uma boa oportunidade para ler mais alguma coisa da literatura turca, que nem sempre é traduzida para o português.

"O Rei da Praça Taksim" (em tradução livre minha) foi um achado que fiz no Kindle, para variar, e que me surpreendeu. O autor é um jovem turco e essa foi a primeira obra dele lançada em inglês, e, gente, eu acho que passei mico sorrindo para o texto boa parte do tempo em que eu o li.

Explico, as línguas árabe e turca têm algumas características distintas, e os árabes e turcos se apegam a um tipo de imagem linguística que é extremamente característica. Nem sempre faz muito sentido em outras línguas, e muitas vezes simplesmente soa brega, MUITO BREGA. Você se depara demais com essas coisas nas traduções de letras de músicas dessa região, especialmente as músicas românticas, e mais especialmente ainda nas traduções mal feitas.

Agora, imagina ler um livro inteiro assim. Sério. Com direito a "noites e dias que se misturam em sofrimento" e outras coisas extremamente açucaradas. Agora, acrescente que o livro é narrado em primeira pessoa por um adolescente de 17 anos que vive no interior da Turquia, que ama um pouco demais a irmã dele, que é uma menina de 9 anos que está tentando fazer sucesso dançando em vídeos no youtube, e que o sucesso não vem porque a Turquia está sendo balançada por uma onda de protestos contra o governo e a tal Praça Taksim está ocupada (para quem não lembra: em meados de 2013 os turcos ocuparam durante semanas uma das principais praças de Istambul, primeiramente por conta do fechamento de um parque e da derrubada de árvores, posteriormente para tentar derrubar o governo, que, infelizmente, continua aí até hoje).

Eu simplesmente deitei e rolei com o livro, que é bom, veja bem, bem escrito e muito divertido, apesar do estilo meio antiquado (mas comum na literatura oriental), mas que simplesmente exalava Turquia e mundo árabe para mim. Talvez outros leitores não curtam justamente por causa dessas coisas, mas para mim foi um prato cheio. Deu uma vontade enorme de voltar para Istambul ao ler os nomes dos bairros da cidade, das estações de metrô, e aquele linguajar absolutamente específico. Coisa de quem é meio apaixonado, sabe?

Eu só não dou nota 10 porque sei que não é nenhuma obra prima, o livro tem lá os seus problemas e é meio lento em algumas passagens, além de ter um certo excesso de drama (característica dos árabes e dos turcos, além dos adolescentes). Mas que em alguns momentos eu fiquei com vontade, fiquei.

Nota 9.

An offer from a gentleman



SPOILER FREE

Então... esse é o terceiro volume da série "Bridgertons", porque eu ainda não estava me sentindo bem o suficiente para entrar numa leitura mais séria.

Depois do fiasco do segundo livro, fui para o terceiro esperando o pior, e qual foi a minha surpresa que a série dá uma melhorada nesse volume! (eu não disse que é tudo uma questão de expectativa?) A história em si é bem batida e óbvia. Sério, só de olhar a capa você já saca em qual conto de fadas esse livro será baseado.

A diferença é que a gata borralheira da história perde outra peça de roupa, não exatamente um sapato. E graças aos deuses a autora volta a tratar de forma mais razoável o machismo inerente da época vitoriana, sem grandes exageros ou relacionamentos abusivos gratuitos. Não que nada disso deixe de existir, mas pelo menos faz sentido para a época e para as pessoas envolvidas, não é de graça. As cenas picantes são mais interessantes também, o que também ajuda muito, e vamos ser sinceras, é uma das justificativas para ler um livro desses.

Esse volume peca apenas na história óbvia e na falta de humor que te faça pagar mico em público, no mais, faz jus ao primeiro volume da série, que achei realmente marcante para o gênero. Voltei a ficar curiosa com relação aos casamentos da família Bridgerton, quem será o noivo ou a noiva do quarto livro? Agora só em 2016, se os livros entrarem em promoção!

Para quem quiser se aventurar, é importante notar que os livros da série estão sendo republicados com um segundo epílogo. Os epílogos extras também se encontram num livro separado, como se fossem histórias curtas. Sugiro fortemente as versões com os epílogos extras, eles são muito divertidos.

Nota 8.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

The Viscount who loved me



SPOILER FREE

Depois de dois livros lentos e depressivos, cheguei a conclusão que eu precisava urgentemente de algo leve, engraçado e divertido para ler. Daí resolvi investir na continuação de "The Duke and I".
Depois de ter uma experiência absolutamente saborosa com o primeiro livro da série "Bridgertons", eu também estava sedenta por mais.

Um dos grandes problemas com relação a arte e entretenimento é expectativa. Expectativas podem simplesmente arruinar uma experiência que de outra forma poderia ser sensacional.

Depois de "The Duke and I", eu tinha expectativas com relação aos demais livros da série. Eu esperava um livro em que o machismo era o mínimo para retratar a época. Eu esperava um livro com cenas muito legais de romance. Eu esperava um livro em que o mocinho fosse um cara problemático, mas essencialmente legal.

O que encontrei? Um "mocinho" que não merece esse título, por mais apaixonada que a mocinha esteja. Situações de abuso de poder absolutamente gratuitas. Relacionamento abusivo. E cenas de romance que não chegam ao pés do primeiro livro.

Mas não é tudo ruim. Os personagens do primeiro livro aparecem e são uns fofos (bateu saudade). Ainda tem situações absolutamente divertidas e de pagar mico ao gargalhar em voz alta no metrô ou alto o suficiente para assustar os vizinhos.

Talvez se o primeiro livro não fosse tão bom, e eu não tivesse expectativas com relação a este volume da série a nota fosse bem melhor.

Nota 5.

Notre Dame de Paris - O Corcunda de Notre Dame



SPOILER FREE

Seguindo a onda dos clássicos, para o mês de novembro (atraso pouco é bobagem! pelo menos ainda estamos em 2015), cujo tema era um livro com protagonista deficiente, eu confesso que não pesquisei e simplesmente achei que era um bom momento para ler "Notre Dame de Paris", ou "O corcunda de Notre Dame".

Não foi uma escolha muito sábia. Depois da leitura lenta de H. P Lovecraft, Victor Hugo foi uma péssima escolha, visto que é outro autor lento.

Ler a história de Quasimodo e Esmeralda foi quase uma tortura. É um clássico, eu sei, com todo o direito de ser, Victor Hugo é um gênio em alguns aspectos, mas, porém, contudo, entretanto, todavia, seus livros são lentos. Talvez lento não seja suficiente para descrever o real andamento da história, visto que lento é algo que vai devagar, mas não para. O texto de Victor Hugo para, isto é, faz pausas imensas para falar de outras coisas que foram apenas mencionadas e não realmente fazem a menor diferença na história, só porque sim, ou talvez para que o autor possa mostrar todo o seu poço de conhecimento acerca de outras coisas absolutamente irrelevantes para a história que ele se propôs a narrar.

Em comparação com a sua obra prima, "Os Miseráveis", "Notre Dame" tem um outro problema. Enquanto os personagens do primeiro são incríveis em termos de profundidade e ambiguidade e, digamos, não serem preto e branco, os personagens de "O Corcunda" são absolutamente sem graça e sem cor. Na verdade mesmo, são todos maus, com a única exceção de Esmeralda, que é tão pura e inocente (e burra, vamos combinar?) que dá um nervoso terrível vê-la no meio de todo aquele drama novelesco. Tá, Gringoire também é bonzinho, mas ele não faz grandes esforços para ajudar ninguém, eu o classificaria mais como neutro.

Para coroar todo o excesso de drama e lentidão da obra, Victor Hugo parece ser o tipo de autor que gosta de torturar com requintes de crueldade os seus personagens. Chegou um ponto que eu juro que fiquei me perguntando para quê ele estava fazendo aquilo. Talvez fosse uma forma de mostrar com excesso de eloquência e exemplos que a Idade Média foi a Idade das Trevas por muitos motivos. Talvez fosse moda na época em que ele publicava, uma espécie de competição entre os autores: quem é capaz de bolar a história mais sofrida e que faça chorar mais. Talvez ele fosse somente um sádico. O que importa é que o resultado é absolutamente depressivo.

Então, "Notre Dame de Paris" é um grande clássico, vale a pena ler, mas aconselho cautela, lê-lo em determinados momentos da sua vida pode ser um tiro no pé na sua capacidade de aproveitar a leitura.

Nota 8,5.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

At the mountains of madness


SPOILER FREE

O tema do mês de outubro foi um autor que eu já tivesse ouvido falar mas que nunca tivesse lido. Por insistência de um amigo meu, no final do ano passado eu acabei por adquirir baratinho na Amazon uma coletânea de toda a obra do H.P. Lovecraft, e com esse tema, achei que finalmente era a hora de atacar um clássico do terror.

Então, existe um motivo para a obra  de H.P. Lovecraft ser considerada um clássico, ele foi um dos primeiros a levar elementos da ficção científica para o terror. E a narrativa é montada de forma que traz uma montanha de suspense (olha a piadinha infame), porém, o ritmo da leitura é bem datado. Em outras palavras, o livro é lento. Existe na obra um preciosismo comum dessa época, início do século XX, de caprichar e detalhar um pouco demais as descrições das coisas e dos lugares, o que eu achei chato. A descrição dos monstros parece retirada de um livro de anatomia, o que pode ser o máximo para alguns, mas para mim só deu vontade de pular os parágrafos.

Mas fora isso, até quase o final, o livro é muito interessante e o suspense realmente funciona. Só que, quando chega na última parte do livro, o narrador em primeira pessoa resolve dar uma aula de história que, da forma como a narrativa é contada, é simplesmente implausível que o narrador fosse capaz de saber aquilo tudo. E a partir daí eu simplesmente não consegui mais entrar no clima do livro, a minha "suspensão voluntária da descrença" foi passear e não voltou mais.

O que mais me deixou chateada é que essa última parte, que causou todo o meu problema com o livro, era absolutamente desnecessária! O livro poderia ser mais enxuto e ainda mais interessante e envolvente sem essa enrolação no final. Definitivamente uma pena.

Para a minha primeira obra de H.P. Lovecraft, confesso que fiquei um pouco decepcionada. Mas no futuro pretendo dar uma segunda chance, afinal tenho todas as obras dele em mãos para escolher.

Nota 7.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

The body in the library - Um corpo na biblioteca



SPOILER FREE

Tentando colocar o atraso em dia, esse é o livro que escolhi para o tema de Outubro, um livro com um protagonista idoso. Confesso que fui preguiçosa e não pesquisei muito, simplesmente escolhi um livro da Agatha Christie que tivesse a Miss Marple.

É aquilo, tudo da Agatha Christie é um clássico, não tem como errar etc. E, sim, "Um corpo na biblioteca" não foge à regra. É um livro curto, razoavelmente leve (ainda tem assassinatos, né?), fácil e tranquilo de ler e com a qualidade esperada da autora inglesa.

Mas é preciso lembrar que Agatha trabalha com fórmulas nos seus livros, isto é, todos eles seguem um padrão, de acordo com o detetive escolhido. E Miss Marple não é uma detetive que envolva ação ou perseguições, afinal ela é uma velhinha que tem "apenas" um grande poder de observação e conhecimento sobre a natureza humana. Em outras palavras, depois da adrenalina da trilogia "Millenium", eu confesso que achei "Um corpo na biblioteca" um tanto devagar.

Nesse livro, os Bantry acordam certo dia e encontram a casa em polvorosa por conta da descoberta do corpo de uma linda jovem na sua biblioteca. Dolly Bantry não hesita e chama imediatamente sua amiga, Miss Marple, para ajudar a resolver o mistério e limpar a reputação do casal.

O mistério em si é bem intrincado e interessante, claro, mas o fato da história toda ser baseada em conversas dos policiais e da Miss Marple com os suspeitos e outros personagens envolvidos deixa o ritmo meio lento e um tanto datado. Confesso que precisei ficar me lembrando que o livro foi publicado na década de 40, tanto por conta do elitismo dos personagens, quanto por conta das limitações dos policiais com relação à cena do crime.

Mas isso sou eu sendo chata e cri cri. O livro vale a pena a leitura.

Nota 8.


terça-feira, 10 de novembro de 2015

Trilogia Millenium

 
SPOILER FREE

Depois de ficar alguns anos na minha estante, finalmente peguei para ler a trilogia "Millenium". Isso porque o tema de setembro (estou atrasada demais, ó céus) era uma protagonista lésbica, e eu havia lido em algum lugar que a heroína da saga era lésbica (aviso logo: é mentira).

Independente de orientações sexuais, a protagonista de "The girl with the dragon tattoo" ("o homem que não amava as mulheres em português" - de onde será que esses tradutores arranjam títulos????) é simplesmente inesquecível. A trama é tão envolvente que eu fiquei doidinha enquanto eu não terminava  de ler a série inteira, o que demorou um pouquinho, visto que são 3 livros bem grandes.

Apesar do tema dos mistérios que envolvem a trilogia ser bem pesado, visto que os crimes se tratam basicamente de violências contra mulheres, com atenção especial a violência sexual, os livros são tão bem escritos e os personagens são tão interessantes que não dá para parar de ler.

Apesar de todos os livros da trilogia serem muito bons, é necessário avisar algumas coisas. O primeiro livro funciona bem como uma obra separada. Se você quiser parar de ler ou fazer uma pausa para uma leitura mais leve logo aí está ótimo, é bem tranquilo. Porém, caso você comece o segundo volume fique atento que é improvável que você consiga fazer a pausa entre o segundo e o terceiro livros, visto que o final do segundo é um gancho daqueles que dá ódio.

Mas existe uma razão para isso, enquanto o primeiro livro trata mais do jornalista Blomkvist, e a maravilhosa Lisbeth é quase um personagem secundário que chama muita atenção, os livros seguintes tratam praticamente só da Srta Salander. Sua história é absurdamente improvável, mas o autor tira proveito justamente disso para criar a grande trama, o que tem um resultado surpreendentemente bom.

Outro aviso importante, caso você ainda não tenha visto os filmes, espere para ver depois de ler os livros, senão certamente vai perder boa parte da graça da leitura.

Como a história é de mistério/detetive/suspense, é complicado ficar explanando sem dar spoiler, então vou me ater a minha nota para a série:

Nota 10!

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

The Duke and I



SPOILER FREE

O outro tema de desafios literários para setembro (ó atraso que me persegue!!!) foi "um livro que vi num blog". "The Duke and I" foi indicado no blog da Coruja em Teto de Zinco Quente e como eles costumam fazer boas indicações e eu gostei do tema do livro, resolvi encarar.

E gente, que surpresa mais agradável! Sabe aquele livro que veio na hora certa? Então, eu estava precisando de uma leitura EXATAMENTE ASSIM.

Eu fico imaginando que Julia Quinn seja famosa pelos livros extremamente açucarados, daqueles bem "mulherzinha" (olha o sexismo aí...) estilo livro de banca de jornal, mas gente, ela tem diferencial. O livro é de rolar de rir, passar vergonha gargalhando no metrô e assustar os vizinhos com ataques histéricos incontroláveis de riso.

E não é só água com açúcar, tem pimenta no meio! E pimenta bem escrita, raridade em épocas de Christian Grey.

A leitura é leve, divertida ao extremo, mas fugindo dentro do possível, quando se trata de um romance que se passa na Inglaterra vitoriana, dos sexismos exagerados, e o mais importante: do abuso disfarçado de romance. Não há panos quentes, tem casamento arranjado e é isso que ele é, sem disfarces, mas tem casamento com pessoas que se amam de verdade e é fofo demais.

O livro foi tão divertido que antes mesmo de terminar "The Duke and I" eu já comprei o livro seguinte na coleção The Bridgertons, crente que não conseguiria fazer uma pausa entre um volume e outro. Mas qual foi a minha surpresa quando descobri que o livro pode ser lido como uma obra independente! Não tem final com gancho, nem final "sacanagem" que parece que está no meio de um capítulo. O livro termina de verdade!

Pelo o que entendi, lendo sobre os demais volumes, cada livro da série fala de alguns personagens na família Bridgerton, então a ordem pode ser importante por conta dos personagens secundários e para não ter spoilers, mas não é necessária e nem deixa o leitor para morrer porque ainda não conseguiu o livro seguinte.

Entretanto, a leitura é tão agradável que não há como não querer ler mais. Espero conseguir ler o segundo volume da série o mais breve possível, assim que eu conseguir colocar as leituras em dia. Torçam para que isso aconteça ainda esse ano!

Informação importante: o livro foi lançado em português com o título "O Duque e eu".

Nota 9.

Kindred



SPOILER FREE

Então, o segundo livro que escolhi para ler em setembro, mas que só terminei de ler em outubro, foi selecionado por conta da autora negra (tema de um dos desafios literários desse mês), Octavia E. Butler, que é não só uma autora fabulosa (que descobri lendo Bloodchild), mas por conta da sua importância como uma das primeiras mulheres a escrever ficção científica. E a primeira mulher negra!

"Kindred" é considerada uma das suas obras mais importantes, e, gente, que leitura! Na verdade o livro é tão forte que é mais uma surra do que uma leitura. Num misto interessante de auto-biografia e de ficção científica, o livro narra a história de Dana, uma mulher negra que vive nos EUA nos anos 70, mas que inexplicavelmente começa a viajar no tempo para a Louisiana escravagista por conta de um dos seus antepassados.

O livro então é narrado pela própria protagonista, que tenta se moldar à época em que se encontra mas sem perder os seus valores, o que não é uma tarefa nem um pouco fácil. Levando em consideração que nos anos 70 ela é casada com um homem branco, e que há uma onda forte do movimento negro nos EUA, viver na época da escravatura norte-americana pode ser não só extremamente complicado, mas ela também corre o risco de mudar totalmente as suas crenças e sua forma de ver o mundo e as pessoas.

"Kindred"  é um livro extremamente centrado na questão dos negros, especialmente das mulheres, da forma inumana que a escravatura funcionava e como o ser humano é capaz das coisas mais abjetas. Uma das características únicas desse livro é o choque de realidade, porque quando se lê um romance histórico dessa época ou um relato de um ex-escravo é como se nos distanciássemos de alguma forma daquela narrativa, mas "Kindred" trabalha o contato com o passado de uma forma diferente, a distância simplesmente some e tudo o que o leitor vê é a ferida aberta. É um livro chocante nesse sentido.

Levando isso tudo em consideração, a leitura é obrigatória para quem quer entender um pouco mais as raízes do racismo (que aqui no Brasil é igualzinho...), porém aviso que o livro pode te deixar deprimido. Foi o que aconteceu comigo, achei o livro fantástico, mas confesso que foi um exercício de força de vontade, porque é uma pancada emocional. Muito necessária, mas não menos pancada.

Leitura recomendada para todos que querem se tornar seres humanos melhores.

Nota 10.

LOL - Lying Out Loud



SPOILER FREE

Gente... estou super atrasada nas resenhas... esse ano tá complicado, já não é a primeira vez que me atraso demais no blog. Vamos tentar correr atrás do tempo perdido... e põe perdido, pois estou atrasada nas leituras também! Afe!

Então, escolhi esse livro porque eu já conhecia a autora por conta de "The Duff", que foi um livro para adolescentes que eu não canso de elogiar, e também porque eu precisava ler algo mais leve. Claro que por conta disso eu esperava algo muito bom, e infelizmente "Lying out loud" não é tão bom assim.

Veja bem, dentro do universo de livros para adolescentes e do universo de livros escritos por adolescentes (ou recém saídos da adolescência), "LOL" é excelente. De forma geral, a autora consegue escapar de alguns dos grandes problemas típicos desse tipo de literatura (excesso de drama, enrolação para ficar com o cara, slut-shaming, relacionamentos abusivos sendo retratados como românticos etc), mas não chega a ser um livro tão equilibrado e com uma mensagem tão legal.

O problema de "LOL" é que todo o drama se baseia unicamente no medo da protagonista de dizer a verdade, ou de simplesmente contar as coisas, o que faz sentido quando se trata do garoto que ela está a fim, mas não faz sentido quando se trata da melhor amiga que a trata como se fosse irmã e que ela conhece desde bebê. Tudo bem que a premissa é justamente a protagonista ser "viciada em mentir", mas, gente, para tudo tem limite, senão a coisa desanda e fica exagerada demais, e é nesse momento que o livro ou fica chato ou o leitor perde a sensação de realidade da história.

Tem o problema extra de eu, pessoalmente, abominar enredos que dependam unicamente de mentiras ou falta de comunicação proposital entre os personagens. Pensando bem... Talvez eu tenha escolhido mal o livro.

Mas, o "LOL" tem sua graça. Se passa no mesmo universo de "The Duff", o que significa que diversos personagens fazem aparições especiais, o que é divertido e bastante fofo. Além disso, mantém a mensagem principal da autora, que advoga firmemente pela sororidade feminina e pela autoestima das meninas, o que por si só já é o máximo e o deixa acima da média (mundo triste esse em que nós vivemos, né?) dos livros para o público jovem. Então, continuarei lendo mais da Kody e indicando os seus trabalhos.

Nota 7.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Depois de morrer aconteceram-me muitas coisas



SPOILER FREE

Agosto foi um mês complicado e estou super atrasada com as leituras dos Desafios Literários, mas essa eu já consegui terminar! O tema era "livro com título diferente". Por acaso, eu já estava há tempos de olho num livro que comprei numa leva de autores portugueses que comprei no ano passado com o intuito de conhecer melhor a nova geração de autores lusitanos, que já havia me maravilhado com Valter Hugo Mãe, e que entrou na lista de compras justamente por causa do título, no mínimo, inusitado.

Como o português era português mesmo, com direito a diálogos escritos para soar como lusitanos do interior da terrinha, confesso que demorei um bocado a me sentir confortável na leitura e realmente entender o que estava acontecendo. A partir daí a leitura fluiu bem melhor, e pude realmente aproveitar a história de dois imigrantes portugueses (ilegais, claro) em alguma terra estrangeira, sendo que nenhum deles falava uma palavra da língua local.

Toda a narrativa se centra nessa dificuldade de viver num país estrangeiro sem ter nenhuma ideia nem da língua nem da cultura local, contando um dia na vida do casal e do filho, onde eles se perdem e não sabem como voltar para casa. O livro é permeado de questões sociais, como o quê levou os portugueses a saírem do seu país, a forma como são tratados no estrangeiro, e a dificuldade de se adaptar nessa situação.

Ricardo Adolfo não trata desses temas com delicadeza, pelo contrário, o seu narrador é o próprio imigrante, que, na sua limitação social e de estudos, tenta não só entender o quê está acontecendo, mas busca as melhores alternativas para sair dos problemas. Problemas em que eles mesmos se metem por conta da total ignorância acerca do lugar e da língua com o qual precisam, não apenas conviver, mas extrair um meio de subsistência.

Apesar do título do livro sugerir algo mais para o ramo da comédia, o texto é bastante pesado e desesperançoso, levantando questões extremamente incômodas, especialmente nos dias de hoje.

Inclusive, é uma leitura extremamente recomendada por tratar de algo tão atual.

O meu único problema é que eu não estava no clima para uma leitura desse peso, se não fosse por isso a nota seria maior.

Nota 8,5.


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

The Mortal Instruments (Série) - Os instrumentos mortais



SPOILER FREE

Então, vou tratar da série completa (seis livros no total) em um só post, simplesmente porque não quero me estender e não há a menor necessidade de prolongar o assunto. Os livros já fazem isso sozinhos e eu não estou a fim de ajudar.

A série escrita por Cassandra Clare, e com a qual ela ganhou rios de dinheiro é composta pelos seguintes volumes:

- City of Bones (Cidade dos Ossos)
- City of Ashes (Cidade das Cinzas)
- City of Glass (Cidade de Vidro)
- City of Fallen Angels (Cidade dos Anjos Caídos)
- City of Lost Souls (Cidade das Almas Perdidas)
- City of Heavenly Fire (Cidade do Fogo Celestial)

A série é do mesmo estilo de Twilight (romance meloso adolescente misturado com fantasia, e nesse caso com mais ação), com um detalhe que pessoalmente eu achei extremamente divertido, que é o fato do casal principal tratar de um tema tabu: incesto. Agora imagina um texto de romance adolescente, daqueles mal escritos, que trata de um assunto desse tipo como se fosse algo leve e tranquilo. Hilário, não é mesmo? Pois bem, foi o que me manteve lendo a série até o final do terceiro volume.

Digo isso porque a série de Cassandra Clare não é apenas mal escrita, como o mundo que ela criou é um balaio de gatos de religiões (com um peso desproporcional para o cristianismo, claro) tão grande, que é possivelmente ofensivo para muita gente. Mas eu prefiro não me prolongar nesse assunto, porque dá alergia.

Voltando ao casal principal, o desenvolvimento dos personagens sofre de um problema muito comum em livros românticos para adolescentes, algo que em inglês se chama de "instalove", que é quando um casal se conhece e se apaixona instantaneamente (ao nível de querer casar e ter filhos). Só que nesse caso a coisa é levada ao extremo, pois em menos de uma semana (no primeiro livro) eles se conhecem de uma forma que é como se se conhecessem há anos. Uma coisa muito estranha e que me deixa muito apreensiva sobre o que essa geração acha que é aceitável num relacionamento.

Além disso, o livro sofre do "problema Twilight", que inclui não só descrições repetitivas sobre a beleza do interesse romântico da mocinha que é narradora do livro, mas também aquela enrolação sem fim em torno do envolvimento do casal principal. Quando eu digo enrolação, em "Instrumentos Mortais" isso é levado realmente ao extremo, toda a hora acontece alguma coisa que posterga ou impede o enredo de andar. Algo me diz que foi para fazer a história durar mais livros e a autora ganhar mais dinheiro.

E digo isso porque ela não faz isso apenas com o enredo envolvendo o romance do casal, mas também com relação ao vilão e ao enredo geral da história. As reviravoltas e as artimanhas para manter a história rolando chegam a ser vergonhosas, porque diversas vezes não fazem sentido.

Então, depois do terceiro livro, a única coisa que me manteve lendo a série foi a determinação de ler até o final só para poder falar mal com propriedade. Confesso que não sei se valeu a pena, porque falar mal dessa série é que nem bater em cachorro morto. No final só fiquei com a sensação de que perdi o meu tempo, porque a graça das bizarrices foi se perdendo no meio do caminho. O pior é que ainda tem gancho para uma nova série (que eu tenho certeza que se ainda não existe, a autora vai escrever!).

Séries como essa me deixam deprimida e sem esperanças na humanidade...

Nota 2.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Horns (O pacto)



SPOILER FREE

Tudo começou porque eu vi que iria sair o filme com o ator que fez Harry Potter, e pelo trailer eu fiquei morrendo de curiosidade. Daí descobri que era baseado num livro! E mais, o autor do livro é filho do Stephen King. Daí eu conseguir o livro foi um piscar de olhos. Em inglês, claro, porque só a tradução do título para o português é de assustar.

Mas, dessa vez fiz algo que eu não costumo fazer, vi o filme primeiro (e no Netflix, porque a lista de filmes e de leituras é realmente grande). E ADOREI. O filme é muito interessante, a total falta de explicação para o que acontece com o personagem principal, Ig, é simplesmente sensacional, porque no final das contas nem o filme nem o livro são sobre a transmutação em si, e sim sobre como ele e aqueles em sua volta lidam com isso. Lindo. O final é meio estranho, meio aberto demais, mas o resto do filme é tão divertido que nem liguei.

Fui ler o livro animadíssima, e o livro é ainda melhor que o filme. Claro que foram feitas algumas adaptações, mas a história é basicamente a mesma. Com exceção do final, que no livro é infinitamente melhor. Tudo bem que eu li já sabendo quem era o culpado do crime, mas o livro conseguiu prender a minha atenção mesmo assim, o que já diz bastante coisa. Até as referências bíblicas são mais interessantes no livro (e mais aprofundadas, claro).

Em termos gerais a história do livro é a seguinte: a namorada de Ig, Merrin, foi encontrada assassinada e estuprada numa espécie de floresta na cidadezinha em que eles moravam. Apesar de não haver provas concretas Ig é o único suspeito, e todos acreditam que ele é o culpado. O problema é que na noite em que Merrin foi assassinada, Ig teve uma bebedeira de proporções épicas, e não lembra do que aconteceu. Até o dia em que começam a crescer chifres na sua testa, e todos ao seu redor começam a agir de forma muito estranha.

Nota 9.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

A leitora do Alcorão



SPOILER FREE

Esse livro foi uma indicação da minha professora de árabe, e eu estava super animada com ele, não só pelo conteúdo prometer ser interessante, mas também pelo fato da autora ser escritora profissional.

Digo isso porque o livro é uma autobiografia de uma norte americana, que após os atentados de 11 de setembro, chegou à conclusão que ela queria ser muçulmana e resolveu se converter, além de ir morar no Cairo, no Egito. Como narrativa, é extremamente interessante, mas por ser uma autobiografia sempre corre o risco de ser um "Marley e eu" da vida, uma ótima história, mas escrita por alguém que teria feito melhor ao contratar um ghost writer. Daí a expectativa aumentar ainda mais, pois Willow Wilson é autora de diversos livros de ficção, alguns inclusive de temática oriental.

Na hora do vamos ver, o livro é realmente interessante, a história dessa americana é algo realmente surpreendente, e ela desfia fatos e explicações sobre o islamismo que não costumam ser bem difundidos, o que torna o seu trabalho de interesse geral. Em compensação, é uma autobiografia, e as pessoas normalmente não conseguem ser muito objetivas ou até mesmo muito organizadas quando estão tratando de suas próprias lembranças (lembro dos problemas da autobiografia da Isadora Duncan).

Em outras palavras, o livro muitas vezes é meio confuso. A narrativa não é exatamente linear, indo e voltando no tempo algumas vezes, de uma forma que lembra o fluxo de pensamentos ou memórias, mas como a gente faz na nossa cabeça, isto é, sem avisar ao leitor que não está mais sendo tratado o mesmo episódio, e nem mesmo a mesma época. Dessa forma, o corte na leitura ficou muitas vezes um pouco abrupto, lembrando mais um roteiro de cinema ou televisão do que um livro. Aliás, esse é um problema que tenho encontrado com frequência em muitos autores contemporâneos, especialmente os americanos, imagino se isso se deve a um excesso de contato com essa mídia ou se os leitores mais jovens já esperam algo assim, algo como "um programa de televisão escrito". Pessoalmente, eu não curto esse tipo de abordagem, acho que ela é da mídia audiovisual, mas não funciona bem na literatura, precisando de uma adaptação para que as trocas de momentos sejam percebidas por palavras ao invés de uma imagem.

Apesar desse problema, lá pelo meio do livro você começa a se acostumar com o estilo, e a leitura passa a fluir melhor, e, assim, dá para apreciar mais a história de vida da Willow, que é, sem sombra de dúvida, extremamente interessante.

Nota 8.


segunda-feira, 6 de julho de 2015

Barbe Bleue



SPOILER FREE

Então, Julho é mês das autoras nos meus desafios literários! E, como não podia deixar de ser, tinha que ter Amélie Nothomb no meio! A escritora belga está no meu Top 10 de autores favoritos e também na lista de "autores dos quais eu leria qualquer coisa, até lista de compras" e de "autores que eu indico para qualquer um".

Seu único defeito é ter poucas obras traduzidas para o português, o que dificulta a indicação de livros e as consequentes conversas pós leitura, o que é simplesmente uma pena, seus livros dão pano para manga para altos papos.

Mas graças aos deuses ela é famosa o suficiente na Europa para que seus livros cheguem na Livraria Cultura daqui. E assim eu consigo me manter à par do que ela está lançando. Acho que ela é o único autor que eu tenho a obra completa em livros físicos e no original (mentira, está faltando só um livro dela na minha coleção, o que eu pretendo corrigir em breve).

Mas, então, "Barbe Bleue" é um romance de Amélie lançado em 2012, onde ela revisita a famosa história de Barba Azul. Seguindo bem o seu estilo, a história em si é curtinha, e o ponto focal é o seu humor extremamente ácido, com toques de surrealismo, e não o enredo em si, já que a história é famosa o suficiente para alguém duvidar de como as coisas irão caminhar. Amélie transporta a famosa história para a França de hoje em dia, mais especificamente Paris, atualizando os personagens para o mundo moderno em diversos aspectos, o que a deixou mais interessante que o conto de fadas original.

Dentro da sua bibliografia, "Barbe Bleue" não está entre os seus melhores romances (meus favoritos continuam sendo os autobiográficos), mas não está entre os piores também. A leitura, como sempre, é muito dinâmica e extremamente divertida, o que achei que ficou faltando é um quê a mais. Diferente de outros livros de Amélie, talvez por ser uma releitura, este não surpreende, não tem a mesma loucura entranhada, não tem um brilho próprio. Ficou parecendo um exercício literário de acidez. Veja bem, é Amélie Nothomb, o resultado desse exercício é obviamente sensacional, mas já a li fazendo muito melhor.

Nota 9.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Pó de lua



SPOILER FREE

Um dos meus desafios literários desse mês tem como tema "um livro ilustrado". Fiquei tentada em ler uma graphic novel, mas depois pensei, preciso de algo mais inusitado. Daí lembrei-me de um livro que comprei por impulso numa visita a uma livraria, simplesmente porque o achei diferente.

"Pó de lua", da brasileira Clarice Freire, é um livro realmente inusitado. É um livro que reúne uma espécie de poesia desenhada que a própria autora gosta de rabiscar em seus cadernos estilo moleskine, e mais tarde passou a postar na internet. A coisa fez tanto sucesso online que virou livro.

E a ideia é realmente fofa e diferente, entendo porque tenha feito sucesso. Funciona bem na internet e como meme.

Não sei se a seleção é que não foi boa, ou se a autora precisa amadurecer um pouco mais, mas confesso que achei o livro e as tais poesias desenhadas muito sem graça. Fiquei meio decepcionada, pois lembro de ter visto o livro na livraria e achado muito legal, então quando vi que das mais de 100 páginas de rabiscos fofinhos apenas uma meia dúzia era realmente interessante, me perguntei o que tinha acontecido.

Talvez eu seja muito chata ou exigente, mas o fato é que achei "Pó de lua" muito fraco. É diferente, original, sim, mas não é bom. Outro problema é que achei o livro repetitivo, tem uma quantidade enorme de trabalhos muito parecidos, e os dizeres, na maioria das vezes, são muito bobos ou óbvios ou sem graça. Os únicos que realmente me chamaram atenção foram as poesias da autora sobre as fases da lua, desses eu gostei, mas são só 4, né? Dava para ter lido na livraria sem comprar o livro.

Nota 4.

Real vampires do it in the dark



SPOILER FREE

Então, como eu disse anteriormente, eu fiquei doida com o final do primeiro livro da série, "Real vampires don't sparkle", acabei comprando a continuação, e, claro, a peguei correndo para saber como a história continuava. Continuava porque, claro, a autora não termina a história aqui.

A sequência começa exatamente onde o primeiro livro termina (me lembrou demais "A hora das bruxas" da Anne Rice nesse sentido, é uma maldade com o leitor), e a história continua divertida, afinal os personagens são a melhor parte do enredo, e isso continua sendo verdade. O humor da autora continua um ponto muito forte também, e é o que me manteve interessada no início desse segundo volume, pois logo no primeiro capítulo a coisa dá uma esfriada terrível, e eu cheguei a achar algumas passagens muito chatas, mas, tem a promessa do personagem principal ser tão divertido, daí você aguenta e, depois que a história desenrola, volta a ficar interessante.

Uma melhoria com relação ao primeiro livro é que dessa vez a história é realmente mais interessante e tem algumas reviravoltas que me pegaram de surpresa, o que foi uma mudança agradável. Em compensação, a autora continua com a mania de terminar o livro com um final sacana pro leitor ficar com vontade de ler o volume seguinte. É uma estratégia suja, na minha humilde opinião. E fiquei muito chateada quando vi que o próximo livro ainda não tem data prevista para lançamento. Sério, o que eu faço agora? Não é à toa que detesto ler séries sem elas terem sido publicadas até o final.

Depois de Mathews virar líder de um coven de vampiros (ah, as ironias da "vida"), praticamente brigar com toda uma cidade, e fazer grandes sacrifícios por Quin, eu PRECISO saber como ele vai resolver mais esse último problema. E eu ainda arrisco dizer que a complicação que surge no final desse livro é ainda mais interessante que os dilemas que surgiram no primeiro, e olha que nem o plot do primeiro volume foi resolvido ainda! Hum... pensando nisso, espero que seja uma trilogia. Estou começando a farejar uma série interminável de livros, e elas NUNCA dão certo.

Fora os pontos positivos e negativos, a versão em kindle precisava de uma revisão básica. Tem uns errinhos chatos que um editor qualquer poderia ter dado um jeito.

Nota 9 no gênero "livro pipoca-trash". Fora dele acho que nem seria considerado avaliável!

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Bloodchild and other stories



SPOILER FREE

Um dos temas dos meus desafios literários desse mês era ler um autor negro. Resolvi ir mais longe, uma mulher negra que escreve ficção científica! Octavia E. Butler é um ícone, e eu nunca havia lido nada dela, um absurdo que precisava ser remediado o mais rápido possível.

Esse livro, para variar, eu consegui numa promoção para o kindle, e contém 6 contos dessa autora premiada, com direito a um pequeno posfácio para cada um deles, escrito pela própria autora, comentando sobre as razões e inspirações para cada um. Eu nem sei do quê gostei mais, dos contos ou dos posfácios, acho que o que torna essa edição tão interessante é poder ler os dois juntos, que foi uma experiência sensacional.

As histórias dela são pérolas da ficção científica, com um quê de mundo pós-apocalíptico que muitas vezes é de partir o coração. Todos os contos também te deixam refletindo, pois Octavia está sempre brincando com a natureza humana no que ela escreve, de forma que dá pano pra manga para diversas discussões e reflexões.

A escrita de Octavia é fluida e profunda, uma coisa rara de se ver e que dá um prazer imenso de ler. Essa mulher merece todos os prêmios que já recebeu, e mais alguns. E eu que nem curto muito o gênero ficção científica fiquei completamente apaixonada, daqui a pouco pegarei outras obras dela para devorar também, se forem do mesmo nível que os seus contos terei leituras sensacionais no futuro.

Nota 10.


segunda-feira, 22 de junho de 2015

Real Vampires don't sparkle



SPOILER FREE

Esse é um exemplo perfeito de "guilty pleasure", expressão em inglês que denomina algo que você não deveria gostar, mas gosta mesmo assim. E nesse caso, é um guilty pleasure em vários sentidos.

Tudo começou quando passei a receber todos os dias as ofertas diárias da Amazon, com livros muito baratinhos, que, claro, eu não compro sempre, porque vem muita porcaria em promoção. Mas aí, vez ou outra, acabo comprando alguma coisa. "Real Vampires don't sparkle", algo como "Vampiros de verdade não brilham", foi amor à primeira vista. Como eu podia não comprar um livro de comédia (ou assim ele era classificado) com um título tão sensacional quanto esse? E tão baratinho! Impossível resistir. Eu nem li a sinopse! Guilty pleasure: o prazer de comprar um livro apenas por conta do título/capa/qualquer desculpa absolutamente esfarrapada.

Aí, andei numa fase estressada, achei que precisava de algo bem leve e descerebrado para ler, e aí dei de cara com ele no meu kindle. Nem procurei mais, comecei, e não parei mais.

O livro é puro guilty pleasure! A história não é lá grandes coisas, os personagens meio mais ou menos, mas, cara, é tanto sarcasmo, piadinhas bizarras e cenas sexy (gay!!!!!) que não tem como não amar. Eu ria de passar mal, sério. Descobri o plot final ainda no primeiro terço do livro, mas, e daí? Me diverti de montão até o final mesmo assim.

Aí veio o final... essa autora tem um inferno especial pra ela, o inferno dos autores que terminam livros no meio de cenas para você comprar o livro seguinte. Aí, sabe o que aconteceu? Comprei o livro seguinte, ÓBVIO. É próximo da lista de leitura. Só não comecei a ler ainda porque ainda tenho um livro de desafio literário para completar esse mês, e porque, como boa continuação de guilty pleasure, precisei de uns 2 dias discutindo comigo mesma se ia comprar logo a continuação ou esperar entrar em promoção também. Daí conjunção continuação barata (mas acima do que eu compro sem pensar) e necessidade de saber o que acontece na história me venceu.

Agora, para quem precisa de uma sinopse antes de comprar livros: Matheus Taylor é um cara pacato. Não tem amigos, gosta de se manter discreto no trabalho e evita contato com pessoas em geral. Mesmo assim ele acaba vítima de um vampiro de 1700 anos de idade. A partir daí, a vida dele que era tão propositalmente sem graça vira algo absolutamente extraordinário. O problema é que isso não estava nos planos dele, e, não importa o quanto ele tente, nada nunca mais será o mesmo. Perseguido cada vez por um novo motivo, questionando a sua sexualidade e o que pode ser real ou não, Matheus tem a eternidade para entrar em acordo com o vampiro que transformou a sua vida em pós-vida.


Dentro do estilo: nota 9,5. No mundo real... quem se importa?


O Legado de Arn



SPOILER FREE

Então, um dos temas para junho nos meus desafios literários é ler uma continuação. Essa, em específico, foi uma que eu descobri por acaso numa das minhas visitas a livrarias em que acabei comprando algo que eu não estava planejando (tipo, quase todas, mas enfim). Isso porque eu li a trilogia original "As Cruzadas", e apesar de ser independente dessa trilogia, "O Legado de Arn" é uma espécie de continuação, onde descobrimos a história do seu neto, Birger Jarl, que é apenas o cara que fundou a Suécia.

Eu lembro que a trilogia original deixou algumas marcas, pois apesar de fazer muitos anos que eu a li, lembro de algumas sensações. A primeira é que eu me diverti muito lendo, lembro que a história em si era muito cativante e interessante. A segunda, é que Arn é um personagem que me soou muito perfeito, e isso eu só vim a entender lendo essa continuação. A terceira, é que lembro vividamente da sensação da história ser muito melhor do que a escrita do autor.

E a continuação foi uma grande sensação de déjà vu. Realmente me diverti muito lendo, a história do neto de Arn também é cativante. Descobri que o personagem histórico de Arn é considerado uma espécie de Santo na Suécia, o que explicou o excesso de perfeccionismo. Por fim, a história continuou muito melhor do que a escrita do autor.

O grande problema de Jan Guillou é que o seu trabalho é extremamente inconstante. Parece que ele não consegue se decidir: vai usar narrador em primeira pessoa? Vai usar narrador em terceira? É um romance histórico ou livro de história? Colocar detalhes demais ou de menos? Enfim, o livro parece uma montanha russa de estilos literários, com diversas passagens que parecem ter sido escritas às pressas ou de qualquer jeito.

O que salva é que a história que ele tem para contar é extremamente interessante, cheia de intrigas, batalhas, reis subindo e caindo, casamentos políticos, negociações com outras nações e com a Igreja... e tudo isso em uma região em que, confesso, eu não sabia absolutamente nada sobre. Sério, quem conhece a história da Suécia ou da Noruega? Ou da Dinamarca? Aqui no Brasil, nunca estudamos nada sobre esses países, só os seus nomes e capitais (se tanto!). E se você gosta das olimpíadas de inverno você aprende alguns nomes comuns por lá, mas fora isso... nada. Então, um livro que traz a história de como a Suécia se formou, como estruturou a sua monarquia e como se manteve independente de outros países da região, com direito a uma aula sobre a cultura nórdica é algo sensacional e que chama muita atenção. Apesar da escrita mais ou menos.

Nota 7.