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domingo, 7 de julho de 2019

Guadalupe



SPOILER FREE

O tema do Desafio Literário Popoca de julho é Graphic Novel, e estou aproveitando para tirar várias leituras atrasadas da estante. Entre elas o quadrinho nacional Guadalupe!

Escrito pela poetisa Angélica Freitas (que eu já li um dos livros de poesia) e desenhado por Odyr Bernardi, ambos gaúchos, Guadalupe me pareceu uma escolha fantástica.

Mas nada me preparou psicologicamente para dois gaúchos escrevendo sobre cultura mexicana. Conhecendo um pouco os clichês que os norte americanos usam do México, confesso que eu esperava algo mais interessante do que encontrei em Guadalupe. Fiquei chocada em ver basicamente os mesmo clichês com um toque um tanto brasileiro em cima e com jeito de tentar parecer um pouco mais moderninho.

Não ajuda o fato que a melhor personagem de toda a história é a que está no caixão durante toda a viagem que realmente é a história por trás da Graphic Novel.

Talvez se a obra fosse mais longa e se aprofundasse nos dramas apresentados apenas de relance, o resultado fosse melhor, mas do jeito que ficou, mais parece um esboço de uma história com potencial do que uma Graphic Novel bacana de ler do início ao fim. O pior é que nem chega no final com jeito de quero mais, isso seria legal se tivesse mais para ler depois, mas com a sensação de "mas é só isso?", e sim, é só isso.

Confesso que esperava mais de Angélica. Do Odyr nem falo nada porque desconheço o seu trabalho, e esse não me ajudou a querer conhecer mais. 

Nota 4.


quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

um útero é do tamanho de um punho


porque uma mulher boa
é uma mulher limpa
e se ela é uma mulher limpa
ela é uma mulher boa

há milhões, milhões de anos
pôs-se sobre duas patas
a mulher braba e suja
braba e suja e ladrava

porque uma mulher braba
não é uma mulher boa
e uma mulher boa
é uma mulher limpa

há milhões, milhões de anos
pôs-se sobre duas patas
não ladra mais, é mansa
é mansa e boa e limpa
SPOILER FREE

Mais um livro de uma autora brasileira, meio que só pra dizer que eu li algo de literatura nacional esse ano. Mas, ao mesmo tempo preciso dizer que estava namorando esse livro desde a Bienal que aconteceu em setembro desse ano, e onde acabei não comprando o bendito porque o estande da editora estava cheio demais e eu já estava sem paciência.

Mas depois eu o vi novamente na Livraria Cultura e não resisti. Comecei a ler agora no final do ano, e como o livro é muito curtinho e as poesias dele funcionam quase que em bloco, ele foi devidamente lido rapidinho, mesmo no esquema de ler de manhã.

Angélica Freitas, autora do sul do país, caprichou na sua temática feminina, o livro é quase que um manifesto sobre o que se fala e pensa da mulher, com foco mais voltado para a parte complicada disso na sociedade brasileira e, por que não, mundial. Diversos textos não funcionam bem sozinhos, pois a obra foi feita meio em pedaços e em cada sessão as poesias são correlacionadas, funcionando muito melhor quando lidas seguidinhas.

De forma geral eu gostei muito do livro, mas como ele tem essa questão do conjunto da obra e não de cada poema em si, confesso que não marquei nenhum deles como excelente. Talvez isso também tenha acontecido por conta do incômodo que me pareceu proposital nos textos. Ou talvez eu tenha exagerado um pouco na temática feminista esse ano e o assunto esteja temporariamente carregado demais para mim. Afinal, tive um problema parecido com outro livro nesse final de ano, a resenha sairá daqui a pouco, aguardem.

Fora isso, é um livro importante dentro do cenário poético nacional e eu recomendo bastante.

Nota 7,5.