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domingo, 5 de março de 2017

A Viagem Iniciática


   Este livro é um depoimento sobre uma iniciação vivida nos dias de hoje no Ocidente e sobre o caminho que conduz a uma sabedoria, a uma plenitude, a uma harmonia que todos buscamos em nós mesmos e à nossa volta.
   Num bonito e frio dia de inverno, tive a sorte de encontrar um Mestre de Obras do século XX, um desses homens que continuam a transmitir um ritual e os valores iniciáticos.
  Quando esse homem de estatura média, ombros largos e cabelos prateados se aproximou de mim, compreendi que a minha vida iria se transformar. Eu contemplava, havia mais de uma hora, uma série de esculturas gravadas num dos pórticos da catedral de Metz, convencido de que a busca que me levara até aquele loca não havia sido em vão. As imagens representadas na pedra eram um relato extraordinário, oferecido aos olhos de todos. Contudo, ninguém tivera a ideia de lê-lo e eu mesmo estava perplexo.

SPOILER FREE

Mais um livro do Carnaval! Fazia muito tempo que eu não lia nada do Christian Jacq, um escritor francês que também é egiptólogo. Normalmente eu leio os seus romances históricos faraônicos, que são deliciosos, mas esse eu encontrei certo dia numa livraria (que não me lembro mais qual foi) e não resisti simplesmente porque trata dos símbolos encontrados numa catedral medieval. E eu adoro simbologia!

De certa forma, esse livro me lembrou muito o livro sufi "A conferência dos pássaros", só que menos poético, já que não há uma história, uma narrativa, que sirva de alegoria para o Caminho. As explicações são bem mais diretas, as alegorias ficam a cargo dos símbolos utilizados no portal da catedral para cada "grau de sabedoria" e dos mitos e histórias que são mencionados conforme a conversa entre o autor e a figura do Mestre de Obras vai se desdobrando.

De forma geral, o que me incomoda nesse tipo de livro é a total ausência de figuras ou alegorias ou símbolos femininos, o que eu considero muito bizarro, visto que o ser humano (estou sendo totalmente genérica aqui de propósito) possui traços masculinos e femininos que precisam ser equilibrados e trabalhados, ninguém pode esquecer nenhum dos dois lados dessa balança. Podemos argumentar que alguns dos símbolos apresentados tem conexão com o feminino, sim, mas a jornada em si parece ser exclusivamente masculina, no sentido em que parece ter sido pensada unicamente para um homem estereotipado, e um homem sem família.

Não deixa de ser bonito e informativo. O trabalho com símbolos é riquíssimo e cheio de ensinamentos valiosos, mas penso que para sermos mais completos precisamos ir além do que é apresentado aqui. Isso é uma birra pessoal minha com caminhos onde só existe um deus e ele é visto como uma figura masculina, sempre me incomodou.

Mas certamente vale a leitura. Christian Jacq sempre nos traz textos deliciosos de ler.

Nota 9.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Autores de quem eu leria qualquer coisa

Vi essa ideia no blog Quitandinha, que viu no pontoLivro, que viu no Distopicamente da Isabel e resolvi copiar também! Adorei a ideia! Só não copiei as imagens porque enquanto escrevo essa pequena introdução ainda não sei quantos autores vou colocar na lista!

Então vamos começar a brincadeira:

- Bernard Cornwell
Pois é, eu gosto dele assim, mesmo quando o livro não é lá grandes coisas. Sempre vale a pena ler o que quer ele tenha escrito.

-Amélie Nothomb
Eu amo essa belga maluca. Coisa de fã mesmo. E olha que estou cheia de livros não lidos dela em casa... aguardem o próximo mês do Desafio Literário, Amélie sairá da estante para surpreender o mundo!

-Fernando Sabino
Li muito pouca coisa dele, mas o que já li foi suficiente para ele aparecer por aqui. E olha que só esse ano eu li 2 livros dele.

-Naguib Mahfouz
Egípcio ganhador do nobel de literatura! Já li praticamente tudo disponível em português e agora estou catando o que puder em inglês e francês. Ainda não encontrei um livro mais ou menos dele, tudo o que ele escreve é simplesmente excelente. E ainda por cima fala do oriente médio! Imperdível.

-José Saramago
Outro nobel... há algo simplesmente incrível na forma como ele escreve sem vírgulas ou pontos e você simplesmente entende tudo mesmo assim que não tenho como ignorar e coloca-lo aqui.

-Neil Gaiman
Confesso que ainda não li nenhuma das suas Graphic Novels, e olha que ele ganhou fama por causa delas! Mas eu virei fã mesmo assim, não tem como não estar nessa lista. Eu leria até os livrinhos pra criança dele (ele acabou de lançar o primeiro em inglês!)

-Salman Rushdie
Meu primeiro contato com ele foi com um livro infantil, quando eu ainda era criança, e como ele só tinha aquele livro infantil, demorei muitos anos a voltar a lê-lo, e fiquei tão satisfeita quanto da primeira vez. Ainda lerei muitas obras desse autor! Estou atrasada com relação à sua produção...

-Oriah Mountain Dreamer
Ok, agora eu vou assustar todo o mundo com essa escritora. Ela escreve auto-ajuda. Juro. E eu odeio auto-ajuda. Mas adorei demais os dois livros disponíveis dela em português. Inexplicável. Agora estou com o terceiro livro que ela lançou em inglês me esperando... vai rodar rapidinho.

-Tariq Ali
Editor da revista New Left Review, ele além de escrever livros de ciências políticas, também escreve romances. Pena que escreve poucos. Mas os que ele escreve... agora estou numa cruzada para encontrar novos livros dele para ler.

-Rosina Fawzia Al-Rawi
Iraquiana, escreve sobre a condição da mulher no oriente médio. O seu livro sobre dança do ventre "Grandmother's Secrets" é simplesmente o máximo. Pena que só tem livros em inglês e alemão, mais pena ainda que é pouco traduzida para o inglês e eu não sei alemão!

-Ismail Kadaré
Autor do famoso "Abril despedaçado", tudo o que esse albanês escreve é lindo, mesmo quando é triste.


Então, esses são os autores que eu leria literalmente QUALQUER COISA. Tem aqueles que por pouco não entraram na lista: Anne Rice (não leio nada desde que ela enlouqueceu, portanto fica fora da lista), Christian Jacq (confesso que não tenho vontade de ler se não é sobre o Egito) e Marjane Satrapi (ela tem muitos livros infantis que eu não tenho vontade de ler, mas as Graphic Novels... comprei todas as disponíveis, estão me aguardando!)

segunda-feira, 28 de maio de 2012

O Faraó Negro


SPOILER FREE

Continuando com a programação do Desafio Literário, resolvi tirar da estante um livro que eu ainda não tinha lido de um dos meus autores favoritos: Christian Jacq.

Nunca imaginei que fosse ter a reação que eu tive. Sério. Eu sempre amei tudo que o Christian Jacq escreve, tudo o que li dele até hoje eu achei maravilhoso. Como explicar o que eu senti então?

Eu acho que a culpa é do Tariq Ali, que escreve bem demais numa prosa extremamente realista, onde não existem personagens puramente bons ou maus, todos tem facetas a serem compreendidas. Christian Jacq não é assim. Ele gosta de idealizar os seus heróis, numa forma moderna de contar a história mas seguindo a tradição dos antigos egípcios de endeusar os seus reis e os seus feitos. Não chega ao cúmulo de descrever a batalha de Kadesh conforme ela é descrita em Karnak, é verdade, mas o Faraó negro, Pianky, é perfeito demais! O mundo onde ele vive é extremamente utópico. Um grande choque depois de ler Tariq Ali.

Os primeiros capítulos foram muito difíceis para mim por conta disso. Mas conforme eu fui me acostumando ao estilo mais fantástico e idealista de Christian Jacq comecei a apreciar melhor o livro (engraçado isso, né?). Daí comecei a me deliciar com a forma que ele narra os acontecimentos de forma a explicar como os antigos egípcios pensavam e raciocinavam, no que eles acreditavam e no que eles julgavam importante. Uma verdadeira aula de egiptologia! E de um egiptólogo! Não tem melhor fonte!

Quando cheguei ao final do livro já estava novamente apaixonada pela religião do antigo Egito, com todos os seus rituais e significados lindíssimos! Já estava amando novamente a filosofia pregada pelos antigos hieróglifos... ah, que vontade que dá de viajar no tempo e conhecer essa época!

Amei matar as saudades desse autor, nem que esse sentimento só tenha surgido no final do livro rsrsrs

Nota 9

sexta-feira, 4 de junho de 2010

O Egito dos Grandes Faraós

SPOILER FREE

Mais um do fabuloso Christian Jacq! Nada como ter uma mãe que gostou do autor e comprou vários livros dele...

Mas, voltando ao assunto, o livro, para variar, é muito bom. Para variar, o autor consegue transmitir sua paixão pelo Egito Antigo e você fica imaginando como teria sido maravilhoso viver na época dessas grandes figuras que foram os Faraós.

O único defeito é que o livro é curto... fica um gosto muito forte de quero mais. Como cada capítulo trata de um personagem diferente, em alguns momentos você fica quase que com raiva, afinal, porque Christian Jacq não fez um romance para cada um? Alguns deles bem que mereciam. Outros, realmente o autor já escreveu sobre, eu é que ainda não os li, infelizmente, mas isso há de ser corrigido o mais breve possível.

Falar dos livros desse autor está começando a ficar massante... só tenho elogios! Bom, ainda tenho alguns dele na minha lista, vamos ver o que virá mais à frente. Até lá, esse fica com um bom 9,5, só por causa do gostinho de quero mais.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Ramsés - A Saga e metas de fim de ano

Era uma vez uma leitora compulsiva que tinha como meta ler 30 livros por ano... e em 2009 ela conseguiu cumprir a meta! Mas então ela ficou desolada... o que fazer com as últimas semanas do ano? Foi assim que ela resolveu fazer uma nova meta: terminar a saga de Ramsés com os seus cinco volumes até o final do ano!

E então ela conseguiu!!! E se tornou uma leitora compulsiva mais feliz! Não por ter alcançado a meta 4 dias antes do prazo (por uns dias ela achou que precisaria viajar com o último livro) mas por ter terminado de ler uma deliciosa obra-prima!

Agora pequenas e rápidas conclusões:
-Ramsés O Grande era foda
-Moisés era uma bicha louca saída de alguma gaiola destrancada
-Esqueça Nefertiti e Cleópatra, quem é a grande mulher egípcia é Nefertari
-O Egito é mesmo um lugar maravilhoso
-Christian Jacq não é só um egiptólogo, ele escreve muito bem
-Christian Jacq não só venera o antigo Egito, ele converte as pessoas

Isso dito vamos para a análise!

Christian Jacq me deixou meio dividida... foi algo que me lembrou o que senti quando li "O último templário", só que muito melhor, porque Christian Jacq não perde a paciência no final da história e escreve melhor, com personagens muito mais profundos. Os livros são superbos, as descrições são belíssimas (inclusive algumas muito interessantes sobre componentes de remédios e poções), e explicações muito bem colocadas (sem parecer didático deamsi) sobre a religiosidade egípcia e as suas liturgias. Porém, Ramsés por vezes é perfeito demais... mas graças a deus não completamente! Em alguns momentos você sente que ele é perfeito demais, mas aí a impulsividade desse faraó e algumas cegueiras por amizade ou até mesmo inocência tiram um bocado dessa impressão, dando uma profundidade bem interessante ao personagem. Fora todos os dramas pessoais que são inevitáveis quando se tem uma vida muito longa no poder.

Mas também, o que se pode fazer se Ramsés ficou mais de 60 anos no poder e deixou monumentos que fazem juz ao predicado "monumental" por todo o Egito? Além de ser o cara que conseguiu criar o tratado de paz mais duradouro da época? E como bom egípcio deixou tudo bem documentado nas paredes de tudo isso? Difícil contar uma história dessas sem engrandecer o personagem... e se é para engrandecer que seja como Christian Jacq faz!

Mas, vamos por partes:

Primeiro livro: uma introdução sobre a organização do poder faraônico, com muitas lições sobre religiosidade, educação e civilidade egípcias... coisa de primeiro mundo! Fiquei com inveja de algumas coisas que andam faltando muito por aí, como educação, higiene pública, planejamento de longo prazo voltado para o coletivo, valores morais e preocupação com o meio ambiente. Ramsés é um jovem louco que não sabe o que quer da vida! Ótimo saber que até os grandes passam por esses momentos! Bom... não vou spoilar o final, mas é óbvio...

Segundo livro: Ramsés mostra que nem só a bíblia tem milagres! Menos batalhas do que o título sugere... mas não tem importância! É bom mesmo assim! Tramas, intrigas e violência na luta entre o Egito e o Hatti! Ramsés é um maluco muito sortudo!

Terceiro livro: se você gosta de intrigas esse é um prato cheio! Tem mais que o segundo livro! Alguns personagens ficam ainda mais interessantes, como Acha, o diplomata. Moisés começa a enlouquecer, coitado.

Quarto livro: quase me fez chorar no final... sério. Nem sei como consegui dormir depois... é tão... tão... comovente e triste... é uma obra-prima dedicada às mulheres egípcias, seu saber e ponderação. As personagens principais aqui são as rainhas, não os reis. Muito bom. Moisés mostra o quão bicha ele pode ser. Deve ser o excesso de estrogênio do livro... afetou o hebreu, coitado.

Quinto livro: bom... já é o final da história, né? Ainda existem obstáculos a serem superados pelo faraó, mas nenhum é mais implacável que o tempo e o que ele traz. É um livro meio melancólico, mas isso é esperado, já que se trata de uma velhice mais longa do que a comum na ápoca. Preciso dizer mais? Ah, sim, ainda assim Ramsés mostra que é possível ter bons momentos na velhice! Nada de melancolia o tempo todo não!

Fora isso... tem uma característica recorrente a livros com tantas continuações, que é a descrição meio repetitiva dos personagens, mas nada que fira o estilo do autor, ele sabe manejar bem as palavras para não ficar chato, além de que as descrições são atualizadas com o passar da história, mostrando a evolução dos personagens. Ah, sim, vai entrar no hall dos livros indicados, sem dúvida!

Nota 10, para entrarmos bem no próximo ano!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Ramsés vol 1 e 2

Estou escrevendo agora apenas por um leve sentimento de culpa... pois terminei ontem de ler o segundo volume de Ramsés e ainda nem cheguei a escrever sobre o primeiro.

O problema é que, até agora, essa série tem uma característica muito boa e outra terrível, a boa é que ela é simplesmente boa demais de ler, não dá para parar, você fica pensando o tempo todo que não está lendo "e o que vai acontecer agora????", morrendo de vontade de largar tudo o que está fazendo para continuar acompanhando a história desse faraó importantíssimo! A terrível é que como a história é uma só, dividida em 5 volumes, não dá para parar entre um e outro! Os episódios da vida de Ramsés não dão margem para intervalos!

Então... não me sinto exatamente bem escrevendo sobre essa série sem terminá-la primeiro! Que situação... me lembra muito o que senti com "A Hora das Bruxas" (Anne Rice) só que ao invés de ter 2 livros para ler, eu tenho 5!

Hoje eu começo o terceiro, e mal vejo a hora de abrir o livro! Christian Jacq não só sabe escrever como o faz com uma reverência ao antigo Egito que faz você achar que aquela era a melhor sociedade do mundo! A religião é linda, os valores (tão em falta hoje em dia) corretíssimos... E a descrição dos lugares, apesar de não ter a riqueza de detalhes de Bernard Cornwell, é bastante exata. Para quem nunca foi ao Egito, sugiro ler acompanhado de algum livro com as imagens dos templos egípcios a mão, pois engrandece muito a experiência dessa leitura!

Já vi que a série vai parar nos livros recomendados...