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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

O Árabe do Futuro 2



SPOILER FREE

Essa resenha está atrasada, pois minha vida está um caos, mas é temporário, daqui a pouco voltamos à programação normal.

Li esse livro também no desafio literário de novembro, o esquema de ler um livro de "uma sentada só", simplesmente porque adorei o primeiro volume e como eu já tinha o segundo em casa eu simplesmente não consegui esperar.

Riad Satouff é um cartunista filho de pai sírio e mãe francesa, nascido na França mas criado em diversos lugares diferentes. Seguindo a linha de Persépolis, a coleção "O Árabe do Futuro" é sua autobiografia, que traz os detalhes de uma infância bem incomum (para ler a resenha do primeiro volume clique aqui).

Nesse segundo livro, a história se passa quase que inteiramente na Síria, com poucas passagens fora do país. E nesse volume também que ele conta uma história extremamente emblemática sobre como os muçulmanos estudam o Corão, e que ajuda a entender um pouco do porque de existir tantos movimentos radicais dentro do Islã e como eles conseguem manipular as pessoas. Vale a leitura nem que seja por conta desse trecho.

Assim como no primeiro livro, a leitura é extremamente leve e divertida, e novamente dá aquela sensação de quero mais no final. Infelizmente o volume seguinte ainda não foi traduzido para o português e encontrá-lo em francês não é exatamente fácil ou barato. Então, a parte ruim é que teremos que esperar.

Nota 10!

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

O Árabe do Futuro



SPOILER FREE

Mais um livro para o desafio literário de livros para ler num só dia!

Riad Satouff é um cartunista filho de pai sírio e mãe francesa, nascido na França mas criado em diversos lugares diferentes. Seguindo a linha de Persépolis, que fez muito sucesso e chegou a concorrer ao Oscar de melhor animação de 2008, "O Árabe do Futuro" é sua autobiografia, que traz os detalhes de uma infância bem incomum (para os padrões europeus).

Nesse primeiro volume (já saíram dois em português e o terceiro saiu na França esse ano), Riad faz um apanhado da história do seus pais e seus primeiros anos tanto na França quanto na Líbia e um pouquinho na Síria, trazendo à reboque um panorama histórico e político bastante interessantes e que, por si só, já valem a leitura. Além da questão anedótica e histórica da narrativa, Riad tem um traço marcante e um ótimo senso de humor, que permeia o livro de forma muito interessante e agradável.

O que dá pena é que o livro é curtinho, uma leitura bem rápida e leve, e que deixa um gosto de quero mais no final que se torna problemático apenas porque ainda não temos o terceiro volume em português. E pelo o que percebi, ainda teremos mais volumes a serem lançados...

Para estudantes de árabe o livro ainda tem como "diversão extra" as transliterações de diversas falas do árabe, que são mantidas transliteradas enquanto o narrador/autor não compreende o que está sendo dito.

Nota 10!

sábado, 5 de novembro de 2016

Soufflé


SPOILER FREE

Mais um livro para o tema do Desafio Literário de outubro, livros com títulos de apenas uma palavra! Dessa vez, escolhi uma autora turca, Asli Perker, com o seu único livro (por enquanto) traduzido em outros países, inclusive no Brasil (o título ficou o mesmo, claro).

Apesar da autora ser turca, o romance Soufflé não só é universal, em termos de tratar de problemas, situações e sentimentos comuns a humanidade como um todo, mas também é globalizado, porque trata de três histórias distintas que se passam na Turquia, França e EUA. O que as liga é um livro de receitas de Soufflé, o que explica o título.

Na Turquia seguimos a história de uma dona de casa cujos filhos já cresceram e se mudaram (sendo que a filha migrou para a França), mas que precisa cuidar da mãe doente, e a cozinha é o restou em sua vida que ainda faz sentido e lhe dá esperança. Na França, seguimos a história de um rapaz recém viúvo, que para se sentir mais perto da esposa falecida e como exercício para começar uma nova vida, resolve aprender a cozinhar. Nos EUA seguimos a história de uma imigrante das Filipinas que passou a vida se anulando frente aqueles que ela ama enquanto tenta manter a sanidade mental cozinhando pratos do mundo inteiro.

Enfim, é um livro bastante dramático, e eu aconselho a leitura com uma caixa de lenços de papel à disposição, você vai precisar.

Fiquei  apaixonada pelo estilo da autora, e me surpreendeu demais a sua capacidade de ilustrar dramas tão humanos. Gostei tanto que estou  triste que ainda nenhuma outra de suas obras tenham sido traduzidas do Turco, o que eu espero que seja uma injustiça a ser revista muito em breve.

A literatura turca tem me surpreendido muito ultimamente, e para quem curte bons livros e gostaria de ampliar os horizontes das suas leituras, que, normalmente, se restringe à literatura brasileira, americana e europeia (basicamente ingleses e franceses), é uma ótima sugestão para começar.

Nota 10.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Notre Dame de Paris - O Corcunda de Notre Dame



SPOILER FREE

Seguindo a onda dos clássicos, para o mês de novembro (atraso pouco é bobagem! pelo menos ainda estamos em 2015), cujo tema era um livro com protagonista deficiente, eu confesso que não pesquisei e simplesmente achei que era um bom momento para ler "Notre Dame de Paris", ou "O corcunda de Notre Dame".

Não foi uma escolha muito sábia. Depois da leitura lenta de H. P Lovecraft, Victor Hugo foi uma péssima escolha, visto que é outro autor lento.

Ler a história de Quasimodo e Esmeralda foi quase uma tortura. É um clássico, eu sei, com todo o direito de ser, Victor Hugo é um gênio em alguns aspectos, mas, porém, contudo, entretanto, todavia, seus livros são lentos. Talvez lento não seja suficiente para descrever o real andamento da história, visto que lento é algo que vai devagar, mas não para. O texto de Victor Hugo para, isto é, faz pausas imensas para falar de outras coisas que foram apenas mencionadas e não realmente fazem a menor diferença na história, só porque sim, ou talvez para que o autor possa mostrar todo o seu poço de conhecimento acerca de outras coisas absolutamente irrelevantes para a história que ele se propôs a narrar.

Em comparação com a sua obra prima, "Os Miseráveis", "Notre Dame" tem um outro problema. Enquanto os personagens do primeiro são incríveis em termos de profundidade e ambiguidade e, digamos, não serem preto e branco, os personagens de "O Corcunda" são absolutamente sem graça e sem cor. Na verdade mesmo, são todos maus, com a única exceção de Esmeralda, que é tão pura e inocente (e burra, vamos combinar?) que dá um nervoso terrível vê-la no meio de todo aquele drama novelesco. Tá, Gringoire também é bonzinho, mas ele não faz grandes esforços para ajudar ninguém, eu o classificaria mais como neutro.

Para coroar todo o excesso de drama e lentidão da obra, Victor Hugo parece ser o tipo de autor que gosta de torturar com requintes de crueldade os seus personagens. Chegou um ponto que eu juro que fiquei me perguntando para quê ele estava fazendo aquilo. Talvez fosse uma forma de mostrar com excesso de eloquência e exemplos que a Idade Média foi a Idade das Trevas por muitos motivos. Talvez fosse moda na época em que ele publicava, uma espécie de competição entre os autores: quem é capaz de bolar a história mais sofrida e que faça chorar mais. Talvez ele fosse somente um sádico. O que importa é que o resultado é absolutamente depressivo.

Então, "Notre Dame de Paris" é um grande clássico, vale a pena ler, mas aconselho cautela, lê-lo em determinados momentos da sua vida pode ser um tiro no pé na sua capacidade de aproveitar a leitura.

Nota 8,5.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Os Miseráveis - Completo



SPOILER FREE

Então, seguindo um dos Desafios Literários desse ano e aproveitando para juntar com outros, resolvi esse mês me desafiar de verdade e ler todos os 5 tomos de "Os Miseráveis" no original em francês. Explico. Um dos desafios era ler um livro grande, outro, ler um clássico do século XIX e outro ler 52 livros no ano (esse é o mais fácil porque todos os outros desafios ajudam rsrsrs). Fiquei pensando: que clássico do século XIX pode realmente ser considerado um livro grande? Juntando os 5 tomos (que muitas vezes vem distribuídos em 2 volumes físicos), "Os Miseráveis" é uma obra que soma aproximadamente umas mil páginas, o que, convenhamos, é um livro grande independentemente do quanto você está acostumado a ler, logo ele pode ser classificado como grande sempre.

Então mergulhei numa saga que eu já esperava que me tomaria o mês inteiro, inclusive por boa parte do caminho eu fiquei muito preocupada em não conseguir ler tudo dentro do prazo que estipulei para mim mesma. Porque ler os miseráveis é uma Experiência com "e" maiúsculo.

"Os Miseráveis" não é apenas uma obra icônica de um autor icônico, não é apenas uma história que virou musical e filme e que absolutamente todo o mundo conhece pelo menos um pouco dela (aliás, nem sei porque coloquei o "spoiler free" lá em cima...), não é apenas uma história que faz parte do imaginário coletivo ocidental, "Os Miseráveis" é um tratado sobre a humanidade, e mais especificamente um tratado sobre a história da França e de Paris.

Dito isso vamos ao que interessa. "Os Miseráveis" apesar do apelo dos musicais e filmes definitivamente não é uma leitura tranquila, e nem é um tipo de livro que agrade a maior parte dos leitores atuais. É um livro difícil e por diversos (e longos) momentos é muito chato. O autor resolveu fazer uma obra que não dá para classificar: é romance? é tratado filosófico? é livro de história? É tudo isso junto e misturado. Misturado no sentido de que ele pula de um tema para o outro quase que a seu bel prazer. E eu digo "quase" porque as interrupções na história dos personagens que todos amam e conhecem acontecem quase sempre de forma intencional, visando sempre um melhor entendimento do leitor do contexto em que as coisas estão acontecendo. Claro que no meio do caminho tem algumas interrupções que poderiam ser completamente suprimidas que não fariam a menor falta (tipo a história do sistema de esgotos de Paris ou como o local da batalha de Waterloo ficou mais de 30 anos depois da batalha).

Por conta disso tudo, é um livro que me deixou dividida. Eu entendo e consigo apreciar a genialidade do autor e da obra, mas por diversos momentos fiquei irritada e fiz uma leitura dinâmica do texto porque não aguentava mais algumas passagens. Fora alguns momentos (compreensíveis por conta da época em que foi escrito) de puro machismo em que precisei respirar muito fundo para continuar lendo.

Então, para quem quiser passar por essa Experiência, segue uma concisa descrição dos tomos para uma preparação psicológica: ATENÇÃO, SPOILER A FRENTE (para aqueles que conseguiram nunca ouvir falar da história)

O Tomo 1 se chama "Fantine", mas é necessário muita paciência para esperar ela aparecer na história, porque conta basicamente sobre como o Jean Valjean (precisa de paciência para esperar ele aparecer também, ele só surge depois de um quinto do livro) se tornou quem ele é, e só depois toda a história da Fantine. Pelo menos a história dela é contada toda nesse tomo. O Tomo 2 se chama "Cosette", e adivinha, conta a história dela, mas antes conta toda a história do Sr. Thénardier, com direito a uma descrição completa e detalhada da batalha de Waterloo. Mas não se preocupe, isso faz sentido e é parcialmente relevante para a história lááááááá na frente, e esse tomo vai até o resgate da Cosette e como ela e Jean Valjean se instalam em Paris. O Tomo 3 se chama "Marius" e conta toooooooda a história desse personagem, começando pelo avô e pelo pai dele, e depois a sua infância, depois juventude e como ele resolve ser independente, e, claro, como ele "conhece" a Cosette, mas precisa de uma certa paciência porque antes de contar a história de Marius, existe toda uma explicação detalhada sobre a alma de Paris, para o leitor entender o contexto histórico da trama que vai se desenvolver nos tomos seguintes. O Tomo 4 se chama "Idílio da Rua Plumet e epopeia da Rua Saint-Denis", ele descreve como Cosette e Marius finalmente se conhecem e depois como Paris entra em polvorosa com as barricadas do motim de 1832, com direito a divagações filosóficas sobre as diversas vertentes políticas existentes na época e sobre as questões morais que alguém numa barricada precisa encarar. Finalmente o Tomo 5, que se chama "Jean Valjean", trata sobre como Marius e Jean Valjean conseguem se safar das barricadas e como o livro chega no seu desfecho, com o casamento de Marius e Cosette e o triste fim do personagem título. No meio do caminho tem mais questões filosóficas e uma descrição detalhada da história dos sistemas de esgoto de Paris (se esse livro tivesse sido publicado na época do Tolkien certamente teria um mapa).

Então, se você quiser a versão resumida da história, basta ver uma das montagens do musical ou um dos filmes, que você não vai perder quase nada da trama (que perde sim alguns detalhes para simplificar a história e caber em um espetáculo/filme de 3h), mas vai perder todo o resto e o prazer de ler a prosa de Victor Hugo.

Nota 9, porque apesar da genialidade e grandeza da obra, ela não consegue não ser chata em alguns momentos, me fazendo uma pessoa extremamente feliz por ter conseguido sobreviver à sua leitura.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

O Pequeno Príncipe



Então... meu nome é Laura e eu sou viciada em livros, mas eu nunca tinha lido "O Pequeno Príncipe".

A grande vergonha admitida, vou passar adiante. Pois é, como eu comentei no último post, os temas dos desafios literários desse mês são livros que ganhei de presente, romance contemporâneo e um clássico europeu não inglês. Adivinha onde entrou nosso francês tão adorado? :-)

Para pegar menos mal por conta da vergonha de nunca ter lido esse clássico, resolvi pelo menos ler no original em francês (era o mínimo para compensar, né?). E fazia algum tempo que eu tinha conseguido essa versão aí em cima com as aquarelas originais do autor. Aparentemente, o livro foi publicado pela primeira vez nos EUA por conta da Guerra, e quando finalmente foi publicado na França, os desenhos sofreram algumas adaptações, e desde então ele foi publicado com as aquarelas adaptadas. Só no final dos anos 90 ou início dos anos 2000 (não lembro ao certo) que foi feito um trabalho de recuperação do trabalho original para uma nova edição, e foi essa que eu comprei, claro.

Mas ao ler o livro você percebe rapidamente porque ele é um clássico. É pura poesia! Tudo é lindo e/ou fofo, uma coisa realmente apaixonante. Não sei se eu teria gostado tanto dele quando criança (meu gosto era diferente, claro), mas hoje eu simplesmente achei o máximo, e é mesmo. Saint-Exupéry foi em gênio, não existe outra explicação. Ainda não li mais nada dele, mas confesso que fiquei com vontade. Mais livros para minha lista sem fim...

Vou evitar me alongar muito, porque clássico que é clássico dispensa apresentações, né?

Nota 10.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

O vermelho e o negro


SPOILER FREE

Quando a pessoa aqui, que devora livros como uma louca, demora um mês inteiro num livro de menos de 400 páginas é porque tem algo errado. Nesse caso, é com o livro mesmo.

Gente, O Vermelho e o Negro é um dos livros mais chatos que já li na minha vida. Fazia muito tempo que eu não encarava uma coisa dessas, até Madame Bovary foi menos chato e durou menos tempo.

Originalmente eu o escolhi para o tema "romance psicológico" do mês passado do Desafio Literário, mas demorei tanto para ler que ele acabou reclassificado em livros com cor ou cores no título. A única coisa interessante no livro é que sim, o título tem a ver com a história, se considerarmos que o "vermelho" é a cor da nobreza e o "preto" a cor da igreja (com base nas roupas usadas na época).

Fora isso, a história é chata, os protagonistas são chatos e absurdamente inconstantes psicologicamente falando (daí a classificação como "romance psicológico"), e o narrador gosta de descrever cada nuance dessa inconstância, de forma a deixar a leitura mais chata ainda. Não entendi porque Stendhal é tão famoso, sua escrita é modorrenta, e ele mesmo não consegue se decidir o que acha dos próprios personagens. Ele consegue fazer a sua narrativa ser sobre tudo e ao mesmo tempo sobre nada, tão inconstante quanto os seus próprios personagens.

Nota 3.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Madame Bovary


SPOILER FREE

Seguindo o tema do Desafio Literário de livros mencionados em filmes, a bola da vez é o clássico francês Madame Bovary, mencionado no filme Pecados Íntimos. Escrito na segunda metade do século XIX, e considerado um completo escândalo na época por tratar abertamente do adultério, além de conter duras críticas à sociedade em geral (incluindo os clérigos, ofensa ainda maior na época), o livro, na minha humilde opinião, não sobreviveu bem ao tempo.

Apesar da leitura em si não ser chata, o livro é lento e as personagens são absolutamente entediantes. Emma é uma mulher mesquinha e absurdamente superficial, e apenas por ser bonita e ter ares aristocráticos (em comparação com as outras mulheres do seu meio) se acha o último biscoito do pacote e, para piorar, é viciada em luxo, pompa e circunstância. Ela é casada (por vontade própria, veja bem) com um médico do interior que, além de ser completamente desprovido de ambição, prefere uma vida previsível e tranquila. Absolutamente o oposto do que Emma entende que pode vir a ser a "felicidade".

Se isso não fosse o suficiente para ter um livro chato, Emma ainda arruma amantes, e suas escolhas nesse campo são totalmente previsíveis. E o desenrolar desses romances também são previsíveis, e servem para você gostar cada vez menos da personagem principal. Sinceramente, não entendo o porquê do escândalo desse livro, tudo bem que por um lado o fato de mencionar que ela tem amantes e em algumas passagens se diz que ela está nua, não há absolutamente nada de explícito na narrativa (nem descrição dela nua o livro tem), e, por outro lado, da forma como Emma sempre se dá mal e é descrita como uma pessoa horrorosa, não vejo razão para tanto alarde. Afinal, não vejo como alguém poderia querer ser como ela ou ter uma vida como a dela.

Pode ter feito alarde no seu tempo, e até ser considerado um clássico, mas no final das contas é só um livro chato.

Nota 5.