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domingo, 27 de outubro de 2019

The Rules of Magic - As regras do amor e da magia



SPOILER FREE

Depois de me deliciar com o original Practical Magic, aproveitando para rever o filme do final dos anos 90, eu não podia deixar de ler o novo livro de Alice Hoffman que se passa no mesmo universo.

The Rules of Magic, lançado em português no início de 2019 com o título As regras do amor e da magia, conta a história das melhores tias da literatura e do cinema, Jet e Franny, que, quem diria, além de terem um irmão, Vincent, que é uma raridade na família Owen, também têm uma tia que mora na mesma casa especial do livro original, Isabelle.


Não sei o quanto o filme influenciou a autora na hora de definir o enredo de Rules of Magic, mas certamente esse livro tem muitos detalhes que parecem saídos do filme e que não estavam na obra original. Não sei nem se isso é possível, porque desconheço o contrato para o filme, mas talvez a espera de 20 anos para lançar a história que se passa antes tenha permitido isso.

Apesar do livro ser interessante, e bem mais carregado na magia que o original, dois fatores me deixaram insatisfeita com o resultado. O primeiro é que a quantidade de detalhes que parecem ter saído do filme mais parecem justificar a película do que colaborar com o novo enredo. O segundo é que na verdade o livro não traz grandes novidades com relação ao primeiro. Parece a mesma história com um novo formato.

Não que The Rules of Magic seja uma leitura ruim, é até muito agradável, e ver a quantidade de magias e outros ramos da família e toda a questão dos anos 60 e 70 dá um fôlego para a saga da família Owen. O problema é que eu esperava mais. Não ajuda o fato que o livro é um tanto quanto arrastado.

Mas Jet, Franny e Vincent são personagens muito cativantes e carregam a história no muque, apesar das escolhas da autora.

Nota 9.

domingo, 20 de outubro de 2019

Practical Magic - Da Magia à Sedução



SPOILER FREE

Há razoavelmente pouco tempo, descobri que o clássico dos anos 90 com a Sandra Bullock e Nicole Kidman, Da magia à sedução, era baseado num livro! Descobri porque a autora, Alice Hoffman, quase 20 anos depois, resolveu lançar uma continuação que na verdade se passa antes da história original.

Apesar da continuação acontecer antes, resolvi ler os livros na ordem da publicação, até para poder comparar a obra ao filme, claro! Ótima desculpa para rever o clássico!

O livro Practical Magic, que manteve os nomes nos filmes tanto em inglês quanto em português, é uma coisa muito fofa. O livro inclusive tem muito mais cara de realismo fantástico do que de fantasia, com alguns momentos onde essa linha é realmente ultrapassada, de forma que podemos de fato dizer que é uma história sobre bruxas.

No livro, as personagens da Sandra Bullock e da Nicole Kidman possuem as mesmas características que você encontra no filme, porém, elas não são tão bruxas assim, e as razões pelas quais ambas acabam fugindo da casa das tias, que são as melhores personagens, claro, também são bem mais profundas e um tanto quanto diferentes do cinema. 

O livro não é sobre magia, é sobre descobrir o que se quer na vida, se aceitar e aceitar que se merece ser feliz. É sobre não negar o passado, e sim tirar forças dele para ir para o futuro que se quer. As relações entre as mulheres Owen no livro são o grande forte do enredo. Que os amantes tenham papeis importantes é uma coisa, mas a história não gira em torno deles, e sim em torno de como as mulheres, tanto irmãs, quanto mãe e filhas e demais familiares se relacionam.

O livro é lindo demais. Vale a pena a leitura, especialmente se você não lembra todos os detalhes do filme, porque a história é bem diferente.

Por mais que as personagens tenham características bem semelhantes, o filme inventa toda uma preocupação em torno de uma maldição que não existe no livro, por exemplo. E o filme faz a maior sacanagem de todas: tira a continuação da história da personagem da Nicole Kidman, o que me parece ser um castigo por ela ser uma personagem tão livre sexualmente. O filme perde muito ao fazer essa escolha.

As filhas da personagem da Sandra Bullock também são mais velhas no livro, o que torna toda a dinâmica bem mais interessante, pois você pode comparar as diferenças tanto de comportamento entre as gerações, como também em como a mãe e a tia se relacionam com as adolescentes em comparação em como era quando as duas eram mais jovens com as tias. 

Dessa forma, em diversos níveis, o livro é muito mais profundo, interessante e bonito que o filme. E olha que o filme envelheceu bem! A escolha do final do filme é particularmente interessante, mostrando uma irmandade feminina bem mais ampla que no livro. Apesar desse não ser o objetivo no livro, ele não é sobre isso.

Enfim, sem desmerecer o filme, o livro é melhor!

Nota 10.

segunda-feira, 25 de março de 2019

A Secret History of Witches

SPOILER FREE

Dando continuidade ao tema de livros escritos por mulheres com protagonistas mulheres e guerreiras do Desafio Literário Popoca, resolvi dar ema exagerada e pegar uma saga de cinco gerações de mulheres bruxas.

A Secret History of Witches da norte americana Louisa Morgan, foi lançado em 2017, e foi nomeado ao prêmio Endeavour Award em 2018. Ainda sem tradução para o português, o livro traz a saga das mulheres da família Orchiére, passando por cinco gerações, indo desde a Bretanha do século XIX até a Inglaterra da Segunda Guerra Mundial.

É um livro bem dentro do tema de mulheres guerreiras, pois as Orchiére são bruxas, ciganas (mais sobre isso adiante), e precisam fugir de perseguições religiosas por conta das suas práticas mágicas. Cada geração enfrenta um dilema relacionado ao uso da magia, além de questões pessoais e da necessidade de esconder quem, ou o quê, elas realmente são.

O livro tem os seus atrativos, as questões relacionadas ao uso da magia são muito interessantes (e pertinentes aos adeptos diga-se de passagem), apesar de um tanto clichês. A maioria das 5 mulheres que dividem o protagonismo do livro são excelentes personagens, e a história tem muito mais aventura do que eu imaginava.

Mas, por ser uma fantasia misturada com romance histórico, o texto tem lá os seus problemas. O problema mais complicado é o fato de que a autora usou as bases do paganismo contemporâneo para ilustrar as práticas de magia cigana, o que é bem sem noção e bastante ofensivo aos ciganos, que tiveram sua cultura simplesmente ignorada. Outro problema histórico é supor que a Rainha Elizabeth (mãe da atual Rainha Elizabeth) era uma bruxa. Dizer que esse é um tema sensível é pouco, e fazer uso de uma personagem que morreu há tão pouco tempo para esse tipo de fantasia é um tanto quanto sem noção. De novo.

Para aumentar a lista de pontos negativos, tem o problema da autora colocar bem no meio do livro duas personagens detestáveis uma seguida da outra. Ficou uma passagem longa e bastante chata, para dizer o mínimo. Soma-se a isso que, no final das contas, o livro é composto de cinco histórias de origem, o que o torna repetitivo em alguns aspectos.

Se você não se importar com a sem-noçãozice da autora e curtir histórias de bruxas, A Secret History of Witches é um excelente pedido!

Nota 7,5.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Dusk or Dark or Dawn or Day

     The wind howls, the rain comes down in sheets, and Patty is still dead.
    The earth settles, the grave grows green with the first shoots of hungry scrub grass and dandelion root, and Patty is still dead.
    The funeral bells are silent, the last of the we're-so-sorry cakes have been reduced to stale crumbs that attract marching regiments of ants, and Patty is still dead. Patty is going to be dead forever, because that's what dead
means: dead is the change you can't take back, dead is the mistake that can't be unmade.

SPOILER FREE

Eis um livro que resolvi comprar porque estava barato e ele tinha boas resenhas no Goodreads. Fora isso, nada que a autora americana Seanan McGuire já escreveu me deu vontade de ler, exceto esse livro.

Como não resistir a uma boa história de fantasmas?

E impressionada eu fiquei. Devidamente. Não sei quanto aos demais livros da autora que não tenho vontade de ler, mas esse aqui valeu a pena. Não só o enredo em si é bastante interessante, com uma construção de mundo bem feita, mas eu amei a personagem principal.

Apesar dela parecer a princípio uma alma muito benevolente e que só faz boas ações, no fundo ela é medrosa e egoísta, o que a torna bastante complexa. Assim como outras personagens que vão sendo apresentadas ao longo da história. É até complicado falar muito da história ou dos demais personagens sem dar spoiler do livro.

Mas ficou tão legal que eu leria outras histórias passadas nesse mundo que Seanan criou, pois ele ficou muito muito muito interessante. Valia mais livros do que apenas esse, que sim, tem final, sem abertura para continuações. Grande raridade hoje em dia. Ponto positivo.

Mas nem tudo são flores... tudo é muito legal no livro depois que você entende como as coisas funcionam, o que demora um pouquinho, porque é um tanto confuso mesmo e os termos que a autora escolheu não ajudam tanto assim, isso quando não atrapalham. E às vezes o texto fica piegas, afinal, está-se falando de morte e saudades dos entes queridos etc.

Em resumo, é uma boa leitura que vale a pena o esforço, mas é preciso um pouco de paciência para entender o contexto e com as breguices. Superado isso, um prato cheio de literatura young adult.

Nota 8,5

domingo, 22 de outubro de 2017

The Witches of New York

     In the dusky haze of evening a ruddy-cheeked newsboy strode along Fifth Avenue proclaiming the future: "The great Egyptian obelisk is about to land on our shores! The Brooklyn Bridge set to become the Eighth Wonder of the World! Broadway soon to glow with electric light!" In his wake, a crippled man shuffled, spouting prophecies of his own: "God's judgement is upon us! The end of the world is nigh!"
     New York had become a city of astonishments. Wonders and marvels came so frequent and fast, a day without spectacle was cause for concern.
    Men involved themselves with the business of making miracles. Men in starched collars and suits, men in wool caps and dirty boots. From courtrooms to boardrooms to the newsrooms of Park Row; from dockyards to scaffolds to Mr. Roebling's Great Bridge - every man to a one had a head full os schemes: to erect a monument to genius, to become a wizard of invention, to discover the unknown. They set their sights on greatness while setting their watches to the noontime drop of the Western Union Time Ball. Their dreams no longer came to them via stardust and angel's wings, but by tug, train, and telegraph. Sleep lost all meaning now that Time was in man's grasp.

SPOILER FREE

Para o tema de outubro, que obviamente é o Halloween, nada como ler uma história sobre bruxas! E que surpresa maravilhosa foi descobrir a autora americana Amy McKay.

"As bruxas de Nova Iorque" (numa tradução livre minha, o livro ainda não foi lançado em português) é uma graça de livro sobre 3 bruxas de origens muito diferentes, mas que acabam por se encontrar na Nova Iorque do final do século XIX. E eu digo uma graça porque as bruxas são mesmo o máximo e, de um jeito peculiar, muito fofas. Inclusive, passei a gostar mais de corvos por conta do "bichinho de estimação" de uma delas.

Claro que por se tratar de uma história envolvendo mulheres poderosas no final do século XIX, o livro precisa tratar de alguns assuntos espinhosos, como a forma como mulheres eram vistas, com o encarceramento de mulheres em clínicas psiquiátricas pelos motivos mais fúteis, perseguições religiosas e o movimento sufragista. Então, apesar de ser fantasia, o livro tem um pé bastante firme na história, o que torna a leitura muito mais interessante (e um tanto quanto pesada).

A autora faz um retrato bastante fiel da época, e a única magia que realmente aparece com força é o contato com os espíritos, o que torna o livro bastante realista dependendo do que você acredita. Além disso, o livro tem muita representatividade, com personagens homossexuais, de etnias menos comuns, como ciganos e egípcios, o que dá direito a pontos extras.

Outro detalhe que eu adorei é que os capítulos são marcados por datas, que são divididas por fases da lua, e eles sempre abrem com passagens de outros livros, com trechos de jornal (mesmo que fictícios) que relatam acontecimentos em paralelo à história mas que marcam o que está ocorrendo na cidade e também trechos do Grimoire de uma das bruxas. E cada capítulo tem subcapítulos, que são narrados em diferentes vozes, alternando entre os diversos personagens da história, o que não se limita apenas as 3 bruxas principais.

É um livro muito bem escrito, gostoso de ler e que quando você percebe já acabou e apesar da história não terminar exatamente com um gancho, deixa gostinho de quero mais. Espero que a autora escreva mais sobre essas personagens e sobre esse mundo mágico que ela criou. Preciso de mais livros assim para ler.

Nota 10.

domingo, 10 de setembro de 2017

A hidden witch (A modern witch 2)

     It wasn't the first time in her life Elorie had wished for magic of her own, and it likely wouldn't be the last.
     "Sean James O'Reilly, you'll be walking the plank matey." The illusion spell that had just turned her into a pirate came complete with growly voice and glinting teeth, so all she accomplished was sending Seand and his two classmates into hysterics.
     She couldn't blame him - witch history lessons tended to be a little long-winded. Grand had dealt with plenty of witchlings pranks in her years of teaching, but she'd also had enough power to magically counteract the more embarassing stunts.
     Elorie was not so blessed, but there was more  than one way to handle a ten-year-ld boy. She walked over to the bookshelf in the corner of her living room and pulled out the thickest volume of witch history she could find.
The Trials and Tribulations of Edward C. Millgibbons, Hedgewitch, on his Journeys about the Countryside. That seemed like a suitable weapon.

SPOILER FREE

De vez em quando eu preciso de livros que simplesmente não me façam pensar, tipo novela, só que sem gritos, exageros ou coisas que sejam ofensivas (logo, novela nenhuma de TV conta). E ano passado eu achei algo nessa linha com "A modern witch".

Então, quando senti que estava precisando novamente de algo assim, nem pensei duas vezes, peguei a continuação e li. Não é exatamente uma continuação porque a história é totalmente diferente, apesar de terem diversos personagens em comum. Mas é tão fofo quanto e segue exatamente a mesma receita.

Para quem teve preguiça de clicar no link: "o livro é recheado de referências do paganismo moderno/wicca (serei propositalmente genérica aqui, não fiquem chateados, por favor), mas de uma forma bem despretensiosa e com direito a algumas modernidades simplesmente engraçadas, como feitiços escritos em código de computador."

"Os personagens são todos uns fofos e a história em si é bem simples e bobinha. Nem clímax o livro tem, visto que não há conflito digno de nota ou que realmente faça diferença na vida dos personagens. Tudo é tranquilo, com direito a nuvens de algodão e céu de brigadeiro."

Toda a história nos dois livros acontece em torno de um jogo de computador tipo WOW, só que se você for bruxa/o pode entrar em outras fases e mundos onde pode usar feitiços em código de computação. E seguindo essa linha, existem chats e feitiços para identificar bruxos/as pela internet, e assim as comunidades apresentadas nos livros vai crescendo e treinando novos "adeptos".

Como eu disse, é bobo, fofo e com referências engraçadas. E sem coisas ofensivas, tipo relacionamentos abusivos disfarçados de romance, enredo que só anda por decisões estúpidas e machismo descarado sendo tratado como algo normal.

Em compensação, não é literatura de qualidade, claro. Logo, só serve para leitores e momentos específicos.

Dentro de todos os limites acima, nota 9.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

A modern witch



SPOILER FREE

Depois da leitura pesada que foi "Hibisco roxo" resolvi que algo bem leve e despretensioso era o próximo livro ideal. E fui extremamente feliz com a escolha de "A modern witch" (Uma bruxa moderna) da Debora Geary.

Ainda sem nada traduzido pelo português, a autora possui alguns best sellers na linha de livros eletrônicos voltado para leitores que curtem enredos meio pagãos. E realmente, o livro é recheado de referências do paganismo moderno/wicca (serei propositalmente genérica aqui, não fiquem chateados, por favor), mas de uma forma bem despretensiosa e com direito a algumas modernidades simplesmente engraçadas, como feitiços escritos em código de computador.

Os personagens são todos uns fofos e a história em si é bem simples e bobinha. Nem clímax o livro tem, visto que não há conflito digno de nota ou que realmente faça diferença na vida dos personagens. Tudo é tranquilo, com direito a nuvens de algodão e céu de brigadeiro. É a versão livro daqueles filmes que simplesmente fazem você se sentir bem, sabe? Pois é.

Talvez se eu tivesse lido a obra esperando outra coisa eu não tivesse gostado, mas como eu procurava algo que não precisasse pensar, foi absolutamente perfeito. Então, se você procura ação, aventura, coisas mais românticas (coferóticascof) ou que precise refletir um mínimo sobre o assunto, o livro não é pra você.

Agora, se você precisa de algo leve para ler no final do dia porque quer substituir a televisão por um livro, esse é perfeito.

Nota 9 pelos motivos e dentro das limitações acima :-)


quarta-feira, 9 de março de 2016

The Witch's Broom

SPOILER FREE

Na minha corrida para esvaziar o meu kindle (é um esforço muito sincero que estou fazendo), resolvi apelar até para livros mais curtos sobre Wicca. Esse em especial é muito fofinho e é uma leitura interessante até para quem não é praticante, mas se interessa pelo assunto.

"The Witch's Broom" é uma espécie de coletânea de lendas, folclore e receitas de feitiços relacionados com vassouras. Ele trata desde o uso de vassouras e derivados ao longo da história da humanidade, até as diversas formas como a bruxaria moderna faz uso desse instrumento tão característico e antigo. Até as bruxas da Disney e Harry Potter são mencionados. Eu gostei particularmente das passagens escritas por outros autores contemporâneos de bruxaria, onde eles contam como fazem uso de vassouras nas suas práticas espirituais, o que se vê são práticas muito individuais e variadas em relatos bem honestos, eu curti.

Em alguns momentos a coisa fica um pouco clichê demais, e a autora parece estufar o livro de informações absolutamente desnecessárias (fica muito na cara que é enrolação para deixar o livro mais longo), o que é de revirar os olhos. Em outros a leitura pode ser meio maçante, se feita como eu fiz, lendo tudo de uma vez, mas isso porque o livro tem um capítulo específico só para rituais utilizando-se vassouras, e bom, é um capítulo mais voltado para consulta do que para ler de uma sentada só, já que o livro possui os rituais completos, que tem diversas partes absolutamente iguais em todos eles. Pessoalmente eu gostei muito, mas eu curto ritual Wicca, então minha opinião é muito tendenciosa.

No geral, o livro é bonitinho e tem coisas interessantes no meio. Mas não é uma leitura imperdível ou imprescindível. Para quem curte o assunto é legal porque concentra bastante informação sobre um tópico que normalmente não é muito trabalhado.

Nota 7,5.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

The ruby circle



SPOILER FREE

Enquanto o meu navegador principal continua brigado com o blogger as resenhas se acumulam... mas vamos ver se consigo colocar em dia! Já tem uma lista atrasada, ai ai ai...

Esse livro eu simplesmente não resisti de curiosidade e peguei logo para ler, porque se trata do último volume da série spin-off de "Vampire Academy", "Bloodlines", e apesar de ter achado essa série inferior à série original, especialmente nos últimos 2 volumes, eu realmente estava curiosa para saber como iria terminar.

Sabe o ditado "a curiosidade matou o gato"?

"The Ruby Circle" conseguiu ser o pior livro dessa série, o que achei muito triste e indigno para algo que começou tão bem e tinha tanto potencial. A insistência da autora em manter a narração dividida entre Sydney e Adrian é imcompreensível para mim, porque o Adrian é extremamente chato. Quanto mais eu lia na voz dele, mais eu não conseguia entender o quê diabos a Sydney tinha visto nele, todo o charme que aparecia na descrição da Sydney sobre o vampiro se desfazia diante dos meus olhos conforme lia a versão dele dos fatos. Tem algo mais triste do que isso?

Tem. Sabe aquele enredo super óbvio, em que dá para adivinhar até o que os personagens vão dizer? O livro não só é assim, como eu perdi a paciência com o tempo em que os personagens demoraram para entender o que estava acontecendo, e mais, achei o final super sem graça e lugar comum.

Eu entendo que autores precisam de dinheiro, todos nós precisamos, não é mesmo? Mas realmente acho complicado estender uma série desse jeito, ao ponto em que fica óbvio demais que é só mais um livro para fazer arrecadação com base no sucesso de livros anteriores. Eu me sinto enganada, e é nessas horas em que a vontade de piratear livros desse tipo.

Nota 5.

Nota da série 6, pela destruição causada pelos últimos livros.

links para os demais livros da série:

Bloodlines
The golden lily
The indigo spell
The fiery heart
Silver Shadows

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

The Book of Life



SPOILER FREE

E depois de alguns meses aguardando no meu kindle, peguei o último livro da trilogia da Deborah Harkness (composta também por "Descoberta das Bruxas" e "Sombras da noite"), que ainda não saiu no Brasil, mas deve estar chegando.

Dessa vez, Diana e Mathew estão de volta ao presente e precisam lidar com a perseguição e a chegada dos seus filhos gêmeos, além de encontrar as páginas perdidas do livro da vida para restaurar o livro e provavelmente garantir o futuro tanto dos vampiros quanto das bruxas e dos daemons.

Sabe aquela sensação de que o autor teve uma ideia brilhante mas não tinha talento suficiente para realizar a sua própria ideia? É bem isso que você tem ao ler a trilogia. O livro tem um ritmo interessante, e e difícil parar de ler (no último dia da minha leitura fiquei acordada até 2h da manhã para terminá-lo), porém, contudo, entretanto, todavia, ele não é lá grandes coisas.

Depois de ler os 3 livros, cheguei à conclusão que o grande problema é que falta foco à autora. Ela começa um monte de histórias paralelas ao longo da trama principal, mas nenhuma é concluída, da mesma forma que os personagens são confusos e diversas vezes agem de forma incoerente com as suas supostas características. E aqui não se trata apenas de traços de personalidade, mas também de limites dos seus próprios poderes, que às vezes eles mesmos esquecem.

Um outro problema correlacionado é o excesso de informação. Porque não basta ser uma história de bruxas, vampiros e daemons, precisa ter humanos como personagens importantes também, grandes descobertas genéticas e históricas, viagens no tempo, problemas políticos de segregação, controle populacional e controle de "pureza de raça", romance que não sabe se é mesmo romântico ou uma relação abusiva (ou uma relação abusiva disfarçada de romântica), problemas de relacionamentos com os pais, mistério e investigação, terror, e uma infinidade de referências mitológicas e religiosas. Além, claro, de personagens poderosos demais para o bem do sentido da narrativa.

O resultado inevitável do excesso de informação com a falta de foco é uma quantidade incômoda de buracos. 3 livros jamais seriam suficientes para quantidade de histórias presentes na trilogia serem finalizadas de forma satisfatória e terem sentido entre si, ou a autora cortava algumas coisas e fazia direito ou ela escrevia pelo menos mais 3 livros com um time de ajudantes para verificar a continuidade. Da forma como ficou, deixa a obra mediana para ruim.

Acho uma pena, tinha muito potencial.

Nota 6,5. Nota 7 para a trilogia como um todo.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

The Tenth Life of Mr. Whiskers



SPOILER FREE

Cheguei à conclusão que estou numa fase de literatura indie, pois tenho lido uma quantidade razoável de autores absolutamente desconhecidos. E acho que tenho tido muita sorte!

"A décima vida do Sr Bigodes" foi uma dessas sortes. O livro é bem pequeno, mas é muito divertido! Se passa num mundo onde bruxas e lobisomens são seres absolutamente comuns, mas vivem em comunidades escondidas por conta de caçadores (humanos sem magia) que têm como objetivo acabar com a magia no mundo. Mas isso é só o pano de fundo, a história em si nada tem a ver com isso, mas achei interessante mencionar porque a autora tem outros livros nessa ambientação e porque eu gostei.

Nessa história, a autora foca em Laney, uma bruxa adolescente que trabalha numa livraria para juntar dinheiro para visitar a Europa. A dona da livraria viaja e deixa o estabelecimento nas mãos dela, assim como o Mr Whiskers do título. Só que Laney não vê o bilhete falando do bichinho até quase uma semana depois, na véspera da volta da sua chefe, e justamente no dia em que o novo rapaz do colégio resolve aparecer na livraria para... bem, ela ainda não sabe bem o porquê dele estar ali.

A partir daí os dois se metem numa noite cheia de magia negra com uma pitada de a volta dos mortos vivos. O enredo é bem simples, mas é escrito com muito bom humor, e a ambientação deixa tudo ainda mais charmoso (especialmente porque não é o centro da história, e achei isso muito legal, ponto para a autora). Realmente um achado. Indico muito para quem curte infanto-juvenil.

O único problema do livro é que a autora pesou um pouquinho mais do que eu gostaria no fator "romance" da história, mas pelo menos a ação e a magia contrabalanceiam bem.

Pena que é tão curto, eu queria muito saber o que acontece com a Laney e o Kody. Espero que vire uma série.

Nota 8,5.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

A stroke of magic



SPOILER FREE

Então... depois de me surpreender e me divertir demais com "A taste of magic" resolvi arriscar a sua continuação. E que banho de água fria no inverno...

Tudo o que eu gostei no primeiro livro está ausente no segundo. Não é mais despretensioso (inclusive tem excesso de drama para o meu gosto), o clima não é mais comédia (é romance água com excesso de açúcar), a personagem principal do primeiro volume é relegada ao plano de fundo e quase não aparece (aqui a protagonista é sua irmã mais nova, uma chata de galocha que só reclama e nada faz para mudar a sua situação), a magia passa a ser usada de forma errática e deixa de fazer sentido.

Se eu fizesse uma lista de tudo o que eu detesto em romances água com açúcar, todos os itens estariam presentes nesse maldito livro. Coisas como: almas gêmeas, protagonista tão chorona que é impossível entender como o mocinho da história gosta dela, decisões sem sentido nenhum com o resto da história, excesso de drama com os personagens rodando em círculos ao invés de resolver o problema, repetição em forma de ladainha dos infortúnios da personagem principal...

Enfim, nesse volume a história gira em torno da irmã mais nova, artista e futura mãe solteira da protagonista do primeiro livro. A trama é a busca dela pela sua alma gêmea, que vai garantir que o seu bebê ainda não nascido será criado num ambiente saudável e assim ele vai crescer de forma a não se tornar psicopata. Sério. É isso mesmo. Acrescente aí a tal magia cigana, que não faz o menor sentido na hora de funcionar ou não, um par romântico ululantemente óbvio e clichê,  mas que a protagonista se recusa a aceitar apesar de estar apaixonada por ele (é, não é para fazer sentido pelo visto) e drama, muito drama, a maioria inventado pela cabeça da personagem principal porque ela é meio que muito obsessiva por controle.

Não consigo listar nada que se salve no livro... nem os personagens mais legais e excêntricos do primeiro volume estão bem aqui. Um desastre total. O pior é que eu li as contracapas dos livros seguintes (são 4 livros no total) e não são nada promissores, tudo repeteco do livro 2... pelo visto serão deletados do kindle sem nem serem lidos.

Nota 2 porque hoje é segunda-feira e não quero começar tal mal assim a semana.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A taste of magic



SPOILER FREE

Então, um dos desafios literários que estou seguindo tem como tema para outubro um livro com bruxas (muito apropriado para o Halloween que se aproxima). Só que incrivelmente eu não tinha livros ainda por ler com bruxas no início do ano, então meio que entrei numa caça aos livros com bruxas (piadinha infame) que parecessem palatáveis e interessantes (nada de Nora Roberts pelo amor aos deuses!). E aí, a santa Amazon com o seu santo kindle me deram um monte de opções com boas resenhas e preços muito acessíveis (cofpromoçãocofcof), daí topei com a série "Magic" da Tracy Madison e resolvi dar uma chance.

E como valeu a pena! Eu já sabia que era um livro estilo chicklit, então eu não esperava nada além disso, inclusive eu já esperava algo bem mais ou menos... e o livro me surpreendeu! Nada de machismos que incomodem e nada de cenas de sexo gratuitas (e elas existem!!! e achei bem divertidas, num estilo parecido com os primeiros livros de True Blood). Tem clichês? Claro, tem clichês saindo pelo ladrão, mas não incomodam porque o livro tem uma ótima característica: ele não se leva a sério e isso o torna muito, mas muito engraçado.

O livro trata da história de Elizabeth, uma cozinheira de Chicago, dona de uma padaria especializada em bolos e doces. Aos 35 anos ela está divorciada do seu único namorado, e há um ano deprimida por ter sido trocada por uma mulher mais nova. Então sua avó Verda resolve que chegou a hora dela receber uma herança especial: a magia cigana da sua tataravó. A partir daí Elizabeth precisa aprender a usar o seu novo dom e consertar a sua vida.

Eu indicaria esse livro para quem gostou do "Diário de Bridget Jones", avisando que é muito mais divertido porque é muita piada junta num ar de total descontração, é quase uma paródia de livros sobre mulheres de 30 anos que se divorciaram e estão à caça. Eu ri tanto lendo o livro que eu precisava me controlar para não passar vergonha no metrô. E tem uma cena em específico lá quase no final do livro que eu quase passei mal (literalmente) de tanto rir.

Mas para realmente se divertir com ele é preciso ir sem pretenção de ler algo profundo ou sério. Não é esse tipo de literatura, definitivamente. É que nem filme pipoca, você desliga o cérebro e se diverte de montão. É um bom livro para descansar a cabeça e passar o tempo.

Agora se você não encarar a leitura com essa perspectiva... bom, depois não diz que eu não avisei.

Nota 9, dentro do estilo, claro.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

As Brumas de Avalon - 4 volumes



SPOILER FREE

Então, pela primeira vez esse ano estou super atrasada, isso porque inventei de ler mais um brutamontes: As Brumas de Avalon (a série completa de 4 livros, é claro, senão não tinha graça). E óbvio que eu dei "sorte" de tirar férias justamente nesse período, e meu tempo para ler simplesmente desapareceu e por isso demorei muito, mas muito mais do que o previsto lendo o volume único da série que eu tenho para kindle (graças a deus! imagina carregar o bruto no muque?).

Fiz essa escolha porque em agosto o tema de um dos Desafios Literários que estou seguindo era uma releitura (li essa série aos 15 anos, então faz muito mas muito tempo que eu li), de outro desafio o tema era uma aventura e de outro um clássico de aventura. E como considero que todas as versões da história do Rei Arthur são aventuras e As Brumas é um clássico, os 4 volumes da série estavam contando para todos os desafios (inclusive para o quarto desafio, que é ler 52 livros no ano - com esses cheguei a 46 segundo a contagem aproximada do Goodreads). Os livros que compõe a série conhecida como "As Brumas de Avalon" são: "A Senhora da Magia", "A Grande Rainha", "O Gamo-Rei" e "O Prisioneiro da Árvore", no total são aproximadamente mil páginas. Ah, sim, e caso alguém ainda não saiba, "As Brumas de Avalon" conta a história do Rei Arthur e sua corte, mas o seu diferencial é que ela é contada a partir do ponto de vista das mulheres presentes na história, além de focar na mudança religiosa do paganismo celta-druida para o cristianismo. Por isso, às vezes, a série é considerada feminista.

Mas indo para a análise do conteúdo dos livros, fazia muito tempo que eu não relia algo, e a experiência de ler novamente "As Brumas" foi muito especial. Lembro nitidamente da sensação de ler os livros pela primeira vez, do fascínio que senti e de como foi importante essas leituras para mim na época. Reler o texto hoje foi muito interessante, os livros continuam maravilhosos, e a história é tão cativante quanto eu me lembrava, mas depois de mais de 15 anos a minha forma de ver o mundo e os temas tratados pela autora, em especial o paganismo, é bem diferente, por isso a forma como li os pormenores da história foi completamente diversa da primeira leitura, e eu pude ser bem mais crítica do que quando era adolescente e pouco sabia dos assuntos ligados à Wicca.

Achei interessante confirmar algumas impressões bem fortes acerca de alguns personagens do livro, como a Guinevere ser uma chata, o Mordred um fdp e o Arthur meio bundão, mas, em compensação, na minha memória a Morgana era espetacular, e na releitura já não a achei tão especial assim. Confesso que em alguns momentos fiquei sem paciência com alguns personagens e achei que algumas situações foram alongadas talvez um pouco demais da conta ao longo das obras, mas no final a leitura continuou agradável. E eu continuo indicando os livros para qualquer um que se interesse pelas lendas arthurianas e por paganismo. Só não indico como fonte histórica de nada, pois além da mitologia arthuriana, que obviamente é apenas um mito, tem gente que acredita que a parte sobre o paganismo e a forma de culto da deusa e dos druidas e a relação das mulheres na sociedade na época (século V d.C. para os distraídos) esteja bem descrita nesse livro, e infelizmente isso não é verdade.

Outra coisa que achei interessante foi ver que alguns personagens presentes na Trilogia do Rei Arthur do autor Bernard Cornwell também estão presentes aqui, mas eu simplesmente não me lembrava deles nas Brumas de Avalon, talvez seja uma questão de importância que cada autor tenha dado para eles, talvez minha memória é que tenha falhado. De qualquer forma, achei interessante ver esses personagens sendo descritos de formas tão diversas, mas ainda assim mantendo a linha central do mito arthuriano. Agora fiquei com vontade de reler a obra do historiador inglês e fazer uma comparação mais rica entre os pontos de vista de cada autor. Quem sabe, se der tempo nos próximos meses de Desafios Literários? Dezembro é um mês de tema livre!

Nota 9,5 para a série, porque como li um volume único, fica um pouco complicado de dar notas separadas para cada livro.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Silver Shadows



SPOILER FREE

Então, depois da minha saga com "Os Miseráveis" eu precisava ler algo bem leve para espairecer. Como tinha acabado de sair o quinto (mas não último) volume da saga "Bloodlines" (aquela que é spin off de "Vampire Academy"), resolvi aproveitar que fazia muito pouco tempo que eu tinha terminado de ler os outros livros da série e ver o que acontecia em seguida na história da alquimista Sidney Sage.

Assim como no livro anterior, o tal que me deixou cheia de ódio no coração, nesse volume a narração também é alternada entre a Sidney e sua cara metade Adrian, a diferença é que aqui essa alternância é realmente necessária, senão não tem como contar a história. Mas claro que isso não torna a parte do Adrian menos chata, ele continua um personagem infantil e um narrador sofrível. Confesso que desde que ele virou co-narrador eu não consigo entender o que a Sidney viu nele.

Não sei o que aconteceu dessa vez, se foi a minha leitura dos Miseráveis e de outros livros interessantes, ou se foi mesmo um problema da Richelle Mead, mas achei "Silver Shadows" mais bobinho do que a média dos livros dela, e o plot é absurdamente previsível, quase dá para adivinhar as falas. A coisa toda é tão boba e previsível que eu simplesmente não me surpreendi com o final (e dá para perceber que a autora se esforçou para fazer algo surpreendente), e, sério, a reação de incredulidade e dúvida dos personagens é simplesmente cômica de tão surreal (porque é muito óbvio o que aconteceu!!! como alguém pode dizer que não sabe o que aconteceu??).

Talvez o problema seja que a autora queira levar a sua própria história a sério demais, tentando inserir assuntos mais sérios e chocantes no meio para "encorpar", quando ela podia muito bem aproveitar e fazer algo mais bonachão e leve (um pouco do que acontece na série original, cuja protagonista tem um senso de humor muito mais interessante para uma história tão longa). Talvez o problema seja que os personagens nos primeiros livros tinham um quê mais cinzento, e agora estão muito preto ou brancos. Não sei bem, mas se a série tivesse um clima mais "Buffy" (se levando menos a sério e com uma dose interessante de humor com relação a si mesma) certamente o resultado seria mais interessante.

Talvez o problema seja que os livros estejam dando muito dinheiro e por causa disso resolveram esticar a história mais do que deveriam, e agora tudo fica com cara de forçação de barra. Eu apostaria nesse último.

Nota 6, porque não melhorou com relação ao livro anterior.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

The Fiery Heart



SPOILER FREE

E finalmente cheguei no quarto e último livro publicado da série "Bloodlines" da Richelle Mead! E fiquei furiosa.

Minha primeira razão para ficar furiosa é que ela mudou a forma de contar a história, agora além da Sidney como narradora (seguindo a fórmula usada em "Vampire Academy"), a autora colocou o Adrian (interesse romântico da Sidney) como narrador também, alternando entre um e outro. Só que enquanto a Sidney é uma narradora extremamente interessante, o Adrian é chato, muito chato, ele parece ter metade da idade que tem. Inclusive acredito que essa mudança é o maior fator para o segundo problema desse livro: o excesso de água com açúcar. Sério, só dá para ler com insulina na veia, só assim para aguentar tanta melação e drama. Para completar o pacote tem o final, perdoem-me pela palavra, escroto, porque termina no meio da ação.

A sensação que eu tenho é que tudo estava indo bem, mas aí a autora ficou com medo da história começar a perder a graça (e consequentemente o público) e resolveu fazer um final daqueles que não termina coisa nenhuma, fica bem no meio da ação só para garantir que você vai querer ler o próximo livro. É um tipo de recurso barato para quem quer ter certeza que os leitores vão querer ler o livro seguinte e não tem confiança na própria história para garantir que isso vai acontecer sem torturar o pobre leitor. Deve ser um problema específico da Richelle com os quartos livros das séries dela, porque o quarto volume de Vampire Academy é tão ruim quanto e com um final tão sacana quanto. Pensando melhor, em Vampire Academy é pior, por conta das escolhas dos arcos de história seguintes, pelo menos em "Bloodlines" o final do quarto livro faz sentido, por mais que seja sacanagem colocá-lo como um final.

Sabe o mais dá raiva? É que a estratégia funciona. Já estou contando os dias para o lançamento do próximo livro pra saber como a história continua, pode isso? Já está na minha lista de desejos da Amazon, e olho para aquela capa todo dia... maldita Richelle Mead... como ela consegue deixar uma série mais chata e ao mesmo tempo me deixar com vontade de continuar lendo?

Só para finalizar, nesse volume Sidney chegou num ponto de maturidade com relação ao que ela acredita que é certo, o problema é que ninguém pode saber disso, e com a chegada de novos integrantes no grupo de Palm Springs vai ficando cada vez mais difícil esconder. Além disso, as pesquisas para uma vacina anti-strigoi avançam, assim como o projeto pessoal de Sidney para tentar libertar os alquimistas dissidentes.

Nota 6, pela melação e pelo ódio que despertou no meu coração.

terça-feira, 24 de junho de 2014

The Indigo Spell


SPOILER FREE

Então, como eu disse no último livro dessa série (aqui), estou me sentindo como se estivesse devorando um balde enorme de pipoca, é gostosinho, você sabe que não faz bem para a saúde, mas não consegue parar.

Depois de rir até não me aguentar mais com o segundo volume, o terceiro da série não é tão engraçado, mas, em compensação ele foca mais na transformação interna da Sidney, o que era o mais interessante no primeiro livro. É uma troca justa. Além disso, nesse ponto da história a autora resolveu mergulhar mais profundamente na questão da magia, levantada aos poucos nos dois primeiros livros, o que pessoalmente eu gostei muito, afinal adoro histórias com bruxas. Vejo que ela precisa fazer um certo esforço para que tudo se encaixe no universo que ela criou, mas nada que incomode a leitura, por enquanto, pelo menos.

Além disso, "The indigo spell", que em português foi traduzido como "o feitiço azul", tem a fórmula que Richelle gosta de seguir à risca: um pouco (mais) de drama adolescente, muita ação com direito a um clímax que me surpreendeu pela qualidade (eu esperava menos) e teorias da conspiração para passar o tempo (para substituir o mistério da primeira série). E tem o final, que pela primeira vez nessa nova série conseguiu me surpreender. Não que isso seja positivo... confesso que me preocupa como ela vai resolver a situação no próximo livro, porque esse até o finalzinho tinha muita cara de finalização de arcos no enredo, e ela resolveu abrir um precedente meio perigoso.

Na média, o livro é uma boa continuação, apesar de não ser tão divertido quanto o segundo ele tem os seus pontos fortes, que acabam balanceando os pontos mais fracos, mantendo o nível de qualidade, o que já superou minha expectativa (já notaram que eu nunca tenho grandes expectativas com esse tipo de livro? ou que quando tenho são baixas?). Claro que já comecei o livro seguinte... vamos ver até onde a autora consegue esticar a história sem deixar a coisa muito feia.

Nota 9, por enquanto... tenho um pressentimento ruim...

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Beautiful Redemption


SPOILER FREE

E só porque só faltava mais um livro na série, resolvi encarar Beautiful Redemption ou Dezenove Luas em português.

Lembra que eu mencionei que o final do terceiro livro era muito ousado? Pois bem, a continuação, apesar de bem óbvia (não tinha muito para onde ir), também pode ser considerada ousada. A história, assim como nos volumes anteriores, continua muito boa, porém a qualidade da escrita... continua ruim. Melhor do que Crepúsculo, mas ainda assim deixa a desejar. Realmente a impressão que me deu é que as autoras são ótimas criadoras de mundos e de histórias de fantasia, mas que elas 1) realmente passam mais tempo jogando videogames do que lendo (afinal elas trabalhavam criando videogames), 2) não tiveram bons editores, porque o espaço para melhoria dos livros é bem fácil de ver e não é difícil de melhorar.

Fora esse "detalhe", o livro é cativante e segue a linha do terceiro volume, onde a ação é o fio condutor da história, mantendo a adrenalina rolando solta o tempo todo, e, consequentemente, eu não consegui largar o livro até terminar. E novamente as autoras têm uma inspiração no Joss Whedon, e na sua falta de cerimônia ao matar personagens, ponto positivo para elas.

Com toda a ação rolando, o excesso de açúcar adolescente ficou novamente controlado, assim como no livro anterior. Outro ponto positivo.

Dito isso, gostaria de aproveitar para reclamar da mania dos editores brasileiros de adaptarem títulos ao invés de simplesmente traduzi-los. Sério, para quê isso? Não é que as traduções ficassem ruins ou soassem mal em português! Tudo bem que os primeiros 3 livros ficaram com adaptações passáveis (apesar de totalmente desnecessárias), mas o quarto livro ficou muito ruim, mas muito ruim mesmo. Sabe o que tem a ver Dezenove Luas com a história? NADA. Nada de nada de nada mesmo. O que era óbvio que uma hora ia acontecer, né? Mas não, resolveram manter a "ideia brilhante" da adaptação. E não é razoável dizer que a ideia veio por causa do filme, que mantem o nome original do livro em inglês. Opa, mas não em português! Será que a culpa é dos tradutores de títulos de filme? Mesmo que seja, imperdoável.

Nota 8.

Nota da Saga: 7,5 só porque podia ser melhor.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Beautiful Chaos


SPOILER FREE

Continuando a fase de fastfood literário, li o terceiro livro "das luas" (em português o título ficou dezoito luas, coisas que só a tradução brasileira de títulos consegue fazer). Aqui as autoras finalmente resolvem sair do clima Crepúsculo e resolvem fazer algo original, o que me deu muito alívio.

Não que o clima adolescente da história tenha diminuído, ele continua lá firme e forte, mas pelo menos está mais disfarçado debaixo de uma grande camada de ação e adrenalina, que nesse volume permeia a história desde o início até o fim. E que fim! Não digo que seja o mais original do mundo (já vi acontecer em outras séries de livros de fantasia), mas sem dúvida é um final corajoso. Meu respeito às autoras por isso. Nesse ponto elas me lembraram o Joss Whedon e digo isso de uma forma positiva, apesar da mania que eles têm em comum poder ser irritante de vez em quando.

A qualidade da escrita até deu uma melhorada (ou eu me acostumei... melhor não pensar nessa alternativa), mas ainda não ficou lá essas coisas. Talvez seja apenas a atenuada no clima adolescente da história que tenha me dado essa sensação. Qualquer que seja o motivo, tornou a leitura mais agradável e para mim isso é o que conta.

Só para não dizer que não falei nada do plot sem dar spoiler: nesse volume, o mundo está indo para o saco, literalmente falando, por conta do que aconteceu no final do livro anterior. E agora os heróis da história estão numa busca desenfreada pela solução do problema (aí está a razão pela adrenalina constante), e nessa busca eles esbarram em um problema atrás do outro. Graças a deus os problemas já não envolvem o clichê de histórias adolescentes "será que ele/a me ama?", e sim apenas um monte de situações que podem terminar em sangue, morte e destruição (como se isso já não fosse iminente pela premissa da narrativa, mas tudo bem, pra quê apressar esse tipo de coisa não é mesmo?). Não é a toa que título em inglês é "belo caos", ele realmente tem uma razão de ser (pessoalmente eu acho melhor do que a tradução, apesar dela ainda fazer sentido nesse livro).

Nota 8 porque melhorou com relação aos livros anteriores.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Beautiful Darkness


SPOILER FREE

E como o mês de setembro estava no final e não daria tempo de ler mais um livro do Saramago dentro do prazo do Desafio Literário, resolvi matar o tempo com o que eu tenho chamado de fastfood literário. Sabe aquele tipo de livro que você sabe que não é bem escrito (assim como fastfood não alimenta de verdade), mas te diverte horrores mesmo assim (análoga aquela sensação de comer algo gorduroso que você sabe que não faz bem mas é gostoso assim mesmo)?

Pois é, a continuação de Beautiful Creatures se encaixa perfeitamente nessa descrição. Beautiful Darkness, ou Dezessete Luas em português, é um livro divertido, apesar de mal escrito, seguindo a receita mostrada no primeiro volume. A comparação com Twilight aqui é ainda mais perfeita, pois Beautiful Darkness é a versão de Kami Garcia e Margareth Stohl para Lua Nova, trocando o sexo da personagem principal e vampiros por bruxas. E não estou exagerando nessa comparação, a trama é exatamente a mesma: personagem principal é largado pelo amor da sua vida, que está numa fase ruim e busca a auto-destruição. O livro todo se passa na tentativa da personagem principal encontrar o seu grande amor antes que seja tarde demais.

As grandes diferenças entre esse livro e Twilight é que 1) o personagem principal não é chato nem incoerente; 2) o personagem principal sofre mas não tenta se matar quando é abandonado pela namorada; 3) os demais personagens e a relação entre eles fazem sentido; 4) o mundo onde se passa a história é coerente. Em outras palavras, Kami Garcia e Margareth Stohl deram um banho na Stephenie Meyer novamente. O único defeito das autoras é realmente não saberem escrever bem. Mas isso pode ter remédio, ainda tenho esperanças quanto aos próximos 2 livros da série.

Claro que o tema extremamente adolescente me incomodou novamente, mas como entendo que era esse o objetivo, não considero como um defeito do livro, é só algo que eu não gostei.

Nota 7,5 assim como o primeiro volume.