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sábado, 13 de junho de 2020

Get It Together, Delilah!



SPOILER FREE

Como junho é Pride Month e eu já li um livro de temática gay, resolvi ir para outra letra do arco-íris e ler algo com personagens lésbicas para o Desafio Literário Popoca. Acabei decidindo por outro young adult, infelizmente sem tradução para o português, da autora australiana Erin Gough.

Get it together, Delilah! é sobre uma jovem lésbica, com nome óbvio pelo título do livro, cujos maiores problemas são: bullying na escola, a separação dos pais e o fato que por um capricho do destino, misturado com uma dose de culpa, Delilah está gerenciando sozinha o café da família.

O interessante do livro é que não é sobre a descoberta da sexualidade de Delilah, ela sabe muito bem quem ela é. A questão é como os outros lidam com isso, e como ela lida com essas reações. O enredo tem questões de amizade muito interessantes também, que confesso que me surpreenderam, pois a autora conseguiu fugir de determinados clichês e trabalhar muito bem outros, que, considerando o mundo em que vivemos, são de alguma forma inevitáveis.

Além disso, os dramas não são exclusivos da sexualidade de Delilah, o que torna o enredo bem mais interessante e abrangente. A protagonista é uma adolescente com problemas de adolescente, por acaso ela é lésbica. Considerando a enorme quantidade de livros cujos protagonistas LGBT lidam apenas com problemas LGBT, é muito positivo começar a surgir volumes que falam de outras coisas também, afinal adolescente nenhum está livre dos seus tradicionais dilemas e problemas.

Por esses pontos, e pela qualidade da escrita, Get it together, Delilah é um livro excelente, e acima da média dos young adults que estão por aí, independentemente da sexualidade dos personagens. Porém, boa parte do drama do livro também se baseia na falta de comunicação, que é um clichê que eu detesto. E foi isso que me deixou dividida por boa parte da leitura.

Por um lado, amei ler sobre Delilah, seus problemas na escola, no café e na família, além do drama amoroso que eu achei particularmente interessante. Por outro lado, algumas decisões simplesmente me irritaram, apesar delas serem condizentes até certo ponto com a faixa etária da personagem.

De qualquer forma o resultado é muito divertido, com risadas garantidas em algumas passagens, suspiros em outras e alguns olhos revirados inevitáveis em livros adolescentes. Uma excelente leitura para o tema, precisamos de mais livros assim.

Nota 9.

domingo, 1 de setembro de 2019

The Brightsiders



SPOILER FREE

Esse é um dos livros mais pop de 2018 e finalmente ele saiu da estante! A autora australiana Jen Wilde tem feito sucesso com suas personagens jovens e abertamente LGBT, e The Brightsiders é só mais um exemplo do que ela tem feito.

Um dos pontos altos desse livro em particular, é que ele não tem nenhum personagem relevante que não faça parte da sigla LGBT, e só isso é incrível. E não, as personagens não são estereótipos ou clichês de nenhuma das letrinhas.

Em Brightsiders, Jen traz a história de Emmy King, uma adolescente prestes a completar 18 anos que precisa lidar não só com a fama (ela é baterista de uma banda famosa que chegou ao estrelado há pouco tempo), mas com os seus pais abusivos (fica o alerta para quem tem problemas com o tema), e com a sua bissexualidade.

Se você acha que isso já é problema demais para colocar num livro só, respira fundo, porque Jen Wilde ainda trabalha transfobia, bifobia, relacionamento abusivo (de pais e de namoradxs), empoderamento feminino e vício em drogas. É um prato cheio, beeeeeeem cheio.

Se por um lado o livro é de uma grande beleza, justamente pela forma com que a autora consegue lidar com todos esses temas tudo junto e misturado sem deixar a peteca cair no campo do preconceito. Por outro lado, Jen Wilde consegue a façanha de ser didática demais. O livro é explicadinho demais, e isso é o seu maior defeito.

Não há o menor espaço para reflexão do leitor, que é carregado o tempo inteiro para as conclusões que a autora quer que ele entenda. Em compensação, a escrita é bastante fluida e recheada de pequenos poemas que são as canções do grupo. 

E os personagens principais são fofos. 

Com pontos positivos e negativos que de alguma forma acabam por se equilibrar, e considerando a importância desse tipo de livro hoje em dia:

Nota 8,5.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Professor Feelgood (Masters of Love #2)



SPOILER FREE

Como estou tranquila com os temas dos Desafios Literários de julho (tudo andando direitinho e adiantado), mas continuo meio doente, resolvi me dar uma folga e continuar lendo coisas leves. Como li há menos de um mês o meu primeiro livro da australiana Leisa Rayven e fiquei positivamente impressionada, e eu já tinha o volume seguinte da coleção Masters of Love por motivo de promoção, achei que era a hora de emendar.

Professor Feelgood traz a história da irmã da personagem principal de Mister Romance, a aspirante a editora Asha Tate. E num momento de ousadia, por conta de uma possível promoção, ela resolve entrar em contato com um poeta/fotógrafo do Instagram chamado Professor Feelgood, que além das fotos de babar, ainda escreve de um jeito que derrete as calcinhas das suas seguidoras.

O problema é que ele não era exatamente do jeito que ela imaginava, e agora ela precisa dar um jeito de fazer o tal livro que ela prometeu e eles assinaram um contrato milionário sair do papel.

Além das características típicas desse tipo de livro e suas coleções, Leisa Rayven me parece especialista em adiar as cenas tórridas nas suas histórias. Só que, ao invés de todo suspense e momentos animados mas sem grandes ações de Mister Romance, em Professor Feelgood ela não consegue manter exatamente o mesmo nível de temperatura até o grande momento.

E sério, diferente do primeiro volume, depois da primeira vez ela resolve dar uma economizada. Gente, eu pego esse tipo de livro pra ler cenas de sexo, no plural, não no singular. Tudo bem que uma boa história e bons personagens acrescentam muito e fazem tudo ficar melhor, mas sem a motivação principal perde boa parte da graça.

E tem a questão da história. Ela é fofa, não vou implicar muito, mas é muito batida e clichê perto do livro anterior. Parece que Leisa gastou toda a sua ousadia no primeiro livro e resolveu descansar no segundo, o que é uma pena. E o pior é que o livro nem é ruim, seu maior defeito é não ser tão bom quanto o primeiro.

Por isso ainda darei o benefício da dúvida para a autora e pretendo ler mais dela.

Nota 8.

domingo, 23 de junho de 2019

Mister Romance (Masters of Love #1)



SPOILER FREE

Esse foi meu primeiro livro da autora australiana Leisa Rayven. Ela é conhecida pelo público brasileiro pelos livros da coleção Starcrossed, todos traduzidos para o português. Aliás, Mister Romance e o volume seguinte da coleção Masters of Love também já estão traduzidos para o português.

Mister Romance traz a história de Eden Tate, uma jornalista empacada num trabalho que ela detesta, até que ela vê a chance de uma matéria sensacional que pode levá-la a uma promoção: o misterioso Mister Romance, uma espécie de escort para mulheres ricas, capaz de realizar fantasias românticas. Mas Eden não acredita em romance, e procura na história um furo de um gigolô que arranca dinheiro de mulheres ricas e casadas, uma receita perfeita para um escândalo e seu tíquete para um trabalho melhor.

O livro tem excelentes cenas românticas, é preciso tirar o chapéu para a autora. E quando eu digo românticas, não é no sentido cor de rosa e suspirante, não, é no sentido sexy de e agora quando vai começar a cena de sexo? Mas, como prometido pelo Mister Romance, o trabalho dele não é bem esse, e você passa boa parte do livro vendo as personagens se torturarem mutuamente mas não chegando aos finalmentes. Mas vale a pena, a autora sabe exatamente o que ela está fazendo.

Preciso dizer que foi um dos melhores livros do gênero que li esse ano. Gostei tanto, mas tanto, e foi tão positivo no quesito não ter machismo, que já comecei a comprar outros livros da autora. Tomara que sejam tão bons quanto esse.

Nota 10 dentro do estilo.

sábado, 22 de junho de 2019

O Senhor March



SPOILER FREE

O Desafio Literário Popoca de junho, com o tema um livro com um mês no título foi bem mais difícil de completar do que eu imaginava. Em compensação, me deu a oportunidade de tirar da estante um livro vencedor do Pulitzer de Melhor Ficção!

A autora australiana Geraldine Brooks, famosa por outros livros, como As memórias do livro e Nove partes do desejo, traz em March um romance histórico que retrata o que teria sido a história não contada no clássico Mulherzinhas do pai da família March.

Mr. March é um abolicionista radical e vegano, que conta através de cartas e uma espécie de diário, a sua história desde um jovem vendedor ambulante viajando pelo sul escravagista dos Estados Unidos, até o seu envolvimento na guerra de secessão, com direito a como se casou com a futura Ms. March e o nascimento de todas as personagens do clássico romance de Louisa May Alcott.

Geraldine Brooks fez um senhor trabalho histórico para escrever esse livro, com direito a estudar a família Alcott, que serviu de base para Mulherzinhas, vários descritivos da época da guerra, indo até os detalhes das batalhas mostradas no livro, a forma como os médicos trabalhavam, diários de escravos que conseguiram sua liberdade e como funcionava a rede subterrânea para escravos fugitivos. É um trabalho hercúleo, que transparece no texto do início ao fim.

Por se tratar de uma época muito conturbada, O Senhor March é uma leitura bastante pesada e, dependendo do seu estado de espírito, muito depressiva. É desconcertante ler como era considerado um ponto de vista radical, e até mesmo doentio, considerar que negros e brancos são iguais. E pior ainda, saber que muitas das asneiras racistas ditas pelos personagens desse livro continuam sendo repetidas até hoje.

Confesso que eu não estava psicologicamente preparada para esse tipo de leitura. Tive muita dificuldade de ler até o final, não porque o livro seja ruim, muito pelo contrário, existe uma razão dele ter ganho o prêmio Pulitzer. A minha questão é que eu não tive estômago para o seu conteúdo.

Fica o aviso, o livro vale a leitura, mas necessita de resiliência.

Nota 7 pela minha experiência, acredito que se tivesse lido em outro momento teria sido melhor.

domingo, 31 de março de 2019

99 Percent Mine



SPOILER FREE

Os últimos meses tem sido difíceis para mim, e para o Brasil também. Então, como eu faço nessas horas, uso meu vício em leitura para praticar um pouco, ou muito, escapismo.

Como bom escapismo literário, precisa ser leve e divertido, para tristeza e desgraça basta olhar em volta. Então, quando saiu o novo livro da australiana Sally Thorne, autora do livro The Hating Game, que li ano passado e amei de paixão, ele entrou automaticamente na minha lista de desejos da Amazon, e por providência divina ele logo depois entrou em promoção.

Seguindo parte da receita do seu primeiro livro sensação, Sally Thorne traz a história de Darcy, uma jovem apaixonada por seu amigo de infância Tom Valeska (passei o livro pensando na Valesca Popozuda hahahahaha). Eles em algum momento tiveram um desentendimento meio complicado, e desde então uma história de amor virou uma história muito estranha de gato e rato.

99 percent mine tem o mesmo estilo de humor de The Hating Game, só que dessa vez as personagens não são fofos, nada fofos. Esse foi o meu problema com livro. Ele é divertido, sim, é bastante engraçado, os diálogos são maravilhosos (esse é o ponto alto da autora). Mas, o livro ficou um tanto quanto desequilibrado por causa disso. Em alguns momentos as personagens são tão malas que você não quer torcer por elas.

Isso quebra totalmente o propósito de um livro tipo água-com-açúcar.

A maioria das personagens só se redime no final da história, mas até lá o estrago, do tipo quero mais que eles morram, já foi feito. Além disso, tem lá umas questões complicadas de auto-imagem corporal da protagonista.

Entendo que é apenas o segundo livro da autora, que teve um sucesso bastante inesperado com o seu debute, além de que ela sofreu uma pressão enorme para esse segundo livro. Mas esse simplesmente não é tão bom.

Entretanto, ainda tenho esperanças para Sally Thorne e pretendo ler novos trabalhos dela.

Nota 8.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

The Hating Game



SPOILER FREE

Esse foi um livro que eu peguei simplesmente para descansar, e o escolhi porque uma amiga minha gosta tanto dele que já leu mais de duas vezes. E nós duas temos gostos parecidos, claro.

The Hating Game foi escrito por uma autora australiana (taí algo diferente e que eu nem imaginava enquanto lia) e é um livro estilo água com açúcar do mais alto nível. Chick lit? Sim, mas bem feito e divertido do início ao fim. Tem drama, tem paixão, tem comédia e tem ódio. Sim, ódio, conforme o título promete.

A história traz dois colegas de trabalho, que passaram a trabalhar juntos após a fusão de duas editoras. O problema é que na verdade eles deveriam fazer o mesmo trabalho, mas como os dois donos da nova empresa não se entendem e as empresas originais tinham culturas radicalmente diferentes, os estilos dos dois não só são opostos, mas são necessários para fazer a nova empresa funcionar.

Como é um livro água com açúcar, para bom entendedor isso é suficiente. Mais do que isso é oficialmente spoiler.

Confesso que amei as personagens do livro, achei todas adoráveis e uma delícia de ler sobre elas. Ao longo do livro meu coração ficou apertado para ver o que iria acontecer e como a autora iria salvar a situação para a história continuar sendo água com açúcar até o fim. Que autora fofa. Final fofo!

Só acho que poderia ter um pouco mais de cenas picantes, não que elas faltem, mas que caberia mais algumas tranquilamente.

Curti tanto que leria feliz outro livro da Sally Thorne.
 
Infelizmente o livro não foi traduzido ainda no Brasil, só em Portugal, como o título "Odeio-te e Amo-te".

Nota 9,5 dentro do gênero.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

A House in Fez: Building a Life in the Ancient Heart of Morocco

Maybe it was a fit of madness,but on just our second visit to the old Moroccan capital of Fez, my husband and I decided to buy a house there - as one does in a foreign country where you can't speak the language and have virtually nothing in common with the locals.
Morocco is only 13 kilometers across the Strait of Gibraltar from Europe, but in almost every respect it might as well be on another planet. Situated in the northwest corner of Africa but separeted from the rest of the continent by the vast Sahara, its Arabic name, al-Maghreb al-Aqsa, means "the extreme west." It's a land of cultural and ethnic amalgams, of Berber, African, Arab, and, in more recent times, French and Spanish influences. The writer Paul Bowles called Morocco a place where travelers "expect mystery, and they find it." He wasn't wrong.

SPOILER FREE
Esse livro foi uma surpresa pelos motivos mais inusitados. Eu sou fã da escritora inglesa Susanna Clarke, que escreveu Jonathan Strange & Mr. Norrell, e eu achei que esse livro era dela, o que o tornaria automaticamente um bom livro.

Agora olhem de novo o nome da autora na imagem.

Então, essa é a Suzanna Clarke. Autora da Nova Zelândia, que fez carreira de jornalista na Austrália e agora vive no Marrocos.

Sacanagem, né?

Mas tudo bem, essa Suzanna também escreve bem, e o livro é muito divertido, mesmo se tratando de uma obra, ou justamente por isso. Além disso, o livro é surpreendentemente pouco preconceituoso, o que torna a leitura muito agradável e tranquila. As fotos são especialmente bonitas, por isso vale a pena ler o livro numa versão física ou pelo menos ver as fotos do kindle no aplicativo do celular ou tablet.

Me corrigindo, vale mais a pena a versão física mesmo, porque a versão digital está cheia de erros, não de digitação, mas de digitalização, pois no meio do texto volta e meia aperecem perdidos o título do livro, ou o número da página, ou os 2 num combo, o que é muito desagradável.

Levando em consideração que eu li a versão para kindle, nota 7.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

As Memórias do Livro


SPOILER FREE

Fechando o ano com os incríveis 52 livros lidos, ficou As Memórias do Livro, uma indicação absolutamente acertada da minha sogra.

De leitura agradável e que te prende ao pular os séculos de história da Hagadá de Sarajevo, Geraldine Brooks prova o porquê de ter ganho o prêmio Pulitzer com essa obra. Sua personagem principal já seria interessante e renderia um livro sozinha, mas ela divide as atenções com um manuscrito multi-cultural e único, a tal Hagadá (livro judaico usado nas celebrações da Páscoa).

E essa Hagadá é feita de fatos improváveis e sobrevive aos momentos mais cruéis da história da Europa, desde a inquisição, passando pela segunda guerra e chegando ao conflito em Sarajevo. E ela representa em seu âmago a possibilidade da convivência pacífica de 3 religiões que vivem se digladiando: cristianismo, judaísmo e islamismo. E ela consegue esse feito por conta de pessoas comuns que fazem o que julgam certo. Tem coisa mais bonita e inspiradora do que isso?

Fechou o ano com chave de ouro!!!

Nota 9.