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domingo, 15 de setembro de 2019

Os Trabalhos e as Noites



SPOILER FREE

Depois de ler meu primeiro livro da poetisa argentina Alejandra Pizarnik, me arrependi de não ter comprado logo de cara os dois únicos volumes disponíveis dela em português. Claro que corrigi esse erro logo depois de ter terminado Árvore de Diana.

Os Trabalhos e As Noites segue o mesmo cuidado da editora Relicário em Árvore de Diana, com belíssimos prefácio e posfácio, em uma edição muito bonita e bem trabalhada. Vale a leitura extra.

Alejandra Pizarnik tem um estilo muito interessante. Suas poesias são em geral curtas e bastante econômicas, não só na escolha das palavras, mas também nos temas, mas isso acaba por resultar num trabalho muito denso e intenso ao invés de puramente simples.

Pessoalmente, gostei muito dos seus livros, e minha única tristeza com isso é que eles acabam rápido demais, e o fato de não haver mais traduções me deixa com uma sensação de quero mais que não tem muita solução no momento. Até porque nem em Kindle tem muita coisa dela, pelo menos não em espanhol. 

Vou precisar reler para matar a vontade.

Nota 10.


terça-feira, 11 de junho de 2019

Retrato en Sepia



SPOILER FREE

Confesso que esse ano fazer dois desafios literários ao mesmo tempo está me deixando meio doidinha, mas, como vale a pena! Para o mês de junho, o tema do Desafio Corujesco é literatura latino-americana, e eu aproveitei para ler mais da maravilhosa chilena Isabel Allende.

Apesar de ter um contato acima da média brasileira com o espanhol, e por causa do fato de nunca ter estudado o idioma, eu nunca tinha tido coragem de ler um livro em espanhol. Mas eu tenho feito um esforço há alguns meses para tentar superar isso e andei comprando diversos livros em espanhol na Amazon, o que é fácil, porque minha conta é americana. Sério, como tem livro em espanhol na Amazon americana.

E foi assim que acabei com uma coleção razoável de livros em espanhol, em especial da Isabel Allende. E acabei por pegar o primeiro livro dela que encontrei já baixado no meu kindle e comecei a ler. E sim, Isabel Allende é sempre uma boa escolha.

Retrato em Sépia traz a história da infância escondida de Aurora, uma jovem de sangue mestiço, meio chilena, meio descendente de ingleses e chineses (a história se passa em parte na Califórnia, o que explica os ingleses e chineses misturados). Toda a questão gira em torno de um trauma de infância e o fato que ela foi criada por uma avó que sempre escondeu dela seu passado. Para os fãs de carteirinha da autora, o livro traz alguns personagens secundários que aparecem em outras obras dela, como Casa dos Espíritos e Filha da Fortuna.

Mas não é necessário ter lido nada disso para apreciar Retrato em Sépia, que é uma obra em si só e de altíssimo calibre. Isabel Allende sabe escrever bem, não há a menor dúvida, é só pegar obras dela como essa para sanar isso. Fica a dica.

Nota 10.

sábado, 15 de dezembro de 2018

Árvore de Diana

SPOILER FREE

Mais um livro de uma poetisa argentina! Estou chegando a conclusão que dentro da literatura argentina o que é certo de ser bom de ler são as poetisas.

Alejandra Pizarnik me parece famosa no meio acadêmico, mas não se encontra praticamente nada dela nas livrarias ou sebos em português. Até que a editora Relicário resolveu publicar duas obras dela em edições bilíngues belíssimas. A Árvore de Diana é a que eu comprei na última primavera dos livros. Devia ter sido menos econômica e ter comprado os dois.

A edição está muito bem cuidada, com lindos prefácio e posfácio. O tradutor fez um texto muito interessante sobre o trabalho da tradução dos dois volumes da Relicário, e ele vale a leitura.

E tem o texto da Alejandra. A argentina é uma poetisa econômica, seus poemas são muito curtos, lembrando de certa forma os japoneses haikus nesse sentido, mas eles são densos. É como ver uma belíssima ilustração feita com meia dúzia de traços, onde parte da beleza está justamente na economia e na escolha dos melhores ângulos. As poesias da Pizarnik também são assim, parece que ela ficou horas escolhendo as melhores palavras para colocar ali.

Essa característica também torna a leitura do livro muito rápida, o que deixa um gostinho de quero mais terrível no final. Por isso o meu arrependimento de não ter comprado o outro livro. Agora fiquei na vontade de continuar lendo a argentina.

Nota 9.

sábado, 24 de novembro de 2018

Poet X - A Poeta X



SPOILER FREE

A Poeta X é um dos destaques dos livros lançados esse ano e finalista nos prêmios National Book Award, Boston-Globe Hornbook Award Prize for Best Children’s Fiction e Goodreads Choice Awards 2018 na categoria poesia. Mas o livro é um romance young adult.

Como assim? Pois é, A Poeta X desafia categorias assim como sua escritora, Elizabeth Acevedo, negra, filha de imigrantes da República Dominicana nascida em Nova Iorque e que se autodenomina AfroLatina. A autora é campeã nacional de Slam (competição de declamação de poesias autorais), palestrante do TED Talk e professora em diversas universidades nos EUA.

Eu não sabia nada disso quando peguei o livro para ler, claro, e posso dizer ele me surpreendeu em todas as páginas. A história é contada na forma de um diário escrito pela personagem principal, Xiomara Batista, que aliás, é uma das melhores personagens femininas que já li, mas ela escreve em forma de poemas. É um livro/diário/seleção de poemas/romance young adult. E funciona.

As poesias são escritas de forma a parecer que foram feitas por uma adolescente de 16 anos que escreve bem. E sim, elas parecem exatamente isso, incluindo inclusive expressões em espanhol no meio, porque, enfim, a personagem, assim como a escritora, é filha de dominicanos. A história é centrada na relação de Xiomara com a família, um pai ausente, uma mãe católica ferrenha e controladora e um irmão gêmeo, Xavier, sobre quem não posso dizer nada sem dar spoiler.

Minhas passagens favoritas são aquelas em que ela fala dos deveres de casa para a aula de literatura, porque achei muito sensacional o fato da personagem primeiro escrever no diário o que ela realmente queria dizer e depois você vê o que ela realmente entregou para a professora. Claro, tudo muda de uma coisa para outra e é de partir o coração em mil pedacinhos. É lindo.

Por ser um livro onde a narradora é uma adolescente AfroLatina, a questão das mulheres e do feminismo é muito presente em todo o texto. Questões que apenas mulheres conseguem realmente entender estão presentes ali. Tem um poema em especial que eu amei de paixão, em que Xiomara fala do assédio que ela sofre na rua que é simplesmente perfeito.

Por ser e família católica, ainda tem toda uma conexão com o que mulheres brasileiras passam também, em uma passagem inspirada do livro:

When I’m told to have faith in the father the son in men               and men are the first ones to make me feel so small.

Quando dizem para eu ter fé no pai no filho nos homens              e os homens são os primeiros a me fazer sentir tão pequena. (tradução minha)
Todo o enredo é um retrato bastante realista e chocante. E o fato de ser as duas coisas mostra porque precisamos tanto de livros como A Poeta X. Ele merece todos esses prêmios mesmo. Elizabeth Acevedo merece ser ovacionada de pé.

Nota 10.

domingo, 10 de junho de 2018

Ten Women - Dez Mulheres


SPOILER FREE

Eu comprei esse livro num impulso porque ele estava numa mega promoção da Amazon de literatura mundial, e eu nunca tinha ouvido falar da escritora chilena. Achei que seria uma ótima oportunidade de conhecer, mesmo com o texto traduzido para o inglês.

Posso dizer com convicção que valeu muito a pena. Marcela Serrano é uma escritora de mão cheia, e com inúmeros prêmios nas costas! Todos eles provavelmente merecidos pelo o que que pude ver em Dez Mulheres.

O livro traz relatos feitos numa espécie de sessão especial de terapia em grupo, de dez mulheres que frequentam a mesma psiquiatra. Para tornar a coisa mais interessante, a psiquiatra, Natasha, faz atendimentos gratuitos também, então a história de cada mulher é muito diferente e vai desde uma senhora que aqui viveria numa favela no Brasil, até uma estrela de televisão, e com as idades mais diversas, desde uma moça recém saída da adolescência até uma senhora de oitenta anos.

Todas as histórias são extremamente femininas, e todas me tocaram profundamente, algumas conseguiram até mesmo encher os meus olhos de lágrimas, o que é um grande feito para um livro (ou filme). O interessante é que mesmo com apenas a psiquiatra em comum, os relatos das mulheres fazem uma colcha de retalhos extremamente equilibrada e coesa, além de mostrar um lindo retrato do Chile.

Marcela se mostrou uma mestra na criação de personagens e de vozes, pois todas são distintas e realistas, ao ponto de você ficar pensando que pelo menos alguma coisa dali é baseada em fatos reais.

Fiquei tão apaixonada que já estou à caça de outros livros da autora. Virei fã.

Nota 10.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

O gueto/ O eco da minha mãe

 ANNE FRANK

Não há porão mais escuro
que este ao que desce a alma
para esconder com palavras
o que deveria chamar-se
                                      MORTE.
Perseguem-nos por isso
deixamos registro
de sobrevivência.
É uma homenagem ao gueto
clausura precoce
onde a menina aprende a trocar
vinte e quatro horas em claro
por segundo de escrita.

SPOILER FREE

Poetisa nova no pedaço! Apresento a vocês a argentina Tamara Kamenszain, descendente de judeus e, aparentemente, uma escritora muito conhecida na sua terra natal.

Essa edição bilíngue foi uma escolha muito feliz para o meu primeiro contato com ela. A editora juntou 2 obras da autora que apesar de terem sido lançadas com anos de distância entre uma e outra, funcionam especialmente bem juntas, pois as duas são formas de trabalhar o luto. Em "O gueto" Tamara fala sobre a perda do seu pai, enquanto em "O eco de minha mãe" ela trata não só da morte da sua mãe, mas também da dificuldade de lidar com as doenças da idade avançada.

Claro que por vezes o texto é bastante pesado, o que era de se esperar com o tema proposto, e tem uma quantidade grande de referências judaicas que eu certamente não captei por completo, ou pior, talvez nem tenha percebido que estavam ali. Mas achei essa presença muito interessante e enriquecedora, justamente porque não tenho tanto contato com a comunidade judaica.

Apesar de ter gostado da leitura, preciso dizer que diferentemente de outros livros, esse ficou com poucos marcadores de poesias das quais gostei. Não sei explicar bem como posso ter gostado do livro como um todo e não ter me apaixonado por quase nenhuma poesia em específico, mas é assim.

Agora quero ver mais obras dela, com outros temas, para experimentar mais do seu trabalho. Já estou com outro livro dela em casa, e ela está na lista de leituras de 2018. Aguardem mais notícias.
Nota 8.

sábado, 22 de abril de 2017

Teus pés toco na sombra - poemas inéditos

5
Por el cielo me acerco
al rayo rojo de tu cabellera.
De tierra y trigo soy y al acercarme
tu fuego se prepara
dentro de mí y enciende
las piedras y la harina.
Por eso crece y sube
mi corazón haciéndose
pan para que tu boca lo devore,
y mi sangre es el vino que te aguarda.
Tú y yo somos la tierra con sus frutos.
Pan, fuego, sangre y vino
es el terrestre amor que nos abrasa.
 
SPOILER FREE

Um dos poetas mais influentes e importantes do século XX, Neruda! E esse foi o meu primeiro livro dele. Adianto que isso aconteceu em parte porque ando procurando ler poesias no original quando posso compreender o idioma, e o espanhol, apesar de não ser o meu forte, ainda dá pra brincar de ler. E não sei o que acontece, mas não é tão fácil encontrar Neruda nas livrarias. Será que está fora de moda?

Enfim, encontrei esse livro já não me lembro mais aonde, e apesar de ser composto apenas de poemas inéditos, descobertos, selecionados e publicados no século XXI, estava numa bela edição bilíngue (oba!) com direito a fac-símiles no final, com os cardápios, pedaços de papel, etc onde os textos foram encontrados.

Dito isso, é importante ressaltar que parte dos textos inclusive está inacabado, e alguns chegaram a ser rabiscados pelo autor, e, claro, é provável que ele nunca tenha nem pensado em publicar diversos deles, o que deixa o livro bastante inconstante e comparado ao trabalho publicado certamente deixa a desejar.

Mas Neruda é Neruda, e eu gostei demais de muita coisa que tem no livro, o que mostra o quão genial ele é. Se o que ele deixou largado em pedaços de papel é assim, imagina o que ele trabalhou em cima e publicou?

Já estou com outro livro dele na estante me aguardando (outra edição bilíngue, como é difícil de achar!), e talvez eu consiga lê-lo ainda esse ano, vamos ver. Tenho certeza que também vai valer a pena.

Nota 8,5.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Tia Júlia e o escrevinhador



SPOILER FREE

Essa resenha está saindo quase um mês atrasada, mas fazer o quê? É a vida que nos atropela de vez em quando.

A ideia era que esse livro também faria parte do desafio literário de setembro, quando o tema era "livro publicado no ano do seu nascimento", e na pesquisa que eu fiz ano passado ele apareceu. Mas alas, descobri depois de lê-lo que ele tinha sido publicado alguns anos antes, e que, provavelmente, ele surgiu na minha pesquisa com a data de publicação no Brasil, não no Peru.

Confusões à parte, gostei demais de "Tia Julia e o escrevinhador", e foi uma deliciosa surpresa por diversas razões. A primeira razão é que o livro é simplesmente sensacional (a nota 10, lá embaixo, está aí pra provar), e eu não esperava por isso porque, há muitos anos atrás, eu tentei lê-lo e simplesmente não consegui. Talvez seja uma questão de (matur)idade ou fase de vida (idade), ou, até mesmo, o fato de que quando ganhei/herdei o exemplar do meu pai eu era adolescente e, obviamente, achava que qualquer coisa que meus pais achassem bom certamente não o era (idade de novo!).

Independentemente da razão do insucesso da primeira leitura, a segunda leitura (e segunda razão de surpresa) me trouxe justamente essa lembrança da adolescência, pois o exemplar que tenho até hoje é justamente o herdado do meu pai, com direito a uma dedicatória fofa (para os padrões de amizade dele) de dois grandes amigos, sendo que todos os três (os amigos e o meu pai) já faleceram, mas deixaram memórias que simplesmente combinam com o enredo de "Tia Julia". Nada como ler memórias que lembram outras memórias (sim, o livro é autobiográfico para quem não sabe, como eu não sabia!).

Voltando à resenha em si, confesso que eu nunca tinha lido nada do Mario Vargas Llosa. E como tenho um certo déficit com relação a leituras latino americanas, foi extremamente positivo eu ter simplesmente amado "Tia Julia", com sua história surreal e entrecortada por pedaços de novelas simplesmente sensacionais, pois agora tenho incentivo para ler ainda mais obras do sul do equador. "Tia Julia" é um dos livros que me faz pensar como às vezes é necessário que o autor viva coisas fora do comum para que possa ter estímulo para escrever. Mas também me faz questionar o quanto daquela loucura realmente aconteceu ou foi fruto da imaginação. Ou talvez seja apenas uma questão de equilibrar os dois?

Livro bom é assim, faz você ficar matutando...

Nota 10!

terça-feira, 10 de março de 2015

O jogo de ripper


​

SPOILER FREE

Estou super atrasada com as resenhas porque o blogger está brigado com o meu navegador e estou com dificuldades de criar novos posts.Explicada a situação, vou tentar colocar o atraso em dia!

Então, esse livro faz parte do desafio literário de março, com o tema "autor da América Latina", e nem pensei duas vezes em escolher a chilena Isabel Allende (fiquei apaixonada pelo livro "a casa dos espíritos").

Mas "o jogo de ripper" não tem nada em comum com "a casa dos espíritos" a não ser a autora. Isabel Allende dessa vez nos traz uma história policial, onde um grupo de adolescentes jogadores do RPG Ripper se diverte tentando solucionar casos reais, dos quais eles conseguem informações de primeira mão através do pai de Amanda, mestra do jogo, que é policial. Até que a quantidade de assassinatos, conforme previsto pela astróloga amiga da família de Amanda, começa a aumentar, chegando perto demais para ser apenas uma diversão e passa a ser uma situação de vida ou morte.

Mas não fique pensando que é um romance de mistério qualquer, não, é Isabel Allende! Ela não se prende à estrutura tradicional desse tipo de livro, claro, ela costura a trama esperada para o tema com uma lição literária de como inserir cenas do dia dia e criar profundidade aos seus personagens, porque mesmo o personagem que só aparece para fazer número na quantidade de corpos acumulados tem uma história de pano de fundo, o que é sensacional. No final das contas é um romance policial com a cara da Isabel Allende!

E não, você não acerta quem é o assassino. Você acha que sabe, mas ela te surpreende até o final.

Apesar da autora não pretender escrever mais nada nesse gênero (segundo essa entrevista aqui), eu espero que ela mude de ideia, o estilo literário agradeceria muito!

Nota 10

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A casa dos espíritos


SPOILER FREE

Confesso que ultimamente tenho tido muita vontade de ler esse livro, mas o seu preço salgado aliado a uma estante lotada de livros esperando a sua vez (que agora além de ser física é também virtual por causa do Kindle), acabei protelando indefinitivamente a sua leitura. Até que veio o Desafio Literário desse mês com o tema Livros Proibidos e ele estava na lista de leituras indicadas. Aí confesso que deu coceira. Tipo assim, comecei a buscar loucamente uma alternativa para arranjar o livro, e nos sebos só tinha edições muito velhas que não fariam bem à minha saúde, na Amazon só tinha a versão em inglês (no, thank you) ou em espanhol (que vergonhosamente tenho muita dificuldade em ler), e nas livrarias à moda antiga o preço estava realmente salgado.

Até que semana passada, fui com a minha mãe trocar um DVD que ela comprou errado e sobrou uma graninha... daí sugeri a ela dividirmos o custo do livro e ela topou! Ela também queria ler, então foi um bom negócio para ambas.

Finalmente de posse de um exemplar comecei a ler! E me surpreendi positivamente. Explico: quando era pré-adolescente eu vi o filme, e achei chatérrimo, tão chato que nem me lembrava mais da história, e foi justamente por causa do filme e dessa experiência que fiquei tantos anos sem vontade de ler Isabel Allende. Mas depois de ter algum contato com outras escritoras latino-americanas e sabendo que o livro contava como era o Chile na época do golpe, voltei a me interessar. E valeu muito a pena!

Isabel Allende acertou em cheio em A Casa dos Espíritos. O livro é lindo, e bem escrito até a última vírgula. E como se trata de um romance histórico, a impressão que você tem é que se trata de uma história absolutamente real (apesar dos seus elementos mágicos, que são tratados de tal forma que parecem possíveis e normais). Confesso que fui buscar a biografia da autora na internet para ver até que ponto o conteúdo do livro não poderia ser real, e infelizmente descobri que muito menos do que eu gostaria que fosse o é.

Mas no fundo isso não importa, porque real ou não a história que é contada poderia muito bem o ser, e por isso ela nos deixa tão arrebatados, e seus ensinamentos são tão importantes em termos de não repetirmos o passado. Gosto de pensar, também, que esse é um livro atemporal, desses que durarão gerações e que possa servir de testemunho do que acontece quando as pessoas querem se manter no poder sem medir consequências. Além de mostrar até que ponto o ser humano é capaz de chegar, o que não é nada lisonjeiro para a nossa espécie.

Para quem não sabe do que se trata, A Casa dos Espíritos conta a história das mulheres de uma família ao longo de três gerações no Chile, desde o início do século XX, até o golpe que derrubou o presidente Salvador Allende. Além de fazer um retrato das modificações pelas quais o país passou, o livro retrata as relações, amores, traições e misticismos que envolvem a família e como elas são afetadas pelo os acontecimentos do país.

Bom demais, literatura de primeira qualidade.

Nota 10.