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quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Dance was her Religion

 
 
SPOILER FREE

Como uma apaixonada por dança que é também uma leitora compulsiva, volta e meia eu pego um livro bem teórico sobre o assunto. Dessa vez, uma análise sobre o aspecto místico e religioso das bailarinas que iniciaram o que hoje chamamos de dança moderna Isadora Duncan, Ruth St. Denis e Martha Graham.

Como os seguidores fieis do blog devem lembrar, não é a primeira vez que li sobre essas bailarinas em especial. Aqui você vai encontrar a autobiografia da Isadora, aqui uma Graphic Novel sobre sua vida, aqui uma coletânea de textos e poesias da St Denis e aqui um romance histórico sobre a vida da Martha Graham.

Isso é só para mostrar que não sou uma leiga completa no assunto e poder reclamar do livro Dance was her religion com alguma autoridade. Se você não está acostumado com livros acadêmicos ou não sabe nada sobre essas três bailarinas, Dance was her religion é uma leitura interessante e muito válida. Agora, se você espera algum tipo de tratado ou novidade sobre o assunto, melhor não perder o seu tempo.

As análises da Janet Lynn Roseman contidas no livro são bastante rasas, e estão mais no campo do achismo, apesar das fontes serem bastante diversificadas, interessantes e por vezes até difíceis de acessar, o que torna o texto cheio de excelentes citações de outras obras. Em termos de informações novas ou inéditas, também não adianta procurar aqui. A parte interessante nesse sentido é que a autora acertadamente critica outras obras sobre as três bailarinas que possuem informações equivocadas, e isso pode te poupar a leitura de outros livros que certamente não vão levar a nada.

Outro ponto positivo é a coletânea de imagens, a maioria pouco comuns em obras sobre essas três bailarinas, o que torna o livro bonito. E nesse sentido, dê preferência para a versão impressa dele, o livro digital não é bem diagramado e não tem todas as imagens do livro físico. Fala a pessoa que tem os dois, claro.

Só para esclarecer que eu não sou completamente doida: estou numa campanha de substituir meus livros físicos por versões digitais, para tentar liberar espaço nas minhas estantes de casa e diminuir o acúmulo de poeira. A ideia é linda, mas a realização tem deixado um pouco a desejar, infelizmente. Esse caso ilustra bem um problema, em algumas ocasiões o livro físico vale mais a pena do que o digital e aí eu não consigo me livrar do papel.

No geral, a leitura é agradável e fácil de ler. Dance was her religion é bem organizado e o texto flui, mesmo com a enorme quantidade de citações e notas de rodapé (que na maioria das vezes indica as fontes, o que adoro, nada melhor que um livro cheio de fontes). Mas é sintomático que eu tenha tido muito mais vontade de sublinhar as citações do que o texto em si da Janet Lynn Roseman.

No fundo, o problema é que é um livro mais voltado para leigos no assunto. Então, pessoalmente, eu não aproveitei tudo o que eu esperava.

Nota 7.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Destined to dance: a novel about Martha Graham


SPOILER FREE

Então... esse foi um dos poucos livros na minha vida que fiquei com muita, muita vontade de não terminar de ler. Foi uma luta ir até o final, e eu só fiz isso por dois motivos: 1- a Martha Graham é uma figura histórica importantíssima na dança, 2- se é para falar mal é para falar mal com propriedade.

"Destined to dance" supostamente é um romance histórico sobre a vida da bailarina Martha Graham, uma das pioneiras do que chamamos hoje de dança moderna. Mas o livro já começa fazendo escolhas duvidosas. Veja bem, Martha Graham só veio a falecer em 1991 , o que quer dizer que tem muita gente ainda viva que conheceu e conviveu com ela, fora toda a documentação abundante sobre a sua vida que é de razoável fácil acesso, além das diversas biografias e uma autobiografia já lançadas no mercado, logo um romance histórico precisaria ser feito com muito cuidado.

E já na primeira página a coisa desanda: o livro é escrito em primeira pessoa. Pessoalmente achei de arrogância incrível querer fazer um romance em primeira pessoa sobre uma personalidade com uma autobiografia lançada, mas tudo bem. Só que não para aí. Além de ser em primeira pessoa, o romance se passa no Hades (espécie de purgatório da mitologia grega), onde Martha vai fazer uma revisão da sua vida, numa espécie de auto julgamento. Duplamente arrogante na minha opinião, mas ainda podia ter salvação.

Mas não, o livro é escrito de uma forma absurdamente superficial, parece até um resumo escolar da vida da bailarina e coreógrafa, correndo para listar uma quantidade enorme de informações que não seriam relevantes num romance, só que em primeira pessoa. O que ficou especialmente bizarro, visto que até menções a críticas de jornais e de revistas aos espetáculos da Martha o livro tem. Mal escrito é um elogio.

Quando a tortura termina, a autora pelo menos se dá ao trabalho de mencionar suas fontes, que é a melhor parte do livro. Aliás, confesso que não entendi a preocupação da autora em mencionar o que é verdade ou não é no seu trabalho, visto que apenas os pouquíssimos diálogos e um personagem bizarro no final da história é que são inventados. No mais, tudo é baseado em fatos reais, e apesar de estar em primeira pessoa, é tudo tão pouco aprofundado e corrido que a autora não chegou a correr risco de fazer a bailarina se auto julgar. Afinal, listar trabalhos, relacionamentos, colegas bailarinos, viagens e prêmios não quer dizer nada, fora os relacionamentos é um curriculum, ou um artigo da Wikipedia.

Mais vale ler qualquer biografia já publicada da bailarina.

Nota 2, pela listagem de fontes no final.