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segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

My True Love Gave To Me: Twelve Holiday Stories - O Presente do Meu Grande Amor: Doze Histórias de Natal

SPOILER FREE

Nessa época de fim de ano sempre gosto de ler livros temáticos! Dessa vez escolhi essa coletânea de contos (nem tão curtos assim) natalinos de diversos autores que estão na moda. Entre eles a Gayle Forman, que escreveu Se eu ficar, Jenny Han, autora de Para todos os garotos que já amei e Rainbow Rowel, autora de diversos livros de sucesso, como Eleanor & Park.

Apesar de eu ler esse tipo de coletânea com alguma frequência, tenho consciência de que elas funcionam como uma loteria literária, às vezes a gente se dá bem, às vezes se dá mal. E normalmente o resultado final é uma salada mista com altos e baixos.

Dessa vez, ganhei o grande prêmio. My true love gave to me é uma das coletâneas mais consistentes e de melhor qualidade que já li. Entre os seus doze contos não tem nenhum que eu possa dizer que achei ruim ou que não gostei. Uma raridade incrível.

Mas não posso garantir que todos irão concordar comigo. É preciso apontar que todos os autores dessa coletânea escrevem livros do gênero young adult e nem todos curtem, então, é preciso deixar clara a proposta desse volume.

E todas as histórias estão relacionadas ao Natal de alguma forma, algumas de forma mais literal e clássica, outras de forma tangencial ou até mesmo pagã. Mas todas as histórias são boas e divertidas de ler.

Para quem gosta do tema e do gênero, é um prato cheio que indico muitíssimo.

Nota 10.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Retrospectiva 2018 - parte 2



Sim! Esse ano resolvi fazer a retrospectiva dividida em duas partes.

A primeira parte você encontra aqui e trata bem rapidamente de todos os livros que eu li. O que quer dizer que o post é um tanto longo esse ano.

A segunda parte é a parte divertida para quem gosta de números e estatística! Vamos lá! 

Total de livros lidos: 107
Total de páginas (segundo o Goodreads): 29.320
Média de páginas por livro: 274

Confesso que fiquei muito boba com a quantidade de páginas, mesmo vendo as contas é difícil de acreditar nesse número.

Gêneros:
Poesia: 15
Young Adult: 20
Não ficção: 17
Graphic Novel: 18
Contos: 5

Esse foi um ano marcado por Graphic Novels, poesia e young adult! Posso dizer que eu já sabia o resultado antes de contabilizar? Mesmo assim consegui ler uma quantidade razoável de livros de não ficção. Fiquei satisfeita.

Gêneros - parte 2:
Livros escritos por mulheres: 64
Livros com protagonistas femininas: 42

Confesso que esse ano rolou um esforço da minha parte para dar preferência para autoras mulheres, e estou muito feliz com o resultado.

Origem:
Brasil: 2
Estados Unidos e Inglaterra: 74
África: 4
Oriente Médio: 8
América Latina: 5

Eu juro que eu tento fugir do meio anglófono, mas é muito difícil. Já fiquei feliz por ter lido qualquer coisa brasileira esse ano, considerando que li quase tudo via kindle, e eu preciso dizer que eu esperava um resultado melhor de autores do Oriente Médio. Talvez minha cabeça tenha confundido autores com o assunto, porque realmente li mais do que 8 livros sobre essa região. Melhoria para o próximo ano!

Agora é só parar e organizar as leituras para 2019! Mas isso é um problema para o ano que vem...

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Retrospectiva 2018


Esse ano de 2018 foi especial para as minhas leituras, primeiro porque li muita coisa legal, segundo porque pela primeira vez na vida cheguei no marco de 100 livros lidos. Confesso que nunca imaginei que chegaria nesse número. No dia que terminei o livro n°100 eu comemorei. Aliás, se você quiser dicas minhas de como chegar lá também, veja aqui!

Agora eu preciso confessar que não tenho a menor ideia se chegarei de novo nesse número. (ano novo é para se começar sem culpas ou sujeira embaixo do tapete, então essa é a hora das confissões)

O final do ano se aproxima e eu não tenho a menor ideia de como serão os meus horários ou minha agenda no próximo ano, por questões totalmente alheias ao meu controle, portanto, não é um bom momento para pensar em metas ousadas para 2019. Quem sabe ao longo do ano eu perceba que é possível chegar de novo nessa quantidade e eu volto a pensar no assunto.

Até lá, vamos para a Retrospectiva 2018! Sente-se num lugar confortável e com uma bebida geladinha (no hemisfério sul, nesse verão de rachar) ou quentinha (no hemisfério norte, que o inverno está prometendo ser pesado esse ano), porque haja retrospectiva para cobrir tanto livro. Tentarei ser sucinta.

O início do ano vai ser rápido de rever, foram duas séries completas de Graphic Novels que aproveitei para ler nas férias e no Carnaval. Comecei o ano com Sandman, numa edição dividida em 10 volumes, o clássico que lançou ao estrelato o maravilhoso Neil Gaiman, e que deu origem aos quadrinhos de Lucifer (que totalizam 5 volumes), um filhote meio bastardo do Mike Carey, que infelizmente não chegou aos pés do brilhantismo de Gaiman.

Mais ou menos na mesma época eu li um livro de poesia da mineira Adélia Prado, que aprendi a apreciar, mais um clássico, Robinson Crusoé, que não consegui entender porque ainda é lido, porque é chato até dizer chegar, e uma série arthuriana de 3 volumes, dessa vez do ponto de vista da Guinevere, que, apesar de ter boas intenções, teve lá os seus problemas de execução.

Terminando esse monte de séries resolvi ler coisas que não tivessem continuação, daí sobre o mundo árabe eu li O Corão (não fiz resenha por motivos éticos), Extraordinary Women, com rápidas biografias de mulheres incríveis do mundo islâmico, Nove Partes do Desejo, um estudo jornalístico sobre as mulheres no mundo muçulmano, Madinah, uma coletânea de contos de autores árabes que me gerou uma lista de autores para pesquisar, e Islã da historiadora Karen Armstrong.

Para dar uma quebrada nesse clima, eu li também Let's Pretend This Never Happened, da mesma autora de Furiously Happy, o que é sempre certeza de diversão, The Golem and The Jinni, que mistura as mitologias judaica e árabe, uma obra belíssima que deve receber uma continuação (desnecessária mas quem sou eu para reclamar) no próximo ano, The life-changing magic of not giving a f*ck, uma paródia maravilhosa do livro da Marie Kondo, Mr. Penumbra's 24-hous Bookstore, um livro muito doido que me surpreendeu e amei, Her Reasons, meu primeiro livro da linha harém reverso, o que descobri que existia esse ano e, bem, não posso reclamar da sua existência, e num tom mais espiritual li Omnipresent, uma coletânea de textos sobre a(s) deusa(s).

Daí precisei de uma limpeza cerebral mais pesada e fui terminar séries, começando com Where she Went, mais uma continuação desnecessária mas fofa, Real Vampires take no prisoners, cuja série simplesmente deixou de me agradar e não pretendo ler mais nada da autora por falta de paciência até alguém me convencer, e o mais erótico Jock Row, porque, bem, eu gosto.

Limpeza mental feita, li os mais técnicos Belly Dance Around The World, uma coleção de artigos na linha das ciências sociais sobre a dança do ventre ao redor do mundo, No God But God, uma breve história do Islã do iraniano Reza Aslan, Muhammad's wives, sobre as diversas esposas oficiais do profeta Maomé e Kings and Presidents, uma análise de um ex-agente da CIA sobre a relação entre os reis sauditas (desde a fundação da atual Arábia Saudita) e os respectivos presidentes norte americanos.

Mais ou menos nessa época terminei vários livros de poesias, entre eles: A arte de pássaros do Neruda, que não parece Neruda, The garden of Heaven do Hafiz, numa tradução meio blé, A criança em ruínas do português José Luís Peixoto, um dos melhores livros de poesia desse ano, Letter to my daughter da maravilhosa Maya Angelou, virei fã e quero mais, e, por fim, Dog Songs da Mary Oliver, que pela fama eu esperava mais.

Entre os livros mais pesados e as poesias, li The Astonishing Color of After, um livro lindo demais e que estou doida pra ser lançado no Brasil, Ten Women da chilena Marcela Serrano, uma grande descoberta para mim de autoras latino-americanas. Num tom mais leve, Getting over Garrett Delaney, um livro muito bom para adolescentes, Celtic Tales, cujo título já explica que são histórias celtas, The Collaborative Habit da bailarina americana Twyla Tharp, que prometia mais do que entregou, A Mystic Guide to cleansing and clearing, que mais pareceu um livro de receitas, para o bem e para o mal, e The hating game, o melhor livro que já li da linha de inimigos a amantes.

Depois de tanta coisa levinha li para compensar um livro do maravilhoso autor egípcio ganhador do Nobel, Naguib Mahfouz, The Harafish, fechando minha meta anual de ler algo dele sempre, Girls of Ryad, um romance escrito por uma saudita que é simplesmente chocante, o clássico do Philip K. Dick que deu origem ao filme Blade Runner, Androides sonham com ovelhas elétricas?

Daí um tive outro surto de limpeza mental e li seguidinho Heartbreakers e Paper Hearts da Ali Novak, Love Machine da Kendall Ryan, The Accidental Harem da JJ Knight, The Player e The Catch da K. Bromberg e Taking the heat da Victoria Dahl. Desses eu só recomendo o Accidental Harem.

Para não perder o ritmo, pois a limpeza mental não tinha sido lá essas coisas, li 3 livros de histórias curtinhas, A lâmina assassina, novelas do universo de Trono de Vidro que serviram para refrescar a memória enquanto eu aguardava o lançamento do último livro da série, The Djinn Falls in Love, uma coletânea de contos sobre gênios (os da lâmpada mesmo) e Broad Strokes, uma coletânea de breves biografias e análises de 15 mulheres artistas plásticas.

Por ocasião do dia dos pais li Morreste-me, mais um livro do português José Luís Peixoto, que caiu super bem para mim. E continuei na saga de terminar séries de livros deixadas pela metade, com os três últimos livros de Please Don't Tell My Parents I'm a Supervillan, que eu adoro de paixão e de fofura, Always and Forever Lara Jean, porque estava na hora antes que eu esquecesse o nome das personagens todas, e no embalo li a série completa de Corte de Espinhos e Rosas (4 livros).

Para contrabalancear, eu li Robert Fisk on Afghanistan, com as matérias do jornalista especialista em Oriente Médio durante a guerra contra o Talibã, A Belly Dance Journal, um livro bastante técnico apesar de simples com sugestões de práticas voltadas para a dança do ventre, e terminei O Tarô Mitológico, que é uma versão das cartas do tarô usando mitologia grega. Terminei também os livros de poesia Poesia Completa de Yu Xuanji, uma das poetisas chinesas mais importantes e Les Fleurs du Mal, do francês Baudelaire, que eu nem sei quanto tempo levei para ler.

Daí entrei numa vibe ler sobre mulheres e devorei Men Explain Things to Me, que achei maravilhoso e bem no ponto, assim como I'm Judging You da nigeriana Luvvie Ajayi. Virei fã dela. No ramo ficção li The girl you left behind, uma história linda de mulheres incríveis, a série já publicada de Monstress (apenas 3 volumes até hoje), terminei a série Themis Files (2 livros e um mini conto), que apesar de não ser escrita por uma mulher tem mulheres fodas. Li a poetisa brasileira Laura Erber com A Retornada, e finalmente o último livro da série Trono de Vidro.

No meio dessa leitura feminina toda, eu li Odd and the Frost Giants do Neil Gaiman, que é uma categoria a parte, publicação da mortalidade, do português Valter Hugo Mãe, e o livro Histoires do francês Jacques Prévert, que eu amo.

Fora isso, continuei firme na linha feminina, com Made you up da Francesca Zappia, Poeta X da Elizabeth Acevedo, A filha perdida da Elena Ferrante, dois livros da Sarah Andersen, Herding Cats e Big Mushy Happy Lump, Dance was her religion, sobre 3 bailarinas do início do século XX que só criaram a dança moderna e mais uma corrida de livros que eu esperava que fossem eróticos mas... deixaram a desejar: A passionate love affair with a total stranger da inglesa Lucy Robinson, Sweetshop of dreams da inglesa Jenny Colgan, Part-time lover da Lauren Blakely e Dear Jane da Kendall Ryan, vencedor do título pior livro do ano. Em compensação teve o delicinha Scoring the wrong twin da Naima Simone.

Fechando o ano, terminei o livro da poetisa argentina Alejandra Pizarnik e dois livros de poetas de Moçambique, Rui Knopfli e Sangare Okapi. O livro super feminista para adolescentes Moxie e um de contos de natal, My True Love Gave to Me. Ufa.

Que 2019 seja recheado de livros maravilhosos para todos! Aliás, já viram o Desafio Literário do Popoca para o próximo ano? Excelentes dicas de livros para ler! Nem todas minhas, mas o que não foi meu eu pretendo usar! Clica aqui!

Moxie: Quando as garotas vão à luta

SPOILER FREE

Um dos livros mais badalados no meio feminista infantojuvenil de 2017 finalmente saiu no Brasil! Moxie: Quando as garotas vão à luta faz jus a sua fama.

Da autora Jennifer Mathieu, que já havia causado com o livro The truth about Alice, também de temática feminista (mais especificamente slutshaming), Moxie é um livro que apresenta o feminismo para adolescentes a partir de 12 anos.

Pela idade mencionada, logo se percebe que o livro não é pesado. A história em si é bem tranquilinha e, dependendo do público, até bobinha mesmo. Mas faz bem o serviço de explicar o básico do feminismo e das principais lutas feministas dos dias de hoje, com direito a problematização de cunho racista e até LGBT.

Mas tudo bem light, voltado até para pré-adolescentes, apesar da história contar com personagens um pouco mais velhas. Para pais, mães e tios de plantão, isso quer dizer que não tem cenas de sexo, nem peitinho, nem violência explícita e nem uso de palavrão. Se bobear, o que as crianças hoje veem ao vivo na escola, no noticiário da hora do almoço, novelas e às vezes até em casa é muito pior do que esse livro. Acredite em mim.

A história se passa numa cidadezinha do interior do Texas, daquelas bem retrógradas, onde tudo na cidade gira em torno do time de futebol americano da escola. Em outras palavras, em torno dos alunos homens e fortões que podem fazer o que bem entendem. Vivian é uma adolescente que está de saco cheio de aturar essa situação, e se inspirando no passado rebelde de sua mãe resolve escrever a zine Moxie.

É de morrer de fofura! O livro inclui as zines... com direito a colagens e escritos a mão. Dá vontade de pegar as personagens todas, botar no bolso e levar para casa. O que é possível de fazer com a versão em e-book, diga-se de passagem.

Esse é o livro que todas as meninas da minha família vão ganhar ano que vem, sem a menor dúvida. Super recomendado.

Nota 9.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Mesmos barcos ou poemas de revisitação do corpo



SPOILER FREE

Esse livro foi um dos que comprei na última primavera dos livros no Palácio do Catete do Rio de Janeiro. Uma daquelas ocasiões que eu jurei que iria me segurar mas acabei precisando de ajuda pra levar todos os livros pra casa.

Mas esse livro pequeno do poeta de Moçambique é uma das razões por eu frequentar esses eventos, comprar, e não me arrepender. Sangare Okapi foi um achado. 

Diferentemente do seu conterrâneo Rui Knopfli, Okapi é Moçambique dos pés à cabeça. Metade das poesias tem notas de rodapé para explicar alguns termos. E ele é terreno, sua poesia é palpável e erótica. Mesmo quando ele viaja, é nas águas, nos sons, nas peles e na comida.

O único defeito de Mesmos barcos é que é muito curto. Dá uma coceira danada de continuar lendo, ou começar de novo do início. Esse ano li muito mais literatura africana do que costumo ler, e autores como Sangare fazem valer a pena a busca por esses livros raros pelo Brasil.

Nota 10.

domingo, 23 de dezembro de 2018

Poetas De Moçambique. Rui Knopfli Antologia Poética



SPOILER FREE

Comprei esse livro numa bienal, não lembro exatamente qual, mas às vezes você encontra coisas interessantes naqueles estandes que juntam um monte de editoras menores, como as editoras universitárias, que tem coragem de publicar o que as grandes editoras nacionais não tem.

Demorei um pouquinho para tirar ele da estante, mas, acho que minha taxa de leitura de poesias tem melhorado muito com o meu hábito de ler de manhã. Esse livro em particular durou um pouco mais do que eu imaginava, mas isso não é algo negativo.

A poesia do moçambicano Rui Knopfli é muito rica, e mais europeia e ocidentalizada do que eu estava esperando, mas isso não a diminui. Pelo contrário, a poesia fica bem mais complexa, porque ele não substitui as questões africanas pelas dos colonizadores, ele só acrescenta. Nesse quesito, fui surpreendida, confesso que eu esperava algo mais puramente africano. Shame on me.

Independentemente disso, o livro vale a pena a leitura, e por ser uma antologia poética, traz trabalhos desde 1959 até 1997, o que torna o livro uma grande apanhado de toda a obra do autor. Como Rui Knopfli não é exatamente conhecido no Brasil, esse livro se torna uma das raras ocasiões que podemos ter contato com o seu trabalho, e que trabalho!

As poesias são realmente muito interessantes, e o meu exemplar ficou todo marcadinho de poemas que gostei especialmente de ler (eu marco meus livros de poesia sempre, e a quantidade de marcadores vira uma espécie de nota para o livro). Para quem curte poesia ou literatura africana é um prato cheio. Super recomendo.

Nota 9.


Dear Jane



SPOILER FREE (+/-)

Para fechar o Smuthathon desse ano, resolvi pegar um livro que dizia que era sobre um casal de namorados de escola que se separaram quando entram para a faculdade e se reencontram depois de dez anos.

Achei a ideia interessante para um livro erótico, reencontros e tal, e a capa, gente, olha essa capa. Eu também já tinha lido dessa autora Love Machine, que foi divertidinho, então, por que não ler mais um?

Veja bem, não é que eu esperasse um livro maravilhoso, é literatura erótica, não é para ser uma coisa estupenda. Mas, porque precisa ter um mas?, Dear Jane é simplesmente muito muito muito muito muito muito ruim.

Explico: o interesse romântico da história é um babaca grosso daqueles que dá ódio no coração. É muito triste ler um livro de casalzinho romântico e torcer para o outro cara, que nem tem direito a cena de sexo nem beijinho.

Pelo "herói romântico" ser tão filho da puta (desculpem o termo, mas é difícil achar algo à altura da babaquice desse personagem), todas as cenas de sexo dão mais nervoso, nojinho e ódio do que alegria. E o pior, o puto não se redime, ao longo do livro ele só se confirma como o grande babaca que ele é.

A a heroína? Gente, não consigo entender o que se passa na cabeça dessa mulher. Se ela fica com esse cara só porque ele é muito gostoso, sério, ela trabalha para um time de futebol americano, não deve ser por falta de homem gostoso à disposição! Porque precisa ser o mais babaca de todos? Só porque ele faz uma apresentação brega de power point na frente do time para dizer que a ama? (apesar de não agir de acordo?) Só porque ele foi namorado dela em tempos de escola? 

Vamos ser realistas, casal de tempo de escola é a exceção da exceção dos relacionamentos que dão certo. Alguém me explique esse fetiche, que eu não consigo entender.

Pontos positivos? Eu poderia tentar dizer que pelo menos o livro foi bem editado, mas nem isso dá pra fazer. Tem alguns problemas de continuidade que atrapalham esse quesito. Pelo menos eu não lembro de erros de ortografia. Taí, ponto positivo.

Nota 2.

Part-Time Lover

 
 
SPOILER FREE

Continuando a Smuthaton, peguei outro livro que já estava baixado no meu kindle por razões de preguiça de final de ano motivada por muitas outras coisas pra fazer.

Esse foi meu primeiro livro da Lauren Blakely, e eu estou classificando o bichinho na categoria slow burn, porque, afinal, é a história de uma mulher que vê um cara nu fazendo acrobacias num canal na Dinamarca enquanto está de férias e um ano depois encontra o cara por acaso em Paris. Ela não quer nada sério com o peladão, e ele também não está em busca de nada sério, mas circunstâncias mudam e voilá. Surge um plot fofo, apesar de previsível.

Qual foi minha questão com o livro? O sexo é legal, a história e as situações são divertidas. Mas, rola um excesso de drama e de açúcar que só com muita insulina ou muito álcool. Do meio para o final do livro o tom divertido vira apenas melado. Eu prefiro mil vezes o tom divertido, por mais insano que tenha parecido em alguns momentos.

Para coroar a lista de problemas, a vilã da história acabou sendo mal desenvolvida, havia uma brecha para tornar as coisas mais interessantes e ela foi solenemente ignorada, e as últimas 10 páginas do livro eram absolutamente desnecessárias, apesar delas serem óbvias desde a metade dele.

Apesar dos problemas, a leitura foi divertida enquanto durou e eu ri de rolar no início do livro, o que vale a nota.

Nota 7.

sábado, 15 de dezembro de 2018

Herding Cats - A Louca dos Gatos

SPOILER FREE

Como eu mencionei na minha última resenha da Sarah Andersen, eu li os dois últimos lançamentos dela fora de ordem, e posso dizer em primeira mão que vale mais a pena seguir a ordem de lançamento.

A explicação para isso está na cara do livro, literalmente. A louca dos gatos fala muito da paixão que Sarah tem pelas estrelas da internet, mas isso, até o segundo livro, não era exatamente verdade. Como isso mudou está no livro Uma bolota molenga e feliz, e é um dos pontos altos desse volume.

Como nas outras resenhas que fiz dos livros da Sarah, preciso confessar meu amor pelo seu trabalho. Acho impressionante quando artistas como ela conseguem manter por tanto tempo o frescor e o nível de qualidade do seu trabalho, é preciso tirar o chapéu. Definitivamente isso não é fácil de ser feito.

Torço para que ela continue nos brindando com suas tirinhas maravilhosas por muitos livros ainda.

Nota 10.

Árvore de Diana by Alejandra Pizarnik

 
 
SPOILER FREE

Mais um livro de uma poetisa argentina! Estou chegando a conclusão que dentro da literatura argentina o que é certo de ser bom de ler são as poetisas.

Alejandra Pizarnik me parece famosa no meio acadêmico, mas não se encontra praticamente nada dela nas livrarias ou sebos em português. Até que a editora Relicário resolveu publicar duas obras dela em edições bilíngues belíssimas. A Árvore de Diana é a que eu comprei na última primavera dos livros. Devia ter sido menos econômica e ter comprado os dois.

A edição está muito bem cuidada, com lindos prefácio e posfácio. O tradutor fez um texto muito interessante sobre o trabalho da tradução dos dois volumes da Relicário, e ele vale a leitura.

E tem o texto da Alejandra. A argentina é uma poetisa econômica, seus poemas são muito curtos, lembrando de certa forma os japoneses haikus nesse sentido, mas eles são densos. É como ver uma belíssima ilustração feita com meia dúzia de traços, onde parte da beleza está justamente na economia e na escolha dos melhores ângulos. As poesias da Pizarnik também são assim, parece que ela ficou horas escolhendo as melhores palavras para colocar ali.

Essa característica também torna a leitura do livro muito rápida, o que deixa um gostinho de quero mais terrível no final. Por isso o meu arrependimento de não ter comprado o outro livro. Agora fiquei na vontade de continuar lendo a argentina.

Nota 9.

Scoring with the Wrong Twin by Naima Simone

 
 
SPOILER FREE

E comecei a Smuthathon! A princípio tem uns temas para seguir, mas eu confesso que ando sem paciência para ficar catando na minha biblioteca os livros que se encaixem perfeitamente, então estou indo apenas na onda dos livros com muito romance e sexo.

Scoring with the wrong twin da afro americana Naima Simone por acaso pode se encaixar no tema amor proibido. Quando você lê a história nem se encaixa tanto assim, mas o que vale é a intenção, não é mesmo? Afinal, você tem uma história com duas irmãs gêmeas em que uma substitui a outra e acaba arranjando um ficante no processo e não conta para ele que ela na verdade não é a irmã (não conto isso como spoiler porque está no blurb do livro). Amor e sexo numa espécie de triângulo amoroso com irmãs gêmeas! Claro que conta como amor proibido.

A prosa, o romance e as cenas calientes de Naima Simone são uma delícia de ler, e fazem você esquecer as escorregadas que ela dá de vez em quando com alguns personagens masculinos com algumas atitudes machistas. Claro que o fato de outras personagens apontarem para o fato de que o que foi dito ou feito foi machista ajuda. Acrescente uma protagonista morena, que trabalha com programação e com uma história legal de superação e você tem uma excelente receita para um bom livro.

Um dos melhores livros eróticos que li esse ano. Divertido do início ao fim. Li num único dia, de tanto que gostei.

Dentro do gênero, nota 9.

Sweetshop of Dreams (A Novel with Recipes)


SPOILER FREE

Vai chegando o final do ano e o estresse acumulado pede leituras mais leves, por isso escolhi esse livro da inglesa Jenny Colgan para começar a entrar no clima para do desafio Smuthathon, para o qual uma amiga, que também adora um livro erótico, me convidou.

Primeiro que o livro não tem tantas receitas quanto ele promete no título. Eu esperava uma coisa no estilo Como Água para Chocolate, com uma receita por capítulo ou algo parecido. Não, o que o livro oferece são descrições e críticas de doces antigos típicos, com umas 2 ou 3 receitas muito básicas do meio para o final do livro. Ah, e a história se passa basicamente dentro e em torno de uma loja de doces.

Segundo, é um romance água com açúcar (se o título já não entregasse isso, né?), então, confesso que eu esperava pelo menos alguma cena mais caliente. Não tem nenhuma. Tem uma cena de sexo, mas ela termina tão mal, mas tão mal, que tira toda a graça da coisa.

Terceiro, tudo bem que é um romance água com açúcar, logo eu não esperava personagens complexos, mas daí a ter apenas clichês dos anos 80 é complicado. Se o livro fosse dos anos 80 estava explicado e desculpado, mas ele foi publicado em 2012. Não existe desculpa para isso e para todo o sexismo que escorre do livro por todos os lados.

Levando isso tudo em consideração, é inexplicável que o livro tenha ganho o prêmio
Romantic Novel of the Year (RoNa's) de 2013. Para você ver que não dá para julgar um livro pelos seus prêmios...

Nota 5.

domingo, 9 de dezembro de 2018

Big Mushy Happy Lump - Uma Bolota Molenga e Feliz



SPOILER FREE

Preciso começar essa resenha confessando algo: eu li os livros da Sarah Andersen fora de ordem. Essa semana, na verdade, li o terceiro livro dela, e quando percebi que tinha feito isso (depois de termina-lo, claro), resolvi pegar o segundo volume, esse aqui, e ler às pressas, para poder fazer pelo menos as resenhas na ordem certa.

Mas por que isso é importante? Então, o trabalho da Sarah Andersen é meio que auto biográfico. Isso significa que você entende melhor algumas coisas se seguir a ordem dos acontecimentos, e sim, ler Uma Bolota Molenga e Feliz antes do livro seguinte, A Louca dos Gatos, faz toda a diferença. Acredite em mim, que já li os dois.

Quem já leu minha resenha do primeiro livro da Sarah, sabe que eu adoro o trabalho dela, e que a sigo no Facebook e por isso sou uma pessoa mais feliz (nada como uma boa gargalhada para te deixar mais feliz). Posso dizer como fã que esse segundo volume de coletânea de quadrinhos dela é tão bom quanto o primeiro. Se você gosta da Sarah esse livro é diversão garantida. Pode comprar de olhos fechados e ler de olhos bem abertos, se você conseguir rir com eles abertos.

E aproveita e deixa o terceiro e último volume publicado em mãos, para a diversão durar mais.

Mal posso esperar pelo próximo livro da Sarah.

Nota 10!

sábado, 8 de dezembro de 2018

A Passionate Love Affair with a Total Stranger



SPOILER FREE

Está chegando o final do ano e com ele aquele estresse para fechar as metas do ano em todos os campos, inclusive os livros. Daí a melhor coisa a fazer é ler coisas leves. Primeiro porque chega de estresse, segundo porque coisas leves terminam mais rápido e facilitam atingir a meta de leitura.

Como quem lê minhas resenhas já percebeu, adoro ler um livro estilo chicklit quando preciso espairecer. E agora em dezembro tem uma maratona internacional de romances chamada #smutathon, que claro, eu pretendo seguir, então resolvi fazer um esquenta.

A Passionate Love Affair with a Total Stranger não foi lançado no Brasil, e provavelmente não vai ser tão cedo, visto que não é nenhum Best Seller. Mas é divertido toda vida de ler. Charley Lambert é diretora de comunicação de uma mega empresa farmacêutica e uma workaholic, até que ela sofre um acidente e precisa ficar parada em casa por semanas antes do próximo mega lançamento da sua empresa. Como boa workaholic ela inventa o que fazer e cria um pequeno negócio de ghost writer para mulheres com dificuldade de paquerar pela internet.

A história é boba, muito boba, e em tanto datada. Não é tão viável em dias de Tinder você oferecer esse tipo de serviço, fora que a razão desse tipo de aplicativo hoje em dia não é exatamente o mesmo do início dos sites de encontros românticos. Mas isso não importa, porque o livro é engraçado.

Não tem todas as cenas picantes que eu esperava, infelizmente, mas ele compensa no humor. Tem umas questões que surgem de vez em quando de machismos estruturais meio escondidos, mas nada que grite na sua cara e faça você ter raiva do livro, o que é mais do que pode ser dito da maioria dos livros desse estilo hoje em dia, então ponto positivo.

Lucy Robinson não é uma autora genial, e A Passionate Love Affair with a Total Stranger não é uma obra prima, mas a leitura é leve, divertida e rápida. Serve exatamente ao seu propósito, então, se você está procurando algo leve e divertido de ler essa é uma excelente opção.

Dentro do estilo, nota 9.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Dance was her Religion

 
 
SPOILER FREE

Como uma apaixonada por dança que é também uma leitora compulsiva, volta e meia eu pego um livro bem teórico sobre o assunto. Dessa vez, uma análise sobre o aspecto místico e religioso das bailarinas que iniciaram o que hoje chamamos de dança moderna Isadora Duncan, Ruth St. Denis e Martha Graham.

Como os seguidores fieis do blog devem lembrar, não é a primeira vez que li sobre essas bailarinas em especial. Aqui você vai encontrar a autobiografia da Isadora, aqui uma Graphic Novel sobre sua vida, aqui uma coletânea de textos e poesias da St Denis e aqui um romance histórico sobre a vida da Martha Graham.

Isso é só para mostrar que não sou uma leiga completa no assunto e poder reclamar do livro Dance was her religion com alguma autoridade. Se você não está acostumado com livros acadêmicos ou não sabe nada sobre essas três bailarinas, Dance was her religion é uma leitura interessante e muito válida. Agora, se você espera algum tipo de tratado ou novidade sobre o assunto, melhor não perder o seu tempo.

As análises da Janet Lynn Roseman contidas no livro são bastante rasas, e estão mais no campo do achismo, apesar das fontes serem bastante diversificadas, interessantes e por vezes até difíceis de acessar, o que torna o texto cheio de excelentes citações de outras obras. Em termos de informações novas ou inéditas, também não adianta procurar aqui. A parte interessante nesse sentido é que a autora acertadamente critica outras obras sobre as três bailarinas que possuem informações equivocadas, e isso pode te poupar a leitura de outros livros que certamente não vão levar a nada.

Outro ponto positivo é a coletânea de imagens, a maioria pouco comuns em obras sobre essas três bailarinas, o que torna o livro bonito. E nesse sentido, dê preferência para a versão impressa dele, o livro digital não é bem diagramado e não tem todas as imagens do livro físico. Fala a pessoa que tem os dois, claro.

Só para esclarecer que eu não sou completamente doida: estou numa campanha de substituir meus livros físicos por versões digitais, para tentar liberar espaço nas minhas estantes de casa e diminuir o acúmulo de poeira. A ideia é linda, mas a realização tem deixado um pouco a desejar, infelizmente. Esse caso ilustra bem um problema, em algumas ocasiões o livro físico vale mais a pena do que o digital e aí eu não consigo me livrar do papel.

No geral, a leitura é agradável e fácil de ler. Dance was her religion é bem organizado e o texto flui, mesmo com a enorme quantidade de citações e notas de rodapé (que na maioria das vezes indica as fontes, o que adoro, nada melhor que um livro cheio de fontes). Mas é sintomático que eu tenha tido muito mais vontade de sublinhar as citações do que o texto em si da Janet Lynn Roseman.

No fundo, o problema é que é um livro mais voltado para leigos no assunto. Então, pessoalmente, eu não aproveitei tudo o que eu esperava.

Nota 7.

domingo, 2 de dezembro de 2018

A Filha Perdida

SPOILER FREE

Depois de ler a genial Série Napolitana da italiana Elena Ferrante, fiquei de olho nos demais livros da autora que ninguém sabe quem é. Sim, Elena Ferrante é um pseudônimo, e a autora, espertamente, raramente concede entrevistas e há anos se especula sua verdadeira identidade. Quem diria que isso ainda era possível nos dias de hoje?

A Filha Perdida foi publicado quase 6 anos antes do primeiro livro da Série Napolitana, e antes do sucesso da autora não era badalado. Peguei para ler simplesmente porque me apaixonei pelo trabalho da Elena Ferrante depois de ler A Amiga Genial.

A primeira coisa que reparei é que apesar de não ser o mesmo livro, parece ser o mesmo livro. A sensação de ler A Filha Perdida foi muito estranha, no sentido que parecia que eu estava relendo a Série Napolitana, só que de uma forma meio chata e sem graça. Claro que a história não é a mesma, as personagens são todas diferentes, mas ao mesmo tempo parecia ser a mesma coisa.

Não sei se é uma questão de estilo, algo como Saramago, em que você bate o olho e sabe que o texto é dele. Pode ser que seja, mas me pareceu algo mais na linha a autora só escreve na perspectiva de mulheres que gostam de remoer seus próprios sentimentos ad infinitum. Só que ao invés de ser interessante e instigante como no caso da história de Elena e Lila, aqui só me pareceu um tanto chato e exagerado.

Não é um livro ruim, veja bem, ele só tem outro peso e andamento que a Série Napolitana. A Filha Perdida é bem mais soturno, taciturno e melancólico, com uma tendência a exagerar nos floreios e autoanálises da personagem narradora, uma mulher de quarenta e poucos, divorciada e cujas filhas já saíram de casa. A história é basicamente as férias que ela decide passar na praia.

Para mim faltou o brilho e o frescor da história de Elena e Lila. Foi como rever um filme só que fora de foco e com cores desbotadas. Talvez seja uma questão de amadurecimento da autora, afinal, ela lançou esse livro antes do seu grande e premiado sucesso. É muito triste escrever uma resenha dessas para Elena Ferrante, mas eu sou sincera.

Nota 7.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Publicação da Mortalidade

 
 
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Quem me acompanha minhas resenhas há algum tempo sabe que eu sou fã do autor português Valter Hugo Mãe. Desde que o conheci leio pelo menos um livro dele por ano, e claro, não resisti comprar esse livro de poesias dele quando o vi numa livraria.

Então descobri que Valter Hugo Mãe, apesar de escrever prosa de forma absurdamente poética, não é exatamente um poeta. Ou pelo menos, esse volume não faz jus a qualidade dos demais livros que já li dele.

A Publicação da Mortalidade é dividido em diversas partes, como uma coletânea de pedaços de outros livros (o que eu não tenho certeza se procede ou se é só estilo para esse volume), algumas com poesias bem curtinhas, outras com poesias bastante extensas. Independentemente do tamanho, as poesias vão no máximo até bonitinhas, não há nada genial no livro inteiro.

Valter Hugo Mãe acerta em passagens das poesias, que realmente geram diversas citações belíssimas, mas no geral as poesias muitas vezes parecem uma tentativa fracassada de genialidade por chocar o leitor do que por algo inato do texto. O texto em si é bastante fraco, o que me deixou decepcionadíssima. Eu esperava muito, mas muito mais dele.

Uma pena. Talvez eu deva me manter apenas na leitura da prosa poética de Valter Hugo Mãe.

Nota 5.

sábado, 24 de novembro de 2018

Poet X - A Poeta X



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A Poeta X é um dos destaques dos livros lançados esse ano e finalista nos prêmios National Book Award, Boston-Globe Hornbook Award Prize for Best Children’s Fiction e Goodreads Choice Awards 2018 na categoria poesia. Mas o livro é um romance young adult.

Como assim? Pois é, A Poeta X desafia categorias assim como sua escritora, Elizabeth Acevedo, negra, filha de imigrantes da República Dominicana nascida em Nova Iorque e que se autodenomina AfroLatina. A autora é campeã nacional de Slam (competição de declamação de poesias autorais), palestrante do TED Talk e professora em diversas universidades nos EUA.

Eu não sabia nada disso quando peguei o livro para ler, claro, e posso dizer ele me surpreendeu em todas as páginas. A história é contada na forma de um diário escrito pela personagem principal, Xiomara Batista, que aliás, é uma das melhores personagens femininas que já li, mas ela escreve em forma de poemas. É um livro/diário/seleção de poemas/romance young adult. E funciona.

As poesias são escritas de forma a parecer que foram feitas por uma adolescente de 16 anos que escreve bem. E sim, elas parecem exatamente isso, incluindo inclusive expressões em espanhol no meio, porque, enfim, a personagem, assim como a escritora, é filha de dominicanos. A história é centrada na relação de Xiomara com a família, um pai ausente, uma mãe católica ferrenha e controladora e um irmão gêmeo, Xavier, sobre quem não posso dizer nada sem dar spoiler.

Minhas passagens favoritas são aquelas em que ela fala dos deveres de casa para a aula de literatura, porque achei muito sensacional o fato da personagem primeiro escrever no diário o que ela realmente queria dizer e depois você vê o que ela realmente entregou para a professora. Claro, tudo muda de uma coisa para outra e é de partir o coração em mil pedacinhos. É lindo.

Por ser um livro onde a narradora é uma adolescente AfroLatina, a questão das mulheres e do feminismo é muito presente em todo o texto. Questões que apenas mulheres conseguem realmente entender estão presentes ali. Tem um poema em especial que eu amei de paixão, em que Xiomara fala do assédio que ela sofre na rua que é simplesmente perfeito.

Por ser e família católica, ainda tem toda uma conexão com o que mulheres brasileiras passam também, em uma passagem inspirada do livro:

When I’m told to have faith in the father the son in men               and men are the first ones to make me feel so small.

Quando dizem para eu ter fé no pai no filho nos homens              e os homens são os primeiros a me fazer sentir tão pequena. (tradução minha)
Todo o enredo é um retrato bastante realista e chocante. E o fato de ser as duas coisas mostra porque precisamos tanto de livros como A Poeta X. Ele merece todos esses prêmios mesmo. Elizabeth Acevedo merece ser ovacionada de pé.

Nota 10.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Made you up - Inventei você?



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Esse livro estava na minha lista de leituras desde o seu lançamento em 2015, mas a lista é longa e a as minhas escolhas podem ser muito enviesadas de vez em quando. Acabei tirando da prateleira virtual porque estava a caça de algo relacionado a teorias da conspiração.

Não, o livro não é sobre teorias da conspiração. É sobre uma adolescente ruiva no último ano da escola que sofre de esquizofrenia. A questão é que Alex é descrita no blurb como paranoica, o que é certo que vai envolver pelo menos a ideia de conspirações, por isso peguei o livro. Tcharã!

Como livro estilo young adult, Inventei você? (título da tradução no Brasil, pela editora Verus) funciona muito bem e a leitura é muito interessante. Toda a questão gira em torno do fato que Alex, nossa narradora, tem dificuldade de identificar o que é real e o que não é. Logo, conforme a história vai andando, você como leitor também não tem certeza se o que está acontecendo é real ou fruto de alucinações da narradora. 

Como estilo e linha narrativa funciona muito bem, é preciso tirar o chapéu para Francesca Zappia. Além de ter escrito uma das melhores citações de livros young adult: 

Sometimes I think people take reality for granted.

Às vezes eu acho que as pessoas não dão o devido valor à realidade. (tradução minha) 

E o enredo todo é muito divertido, cheio de situações muito interessantes, incluindo um excelente bad boy e interesse romântico, alunos imigrantes e diversas teorias estilo conspiração envolvendo as animadoras de torcida. Aliás, a escola onde Alex estuda tem um clube de teorias da conspiração. Viu como eu estava certa? 

Mas o livro tem um problema grave. Segundo alguns especialistas que andei lendo (porque eu não sou especialista), o livro faz uma representação pouquíssimo ou nada realista da esquizofrenia, o que é um desserviço aos leitores e aos que sofrem dessa doença. E é aí que mora o grande pecado da Francesca Zappia. Bons escritores fazem pesquisa, e caso tenham tomado liberdades com a realidade (ha ha ha) eles incluem um texto sobre o assunto no livro, o que ela não fez, claro.

Isso me deixa muito dividida, porque a leitura é divertida, dinâmica e original, mas o erro é imperdoável.

Por isso, nota 7.

sábado, 17 de novembro de 2018

Kingdom of Ash (Throne of Glass #7)



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E finalmente foi publicado o último volume da mega saga Trono de Vidro! A louca aqui, claro, comprou o livro ainda no pré-lançamento, e ficou só esperando o bendito aparecer no kindle. Vantagens da vida moderna!

Confesso que não sei quando a Record vai lançar esse livro, e há uma chance deles fazerem o mesmo que fizeram com Império de Tempestades, que foi vendido no Brasil dividido em dois tomos. Isso porque o livro tem quase mil páginas. Você leu certo. Mil páginas!

As mil páginas parecem menos do que isso, vou logo avisando, porque Sarah J. Maas resolveu elevar a um novo nível a alternância entre diversos pontos de vista. Ela já tinha feito testes desse formato em livros anteriores da série, e realmente ela foi ficando melhor nisso, e acredito que isso tenha dado a coragem necessária para finalmente colocar a sua habilidade a prova aqui. Entre os pontos de vista da Aelin, Chaol, Aedion, Dorian, Rowan, Manon e mais alguns, ela consegue não se perder e manter o ritmo da leitura ao fazer o estilo de narrativa de alternância de histórias que sempre pausam em momentos dramáticos.

Não é o meu estilo favorito. Me lembra muito Dan Brown, o que eu não considero um elogio.

Mas como ela consegue manter isso tudo indo por mil páginas? A resposta: muitas batalhas. Sério, eu nem sei quantas batalhas épicas ela inclui no livro, não me dei o trabalho de contar. São muitas, e todas bastante emocionantes, é preciso dizer. E claro, tinha aquele um zilhão de pontas soltas que ela foi deixando ao longo dos livros anteriores, até porque o livro sexto não tratou de nenhuma delas, só acrescentou.

Considerando isso tudo, o livro é satisfatório, porque realmente trata de todas elas, ou pelo menos de todas as mais importantes (considerando que essas sejam as que eu mesma conseguia lembrar). Tem uma questão deus ex maquina, tem, claro que tem, é um livro da Sarah J. Maas num mundo cheio de magia e seres fantásticos. E eu preciso lembrar que a autora ainda por cima tem um amor por personagens que beiram a perfeição, por mais que sejam imperfeitos?

Tem o problema dos mates? Tem, mas talvez por ter outras histórias e coisas acontecendo ao mesmo tempo a questão fica menos presente, ou pelo menos chama menos atenção e não enche tanto o saco. Exceto nas vozes da Aelin e do Rowan, nesses momentos uma dose de insulina é necessária.

Ela mata personagens importantes? Bem... é uma questão controversa, primeiro porque não quero dar spoiler, segundo porque precisa definir o que é ou não importante... mas sim, temos mortes no livro, e vou deixar só isso. Até porque com tantas batalhas como poderia ficar sem mortes?

Eu entendo o dilema que a autora acabou criando com relação a essa questão. Depois de tantos livros com personagens tão marcantes que tanta gente se apaixonou, as batalhas finais precisam de sangue, mas como decidir entre todas essas personagens? Considerando que o estilo young adult tem uma propensão maior a seguir as vontades dos fãs e a criar finais felizes, Sarah J. Maas se colocou realmente numa sinuca de bico.

É preciso levar isso em consideração para avaliar o livro. Kingdom of Ash não faz feio no final das contas, e a leitura é muito agradável, dinâmica e possui muitos bons momentos de adrenalina. Dentro do estilo que a autora está desenvolvendo é um dos melhores livros dela, e isso é muito positivo. Mas o livro não é perfeito e não é genial.

Acredito que Sarah J. Maas tem potencial para fazer coisas muito melhores do que essa série. Mas não sei se vão permitir que ela alce esse tipo de voo. A indústria da literatura young adult é bastante poderosa e Sarah me parece que já foi engolida por ela. Prevejo que ela vai continuar escrevendo bons young adult, mas infelizmente não acredito que ela vá largar esse osso e tentar coisas mais abrangentes como ela me parecia ter vontade nos livros anteriores. Nesse sentido, Kingdom of Ash me parece um aviso da autora sobre o que ela pretende fazer no futuro.

Agora nos resta aguardar a nova série spin-off de Corte de Espinhos e Rosas para ver se estou certa ou não.

Nota 9.

Nota da série: 8.

Não lembra da série? Veja as resenhas anteriores aqui:

Trono de Vidro
Coroa da Meia Noite
Herdeira do Fogo
Rainha das Sombras
Império de Tempestades
Torre do Alvorecer
A lâmina da assassina - novelas

A retornada



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Confesso que não sou uma leitora muito assídua de literatura brasileira, mas de vez em quando eu tento diminuir um pouco o problema. Acabei comprando o livro da minha xará numa livraria no centro do Rio enquanto eu procurava novos autores de poesia para diversificar a vida.

Preciso dizer que foi uma decisão muito acertada. Laura Erber me surpreendeu com a força dos seus poemas. O livro pode ser curtinho, mas o conteúdo é denso. A autora faz o tipo de poesia que você precisa ler, reler e ficar remoendo. Não por ser complicada, mas porque cada uma é um mundo a ser desvendado.

Em especial a última poesia, que dá o título do livro, que me emocionou muitíssimo. Só por ela o livro já valeria a pena. Mas o volume tem outras belezas também, o que faz valer toda a leitura.

Gostei tanto do trabalho que agora vou procurar outras publicações dela, só espero que sejam tão maravilhosos quanto essa aqui. Uma pérola da literatura brasileira contemporânea!

Nota 9!

sábado, 10 de novembro de 2018

Histoires et d'autres histoires by Jacques Prévert



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Preciso começar dizendo que adoro Jacques Prévert. Eles faz parte do meu caso de amor com o idioma francês, e isso me torna um tanto enviesada com tudo o que ele escreve. Em compensação, ele é um dos autores mais lidos na França, reconhecido como um dos grandes da literatura francesa. Assim, eu posso dizer que sou enviesada mas tenho alguma razão para isso.

Como já contei em mais de um post por aqui, desenvolvi nos últimos anos o costume de ler poesias de manhã, o que torna a vida mais leve e feliz. Depende do livro e da poesia, ok, mas no geral funciona bem. E esse é um dos motivos pelos quais acabei acumulando uma coleção razoável de livros do autor. Aguardem mais Jacques Prévert no futuro.

Histórias pessoais à parte, essa edição de Histoires é uma coletânea de textos do autor francês, que variam entre poemas e histórias curtas, algo como contos, mas não exatamente isso, porque o que Jacques escreve não são exatamente contos, nem histórias. Confesso que tenho dificuldade de definir.

Prévert tem um pé no surrealismo, e isso é bastante notável em diversos dos seus trabalhos, o que não agrada todos os tipos de leitores. Mas ao mesmo tempo é essa qualidade que torna as suas críticas ao mundo que ele viveu (o que inclui as grandes guerras) tão interessante e ao mesmo tempo leves. Veja bem, seus textos são lidos por crianças na França por causa disso.

Ao mesmo tempo, por ele ser muito apegado a essas críticas, é preciso conhecer um tanto de história francesa e da política francesa para entender boa parte delas. Eu não sou nenhuma expert no assunto, apesar de não ser totalmente leiga, e preciso dizer que senti muita falta de algumas notas de rodapé. Talvez eu tenha dado azar com a edição francesa que consegui, talvez eu precisasse de uma edição bilíngue. Independentemente disso, o resultado é que me senti perdida em diversos textos. Estava claro que eu não estava captando tudo o que ele queria dizer.

Apesar disso, Jacques é maravilhoso, e não é necessário entender cada crítica escondida que ele coloca nos seus textos para apreciar seu trabalho. A leitura ainda assim é extremamente agradável, leve e divertida. Na maioria das vezes, pois de vez em quando ele traz temas bastante pesados.

Então, como boa fã que sou:

Nota 9. Pela falta dos rodapés. Pura preguiça dos editores!

Only Human (Themis Files #3)



SPOILER FREE

E finalmente chegamos no final da saga Themis Files! Depois de um primeiro livro fabuloso e muito original, o autor deu uma escorregada no segundo, mas aí levantou e foi para a galera no terceiro! Como amo resenhar bons livros...

Infelizmente o livro ainda não foi lançado no Brasil. Mas espero que isso seja corrigido em breve, visto que o nos EUA ele foi lançado em maio de 2018.

Sylvain Neuvel fez o improvável, conseguiu dar a volta por cima depois de um segundo volume bastante morno, o que comparado ao primeiro livro da série, tinha sido um banho de água fria para mim. Preciso confessar que eu não esperava grandes coisas do último livro da série, apesar de não ter conseguido me controlar e ler os dois seguidinho. A razão disso foi mais por conta do gancho no final do segundo volume do que pela obra maravilhosa, verdade seja dita.

Mas o canadense não titubeou. Usou o terceiro livro para um final simplesmente sensacional. Sylvain fez uma das melhores e mais contundentes críticas a geopolítica atual que já li. Não só as questões da política internacional, não, senhoras e senhores, ele fez questão de criticar a cultura dominante atualmente, e isso não quer dizer a cultura estado unidense. Em uma passagem que eu amei, ele resume:

"I hate this world. People are small. They’re ignorant, and they’re happy to stay that way. They make an effort to. They’ll spend time and energy finding ways not to learn things just to feel comfortable with their beliefs."

Em tradução livre minha:

"Eu odeio esse mundo. As pessoas são pequenas. Elas são ignorantes e são felizes em ficar assim. Elas fazem um esforço para se manter assim. Elas gastam tempo e energia para encontrar formas de não aprender as coisas apenas para se sentirem confortáveis com as suas crenças." 

Contundente é pouco para definir. Passei o livro inteiro sorrindo e gargalhando com a forma tão delicada quanto um chute na canela que o autor usou para criticar a humanidade. Amei cada palavra, cada crítica ferrenha, cada bizarrice tão atual e, infelizmente, real. 

Será que assim a galera vai entender a mensagem? Tomara. Quem sabe um choque de realidade via ficção científica não faz algumas pessoas acordarem. Já passou da hora, né?

Nota 10.
 

Monstress, Vol. 3: Haven

SPOILER FREE

Depois de ler os dois primeiros volumes de Monstress, O Despertar e Sangue, mal consegui me segurar e comprei sem me importar com o preço o terceiro volume lançado em Setembro de 2018 no mercado americano. Vício é uma coisa terrível para o bolso.

O terceiro volume, Haven, ainda sem tradução para o português, me deixou tão ou ainda mais encantada do que os livros anteriores com os capítulos dessa saga. Não sei o que acontece, mas a arte da japonesa Sana Takeda me parece cada vez mais bonita. As escolhas estéticas realçam a narrativa, e dão um tom particular à história, intensificando a experiência de imersão na leitura.

Aliado ao visual realmente incrível, a autora Marjorie M. Liu me parece cada vez mais à vontade com as suas personagens, e outras histórias paralelas a de Maika ganham mais corpo e complexidade. É muito sangue, morte, destruição e jogo de poder! Em uma frase: estou apaixonada por Monstress. É o tipo de narrativa que segura o leitor e você mal consegue dormir pensando no que vai acontecer.

E a construção matriarcal do mundo, gente, que coisa linda de se ver. Quase morri de amor quando surgiu um possível casamento lésbico para fechar uma aliança entre estados. Não é por menos que a série tem ganho tantos prêmios, é muito merecido. Nada como quebrar paradigmas em épocas onde a sociedade parece que quer viajar para o passado. Ajuda a manter a esperança no futuro da humanidade.

O triste é que cada volume termina rápido demais, e agora eu não tenho a menor ideia de quando será lançada a próxima coletânea de seis capítulos. Não é a toa que pessoalmente eu não gosto de ler séries antes delas terminarem e eu ter todos os volumes em mãos. Mas às vezes acontece de eu iniciar uma sem saber que ela ainda está em andamento. E a culpa é minha, claro.

Marjorie e Sana são inocentes nisso, apesar de terem roubado o meu coração.

Nota 10.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Waking Gods (Themis Files #2) - Deuses Renascidos




SPOILER FREE

Depois de Gigantes Adormecidos, um livro muito original e recheado de excelentes personagens, Sylvain Neuvel volta a toda em Deuses Renascidos, publicado no Brasil em agosto de 2017. Depois de um final apoteótico no livro anterior, apesar de ser um gancho horrível daqueles que dão direito a escritores um cantinho especial no inferno, Deuses Renascidos traz acontecimentos ainda mais grandiosos.

O segundo volume na série The Themis Files me deixou bastante dividida. Por um lado, foi maravilhoso ler mais coisas sobre tantas personagens que aprendi a amar no primeiro livro, por outro lado, preciso confessar que não amei as escolhas do autor, nem para as personagens nem para a história.

Como a ideia é não dar spoiler, vou pular a parte das personagens e me concentrar na história. Como diz na contracapa, dessa vez Rose Franklin e o seu time no Corpo de Defesa da Terra precisam encontrar uma forma de lidar com um novo robô que surgiu do nada em Londres. Mais do que isso, novamente, spoilers. Livro difícil de resenhar.

O problema não são os robôs, veja bem, eles são uma das partes interessantes no enredo. O problema são os pilotos e o motivo dos usos dos robôs. É aí que o livro perde demais a conexão com a realidade e passa a ser apenas bizarro. Divertido, mas bizarro. A questão é que em algum momento a leitura não é mais tão imersiva, como no primeiro livro, ela passa a ser uma mistura de esquisitices com diálogos extremamente engraçados, se você curtir o tipo de humor do autor, que tem uma veia sarcástica um tanto forte.

Não ajuda o caso desse livro o fato dele ter a mesmíssima estrutura de Gigantes Adormecidos. Temos novamente aquela coleção de documentos que fariam parte do arquivo do governo sobre os acontecimentos, o que não é um problema em si, mas o formato por vezes fica cansativo, e um novo final em forma de gancho. Sylvain Neuvel já tem dois bilhetes direto para o tártaro dos autores, até porque se o primeiro gancho já era terrível de dar vontade de continuar lendo, o segundo consegue ser ainda pior. Esse segundo gancho foi tão poderoso que eu não consegui me controlar e comprei o terceiro livro.

De certa forma isso atesta que apesar dos problemas o livro é bom, senão eu não teria pago o que paguei pelo terceiro volume.

A minha expectativa é que o livro seguinte compense os problemas. Não sei como Sylvain vai fazer isso, mas a esperança é a última que morre. Nada como citar o tema do livro na resenha!

Nota 8.


sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Monstress, Vol. 2: The Blood



SPOILER FREE

A continuação de Monstress: O Despertar, traduzido como Volume 2: O Sangue, com mais uma coletânea de 6 capítulos na história de Maika Halfwolf, é ainda melhor do que o primeiro livro.

O livro ainda não saiu no Brasil, onde a editora Pixel está trabalhando com Monstress, mas já tem em Portugal pela editora Saída de Emergência, que publicou o segundo volume em janeiro de 2018.

A arte da japonesa Sana Takeda continua absolutamente deslumbrante. Tem momentos em que você fica parado, só olhando mais um pouco os desenhos. É tudo tão bonito e tão cheio de detalhe que até as cenas violentas parecem belas e poéticas. Os monstros? Eles são lindos! Sangue para tudo quanto é lado? Olha que padrão maravilhoso de vermelho em cima dos tons pasteis e os arabescos nessa pele arrancada... precisa de uma artista de mão cheia para chegar nesse tipo de resultado.

O texto da Marjorie M Liu melhorou nesse segundo volume. Talvez porque agora o leitor consegue ter uma visão mais ampla do que está acontecendo na história, mas eu acho que ela finalmente está acertando o tom das diversas personagens. Suas personalidades estão cada vez mais claras, e tem toda a questão das intrigas entre as diversas raças e entre os poderes dentro de cada raça. Monstros, poderes e carnificina à parte, a história em si é muito boa e prende o leitor. Não é a toa que a série tem ganhado tantos prêmios.

A questão da representatividade feminina e LGBT na série é um destaque que precisa ser feito e apreciado. É maravilhoso ter uma história onde todas as personagens em posição de poder são mulheres, capitães, generais, piratas, rainhas, deusas... a maior parte da minoria dos personagens masculinos em posição de poder são vilões. Se parece o inverso do que se costuma encontrar, é porque é isso mesmo. E tem toda uma gama de personagens LGBTs lindos... e apresentados de forma natural. Eles não chamam a menor atenção dentro da história por isso. É para aplaudir de pé!

Nota 10!