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sábado, 23 de junho de 2018

The Harafish



SPOILER FREE

Acho que posso dizer que sou uma fã incondicional do egípcio ganhador do Nobel de Literatura, Naguib Mahfouz. Eu tento ler pelo menos um livro dele por ano, numa tentativa de fazer a sua obra extensa, mas que não cresce mais porque infelizmente ele faleceu há alguns anos, durar o máximo possível. Porque se deixar, acho que devoro tudo dele de uma só vez.

Infelizmente ele não é tão traduzido para o português quanto merecia, mas com algum esforço dá para se achar até muita coisa (Trilogia do Cairo - vol 1, vol 2 e vol 3, sua obra prima; Miramar, excelente livro; O beco do pilão; Noites das mil e uma noites; O jogo do destino; Rhadopis; O ladrão e os cães).

Em especial, The Harafish não foi traduzido para o português ainda, o que é um pecado terrível. O livro traz um grande épico familiar que transpassa por inúmeras gerações de uma mesma família (deve ter mais de dez gerações aí, confesso que me perdi na conta). Mahfouz é tão genial, que ele faz dessa oportunidade uma grande colcha de retalhos de diversas situações familiares especialmente egípcias e árabes, não perdendo a chance de ainda por cima fazer uma crítica sobre a forma como os árabes percebem os descendentes de personalidades religiosas, eu iria longe o suficiente para dizer que podemos incluir aí Maomé. Lembrando que no islamismo casar e ter filhos é algo esperado de todos, santos e profetas não estão fora disso.

Na questão familiar, é interessante reparar na obra de Mahfouz as questões relacionadas ao casamento, poligamia, divórcio e a politicagem interna familiar, como o poder dos pais sobre os filhos, a questão da primeira esposa, filhos homens x filhas mulheres, etc. A diferença de tratamento para personagens homens e mulheres é especialmente importante também, trazendo um retrato bastante fiel da cultura árabe sobre o assunto.

Além disso, o título faz alusão a uma classe de trabalhadores que hoje poderíamos criar um paralelo aos favelados. Trabalhadores de baixa escolaridade e sem treinamento que vivem basicamente de bicos e trabalhos manuais, e que, claro, são paupérrimos e quase sempre passam fome. Nesse sentido, Mahfouz aproveita para também fazer uma crítica bastante pesada ao sistema de classes (ele era comunista de carteirinha), e demonstrar como esse sistema não só se perpetua de forma absolutamente injusta, mas pode ser modificado pela união e revolta da classe mais pobre, visto que são mais numerosos. Pode acrescentar aí críticas à falta de posicionamento do governo em bairros pobres (hum...), a questão das propinas (ahã...) e a falta de lideranças capazes de modificar a situação (né...). Características extremamente árabes à parte, podemos dizer que é um tema bastante universal.

O livro vai entrar na lista de melhores do autor. Maravilhoso é pouco para descrever.

Nota 10!

sábado, 28 de janeiro de 2017

Fountain and tomb


I enjoy playing in the small square between the archway and the takiya [monastery] where the Sufis live. Like all the other children, I admire the mulberry trees in the takiya garden, the only bit of green in the whole neighborhood. Our tender hearts yearn for their dark berries. But it stands like a fortress, this takiya, circled by its garden wall. Its stern gate is broken and always, like the windows, shut. Aloof isolation drenches the whole compound. Our hands stretch toward this wall - reaching for the moon.

SPOILER FREE

Mais um livro de um dos meus autores favoritos, o egípcio ganhador do Nobel Naguib Mahfouz. Infelizmente, pra variar, é mais um volume que não foi traduzido para o português, o que pra mim simplesmente não faz sentido, pois o trabalho do autor é simplesmente maravilhoso e muito vasto para termos apenas uma meia dúzia de traduções.

Dessa vez, o livro traz diversos contos bem curtinhos que retratam a infância do autor num bairro na periferia do Cairo. O quão autobiográfico as histórias realmente são (ou quantas) é um mistério, mas a qualidade da escrita não deixa dúvida sobre a grandiosidade de Mahfouz. Esse volume que consegui, em específico, ainda tem diversas ilustrações belíssimas, que para mim, como aficionada pelo mundo árabe, é de um deleite incrível.

Outro ponto que gostei foram as descrições sobre as brigas de rua, que descrevem o uso dos bastões pelos egípcios como forma de arte marcial que hoje, aqui no ocidente, só vemos de forma bem distorcida através da dança do bastão retratada na dança do ventre. Quanto a isso eu tenho uma lembrança particularmente especial, certa vez vi num show um cantor egípcio e um bailarino profissional (egípcio também) que mora na Alemanha fazerem essa luta, mas numa versão mais suave, dançada (pense em capoeira), e precisei me conter para não rir, pois o pobre bailarino quase apanhou de verdade, mal podia se defender dos movimentos do egípcio, que apesar de parecerem suaves certamente tinham uma potência de quem fazia isso nas ruas, de "brincadeira", como descrito nesse livro do Mahfouz. Literatura é fonte de conhecimento!

Eu não tenho palavras suficientes para descrever o quão maravilhoso é o trabalho de Naguib quando ele acerta na mão. É realmente sensacional e de tirar o fôlego.

Nota 10.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

O jogo do destino


SPOILER FREE

Quem acompanha o meu blog sabe que eu AMO Naguib Mahfouz, já li tantos livros dele e tenho tantos outros a ler que já perdi a conta. Mas mesmo os gênios literários como ele tem os seus baixos, e nesses momentos vemos que ele também é humano, o que é uma sensação contraditória, uma tristeza misturada com uma certa alegria por ele não estar tão distante de nós, reles mortais.

Peguei mais um livro dele para ler porque um dos temas desse mês era um autor asiático ou do oriente médio, e, para mim, qualquer desculpa é desculpa para ler Naguib Mahfouz.

Eu já sabia que esse livro dele não era lá grandes coisas, pois ele costuma ser classificado como um dos piorzinhos dele, sendo da sua primeira fase como autor, quando ele se focava em temas relacionados ao Antigo Egito. Essa fase costuma ser explicada pelo momento em que o autor vivia, de grande patriotismo no Egito, e foi uma espécie de tentativa de se apoderar do passado glorioso dos faraós no Egito moderno. Mas é Naguib Mahfouz, e eu leria feliz até a lista de compras dele.

Então, "o jogo do destino" traz uma trama da época da construção das pirâmides, quando o faraó escuta uma profecia, que diz que a sua dinastia acabaria com ele, e nenhum dos seus descendentes subiria ao trono. A ameaça é um bebê recém nascido, destinado a virar faraó, que é filho de um dos grandes sacerdotes.

A história em si, é muito interessante e cheia de reviravoltas, o que torna a leitura dinâmica e interessante. Porém a construção dos personagens é simplória, vê-se que o autor ainda não tinha dominado bem esse ponto nessa época, tendo quase caricaturas que se baseiam apenas no preto e branco, bom e mau. Um jeitão meio Shakesperiano de escrever, sabe? Com direito ao excesso de drama e tudo o mais. Outro ponto que me incomodou, mas quanto a isso eu tenho o Christian Jacq para culpar, é a forma como Mahfouz retrata os egípcios antigos, achei muito estranho a forma basicamente islâmica deles se tratarem uns aos outros, além da forma como as mulheres são retratadas, numa quase cópia da sociedade árabe, e um pouco diferente demais do que escuto dos egiptólogos (novamente culpa do Christian Jacq!).

Enfim, é uma leitura interessante, mas não excepcional. Para quem curte Egito Antigo, mas não o suficiente para saber muito do assunto, é uma leitura muito legal, assim como para quem curte tramas de poder e discussões sobre o destino.

Nota 7,5.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Wedding Song



SPOILER FREE

Ainda na corrida para fechar o ano com 70 livros (nunca mais faço isso na minha vida, não desse jeito!), peguei mais um livro da pilha do Naguib Mahfouz (pilha fruto de uma compra enlouquecida numa promoção num sebo internacional maravilhoso, o Better World Books) porque ele parecia ser rápido e tranquilo de ler.

"Wedding Song" ainda não foi traduzido para o português, como a maioria das obras do autor egípcio (o que é uma pena), e o estilo lembra uma outra obra dele: Miramar. É um estilo de narrativa que pessoalmente eu curto muito: uma história contada diversas vezes, cada vez sob o ponto de vista de um personagem diferente. Dessa vez a história trata de uma família de classe baixa do Cairo que trabalha para um teatro e o drama que se desenrola com eles, numa mistura de análise social com mistério, coisas do Naguib Mahfouz. A história envolve os problemas de um casal e o seu filho, que está estreando como autor de peças de teatro, e um ator de meia idade que nunca conseguiu fazer sucesso.

O livro é especialmente interessante para quem quiser observar a forma como a mulher é vista e julgada na sociedade egípcia (mas a história caberia em diversos outros lugares também, o que é muito triste), e, claro, tem o charme que só Naguib Mahfouz consegue colocar em histórias dramáticas para que elas não fiquem piegas.

Mas infelizmente é aquilo: eu quando leio Mahfouz sempre espero algo extraordinário, e "Wedding Song" não está entre os seus melhores livros. O livro é muito bom, super aconselho, mas, não é aquela Brastemp que se espera do autor não. Por isso:

Nota 8.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Respected Sir






SPOILER FREE

Para quem segue o meu blog há algum tempo já deve ter reparado que eu tenho uma queda pelo autor e prêmio Nobel do Egito Naguib Mahfouz. E sim, minha coleção de livros dele é bem grande, mas ainda está longe de cobrir toda a sua obra, que é imensa.

Como eu mencionei anteriormente, na resenha de The Voice of Egypt, em setembro eu precisava ler um livro sobre história de um derterminado período e um romance do mesmo período, e resolvi aproveitar para ler mais um livro do Naguib Mahfouz. Porque tudo é desculpa para ler esse grande mestre.

"Respected Sir" não é a obra prima do autor egípcio, mas isso não o torna menos interessante. O livro narra a história de um funcionário público egípcio nascido de uma camada baixa da população cairota que tem como grande sonho da sua vida virar Diretor Geral numa época que podemos estimar como uma das revoluções no Egito do século XX (antes de 70), e não deixa de ser uma alegoria muito interessante para a condição de qualquer ser humano com excesso de ambição. O livro retrata de forma magistral como alguém pode levar um objetivo na vida como algo próximo à devoção religiosa, e faz uma descrição extremamente real de diversos problemas e situações comuns na sociedade egípcia (e em outros lugares também! não vamos nos enganar).

Para quem curte o autor é um prato cheio, para quem gosta de ler sobre a sociedade egípcia também. Inclusive o ar desse livro me lembrou um pouco a sensação que tive ao ler Todos os nomes do Saramago, só que com mais ironia com relação ao aspecto religioso que as pessoas são capazes de colocar no seu dia a dia e nos seus objetivos de vida. Aliás, esses dois autores tem algumas características em comum interessantes, especialmente em alguns livros do escritor egípcio, onde Naguib tenta captar as motivações humanas por trás da sociedade onde ele viveu sem se ater à narrativa realista que o fez célebre com a Trilogia do Cairo. Fico muito triste quando vejo que tão pouca coisa dele foi traduzida para o português, sua riquíssima obra merece mais atenção. E quem tiver a oportunidade de ler mais desse autor nas traduções em inglês ou francês eu recomendo muitíssimo.

Nota 9,5.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

The Search


SPOILER FREE

Quem frequenta o blog sabe que sou fã de carteirinha do Naguib Mahfouz, portanto esse ano não poderia faltar pelo menos um romance do prêmio nobel de literatura egípcio. A ideia original era que o livro se encaixasse no tema "romance histórico" desse mês, mas ainda bem que "47 ronins" já levou essa classificação, porque dentre os diversos títulos que andei comprando a preço de banana num sebo internacional, dei o "azar" de escolher justamente um que não cabe nesse tema.

"The Search" (que até onde sei nunca foi traduzido para o português) conta a história de Saber, filho de uma mulher poderosa do submundo de Alexandria, que na cabeceira de morte da mãe recebe a incumbência de encontrar o seu desaparecido pai. A partir daí a sua vida se resume numa busca enlouquecida e nos novos relacionamentos que ela traz, com consequências que mudarão para sempre a sua vida.

O livro tem uma pegada que lembra "O ladrão e os cães", com o mesmo ar realista e o foco nas motivações e sentimentos do personagem principal. Dessa forma, apesar de ser um livro pequeno, não é uma leitura leve, ou agradável, e nem mesmo poética, como costuma ser a narrativa do Naguib Mahfouz. "The search" é sobre a realidade nua e crua, sobre o desespero e o orgulho (retratados de forma tipicamente egípcia) que levam as pessoas às últimas consequências, uma história dura e pesada. E, claro, contada de forma magistral pelo autor.

Mas, infelizmente, não está entre as suas melhores obras, o que ainda quer dizer que é muito bom, dado que estamos falando de Naguib Mahfouz. E dentro desse estilo, "O ladrão e os cães" é um livro mais interessante e envolvente. Se você ainda não conhece a obra desse autor maravilhoso comece por algo mais leve dele, no estilo que o tornou famoso fora do Egito, como "Miramar" ou o "Beco do Pilão", se você já leu de tudo que há disponível em português e gostou, então pode pegar "The search" sem medo, vale a pena ver algo diferente de Naguib Mahfouz, mesmo que não seja sua obra prima.

Nota 8,5.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

The beginning and the end


SPOILER FREE

Ainda com o tema de histórias de superação, do Desafio Literário, escolhi mais um livro do Prêmio Nobel de Literatura Naguib Mahfouz (ou em outra opção de transliteração Nagib Mafuz). "The beginning and the end" infelizmente é um livro difícil de encontrar traduzido, seja em inglês ou em francês, em português ainda não tem, mas eu consegui comprá-lo pela Betterworldbooks.com uma espécie de sebo internacional que faz doações toda vez que você compra um livro com eles. E a edição que encontrei ainda é especial (essa da capa aí em cima) porque é da American University of Cairo, que publica livros em inglês no Egito (e só vende lá também).

Isso significa que a tradução é como um verdadeiro árabe teria feito para o inglês, mantendo quase literalmente a poesia original do texto, tão comum na prosa (e na música*) árabe e que às vezes se perde nas traduções. Mas isso também significa que às vezes faltam aspas, ou uma palavra ou outra está escrita errado, e em raríssimas ocasiões o texto não faz lá muito sentido.

Nesse lindo livro, Naguib Mahfouz nos conta a história de uma família que vive no Cairo durante a Segunda Guerra Mundial, e está muito bem de vida, até o momento em que o pai e único provedor da casa morre repentinamente. Numa situação de desespero e beirando a pobreza extrema, a família precisa sacrificar a reputação dos dois irmãos mais velhos (um primogênito solto na vida e uma filha considerada feia que chegou aos 23 anos solteira) para não passar fome e possibilitar a continuidade da educação formal dos dois irmãos mais jovens, grandes esperanças de dias melhores no futuro, caso eles consigam terminar sua educação e consigam bons empregos.

Naguib Mafouz destila poeticamente e para deleite do leitor as transformações que cada membro da família precisa passar para superar essa fase tão negra das suas histórias em comum, o que nem sempre o orgulho de alguns permite, enquanto outros acabam se degenerando completamente no processo. Todos precisam fazer sacrifícios pelo bem do núcleo familiar, e cada um lida com o seu quinhão de forma diferente, onde alguns conseguem passar pelo processo de superação, enquanto outros se perdem pelo caminho.

"The beginning and the end" é um livro lindo, poético e extremamente dramático, pois os sacrifícios exigidos são muito grandes, ainda mais numa sociedade onde a honra e um passado incólume são imprescindíveis para garantir um futuro de riquezas numa teia social extremamente desigual e conservadora. Dessa forma, o autor faz um belo retrato da sociedade cairota (e egípcia como um todo), sem deixar de lado as suas pungentes críticas tão características ao seu estilo (Mahfouz era filósofo e nacionalista).

Nota 10, para variar.

*como bailarina de dança do ventre, vivo procurando traduções de músicas árabes e confesso que ler esse livro foi como ler uma boa tradução de uma música do estilo da Oum Kalsoum com mais de 300 páginas. Simplesmente sublime.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Autores de quem eu leria qualquer coisa

Vi essa ideia no blog Quitandinha, que viu no pontoLivro, que viu no Distopicamente da Isabel e resolvi copiar também! Adorei a ideia! Só não copiei as imagens porque enquanto escrevo essa pequena introdução ainda não sei quantos autores vou colocar na lista!

Então vamos começar a brincadeira:

- Bernard Cornwell
Pois é, eu gosto dele assim, mesmo quando o livro não é lá grandes coisas. Sempre vale a pena ler o que quer ele tenha escrito.

-Amélie Nothomb
Eu amo essa belga maluca. Coisa de fã mesmo. E olha que estou cheia de livros não lidos dela em casa... aguardem o próximo mês do Desafio Literário, Amélie sairá da estante para surpreender o mundo!

-Fernando Sabino
Li muito pouca coisa dele, mas o que já li foi suficiente para ele aparecer por aqui. E olha que só esse ano eu li 2 livros dele.

-Naguib Mahfouz
Egípcio ganhador do nobel de literatura! Já li praticamente tudo disponível em português e agora estou catando o que puder em inglês e francês. Ainda não encontrei um livro mais ou menos dele, tudo o que ele escreve é simplesmente excelente. E ainda por cima fala do oriente médio! Imperdível.

-José Saramago
Outro nobel... há algo simplesmente incrível na forma como ele escreve sem vírgulas ou pontos e você simplesmente entende tudo mesmo assim que não tenho como ignorar e coloca-lo aqui.

-Neil Gaiman
Confesso que ainda não li nenhuma das suas Graphic Novels, e olha que ele ganhou fama por causa delas! Mas eu virei fã mesmo assim, não tem como não estar nessa lista. Eu leria até os livrinhos pra criança dele (ele acabou de lançar o primeiro em inglês!)

-Salman Rushdie
Meu primeiro contato com ele foi com um livro infantil, quando eu ainda era criança, e como ele só tinha aquele livro infantil, demorei muitos anos a voltar a lê-lo, e fiquei tão satisfeita quanto da primeira vez. Ainda lerei muitas obras desse autor! Estou atrasada com relação à sua produção...

-Oriah Mountain Dreamer
Ok, agora eu vou assustar todo o mundo com essa escritora. Ela escreve auto-ajuda. Juro. E eu odeio auto-ajuda. Mas adorei demais os dois livros disponíveis dela em português. Inexplicável. Agora estou com o terceiro livro que ela lançou em inglês me esperando... vai rodar rapidinho.

-Tariq Ali
Editor da revista New Left Review, ele além de escrever livros de ciências políticas, também escreve romances. Pena que escreve poucos. Mas os que ele escreve... agora estou numa cruzada para encontrar novos livros dele para ler.

-Rosina Fawzia Al-Rawi
Iraquiana, escreve sobre a condição da mulher no oriente médio. O seu livro sobre dança do ventre "Grandmother's Secrets" é simplesmente o máximo. Pena que só tem livros em inglês e alemão, mais pena ainda que é pouco traduzida para o inglês e eu não sei alemão!

-Ismail Kadaré
Autor do famoso "Abril despedaçado", tudo o que esse albanês escreve é lindo, mesmo quando é triste.


Então, esses são os autores que eu leria literalmente QUALQUER COISA. Tem aqueles que por pouco não entraram na lista: Anne Rice (não leio nada desde que ela enlouqueceu, portanto fica fora da lista), Christian Jacq (confesso que não tenho vontade de ler se não é sobre o Egito) e Marjane Satrapi (ela tem muitos livros infantis que eu não tenho vontade de ler, mas as Graphic Novels... comprei todas as disponíveis, estão me aguardando!)

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O Beco do Pilão


SPOILER FREE

Mais um livro para o Desafio Literário! Esse é do famoso egípcio, prêmio nobel de literatura, Naguib Mahfouz, então não corri o risco de errar de continente! (o tema desse mês é escritores africanos, e o último livro que li comecei julgando que era de uma egípcia, mas descobri que a autora era libanesa! pode isso? me confundi bonito!)

Eu já virei fã do Naguib Mahfouz desde que li a Trilogia do Cairo, e já li outras obras simplesmente maravilhosas dele, como Noites das Mil e Uma Noites e Miramar, então O Beco do Pilão era um livro que gerou muitas expectativas. Ele também foi protagonista de uma grande caça pela internet, pois ele está esgotado! Mas eu consegui um exemplar no Submarino... podia ser pela Estante Virtual, eu sei, mas como sou alérgica, dou preferência a livros novos quando posso.

Voltando o livro, O Beco do Pilão é uma obra da fase realista do autor, retratando a história de diversos moradores do tal beco, no Cairo. Como se passa no final da segunda guerra mundial, as histórias são todas tristes e carregadas de ruptura com o passado do Egito, e com os problemas e dificuldades em se adaptar a uma "nova era". É interessante ver como os jovens buscam a modernidade e a mudança de vida e de status social, enquanto os mais velhos se agarram aos velhos costumes e quando pensam na atualidade é visando apenas o lucro nos seus negócios.

Tudo isso é muito interessante e muito bem trabalhado na narrativa de Mahfouz. Além disso, essa edição em específico tem um posfácio extremamente interessante, explicando alguma coisa sobre a obra do autor, sua importância na literatura árabe e esclarecendo alguns pontos que a tradução impede perceber (como o significado dos nomes em árabe e como Naguib brinca com isso para caracterizar seus personagens).

Porém, contudo, entretanto, todavia, não é o meu livro favorito dele. Acho que dessa vez, além é claro de ter lido outras obras do autor, o fato de ter lido outros livros de outras escritoras árabes me fez ver a forma como Mahfouz retrata suas personagens femininas com outros olhos. Confesso que dessa vez, ao ler as descrições delas fiquei com uma pulga atrás da orelha, como se de alguma forma, algo naquela descrição não me inspirasse tanta segurança ou verossimilhança com a realidade. E isso foi uma novidade na minha experiência com esse autor.

Fiquei com a sensação de que alguma forma que não sei precisar muito bem elas foram descritas com um pouco mais de liberdade e segurança do que teriam na realidade, como se a situação da mulher na sociedade egípcia estivesse de alguma forma amenizada ou omitida. Levando em consideração que o autor é homem isso é compreensível. Levando em consideração que ele era de esquerda e, portanto, provavelmente a favor do feminismo ou pelo menos de mais direitos para mulheres, eu confesso que esperava mais.

Mas talvez seja apenas uma forma de demonstrar que toda a limitação da situação feminina era vista pelos personagens (e talvez até pelo autor) como absolutamente normal, e portanto indigno de nota.

Mas fora essa questão, esse romance é muito carregado de drama e de discussões familiares, um pouco no estilo novela das 8, e confesso que isso também me deixou um pouco irritada. Talvez o excesso de discussões intermináveis e por motivos fúteis seja uma forma de retratar a realidade da época e do extrato social tratado no livro, mas não torna a leitura nada agradável. Se esse era o objetivo, Naguib acertou em cheio, pois a vida do beco aqui retratada é massante, repetitiva, cheia de brigas de vizinhos, pequenas e grandes tragédias e traições de todo tipo.

A falta de um personagem central também não ajuda, pois são muitas pequenas histórias para acompanhar e que se entrelaçam ao longo da narrativa. Temos a jovem Hamida, que só pensa em dinheiro e como subir de vida, sua mãe adotiva Umm Hamida, que também só quer saber de dinheiro e como tirar proveito dos casamentos que ajuda a arranjar, a Sra. Afifi, viúva e razoavelmente rica, que depois de anos sozinha resolve casar novamente, Helu, um jovem barbeiro ingênuo apaixonado por Hamida, seu melhor amigo Hussein, que só quer saber de sair do beco e viver no "mundo moderno", o pai de Hussei, Kircha, viciado em haxixe, dono do café do beco e com tendências sexuais pouco ortodoxas... ainda tem o padeiro e sua esposa, o companheiro de quarto de Helu, o dervixe que está sempre no bar, o dentista sem graduação, o malandro que vive de "criar mendigos", o dono da única empresa do beco e o grande homem espiritual a quem todos recorrem para conselhos. É muita gente! Parece novela mesmo!

Mas apesar disso tudo, é Naguib Mahfouz, e mesmo sem ser um dos seus melhores livros não pode ser classificado como ruim nem de longe.

Nota 8,5.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Miramar


SPOILER FREE

Esse livro eu li antes da hora, eu estava guardando para o próximo mês, que no Desafio Literário o tema é escritores africanos. E como o Egito fica na África, e estou cheia de livros de autores egípcios na minha estante, resolvi fazer de novembro o mês da literatura egípcia.

Mas, como precisei viajar nesse final de semana e Graphic Novels são péssimas para se levar em viagem, resolvi mexer na minha linha do tempo da leitura (tudo bem que no momento estou lendo outro livro, mas ele parece uma bíblia, portanto também não era adequado para o avião) e Naguib Mahfuz (ou Nagib Mahfouz, depende da escolha ortográfica do tradutor) saiu da prateleira mais cedo.

E que grande escolha! Tudo bem que o autor é sempre excelente (com alguns baixos, mas nunca ruim), mas Miramar é bom demais da conta! Que delícia de livro! Primeiro, ele é aquele tipo de livro em que a história é contada pela visão de diversos personagens (uns 5 na verdade), só que cada um é tão diferente do outro que parece quase outra história! E cada personagem desvenda um pouco mais sobre a sociedade e a mentalidade egípcias... parece um grande mosaico do Egito, e o mais interessante é que apesar do livro ser bem antigo (lançado em 1967 em árabe) ele ainda é muito atual, pois muitos homens ainda pensam exatamente daquele jeito por lá, a única diferença é que agora os egípcios são mais pobres e mais religiosos, o que não é bom, mas enfim. De certa forma, é bom que o autor não esteja mais por aí para ver o que está acontecendo por lá, apesar de eu morrer de curiosidade de saber o que ele diria sobre o assunto.

Mas voltando ao livro, a história se passa em Alexandria, numa época que me parece os anos 50, e conta a história dos diversos hóspedes de uma pensão chamada Miramar, como eles acabam conhecendo um ao outro (e o que eles acham um do outro também) e confusões que essa convivência acaba por trazer. Cada capítulo é contado por um dos hóspedes, que variam desde o velhinho que não tem mais para onde ir até o jovem pegador que só quer dar um jeito de levar a "menina honrada" para a cama. E no final, há um crime! Uma reviravolta simplesmente sensacional! E a ordem dos hóspedes que narram a história é de tal forma que a cada vez que um deles conta o que aconteceu você entende um pouco melhor o que houve, até desvendar o mistério!

É de se tirar o chapéu!

Nota 10 (eu tinha dado 9,9 porque a Trilogia do Cairo é melhor, mas conversei com o maridão e ele me convenceu que eu devia dar a nota máxima apesar disso pois o livro tem os requisitos para um 10 rsrsrsrs e ele como professor entende bem de dar notas... me convenceu em menos de 2 minutos mesmo sem ter lido o livro!)

terça-feira, 7 de junho de 2011

Rhadopis

SPOILER FREE


Fiquei alguns dias meditando sobre o que eu escreveria sobre esse livro... é muito difícil para mim. Depois de ler maravilhas do Naguib Mahfouz, encarar Rhadopis foi complicado.

Eu já tinha lido que a fase faraônica do autor não era lá grande coisa, mas a minha lembrança de Akhenaton é tão boa que não levei a sério o comentário. Pois eu acho que ele está certo.

Sem sombra de dúvida Rhadopis é uma obra menor dentro do universo de Mahfouz. Não só falta o estilo que ele desenvolve em outras obras que tratam da sociedade árabe, como ele parece ver a sociedade egípcia como quase árabe. Quase por conta dos alívios que ele dá na questão da mulher na sociedade.

De resto... é só trocar as saudações aos Deuses por Alá ou pelo Profeta, que até a forma de falar dos personagens é tipicamente árabe. Tudo bem que isso pode ser um problema da estrutura da língua árabe, conjugada com a tradução, mas somando-se com a forma de pensar e de agir dos personagens, não parece que você está lendo uma história do antigo Egito.

Pelo menos não do jeito que eu esperava, por conta do que já li do autor. Fiquei decepcionada.

Mas, vejam bem, isso é porque já li verdadeiras obras primas de Mahfouz. Se você ainda não leu nada dele, pode começar de olhos fechados pela sua fase faraônica, porque são bons livros. E depois você ainda pode se maravilhar com o que o autor fez de melhor, sem prejudicar sua experiência com outros títulos, que foi o que aconteceu comigo.

Nota 8.

domingo, 17 de abril de 2011

O Jardim do Passado - terceiro volume da Trilogia do Cairo

SPOILER FREE



Ufa!!!! Acabei!!!

Depois de 4 meses acompanhando a saga dessa tradicional família egípcia, terminei a Trilogia do Cairo!

E já sinto saudade dos personagens... gostoso demais isso!

Livro bom é assim, né? Você termina e fica com saudade e gosto de quero mais... mas para não saturar, já estou com outro autor na cabeceira! E dessa vez, um livro mais fino e leve, pois ainda tenho uma meta para atingir!

A Trilogia do Cairo é maravilhosa, mas é densa, daquele tipo de literatura que é mais lenta e pesada, e que você precisa mesmo de tempo para absorver em toda a sua grandeza e totalidade. Ainda mais quando se trata de uma sociedade e cultura tão diferentes da nossa, pois necessita que você abra a sua mente para compreender a forma de pensar dos personagens e o pano de fundo da história.

Para variar, o autor destila maravilhas em forma de personagens... são sentimentos, dúvidas, emoções e acontecimentos históricos deliciosamente escritos. E esse volume faz juz ao seu título... é uma ode à nostalgia! E com ela, o fim de uma saga fantástica! Nada como um bom escritor para transformar coisas absolutamente comuns em uma história tão surpreendente! E com reviravoltas que você não espera! Mahfouz acertou o ponto mais uma vez!

Já a edição... novamente, tem muitas notas de rodapé muito interessantes e instrutivas, mas peca em detalhes indesculpáveis. Eu sei que é comum a transliteração do árabe sofrer muitas variações no português, o próprio autor sofre com isso, você encontra Naguib e Nagib, e o sobrenome varia entre Mahfouz, Mafouz, Mahfuz e Mafuz. Mas isso é inaceitável dentro de um mesmo livro. Simplesmente inaceitável. Agora, não sei se esse problema é herdado da edição francesa, de onde a em português foi traduzida... mas independente disso, fica o ponto negativo. E uma mancha na editora. (BestBolso para referências futuras)

E vou parar por aqui, porque já estou com dificuldades em não dar spoilers!!!

E então, alguém já leu essa trilogia para conversar comigo? Adoraria trocar idéias!

Nota 10, porque mais do isso não tem...

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O Palácio do Desejo - Trilogia do Cairo vol 2

SPOILER FREE



Esse post chega meio atrasado, pois já terminei o livro há mais de uma semana... mas ando enrolada e só agora consegui parar para escrever.

Estou adorando a trilogia do Cairo! Que saga fascinante! Se o primeiro livro é muito bom, o segundo não fica atrás! As modificações na sociedade e nos pensamentos e comportamentos dos personagens caracterizam de forma brilhante as transformações da época! E de quebra com uma sensibilidade e delicadeza que já estão se tornando (para mim) uma marca registrada de Naguib Mahfouz!

A edição de bolso continua bem trabalhada, com notas de rodapé muito ilustrativas e que ajudam a cituar historicamente o leitor... o que é especialmente interessante para mim, que me interesso muito pela história e cultura do mundo árabe. Ver coisas que você já estudou sendo narradas na história é muito legal! Fiquei até emocionada quando o autor citou Om Kalsoum! (cantora egípcia considerada até hoje como a grande voz do Egito e de quem, obviamente, sou grande fã)

Outra coisa interessante, mas isso passa desapercebido na tradução francesa, e por consequência, na em português, é o nome dado a cada livro. Cada livro tem o nome de um bairro do Cairo antigo, onde se situa uma das casas das famílias dos personagens, e ainda por cima mostra qual será a história predominante do livro. Então, enquanto o primeiro livro se chama "Entre dois palácios" em português (o que é aceitável, dada a importância dada aos casamentos no primeiro volume), em árabe o nome do livro é o bairro onde mora o patricarca da família, e justamente onde se passa a maior parte da trama.

O segundo livro se chama o "Palácio do desejo" (alusão bem sucedida também ao cunho amoroso dado a esse volume), mas, o nome em árabe é de outro bairro, onde mora o filho mais velho do patricarca.

Já o terceiro livro se chama "O jardim do passado" (ainda estou descobrindo o porquê), e o nome em árabe é do bairro onde moram a maior parte dos netos.

Não é fantástico isso?

Infelizmente falar mais sobre os livros vai acabar dando em spoiler... mas posso dizer que, se o primeiro volume mostra as mudanças políticas que ocorrem na época, o segundo volume da trilogia é o que mostra mais claramente as mudanças culturais. Você percebe bem o choque entre as gerações, entre o novo e o antigo (não só de pensamento, mas também de tecnologia) e a luta dos jovens para modernizar o país. Tudo isso como pano de fundo para amores e aventuras amorosas, do jeito meloso que os árabes tanto gostam... o que não quer dizer que seja como nos contos de fadas, com amores que duram para sempre, vejam bem (não quero fazer propaganda enganosa também). Afinal, se trata de uma história humana.

Nota 10

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Entre dois palácios - Trilogia do Cairo vol 1

SPOILER FREE





Ufa! Acabei o primeiro livro do ano! (no domingo, já comecei os posts do ano atrasada) Também, tendo apenas uns 10 minutos para ler por dia ficou complicado ler todas as 750 páginas da edição de bolso com letras pequenininhas do primeiro volume da Trilogia do Cairo.

Vou começar dizendo que essa trilogia do egípcio Naguib Mahfouz é comparada com a obra de Dickens, de tão bom que é. Nunca li Dickens (um dia ainda dou jeito nesse defeito de caráter), mas garanto que pelo menos o primeiro volume dessa Trilogia é realmente digna de um Nobel de literatura.

Para melhorar ainda mais, fora a maestria com que o autor escreve, os personagens de Mahfouz são riquíssimos e complexos, e a história se passa no Cairo do início do século XX, descrita de uma forma lindíssima, e segundo consta, muito fiel. Além disso, a  edição de bolso da Best Bolso está cheio de notas sobre palavras árabes (especialmente roupas e comidas), personagens da época (cantores, poetas, músicos etc) e explicações de citações de filosofia e do Corão, o que dá um colorido extra muito bacana.

Confesso que o início do livro me deixou meio tensa, pois é meio devagar, nada realmente acontece, você lê apenas sobre o dia a dia dos personagens, para entender como funcionam as suas personalidades, seus desejos e angústias. O que é interessante, mas é lento. Cheguei a achar que não ia dar certo essa leitura, pensei até em desistir, pois não estava no clima para esse tipo de literatura. Mas ainda bem que resolvi insistir: valeu a pena cada palavra!

Quando a revolta se instala no Egito, na época para conseguir libertar o país dos ingleses (época fantástica para ler sobre isso não? Justamente quando está acontecendo de novo!), a história realmente começa, e aí até o final do livro é um Deus nos acuda, não dá pra parar de ler!

A vida de todos vira de cabeça para baixo, com a confusão tomando conta da cidade. As verdades e sentimentos de cada um são postos à prova. É nessa hora que os personagens mostram suas verdadeiras faces. Tudo lindamente escrito, com sentimentos belissimamente descritos e analisados. Boa literatura é coisa que alimenta a alma... ai ai...

Nota 10!

Espero que seja um bom presságio para o ano!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O ladrão e os cães

SPOILER FREE

Esse foi um livro que me chocou. Primeiro porque eu não estava exatamente no clima de ler algo no seu estilo, segundo porque não tem nada a ver com o estilo do autor, ou, pelo menos, com nada do que já havia lido dele (Noites das mil e uma noites e Akhenaton, o rei herege).

De certa forma fiquei muito impressionada com a versatilidade de Mahfouz, e depois pelo realismo da narrativa, muito diferente do que se costuma ver nos contos e romances árabes que eu tinha lido até então, onde sempre houve espaço para a "mitologia" típica árabe ou pelo menos alguma forma de interferência sobrenatural.

O ladrão e os cães é um livro pesado por seu conteúdo, focado nas piores características do ser humano e com uma história bem trágica, mas ao mesmo tempo é fácil de ler, com uma narrativa muito direta ao ponto. Destaques para a forma como os pensamentos do personagem são mostrados, fazendo com que você se sinta dentro da sua cabeça, e para o final fantástico do livro. Para mim, o final rivaliza com o estilo de Bernard Cornwell, só que é ainda mais rico.

Enfim, mesmo com o choque inicial, foi um livro que conseguiu me ganhar, me fazendo mudar de idéia, em menos de 100 páginas, o que é um feito e tanto.

Fico muito triste quando penso que o autor já se foi... mas pelo menos ainda tem muita coisa para ler dele! Mal posso esperar para pegar a sua Trilogia do Cairo!

Nota 9,5


Para maiores detalhes do autor e sua obra, vejam aqui.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Noites das mil e uma noites

SPOILER FREE

Pra variar estou ficando atrasada nas resenhas... é o momento, ando cheia de coisas pra fazer e atrasada em tudo! Mas ainda vou conseguir colocar em dia!

Como tudo começa com o primeiro passo, lá vou eu!

Esse é um livro que veio parar na minha mão quando eu estava procurando por outro, mas que resolvi levar por causa do título e pelo fato do autor ser egípcio. Que posso fazer? Adoro contos árabes!

O mais interessante é que ele trata do senso de justiça de cada um, sobre como cada um reage quando confrontado com questões éticas e morais, e chegou num momento em que eu estava precisando refletir sobre esse tema! Nem que eu quisesse teria acertado um título tão em cheio!

E como ferramenta de reflexão, a história de Naguib Mahfouz é maravilhosa! Sem perder aquele charme clássico árabe, com suas princesas, sultões e gênios saindo de garrafas! Mas os problemas tratados não são em nada fantásticos ou imaginários, ao contrário, são muito reais e aparecem com frequência na mídia: roubo, corrupção e violência.

Veio e me levantou num momento que eu precisava! Discorrer mais sobre o assunto vai acabar em spoiler...

Nota 10!