Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador Geraldine Brooks. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Geraldine Brooks. Mostrar todas as postagens

sábado, 22 de junho de 2019

O Senhor March



SPOILER FREE

O Desafio Literário Popoca de junho, com o tema um livro com um mês no título foi bem mais difícil de completar do que eu imaginava. Em compensação, me deu a oportunidade de tirar da estante um livro vencedor do Pulitzer de Melhor Ficção!

A autora australiana Geraldine Brooks, famosa por outros livros, como As memórias do livro e Nove partes do desejo, traz em March um romance histórico que retrata o que teria sido a história não contada no clássico Mulherzinhas do pai da família March.

Mr. March é um abolicionista radical e vegano, que conta através de cartas e uma espécie de diário, a sua história desde um jovem vendedor ambulante viajando pelo sul escravagista dos Estados Unidos, até o seu envolvimento na guerra de secessão, com direito a como se casou com a futura Ms. March e o nascimento de todas as personagens do clássico romance de Louisa May Alcott.

Geraldine Brooks fez um senhor trabalho histórico para escrever esse livro, com direito a estudar a família Alcott, que serviu de base para Mulherzinhas, vários descritivos da época da guerra, indo até os detalhes das batalhas mostradas no livro, a forma como os médicos trabalhavam, diários de escravos que conseguiram sua liberdade e como funcionava a rede subterrânea para escravos fugitivos. É um trabalho hercúleo, que transparece no texto do início ao fim.

Por se tratar de uma época muito conturbada, O Senhor March é uma leitura bastante pesada e, dependendo do seu estado de espírito, muito depressiva. É desconcertante ler como era considerado um ponto de vista radical, e até mesmo doentio, considerar que negros e brancos são iguais. E pior ainda, saber que muitas das asneiras racistas ditas pelos personagens desse livro continuam sendo repetidas até hoje.

Confesso que eu não estava psicologicamente preparada para esse tipo de leitura. Tive muita dificuldade de ler até o final, não porque o livro seja ruim, muito pelo contrário, existe uma razão dele ter ganho o prêmio Pulitzer. A minha questão é que eu não tive estômago para o seu conteúdo.

Fica o aviso, o livro vale a leitura, mas necessita de resiliência.

Nota 7 pela minha experiência, acredito que se tivesse lido em outro momento teria sido melhor.

domingo, 20 de maio de 2018

Nine Parts of Desire: The Hidden World of Islamic Women - Nove Partes do Desejo - O Mundo Secreto das Mulheres Islâmicas



SPOILER FREE

Virei fã da Geraldine Brooks quando li As Memórias do Livro, um livro indicado pela minha sogra. E como eu gostei muito, ela ainda me deu de presente essa preciosidade. Como esse seria um livro que eu precisaria fazer diversas anotações e apontamentos, e somando a minha campanha de trocar meus livros físicos por livros digitais (campanha ainda em andamento e de sucesso limitado por questões de amor por livros), acabei por conseguir uma versão em kindle com o texto original em inglês (vide a capa original acima).

Logo, percebe-se que esse foi um livro que já estava na minha lista de leituras há algum tempo, o que é muito normal, mas eu leio tentando diminuir a lista, que só aumenta (novamente a questão de amor por livros). De qualquer forma, finalmente ele entrou em pauta, e novamente não me arrependi de ler Geraldine Brooks.

Além de autora de romances, Geraldine foi durante muitos anos uma repórter que trabalhou exclusivamente com Oriente Médio, morando em diversos países árabes com seu marido, um judeu. Nove partes do desejo é um grande levantamento de tudo o que ela viveu e experienciou durante os anos de estadia em países como Irã, Marrocos, Iraque, Arábia Saudita e Egito.

Levando em consideração que ela é judia (por conversão por conta do casamento), eu confesso que fiquei positivamente surpresa com suas leituras e posicionamentos relativamente sem preconceito (não são 100% livres de preconceito não, preciso apontar). Por questões culturais locais, ela acabou por se relacionar muito mais com as mulheres nesses lugares, e a vida feminina no mundo árabe acabou por se tornar o seu tema principal de trabalho, o que a torna uma das poucas jornalistas que tratam especificamente desse assunto.

Dessa forma, o livro é maravilhosamente rico em informação sobre como as mulheres árabes vivem, sem fantasias orientalistas. Sendo necessário lembrar apenas que esse livro foi lançado no meio da década de 90, e alguma coisa certamente já mudou desde então, enquanto outros temas do livro parecem absolutamente contemporâneos, como a questão da permissão para mulheres sauditas dirigirem.

Fora a questão puramente jornalística, que é muito boa no livro, Geraldine inclui no seu texto diversas críticas relacionadas à questão das mulheres no mundo islâmico. Na maior parte das vezes suas críticas são feitas de forma muito construtiva e até justa. Mas infelizmente é aí que de vez em quando seu posicionamento pode se tornar um tanto quanto preconceituoso, e é necessário que o leitor exerça um certo grau de cuidado na leitura, para acabar não repetindo alguns exageros.

No geral, é um livro absolutamente maravilhoso e uma excelente fonte de informação e até mesmo de quebra de alguns paradigmas. Recomendo. E pretendo ler mais da autora.

Nota 9.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

As Memórias do Livro


SPOILER FREE

Fechando o ano com os incríveis 52 livros lidos, ficou As Memórias do Livro, uma indicação absolutamente acertada da minha sogra.

De leitura agradável e que te prende ao pular os séculos de história da Hagadá de Sarajevo, Geraldine Brooks prova o porquê de ter ganho o prêmio Pulitzer com essa obra. Sua personagem principal já seria interessante e renderia um livro sozinha, mas ela divide as atenções com um manuscrito multi-cultural e único, a tal Hagadá (livro judaico usado nas celebrações da Páscoa).

E essa Hagadá é feita de fatos improváveis e sobrevive aos momentos mais cruéis da história da Europa, desde a inquisição, passando pela segunda guerra e chegando ao conflito em Sarajevo. E ela representa em seu âmago a possibilidade da convivência pacífica de 3 religiões que vivem se digladiando: cristianismo, judaísmo e islamismo. E ela consegue esse feito por conta de pessoas comuns que fazem o que julgam certo. Tem coisa mais bonita e inspiradora do que isso?

Fechou o ano com chave de ouro!!!

Nota 9.