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quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

A Rede de Alice - The Alice Network


SPOILER FREE

Depois da rasgação de seda do nosso editor chefe no Popoca sobre A Rede de Alice, eu não resisti e peguei o livro para o Desafio Literário Popoca 2022 de novembro, com o tema ficção ou fantasia que se passem em guerras. Vou lembrar que, apesar de toda a pesquisa histórica incrível da autora norte americana Kate Quinn, o livro ainda é um romance histórico, portanto, ficcional.

Adoro pegar livros indicados, pois sei melhor onde estou me metendo. E apesar de não ter ficado tão entusiasmada com a história de Rose e Eve quanto o Tiago ficou, preciso tirar o chapéu para a autora. Gostei o suficiente para já ter incluído outros livros dela na minha lista de desejos interminável na Amazon.

A parte histórica e as descrições do período da primeira guerra estão um primor. Dá um prazer enorme ler romances históricos assim, que delícia! A divisão da narrativa entre o período da primeira guerra, com Eve como narradora, e o pós segunda guerra, com Rose como narradora, dá um dinamismo muito interessante para a leitura, o que realmente faz o livro parecer passar mais rápido.

Entretanto, confesso que passei a primeira metade do livro com vontade de pular todos os capítulos da Rose, porque os da Eve eram muito melhores e mais divertidos. Demorei muito para entrar no ritmo da história da Rose, e só realmente passei a curtir os seus capítulos já no final do livro. 

Se alguém sentir isso, vai na fé, eu prometo que o livro melhora.

Fora esse pequeno porém, faço coro com o nosso editor sobre a maravilhosa escrita da Kate Quinn, que conseguiu a proeza de aparecer duas vezes num único ano com o mesmo livro no Popoca!

Nota 8,5.

quarta-feira, 13 de abril de 2022

A pirâmide


 

SPOILER FREE

O Desafio Literário Popoca 2022 de abril tem como tema um romance histórico, e eu resolvi pegar um que se encaixa duplamente nesse quesito. O autor Ismail Kadaré é mais conhecido no Brasil por conta do filme Abril Despedaçado do que por conta de seus livros, mas, não é difícil encontrar traduções dele em português, o que mostra que o autor albanês é um tanto quanto fora da curva.

Apesar da Albânia ficar no que hoje chamamos Europa, a maioria da população do país é muçulmana, e a região ficou sob alguns séculos sob domínio do império otomano, do qual só saiu no século XX. De certa forma, isso transparece nos temas e nas narrativas de Ismail Kadaré, inclusive no texto original de Abril Despedaçado. Então, não é totalmente disparatado o autor, que não é egiptólogo, resolver escrever em A Pirâmide sobre a construção da maior pirâmide do Egito Antigo, chamada de pirâmide de Queóps, por conta do faraó que ordenou a sua construção.

Embora o enredo se passe totalmente dentro do período histórico da construção da pirâmide, o autor conseguiu fazer um retrato do que poderia ter ocorrido em qualquer época onde há uma ditadura. Numa narrativa concisa, mas poderosa, Ismail Kadaré traz à vida não apenas o Egito Antigo e diversas figuras históricas, mas também todo o clima do que poderia ser viver sob um regime e uma a figura tão dura quanto um faraó.

O melhor é que ele não escolhe o tema à toa, pouco antes dele escrever A Pirâmide, o secretário do partido comunista da Albânia, Enver Hoxha, que ficou em diversas posições no poder por cerca de 40 anos, havia mandado construir uma pirâmide na capital do país, Tirania. A pirâmide depois virou um museu, e durante a guerra de Kosovo foi uma base da OTAN, e durante muito tempo foi chamada de mausoléu de Enver Hoxha, porque ele faleceu na época da sua conclusão, apesar de não ter sido enterrado lá.

A pirâmide de Tirania

Por conta desse livro (e provavelmente de outros também), que só foi editado mesmo depois da queda do comunismo na Albânia, Ismail Kadaré se exilou na França, o que mostra o quão certeiro é o seu texto. Que, no final, é duplamente romance histórico, é um retrato do Egito Antigo e um retrato da Albânia dos anos 80. O autor é bom assim, vale a pena ler qualquer coisa dele, mas A Pirâmide é realmente especial.

Nota 10.

terça-feira, 30 de novembro de 2021

Coffee will make you black

SPOILER FREE

Para o Desafio Literário Popoca 2021 de novembro, com o tema protagonista negro, escolhi um já quase clássico da autora norte americana April Sinclair, Coffee will make you black. Apesar do livro ter sido lançado em 1994, até hoje não foi traduzido para o português, então, traduzo eu mesma o título: Café vai fazer você ficar preto

Pode parecer estranho, mas o título se refere a um dito popular dos EUA, especialmente nos séculos XIX e XX, que se dizia para as crianças não quererem beber café, para que ficassem com medo de escurecer sua pele. Em outras palavras, o título desse livro sozinho já diz muita coisa e a quê ele se propõe.

April Sinclair, criada em Chicago durante o movimento dos direitos civis dos negros americanos, traz a história de Stevie, uma jovem negra que começa o livro com 12 anos, e que vive durante os anos 60, bem no meio do movimento Black Power. A narrativa é toda centrada no ponto de vista de Stevie, que mesmo sendo uma leitora voraz e boa aluna, quer muito ser considerada cool

Apesar do pano de fundo político forte e do tema constante do racismo institucional dos EUA, a história de Stevie é de uma jovem se descobrindo, brigando com sua mãe, tentando fazer e manter amizades e conseguir um namorado. Talvez hoje seja meio clichê já, mas esse é o livro mais antigo que já li com esse tema onde praticamente todos os personagens são negros e que não é uma autobiografia.

Dentro do tema criança virando adolescente e se descobrindo, Coffee will make you black é um volume bem dentro do esperado, bem escrito, com questões típicas, mas muito abrangente, porque a autora não fica só no basicão. Ela inclui por exemplo, questões de descoberta da sexualidade que não eram muito comuns em livros publicados nos anos 90. 

Entretanto, o pano de fundo do movimento dos direitos civis e a questão do racismo trazem um peso para a trama que o leitor precisa estar disposto a enfrentar. Além disso, mesmo em inglês a leitura não é das mais simples, porque April caprichou nas gírias da época, o que, pessoalmente, eu gosto, porque data a história sendo contada, o que é mesmo o objetivo, mas, por outro lado pode deixar a leitura mais lenta.

No geral, é um excelente livro, e estou animada para pegar o volume seguinte, pois é uma duologia. Mal posso esperar para ver para onde vai a história de Stevie em Ain't gona be the same fool twice!

Nota 9,5.


domingo, 4 de julho de 2021

The Plastic Magician (The Paper Magician #4)

 


SPOILER FREE

Depois de ter lido a trilogia de Magia de Papel e querer jogar o kindle contra a parede durante a leitura do último volume, só peguei The Plastic Magician porque se passa no mesmo mundo, mas traz outra personagem principal. E o melhor, não tem continuação. Em tempo, o livro foi lançado em 2018 e ainda não tem tradução para o português, imagino que a culpa seja do pouco sucesso de Magia Suprema.

Apesar de ter sido um tiro no escuro, considerando o histórico da autora Charlie N. Holmberg nessa série, acho que foi uma decisão muito acertada. De todos os livros ligados à série Magia de Papel, a história de Alvie Brechenmacher é de longe a melhor, e The Plastic Magician é o meu volume favorito.

Dessa vez, a autora traz a história de uma menina do interior dos Estados Unidos que consegue passar nas avaliações para se tornar uma estudante de Magia. Filha de um industrial, fã de matemática e extremamente nerd para a época, além de fã de calças, Alvie é uma personagem simplesmente adorável.

Além de uma personagem principal fofíssima, The Plastic Magician traz um enredo em torno da ciência e da experimentação, e como esse tipo de corrida pelas novidades no mundo ainda a ser explorado da magia do plástico pode levar as pessoas à ganância extrema. Então, The Plastic Magician ainda tem um jeito mais para o mistério e espionagem industrial do que para a aventura pura e simples. 

Para não dizer que ele não tem ligação absolutamente nenhuma com os livros anteriores, a autora fez um uso bastante interessante dos personagens que conhecemos nos volumes de Magia de Papel. Mas o enredo ocorre em torno de personagens novos e que dão todo um colorido muito diferente. Além disso, somos apresentados à forma como a Magia é aceita em outros lugares do mundo, fora da mãe Inglaterra, e como ela convive com a industrialização.

Se eu soubesse, tinha pulado o terceiro livro e ido direto para esse, ou então nem teria lido a série anterior, porque a leitura não é necessária para gostar de The Plastic Magician.

Gostei tanto que voltei a me animar a ler outras coisas da autora, que é bastante prolífica e já tem várias outras séries na lista de best-sellers. Para as editoras, fica a dica de traduzir, para os leitores, vale o esforço no inglês.

Nota 9.

Magia Suprema - The Master Magician (The Paper Magician #3)


 

SPOILER FREE

Depois de um primeiro livro surpreendentemente fofo e interessante, um segundo livro que deixa bastante a desejar, a autora Charlie N. Holmberg termina sua trilogia The Paper Magician com Magia Suprema, como ficou o nome traduzido pela editora Passaporte no Brasil.

Apesar dos direitos comprados pela Disney, uma busca rápida mostra que o terceiro volume da série fez muito pouco sucesso, nem nas livrarias é muito fácil de encontrar, o que não é um bom sinal. O final da saga de Ceony se passa no final da sua aprendizagem com Thane, e ela está pronta para fazer seu teste final para ganhar o título de Maga de Papel.

O que ela esconde do seu mentor, é que ela tem realizado experiências com o que ela aprendeu no final do segundo livro, o que deixa a situação mais complicada quando Thane decide que Ceony vai fazer seu teste com outro Mago de Papel, para que ninguém possa questionar as suas habilidades. Isso porque o relacionamento dos dois já está um tanto quanto público.

E é aí que tudo começa a desandar no enredo de Magia Suprema. Além do clichê chatérrimo do relacionamento entre professor e aluna, que particularmente eu já não curto, não sei o que deu na cabeça da autora, mas Ceony está absolutamente insuportável. A forma como ela trata o outro Mago que vai aplicar o teste é de um desrespeito profundo para uma história que se passa no final do século XIX início do século XX, e, sinceramente, é muito gratuito. O outro cara tem problemas, mas nada que acontece justifica o que Ceony faz. Beira o absurdo.

Para piorar a situação, o único sobrevivente da gangue da vilã do primeiro livro foge da prisão, e mesmo sabendo que o cara não está atrás dela, nem da sua família, Ceony resolve que ela precisa saber onde ele está e que ela é a única que vai conseguir prendê-lo. Oi? Chamando da terra para Charlie e seus editores, não tinha uma desculpa melhor não, além de pura teimosia, pra fazer esse enredo andar?

Fazia muito tempo que eu não sentia tanto ódio de uma personagem principal, e nem é um ódio interessante, é porque ela é simplesmente estúpida e não faz sentido interno. Ceony era para ser inteligente, a frente do seu tempo, e um tanto quanto durona. Ou pelo menos é isso que os primeiros livros vendem dela. Mas aqui ela é só ignorante, arrogante ao extremo e ao mesmo tempo de uma inocência que não combina com ela. Em outras palavras, falta coerência à personagem.

Não sou daquelas leitoras que precisam amar as personagens para gostar de um livro, mas um pouco de sentido é necessário para tornar a história crível e interessante. Passar o livro inteiro querendo revirar os olhos não é uma sensação legal. Dá só vontade de pular página pra acabar logo a tortura.

Enfim, uma grande pena, porque o mundo criado por Charlie N. Holmberg tem muito potencial. Estou começando a entender porque a Disney ainda não tem um projeto fechado, pois precisa de muito ajuste pra aproveitar essa história até o final. Algo como reescrever o terceiro livro inteiro, isso se quiser ir até o final, pode ajustar o segundo livro e terminar ali. Ou só aproveitar o mundo criado e fazer histórias do zero. De qualquer forma, acho que é mais trabalho que estavam imaginando quando saiu o primeiro volume.

Nota 4.

domingo, 27 de junho de 2021

Magia de Vidro - The Glass Magician (The Paper Magician #2)

 


SPOILER FREE

Como não consigo dar conta da realidade brasileira que mais parece ficção de mau gosto, peguei para ler a continuação de Magia de Papel, a série da escritora americana Charlie N.Holmberg, que teve os direitos comprado pela Disney. Ainda tenho esperanças de ver a história de Ceony no Disney+!

Em Magia de Vidro, a história retoma poucas semanas depois do primeiro volume, e Ceony está de volta às aulas com Emery Thane para se tornar uma maga de papel. A questão é que ela não sabe bem o que aconteceu no final do livro anterior, quando ela conseguiu pegar de volta o coração do seu professor, e pior ainda, ela e Thane ainda não conseguiram conversar sobre o que aconteceu durante a sua visita no coração e o que foi dito ali.

Além disso, Ceony pode ter derrotado Lira, a vilã do primeiro livro, mas ela fazia parte de um grupo, e agora, seus colegas estão atrás dela para tentar desfazer o que ela fez. Nisso, Ceony acaba se envolvendo em diversos acidentes, nada acidentais, e logo fica claro que algo fora do comum está acontecendo. Thane e outros magos, inclusive da polícia mágica se envolvem e o drama se desenrola.

Assim como Magia de Papel, Magia de Vidro é bastante agitado, com muita ação, e Ceony se vira bem sozinha. A ambientação é maravilhosa, e dessa vez a autora explora bem mais os demais tipo de magia, de vidro, de fogo, de metal... vai ficar maravilhoso nas telas. 

Entretanto, Charlie N. Holmberg não fez um bom trabalho com os clichês, que são muito muito muito comuns. Paixonite entre aprendiz e professor? Sim. Jovem tomando decisões precipitadas porque não confia nos mais velhos? Sim. Vilão bem malvadão e simplista no quesito razões para ser mau? Sim.

Enfim, é um festival de mais do mesmo, mas num mundo interessante. O que salva certamente é o mundo interessante. 

Espero que façam uma boa adaptação para TV ou cinema. Pode trocar até a história e os personagens, eu não ligo, eu quero ver é esse mundo lindão que Charlie criou.

Nota 7.

quarta-feira, 16 de junho de 2021

Magia de Papel - The Paper Magician

SPOILER FREE

E finalmente tirei da estante o primeiro livro da série Magia de Papel, como o título foi publicado no Brasil pela editora Passaporte. A série, a primeira da autora americana Charlie N. Holmberg, foi um grande sucesso pelo mundo, e teve os direitos adquiridos pela Disney em 2016. Após anos de boatos de como seria ou não seria feita a produção dos filmes baseados nos livros, agora a história da vez é que a adaptação será em formato de série para o Disney+. Só o tempo dirá.

Até lá, temos uma trilogia de livros e um spinoff.

Magia de Papel é um romance de fantasia histórico, o enredo se passa na Inglaterra no final do século XIX, início do XX, e nesse mundo o ser humano é capaz de fazer magia com materiais criados por ele mesmo. A escola de magia Tagis Praff, onde estudou nossa protagonista Ceony Twill, forma aprendizes para os mais diversos tipos de magia, entre eles, papel, vidro, metal, fogo e o tipo mais novo, plástico. Ceony, apesar de ser a primeira da sua turma, é obrigada a fazer sua formação como maga de papel, acabando com seus sonhos de estudar metal, visto que os magos só podem fazer magia de um único tipo de material e os magos de papel estão quase que em extinção.

Bastante insatisfeita com a situação, Ceony é colocada sob a tutela do mago Emery Thane, que tem um passado pouco conhecido, mas, sendo um dos pouquíssimos magos de papel ainda vivos, está recebendo novamente aprendizes. E nas aulas com Thane, Ceony descobre as maravilhas do mundo da magia do papel, até que uma praticante de uma magia proibida, que manipula corpos humanos, ataca o seu professor e rouba, literalmente, o seu coração. Para salvar Thane, a heroína embarca numa corrida contra o tempo para recuperar o coração do seu mestre antes que o seu corpo não resista.

Lendo o livro é bastante claro porquê a Disney comprou os direitos para fazer uma adaptação. O visual desse enredo é simplesmente bárbaro e deve ficar fascinante nas telas. Quero muito ver isso em filme ou série de streaming, vai ficar muito lindo. Além de descrições interessantíssimas dos tipos de magia desse mundo alternativo, a história de Ceony é muito fofa, e toda a aventura é muito bem pensada e bem escrita. Magia de Papel é uma delícia de ler.

Tem lá os seus defeitos por conta de clichês (vários deles), é verdade, mas a originalidade do resto do enredo faz parecer que esses são problemas menores. O resultado é uma leitura instigante, rápida e divertida, com uma dose razoável de adrenalina.

Por ser um livro young adult mais para infantojuvenil, é o tipo de história que eu vejo facilmente sendo adaptada pela Disney. Espero realmente que o projeto saia do papel, trocadilho proposital.

Nota 8,5.

domingo, 27 de dezembro de 2020

Para Sir Phillip, com amor - To Sir Phillip, With Love (Bridgertons #5)

 


SPOILER FREE

Com o lançamento da série Bridgertons no Netflix voltei a me animar em continuar a saga dos irmãos Bridgertons. É uma leitura que tem me levado alguns anos... depois de ler 3 volumes seguidinhos em 2015, só voltei a ler a série da Julia Quinn agora em 2020. Coloco a culpa disso na inconsistência da série.

Depois de um quarto volume acima da média da série, eu estava curiosa com Para Sir Phillip, com amor, até porque o livro anterior dá spoiler dele. Expectativa muitas vezes é o que acaba com uma leitura.

Não que Para Sir Phillip, com amor seja ruim, definitivamente não é. Está bem dentro do padrão da série, tanto no quesito humor quanto no quesito cenas picantes. Mas, a história é baseada numa ação da personagem principal, dessa vez é Eloise Bridgerton, que não faz sentido para ela. Se você relevar o ato de burrice que não combina com ela e que faz todo o enredo possível de acontecer, o livro é extremamente divertido.

Novamente Julia Quinn resolveu trazer à tona outra questão social interessante, se no quarto livro era a idade que se esperava que mulheres deveriam casar, dessa vez o grande tema é depressão e casamentos arranjados. Nesse sentido, acho que é o livro mais pesado da série, com momentos bastante tristes, contrapondo com o ar comédia que a série tem em geral, o que torna esse volume bastante diferente.

Na média o livro é muito bom, e dentro do que se espera da série Bridgertons, mas, eu simplesmente não consigo perdoar a decisão da autora de fazer a Eloise deixar de ser ela mesma pra fazer burrice só para o enredo andar. Até porque, com um pouco mais de trabalho, era possível contar a mesma história de uma forma mais adequada para a personagem, foi preguiça mesmo. Pecado capital em livros seriados.

Nota 7.



domingo, 29 de novembro de 2020

Meio sol amarelo - Half of a Yellow Sun


 

SPOILER FREE

Para terminar o Desafio Literário 2020 de novembro, com o tema autores africanos, resolvi ostentar e fechar com chave de ouro, com a sensação nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie.

Adichie é uma das autoras africanas mais conhecidas e aclamadas atualmente, com diversos livros na lista de best-seller e sempre muito bem recebida pela crítica. Há rumores de que um dia há de ganhar um Nobel, sente o poder da mulher.

Meio sol amarelo foi o segundo romance publicado pela autora, em 2006, e também foi muito bem recebido, ganhando os prêmios Anisfield-Wolf Book Award (2007), PEN Open Book Awards (2007), Baileys Women's Prize for Fiction (2007) e Best of the Best (2015), um prêmio especial do Baileys Women's Prize for Fiction. O livro fez tanto sucesso que foi traduzido em 37 idiomas e virou um filme nigeriano em 2014, que não fez tanto sucesso, com os críticos dizendo que não fazia jus ao material original.

Esse foi meu primeiro livro da autora que eu diria que é um romance histórico, pois traz sob a ótica dos seus personagens um dos eventos históricos mais marcantes do século XX na Nigéria, a guerra civil da independência de Biafra. Biafra o país, não o cantor. O que, para bons entendedores era para ser óbvio pelo título da obra, que descreve a bandeira de Biafra. Eu como boa ignorante da história da Nigéria, confesso que não tinha a menor ideia, e quando saquei que o livro teria como pano de fundo uma coisa tão triste e violenta, já estava mergulhada na leitura e, mesmo com a pandemia e uma tentativa de ler coisas mais leves, não consegui parar.


A escrita de Chimamanda é simplesmente poderosa, e o romance ganha profundidades que vão muito além da história da guerra civil e suas consequências. Adichie trata de política, de relacionamentos familiares e amorosos, problemas entre as diversas etnias que compõe a Nigéria, as atrocidades da guerra, colonialismo, o papel da educação e a luta de classes. E ela faz isso tudo caber e te emocionar em 560 páginas.

Confesso que ao longo da leitura dei uma pesquisada sobre a guerra de Biafra para me situar melhor, porque fiquei muito curiosa, eu nunca tinha lido sobre o assunto, mas lembro de já ter ouvido falar pela geração dos meus pais (a guerra durou de 67 a 70, e foi um grande escândalo, com uma das primeiras grandes campanhas mundiais contra a fome). Não só isso, mas me ajudou a entender mais o país hoje, que ainda tem dissidências relacionadas a Biafra, com grandes manifestações pedindo novamente por sua independência agora em junho de 2020.

Nada disso era necessário para apreciar o livro, diga-se de passagem. Mas esse tipo de leitura, que escancara a minha própria ignorância, me faz querer saber mais, o que eu gosto, porque me faz estudar.

E Adichie consegue tratar desse tema, que poderia ser um grande clichê, de uma forma muito original. Você se envolve no seu enredo muito mais por causa dos personagens do que por causa da guerra. É um livro extremamente nigeriano, com um tema extremamente nigeriano, mas que foge da literatura exótica que muitas vezes é o que vende ou chama atenção ou que se espera de lugares como a África. Uma grande obra, extremamente humana, com a marca do capricho literário da autora.

Vale cada página.

Nota 10.

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Romancing Mister Bridgerton (Bridgertons #4) - Os Segredos de Colin Bridgerton



SPOILER FREE

Depois de quase 5 anos sem ler nada da série dos Bridgertons, da escritora americana Julia Quinn, resolvi que a quarentena era uma ótima oportunidade para retomar. Confesso que precisei revisitar as minhas resenhas anteriores para lembrar o que achei da série. Mas para ler o livro não foi necessário, todos os volumes funcionam bem de forma independente.

O quarto livro da série é muito divertido, pelas minhas resenhas anteriores está mais ou menos no mesmo nível do terceiro volume. Dessa vez, o Bridgerton a ser perseguido é Colin, o terceiro filho da família com 8 irmãos, cujas crianças são nomeadas em ordem alfabética (Anthony, Benedict, Colin, Daphne, Elaine, Francesca, Gregory e Hyacinth). Como bom romance de época, a ordem dos livros não é bem etária, visto que as mulheres costumavam casar mais cedo.

Para fazer par com Colin, aparece Penelope, uma personagem presente desde o primeiro livro, mas que até então não tinha recebido muita atenção. Diferentemente dos livros anteriores, aqui Julia Quinn não trata apenas de um romance água com açúcar, mas também de uma questão social interessante da época, que é as mulheres consideradas velhas demais para casar. 

Depois de aparecer em 3 volumes, e somando-se o tempo entre eles, a pobre Penelope já é considerada solteirona, já nem tendo mais aquela pressão social para caçar marido. Sua família já aceitou que ela nunca vai ser casar. Diferentemente, Colin, por ser solteiro, e considerado um tanto velho para manter esse status, sofre mais pressão do que nunca para escolher uma noiva, o que o leva a viver fora de Londres, sempre viajando.

O fofo é que depois de anos fora, Colin simplesmente não consegue entender porque ninguém espera que Penelope arranje um bom partido. Gracinha, né? E a partir daí eles entram numa espécie de jogo de gato e rato bastante interessante.

Enfim, o livro tem a quantidade certa de piadas, uma pequena dose de crítica social, uma pitada de cenas mais românticas (não chega aos pés do primeiro livro, infelizmente, pelo o que me lembro) e ainda é revelado o mistério da identidade de Lady Whistledown, outra personagem presente desde o primeiro volume, responsável por parte do humor da série. Gostei do desfecho? Sim, mas me preocupa a falta da personagem nos livros seguintes.

Dentro do gênero romance água com açúcar com uma dose de erotismo, Julia Quinn faz um bom trabalho. A escrita é fluida, as cenas picantes interessantes e um humor bastante afiado. Melhor que a média do gênero, mas nenhuma obra prima. Para quem curte esse tipo de livro é um prato cheio e de qualidade! Fica a dica.

Nota 8.

domingo, 30 de junho de 2019

Z: A Novel of Zelda Fitzgerald



SPOILER FREE

O Desafio Literário Corujesco de julho (resolvi me adiantar um pouquinho) tem como tema um livro ambientado nos anos 20. Claro que o primeiro que me veio a cabeça foi Gastby, mas eu já li o clássico. Então encontrei no meu Kindle esse romance histórico que conta a história de Zelda Fitzgerald, esposa do autor de Gatsby, F. Scott Fitzgerald.

Confesso que eu não sabia nada da história dela, e que ao longo da leitura resolvi dar uma pesquisada. Fiquei muito impressionada com a história de Zelda, a primeira flapper, artista por si só, mas que foi totalmente ofuscada e, porque não dizer, plagiada pelo marido. Ela foi a síntese do que era a loucura dos anos 20, não se pode negar, e ela pagou um preço bastante caro por isso, tendo sido diagnosticada com esquizofrenia (o que tem sido questionado hoje em dia) e internada diversas vezes em manicômios. Sim, aqueles aterrorizantes do início do século XX, com aqueles tratamentos bizarros.

Sua morte é uma coisa totalmente sem sentido. E vou deixar quem quiser pesquisar, é muita tragédia.

Mas Zelda teve uma vida incrível, no meio da nata artística do entre guerras. E como ela colaborou, querendo ou não, diretamente ou não, com toda a produção do seu marido mais famoso. Eu não tinha a menor ideia de que ele tinha usado literalmente pedaços do diário e das cartas da esposa nos seus livros. Fiquei chocada.

Mas Z: A Novel of Zelda Fitzgerald, apesar de ainda não ter sido traduzido para o português, faz um excelente trabalho em contar a história dessa mulher tão interessante. Sendo um romance histórico, eu confesso que esperava que as partes do livro que trazem cartas de Zelda fossem reais, mas, a autora explica ao final que não, apesar das suas leituras e pesquisas terem incluído esse material. Como eu nunca li nada da Zelda Fiztgerald, não tenho como avaliar o quão próximo do material original elas são.

Como a própria autora, Therese Anne Fowler, conta, as pessoas que estudam a história dos Fitzgeralds se dividem em 2 tipos, o time Zelda e o time Scott. Aviso logo que o resultado de Z está do lado de Zelda, claro. E aparentemente, essa obra, juntamente com outras biografias de Zelda mais modernas, tem feito muitos historiadores repensarem o seu posicionamento nesses times. 

Imagine como teria sido para Zelda, uma mulher bastante a frente do seu tempo, mas casada com um alcoólatra que faz uso da sua vida particular para escrever, ter que se submeter ao marido, que a cada momento quer que ela tenha uma postura completamente diferente? Um momento ele quer fazer uso dos seus dons artísticos, no momento seguinte não quer que ela tenha a ambição de ser artista. É realmente de acabar com a sanidade mental de alguém. Acrescente a isso a quantidade enlouquecida de bebida que os dois bebiam, incluindo aí muito absinto, e temos uma receita para um desastre.

Nesse quesito, o romance histórico de Therese é maravilhoso. Você realmente se sente envolvido naquela época e com aqueles personagens, que no fundo são muito, muito reais. Fiquei bastante impressionada.

Nota 9.

sábado, 22 de junho de 2019

O Senhor March



SPOILER FREE

O Desafio Literário Popoca de junho, com o tema um livro com um mês no título foi bem mais difícil de completar do que eu imaginava. Em compensação, me deu a oportunidade de tirar da estante um livro vencedor do Pulitzer de Melhor Ficção!

A autora australiana Geraldine Brooks, famosa por outros livros, como As memórias do livro e Nove partes do desejo, traz em March um romance histórico que retrata o que teria sido a história não contada no clássico Mulherzinhas do pai da família March.

Mr. March é um abolicionista radical e vegano, que conta através de cartas e uma espécie de diário, a sua história desde um jovem vendedor ambulante viajando pelo sul escravagista dos Estados Unidos, até o seu envolvimento na guerra de secessão, com direito a como se casou com a futura Ms. March e o nascimento de todas as personagens do clássico romance de Louisa May Alcott.

Geraldine Brooks fez um senhor trabalho histórico para escrever esse livro, com direito a estudar a família Alcott, que serviu de base para Mulherzinhas, vários descritivos da época da guerra, indo até os detalhes das batalhas mostradas no livro, a forma como os médicos trabalhavam, diários de escravos que conseguiram sua liberdade e como funcionava a rede subterrânea para escravos fugitivos. É um trabalho hercúleo, que transparece no texto do início ao fim.

Por se tratar de uma época muito conturbada, O Senhor March é uma leitura bastante pesada e, dependendo do seu estado de espírito, muito depressiva. É desconcertante ler como era considerado um ponto de vista radical, e até mesmo doentio, considerar que negros e brancos são iguais. E pior ainda, saber que muitas das asneiras racistas ditas pelos personagens desse livro continuam sendo repetidas até hoje.

Confesso que eu não estava psicologicamente preparada para esse tipo de leitura. Tive muita dificuldade de ler até o final, não porque o livro seja ruim, muito pelo contrário, existe uma razão dele ter ganho o prêmio Pulitzer. A minha questão é que eu não tive estômago para o seu conteúdo.

Fica o aviso, o livro vale a leitura, mas necessita de resiliência.

Nota 7 pela minha experiência, acredito que se tivesse lido em outro momento teria sido melhor.

domingo, 23 de setembro de 2018

The Girl You Left Behind - A Garota Que Você Deixou Para Trás



SPOILER FREE

Esse foi meu primeiro livro da escritora britânica Jojo Moyes. Confesso que ele ficou um certo exagero de tempo na minha lista de livros para ler, apesar de eu ter ganho de presente de uma amiga que costuma acertar em cheio nas indicações para mim.

Publicado originalmente em 2012 e pouco depois em português no Brasil, The Girl you Left Behind é um romance histórico belíssimo e cheio de nuances e camadas interessantes. A história se passa de forma alternada entre 1917 e 2000 e pouco, contada pela Sophie, uma francesa casada com um pintor que cuida de um hotel quase abandonado numa cidade no interior da França ocupada pelos alemães durante a Primeira Guerra, e por Liv, uma viúva com dificuldades financeiras no século XXI. Tudo isso tendo como pano de fundo dívidas históricas causadas pelos alemães durante a Segunda Guerra.

As questões levantadas por cada época são muito interessantes e desafiam o que podemos chamar de certo e errado, afinal de contas, até onde vai o correto em tempos de guerra? O que cada um está disposto a sacrificar para salvar entes queridos? Como podemos julgar as pessoas que fizeram o que acharam que era certo para ajudar os outros, mas para isso quebraram paradigmas? Qual o valor de algo intangível como o amor por uma pintura ou pela pessoa retratada? O que vale mais?

É tanto sentimento junto e misturado, incluindo aí questões ligadas a Segunda Guerra, que na história é o que justifica as decisões judiciais para retornar diversas obras de arte para os seus donos pré-guerra, é simplesmente impressionante que a autora consiga trabalhar tudo. Mas Jojo Moyes consegue. É de tirar o chapéu.

O seu trabalho é tão bom que ela consegue criticar as pessoas que justificam qualquer coisa ao relacionar à segunda guerra por puro desconhecimento histórico (ou de maldade) sem parecer ser mau caráter. Vamos combinar que não é uma coisa fácil de fazer. Os palestinos que o digam.

E isso sem diminuir o que ocorreu na Segunda Guerra, que não deve jamais ser diminuído ou esquecido, vide o que está acontecendo com os novos movimentos fascistas surgindo pelo mundo, notadamente na Europa, Estados Unidos e Brasil inclusive. Livros como The Girl You Left Behind nos fazem lembrar horrores que deveriam server de guia do que devemos evitar repetir a qualquer custo.

Mais pessoas precisam ler esse tipo de livro.

Nota 10.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Guinevere: The Legend in Autumn (Guinevere #3)



SPOILER FREE

Esse é o livro culpado pelo meu atraso nas resenhas. Fiquei algumas semanas fugindo de escrever a resenha dele.

Como último livro da trilogia sobre a Guinevere que já havia me deixado feliz e triste ao mesmo tempo (veja as resenhas anteriores aqui e aqui), posso dizer que ele realmente faz parte dessa trilogia. Isto é, possui exatamente os mesmos problemas, talvez um pouco mais intensamente.

Minha questão com o livro não é o fato de ser triste, veja bem, estamos falando da saga do Rei Arthur, ninguém espera um final feliz, certo? Mas a questão é a construção desse final. Tem o problema da narradora, a própria Guinevere, que como até brincaram comigo quando reclamei para meus amigos, deve sofrer de algum tipo de doença neural degenerativa quando resolveu contar a história, porque ela nunca sabe se está contando algo que aconteceu há muitos anos ou está acontecendo no momento. Como o foco não é uma possível doença da narradora, isso só torna a leitura confusa e chata.

Outro problema é a escolha entre os momentos da história para alternar a leitura, numa tentativa de fazer a leitura mais dinâmica e prender o leitor. Sim, isso é uma técnica, leia Dan Brown para ver exemplos gritantes disso. O problema aqui foi a escolha da autora, entre um momento super empolgante e cheio de adrenalina e outro em que NADA acontece. Isso dura metade do livro, METADE. A outra metade é só muito, muito, muito deprê. E não é só por causa dos acontecimentos, mas também por conta das atitudes da Guinevere, que não parece mais a mesma personagem forte dos livros anteriores. Muito triste quando isso acontece assim, na ordem contrária do que seria bacana de ler.

Sendo muito boazinha, nota 6.

Nota da série: 6,5.

segunda-feira, 12 de março de 2018

Queen of the Summer Stars (Guinevere #2)



SPOILER FREE

Acabei escolhendo a trilogia da autora Persia Woolley sobre a Guinevere para o tema do desafio literário de março, que pede livros sobre uma estação ou com uma estação no título. Como eu já gosto de versões da história do Rei Arthur e a trilogia foi indicada por uma amiga minha, não tinha muita dúvida.

A trilogia chegou a ser publicada também em português, mas está esgotada e agora só procurando muito em sebos.

Apesar de eu ter achado o primeiro livro da trilogia interessante, mas deixando a desejar em alguns aspectos (para detalhes, leia aqui), resolvi ler os demais livros da série. E valeu a pena! O segundo livro, "Rainha das Estrelas de Verão" (em tradução livre), é bem mais interessante que o primeiro em termos técnicos. Ainda não é uma obra prima literária, mas a leitura incomoda menos com relação aos problemas do primeiro volume. Mas aviso que o livro também é em primeira pessoa, para quem não gosta desse estilo já ficar sabendo de antemão.

Além disso, aqui Guinevere já é rainha, e já está se mostrando mais esperta nas questões diplomáticas da corte, apesar de cometer uns deslizes de vez em quando, como qualquer pessoa. Alguns com consequências maiores, outros menores. É nesse volume que ela desabrocha como mulher, rainha e personagem, ganhando mais profundidade e finalmente surgindo passagens bastante clássicas nas lendas arturianas. Como a questão entre Artur, Guinevere e Lancelote. E, eu não sabia que era uma passagem clássica, mas descobri na introdução do livro, a questão do rapto e desfecho desse rapto de Guinevere (como eu não sabia, vou supor que outros também não sabem e manter o suspense).

Diversos outros marcos militares estão nesse volume da trilogia, e nesse sentido o livro não entra em tantos detalhes justamente porque o ponto de vista da história continua sendo da Guinevere, que não participa pessoalmente das grandes batalhas, apesar dela testemunhar algum grau de violência, claro. Outra opção da autora pelo clássico, é a forma como ela retrata a Morgana das Fadas, que não lembra em quase nada a famosa descrição da personagem em Brumas de Avalon.

Nesse sentido, a quantidade de personagens femininas más me incomodou um pouco. Apesar do livro ter lá a sua leva de personagens masculinos maldosos, na maioria das vezes eles são violentos ou conquistadores de terras, não exatamente maus. Com uma grande exceção que talvez compense o desequilíbrio final das coisas. Pelo menos até o final do segundo livro da trilogia, vai que no terceiro as coisas voltem a se nivelar?

No mais, a leitura é agradável e tem passagens de grande suspense que não dá para parar de ler, o que é sempre um bom sinal num livro. A escrita melhorou, apesar de ainda ter algumas questões, especialmente os erros de digitação, que eu não sei como estão nas versões impressas ou traduzidas, visto que li no kindle.

Vale uma nota 8.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Child of the Northern Spring (Guinevere #1)

 
 

SPOILER FREE

Acabei escolhendo a trilogia da autora Persia Woolley sobre a Guinevere para o tema do desafio literário de março, que pede livros sobre uma estação ou com uma estação no título. Como eu já gosto de versões da história do Rei Arthur e a trilogia foi indicada por uma amiga minha, não tinha muita dúvida.

O livro chegou a ser lançado em português como "Filha da primavera", mas infelizmente está esgotado e só é encontrado em sebos. Mas, para os amantes de histórias arturianas, fica a dica.

Nesse primeiro volume da trilogia a autora nos apresenta a infância de Guinevere, e como ela foi escolhida para se casar com o Rei Arthur, e a história vai até a criação da Távola Redonda. A história é contada pela própria Guinevere, e até pouco mais da metade do livro é recheada de flashbacks. O que foi um artifício interessante escolhido pela autora para manter a escrita em primeira pessoa e só passar pelos episódios importantes, além de preencher o tempo e mostrar a transformação interna da personagem no seu caminho de casa até o casamento.

Uma das características interessantes do trabalho da Persia é que ela escolheu contar uma versão historicamente correta da lenda. Isto é, ela fez toda uma pesquisa sobre como se vivia na época, quais lugares existiam e em que estado estavam e o que se fazia em termos de alimentos, comércio, roupas, transportes etc. Só isso já torna a leitura muito interessante.

Agora soma-se a isso o fato que a época em que se diz que poderia ter existido a corte de Arthur foi de transformação. Nessa época a Inglaterra estava dividida entre seguidores de diversas religiões pagãs e cristãos, e muitas vezes eles conviviam de forma bastante pacífica. Também nesse período ainda não havia sido amplamente implantada a cultura de que a mulher deve ficar reclusa em casa (isso em termos de mulheres de status, claro, pobre nunca teve esse problema), e ainda era comum encontrar mulheres nobres que entendiam de estratégia militar, comércio e cavalos.

E fazendo uso de toda essa gama de possibilidades, Persia criou uma Guinevere marcante, de personalidade forte e excelente cavaleira. Uma delícia de se ler sobre ela, pois é uma personagem fascinante. De forma geral, as escolhas da autora para as personagens foram todas muito interessantes e felizes, pois elas compõe um mosaico bastante diverso, mas coeso dentro da história. E na versão para kindle que eu tenho, o livro ainda tem diversas explicações da autora sobre as suas pesquisas e as razões para essas escolhas. É muito bom ter essa possibilidade do autor não só contar a sua história mas também apresentá-la.

Em compensação, a qualidade do texto em si não é tão fantástica. A escolha da primeira pessoa em si não é ruim, mas a autora acaba por cometer uns deslizes. Por exemplo, por vezes Guinevere dá a entender que ela está contando a história no passado, e por isso ela sabe o que acontece depois, outras vezes a história parece estar sendo contada no presente.

Outra questão, mas daí é puro gosto meu, é que não curti algumas escolhas da autora para as reações da Guinevere. Dado que ela é tão sensacional em diversos aspectos, achei que ela fica diminuída com algumas passagens. Não que ela precise ser perfeita, claro, mas achei que não combinava. E isso me incomodou. Inclusive foi a partir desses momentos de incômodo, tanto com alguns aspectos da Guinevere quanto alguns aspectos do próprio Arthur que comecei a reparar mais nos problemas de estilo.

Então, apesar da nota que vou dar, acho que valeu a leitura, e ainda indico para os fãs de lendas arturianas. Eu pretendo ler a trilogia até o fim, e acho que vai ser divertido.

Nota 7.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

An offer from a gentleman



SPOILER FREE

Então... esse é o terceiro volume da série "Bridgertons", porque eu ainda não estava me sentindo bem o suficiente para entrar numa leitura mais séria.

Depois do fiasco do segundo livro, fui para o terceiro esperando o pior, e qual foi a minha surpresa que a série dá uma melhorada nesse volume! (eu não disse que é tudo uma questão de expectativa?) A história em si é bem batida e óbvia. Sério, só de olhar a capa você já saca em qual conto de fadas esse livro será baseado.

A diferença é que a gata borralheira da história perde outra peça de roupa, não exatamente um sapato. E graças aos deuses a autora volta a tratar de forma mais razoável o machismo inerente da época vitoriana, sem grandes exageros ou relacionamentos abusivos gratuitos. Não que nada disso deixe de existir, mas pelo menos faz sentido para a época e para as pessoas envolvidas, não é de graça. As cenas picantes são mais interessantes também, o que também ajuda muito, e vamos ser sinceras, é uma das justificativas para ler um livro desses.

Esse volume peca apenas na história óbvia e na falta de humor que te faça pagar mico em público, no mais, faz jus ao primeiro volume da série, que achei realmente marcante para o gênero. Voltei a ficar curiosa com relação aos casamentos da família Bridgerton, quem será o noivo ou a noiva do quarto livro? Agora só em 2016, se os livros entrarem em promoção!

Para quem quiser se aventurar, é importante notar que os livros da série estão sendo republicados com um segundo epílogo. Os epílogos extras também se encontram num livro separado, como se fossem histórias curtas. Sugiro fortemente as versões com os epílogos extras, eles são muito divertidos.

Nota 8.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

The Viscount who loved me



SPOILER FREE

Depois de dois livros lentos e depressivos, cheguei a conclusão que eu precisava urgentemente de algo leve, engraçado e divertido para ler. Daí resolvi investir na continuação de "The Duke and I".
Depois de ter uma experiência absolutamente saborosa com o primeiro livro da série "Bridgertons", eu também estava sedenta por mais.

Um dos grandes problemas com relação a arte e entretenimento é expectativa. Expectativas podem simplesmente arruinar uma experiência que de outra forma poderia ser sensacional.

Depois de "The Duke and I", eu tinha expectativas com relação aos demais livros da série. Eu esperava um livro em que o machismo era o mínimo para retratar a época. Eu esperava um livro com cenas muito legais de romance. Eu esperava um livro em que o mocinho fosse um cara problemático, mas essencialmente legal.

O que encontrei? Um "mocinho" que não merece esse título, por mais apaixonada que a mocinha esteja. Situações de abuso de poder absolutamente gratuitas. Relacionamento abusivo. E cenas de romance que não chegam ao pés do primeiro livro.

Mas não é tudo ruim. Os personagens do primeiro livro aparecem e são uns fofos (bateu saudade). Ainda tem situações absolutamente divertidas e de pagar mico ao gargalhar em voz alta no metrô ou alto o suficiente para assustar os vizinhos.

Talvez se o primeiro livro não fosse tão bom, e eu não tivesse expectativas com relação a este volume da série a nota fosse bem melhor.

Nota 5.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

The Duke and I



SPOILER FREE

O outro tema de desafios literários para setembro (ó atraso que me persegue!!!) foi "um livro que vi num blog". "The Duke and I" foi indicado no blog da Coruja em Teto de Zinco Quente e como eles costumam fazer boas indicações e eu gostei do tema do livro, resolvi encarar.

E gente, que surpresa mais agradável! Sabe aquele livro que veio na hora certa? Então, eu estava precisando de uma leitura EXATAMENTE ASSIM.

Eu fico imaginando que Julia Quinn seja famosa pelos livros extremamente açucarados, daqueles bem "mulherzinha" (olha o sexismo aí...) estilo livro de banca de jornal, mas gente, ela tem diferencial. O livro é de rolar de rir, passar vergonha gargalhando no metrô e assustar os vizinhos com ataques histéricos incontroláveis de riso.

E não é só água com açúcar, tem pimenta no meio! E pimenta bem escrita, raridade em épocas de Christian Grey.

A leitura é leve, divertida ao extremo, mas fugindo dentro do possível, quando se trata de um romance que se passa na Inglaterra vitoriana, dos sexismos exagerados, e o mais importante: do abuso disfarçado de romance. Não há panos quentes, tem casamento arranjado e é isso que ele é, sem disfarces, mas tem casamento com pessoas que se amam de verdade e é fofo demais.

O livro foi tão divertido que antes mesmo de terminar "The Duke and I" eu já comprei o livro seguinte na coleção The Bridgertons, crente que não conseguiria fazer uma pausa entre um volume e outro. Mas qual foi a minha surpresa quando descobri que o livro pode ser lido como uma obra independente! Não tem final com gancho, nem final "sacanagem" que parece que está no meio de um capítulo. O livro termina de verdade!

Pelo o que entendi, lendo sobre os demais volumes, cada livro da série fala de alguns personagens na família Bridgerton, então a ordem pode ser importante por conta dos personagens secundários e para não ter spoilers, mas não é necessária e nem deixa o leitor para morrer porque ainda não conseguiu o livro seguinte.

Entretanto, a leitura é tão agradável que não há como não querer ler mais. Espero conseguir ler o segundo volume da série o mais breve possível, assim que eu conseguir colocar as leituras em dia. Torçam para que isso aconteça ainda esse ano!

Informação importante: o livro foi lançado em português com o título "O Duque e eu".

Nota 9.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

O Legado de Arn



SPOILER FREE

Então, um dos temas para junho nos meus desafios literários é ler uma continuação. Essa, em específico, foi uma que eu descobri por acaso numa das minhas visitas a livrarias em que acabei comprando algo que eu não estava planejando (tipo, quase todas, mas enfim). Isso porque eu li a trilogia original "As Cruzadas", e apesar de ser independente dessa trilogia, "O Legado de Arn" é uma espécie de continuação, onde descobrimos a história do seu neto, Birger Jarl, que é apenas o cara que fundou a Suécia.

Eu lembro que a trilogia original deixou algumas marcas, pois apesar de fazer muitos anos que eu a li, lembro de algumas sensações. A primeira é que eu me diverti muito lendo, lembro que a história em si era muito cativante e interessante. A segunda, é que Arn é um personagem que me soou muito perfeito, e isso eu só vim a entender lendo essa continuação. A terceira, é que lembro vividamente da sensação da história ser muito melhor do que a escrita do autor.

E a continuação foi uma grande sensação de déjà vu. Realmente me diverti muito lendo, a história do neto de Arn também é cativante. Descobri que o personagem histórico de Arn é considerado uma espécie de Santo na Suécia, o que explicou o excesso de perfeccionismo. Por fim, a história continuou muito melhor do que a escrita do autor.

O grande problema de Jan Guillou é que o seu trabalho é extremamente inconstante. Parece que ele não consegue se decidir: vai usar narrador em primeira pessoa? Vai usar narrador em terceira? É um romance histórico ou livro de história? Colocar detalhes demais ou de menos? Enfim, o livro parece uma montanha russa de estilos literários, com diversas passagens que parecem ter sido escritas às pressas ou de qualquer jeito.

O que salva é que a história que ele tem para contar é extremamente interessante, cheia de intrigas, batalhas, reis subindo e caindo, casamentos políticos, negociações com outras nações e com a Igreja... e tudo isso em uma região em que, confesso, eu não sabia absolutamente nada sobre. Sério, quem conhece a história da Suécia ou da Noruega? Ou da Dinamarca? Aqui no Brasil, nunca estudamos nada sobre esses países, só os seus nomes e capitais (se tanto!). E se você gosta das olimpíadas de inverno você aprende alguns nomes comuns por lá, mas fora isso... nada. Então, um livro que traz a história de como a Suécia se formou, como estruturou a sua monarquia e como se manteve independente de outros países da região, com direito a uma aula sobre a cultura nórdica é algo sensacional e que chama muita atenção. Apesar da escrita mais ou menos.

Nota 7.