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quarta-feira, 31 de agosto de 2022

The Hidden Palace (The Golem and the Jinni #2)


SPOILER FREE

Para o Desafio Literário Popoca 2022 de agosto, com o tema folclore, aproveitei para pegar The Hidden Palace, uma continuação inesperada de O Golem e o Gênio, que foi o primeiro livro da americana Helene Wecker. Infelizmente The Hidden Palace, lançado no ano passado, ainda não foi traduzido para o português, mas O Golem e o Gênio está disponível numa linda edição da Darkside.

Depois de rasgar seda até não poder mais para esse primeiro volume, como vocês podem ver aqui, peguei o segundo com muito gosto. Por conta do tempo entre a leitura entre um livro e outro, confesso que recorri à internet para encontrar um resumo de O Golem e o Gênio, o que me deixou mais confortável, apesar de depois de ter lido Hidden Palace eu poder afirmar que não teria sido necessário.

Novamente Helene Wecker traz suas belíssimas personagens baseadas nas culturas árabe e judaica, com o enredo se passando nas comunidades imigrantes de Nova Iorque do pré-guerra no início do século XX. A história é centrada em Chava, uma golem criada por um rabino, e Ahmad, um gênio preso em forma humana por um feiticeiro, e entorno dos dois temos diversos personagens das comunidades judaicas e árabes locais.

Entretanto, serei sincera, O Golem e o Gênio não precisava de uma continuação, a história é muito redonda. Infelizmente, The Hidden Palace ficou com cara de continuação lançada para ganhar dinheiro, e não porque era uma história que a autoria precisava contar. Tudo bem que a escrita bonita e agradável continua presente, assim como um esmero fantástico na pesquisa histórica, tanto na parte do enredo que se passa em Nova Iorque, quanto a parte que se passa no Oriente Médio.

O problema é que parece que não tem muita história para contar. A trama é lenta e se arrasta por boa parte do livro, só pegando um ritmo mais interessante bem no final. Diferente do primeiro volume, aqui não há um vilão claro, o que poderia ser interessante, mas o resultado foi uma linha narrativa dispersa demais. Tanto que o livro parece bem mais longo do que realmente é.

Quer dizer que não vale a pena ler? Também não é assim, acho que foi uma questão de expectativa. Como minha lembrança do livro anterior é tão maravilhosa, eu esperava algo nesse nível, e não foi bem o que encontrei. Mas, The Hidden Palace tem suas qualidades, como já comentei, e se Helene Wecker lançar mais obras, certamente vou parar para ler.

Nota 7,5.

domingo, 31 de julho de 2022

Redemption in Indigo

SPOILER FREE

Para o Desafio Literário Popoca 2022 de julho, com o tema fantasia ou ficção científica escrita por autores africanos, escolhi um dos livros da escritora Karen Lord, de Barbados.

E gente, que escolha mais acertada. Redemption in Indigo, infelizmente ainda sem tradução em português, é um livro que ganhou diversos prêmios quando foi lançado em 2011. E certamente merecia ainda mais, mas, como foi o primeiro livro da autora e ela é negra... sabe como são essas coisas.

A história parece se passar em algum lugar não determinado no continente africano (eu confesso que não tenho ideia de que país poderia ser), e é cheia de referências a diversas culturas e mitologias africanas, que eu gostaria de conhecer mais para ter apreciado melhor suas aparições. No livro acompanhamos Paama, uma mulher casada que abandonou a casa do seu marido porque ele era um glutão sem noção. Por ter tomado essa decisão, ela chama atenção de seres imortais do mundo espiritual, os djombi, que resolvem dar a ela um artefato mágico, o cajado do caos.

Só que nem todos os djombis ficam satisfeitos com a escolha de Paama para receber um poder tão grande. E o Indigo Lord, um poderoso djombi, resolve ir atrás dela para tentar convencê-la a entregar para ele o cajado do caos.

Numa história que parece saída diretamente dos mitos, mas com uma pegada mais atual, a saga da luta entre Paama e o Indigo Lord é de uma delícia ímpar de se ler. Não só temos elementos pouco comuns nas narrativas de escritores mais famosos no Brasil, diga-se europeus e americanos, mas temos também uma personagem feminina forte e decidida, que está cercada de outras personagens femininas muito incríveis. Para coroar, Karen escreve absurdamente bem.

Terminei Redemption in Indigo procurando por outros livros da Karen Lord, porque se o primeiro foi assim, imagine os seguintes? Quero ler tudo dessa mulher.

Nota 10.

domingo, 15 de novembro de 2020

Aru Shah e o fim dos tempos - Aru Shah and the End of Time


SPOILER FREE

Descobri que esse livro existia no último Natal, quando fui comprar livros para as crianças da família, que tem muito mais meninas do que meninos. Bati o olho, vi o nome Rick Riordan na capa, o autor de Percy Jackson, mas percebi que quem escreveu é uma mulher e a protagonista é uma menina. A propaganda do Rick era convincente e a contracapa prometia. Comprei. Meses depois encontrei em promoção para Kindle e resolvi que era hora de descobrir se eu havia acertado ou não.

A melhor descrição para Aru Shah e o fim dos tempos é uma versão com meninas e mitologia hindu de Percy Jackson. Só que ainda mais bem escrito, porque Roshani Chokshi, autora americana filha de mãe filipina e pai indiano, tem personagens mais interessantes e complexas do que Rick Riordan. E tem a graça de ser mitologia hindu, que é muito mais difícil de encontrar por aí, o que torna a leitura mais fascinante e menos, olha, então ele resolveu adaptar assim, porque no fundo tem pouca novidade.

O livro conta a história de Aru Shah, uma menina de ascendência indiana que vive com sua mãe num museu de arte indiana nos EUA. Um dia, ela faz a besteira de ascender uma lâmpada amaldiçoada, e acaba libertando um demônio capaz de parar o tempo, e no processo acaba descobrindo que é a reencarnação de um herói da mitologia hindu, filha dos deuses. Junto com outras reencarnações de heróis ela precisa deter o demônio antes que ele paralise o mundo inteiro.

Só que Aru não é uma heroína óbvia. Ela não é certinha e perfeita, muito pelo contrário. E ela sabe disso sobre si mesma, e é isso que torna a sua jornada tão interessante. Não é à toa que o livro foi indicado para alguns prêmios. Fiquei muito satisfeita de ter dado Aru Shah e o fim dos tempos de presente para as meninas da família, acho que acertei em cheio.

Foi um dos livros mais fofos que li em 2020, e estou animada para os próximos dois volumes que já foram publicados!

Nota 9.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

The Immortals (Olympus Bound #1)


 

SPOILER FREE

De vez em quando precisamos ler o que dá na telha, e foi assim que resolvi pegar o primeiro volume da série Olympus Bound, da autora estadunidense Jordanna Max Brodsky. E que escolha surpreendente!

O que eu sabia do enredo é que nele os deuses do Olimpo viviam como pessoas normais nos dias de hoje, e que a protagonista era Ártemis. Mas o livro não tem só ares de Deuses Americanos, de onde a autora realmente tirou muitas ideias, mas é uma história de mistério e suspense! Tudo começa quando Selene DiSilva encontra uma mulher morta no Central Park, Nova Iorque, com cara do assassinato ter características ritualísticas...

Para bom entendedor, meio nome basta, certo? Selene, por ser protetora de mulheres, resolve investigar o assassinato, e acaba por ter que lidar com um professor universitário especialista na Grécia Antiga. Claro que um enredo desses, com personagens assim, é um prato cheio, melhor, uma refeição completa com vários pratos para conhecedores e entusiastas de mitologia. Até grego antigo e citações de obras clássicas o livro tem.

Não tinha como eu não gostar.

O mistério, para quem sabe mitologia, não é tão misterioso assim, mas a adrenalina acaba compensando. Fora que é muito divertido ver as adaptações que a autora escolheu para os diversos deuses do Olimpo terem vidas normais nos dias atuais. É uma boa versão para adultos de Percy Jackson. E o volume de pesquisa que a autora fez é visível no texto.

Aliás,The Immortals é a mistura perfeita entre O ladrão de raios e Deuses Americanos. Não me surpreenderia que fosse inclusive essa a encomenda da editora. Afinal, os leitores do primeiro, lançado em 2005, já são adultos, e o segundo já vai fazer 20 anos de publicado com uma série de TV nas costas. Esses números me assustam, mas também explicam o timing da autora.

Aviso logo para os fãs de Shadow e Percy que Selene não é tão boa assim. Shadow é humano, logo, mais interessante, e Percy, bom, chegou na frente e tinha um público menos exigente. Em termos de escrita Jordanna é melhor do que Rick Riordan, mas pior que Neil Gaiman.

Feitos os avisos, pode aproveitar o primeiro livro da trilogia, que é diversão garantida! Infelizmente, por enquanto o livro ainda só está disponível em inglês.

Nota 9.

sábado, 30 de novembro de 2019

O alegre canto da perdiz



SPOILER FREE

Aproveitando o finalzinho do mês da consciência negra, peguei para ler a autora Paulina Chiziane. O alegre canto da perdiz foi escrito originalmente em português, apesar da língua materna de Paulina ser outra. Mas, como muitos moçambicanos ela aprendeu português numa missão católica.

Só a história da autora já dava um livro: primeira mulher a publicar um romance em Moçambique, militante política que resolveu sair do partido por conta do seu posicionamento contra a poligamia e por sua luta pela independência econômica das mulheres. Paulina Chiziane ainda por cima escreve bem. Foi um dos livros que li esse ano que mais marquei passagens que me tocaram por sua beleza e sinceridade. Fiquei extremamente triste quando descobri que ela parou de escrever por causa das dificuldades impostas a sua carreira.

O alegre canto da perdiz traz diversas histórias entrelaçadas, com três gerações que lutam por melhorias em suas vidas e lutam entre si pela forma de se chegar lá. O livro ainda tem diversas passagens mitológicas, que dialogam com a história, que é centrada em Maria das Dores, uma mulher em condição de rua na Zambézia.

O alegre canto da perdiz não é uma história feliz. Mas Paulina a escreve com tanta maestria que é de uma beleza incrível, e extremamente africana. Amei o livro com tanta força que mesmo tendo detestado o final, não posso dizer que não gostei da obra como um todo. Mas o final, por que Paulina? Para que? Não entendi o propósito, confesso. Mas a culpa provavelmente é minha.

Nota 9.

sábado, 22 de setembro de 2018

Odd and the Frost Giants - Odd e os Gigantes de Gelo



SPOILER FREE

Esse livro é mais uma colaboração entre Neil Gaiman e o ilustrador Chris Riddell (eles fizeram juntos o primoroso The sleeper and the spindle), mas dessa vez a temática é mitologia nórdica. Antes de lançar o festejado Mitologia Nórdica (que vergonhosamente eu ainda não li), Neil Gaiman fez alguns ensaios com histórias baseadas nessas mitologias, às vezes em forma de romance (como American Gods) e às vezes em livros mais curtos como esse. E tem, claro, Sandman.

Aliás, histórias com pegada mitológica é um dos pontos fortes do autor inglês, e é paupável o seu amor e domínio pelo assunto. Tanto que, dessa vez, ele criou uma história que apesar de não fazer parte do cânone nórdico, bem que poderia fazer, de tão bem encaixada que ela fica.

Com lindas ilustrações do Chris Riddell, o livro traz a história do menino Odd (esquisito em inglês, mas tem outra explicação interessante para o nome no livro), que perde o seu pai e foge de casa no meio de um inverno inexplicavelmente longo. Inexplicável até Odd encontrar alguns deuses perdidos, entender o que está acontecendo e se voluntariar para ajudar.

Não tem como não amar Odd, que personagem mais delícia de ler. E não tem como não gostar da história, é o tipo de livro que te deixa com um sorriso no rosto enquanto você está lendo. É fofo, divertido e poético, tudo junto. E com ilustrações lindíssimas, como não amar?

Nota 10.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

The Golem and the Jinni



SPOILER FREE


Esse foi um livro que ouvi falar bem no Goodreads, daí entrou na minha wishlist, depois uma amiga leu e confirmou que era bom e me deu um ultimato para ler logo. Soma-se a isso o fato de que o tema do desafio literário do mês de abril era uma história oriental...

Deixe-me explicar, realmente, a autora não é oriental, ela é norte-americana. Porém, toda a mitologia que ela pesquisou para escrever Golem e o Gênio (título do livro em português) é, sim, oriental. E ela fez escolhas felizes nesse sentido, um Golem é um ser animado feito a partir de argila que existe na mitologia/simbologia/cabala judaica, enquanto um gênio é um ser feito de fogo que existe na mitologia árabe. Tem coisa mais simbólica do que misturar mitologia árabe e judaica? Ficou tão lindo que a autora até ganhou o prêmio Nebula com esse livro.

Mas ela mereceu o prêmio não só pelo enredo tão simbólico nos dias de hoje, mas também pela sua qualidade narrativa. O livro é tão bem escrito que eu quase chorei quando procurei e não encontrei outros livros publicados da autora. É triste demais isso. Pessoas que escrevem bem assim precisam publicar muito!!!

Mas eu entendo que um livro dessa qualidade e quantidade de pesquisa demore para ser escrito.

Porque veja bem, Helene não só pesquisou as mitologias necessárias, mas como a história se passa em diferentes comunidades de imigrantes em Nova Iorque no final do século XIX, foi necessário toda uma pesquisa sobre como eram essas comunidades, que tipos de pessoas migravam e como era a cidade na época. E, do que eu conheço do assunto (o que não é muito, mas também não é zero), posso dizer que a pesquisa dela foi um primor.

As suas descrições de Nova Iorque são uma beleza, assim como as descrições de diversas cidades e lugares do Oriente Médio, de onde vem quase todos os personagens do livro. E que personagens! São todos maravilhosos, não quero dizer que sejam todos bonzinhos, eles são todos bons personagens, com complexidade, críveis.

Se me deixarem vou escrever páginas e páginas de louvores a esse livro, então, vamos fechar:

Nota 10.

Guinevere: The Legend in Autumn (Guinevere #3)



SPOILER FREE

Esse é o livro culpado pelo meu atraso nas resenhas. Fiquei algumas semanas fugindo de escrever a resenha dele.

Como último livro da trilogia sobre a Guinevere que já havia me deixado feliz e triste ao mesmo tempo (veja as resenhas anteriores aqui e aqui), posso dizer que ele realmente faz parte dessa trilogia. Isto é, possui exatamente os mesmos problemas, talvez um pouco mais intensamente.

Minha questão com o livro não é o fato de ser triste, veja bem, estamos falando da saga do Rei Arthur, ninguém espera um final feliz, certo? Mas a questão é a construção desse final. Tem o problema da narradora, a própria Guinevere, que como até brincaram comigo quando reclamei para meus amigos, deve sofrer de algum tipo de doença neural degenerativa quando resolveu contar a história, porque ela nunca sabe se está contando algo que aconteceu há muitos anos ou está acontecendo no momento. Como o foco não é uma possível doença da narradora, isso só torna a leitura confusa e chata.

Outro problema é a escolha entre os momentos da história para alternar a leitura, numa tentativa de fazer a leitura mais dinâmica e prender o leitor. Sim, isso é uma técnica, leia Dan Brown para ver exemplos gritantes disso. O problema aqui foi a escolha da autora, entre um momento super empolgante e cheio de adrenalina e outro em que NADA acontece. Isso dura metade do livro, METADE. A outra metade é só muito, muito, muito deprê. E não é só por causa dos acontecimentos, mas também por conta das atitudes da Guinevere, que não parece mais a mesma personagem forte dos livros anteriores. Muito triste quando isso acontece assim, na ordem contrária do que seria bacana de ler.

Sendo muito boazinha, nota 6.

Nota da série: 6,5.

segunda-feira, 12 de março de 2018

Queen of the Summer Stars (Guinevere #2)



SPOILER FREE

Acabei escolhendo a trilogia da autora Persia Woolley sobre a Guinevere para o tema do desafio literário de março, que pede livros sobre uma estação ou com uma estação no título. Como eu já gosto de versões da história do Rei Arthur e a trilogia foi indicada por uma amiga minha, não tinha muita dúvida.

A trilogia chegou a ser publicada também em português, mas está esgotada e agora só procurando muito em sebos.

Apesar de eu ter achado o primeiro livro da trilogia interessante, mas deixando a desejar em alguns aspectos (para detalhes, leia aqui), resolvi ler os demais livros da série. E valeu a pena! O segundo livro, "Rainha das Estrelas de Verão" (em tradução livre), é bem mais interessante que o primeiro em termos técnicos. Ainda não é uma obra prima literária, mas a leitura incomoda menos com relação aos problemas do primeiro volume. Mas aviso que o livro também é em primeira pessoa, para quem não gosta desse estilo já ficar sabendo de antemão.

Além disso, aqui Guinevere já é rainha, e já está se mostrando mais esperta nas questões diplomáticas da corte, apesar de cometer uns deslizes de vez em quando, como qualquer pessoa. Alguns com consequências maiores, outros menores. É nesse volume que ela desabrocha como mulher, rainha e personagem, ganhando mais profundidade e finalmente surgindo passagens bastante clássicas nas lendas arturianas. Como a questão entre Artur, Guinevere e Lancelote. E, eu não sabia que era uma passagem clássica, mas descobri na introdução do livro, a questão do rapto e desfecho desse rapto de Guinevere (como eu não sabia, vou supor que outros também não sabem e manter o suspense).

Diversos outros marcos militares estão nesse volume da trilogia, e nesse sentido o livro não entra em tantos detalhes justamente porque o ponto de vista da história continua sendo da Guinevere, que não participa pessoalmente das grandes batalhas, apesar dela testemunhar algum grau de violência, claro. Outra opção da autora pelo clássico, é a forma como ela retrata a Morgana das Fadas, que não lembra em quase nada a famosa descrição da personagem em Brumas de Avalon.

Nesse sentido, a quantidade de personagens femininas más me incomodou um pouco. Apesar do livro ter lá a sua leva de personagens masculinos maldosos, na maioria das vezes eles são violentos ou conquistadores de terras, não exatamente maus. Com uma grande exceção que talvez compense o desequilíbrio final das coisas. Pelo menos até o final do segundo livro da trilogia, vai que no terceiro as coisas voltem a se nivelar?

No mais, a leitura é agradável e tem passagens de grande suspense que não dá para parar de ler, o que é sempre um bom sinal num livro. A escrita melhorou, apesar de ainda ter algumas questões, especialmente os erros de digitação, que eu não sei como estão nas versões impressas ou traduzidas, visto que li no kindle.

Vale uma nota 8.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Child of the Northern Spring (Guinevere #1)

 
 

SPOILER FREE

Acabei escolhendo a trilogia da autora Persia Woolley sobre a Guinevere para o tema do desafio literário de março, que pede livros sobre uma estação ou com uma estação no título. Como eu já gosto de versões da história do Rei Arthur e a trilogia foi indicada por uma amiga minha, não tinha muita dúvida.

O livro chegou a ser lançado em português como "Filha da primavera", mas infelizmente está esgotado e só é encontrado em sebos. Mas, para os amantes de histórias arturianas, fica a dica.

Nesse primeiro volume da trilogia a autora nos apresenta a infância de Guinevere, e como ela foi escolhida para se casar com o Rei Arthur, e a história vai até a criação da Távola Redonda. A história é contada pela própria Guinevere, e até pouco mais da metade do livro é recheada de flashbacks. O que foi um artifício interessante escolhido pela autora para manter a escrita em primeira pessoa e só passar pelos episódios importantes, além de preencher o tempo e mostrar a transformação interna da personagem no seu caminho de casa até o casamento.

Uma das características interessantes do trabalho da Persia é que ela escolheu contar uma versão historicamente correta da lenda. Isto é, ela fez toda uma pesquisa sobre como se vivia na época, quais lugares existiam e em que estado estavam e o que se fazia em termos de alimentos, comércio, roupas, transportes etc. Só isso já torna a leitura muito interessante.

Agora soma-se a isso o fato que a época em que se diz que poderia ter existido a corte de Arthur foi de transformação. Nessa época a Inglaterra estava dividida entre seguidores de diversas religiões pagãs e cristãos, e muitas vezes eles conviviam de forma bastante pacífica. Também nesse período ainda não havia sido amplamente implantada a cultura de que a mulher deve ficar reclusa em casa (isso em termos de mulheres de status, claro, pobre nunca teve esse problema), e ainda era comum encontrar mulheres nobres que entendiam de estratégia militar, comércio e cavalos.

E fazendo uso de toda essa gama de possibilidades, Persia criou uma Guinevere marcante, de personalidade forte e excelente cavaleira. Uma delícia de se ler sobre ela, pois é uma personagem fascinante. De forma geral, as escolhas da autora para as personagens foram todas muito interessantes e felizes, pois elas compõe um mosaico bastante diverso, mas coeso dentro da história. E na versão para kindle que eu tenho, o livro ainda tem diversas explicações da autora sobre as suas pesquisas e as razões para essas escolhas. É muito bom ter essa possibilidade do autor não só contar a sua história mas também apresentá-la.

Em compensação, a qualidade do texto em si não é tão fantástica. A escolha da primeira pessoa em si não é ruim, mas a autora acaba por cometer uns deslizes. Por exemplo, por vezes Guinevere dá a entender que ela está contando a história no passado, e por isso ela sabe o que acontece depois, outras vezes a história parece estar sendo contada no presente.

Outra questão, mas daí é puro gosto meu, é que não curti algumas escolhas da autora para as reações da Guinevere. Dado que ela é tão sensacional em diversos aspectos, achei que ela fica diminuída com algumas passagens. Não que ela precise ser perfeita, claro, mas achei que não combinava. E isso me incomodou. Inclusive foi a partir desses momentos de incômodo, tanto com alguns aspectos da Guinevere quanto alguns aspectos do próprio Arthur que comecei a reparar mais nos problemas de estilo.

Então, apesar da nota que vou dar, acho que valeu a leitura, e ainda indico para os fãs de lendas arturianas. Eu pretendo ler a trilogia até o fim, e acho que vai ser divertido.

Nota 7.

domingo, 6 de novembro de 2016

Aradia - Gospel of the Witches



SPOILER FREE

Esse é um livro que eu queria ter lido há muito tempo, mas sabe como são as coisas e você vai empurrando com a barriga.

Aradia é um dos livros usados como base para o desenvolvimento do que hoje chamamos de Wicca e do neopaganismo. Escrito no final do século XIX pelo folclorista americano Charles Leland, o livro é uma coleção de relatos de mitos, feitiços e rituais da bruxaria italiana, chamada Stregheria.

É um livro surpreendentemente curto, e com mitos muitíssimo interessantes, além de lindas poesias. Para os pagãos é uma fonte de informação bastante rica e a leitura vale muito a pena. Mas, é uma questão de gosto e de linha espiritual dentro do paganismo realmente curtir o conteúdo do livro. Para quem curte ocultismo e/ou mitologia em geral também é uma leitura interessante. Fica a dica que eu consegui uma cópia gratuita na Amazon americana.

Nota 9.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

The Old Magic of Christmas



SPOILER FREE

Vou confessar: comecei a ler esse livro no ano passado. Mas como só terminei hoje no metrô, vou contabilizá-lo nas leituras de 2015. Explico: só aconteceu porque comecei a lê-lo entre o Natal e o Ano Novo, que é uma época muito cheia de coisas para fazer, e depois emendei com uma viagem de 15 dias, onde li muito pouco e dei preferência para livros físicos por conta das restrições nos aviões.

Mas terminei! E fiquei super satisfeita! O livro é um grande compêndio de folclores europeus (tanto do leste quanto do oeste) e americanos relacionados à época do Natal, começando em outubro e indo até janeiro, cobrindo festivais, santos, duendes, mitologias e crenças populares. E a grande qualidade da autora é que ela faz tudo parecer interessante e a leitura do livro é muito fácil e dinâmica, com direito a citações lindas de diversos contos de fadas e obras pesquisadas. Mas não pense que o livro só trata de coisas antigas, o bacana é que a autora consegue correlacionar diversos folclores antigos com obras literárias modernas, como Senhor dos Anéis, Nárnia e Harry Potter.

E para deixar tudo ainda mais fofo e divertido, o livro é recheado de instruções do tipo "faça você mesmo" para receitas de bolos, biscoitos, guirlandas, enfeites temáticos e pequenos rituais, tudo relacionado ao tema que ela está tratando.

Sugiro fortemente para quem gosta de mitologia, paganismo e relações inter-religiosas.

Nota 9.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

The Lion, the Witch, and the Wardrobe



SPOILER FREE

Então, continuei lendo os livros que compõe as crônicas de Nárnia por conta de um dos desafios desse mês, que é ler um clássico que tenha virado filme, e, bom, "O leão, a feiticeira e o guarda-roupa", segundo livro das crônicas em ordem cronológica da história (e não de lançamento), virou filme em 2005.

Confesso que não lembro direito do filme, o que é um mal sinal, mas lembro que achei sem graça e que esperava algo mais tanto da história quanto dos efeitos especiais. Mas essa é uma resenha do livro, e não do filme, o que infelizmente não vai mudar muito.

Eu esperava mais da história, algo pelo menos do mesmo nível que "O sobrinho do mágico", mas não foi bem assim. "O leão, a feiticeira e o guarda-roupa" é um livro bobo mesmo para padrões de livros infantis, com diversos momentos de revirar os olhos e de pura exasperação com a história e a forma como ela é contada. A sensação que eu tive é que C. S. Lewis subestima demais a inteligência infantil, o que deixa o livro arrastado e repetitivo (chato!!!!).

As referências cristãs abundam por todos os lados, o que é desconcertante e não combina com um mundo cheio de faunos, centauros, gigantes e outros seres mitológicos. É como uma espécie de Frankenstein literário, onde as coisas não se encaixam direito mas são obrigadas a funcionar juntas e assim dão origem a uma espécie de monstro esquisito. Um monstro esquisito que fala devagar e que só consegue fazer raciocínios muito simples.

Não sei se vou conseguir continuar lendo as crônicas, no momento vou fazer uma pausa para ler outras coisas mais interessantes, e se der na telha eu faço mais uma tentativa quando eu estiver me sentindo melhor com relação ao autor (se isso acontecer!). Mas farei um esforço, afinal é um clássico, né?

Nota 5.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

The Magician's Nephew



SPOILER FREE

Então, já pensando no mês que vem, comecei a ler os livros das Crônicas de Nárnia, porque um dos temas do próximo mês é clássicos que viraram filmes, o que é o caso de alguns desses livros. Mas não é o caso do primeiro!

"O sobrinho do mágico" foi um dos últimos livros a serem publicados das Crônicas, mas é o primeiro se você quiser ler a história cronologicamente, e conta como Nárnia veio a ser conhecida/criada. A história, mesmo com algumas implicâncias pessoais minhas, é muito fofa e bem curtinha. Explico minhas implicâncias: o livro é um pouco infantil demais para o meu gosto e tem excesso de referências bíblicas que me parecem sem objetivo, só estão lá porque sim.

Tirando esses dois pontos, o livro é divertido, bem para criança mesmo, com direito a diversos momentos de "moral da história". É interessante ver alguns personagens que eu já conhecia dos filmes aparecendo pela primeira vez, e alguns detalhes fofos de Nárnia sendo explicados. Mas espero que seja algo estilo Harry Potter, que cresce com o tempo, senão não sei se terei paciência para lê-los seguidinho até o último volume não (são 7 livros no total).

Até porque, o primeiro livro tem um jeitão meio sem sal, não é ruim, mas não é genial, é fofinho, mas tem momentos que eu revirei os olhos. É tão mais ou menos que não tem muito o que dizer. Se não melhorar nos seguintes vai ser complicado. Mas, vamos ver, o próximo já virou filme em 2005!

Nota 7,5.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Descent to the Goddess: A Way of Initiation for Women



SPOILER FREE

Então, esse ano estou tentando ler pelo menos um livro mais "sério" todo mês, e esse já estava me namorando há anos na minha estante, e como estou atrasada nas leituras do mês e ele é razoavelmente pequeno resolvi que ele era uma boa escolha.

"Descent to the Goddess" traz uma análise junguiana do mito de Inanna/Ishtar, que resolve descer ao reino dos mortos para visitar a irmã Ereshkigal, tudo sob uma perspectiva moderna da mulher submetida a uma sociedade patriarcal. Não é uma leitura fácil, pois o texto é cheio de interpretações e simbolismos complexos, diversas vezes tive a sensação de que o livro foi escrito estritamente para psicólogos, e certamente isso influenciou um bocado o tempo que levei para ler o volume.

Minhas dificuldades à parte, achei a leitura muito enriquecedora, pois me ajudou a ver outras facetas de como o machismo e a cultura patriarcal em que vivemos podem afetar a mulher, e mais, como podemos lidar com isso, mesmo que a solução não seja tão bonita quanto desejamos, e como não necessariamente o fato dessa solução ser feia é ruim, pelo contrário, faz parte da vida.

Talvez se o formato fosse mais voltado para leigos a leitura seria mais agradável e eu tivesse absorvido melhor a mensagem da autora, porque o conteúdo é riquíssimo e extremamente relevante.

Nota 9.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

The Earth, The Gods and The Soul - A History of Pagan Philosophy


SPOILER FREE

Mais um livro comprado em promoção na Amazon... e, quem diria, um grande achado!

No início achei que o livro se propunha a algo muito complicado e difícil, mas o autor conseguiu se manter nas linhas em que ele mesmo definiu no início, e faz um grande passeio por milênios de filosofia que tem características pagãs. E ele faz questão de pontuar quando falta algum tipo de característica nos trabalhos que ele analisa para ser considerado realmente filosofia, mas também justifica porque mesmo sem essas características ele os selecionou para tratar no livro. Achei válido dentro do que ele expôs.

A primeira parte do livro cobre alguns textos antigos irlandeses (Poetic Edda e Prose Edda), que eu já tinha ouvido falar, mas que infelizmente nunca li (mas já tenho pelo menos um deles me esperando no kindle, oba!). A segunda parte fala sobre o "nascimento" da filosofia com os gregos, que, para quem é leigo como eu, é uma aula muito legal sobre o desenvolvimento dela. Depois ele passa pelos textos de diversos autores que certamente não se consideravam pagãos (afinal, já estamos falando da época em que o cristianismo se tornou a religião oficial de Roma e até o Renascimento) mas cujo pensamento tinha características que são consideradas pagãs. O mesmo processo ocorre quando ele analisa os trabalhos de autores iluministas, até que com o século XIX fica mais fácil de alguém se dizer não cristão, e aí ele analisa o trabalho de diversos naturalistas americanos e, como não podia deixar de faltar, Nietzsche.

A partir daí, o livro é um bálsamo, com uma análise crítica linda e bem pé no chão de clássicos como Blavatsky, Crowley, Gardner, o surgimento do termo "book of shadows", a inclusão da luta feminista dentro do pensamento pagão (Starhawk!), o entrelaçamento da consciência ecológica com o neopaganismo e a Hipótese Gaia. Inclusive, é justamente a partir do século XX que o livro fica cheio de informações mais interessantes e bem embasadas, de autores com maior calibre acadêmico produzindo textos muito mais profundos e de maior relevância, não só dentro do paganismo mas em estudos comparativos com outras linhas de pensamento.

De uma forma geral, as críticas do autor são muito bem colocadas, e apesar dele ser pagão, ele às vezes é tão certinho e rígido com sua linha de análise que ele aparenta não ser (o que achei um ponto muito positivo). Fiquei muito impressionada com isso. Além disso, ele escreve de forma bastante acessível e com um humor nerd que simplesmente me cativou.

O único problema desse livro é que me deixou com uma lista ainda maior de livros interessantes para ler. Graças aos deuses existe a lista de desejos da Amazon para deixar tudo anotado e aguardando o momento propício para compra-los.

Nota 10.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

A Midsummer Night's Dream - Sonho de Uma Noite de Verão


SPOILER FREE

Por conta do Desafio Literário resolvi ler minha primeira peça de Shakespeare, afinal eu não tinha mais nenhum livro em casa com título que contivesse uma estação do ano, e "Sonho de uma noite de verão", apesar de não ser a peça mais conhecida, ainda assim é um clássico. Eu cheguei a comentar que eu tenho um grande tijolo em casa com a obra completa do dramaturgo inglês, mas, confesso que a preguiça foi maior (e uma tendinite chata no punho tornou proibitivo) e eu fui buscar uma alternativa mais leve.

Nessa busca, acabei por procurar na internet, claro, afinal, Shakespeare já pode ser encontrado em qualquer site de domínio público, mas foi num site voltado para o estudo de Shakespeare que resolvi o meu problema. O site não é bonito, nem muito organizado, mas é funcional e tem tudo ou quase tudo do escritor. Com direito a explicações e questões típicas do "vestibular" americano. Para quem curte o assunto, acho que vale a pena uma visita, é só clicar aqui.

Mas voltando ao assunto principal, confesso agora a minha falta de cultura, pois eu nada sabia sobre a peça, apenas que era uma comédia que foge aos padrões mais comuns shakespearianos e que, talvez por isso mesmo, é tida como de menos brilho. Como nunca realmente li nada dele, não tenho como julgar com muita propriedade, mas confesso que "A Midsummer Night's Dream" não me arrebatou.

A história é leve e fofinha, bem no estilo da época, com direito às confusões clássicas causadas por triângulos amorosos (ou quadrados, nesse caso) e também pela "magia", especialmente a que se apresenta na peça, baseada na mitologia grega do poder do cupido. Tem algumas frases de efeito, como era de se esperar também, mas nenhuma citação famosa vem dessa peça. E confesso que achei um pouco dramático demais também, o que não deixa de ser compreensível, afinal o texto foi escrito para ser uma peça, não um livro.

No final das contas, um dos problemas é que eu esperava mais. Expectativa pode ser um grande problema. De qualquer forma, serviu para preencher uma lacuna cultural, e me divertir num dia morto entre um final de semana e um feriado.

Nota 8.


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Stonehenge


SPOILER FREE

Bernard Cornwell me salvou com esse livro! Pois algo tinha que aliviar a leitura dos livros de "50 tons de cinza"! E, como sempre, o autor inglês deu um banho de história e literatura!

Mas é um livro peculiar, pois o autor é muito bom descrevendo cenas de batalhas e elas são extremamente raras nessa obra, além da dificuldade de se manter fiel aos fatos históricos (outra marca do autor) quando se trata da construção de um templo na época neolítica, é claro. Mas Bernard Cornwell supera a dificuldade criando uma história absolutamente fantástica de uma tribo cujo destino é construir um templo único e fabuloso que será objeto de culto e assombro por milhares de anos! E muitos personagens são importantes nessa narrativa, desde a criança aleijada que conseguiu sobreviver, o irmão mais novo que escapa da sede de sangue do irmão mais velho, até uma mulher de tão rara beleza que é considerada uma deusa. E assim, Bernard Cornwell conseguiu criar uma história onde se percebe que os grandes anseios do homem sempre foram os mesmos, a diferença são as ferramentas disponíveis para atingir os seus objetivos.

E tudo isso lindamente adaptado à forma como as pessoas viviam no final do terceiro milênio antes de Cristo! Com todas as limitações e dificuldades, pois essa era a era de bronze na Inglaterra, então as melhores armas e ferramentas eram feitas desse metal, que é bastante macio e pouco afiado em comparação com o seu sucessor: o ferro. Apoiado em diversas pesquisas arqueológicas, o autor cria uma trama que justifica a necessidade de se construir um templo daquele porte e trazendo pedras pesadíssimas de distâncias absurdas para a época, e nos conta uma versão muito verossímil de como o templo foi construído e para qual propósito.

É uma leitura muito intrigante, eu realmente fiquei surpresa com as possibilidades levantadas pelo autor! E em diversos pontos da história a minha vontade era de estar lá só para dar uma surra bem dada em alguns personagens! Afinal, desde sempre existiram pessoas que são boas de coração, enquanto outras são tão más que não conhecem limites para suas ambições, e outras são simplesmente loucas.

Mas o mais incrível é o que a união pode fazer! Stonehenge está de pé até hoje como prova disso!

Nota 9

domingo, 30 de dezembro de 2012

Luka e o fogo da vida


SPOILER FREE

Esse final de ano está tão agitado que me atrasei nessa resenha! Mas vamos, antes que o ano acabe!

Depois de reler "Haroun e o Mar de Histórias", estava morrendo de vontade de ler a quase continuação que Salman Rushdie escreveu para o seu filho mais novo, mais de 10 anos depois de lançar "Haroun". E o livro tem toques absolutamente autobiográficos que são lindos! E Haroun está lá, claro, como o irmão 18 anos mais velho de Luka, o que não deixa de ser fofo.

Para melhorar (afinal estamos falando de Salman Rushdie, então já começa muito bem), o livro é recheado de referências de tudo quanto é filme, videogame e seriado, e isso é uma atração à parte na leitura (e olha que certamente eu não percebi um monte delas). Em outras palavras, é um livro infantil absolutamente delicioso para jovens adultos.

A história é muito divertida, e a ideia de imitar um jogo de videogame com direito a fases e vidas que se perde e se ganha é absolutamente genial, imagino que para uma criança viciada em jogos seja uma atração à parte muito legal (eu certamente adoraria), só que misturada com todo o toque oriental à la Mil e Uma Noites de Rushdie fica simplesmente lindo. Eu acho que é o tipo de livro que se virasse animação seria uma das coisas mais lindas do mundo. Espero realmente que um dia alguém tope esse desafio.

Mas não se engane, o livro é infantil mesmo, mas aquele infantil de qualidade, que não trata a criança como estúpida, e é recheado de descrições belíssimas! E usa toda a história do videogame para introduzir ao mundo infanto-juvenil uma quantidade absurda de mitologia de todo o mundo (em termos de quantidade de deuses apresentados, Rick Riordan fica no chinelo, e na qualidade da escrita também, nem tem como comparar), além de detalhes absolutamente orientais.

O texto flui com uma leveza impressionante, é simplesmente delicioso de ler!

Nota 9,5

sábado, 29 de setembro de 2012

Anansi Boys


SPOILER FREE

Esse mês do Desafio Literário acabou sendo totalmente dedicado ao Neil Gaiman, mas isso é porque o maridão adora esse autor, e estava esperando já há algum tempo que eu lesse American Gods e Anansi Boys, e como, por sorte, ambos os livros são baseados em mitologia, eles eram perfeitos para o mês de setembro (o tema era mitologia universal).

Apesar do maridão não ter gostado muito de Anansi Boys, confesso que eu adorei. Acho que o li muito mais rápido do que American Gods, pois a história desce mais leve. Claro que já ter conhecido o personagem Anansi (que é um deus aranha africano) em American Gods deixa a leitura de Anansi Boys bem mais interessante também (então fica a sugestão de ordem de leitura), mas apesar do personagem ser o mesmo, as histórias são completamente diferentes.

Mas o ritmo desse livro não é tão bom, lá pelo meio dele concordo que fica um pouco esquisito, e se você não fizer um esforço para passar da parte meio chata/lenta/"mas, hein?" o leitor corre o risco de querer abandonar a leitura, o que é uma pena, pois o final é muito interessante. Se Anansi for mesmo o deus de todas as histórias, ele certamente abençoou Neil Gaiman, pois só assim para conseguir fechar uma história tão maluca e cheia de pontas como essa. Numa mistura muito doida de mitologia, bruxaria, drama familiar, história policial e romance, o autor desvenda a saga dos filhos do deus Anansi, que de uma forma ou de outra acabam puxando ao pai e só se metem em enrascada, por mais que façam de tudo para evitar. E apesar de Fat Charlie e Spider serem aparentemente opostos um do outro em todos os sentidos, eles acabam descobrindo que têm muito mais em comum do que imaginam. E eu confesso que gostei mais de Fat Charlie o livro inteiro.

Apesar de parecer complicado, a história e a leitura são bem leves, e a superficialidade com que alguns personagens e assuntos são tratados não chega a comprometer o livro, dando até um ar mais descontraído para ele. Mas não é uma obra prima. É um livro legal e uma boa leitura, mas American Gods está anos-luz na frente. Lembre-se disso ao pegá-lo para ler e não se decepcionar.

Nota 8.