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domingo, 10 de março de 2019

A fábrica do feminino



SPOILER FREE

Para variar, estava eu numa livraria sem o menor pudor ou autocontrole e achei esse livro com esse título tão maravilhindo A Fábrica do Feminino. Escrito por uma brasileira ainda por cima. E com essa pérola na contra capa:

EUFEMISMO

eu, fé, mesmo, não tenho
mas não deixo de fazer

eu fiz mesmo, não nego,
mas queria não ter feito

eu disse, mas, se pudesse
retirava o dito, o cujo,

se existisse um eu, um faz,
um diz que não fosse

o calo da mentira
o travo da blasfêmia

Foi irresistível levar o livro pra casa e começar a ler quase que no dia seguinte. 

O volume, apesar de pequeno, era tão cheio de coisas maravilhosas dentro que desisti de marcar meus poemas favoritos. O livro é composto basicamente de poesias que falam quase que exclusivamente sobre o feminino, mais especificamente os rótulos que são dados a ele, coisa de fábrica mesmo. Dá para abrir aleatoriamente que vale a pena a leitura.

Agora estou à caça de outras obras da carioca Paula Glenadel. Quero todas!

Nota 10.

This Song Will Save Your Life



SPOILER FREE

Comprei esse livro porque uma pessoa que eu sigo no Goodreads e que tem um gosto parecido com o meu falou maravilhas dele. Agradeço todos os dias por pessoas que fazem resenhas de livros nas quais posso confiar.

This Song Will Save Your Life (ainda sem tradução para o português) é um livro lindo. Triste, sim, pois como o título sugere, existe uma questão relacionada a suicídio na história, mas é também uma narrativa sobre superação e força interior. Elise Dembowsky é uma personagem fantástica, e que, apesar dos anos de bullying e da falta de amigos, tem uma força para continuar e buscar o que ela deseja incrível. Sua história é de resiliência, de acreditar em si mesma, de auto-descoberta e de como desenvolver amor próprio e autoconfiança. 

Não deixa de ser um livro infantojuvenil sobre amadurecimento, mas a profundidade aqui é absolutamente incomum. A profundidade psicológica da personagem narradora é incrível, aliada a toda a questão de amor pela música e como isso está entrelaçado com a sua história e a sua família, que não é tradicional. Nada nesse livro é muito tradicional, até a escolha da personagem em se tornar uma DJ não é tradicional. E infelizmente não posso falar muito mais do que isso sem dar spoiler.

Leila Sales se revelou como uma grande autora, e esse foi meu primeiro livro dela, espero que apenas o primeiro de vários. Se os demais livros dela forem tão bons quanto esse, ela ganhou uma fã incondicional. Mal posso esperar por outras obras.

Nota 10.


quarta-feira, 6 de março de 2019

Loving a Fairy Godmother (Fairy Tales & Ever Afters #1)



SPOILER FREE

Esse ano promete ser cheio de livros assim, porque eu preciso de livros que ajudem a minha saúde mental, especialmente no nosso cenário erótico político.

Então, nesse livro Danielle Monsch traz a história do primeiro Fada padrinho do mundo. A confusão começa quando Tiernan está lutando contra um dragão e a sua Fada madrinha faz besteira e ele fica a beira da morte, mas, ainda tem direito a um desejo, que ele gasta pedindo para virar um Fada padrinho. A partir daí ele sofre várias discriminações no mundo das fadas madrinhas, por ser o único homem no meio, e para provar o seu valor ele precisa conseguir um Final Viveram Felizes para Sempre.

O texto é bastante divertido, o que era de se esperar com esse enredo, e as cenas de sexo são muito boas. Toda a questão com a Cinderela no meio também está muito bem explorada. E o livro na verdade é uma novela, bem curtinho, o que fica no tamanho certo, pois existe um limite do que dá para fazer nesse tipo de história. Isso também ajuda a autora e não repetir tantos clichês e as armadilhas mais comuns machistas.

Uma excelente leitura para quem curte literatura erótica.

Nota 10 dentro do gênero.


sábado, 2 de março de 2019

The Bookshop on the Corner



SPOILER FREE

Quando esse livro foi publicado em 2016, foi um certo furor, e por isso ele entrou na minha biblioteca. Agora, seu eu soubesse que ele é da mesma autora de Sweetshop of dreams provavelmente não teria comprado o livro.

Confesso que senti que eu conhecia a autora logo nas primeiras páginas. Algo me parecia muito familiar, de um jeito não muito positivo, apesar do texto ter odes muito bonitas à leitura. The bookshop on the corner traz a história da bibliotecária Nina, que perde o emprego quando a biblioteca onde ela trabalha no subúrbio de Londres acaba sendo fechada. Mas ela ama livros, e sua paixão é encontrar o livro perfeito para cada leitor.

Então, ela acaba comprando uma van e indo morar no interior, mais especificamente na Escócia (que é quase outro país, numa piada interna muito divertida, ou não, em tempos de Brexit). Daí ela se apaixona por um cara, vai a algumas algumas festas locais, se apaixona por outro, os dois têm lá os seus problemas e defeitos, com uma certa dose de moralismo esperada de uma história que se passe no interior da Inglaterra, ou Escócia, ou Irlanda, são todos mais parecidos do que gostariam de admitir, e todos vivem felizes para sempre.

O problema até lá, além da questão moralista, é que o livro é chato. Nina é uma boa pessoa, mas sua falsa falta de coragem dá dor de tanto revirar os olhos. E o enredo é tão previsível que eu já sabia com quem ela ia acabar ficando no final assim que ela se instala na Escócia. Se fosse divertido apesar de previsível, ou pelo menos tivesse boas cenas de sexo no caminho eu nem reclamava, mas não tem nada disso.

A questão é que o livro é voltado para um tipo de público que eu não me encaixo, a história tem ar de anos 80, apesar de se passar em 2016. É para quem gosta de romance puramente tradicional, com personagens tradicionais que só parecem transgressores na sua superfície mais superficial. E que não gosta de cenas quentes sendo descritas, apenas mencionadas que existem, e um livro sem palavrões, claro.

Certamente não faz o meu gênero. 

Nota 6.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

I Could Pee on This: And Other Poems by Cats



SPOILER FREE

Confesso que comprei esse livro por razão de gatos. Como boa devoradora de livros, eu amo gatos. Então, nem olhei o nome do autor, o livro estava em promoção e eu vi que era de poesia de gatos, não precisei de mais nada.

O autor, Francesco Marciuliano, parece (depois de uma busca no deus Google) ser uma espécie de gatófilo especialista em fazer textos como se fossem de gatos, o que eu acho uma especialidade muito justa e especial. Até porque depois de ter lido I Could Pee on This eu posso atestar a qualidade felina do autor.

O livro é bem curto, com muitas imagens fofas de gatos intercalando os poemas para encher linguiça, mas quem liga? São gatos, os deuses que dominam a humanidade desde o antigo Egito e que hoje justificam a internet (tenho certeza que se fizermos uma estatística a maior parte do tempo que as pessoas gastam online é vendo gatos). E as poesias realmente são muito, muito, muito felinas. Meu gato (que Bastet o tenha) poderia facilmente ter escrito algumas delas. E eu conheço outros gatos que poderiam ter escrito as demais.

Para os amantes de gatos vale muito a pena.

Nota 10 para os gatófilos de plantão.

The Girl Who Drank the Moon - A garota que bebeu a lua



SPOILER FREE

Lançado em 2016, mas publicado no Brasil apenas em 2018, A Garota que bebeu a lua é um grande sucesso de público e crítica, com 2 prêmios importantes (Newbery Medal e World Fantasy Award) e é o último lançamento da americana Kelly Barnhill, conhecida também por The Witch's Boy (O filho da feiticeira em português).

Seguindo a tradição da literatura fantástica infantojuvenil de História Sem Fim, com uma qualidade literária maravilhosa, A garota que bebeu a lua é um livro para se apreciar cada página. A história trata de Luna, uma menina criada por uma bruxa, Xan, que sem querer deu a lua para a bebê beber e desde então ela se tornou mágica, o que traz as complicações esperadas de uma criança com poderes.

Mas a beleza do livro está, na verdade, nas relações de poder social exploradas pela autora entre as classes sociais do protetorado, nas relações familiares que trazem temas importantes como o amor e a verdade ou mentira ditas entre os membros da família, e os tipos de família, os de laços de sangue e as construídas pela amizade, amor e pela adoção. O livro trata ainda de questões psicológicas como o poder da memória e como a visão que se tem de si mesmo pode influenciar a vida. Tudo isso dentro um mundo fantástico cheio de magia e criaturas mitológicas.

Como toda literatura infantojuvenil de qualidade, A garota que bebeu a lua é uma leitura maravilhosa para todas as idades. Recomendo para todos! E para quem está seguindo o Desafio Literário Popoca, é uma excelente sugestão para a leitura de março, com o tema livro escrito por uma mulher e que tenha uma personagem principal guerreira.

Nota 10.

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Shaker, Why Don't You Sing?



SPOILER FREE

Quem tem seguido o blog nos últimos anos sabe que tenho dado um gás na minha leitura de poesias. O hábito de ler um pouco delas de manhã ajuda muito nisso. Mas às vezes a vida pede poesia ao longo do dia, para suavizar, e é aí que entram os meus livros de poesia em formato para kindle. Grandes salvadores da pátria de um dia ruim ou pesado.

Quem tem seguido o blog nos últimos meses sabe também que finalmente comecei a ler Maya Angelou, uma das poetisas mais importantes dos EUA da segunda metade do século XX e em especial para o movimento negro norte americano. Depois de ler uma espécie de autobiografia dela e um dos seus primeiros livros publicados, resolvi ler mais, e por acaso (ahã) eu tinha Shaker, Why Don't You Sing? no celular.

Eu não costumo fazer o que acabei fazendo com esse livro, pois gosto de ler poesia aos pouquinhos, mas Shaker é viciante. Eu não conseguia parar entre uma poesia e outra, dava sempre vontade de ler mais uma. Não é tão carregado nas questões raciais como Just give me a cool drink, e nem é autobiográfico como Letter to my daughter, é simplesmente Maya Angelou arrasando na poesia.

Com um quê de questões mais existenciais, Shaker é uma delícia de ler. Seu único defeito é ser tão curto. O que costuma ser comum em livros de poesia, e normalmente não me incomoda, mas o trabalho Maya está tão bom aqui que eu realmente queria mais.

Nota 10.