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sexta-feira, 13 de julho de 2018

Blade Runner: Do Androids Dream of Electric Sheep? - Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?



SPOILER FREE

Esse foi o livro que escolhi para o tema do desafio literário para o mês de julho: uma história que se passe num mundo pós-apocalíptico. Ah, ele também foi a inspiração para o clássico do cinema "Blade Runner".

Apesar de no filme isso não estar claro, a história original do escritor Philip K. Dick se passa num mundo pós guerra nuclear, quando uma poeira tóxica cobriu a terra e forçou a maior parte dos sobreviventes a imigrar para outros planetas (notadamente Marte). E para estimular as pessoas a irem para um planeta desértico foram criados os robôs que simulam escravos humanos.

Também diferentemente do filme, toda a questão com o caçador de androides Rick Deckard não é apenas pegar os novos modelos que fugiram de Marte (essa parte o filme cobre bem), mas toda a nova forma que a sociedade tomou entre aqueles que ficaram na Terra. Em especial, tem a questão do que diferencia os seres humanos dos androides, o questionamento se androides são ou não seres tão vivos quanto os seus criadores humanos, e também a questão do que fazer com aquelas pessoas tão afetadas pela poeira tóxica que se tornaram párias da sociedade.

Em outras palavras, mais do que uma história de ação, "Androides sonham com ovelhas elétricas?" é um livro de filosofia. Mais um exemplo de "o livro é melhor do que o filme". O livro é mais tudo, mais interessante, mais complexo, mais rico... e você ainda pode continuar imaginando os atores do filme original se quiser. E finalmente a maldita cena do filme com a coruja-robô faz sentido!

É um clássico, e por isso o livro merece ser lido. Porém, na minha humilde opinião ele ficou um pouco datado. Primeiro porque a história se passa em torno de 2015, o que é engraçado hoje em dia. Segundo porque, por se passar numa época tão próxima da gente, algumas projeções tecnológicas são muito estranhas. Por exemplo, o telefone possui telas, até aí ok, mas ele não é móvel, nada de celular, só telefone fixo, no máximo embutido em carros (que voam). Para se fazer ligações entre cidades é necessário chamar um operador! As pessoas consultam listas telefônicas em forma de livro! Eu não vejo uma dessas há tantos anos que acho que nem existem mais, e operadores telefônicos não é mais uma profissão. É engraçado demais imaginar um mundo com robôs tão bons que se passam por humanos, mas que não tem celular.

E, por fim, tem a questão do estilo de escrita. Datado também. O livro tem cara de anos 60/70 em todas as letras, com um ritmo bem lento para os padrões atuais. Não é exatamente o meu estilo favorito.

O livro é bom, veja bem, mas essas questões foram me cansando ao longo da leitura, de forma que no último terço do livro eu queria que ele acabasse logo. 

Por conta disso: Nota 8.

Girls of Riyadh


SPOILER FREE

Depois de ler literatura feminina árabe de alguns países mais abertos, como Egito e o Líbano, finalmente consegui um exemplar de literatura feminina da Arábia Saudita! Artigo raro no mundo inteiro, inclusive dentro da Arábia Saudita, onde o livro foi devidamente banido, claro.

Rajaa Alsanea traz uma história escrita através de emails semanais, enviados para um grupo onde qualquer um pode se inscrever (gente, eu lembro desses grupos de emails! faziam o maior sucesso), onde a história de quatro jovens sauditas é contada em capítulos quase novelescos. A história é toda apresentada como sendo real, apenas com os nomes e alguns lugares trocados para manter a anonimidade e portanto a honra das quatro moças.

A parte mais interessante e maravilhosa do livro é que sim, tudo do que é apresentado no livro pode ser real, extremamente real. E a autora aproveita disso para fazer críticas nada discretas à forma como o governo saudita e a estrutura de clérigos wahabitas fazem o controle da sociedade. Dizer que a crítica é ferrenha é até pouco.

O livro está envolvido numa problemática de ter sido banido em árabe no Reino Saudita, apesar de poder ser encontrada a tradução para o inglês na terra do petróleo, além de vir com uma explicação com ar de desculpas pelas adaptações que foram necessárias na tradução. Isso porque não é possível reproduzir a quantidade de variedade de dialetos do árabe que a autora precisou utilizar para contar a história, apesar disso, o livro é recheado de notas de rodapé muito ilustrativas e bem feitas.

Questões de censura e linguística à parte, a história em si é maravilhosa, além de bem escrita, e de quebra faz um retrato muito realista da sociedade saudita, não só internamente, mas, se você prestar atenção, com relação aos seus vizinhos e com uma questão xenofóbica interessante também. Para aqueles que gostam de ler sobre a cultura árabe é um prato cheio, com a vantagem de ser não só uma visão originalmente saudita, mas também leve de ler. Em temos, se você considerar o conteúdo de algumas passagens da história. Apesar de que não tem nada explícito, claro.

A única coisa que me deixou triste é que a autora nunca mais escreveu nenhum livro literário depois desse (pelas minhas pesquisas ela só publicou um livro técnico sobre odontologia - informação interessante de você guardar quando for ler a história), o que é uma pena.

Super recomendo a leitura para todos!

Informação importante: o livro foi traduzido para o português com o título "Vida dupla"!

Nota 10!

The Hating Game



SPOILER FREE

Esse foi um livro que eu peguei simplesmente para descansar, e o escolhi porque uma amiga minha gosta tanto dele que já leu mais de duas vezes. E nós duas temos gostos parecidos, claro.

The Hating Game foi escrito por uma autora australiana (taí algo diferente e que eu nem imaginava enquanto lia) e é um livro estilo água com açúcar do mais alto nível. Chick lit? Sim, mas bem feito e divertido do início ao fim. Tem drama, tem paixão, tem comédia e tem ódio. Sim, ódio, conforme o título promete.

A história traz dois colegas de trabalho, que passaram a trabalhar juntos após a fusão de duas editoras. O problema é que na verdade eles deveriam fazer o mesmo trabalho, mas como os dois donos da nova empresa não se entendem e as empresas originais tinham culturas radicalmente diferentes, os estilos dos dois não só são opostos, mas são necessários para fazer a nova empresa funcionar.

Como é um livro água com açúcar, para bom entendedor isso é suficiente. Mais do que isso é oficialmente spoiler.

Confesso que amei as personagens do livro, achei todas adoráveis e uma delícia de ler sobre elas. Ao longo do livro meu coração ficou apertado para ver o que iria acontecer e como a autora iria salvar a situação para a história continuar sendo água com açúcar até o fim. Que autora fofa. Final fofo!

Só acho que poderia ter um pouco mais de cenas picantes, não que elas faltem, mas que caberia mais algumas tranquilamente.

Curti tanto que leria feliz outro livro da Sally Thorne.
 
Infelizmente o livro não foi traduzido ainda no Brasil, só em Portugal, como o título "Odeio-te e Amo-te".

Nota 9,5 dentro do gênero.

sábado, 23 de junho de 2018

Dog Songs



SPOILER FREE

Mary Oliver é uma poetisa norte americana premiada diversas vezes, incluindo um prêmio Pulitzer. Eu já tinha ouvido falar muito dela, mas esse foi meu primeiro livro.

"Dog Songs" é uma coleção de seus poemas que tratam apenas sobre cachorros, o que é bastante óbvio pelo título. O interessante do seu trabalho é a impressão de simplicidade dos seus textos, que eu li com a sensação de estar bebendo água fresca, de tão leves.

Claro que essa ilusão nos mostra a sua qualidade como poetisa. E na verdade o tema dos cachorros é apenas uma desculpa para tratar de coisas mais profundas, como amor incondicional, família, liberdade e como lidar com a perda.

Infelizmente o livro é muito curto, e isso me deixou com uma vontade de quero mais um tanto exagerada, que acabou virando "mas é só isso? Eu esperava mais".

A qualidade do seu trabalho transparece nessa obra, mas, eu realmente esperava mais, e ainda espero encontrar coisas ainda melhores em outros trabalhos da autora.

Nota 9.

The Harafish



SPOILER FREE

Acho que posso dizer que sou uma fã incondicional do egípcio ganhador do Nobel de Literatura, Naguib Mahfouz. Eu tento ler pelo menos um livro dele por ano, numa tentativa de fazer a sua obra extensa, mas que não cresce mais porque infelizmente ele faleceu há alguns anos, durar o máximo possível. Porque se deixar, acho que devoro tudo dele de uma só vez.

Infelizmente ele não é tão traduzido para o português quanto merecia, mas com algum esforço dá para se achar até muita coisa (Trilogia do Cairo - vol 1, vol 2 e vol 3, sua obra prima; Miramar, excelente livro; O beco do pilão; Noites das mil e uma noites; O jogo do destino; Rhadopis; O ladrão e os cães).

Em especial, The Harafish não foi traduzido para o português ainda, o que é um pecado terrível. O livro traz um grande épico familiar que transpassa por inúmeras gerações de uma mesma família (deve ter mais de dez gerações aí, confesso que me perdi na conta). Mahfouz é tão genial, que ele faz dessa oportunidade uma grande colcha de retalhos de diversas situações familiares especialmente egípcias e árabes, não perdendo a chance de ainda por cima fazer uma crítica sobre a forma como os árabes percebem os descendentes de personalidades religiosas, eu iria longe o suficiente para dizer que podemos incluir aí Maomé. Lembrando que no islamismo casar e ter filhos é algo esperado de todos, santos e profetas não estão fora disso.

Na questão familiar, é interessante reparar na obra de Mahfouz as questões relacionadas ao casamento, poligamia, divórcio e a politicagem interna familiar, como o poder dos pais sobre os filhos, a questão da primeira esposa, filhos homens x filhas mulheres, etc. A diferença de tratamento para personagens homens e mulheres é especialmente importante também, trazendo um retrato bastante fiel da cultura árabe sobre o assunto.

Além disso, o título faz alusão a uma classe de trabalhadores que hoje poderíamos criar um paralelo aos favelados. Trabalhadores de baixa escolaridade e sem treinamento que vivem basicamente de bicos e trabalhos manuais, e que, claro, são paupérrimos e quase sempre passam fome. Nesse sentido, Mahfouz aproveita para também fazer uma crítica bastante pesada ao sistema de classes (ele era comunista de carteirinha), e demonstrar como esse sistema não só se perpetua de forma absolutamente injusta, mas pode ser modificado pela união e revolta da classe mais pobre, visto que são mais numerosos. Pode acrescentar aí críticas à falta de posicionamento do governo em bairros pobres (hum...), a questão das propinas (ahã...) e a falta de lideranças capazes de modificar a situação (né...). Características extremamente árabes à parte, podemos dizer que é um tema bastante universal.

O livro vai entrar na lista de melhores do autor. Maravilhoso é pouco para descrever.

Nota 10!

A Mystic Guide to Cleansing & Clearing



SPOILER FREE

Quando comprei esse livro eu já imaginava que ele não seria tão completo, mas confesso que esperava algo um pouco menos genérico.

Eu também esperava que ele fosse mais voltado para limpeza de espaços físicos, ao invés de se concentrar tanto em limpeza espiritual pessoal. Mas, nesse ponto foi uma surpresa até positiva, pois achei muito interessante o material voltado para esse fim.

Os maiores problemas do livro, na verdade, são o seu excesso de generalismo, uma mistura um tanto exagerada de linhas espirituais, e o fato imperdoável da leitura dar sono. Não, ele não dava sono só antes de dormir por falta de adrenalina causada pela leitura, deu sono em todas as horas do dia em que peguei o livro para ler.

Cheguei à conclusão de que é um livro muito mais voltado para consulta de receitas do que para ler de cabo a rabo como eu fiz. As receitas em si são até bastante interessantes, em especial as de limpeza espiritual pessoal (estou doida para testar os banhos sugeridos), e na sua maioria simples, o que facilita muito a vida.

Mas no geral deixou muito a desejar para mim. Recomendo para iniciantes apenas.

Nota 7.


sábado, 16 de junho de 2018

The Collaborative Habit: Life Lessons for Working Together

 
 
SPOILER FREE

Twyla Tharp é uma bailarina e coreógrafa de muito sucesso. Seu currículo inclui musicais da Broadway (exemplo: Hair), filmes de Hollywood (exemplos: Hair e Sol da Meia Noite) e trabalhos com grandes companhias de dança. Sem esquecer mais de um trabalho com a lenda Mikhail Baryshnikov.

Essa não é a primeira publicação da Twyla (sempre com a participação de algum escritor profissional) em temas adjacentes à dança que podem servir para qualquer pessoa (em outras palavras, autoajuda). Mas, essa é a primeira que eu leio.

Como alguém que já leu diversos textos que falam de administração, trabalho em equipe e organização, eu confesso que eu esperava algo mais do texto da Twyla. Talvez algo diferente que ela, por ter uma vivência muito específica no meio da dança, pudesse trazer e que tivesse pelo menos cara de novidade.

Nada disso. Não há nada de novo nesse livro.

O que valeu a pena então? As histórias. Com uma bagagem invejável na história da dança contemporânea norte-americana e uma variedade incrível de parcerias em tudo quanto é tipo de área artística, a melhor parte do livro são justamente essas histórias.

Caso você queira ler um livro sobre trabalho em equipe que não seja chato e repletos de exemplos corporativos, este é uma boa opção.

Caso você espere algo revolucionário, deixe para lá. Esse não é o livro para você.

Caso você goste de anedotas do mundo artístico, especialmente da dança, esse livro vai te agradar, apesar das inúmeras passagens marcadas, bem estilo autoajuda, que em tese servem para você se lembrar do resumo do que a autora quer passar.

Nota 7.