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sábado, 16 de junho de 2018

The Collaborative Habit: Life Lessons for Working Together

 
 
SPOILER FREE

Twyla Tharp é uma bailarina e coreógrafa de muito sucesso. Seu currículo inclui musicais da Broadway (exemplo: Hair), filmes de Hollywood (exemplos: Hair e Sol da Meia Noite) e trabalhos com grandes companhias de dança. Sem esquecer mais de um trabalho com a lenda Mikhail Baryshnikov.

Essa não é a primeira publicação da Twyla (sempre com a participação de algum escritor profissional) em temas adjacentes à dança que podem servir para qualquer pessoa (em outras palavras, autoajuda). Mas, essa é a primeira que eu leio.

Como alguém que já leu diversos textos que falam de administração, trabalho em equipe e organização, eu confesso que eu esperava algo mais do texto da Twyla. Talvez algo diferente que ela, por ter uma vivência muito específica no meio da dança, pudesse trazer e que tivesse pelo menos cara de novidade.

Nada disso. Não há nada de novo nesse livro.

O que valeu a pena então? As histórias. Com uma bagagem invejável na história da dança contemporânea norte-americana e uma variedade incrível de parcerias em tudo quanto é tipo de área artística, a melhor parte do livro são justamente essas histórias.

Caso você queira ler um livro sobre trabalho em equipe que não seja chato e repletos de exemplos corporativos, este é uma boa opção.

Caso você espere algo revolucionário, deixe para lá. Esse não é o livro para você.

Caso você goste de anedotas do mundo artístico, especialmente da dança, esse livro vai te agradar, apesar das inúmeras passagens marcadas, bem estilo autoajuda, que em tese servem para você se lembrar do resumo do que a autora quer passar.

Nota 7.

Celtic Tales: Fairy Tales and Stories of Enchantment from Ireland, Scotland, Brittany, and Wales

SPOILER FREE

Esse livro foi para o kindle por conta do meu hábito de leitura noturna, que pede livros com contos ou que possam ser interrompidos a qualquer momento (como diversos livros de não-ficção). Fazia tempo que eu estava pensando em ler mais sobre as lendas celtas, então, nada mais apropriado.

São 16 contos da região do Reino Unido, adaptados pela autora Kate Forrester, e divididos em quatro temas: Tricksters; The Sea; Quests e Romance. Alguns contos são bem curtinhos, outros um tanto mais longos. Mas o mais interessante é que nem todos possuem uma moral no final! É muito bom poder pegar um conto de fadas e não necessariamente ter um final feliz ou uma recompensa para o herói ou uma pena para o vilão! É algo muito realista, na verdade...

E tem todos aqueles seres mágicos típicos de histórias celtas, como fadas, poocas, wyverns, bruxas e sereias! Alguns já são muito conhecidos aqui no Brasil, outros são menos divulgados, e daí a oportunidade de ler um livro como esse pode ser muito enriquecedora!

As histórias em si são interessantes e bem escritas, a autora fez um esforço para que elas soassem contadas como antigamente, o que ficou legal. Mas, eu não sei explicar, só sei que não me apaixonei por ele. Talvez seja uma questão de gosto, talvez seja porque o livro é um tanto curto (poderia ter mesmo muito mais histórias do que ele tem), talvez seja porque muitas das histórias parecem que tem um final um tanto quanto abrupto, o que não é tão incomum assim no gênero.

Independentemente da razão, o resultado é que eu esperava mais.

Nota 8.

Muhammad's Wives

 
 
SPOILER FREE

Depois de ler alguns livros esse ano relacionados a história do mundo árabe e do islamismo, fiquei curiosa com relação às esposas de Maomé. Pelo o que pude perceber, as histórias delas são dignas de novela mexicana!

Se eu bem me lembro, esse livro ou estava numa lista bibliográfica de algum dos livros que eu li, ou ele apareceu como sugestão quando fui buscar alguma outra referência, e ele estava baratinho. Não preciso dizer mais nada, não é mesmo?

O livro, infelizmente, não era tudo o que eu estava esperando.

Primeiramente ele é muito curto, tem apenas 40 páginas, o que quer dizer que as informações contidas neles são resumidas ao máximo. Uma das esposas chega a ter apenas dois parágrafos destinados a ela.

Segundo, o que de certa forma deriva do primeiro, o livro é tão superficial, que não contem nem um parágrafo para as esposas cujos status do relacionamento são contestados (em específico uma copta e uma judia), e que dependendo da fonte elas são consideradas concubinas e não esposas.

E pior, não tem as histórias dignas de novela... apenas as mais conhecidas e imprescindíveis para se conhecer o básico de cada esposa.

Mas, para quem não sabe nada e para uso de referência é interessante.

Outra limitação é que o livro foi escrito por uma muçulmana bastante devota, o que é interessante por um lado, mas por outro ela acaba por fazer uso do texto para fazer propaganda. Nada contra, mas podia ser mais discreta, né?


Nota 7.

domingo, 10 de junho de 2018

Getting Over Garrett Delaney


SPOILER FREE

Esse é um livro que foi muito elogiado no Goodreads por algumas pessoas que eu sigo e gosto das resenhas. Consegui numa promoção da Amazon e voilá!

O estilo é bem literatura infantojuvenil: menina é apaixonada pelo melhor amigo e fica eternamente babando do lado dele enquanto ele fica com diversas namoradas por aí, até que ela cansa e resolve que precisa superar o amor por ele.

O que eu gostei é que o livro trata da situação de uma forma que achei bem interessante, porque leva em consideração a complexidade de um sentimento como esse. Além disso, mostra a problemática comum que meninas (e mulheres) passam ao se moldar e se modificar para tentar agradar um cara, que no fundo não gosta delas como elas são de verdade. É realmente uma discussão necessária, ainda mais quando tratamos de adolescência, que é uma época de descoberta e definição de personalidade.

No fundo é um livro sobre auto descoberta e transformação, a personagem principal começa muito chata e fazedora do leitor revirar os olhos, e termina muito mais madura e segura de si. Tem coisa mais legal?

Me surpreendeu muito positivamente, além de me fazer rir alto diversas vezes.

Não é nenhum suprassumo, não é genial, e não é inesquecível. Mas é bem escrito. Vale o tempo de leitura.

Nota 9.

Letter to My Daughter



SPOILER FREE

Esse é o primeiro livro que li da autora americana Maya Angelou. Famosa por sua poesia, Maya também escreve coisas um tanto quanto diferentes, um misto de autobiografia com texto motivacional.

Até ler esse livro, eu conhecia algumas poesias da autora, o suficiente para ser sua fã e querer ler mais dela (o que explica a compra desse livro). Depois desse volume sou mais fã ainda.

Aqui os textos são quase que pequenos contos autobiográficos da autora, com o objetivo de ilustrar aprendizados que ela teve ao longo da sua vida e que ela espera que possam servir de lição para a geração seguinte de mulheres, especialmente mulheres negras americanas.

Confesso que fiquei embasbacada com as suas histórias, e também com a sua sensibilidade ao contá-las. Maya Angelou merece um pedestal ainda maior do que ela já tem, que mulher incrível!

A boa notícia é que se encontram alguns de seus livros traduzidos para o português, a má notícia é que eles são poucos e não incluem este aqui.

Nota 10!


Ten Women - Dez Mulheres


SPOILER FREE

Eu comprei esse livro num impulso porque ele estava numa mega promoção da Amazon de literatura mundial, e eu nunca tinha ouvido falar da escritora chilena. Achei que seria uma ótima oportunidade de conhecer, mesmo com o texto traduzido para o inglês.

Posso dizer com convicção que valeu muito a pena. Marcela Serrano é uma escritora de mão cheia, e com inúmeros prêmios nas costas! Todos eles provavelmente merecidos pelo o que que pude ver em Dez Mulheres.

O livro traz relatos feitos numa espécie de sessão especial de terapia em grupo, de dez mulheres que frequentam a mesma psiquiatra. Para tornar a coisa mais interessante, a psiquiatra, Natasha, faz atendimentos gratuitos também, então a história de cada mulher é muito diferente e vai desde uma senhora que aqui viveria numa favela no Brasil, até uma estrela de televisão, e com as idades mais diversas, desde uma moça recém saída da adolescência até uma senhora de oitenta anos.

Todas as histórias são extremamente femininas, e todas me tocaram profundamente, algumas conseguiram até mesmo encher os meus olhos de lágrimas, o que é um grande feito para um livro (ou filme). O interessante é que mesmo com apenas a psiquiatra em comum, os relatos das mulheres fazem uma colcha de retalhos extremamente equilibrada e coesa, além de mostrar um lindo retrato do Chile.

Marcela se mostrou uma mestra na criação de personagens e de vozes, pois todas são distintas e realistas, ao ponto de você ficar pensando que pelo menos alguma coisa dali é baseada em fatos reais.

Fiquei tão apaixonada que já estou à caça de outros livros da autora. Virei fã.

Nota 10.

No God But God: The Origins, Evolution and Future of Islam


SPOILER FREE

O autor Reza Aslan é mais conhecido no Brasil por conta do livro Zelota, que trata da história de Jesus. Mas nos EUA ele é mais conhecido por suas obras sobre história geral das religiões, e em especial o Islã, visto que ele é iraniano e muçulmano.

Resolvi ler esse livro como uma espécie de complemento ao livro da Karen Armstrong, e nesse sentido posso dizer que consegui o meu objetivo. O livro da Karen é mais completo historicamente falando, pois cobre com uma quantidade razoavelmente constante de detalhes os quase 13 séculos de história do islamismo, enquanto o livro do Reza Aslan é mais profundo em suas explicações teológicas, enquanto não trata de toda a história da religião.

Os estilos também são bem diferentes, a Karen é mais acadêmica, seu texto pode ser bem distante e frio, enquanto o Reza gosta de incluir os seus sentimentos e experiências para ilustrar o que ele quer dizer, o que torna a leitura um tanto quanto diferente.

Pesa bastante o fato do autor ser muçulmano e falar árabe, isso faz com que a sua tradução de trechos do Corão e de outros livros árabes tenha uma maior probabilidade de estar mais corretas do que se vê por aí (existem umas traduções do árabe que só Allah salva), além do torná-lo mais simpático ao assunto e com muito mais propriedade para falar sobre ele. As suas dicas de melhores traduções de textos clássicos são valiosas!
O que foi negativo para mim no livro é que um: o autor realmente não trata toda a história do Islã como eu esperava; dois: eu entendo que ele queira fazer diversos paralelos entre diferentes momentos históricos, mas a forma como ele escolheu fazer isso muitas vezes é um tanto quanto confusa, poderia ter ficado melhor; e três: na edição para kindle que eu comprei não aparecem links para as notas que existem no final do livro, quando cheguei no final e as descobri lá foi difícil de conectar os seus conteúdos com o que eu já havia lido.

Minhas questões à parte, o livro é muito bom e esclarecedor. É uma pena que ainda não tenha sido traduzido para o português, porque é uma excelente fonte de informação. Sinto que faltam muitos livros a serem traduzidos no Brasil sobre o Islã, não é a toa que as pessoas por aqui ficam perdidas no assunto.

Nota 8,5.