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domingo, 9 de dezembro de 2018

Big Mushy Happy Lump - Uma Bolota Molenga e Feliz



SPOILER FREE

Preciso começar essa resenha confessando algo: eu li os livros da Sarah Andersen fora de ordem. Essa semana, na verdade, li o terceiro livro dela, e quando percebi que tinha feito isso (depois de termina-lo, claro), resolvi pegar o segundo volume, esse aqui, e ler às pressas, para poder fazer pelo menos as resenhas na ordem certa.

Mas por que isso é importante? Então, o trabalho da Sarah Andersen é meio que auto biográfico. Isso significa que você entende melhor algumas coisas se seguir a ordem dos acontecimentos, e sim, ler Uma Bolota Molenga e Feliz antes do livro seguinte, A Louca dos Gatos, faz toda a diferença. Acredite em mim, que já li os dois.

Quem já leu minha resenha do primeiro livro da Sarah, sabe que eu adoro o trabalho dela, e que a sigo no Facebook e por isso sou uma pessoa mais feliz (nada como uma boa gargalhada para te deixar mais feliz). Posso dizer como fã que esse segundo volume de coletânea de quadrinhos dela é tão bom quanto o primeiro. Se você gosta da Sarah esse livro é diversão garantida. Pode comprar de olhos fechados e ler de olhos bem abertos, se você conseguir rir com eles abertos.

E aproveita e deixa o terceiro e último volume publicado em mãos, para a diversão durar mais.

Mal posso esperar pelo próximo livro da Sarah.

Nota 10!

sábado, 8 de dezembro de 2018

A Passionate Love Affair with a Total Stranger



SPOILER FREE

Está chegando o final do ano e com ele aquele estresse para fechar as metas do ano em todos os campos, inclusive os livros. Daí a melhor coisa a fazer é ler coisas leves. Primeiro porque chega de estresse, segundo porque coisas leves terminam mais rápido e facilitam atingir a meta de leitura.

Como quem lê minhas resenhas já percebeu, adoro ler um livro estilo chicklit quando preciso espairecer. E agora em dezembro tem uma maratona internacional de romances chamada #smutathon, que claro, eu pretendo seguir, então resolvi fazer um esquenta.

A Passionate Love Affair with a Total Stranger não foi lançado no Brasil, e provavelmente não vai ser tão cedo, visto que não é nenhum Best Seller. Mas é divertido toda vida de ler. Charley Lambert é diretora de comunicação de uma mega empresa farmacêutica e uma workaholic, até que ela sofre um acidente e precisa ficar parada em casa por semanas antes do próximo mega lançamento da sua empresa. Como boa workaholic ela inventa o que fazer e cria um pequeno negócio de ghost writer para mulheres com dificuldade de paquerar pela internet.

A história é boba, muito boba, e em tanto datada. Não é tão viável em dias de Tinder você oferecer esse tipo de serviço, fora que a razão desse tipo de aplicativo hoje em dia não é exatamente o mesmo do início dos sites de encontros românticos. Mas isso não importa, porque o livro é engraçado.

Não tem todas as cenas picantes que eu esperava, infelizmente, mas ele compensa no humor. Tem umas questões que surgem de vez em quando de machismos estruturais meio escondidos, mas nada que grite na sua cara e faça você ter raiva do livro, o que é mais do que pode ser dito da maioria dos livros desse estilo hoje em dia, então ponto positivo.

Lucy Robinson não é uma autora genial, e A Passionate Love Affair with a Total Stranger não é uma obra prima, mas a leitura é leve, divertida e rápida. Serve exatamente ao seu propósito, então, se você está procurando algo leve e divertido de ler essa é uma excelente opção.

Dentro do estilo, nota 9.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Dance was her Religion

 
 
SPOILER FREE

Como uma apaixonada por dança que é também uma leitora compulsiva, volta e meia eu pego um livro bem teórico sobre o assunto. Dessa vez, uma análise sobre o aspecto místico e religioso das bailarinas que iniciaram o que hoje chamamos de dança moderna Isadora Duncan, Ruth St. Denis e Martha Graham.

Como os seguidores fieis do blog devem lembrar, não é a primeira vez que li sobre essas bailarinas em especial. Aqui você vai encontrar a autobiografia da Isadora, aqui uma Graphic Novel sobre sua vida, aqui uma coletânea de textos e poesias da St Denis e aqui um romance histórico sobre a vida da Martha Graham.

Isso é só para mostrar que não sou uma leiga completa no assunto e poder reclamar do livro Dance was her religion com alguma autoridade. Se você não está acostumado com livros acadêmicos ou não sabe nada sobre essas três bailarinas, Dance was her religion é uma leitura interessante e muito válida. Agora, se você espera algum tipo de tratado ou novidade sobre o assunto, melhor não perder o seu tempo.

As análises da Janet Lynn Roseman contidas no livro são bastante rasas, e estão mais no campo do achismo, apesar das fontes serem bastante diversificadas, interessantes e por vezes até difíceis de acessar, o que torna o texto cheio de excelentes citações de outras obras. Em termos de informações novas ou inéditas, também não adianta procurar aqui. A parte interessante nesse sentido é que a autora acertadamente critica outras obras sobre as três bailarinas que possuem informações equivocadas, e isso pode te poupar a leitura de outros livros que certamente não vão levar a nada.

Outro ponto positivo é a coletânea de imagens, a maioria pouco comuns em obras sobre essas três bailarinas, o que torna o livro bonito. E nesse sentido, dê preferência para a versão impressa dele, o livro digital não é bem diagramado e não tem todas as imagens do livro físico. Fala a pessoa que tem os dois, claro.

Só para esclarecer que eu não sou completamente doida: estou numa campanha de substituir meus livros físicos por versões digitais, para tentar liberar espaço nas minhas estantes de casa e diminuir o acúmulo de poeira. A ideia é linda, mas a realização tem deixado um pouco a desejar, infelizmente. Esse caso ilustra bem um problema, em algumas ocasiões o livro físico vale mais a pena do que o digital e aí eu não consigo me livrar do papel.

No geral, a leitura é agradável e fácil de ler. Dance was her religion é bem organizado e o texto flui, mesmo com a enorme quantidade de citações e notas de rodapé (que na maioria das vezes indica as fontes, o que adoro, nada melhor que um livro cheio de fontes). Mas é sintomático que eu tenha tido muito mais vontade de sublinhar as citações do que o texto em si da Janet Lynn Roseman.

No fundo, o problema é que é um livro mais voltado para leigos no assunto. Então, pessoalmente, eu não aproveitei tudo o que eu esperava.

Nota 7.

domingo, 2 de dezembro de 2018

A Filha Perdida

SPOILER FREE

Depois de ler a genial Série Napolitana da italiana Elena Ferrante, fiquei de olho nos demais livros da autora que ninguém sabe quem é. Sim, Elena Ferrante é um pseudônimo, e a autora, espertamente, raramente concede entrevistas e há anos se especula sua verdadeira identidade. Quem diria que isso ainda era possível nos dias de hoje?

A Filha Perdida foi publicado quase 6 anos antes do primeiro livro da Série Napolitana, e antes do sucesso da autora não era badalado. Peguei para ler simplesmente porque me apaixonei pelo trabalho da Elena Ferrante depois de ler A Amiga Genial.

A primeira coisa que reparei é que apesar de não ser o mesmo livro, parece ser o mesmo livro. A sensação de ler A Filha Perdida foi muito estranha, no sentido que parecia que eu estava relendo a Série Napolitana, só que de uma forma meio chata e sem graça. Claro que a história não é a mesma, as personagens são todas diferentes, mas ao mesmo tempo parecia ser a mesma coisa.

Não sei se é uma questão de estilo, algo como Saramago, em que você bate o olho e sabe que o texto é dele. Pode ser que seja, mas me pareceu algo mais na linha a autora só escreve na perspectiva de mulheres que gostam de remoer seus próprios sentimentos ad infinitum. Só que ao invés de ser interessante e instigante como no caso da história de Elena e Lila, aqui só me pareceu um tanto chato e exagerado.

Não é um livro ruim, veja bem, ele só tem outro peso e andamento que a Série Napolitana. A Filha Perdida é bem mais soturno, taciturno e melancólico, com uma tendência a exagerar nos floreios e autoanálises da personagem narradora, uma mulher de quarenta e poucos, divorciada e cujas filhas já saíram de casa. A história é basicamente as férias que ela decide passar na praia.

Para mim faltou o brilho e o frescor da história de Elena e Lila. Foi como rever um filme só que fora de foco e com cores desbotadas. Talvez seja uma questão de amadurecimento da autora, afinal, ela lançou esse livro antes do seu grande e premiado sucesso. É muito triste escrever uma resenha dessas para Elena Ferrante, mas eu sou sincera.

Nota 7.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Publicação da Mortalidade

 
 
SPOILER FREE

Quem me acompanha minhas resenhas há algum tempo sabe que eu sou fã do autor português Valter Hugo Mãe. Desde que o conheci leio pelo menos um livro dele por ano, e claro, não resisti comprar esse livro de poesias dele quando o vi numa livraria.

Então descobri que Valter Hugo Mãe, apesar de escrever prosa de forma absurdamente poética, não é exatamente um poeta. Ou pelo menos, esse volume não faz jus a qualidade dos demais livros que já li dele.

A Publicação da Mortalidade é dividido em diversas partes, como uma coletânea de pedaços de outros livros (o que eu não tenho certeza se procede ou se é só estilo para esse volume), algumas com poesias bem curtinhas, outras com poesias bastante extensas. Independentemente do tamanho, as poesias vão no máximo até bonitinhas, não há nada genial no livro inteiro.

Valter Hugo Mãe acerta em passagens das poesias, que realmente geram diversas citações belíssimas, mas no geral as poesias muitas vezes parecem uma tentativa fracassada de genialidade por chocar o leitor do que por algo inato do texto. O texto em si é bastante fraco, o que me deixou decepcionadíssima. Eu esperava muito, mas muito mais dele.

Uma pena. Talvez eu deva me manter apenas na leitura da prosa poética de Valter Hugo Mãe.

Nota 5.

sábado, 24 de novembro de 2018

Poet X - A Poeta X



SPOILER FREE

A Poeta X é um dos destaques dos livros lançados esse ano e finalista nos prêmios National Book Award, Boston-Globe Hornbook Award Prize for Best Children’s Fiction e Goodreads Choice Awards 2018 na categoria poesia. Mas o livro é um romance young adult.

Como assim? Pois é, A Poeta X desafia categorias assim como sua escritora, Elizabeth Acevedo, negra, filha de imigrantes da República Dominicana nascida em Nova Iorque e que se autodenomina AfroLatina. A autora é campeã nacional de Slam (competição de declamação de poesias autorais), palestrante do TED Talk e professora em diversas universidades nos EUA.

Eu não sabia nada disso quando peguei o livro para ler, claro, e posso dizer ele me surpreendeu em todas as páginas. A história é contada na forma de um diário escrito pela personagem principal, Xiomara Batista, que aliás, é uma das melhores personagens femininas que já li, mas ela escreve em forma de poemas. É um livro/diário/seleção de poemas/romance young adult. E funciona.

As poesias são escritas de forma a parecer que foram feitas por uma adolescente de 16 anos que escreve bem. E sim, elas parecem exatamente isso, incluindo inclusive expressões em espanhol no meio, porque, enfim, a personagem, assim como a escritora, é filha de dominicanos. A história é centrada na relação de Xiomara com a família, um pai ausente, uma mãe católica ferrenha e controladora e um irmão gêmeo, Xavier, sobre quem não posso dizer nada sem dar spoiler.

Minhas passagens favoritas são aquelas em que ela fala dos deveres de casa para a aula de literatura, porque achei muito sensacional o fato da personagem primeiro escrever no diário o que ela realmente queria dizer e depois você vê o que ela realmente entregou para a professora. Claro, tudo muda de uma coisa para outra e é de partir o coração em mil pedacinhos. É lindo.

Por ser um livro onde a narradora é uma adolescente AfroLatina, a questão das mulheres e do feminismo é muito presente em todo o texto. Questões que apenas mulheres conseguem realmente entender estão presentes ali. Tem um poema em especial que eu amei de paixão, em que Xiomara fala do assédio que ela sofre na rua que é simplesmente perfeito.

Por ser e família católica, ainda tem toda uma conexão com o que mulheres brasileiras passam também, em uma passagem inspirada do livro:

When I’m told to have faith in the father the son in men               and men are the first ones to make me feel so small.

Quando dizem para eu ter fé no pai no filho nos homens              e os homens são os primeiros a me fazer sentir tão pequena. (tradução minha)
Todo o enredo é um retrato bastante realista e chocante. E o fato de ser as duas coisas mostra porque precisamos tanto de livros como A Poeta X. Ele merece todos esses prêmios mesmo. Elizabeth Acevedo merece ser ovacionada de pé.

Nota 10.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Made you up - Inventei você?



SPOILER FREE

Esse livro estava na minha lista de leituras desde o seu lançamento em 2015, mas a lista é longa e a as minhas escolhas podem ser muito enviesadas de vez em quando. Acabei tirando da prateleira virtual porque estava a caça de algo relacionado a teorias da conspiração.

Não, o livro não é sobre teorias da conspiração. É sobre uma adolescente ruiva no último ano da escola que sofre de esquizofrenia. A questão é que Alex é descrita no blurb como paranoica, o que é certo que vai envolver pelo menos a ideia de conspirações, por isso peguei o livro. Tcharã!

Como livro estilo young adult, Inventei você? (título da tradução no Brasil, pela editora Verus) funciona muito bem e a leitura é muito interessante. Toda a questão gira em torno do fato que Alex, nossa narradora, tem dificuldade de identificar o que é real e o que não é. Logo, conforme a história vai andando, você como leitor também não tem certeza se o que está acontecendo é real ou fruto de alucinações da narradora. 

Como estilo e linha narrativa funciona muito bem, é preciso tirar o chapéu para Francesca Zappia. Além de ter escrito uma das melhores citações de livros young adult: 

Sometimes I think people take reality for granted.

Às vezes eu acho que as pessoas não dão o devido valor à realidade. (tradução minha) 

E o enredo todo é muito divertido, cheio de situações muito interessantes, incluindo um excelente bad boy e interesse romântico, alunos imigrantes e diversas teorias estilo conspiração envolvendo as animadoras de torcida. Aliás, a escola onde Alex estuda tem um clube de teorias da conspiração. Viu como eu estava certa? 

Mas o livro tem um problema grave. Segundo alguns especialistas que andei lendo (porque eu não sou especialista), o livro faz uma representação pouquíssimo ou nada realista da esquizofrenia, o que é um desserviço aos leitores e aos que sofrem dessa doença. E é aí que mora o grande pecado da Francesca Zappia. Bons escritores fazem pesquisa, e caso tenham tomado liberdades com a realidade (ha ha ha) eles incluem um texto sobre o assunto no livro, o que ela não fez, claro.

Isso me deixa muito dividida, porque a leitura é divertida, dinâmica e original, mas o erro é imperdoável.

Por isso, nota 7.