Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador humor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador humor. Mostrar todas as postagens

domingo, 8 de novembro de 2020

we are never meeting in real life.


 

SPOILER FREE

Samantha Irby é uma escritora e blogueira norte americana negra, de origem pobre, LGBT, plus size, que sofre de depressão e doença de Crohn. Digamos que sua vida não é das mais fáceis do mundo. E apesar de não estar exatamente no tema do desafio literário Popoca de novembro, de autores africanos, também não está muito distante.

Preciso confessar que o seu humor não exatamente bateu comigo, mas apreciei demais a leitura de we are meeting in real life., que, infelizmente, ainda não foi traduzido para o português. O livro, assim como os outros já publicados pela autora, é composto de ensaios autobiográficos, onde Samantha narra casos da sua vida com um humor bastante peculiar e um grau de honestidade que beira o chocante. Mas quem não precisa de um choque de realidade de vez em quando, certo?

Seja com relação às suas dificuldades como mulher negra nos EUA, seja com relação à depressão, à pobreza, ao seu próprio corpo fora dos padrões, Samantha consegue extrair humor de tudo, e ao mesmo tempo te deixar desconfortável. É até difícil de explicar a sensação de ler seus textos, mas lembra aquele desastre de trem que você sabe que vai acontecer, não quer ver, mas não consegue nem piscar o olho. No final, você passou por uma experiência que de forma geral não te agradou, mas mudou sua forma de ver o mundo e você quer passar por isso de novo. Já mencionei que comprei outros livros dela desde então?

Recomendo muito, apesar de não dar a nota máxima ao livro, e com avisos: gatilhos de depressão e linguagem chula. Mas vale cada página.

Nota 8.

terça-feira, 31 de março de 2020

Crazy Rich Asians (Crazy Rich Asians #1) - Asiáticos Podres de Ricos



SPOILER FREE

Aproveitando o último respiro de março, com o tema do Desafio Literário Popoca de autores orientais, resolvi ler algo um tanto quanto diferente, por mais que o livro tenha feito tanto sucesso que virou filme em 2018. Dessa vez apostei num autor de Cingapura.

Cingapura é uma ilhota ao sul da Malásia, e é uma versão mais chique e mais rica do país asiático, que, por acaso, visitei ano passado (super recomendo aliás). Também é uma versão mais chinesa e mais ocidentalizada que o país muçulmano vizinho. O autor Kevin Kwan retrata a porção mais rica de um país bastante rico, não é a toa que o nome do livro ficou Crazy Rich Asians, com a tradução Asiáticos Podres de Ricos em português.

O estilo de vida das famílias retratadas não deixa nada a desejar às famílias reais europeias, sultões e grandes magnatas. E isso tanto do lado de quantidade de dinheiro quanto do lado de esnobismo. Mas, como em qualquer lugar do mundo, existem as pessoas legais e as pessoas letais. 

Esse primeiro volume do que veio a se tornar uma trilogia por causa do estrondoso sucesso, acompanha a história de Rachel, uma americana de origem chinesa criada nos EUA desde bebê, que é convidada pelo namorado Nick Young a conhecer sua família em Cingapura. O que ela nem desconfia é que Nick faz parte de uma das famílias mais ricas e influentes do país. Claro também que a família Young é pega de surpresa com uma namorada que ninguém sabia que existia e por isso todos assumem que ela é uma alpinista social atrás da fortuna da família.

A história é retratada sob diversos pontos de vista diferentes, o que torna a leitura bastante interessante, pois o leitor acompanha a trama de todos os lados e é apresentado a muitas opiniões divergentes. E isso tudo imerso numa cultura extremamente rica, diversificada e interessante. O texto, por exemplo, é recheado de expressões de origens chinesas e malaias, de vários idiomas distintos, além de ser apresentado a muitas explicações da riquíssima culinária local (que não recomendo para quem não gosta de pimenta e temperos fortes).

Apesar das tramas diabólicas, a leitura é leve e a história é extremamente divertida. Mal se sente que o livro tem mais de 500 páginas (o que me deixou surpresa quando descobri). É muito claro que a razão do sucesso do autor está nas suas belíssimas construções de personagens, aliado a um senso de humor original e o tempero asiático que o torna exótico, mas facilmente relacionável.

Para tempos de quarentena é uma excelente leitura!

Nota 9.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Death Wins a Goldfish: Reflections from a Grim Reaper's Yearlong Sabbatical



SPOILER FREE

Confesso que descobri esse livro, uma pequena joia do ilustrador americano Brian Rea, numa liquidação da Amazon. O que me fisgou foi o título: Death Wins a Goldfish: Reflections from a Grim Reaper's Yearlong Sabbatical (algo como A Morte ganha um peixe-dourado: reflexões de um ano sabático de um Ceifador em tradução livre).

Como o livro foi lançado em fevereiro de 2019, ainda não tem tradução para o português. Infelizmente nem sei dizer se haverá essa tradução, visto que Death Wins a Goldfish é um livro que desafia classificações óbvias. Com cara de livro infantil, na verdade ele é voltado para o público adulto, e, em especial, para os workaholics. Brian Rea, que um dia já sofreu no trabalho, traz uma versão da morte um tanto quanto diferente.

No seu conto, a Morte recebe um comunicado da área de recursos humanos, agradecendo pelo excelente trabalho, porém, como ela nunca tirou nem um dia de folga, depois de tantos anos, será obrigada a tirar um ano sabático para colocar as férias em dia. O livro conta como a morte, que realmente nunca viveu, resolve passar esse ano sabático e o que ela aprende com isso.

É um livro fofo, e que tem uma mensagem importante, especialmente nos dias enlouquecidos de hoje, onde tanta gente trabalha sem poder ou sem querer tirar férias. A história é contada em forma de diário, separado pelos meses, de uma forma temática.

Pessoalmente, eu curti muito a personagem principal, e a mensagem em si é linda.

Mas, de alguma forma, achei que o autor perdeu a chance de ser um pouco mais profundo, especialmente pela escolha da personagem e do tema. Sabe quando você vê uma ideia genial ser bem trabalhada mas não alcançar todo o potencial?

Independente disso, a leitura vale a pena e recomendo. Até porque é curtinho, gostoso, e ótimo para fazer número em desafios literários! Ou apenas para deixar na mesa de centro da sala e observar a cara das pessoas.

Nota 9.

terça-feira, 28 de maio de 2019

Good Omens - Belas Maldições



SPOILER FREE

Com o lançamento da série previsto para 2019, eu não podia deixar passar a oportunidade de reler a obra escrita a quatro mãos pelos mestres ingleses Terry Pratchett e Neil Gaiman.

Belas Maldições foi lançado numa época (início dos anos 90) em que os dois autores ainda não tinham alcançado o auge do seu sucesso. Terry Pratchett tinha lançado os primeiros volumes da sua série Disc World, e Neil Gaiman ainda estava construindo sua carreira de escritor. Mas, como eles mesmos contam nas suas respectivas introduções do livro (que são textos maravilhosos à parte, não compre uma edição sem eles), eles se tornaram amigos quando Neil Gaiman ainda trabalhava como jornalista e foi entrevistar o autor do recém lançado A Cor da Magia (primeiro livro de Terry Pratchett).

Depois de alguns anos de amizade, os dois começaram a trocar quase que cartas sobre um conto sem final que Neil Gaiman havia começado a escrever e enviou para Pratchett. A partir daí, ainda num mundo sem emails (imagine isso), os dois começaram a trabalhar em conjunto no manuscrito do que viria a se tornar o best seller Good Omens, ou Belas Maldições em português. Sim, o livro sofre com a tradição de traduções bizarras do Brasil. Mas as edições americanas, antes do lançamento da série de TV, conta com uma linda edição dupla (imagem aí em cima), que você pode escolher a capa de sua preferência.

Confesso que lembrava pouco da minha primeira leitura do livro, o que não é de estranhar, pois li um volume emprestado de uma amiga (que me fez jurar de pé junto que eu iria devolver, o que eu fiz, claro) na tradução para o português, há mais de dez anos. Desde então, eu já pensava em conseguir uma cópia no original para ler, o que demorou mais do que eu imaginava porque o livro nunca, nunca, mas nunca mesmo, entra em promoção na Amazon. Desisti e paguei o preço cheio, que, serei sincera, nem era tão caro assim.

E valeu cada centavo e cada minuto gasto na releitura. Para quem gosta de humor inglês, Queen (a banda), Terry Pratchett, Neil Gaiman e Lucifer (a série de TV), o livro é um prato cheio. Não só os autores estão afiadíssimos juntos, ao ponto de não ser possível identificar exatamente quem contribuiu com o quê, como eles montaram um dos enredos mais divertidos da literatura sarcástica inglesa.

Em tempo, Belas Maldições traz a história do Apocalipse, com o momento em que um demônio que vive na Terra, Crowley (e tem um pacto com um anjo, Aziraphale), recebe a missão de ajudar a colocar na família correta o Anti Cristo. A explicação para o nome completo do livro, The Nice and Accurate Prophecies of Agnes Nutter, Witch (As Justas e Precisas Profecias de Agnes Nutter, Bruxa), está no fato que todos os acontecimentos que se passam no livro foram previstos pela tal da Agnes, mas ela era uma bruxa do século XVII ou XVIII e não conseguia entender ou descrever boa parte do que ela previa, além de não ter ideia da ordem das coisas. Os Cavaleiros do Apocalipse são um show à parte, com atualizações simplesmente maravilhosas para o mundo contemporâneo.

Tomara que eles atualizem só mais um pouquinho e mantenham a "trilha sonora original".

Preciso dizer que fiquei ainda mais ansiosa para o lançamento da série?

Além de ser produzida e escrita pelo próprio Neil Gaiman, a série conta com um excelente elenco: David Tennant, Michael Sheen, Jon Hamm, Anna Maxwell Martin, Josie Lawrence, Adria Arjona, Michael McKean, Jack Whitehall, Miranda Richardson e Nick Offerman. A previsão é que seja lançada agora no dia 31 de maio, no Amazon Prime, e tenha seis episódios (espero que seja só isso, nada de virar American Gods, por favor, Deusa da Mídia), que depois deverão passar semanalmente na BBC.

Prontos para a contagem regressiva para o Apocalipse?

Nota 10!     

domingo, 5 de maio de 2019

Where'd You Go, Bernadette - Cadê você, Bernadette?



SPOILER FREE

Para o Desafio Literário da Coruja, com o tema de abril (li atrasado, confesso) de livros que vão virar filme em 2019, escolhi o livro de humor Cadê você, Bernadette?

A autora americana Maria Semple traz a história de Bernadette, uma arquiteta americana que sofre de agorafobia e mora em Seattle com a filha e o marido. A filha é uma jovem genial, com perspectivas de estudar em escolas de alto nível, e o marido é um gênio que trabalha na Microsoft e tem uma das TEDTalks mais vistas da história.

Todo o drama gira em torno das dificuldades de Bernadette em se adaptar ao estilo de vida de Seattle, o que se torna ainda mais complicado quando a sua filha resolve pedir de presente uma viagem à Antártida. Sua agorafobia com a perspectiva da viagem aumenta de uma forma que, juntando a diversos outros problemas e confusões que eu não vou mencionar por motivos de spoiler, acabam por fazer com que ela desapareça. O que é uma das razões para o título do livro.

A história é narrada pela filha, que consegue obter diversos emails, bilhetes e documentos diversos que vão aos poucos ilustrando o que realmente aconteceu com Bernadette. Por conta disso, a leitura é bastante dinâmica, pois os capítulos acabam por ter subcapítulos dentro. E sim, a história é realmente divertida, apesar de bizarra em diversos momentos.

Não obstante o fato de uma grande amiga não ter me recomendado o livro, por ter achado lento, eu resolvi tentar. E ainda bem, pois pessoalmente eu amei a história de Bernadette. Valeu a pena cada página. Agora fiquei ansiosa para ver o filme, que só deve ser lançado em agosto.

Nota 9,5.

sábado, 15 de dezembro de 2018

Herding Cats - A Louca dos Gatos

SPOILER FREE

Como eu mencionei na minha última resenha da Sarah Andersen, eu li os dois últimos lançamentos dela fora de ordem, e posso dizer em primeira mão que vale mais a pena seguir a ordem de lançamento.

A explicação para isso está na cara do livro, literalmente. A louca dos gatos fala muito da paixão que Sarah tem pelas estrelas da internet, mas isso, até o segundo livro, não era exatamente verdade. Como isso mudou está no livro Uma bolota molenga e feliz, e é um dos pontos altos desse volume.

Como nas outras resenhas que fiz dos livros da Sarah, preciso confessar meu amor pelo seu trabalho. Acho impressionante quando artistas como ela conseguem manter por tanto tempo o frescor e o nível de qualidade do seu trabalho, é preciso tirar o chapéu. Definitivamente isso não é fácil de ser feito.

Torço para que ela continue nos brindando com suas tirinhas maravilhosas por muitos livros ainda.

Nota 10.

domingo, 9 de dezembro de 2018

Big Mushy Happy Lump - Uma Bolota Molenga e Feliz



SPOILER FREE

Preciso começar essa resenha confessando algo: eu li os livros da Sarah Andersen fora de ordem. Essa semana, na verdade, li o terceiro livro dela, e quando percebi que tinha feito isso (depois de termina-lo, claro), resolvi pegar o segundo volume, esse aqui, e ler às pressas, para poder fazer pelo menos as resenhas na ordem certa.

Mas por que isso é importante? Então, o trabalho da Sarah Andersen é meio que auto biográfico. Isso significa que você entende melhor algumas coisas se seguir a ordem dos acontecimentos, e sim, ler Uma Bolota Molenga e Feliz antes do livro seguinte, A Louca dos Gatos, faz toda a diferença. Acredite em mim, que já li os dois.

Quem já leu minha resenha do primeiro livro da Sarah, sabe que eu adoro o trabalho dela, e que a sigo no Facebook e por isso sou uma pessoa mais feliz (nada como uma boa gargalhada para te deixar mais feliz). Posso dizer como fã que esse segundo volume de coletânea de quadrinhos dela é tão bom quanto o primeiro. Se você gosta da Sarah esse livro é diversão garantida. Pode comprar de olhos fechados e ler de olhos bem abertos, se você conseguir rir com eles abertos.

E aproveita e deixa o terceiro e último volume publicado em mãos, para a diversão durar mais.

Mal posso esperar pelo próximo livro da Sarah.

Nota 10!

sábado, 8 de dezembro de 2018

A Passionate Love Affair with a Total Stranger



SPOILER FREE

Está chegando o final do ano e com ele aquele estresse para fechar as metas do ano em todos os campos, inclusive os livros. Daí a melhor coisa a fazer é ler coisas leves. Primeiro porque chega de estresse, segundo porque coisas leves terminam mais rápido e facilitam atingir a meta de leitura.

Como quem lê minhas resenhas já percebeu, adoro ler um livro estilo chicklit quando preciso espairecer. E agora em dezembro tem uma maratona internacional de romances chamada #smutathon, que claro, eu pretendo seguir, então resolvi fazer um esquenta.

A Passionate Love Affair with a Total Stranger não foi lançado no Brasil, e provavelmente não vai ser tão cedo, visto que não é nenhum Best Seller. Mas é divertido toda vida de ler. Charley Lambert é diretora de comunicação de uma mega empresa farmacêutica e uma workaholic, até que ela sofre um acidente e precisa ficar parada em casa por semanas antes do próximo mega lançamento da sua empresa. Como boa workaholic ela inventa o que fazer e cria um pequeno negócio de ghost writer para mulheres com dificuldade de paquerar pela internet.

A história é boba, muito boba, e em tanto datada. Não é tão viável em dias de Tinder você oferecer esse tipo de serviço, fora que a razão desse tipo de aplicativo hoje em dia não é exatamente o mesmo do início dos sites de encontros românticos. Mas isso não importa, porque o livro é engraçado.

Não tem todas as cenas picantes que eu esperava, infelizmente, mas ele compensa no humor. Tem umas questões que surgem de vez em quando de machismos estruturais meio escondidos, mas nada que grite na sua cara e faça você ter raiva do livro, o que é mais do que pode ser dito da maioria dos livros desse estilo hoje em dia, então ponto positivo.

Lucy Robinson não é uma autora genial, e A Passionate Love Affair with a Total Stranger não é uma obra prima, mas a leitura é leve, divertida e rápida. Serve exatamente ao seu propósito, então, se você está procurando algo leve e divertido de ler essa é uma excelente opção.

Dentro do estilo, nota 9.

domingo, 14 de outubro de 2018

I'm Judging You: The Do-Better Manual



SPOILER FREE

Conheci esse livro através de uma amiga cujo humor eu amo de paixão, não é à toa que somos amigas. E ela teceu louvores ao livro, cuja descrição é uma coletânea de ensaios de humor da autora, Luvvie Ajayi, uma nigeriana que ainda criança se mudou para os Estados Unidos.

Ajayi é também uma blogueira de sucesso (veja o blog aqui), e seu livro foi lançado com grande estardalhaço pela crítica norte americana em 2016. Infelizmente I'm Judging You: the do-better manual (Estou te julgando: o manual para fazer melhor) ainda não foi lançado no Brasil, mas espero que esse equívoco seja corrigido em breve. Depois do lançamento do seu livro, ela ainda fez uma belíssima palestra TEDTALK em 2017. Vídeo abaixo para todos ouvirem suas palavras de louvor:



Palavras de louvor porque Luvvie é católica e hétero, mas é uma mulher, negra, imigrante, feminista e ativista. E ela faz uso das suas palavras e sucesso na internet para atingir as pessoas que podem ser melhores na vida. Todo o seu livro é construído com esse propósito, usar o humor como ferramenta para apontar para as pessoas o que elas tem feito de errado e que fazem do nosso planeta um lugar pior para se viver.

Nesse sentido o livro acaba sendo uma grande mistura de humor com sentimento de culpa e socos no estômago. Ela trata desde atitudes mesquinhas entre amigos até os grandes problemas da humanidade: racismo, misoginia, não aceitar a religião e diferenças entre as pessoas, passando também pela falta de educação na internet, que culmina na criação e disseminação de fake news. Tudo recheado de bom humor e gírias nigerianas.

O resultado é que o livro é fenomenal, e em tempos atuais é mais do que necessário. Precisamos ser mais como Luvvie, ter mais empatia pelos outros e tentar ter um pouco mais de lógica na nossa vida. Apaixonei pela nigeriana boca suja. Se todos fôssemos como ela seríamos mais felizes e não teríamos Trumps e Bolsonaros com essa força toda andando por aí e ameaçando pessoas simplesmente porque elas fogem do que julgamos ser a norma, o que no fundo não faz o menor sentido.

Lógica e empatia. Dois atributos em falta no mercado. E Luvvie vem nos mostrar direitinho o quanto devemos ser julgados por isso.

Nota 10.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

The Hating Game



SPOILER FREE

Esse foi um livro que eu peguei simplesmente para descansar, e o escolhi porque uma amiga minha gosta tanto dele que já leu mais de duas vezes. E nós duas temos gostos parecidos, claro.

The Hating Game foi escrito por uma autora australiana (taí algo diferente e que eu nem imaginava enquanto lia) e é um livro estilo água com açúcar do mais alto nível. Chick lit? Sim, mas bem feito e divertido do início ao fim. Tem drama, tem paixão, tem comédia e tem ódio. Sim, ódio, conforme o título promete.

A história traz dois colegas de trabalho, que passaram a trabalhar juntos após a fusão de duas editoras. O problema é que na verdade eles deveriam fazer o mesmo trabalho, mas como os dois donos da nova empresa não se entendem e as empresas originais tinham culturas radicalmente diferentes, os estilos dos dois não só são opostos, mas são necessários para fazer a nova empresa funcionar.

Como é um livro água com açúcar, para bom entendedor isso é suficiente. Mais do que isso é oficialmente spoiler.

Confesso que amei as personagens do livro, achei todas adoráveis e uma delícia de ler sobre elas. Ao longo do livro meu coração ficou apertado para ver o que iria acontecer e como a autora iria salvar a situação para a história continuar sendo água com açúcar até o fim. Que autora fofa. Final fofo!

Só acho que poderia ter um pouco mais de cenas picantes, não que elas faltem, mas que caberia mais algumas tranquilamente.

Curti tanto que leria feliz outro livro da Sally Thorne.
 
Infelizmente o livro não foi traduzido ainda no Brasil, só em Portugal, como o título "Odeio-te e Amo-te".

Nota 9,5 dentro do gênero.

domingo, 20 de maio de 2018

The Life-Changing Magic of Not Giving a F*ck - A Mágica Transformadora do F*



SPOILER FREE

Resolvi ler esse livro porque uma amiga minha gostou muito e eu achei o título e a paródia absolutamente irresistíveis. Para quem não percebeu, a paródia é do livro da Marie Kondo "The Life-Changing Magic of Tidying" (ou "A mágica da arrumação" em português).

Não é preciso ter lido Marie Kondo para apreciar "A mágica transformadora do F*", mas a leitura fica muito mais engraçada se você tiver lido. Sarah Knight consegue escrever um livro estilo autoajuda que, enquanto você chora de rir, você não tem absoluta certeza se ela está falando sério ou só te sacaneando. Provavelmente os dois. Preciso dizer que adorei esse estilo de humor.

A leitura é especialmente leve e gostosa, apesar da abundância do f* (sei que tem pessoas que não gostam de leituras com esse tipo de vocabulário, mesmo em comédia, então fiquem avisados). Chega a ser libertador, e certamente esse era um dos objetivos da autora. E comédia ou não, você fica realmente pensando em aplicar diversas ideias na sua vida, o que certamente vai deixar seu dia a dia mais leve e feliz. E considerando que vivemos num mundo com excesso de informações e obrigações, talvez seja realmente necessário para ninguém enlouquecer e ter um dia de fúria. Ou sair xingando meio mundo no whatsapp ou no facebook.

Leitura recomendada.

Nota 10.


domingo, 17 de setembro de 2017

13 dates





     I fall in love with Angel the moment I see her.
    Though when I think about this later, I realise it's before I see her - more accurately, when I hear her, in Starbucks (and even more accurately at 12.46 p.m. on Saturday, 6 May, 2017). She's standing in front of me in the queue, and unlike people before her, who all seem to have ordered their coffee just the way they want it in terms of type, strength, size, temperature, and almost what the cow that provided the milk's been eating, like their lives depend on getting it right, when it comes to her turn, Angel just stares up at the menu board as if she's only just spotted it.
   'Next', says the barista impatiently. He looks like he's been put together in the Starbucks factory - slightly too-bushy beard, shiny, pomated, slicked-into-a-huge-quiff hair, shirtsleeves rolled up just enough to expose the tattoos in his forearms - and his brusque enquiry makes Angel jump.

SPOILER FREE

Como mencionei na minha última resenha, eu fiquei com uns dias sobrando entre o último livro que eu tinha e o lançamento do próximo livro da série Trono de Vidro, então escolhi o livro mais leve e o que parecia mais curto disponível no meu kindle (que não está mais lotado, pelo motivo de que precisei trocar de aparelho, o meu anterior morreu), então acabei por ler meu primeiro livro do autor inglês Matt Dunn.

Acho que a melhor forma de explicar o tipo de livro que é "13 dates" (ainda sem tradução para o português, mas seria algo como "13 encontros") é "chick lit versão masculina". Isso quer dizer que o livro é uma história romântica contada do ponto de vista do rapaz que se apaixona pela moça, que por um motivo emocionalmente tocante tenta não se envolver emocionalmente com ninguém. E, claro, como quase todo chick lit, tem um enredo razoavelmente previsível.

Agora o livro, apesar dos defeitos (todos comuns no gênero chick lit), é fofo e tem momentos bastante engraçados, além de ser bem escrito. Mas não tem nada que o torne exatamente especial, ficando acima da média, sem ser extraordinário. É o tipo de livro que só serve mesmo para passar o tempo, sem incomodar muito.

Nota 7,5.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Adulthood is a myth - Ninguém Vira Adulto De Verdade



SPOILER FREE

Nas minhas leituras noturnas eu tenho dado preferência para livros como esse, da ilustradora e quadrinista americana Sarah Andersen, conhecida pela sua tirinha "Sarah's Scribbles". Mas esse não foi o caso! No final de junho e início de julho (para você ver como estou atrasada nas resenhas) eu peguei uma sinusite terrível, e precisei ficar 20 minutos duas vezes por dia fazendo inalação, e como isso é muito chato, eu acabava usando o tempo para ler. E por estar doente, dei preferência por leituras leves.

Sarah é uma personalidade bastante conhecida na internet, suas tirinhas tem fama de memes com alguma frequência e vivem aparecendo na minha timeline no Facebook, e olha que eu ainda não curtia a sua página (passei a fazer isso hoje ao pesquisar o link para o blog!). Então, não sei o quão útil é apresentar a autora e o seu trabalho. Ela é tão conhecida que o livro já saiu até aqui, com o título "Ninguém vira adulto de verdade" (não sei o quão aceitável ficou a tradução, li no original).

Para a galera que curte não gastar dinheiro, é bem provável que você encontre todo o conteúdo do livro na internet, mas não vai estar tudo juntinho, bonitinho e arrumadinho como no livro. Além de que autores da era digital também precisam de apoio financeiro, ninguém vive de curtida no facebook (quer dizer, poucos realmente conseguem essas coisas e mesmo assim não paga exatamente bem).

E para quem nunca ouviu falar (o que espero que seja raríssimo) segue uma página do livro para ter uma ideia da "pegada" da autora!



Como eu sou fã do seu trabalho, adoro o humor da Sarah, nota 10!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

More Weird Things Customers Say in Bookshops


CHILD: Mummy, who was Hitler?
MOTHER: Hitler?
CHILD: Yeah. Who was he?
MOTHER: Erm, he was a very bad man from a long time ago.
CHILD: Oh. How bad?
MOTHER: He was like ... he was like Voldemort.
CHILD: Oh! That's really, really bad.
MOTHER: Yes.
CHILD:
(pause) So, did Harry Potter kill Hitler, too?

SPOILER FREE

E novamente estou atrasada nas resenhas. Tudo bem, voltar ao trabalho dá nessas coisas.

Como é bem óbvio, esse é o volume que segue "Weird things customers say in bookshops", com nada mais do que mais do mesmo. É divertido? Certamente. Tem coisas novas? Não exatamente.

Esse volume sofre de repetições de coisas já feitas no volume anterior. Claro que cada caso é um caso e não tem nenhuma história repetida, mas ele me pareceu se apoiar demais nas histórias de "ignorância do consumidor, que cisma num nome errado (título, autor, tem de tudo, e alguns são realmente engraçados pois lembram a personagem da Velha Surda) ou faz afirmações incorretas sobre autores famosos, o que pode ser engraçado se você entende do assunto, mas pessoalmente acho esse tipo de humor fraco (exceto o da Velha Surda, pois adoro), porque não acho ignorância algo engraçado e sim triste". Sim, isso é um pedaço da resenha do volume anterior (achei apropriado).

Em compensação, ele também me pareceu ter mais causos com crianças, o que é sempre uma delícia de ler. Levando em consideração que a leitura é leve e o livro é curtinho, se você curtiu o primeiro volume, certamente vai gostar também do segundo.

Mesmo com os problemas, fiquei com vontade de ler outros livros da autora, que já lançou outros volumes sobre livrarias, bibliotecas e livros em geral.

Nota 7,5.


sábado, 28 de janeiro de 2017

Weird Things Customers Say in Bookshops

CUSTOMER: I read a book in the sixties. I don't remember the author, or the title. But it was green, and it made me laugh. Do you know which one I mean?

SPOILER FREE

Como o meu kindle continua cheio, e, na verdade, ele é um pouco pesado para ler deitada na cama (deitada mesmo, não recostada), então estou fazendo mais uso do meu aplicativo kindle para celular, e como antes de dormir gosto de ler coisas bem leves e sem compromisso, e ainda por cima recebi o livro de uma amiga (isto é, saiu de graça), resolvi ler "Weird things customers say in bookshops" ("Coisas esquisitas que as pessoas dizem em livrarias").

Eu já conhecia a autora, pois segui o seu blog (que deu origem a esse livro e a uma continuação que já estou terminando) durante muito tempo, e já adorava os causos que ela contava (para deixar registrado: parei de seguir por outros motivos que não a qualidade do blog). E o livro tem realmente histórias muito cômicas. O ser humano pode ser muito engraçado. Pessoas sem noção existem em maior percentual na população do que nós imaginamos. Quem lida com público sabe do que estou falando, e talvez até reconheça situações parecidas.

O livro é uma coleção de conversas esquisitas de pessoas em livrarias, podendo envolver ou não um vendedor ou um telefone. Tem coisas do arco da velha, outras que você duvida que podem ser reais (esse é o princípio do livro, tudo é relato de acontecimentos reais), e outras que simplesmente não fazem sentido, porque as pessoas podem ser muito confusas também. E as crianças gente, são as melhores histórias!

Agora, parte das piadas muitas vezes se baseia na ignorância do consumidor, que cisma num nome errado (título, autor, tem de tudo, e alguns são realmente engraçados pois lembram a personagem da Velha Surda) ou faz afirmações incorretas sobre autores famosos, o que pode ser engraçado se você entende do assunto, mas pessoalmente acho esse tipo de humor fraco (exceto o da Velha Surda, pois adoro), porque não acho ignorância algo engraçado e sim triste. Tanto que me identifico com a descrição do Neil Gaiman na capa acima: "Tão engraçado. Tão triste... Leia e suspire." É exatamente assim, mesmo.

Indicado para fãs de livros e livrarias em geral.

Nota 8.