Um dos temas dos desafios literários desse ano para fevereiro é uma história em versos, então resolvi aproveitar e ler alguma coisa de Shakespeare, afinal são clássicos! Dessa vez resolvi atacar "Romeu e Julieta", que é uma história que todo o mundo conhece, independentemente de ter lido o livro ou visto algum filme ou montagem da peça.
E fiquei impressionada, bem que uma amiga minha havia me avisado "Romeu e Julieta não é uma história de amor, é uma tragédia", e ela tinha toda razão. Não só é uma tragédia, como também é um drama digno de novela mexicana. Se alguém vier me dizer que uma determinada história romântica é digna de Romeu e Julieta vou logo perguntar se o casal é tão dramático e trágico quanto (tudo para evitar a palavra estúpido).
Aliás, acho que Romeu e Julieta deve ser a primeira história estilo "young adult" do mundo! Porque tem todos os elementos que classificaríamos como história para adolescentes (drama adolescente, adolescentes mimados fazendo besteira, adolescentes sendo muito adolescentes...), só que com um toque forte do George R.R. Martin misturado ou ao estilo das tragédias gregas... tanto faz, o resultado é o mesmo. Não é à toa que é uma tragédia com excesso de drama...
E sinceramente, achei dramático e adolescente demais para o meu gosto. Nunca imaginei que eu não fosse gostar de Romeu e Julieta, mas sinceramente, é exagerado demais para mim. Gostei mais das outras peças que li.
Nota 6.
Espaço para eu escrever sobre o que eu leio... Com espaço também para falar sobre autores que eu gosto e que eu não gosto... porque falar dos outros é fácil!!!
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
segunda-feira, 30 de junho de 2014
Les Combustibles
SPOILER FREE
E junho, já quase acabando, ainda deu tempo de cumprir a meta de um dos desafios literários que estou seguindo esse ano: um livro de um autor favorito. Como eu ainda não tinha lido nada da minha idolatrada Amélie Nothomb esse ano, resolvi sacar um dos seus livros da minha estante (sou orgulhosa dona de uma coleção bem razoável) e me divertir com o seu eterno humor ácido.
Qual foi a minha surpresa ao descobrir que "Les combustibles" é uma peça de teatro! Depois de ler 13 livros da autora, ela me pegou de surpresa no 14°, não é à toa que amo essa mulher... e ainda por cima, o texto é extremamente divertido e ácido, bem do jeito que eu curto os textos dela.
Amélie Nothomb é jovem, tem 48 anos (dentro dos padrões de escritores famosos e/ou consagrados), mas em pouco mais de 20 anos de carreira já fez barulho o suficiente para ter nada menos do que 11 biografias publicadas. Todo esse burburinho se deve especialmente ao seu estilo único, extremamente feroz e sádico com seus personagens (o que inclui suas obras autobiográficas, minhas favoritas), que também está presente em "Les combustibles", única peça teatral já publicada pela autora.
Nesse texto o que motiva os personagens é uma versão sádica (claro) da pergunta cliché "que livro você levaria para uma ilha deserta?", que é modificada para "que livro você deixaria de queimar se estivesse morrendo de frio no meio de uma longa guerra?". Tentando chegar a um acordo para responder a essa pergunta você encontra 3 personagens: um professor de literatura, o seu jovem assistente, e uma aluna universitária e namorada do assistente. Depois de mais de um ano de guerra, os 3 se encontram dividindo a biblioteca particular do professor, e nessa intimidade forçada eles se descobrem capazes de fazer coisas inimagináveis, assim como acabam descobrindo diversos segredos uns dos outros.
Apesar de curto, o livro é pesado, mas o humor de Amélie consegue tornar as coisas mais estapafúrdias em algo divertido de ler. Mas, apesar de ser muito bom, ainda não é o melhor que já li dela, ainda sou mais fã das suas obras autobiográficas. Acho que o que mais pesou para mim foi a forma como ela retrata a única personagem feminina na história, que confesso que não curti muito.
Nota 9,5.
sábado, 29 de março de 2014
Much ado about nothing - Muito barulho por nada
SPOILER FREE
Desde o ano passado que finalmente desencantei Shakespeare na minha lista de leituras! Confesso que eu tinha um certo receio de ler o bardo, especialmente no original, porque me parecia muito complicado pela grafia antiga e pelo vocabulário em desuso, e, claro, porque muita gente reclama exatamente dessas coisas. Mas descobri que esses obstáculos não são tão complicados assim, e desde então tenho encarado o autor com alguma tranquilidade. E como no meu desafio de clássicos desse mês o tema é século XVIII ou anterior, resolvi que era mais prático simplesmente ler uma peça dele. E como o mês já está nos finalmentes resolvi ler uma peça que eu AMO DE PAIXÃO e que já vi milhares de vezes a adaptação para o cinema do Kenneth Branagh e infelizmente apenas uma vez a que saiu ano passado do Joss Whedom, mas que eu nunca havia lido o original.
"Muito barulho por nada" para mim é a melhor comédia de Shakespeare, e Beatrice e Benedick é o melhor casal de todos os tempos no teatro (do que eu conheço ou já vi, ok? logo é uma opinião muito pessoal). Adorei cada página, apesar da dificuldade e dos problemas de escolha narrativa que, até então, me parecem crônicos nas obras do bardo, mas que fazem sentido quando você pensa que ele precisava produzir muito e que eram peças para um público muito amplo.
Como tudo que já li de Shakespeare, "Much ado about nothing" é divertido, mas tem alguns excessos de drama e decisões de personagens que não fazem muito sentido, mas tudo se resolve de uma forma ou de outra, às vezes de forma meio excêntrica também, o que aumenta a comicidade dos absurdos propostos. De uma forma geral é muito divertido se não for levado a sério.
Nota 9!
Apesar de dizer aí em cima que esse texto é SPOILER FREE (o que não acho muito necessário no caso de um clássico de Shakespeare), eu preciso dividir com vocês esse resumo delicioso que encontrei no site "Goodreads", em inglês, e quem puder acessar o link e ler os comentários feitos nessa resenha, faça, vale muito a pena:
(fonte: https://www.goodreads.com/review/show/21580545 )
Much Ado About Nothing, abridged.
CLAUDIO: So, um, Hero, I sorta maybe like you a whole lot will you go to the prom with me?
HERO: We should get married! Squeeeeeee!
BEATRICE: Pfft. Love is for stupid losers who are stupid.
BENEDICK: You know, you might get laid more often if you weren’t such a cynical bitch all the time.
BEATRICE: Fuck you.
BENEDICK: Get in line, sugartits.
*audience is beaten over the head by sexual tension*
DON PEDRO: Hey everybody, I had a great idea! Let’s make Beatrice and Benedick fall in love!
EVERYONE: YAY! MEDDLING!
PRINCE JOHN: So, I think I’m going to break up Claudio and Hero.
BORACHIO: Really? That’s your dastardly scheme? How do we possibly benefit from that?
PRINCE JOHN: No, see, I don’t like Claudio because my half-brother likes him, and I hate my half brother, so…wait. Okay, so it’s actually a really pointless plan that only serves to create conflict. But it’s the only way I get any good scenes in this thing, so MISCHIEF AHOY!
BORACHIO AND CONRADE: YAY!
BEATRICE: Hey Benedick, you still suck donkey balls.
BENEDICK: I fart in your general direction! Now go away or I shall taunt you a second time!
BEATRICE: I don't want to talk to you no more, you empty-headed animal food trough wiper!
PRINCE JOHN: So guess what Claudio? Your woman totally cheated on you. I saw, I was there.
CLAUDIO: OMG I HATE THAT WHORE.
DON PEDRO: Despite the fact that he’s a bastard in all senses of the word and has no reason to be helping me or my friends, I think we should believe John without proof or even asking Hero’s side of the story.
CLAUDIO: Hero, you’re a shameless whore and I hate your stupid face!
EVERYONE: WTF?!
PRIEST: Great job, now Hero’s dead from sad.
CLAUDIO: OMG I AM SO REMORSEFUL. FORGIVE ME, DEAD HERO!
HERO: Pysche! I’m really okay!
BEATRICE: Luckily THIS time the priest’s idea to fake a girl’s death to solve all her problems actually worked, instead of backfiring horribly.
BENEDICK: Hey, that’s pretty funny. You know, I guess you’re not that bad. I think I love you, and stuff.
BEATRICE: Yeah, I guess I kind of love you too.
ANTONIO: Close enough. Now off to kill Prince John!
EVERYONE: YAY!
THE END.
terça-feira, 30 de abril de 2013
Conto de Inverno
SPOILER FREE
Finalizando o mês de abril do Desafio Literário, mais uma peça de Shakespeare com título de estação do ano! "Conto de Inverno" é uma peça que eu confesso que nem sabia que existia, e diferentemente de "Sonho de uma noite de verão", não é uma comédia.
Com um enredo aos moldes de uma tragédia grega (com direito a personagens de nomes gregos também), a história trata de um Rei, Leontes, que cego de ciúme, acaba por acusar a sua Rainha Hermione de traição com outro Rei, Polixenes, seu amigo de infância. No meio do caminho só acontece um monte de tragédias, até que um oráculo prevê que tudo poderá ser resolvido quando o Rei reencontrar sua filha perdida.
Confesso que os primeiros dois atos são tão pesados, e dá tanta raiva do tal Rei que eu achava que o final certamente seria trágico. O que não se provou verdadeiro, me deixando com o espírito mais leve para o feriado de amanhã.
De qualquer forma, eu confesso que esperava mais da história e dos personagens, que são extremamente simples e previsíveis. E a parte inicial da história com toda a ciumeira histérica o Rei Leontes me deixou extremamente irritada, afinal, fica claro que o Rei sofre de histeria, e que quem paga o pato na brincadeira é a pobre Rainha, que sendo mulher, não pode ser defender na sociedade da época.
A partir daí confusões, pseudo-traições e muitas coincidências garantem uma história interessante com um final feliz. Extremamente clássico, mas nada demais.
Nota 8.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
A Midsummer Night's Dream - Sonho de Uma Noite de Verão
SPOILER FREE
Por conta do Desafio Literário resolvi ler minha primeira peça de Shakespeare, afinal eu não tinha mais nenhum livro em casa com título que contivesse uma estação do ano, e "Sonho de uma noite de verão", apesar de não ser a peça mais conhecida, ainda assim é um clássico. Eu cheguei a comentar que eu tenho um grande tijolo em casa com a obra completa do dramaturgo inglês, mas, confesso que a preguiça foi maior (e uma tendinite chata no punho tornou proibitivo) e eu fui buscar uma alternativa mais leve.
Nessa busca, acabei por procurar na internet, claro, afinal, Shakespeare já pode ser encontrado em qualquer site de domínio público, mas foi num site voltado para o estudo de Shakespeare que resolvi o meu problema. O site não é bonito, nem muito organizado, mas é funcional e tem tudo ou quase tudo do escritor. Com direito a explicações e questões típicas do "vestibular" americano. Para quem curte o assunto, acho que vale a pena uma visita, é só clicar aqui.
Mas voltando ao assunto principal, confesso agora a minha falta de cultura, pois eu nada sabia sobre a peça, apenas que era uma comédia que foge aos padrões mais comuns shakespearianos e que, talvez por isso mesmo, é tida como de menos brilho. Como nunca realmente li nada dele, não tenho como julgar com muita propriedade, mas confesso que "A Midsummer Night's Dream" não me arrebatou.
A história é leve e fofinha, bem no estilo da época, com direito às confusões clássicas causadas por triângulos amorosos (ou quadrados, nesse caso) e também pela "magia", especialmente a que se apresenta na peça, baseada na mitologia grega do poder do cupido. Tem algumas frases de efeito, como era de se esperar também, mas nenhuma citação famosa vem dessa peça. E confesso que achei um pouco dramático demais também, o que não deixa de ser compreensível, afinal o texto foi escrito para ser uma peça, não um livro.
No final das contas, um dos problemas é que eu esperava mais. Expectativa pode ser um grande problema. De qualquer forma, serviu para preencher uma lacuna cultural, e me divertir num dia morto entre um final de semana e um feriado.
Nota 8.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Salomé
SPOILER FREE
Eis outro livro que ficou alguns anos na estante esperando o momento de ser lido... e foi tão rápido! Li de uma vez só, enquanto esperava meu vôo em Sampa e durante o dito cujo para o Rio. A peça é muito mais curta do que eu imaginava...
Mas a edição é MARAVILHOSA (essa aí em cima mesmo)! Quanto cuidado... primeiro a tradução é feita diretamente do francês (apesar do autor ser inglês ele resolveu escrever Salomé em francês, vai entender...), o que é muito melhor, visto que a tradução original do francês para o inglês é horrorosa segundo o próprio autor. Segundo, os editores fizeram um belíssimo trabalho de citações de fontes bíblicas e literárias para diversas passagens da peça, o que traz uma profundidade fantástica para a obra de Oscar Wilde... e para finalizar, essa edição ainda tem uma linda seleção de poesias com o tema Salomé/Herodíades! É de babar, não é mesmo? Ah, e como se não fosse suficiente, ainda tem as ilustrações feitas originalmente para a peça, que o autor não gostou (eu entendo o porquê...), mas que, bom, fizeram história, né?
Mas vamos à obra! Apesar de curta, Salomé é uma peça chocante, dá para entender perfeitamente porque foi censurada tantas vezes, especialmente por conta da cena final (que eu não vou contar!!), mas fora isso não tem nada que chame tanta atenção... o que é bacana nela é que pela primeira vez alguém deu um nome para a filha de Herodíades (na Bíblia ela não é chamada pelo nome), e mais importante ainda: Oscar Wilde resolver fazer a sua Salomé mais independente, pois aqui quem tem vontades é ELA, o que é fantástico levando em consideração a época em que a peça foi escrita (1880 e muitos).
Além disso, essa é a primeira obra que menciona com todas as palavras a misteriosa Dança dos 7 Véus... que obviamente não é descrita (só para ninguém ficar chateado achando que vai achar uma descrição bacana ali), mas os editores fizeram novamente um bom trabalho nesse ponto e colocaram uma linda nota explicando as possíveis origens dessa dança (eu, como professora de dança do ventre, aprovo o que eles escreveram).
Enfim, é um clássico. Confesso que esperava mais, mas gostei mesmo assim.
Nota 8
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