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sábado, 10 de agosto de 2019

Promethea - Book One


 
SPOILER FREE

O autor Alan Moore é um dos grandes do mundo dos quadrinhos e isso simplesmente transparece em uma das suas obras primas, Promethea. Mais uma indicação de amigos de livros, que eu agradeço sempre que posso, Promethea é uma das Graphic Novels mais interessantes e complexas que já tive o prazer de ler.

Alan Moore traz como ambientação um mundo atual alternativo, futurista e distópico, onde uma estudante de mitologia acaba por encontrar informações ao longo da história sobre uma personagem mitológica chamada Promethea. Na busca de mais informações para um trabalho da faculdade, ela acaba por descobrir que o mundo da imaginação é mais real do que imaginário, e que Promethea é um dos seres que habita esse mundo que consegue sair dele e meio que incorporar em pessoas com a imaginação muito poderosa.



Em termos de simbolismo e de detalhes gráficos, Promethea é um show à parte. A quantidade de informação utilizada para fazer toda a história e as imagens da Graphic Novel é simplesmente um desbunde. Vale a leitura só por isso. Mas soma-se a isso todo o posicionamento que Alan Moore coloca sobre a importância da imaginação e o poder das histórias e você tem um prato cheio para quem gosta de ler.

Minha única questão com Promethea é justamente gráfica, apesar de ser um dos pontos fortes a beleza das ilustrações. Eu entendo que uma das fontes para o trabalho visual em Promethea são as pinups, mas, veja bem, a personagem principal é uma mulher que possui uma capacidade incrível de imaginação (por isso ela se torna Promethea) e ela imagina uma guerreira celestial imbatível. As encarnações anteriores, pelo menos parte delas é imaginada por mulheres. Mas todas, absolutamente todas as encarnações de Promethea tem jeito de terem sido criadas por homens.


Talvez o problema esteja no fato do escritor e de todos os ilustradores serem homens. Talvez eu tenha criado uma visão mais crítica depois de ler quadrinhos escritos e ilustrados por mulheres. 

Mas o fato que Promethea tem cara de ter sido criada e ilustrada por homens é real. E isso é um problema quando as personagens principais são mulheres.

Só por isso, nota 9.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Allegiant


SPOILER FREE

E finalmente terminei o terceiro livro! Depois de Divergent e Insurgent, eu não esperava muita coisa de Allegiant, mas mesmo assim consegui me surpreender de forma negativa.

Não entendi a necessidade da autora de tentar explicar ainda mais o que já não fazia sentido, e conseguir a proeza de se enrolar ainda mais e fazer menos sentido ainda. Para piorar, ela resolveu repetir o enredo do segundo livro, sério, é extamente a mesma história só que com nomes diferentes. Além disso, ainda resolveu introduzir diversos personagens novos (todos cópias de personagens dos livros anteriores) sem terminar de desenvolver os antigos. Desenvolver, não, desculpe, o que ela faz nesse livro com os personagens antigos é andar para trás, é impressionante como eles simplesmente ficam mais infantis. A coisa é tão mal feita que nesse livro a autora resolveu alternar o narrador entre a personagem principal dos livros anteriores e o seu par romântico, mas a única forma de diferenciar um narrador do outro é pelo subtítulo de cada capítulo.

E o final? Bom, é apenas uma tentativa de tornar a resolução do livro mais original, sacrificando ainda mais a lógica da história e o pouco de desenvolvimento que os personagens tiveram. Lógica e sentido pra quê? Totalmente desnecessário.

Fico triste quando tento pensar em algo que se salve nessa bagunça e não consigo pensar em nada além de "bem, podia ser pior". E fico mais triste ainda quando lembro que conheço casos piores.

Nota 2.

Média da trilogia: 3

PS: se você entende minimamente de genética e quer manter a sua sanidade, fique longe desse livro.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Insurgente


SPOILER FREE

Eu devo ser masoquista, porque mesmo sem ter gostado do primeiro livro, Divergent, resolvi ler a continuação. Mas minha desculpa oficial é que se é para reclamar tem que reclamar com propriedade, isto é, depois de ler o livro (anotaram?).

Enfim, Insurgente não é melhor do que o primeiro livro em nenhum aspecto. Na verdade, é até mais chato, pois o fator "adolescente tendo ataque" é até mais forte nesse volume, o que é compreensível pelo andar do enredo (sofrimento, morte e destruição, claro, o básico de distopia), mas não justifica a escolha da autora em observar justamente essa parte da história com lente de aumento, tanta coisa mais interessante acontecendo e ela resolve focar no drama.

Confesso que me diverti mais lendo as críticas a Insurgente do que o próprio livro, pois a quantidade de pessoas que ficou decepcionada com o fator "Bella" (personagem principal de Crepúsculo para os não-iniciados) que escorre das páginas do livro, mas eu sinceramente já sabia que isso ia acontecer desde o primeiro livro, e acho que Tris já era uma versão mais bombada da Bella desde sempre, então não me surpreendeu. O que me surpreendeu negativamente foi o par romântico, Four, que apesar dos pesares não parecia ser tão sem graça em Divergent.

O enredo e o mundo criado continuam cheios de furos e explicações meia boca, que eu inocentemente esperava diminuírem ao invés de aumentar (sim, eu sou otimista assim), e continuo sem entender as escolhas da autora. Acho que ela está no meio errado, se ela fosse roteirista de filme de ação adolescente ela seria mais bem sucedida, pois a melhor forma de melhorar os livros que eu consigo imaginar é cortar as explicações sem sentido e se ater à ação, que infelizmente não é tão presente em Insurgent quanto em Divergent, mas daria para 90min de película com folga. Já mencionei que eu espero que o filme seja melhor do que o livro? Pois repito: isso é muito provável. E é por isso que vou ler a continuação... além disso, a esperança é a última que morre.

Nota 4.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Divergente


SPOILER FREE

Então, resolvi correr atrás de mais uma série que vai sair nos cinemas esse ano, e que uma amiga minha tinha dito que era divertida.

E descobri que nem sempre meus amigos têm razão quando me indicam livros. Acontece com todo o mundo, né?

Vamos por partes, Divergente é uma mistura de Hunger Games com Harry Potter, temos um futuro distópico, diversas facções que dividem a população e, claro, os pobres coitados que não pertencem a facção nenhuma e por isso vivem no meio do lixo. A parte Harry Potter fica muito por conta da forma como as pessoas são levadas a escolher uma determinada facção. Mas até aí, não há nada demais, afinal é reciclando que se cria coisas novas.

O problema de "Divergent" é que apesar da ideia ser bacana, ela não é bem desenvolvida, a história tem mais buraco do que queijo suíço. E não é algo discreto, é buraco do tipo "como assim? Não faz sentido!", e quando você repara não está mais mergulhado na história, e sim pensando nas diversas alternativas possíveis de consertar os problemas que vão surgindo um atrás do outro no livro. Isso quando você não é surpreendido por momentos de vergonha alheia no meio da história.

Esse último problema em específico é derivado do fato da história ser adolescente demais. Veja bem, eu curto histórias de adolescentes, mas tenho limites com relação ao excesso de drama e histeria que volta e meia aparecem nesse tipo de história. "Divergent" passou desses limites, e assim entrou para a minha lista de livros que eu tive vontade de jogar longe enquanto eu lia, e na lista dos livros em que eu tive vontade de bater no protagonista. Mas isso tudo faz um certo sentido quando você descobre que a autora desenhou o enredo da série enquanto era adolescente.

De qualquer forma, se eu estivesse com paciência ainda dava para fazer uma análise feminista em cima disso tudo, mas o resultado seria tão feio que pareceria surra em cachorro morto. Vou deixar para a próxima.

Apesar de tudo, o livro é minimamente divertido se você conseguir desligar o cérebro enquanto lê, e o trailer do filme promete... acho que será um daqueles raros casos em que o filme é melhor do que o livro.

Nota 4.