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sábado, 7 de março de 2020

Contemporary Iraqi Fiction: An Anthology



SPOILER FREE

Seguindo o tema autores orientais do Desafio Literário Popoca de março, resolvi pegar um livro raro. Sem tradução para o português, Contemporary Iraqi Fiction é uma lindíssima coletânea de contos de autores iraquianos, traduzida e editada por Shakir Mustafa. Não o ator Mustafa Shakir, favor não confundir, apesar dele ser um colírio.


Aqui estamos falando do PHD e professor de árabe Shakir Mustafa, que se deu ao trabalho de levantar uma lista extremamente variada de autores iraquianos com pouca ou nenhuma tradução para qualquer outra língua. E põe variada, a lista inclui homens, mulheres, muçulmanos, judeus e cristãos de variadas épocas do século XX, com ênfase na produção literária do Iraque a partir dos anos 80. Com direito a diversas histórias sobre as diversas guerras no Iraque, guerra com o Irã, guerra do golfo (aquela do Kuwait), embargos e a invasão americana. Sem deixar de lado as questões do governo Saddam Hussein.

Como não achei a lista de autores de forma clara em nenhum site sobre esse livro, então segue para futura consulta e referência de todos: Mohammad Khodayyir, Lutfiyya al-Dulaimi, Mahdi Isa al-Saqr, Mayselun Hadi, Abdul Rahman Majeed al-Rubaie, Samira al-Mana, Abdul Sattar Nasir, Samir Naqqash, Salima Salih, Samuel Shimon, Mahmoud Saeed, Nasrat Mardan, Jalil al-Qaisi,Ibtisam Abdullah, Ibrahim Ahmed e Shmuel Moreh.

Não sei o que me deixou mais triste, as histórias mais pesadas da coletânea ou o fato de que não consegui achar mais quase nada desses autores para ler depois. Porque, conforme prometido pelo editor, esses são autores pouco traduzidos, o que me pareceu um grande desperdício quando li o livro, que é simplesmente maravilhoso.

Me sinto revoltada quando leio livros assim tão maravilhosos que, por conta de barreiras linguísticas e sociais, acabam tendo um alcance tão limitado. O mundo perde muito com esse tipo de situação.

Os contos escolhidos para compor Contemporary Iraqi Fiction são de altíssima qualidade, e o trabalho de tradução está primoroso, mesmo nos casos em que o editor escolheu romances para traduzir e montou contos com pequenos pedaços deles. Sim, tem essa heresia no livro, mas como está bem feita eu perdoo.

Meu amor pela literatura árabe só aumenta quando encontro obras assim. Indico para todos que possam ter acesso e ler.

Nota 10.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Robert Fisk on Afghanistan: Osama bin Laden: 9/11 to Death in Pakistan



SPOILER FREE

Há dois anos atrás eu li o meu primeiro livro do jornalista inglês, Robert Fisk, sobre a guerra civil na Argélia. E gostei tanto do trabalho dele que resolvi comprar outros livros. Como o tema do desafio literário de agosto (sim, estou atrasada na resenha para variar um pouquinho) era uma história em tempo de guerra, achei o livro com a coletânea do jornalista de guerra sobre o Afeganistão (que, por sinal, continua em guerra) uma escolha bastante apropriada.

Robert Fisk é um bom jornalista, e especializado no Oriente Médio (ele fala árabe fluente, o que é uma raridade no ocidente e ainda mais entre jornalistas), mas é preciso ressaltar que esse livro é uma coletânea, não uma narrativa arrumada bonitinho para ser um livro. Isso quer dizer que, separadamente, todos os textos de Fisk são bons e interessantes, porém, no conjunto eles são um tanto repetitivos e, convenhamos, ele não morou esse tempo todo no Afeganistão, logo, tem pedaços da história que ficaram sem muito registro.

Outro ponto importante, é que Robert Fisk é um jornalista, não um acadêmico ou historiador, então seus relatos são isso, relatos, as análises em si por vezes deixam a desejar e, por vezes, são tendenciosas.

Independentemente dos defeitos inerentes ao formato do livro e da natureza do autor, temos que tirar o chapéu para Fisk. Uma das coisas que mais me surpreendeu no livro é justamente o seu início, quando ele relata e critica o que estava acontecendo na cena política norte americana logo após o atentado do 11 de setembro. Os primeiros textos do autor são proféticos, é bizarro. Ele faz uma previsão absurdamente certeira do que vai acontecer no Afeganistão e com a coligação EUA/Inglaterra. E ao longo do livro ainda profetiza o que vai acontecer no Iraque, que é invadido pouco depois, e entre os possíveis futuros para a Síria ele acerta mais uma vez. Além de profetizar a recém aprovada lei estilo apartheid de Israel.

O cara é bom.

O resultado é que não me arrependo de ter comprado mais livros dele e pretendo continuar lendo o seu trabalho.

Infelizmente a maior parte dos seus livros, este inclusive, não foi publicado em português.

Nota 8.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

The rise of Islamic State



Como vocês já devem ter reparado, eu curto muito o assunto Oriente Médio, por razões dançantes meio óbvias, e de vez em quando preciso ler algo mais "mundo real". E como, no momento, estou estudando particularmente o que está acontecendo na Síria (apesar de não sair notícia nenhuma sobre isso aqui no Brasil), peguei esse livro que já estava no meu Kindle desde o ano passado. Até porque o Kindle lotou de novo e agora preciso correr atrás do prejuízo.

Esse livro em particular é uma coletânea de artigos do jornalista irlandês Patrick Cockburn, que é muito conhecido pelo seu jornalismo de guerra, especialmente no Oriente Médio e na África. Apesar de eu achar a visão de Patrick um tanto quanto inocente com relação aos Estados Unidos e suas verdadeiras táticas e intenções no Iraque e na Síria, os seus artigos pelo menos mostram alguns fatos e conexões que não se encontram tão facilmente na imprensa tradicional, o que o torna uma fonte bastante interessante e muito indicada.

Porém, apesar do livro ser bastante informativo acerca do surgimento e crescimento do Estado Islâmico no Iraque, a sua leitura é meio morosa e um tanto repetitiva, certamente pelo fato de ser uma coletânea de artigos. Também senti falta de imagens ao longo do livro, que certamente ajudariam muito a localizar e até ilustrar os acontecimentos, pois o mapa está apenas no início e dá uma certa preguiça de ficar indo e voltando, mesmo no Kindle.

Apesar desses problemas, o livro é bom, e recomendo muito para quem gostaria de entender pelo menos um pouco o que está acontecendo por lá. A tradução para o português foi lançada no ano passado e recebeu o nome "A Origem do Estado Islâmico - o fracasso da "guerra ao terror" e a ascensão jihadista". Fica a dica!

Nota 9.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Escritora Rosina-Fawzia Al-Rawi

Hoje é dia de postar sobre uma escritora! Afinal, ainda não consegui terminar o tal livro deprê...

Esse post originalmente é do blog Ventre da Dança, sobre dança do ventre e o feminino, porém, ele é sobre livros, então também merece constar aqui! Espero que gostem.

Essa escritora de origem Iraquiana e que atualmente mora na Alemanha foi um verdadeiro achado. O primeiro livro dela com que tive contato foi indicado por uma professora minha, e desde então eu cato tudo que essa mulher escreve (apesar de só conhecer 2 livros dela publicados em inglês).

O primeiro livro dela é de 1996, e é bem conhecido no mundo da dança do ventre: Grandmother's Secrets - The Ancient Rituals and Healing Power of Belly Dancing (algo como Segredos da Vovó - os antigos rituais e o poder cura da dança do ventre).






O meu exemplar, coitado, já está todo marcado, sublinhado e escrito nas bordas (a lápis!)... mas é de leitura obrigatória. Inclusive, acho que está na hora de relê-lo...

A escritora conta a sua história pessoal com a dança do ventre, como ela é passada de geração em geração na sua família, e, no seu caso, como ela aprendeu a dança com a avó desde pequenininha. É tão lindamente escrito que às vezes até parece um livro de poesia.

O livro é dividido em 4 partes, a primeira é justamente como ela aprendeu a dançar (lindas histórias com a sua avó), a segunda é um apanhado da história da dança do ventre (é aí que o bicho sempre pega, dado que os documentos históricos sobre a dança são muito raros e imprecisos) com direito ao mito da descida de Ishtar ao submundo para salvar Tammuz (mito que uma outra bailarina me indicou um livro esgotado que contradiz essa versão do mito... a ser verificado ainda). A terceira parte é um lindo manual sobre cada parte do corpo e a sua importância na dança, na vida e para a feminilidade. A quarta e última parte é uma coletânea de rituais com a dança do ventre, especialmente os ritos de passagem.


O outro livro dela, Midnight Tales - A Woman's Journey Through the Middle East (algo como Histórias da Meia Noite - A Jornada de uma Mulher pelo Oriente Médio), é uma espécie de coletânea de histórias pessoais durante viagens ao Oriente Médio. É um livro extremamente rico, mostrando um mosaico da cultura do Oriente Médio, e é dividido por país, o que é bem interessante, pois evidencia melhor os contrastes entre eles.

Pessoalmente eu curto livros assim, pessoais, acho que enriquece e dá mais cor aos relatos, mais que os livros puramente científicos. E como estamos tratando do feminino, essa cor e a vivência se tornam essenciais.