Espaço para eu escrever sobre o que eu leio... Com espaço também para falar sobre autores que eu gosto e que eu não gosto... porque falar dos outros é fácil!!!
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terça-feira, 22 de abril de 2014
Tropas Estelares
SPOILER FREE
Mais um livro emprestado (um dos temas desse mês em um dos desafios que estou seguindo), e que de quebra é um clássico da ficção científica (cumprindo mais dois desafios literários de uma só tacada, ou leitura).
O maridão já tinha me "obrigado" a assistir ao filme, que ele classifica muito pertinentemente como "o melhor filme ruim de todos os tempos" (é isso mesmo), simplesmente porque o filme é muito ruim, mas é tão bom em termos de ironia e sacanagem com ideias mais comuns do que as pessoas gostariam de admitir, que é uma obra prima. Tendo o filme em mente, eu esperava um livro ruim que eu não conseguia entender como poderia um dia ter sido considerado um clássico, mas descobri que os dois são completamente diferentes, especialmente no tom irônico, que é inexistente no livro.
O livro é uma ode à direita militarista disfarçado de ficção científica, utilizando a história da guerra contra os insetóides para justificar toda uma explicação "lógica" sobre a inadequação da democracia como sistema político viável, explicando como num futuro não tão longínquo o mundo será dividido entre cidadãos e não-cidadãos, sendo que apenas os que serviram no exército podem ter cidadania. Imagino que esse tipo de ideia tenha feito muito sucesso durante a Guerra Fria e isso (e a guerra contra os insetos) seja a explicação para o livro ser tão premiado e ser considerado um clássico, porque sinceramente o livro e suas visões filosóficas são de dar medo e nojo. Ah sim, porque, claro, não podia faltar os toques de misoginia e heteronormatismo no livro.
Depois de sobreviver à leitura, precisei ver novamente o filme, e confesso que passei a gostar ainda mais dele, porque finalmente entendi que a película é uma grande crítica aos principais pontos absurdos do livro, e isso é feito de uma forma absolutamente genial (além de quebrar todos os preconceitos contra a mulher presentes no livro). Agora posso dizer com todas as letras e com convicção: Tropas Estelares é o melhor filme ruim de todos os tempos.
Nota 6 para o livro e 10 para o filme.
PS: quase esqueci do bônus do desafio, que é mandar um recado para quem me emprestou/indicou o livro: Claudio, entendo o porquê você gosta do livro, mas sinceramente não dá para concordar com nada dele e não sei porque você quis que eu lesse isso.
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Allegiant
SPOILER FREE
E finalmente terminei o terceiro livro! Depois de Divergent e Insurgent, eu não esperava muita coisa de Allegiant, mas mesmo assim consegui me surpreender de forma negativa.
Não entendi a necessidade da autora de tentar explicar ainda mais o que já não fazia sentido, e conseguir a proeza de se enrolar ainda mais e fazer menos sentido ainda. Para piorar, ela resolveu repetir o enredo do segundo livro, sério, é extamente a mesma história só que com nomes diferentes. Além disso, ainda resolveu introduzir diversos personagens novos (todos cópias de personagens dos livros anteriores) sem terminar de desenvolver os antigos. Desenvolver, não, desculpe, o que ela faz nesse livro com os personagens antigos é andar para trás, é impressionante como eles simplesmente ficam mais infantis. A coisa é tão mal feita que nesse livro a autora resolveu alternar o narrador entre a personagem principal dos livros anteriores e o seu par romântico, mas a única forma de diferenciar um narrador do outro é pelo subtítulo de cada capítulo.
E o final? Bom, é apenas uma tentativa de tornar a resolução do livro mais original, sacrificando ainda mais a lógica da história e o pouco de desenvolvimento que os personagens tiveram. Lógica e sentido pra quê? Totalmente desnecessário.
Fico triste quando tento pensar em algo que se salve nessa bagunça e não consigo pensar em nada além de "bem, podia ser pior". E fico mais triste ainda quando lembro que conheço casos piores.
Nota 2.
Média da trilogia: 3
PS: se você entende minimamente de genética e quer manter a sua sanidade, fique longe desse livro.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Insurgente
SPOILER FREE
Eu devo ser masoquista, porque mesmo sem ter gostado do primeiro livro, Divergent, resolvi ler a continuação. Mas minha desculpa oficial é que se é para reclamar tem que reclamar com propriedade, isto é, depois de ler o livro (anotaram?).
Enfim, Insurgente não é melhor do que o primeiro livro em nenhum aspecto. Na verdade, é até mais chato, pois o fator "adolescente tendo ataque" é até mais forte nesse volume, o que é compreensível pelo andar do enredo (sofrimento, morte e destruição, claro, o básico de distopia), mas não justifica a escolha da autora em observar justamente essa parte da história com lente de aumento, tanta coisa mais interessante acontecendo e ela resolve focar no drama.
Confesso que me diverti mais lendo as críticas a Insurgente do que o próprio livro, pois a quantidade de pessoas que ficou decepcionada com o fator "Bella" (personagem principal de Crepúsculo para os não-iniciados) que escorre das páginas do livro, mas eu sinceramente já sabia que isso ia acontecer desde o primeiro livro, e acho que Tris já era uma versão mais bombada da Bella desde sempre, então não me surpreendeu. O que me surpreendeu negativamente foi o par romântico, Four, que apesar dos pesares não parecia ser tão sem graça em Divergent.
O enredo e o mundo criado continuam cheios de furos e explicações meia boca, que eu inocentemente esperava diminuírem ao invés de aumentar (sim, eu sou otimista assim), e continuo sem entender as escolhas da autora. Acho que ela está no meio errado, se ela fosse roteirista de filme de ação adolescente ela seria mais bem sucedida, pois a melhor forma de melhorar os livros que eu consigo imaginar é cortar as explicações sem sentido e se ater à ação, que infelizmente não é tão presente em Insurgent quanto em Divergent, mas daria para 90min de película com folga. Já mencionei que eu espero que o filme seja melhor do que o livro? Pois repito: isso é muito provável. E é por isso que vou ler a continuação... além disso, a esperança é a última que morre.
Nota 4.
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Divergente
SPOILER FREE
Então, resolvi correr atrás de mais uma série que vai sair nos cinemas esse ano, e que uma amiga minha tinha dito que era divertida.
E descobri que nem sempre meus amigos têm razão quando me indicam livros. Acontece com todo o mundo, né?
Vamos por partes, Divergente é uma mistura de Hunger Games com Harry Potter, temos um futuro distópico, diversas facções que dividem a população e, claro, os pobres coitados que não pertencem a facção nenhuma e por isso vivem no meio do lixo. A parte Harry Potter fica muito por conta da forma como as pessoas são levadas a escolher uma determinada facção. Mas até aí, não há nada demais, afinal é reciclando que se cria coisas novas.
O problema de "Divergent" é que apesar da ideia ser bacana, ela não é bem desenvolvida, a história tem mais buraco do que queijo suíço. E não é algo discreto, é buraco do tipo "como assim? Não faz sentido!", e quando você repara não está mais mergulhado na história, e sim pensando nas diversas alternativas possíveis de consertar os problemas que vão surgindo um atrás do outro no livro. Isso quando você não é surpreendido por momentos de vergonha alheia no meio da história.
Esse último problema em específico é derivado do fato da história ser adolescente demais. Veja bem, eu curto histórias de adolescentes, mas tenho limites com relação ao excesso de drama e histeria que volta e meia aparecem nesse tipo de história. "Divergent" passou desses limites, e assim entrou para a minha lista de livros que eu tive vontade de jogar longe enquanto eu lia, e na lista dos livros em que eu tive vontade de bater no protagonista. Mas isso tudo faz um certo sentido quando você descobre que a autora desenhou o enredo da série enquanto era adolescente.
De qualquer forma, se eu estivesse com paciência ainda dava para fazer uma análise feminista em cima disso tudo, mas o resultado seria tão feio que pareceria surra em cachorro morto. Vou deixar para a próxima.
Apesar de tudo, o livro é minimamente divertido se você conseguir desligar o cérebro enquanto lê, e o trailer do filme promete... acho que será um daqueles raros casos em que o filme é melhor do que o livro.
Nota 4.
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
V de Vingança
SPOILER FREE
E no mês dedicado à vingança no Desafio Literário não podia faltar pelo menos um clássico nesse assunto tão humano. "V de Vingança" é um clássico dos quadrinhos que eu tentei ler há alguns anos e não consegui (inclusive é por isso que está no Desafio, se eu não terminei de ler não conta como releitura!) por achar chato demais. Quase 10 anos depois resolvi "me vingar" e dessa vez ir até o fim!
É interessante observar como a leitura pode ser uma experiência tão diferente ao longo da vida. Depois da primeira tentativa frustrada, confesso que não levava muita fé que conseguiria ler até o final. Tudo bem que dessa vez não achei tão chato quanto na primeira tentativa, mas acho que a experiência com alguns livros bem intragáveis ao longo desse tempo também ajudou (só pra alfinetar).
"V de Vingança" é uma obra muito interessante, e num momento onde tantas manifestações e rebeliões têm acontecido pelo nosso país e pelo mundo, sua leitura se torna mais relevante. Mas apesar de ter algumas tiradas geniais e questionamentos políticos muito relevantes, a defesa da Anarquia proposta na obra é muito pueril na minha humilde opinião.
Outra coisa que me incomodou na obra é como as mulheres são retratadas. Colocando no contexto de ser uma obra para um mercado quase exclusivamente masculino, escrita nos anos 80 (final dos 70, início dos 80 se quisermos ser ainda mais precisos), é compreensível a forma como as mulheres são mostradas: sempre vítimas, na maior parte do tempo despreparadas, nunca em cargos minimamente importantes e sempre lindas e com pouca roupa. Aliás, o que não falta é desculpa para mostrá-las com pouca (ou nenhuma) roupa. E tanto é assim que a personagem de maior peso político na história é uma femme fatale clássica, que usa dos seus atributos físicos para conseguir o que quer. Até mesmo a personagem feminina mais importante e cuja participação no final é de extrema importância é mostrada na maior parte do tempo como uma vítima infantilizada. E quando ela finalmente sai dessa condição ela é imediatamente mostrada de forma mais masculina. Entendo o contexto, mas não curti nem um pouco (esperava mais do Alan Moore).
Problemas à parte, a leitura é tranquila e a arte já virou cult, então não tem muito o que comentar quanto a parte visual. O texto é cheio de citações interessantes e é montado de uma forma bem peculiar (não tem balões de pensamento!). Mas não é a melhor Graphic Novel que já li. Infelizmente ela fica bem mais pro final da fila (que tem aumentado muito desde o ano passado).
Nota 7 porque eu não sou vingativa.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Mockingjay
SPOILER FREE
Finalmente terminei a trilogia Hunger Games! Depois de amar o primeiro livro e não gostar do segundo, Mockingjay me deixou dividida. Sem dúvida nenhuma é melhor do que Catching Fire, mas ainda fica longe do início da saga.
Dessa vez o meu problema foi com o desenvolvimento dos personagens. A história em si eu achei bem interessante, e foi bem desenvolvida. A solução para o mundo distópico criado pela Suzanne Collins ficou legal. Mas a personagem principal, Katniss, resolveu sofrer de múltipla personalidade. Suas reações não combinam com o que foi apresentado anteriormente sobre ela, e no final ela cai numa contradição tão gritante, que me deu vontade de socar a tela do computador (li novamente os livros no computador... já tinha mesmo os 3 em pdf, eu não ia gastar dinheiro comprando os livros quando não gostei do segundo volume). Fora uma morte em específico que eu achei absurdamente gratuita, pois a explicação dada no livro não faz o menor sentido, pois para ela fazer sentido a personagem principal precisava ter outra personalidade. Espera, isso acontece! Entende porquê não gostei tanto do livro?
Mas fora a Katniss enlouquecida e a morte gratuita, o plot desenvolvido é bem legal. A solução dada pela autora para o Peeta ficou interessante (apesar do final ser sem grandes explicações também... perto dos outros problemas é passável), e eu gostei da tensão Katniss-Gale, pois retoma o relacionamento meio dúbio que eles tinham lá no início, o que fez muito sentido pra mim.
No geral fico um pouco decepcionada com a série como um todo, pois o primeiro livro prometia muito mais do que as continuações realmente entregam, mas também não ficou ruim como imaginei que ficaria após ler o segundo livro, e isso atenuou o meu desconforto.
Nota 8 para Mockingjay e para a série como um todo.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Catching Fire
SPOILER FREE
Esse livro eu demorei meses para acabar... mas isso foi por conta de um mega intervalo que eu dei na leitura. E já descobri que isso não é bom, pois parece que eu saio do clima do livro, sabe? Mas ao mesmo tempo acho chato ficar relendo tudo de novo, pois não faz tempo o suficiente para uma releitura sem ficar com cara de que já sei aquilo tudo de cor.
Agora, estando ou não estando no clima do livro, não gostei das escolhas da autora para o prosseguimento da história, não ficou bom, achei meio forçado, quase uma coisa deus ex maquina. As personagens, em compensação, me surpreenderam, e gostei muito das reviravoltas de alianças e pactos entre elas com o desenrolar da história. Muito bem montado. Meu problema foi com a história mesmo.
Não tem o mesmo frescor de novidade de Hunger Games... e na tentativa de fazer algo diferente do primeiro livro, a autora se enrolou e fez uma trama chatinha e previsível, mas isso porquê ela mesma se colocou numa situação ruim, pois não havia saída para o enredo proposto que não copiasse o primeiro livro, daí a solução bizarra deus ex maquina que ela arranjou. E ao invés de seguir na construção de um mundo distópico e sem esperanças, ela enveredou pelo caminho da teoria da conspiração.
Confesso que me deixou até dividida entre ler ou não o terceiro livro, pois acho que já sei pra onde as coisas vão caminhar e continuo não gostando da ideia. Mas, vou deixar o preconceito de lado e ler Mockingjay, vai que me surpreende? (o maridão acha que não - ele já leu - mas sei lá, né?)
Nota 6.
domingo, 7 de agosto de 2011
Cidade da Penumbra
Pois é, finalmente terminei o livro deprê. Na verdade terminei o livro há uns 10 dias, mas ainda não sabia o que dizer aqui. Na verdade ainda não sei bem o que dizer sobre o livro, mas já estava passando do limite rsrsrsrs
Vamos lá, o livro conta uma história de detetive numa sociedade futurista absurdamente plausível e horrorosa de se viver (por isso achei muito deprê), tudo recheado com muita violência, um texto que te deixa meio perdido (atordoado talvez seja melhor) e algumas coisas que simplesmente não fazem sentido.
E daí? Bom... fora a narrativa meio lenta e sem nexo (talvez seja um problema de tradução... mas nesse caso eu duvido), o livro é marcante simplesmente pela plausibilidade (isso existe?) do futuro que descreve. A evolução dos celulares para rastreadores é simplesmente nauseante de tão possível (minha sogra e amiga Angela Lemos vai adorar essa parte), assim como a evolução das cirurgias plásticas, de Hollywood e, pelo visto, dos direitos. Sério, entrei em choque quando vi no jornal essa semana que querem incluir o direito de ser feliz na nossa constituição, vi os direitos do livro pularem das páginas... "Com a Clair-Monde, a felicidade não é mais uma utopia."... um lugar onde todos tem direito a beleza, juventude, felicidade... mas onde tudo isso tem um preço absurdamente caro, e no fundo ninguém é feliz. Eu disse que o livro era deprê?
Outro ponto marcante do livro é a dificuldade de entender o que está acontecendo. Primeiro eu achei que o problema era meu, ou do fato de eu ler demais no metrô, mas andei olhando outras resenhas e até agora não achei ninguém que tenha entendido o livro rsrsrsrs
Mas, talvez não seja esse o objetivo da autora... eu fiquei muito mais interessada pelo contexto da história do que pela história em si, que é como essa sociedade maluca funciona e como ela é cheia de coisas absurdamente inaceitáveis, mas que existem hoje também: abusos sexuais (incluindo pedofilia), drogas pesadas, violência, fome, pessoas sendo escravizadas e utilizadas em experimentos... só coisa "leve".
Para quem curte histórias meio psicodélicas ou futuristas à lá 1984, ou então curta livros deprês, é um prato cheio. Para os demais mortais sugiro ler outra coisa.
Nota 7 porque sou boazinha
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