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domingo, 28 de fevereiro de 2021

Regras de isolamento


 

SPOILER FREE

E o tema do Desafio Literário Popoca para fevereiro é livros que falem de quarentena! O que faz todo sentido, considerando que continuamos, em teoria, tendo que cumprir distanciamento social durante a pandemia em 2021... e foi assim que decidi pegar um livro lançado em maio de 2020 em Portugal, falando sobre a quarentena de 2020 em Lisboa. 

Regras de isolamento é um livro de textos curtos e com fotografias feito pelo casal Djaimilia Pereira de Almeida e Humberto Brito. A escritora Djaimilia começou a ser conhecida no Brasil por conta do livro Luanda, Lisboa, paraíso, e, apesar de ter vivido a maior parte da sua vida em Portugal, é nascida em Angola. Ela é casada com o fotógrafo português Humberto Brito, e juntos, eles fizeram essa coletânea de escritos (a maioria de Djaimilia, mas alguns de Humberto) e de fotos que ambos produziram no primeiro lockdown de Lisboa.

Foi meu primeiro livro de Djaimilia, e posso dizer que apreciei muito seus textos, que apesar de serem sobre a quarentena, acabam sempre evocando outros temas profundos e humanos, como família e ancestralidade. Os textos de Humberto, apesar de terem um estilo bem diferente do da esposa, me surpreenderam, pois tratam da filosofia por trás da fotografia.

De todos os textos de Regras de isolamento, só teve um que não curti, justamente o que me pareceu mais desconexo com a temática do livro. Todos os demais foram uma delícia de ler, apesar da carga do tema, e do fato que, pelo menos eu, continuo cumprindo quarentena. As fotos são bônus, pois são muito bonitas e complementam bem os escritos.

Fiquei surpresa com a velocidade que conseguiram publicar um livro desses. Mal entramos em 2021 e o livro já foi lançado há quase um ano! Quando eu digo que o home office faz as pessoas serem mais produtivas é desse tipo de coisa que estou falando. A rapidez para esse lançamento me surpreende, por mais que, originalmente, a maioria dos textos de Regras de isolamento terem sido publicados em revistas e outras publicações no início de 2020, ainda é um grande feito ele ter sido lançado em maio. É um tanto quanto assustador na verdade.

Certamente o livro serve como um belo cartão de visitas para Djaimilia, eu já comecei a caçar suas obras, se ela conseguiu produzir essas belezas tão rápido e num período tão conturbado, fiquei imaginando a qualidade da sua prosa "normal". Preciso ler mais dela, fato. E se eu encontrar algum artigo do Humberto por aí, certamente pararei para ler também.

Nota 9,5 por causa do único texto no meio que não curti.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

The Secrets of Egypt



SPOILER FREE

Eu ando super atrasada nas minhas resenhas, e esse livro aqui é a principal causa desse atraso. Estou há um mês enrolando para escrever sobre ele porque confesso que não gostaria de escrever e publicar o que eu realmente gostaria de dizer sobre ele.

Joana Saahirah é uma bailarina de dança do ventre portuguesa que morou durante oito anos no Egito, onde fez uma carreira muito interessante, e que abriu portas para ela viajar dando workshops pelo mundo inteiro. Ela possui um blog que é muito legal, e que tem um jeito de auto-ajuda para bailarinas, e eu acompanhei os seus vídeos e posts durante muito tempo, e gosto tanto do trabalho dela que assim que o livro saiu na Amazon eu comprei.

Demorei um bocado para lê-lo, é verdade, mas com a minha lista interminável de leituras, isso é normal.

Mas, gente, como fiquei triste ao ler o livro.

O que eu esperava: a história de Joana como bailarina, como ela saiu de Portugal, como foi se mudar, depois viver no Egito, como foi se adaptar a essa cultura tão diferente, e como isso mudou Joana como pessoa e como bailarina.

O que eu encontrei: uma história confusa, que a princípio era para ser o que eu esperava, mas veio entremeada dos textos de auto-ajuda do blog dela, o que não seria um problema, se não fosse extremamente repetitivo, e, o pior, contada de forma preconceituosa. A jornada de Joana no Egito não foi fácil, entendo isso perfeitamente, viver lá não é para qualquer um, ainda mais sendo mulher e bailarina, e entendo também que ela tenha sofrido muito, mas muito mesmo nesse processo. Mas fiquei chocada com a raiva guardada que ela acabou por colocar no livro, o que fez com que o texto soasse diversas vezes como extremamente preconceituoso, em especial com a religião islâmica.

Não que o Egito seja um lugar lindo e maravilhoso para mulheres, mas, assim, existem formas e formas de se dizer as coisas, não é mesmo? Não acredito que piadinhas, afirmações genéricas e uma visão de superioridade européia sejam uma boa forma de tratar o assunto. Se era para sensibilizar os estrangeiros, deu a entender que os egípcios, bárbaros e incivilizados, não têm jeito, se era para sensibilizar os egípcios, bem, se eu fosse egípcia eu ficaria com muita raiva. Então, sinceramente, não consigo entender o objetivo de tratar as coisas dessa forma.

Ainda bem que existem outros livros de bailarinas que são mais leves nesse sentido, e que também trazem informações super interessantes de como é viver como bailarina na terra das pirâmides. Se você se interessa pelo assunto sugiro "Ma liberté de danser", da egípcia Dina, e "Stories of a travelling bellydancer", da finlandesa Zaina Brown.

Nota 4.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

o apocalipse dos trabalhadores



SPOILER FREE

2015 já começou bem! Nada como abrir o ano com o português Valter Hugo Mãe, no tema "autores que eu indico para todo o mundo"!

Seguindo uma linha mais melancólica, como em "A desumanização", nesse livro o autor trata da mecanização do dia a dia dos trabalhadores, focando na mulher a dias (faxineira ou empregada doméstica para os brasileiros) Maria da Graça e sua colega de função e também carpideira Quitéria. As duas vivem sem saber muito bem o porquê de tudo e o propósito das suas vidas, num cotidiano maçante que cisma em tentar mecanizar suas emoções, mas como seres humanos resistem a esse processo, na busca pelo significado dos acontecimentos à sua volta e dos seus próprios sentimentos.

Justamente por tratar do tema da mecanização do ser humano no mundo moderno, o livro não é tão poético quanto os outros que já li do autor (o melhor nesse quesito continua sendo "o filho de mil homens"), mas tem um estilo peculiar. Dessa vez, para aumentar a sensação de invariabilidade da vida dos seus personagens, o autor se absteve da utilização de letras maiúsculas. O que me incomodou no início, mas logo me acostumei e confesso que achei genial.

Além disso, tem a relação particular da Maria da Graça com a religião e a vida após a morte, de forma que ela visita frequentemente a entrada do paraíso nos seus sonhos, o que daria uma resenha cheia de spoilers à parte, de tão sensacional.

No geral o livro é muito bom, coisa de alto nível mesmo, porém, confesso que achei um pouco chato (talvez fosse esse o objetivo? acredito que sim). E é só por isso que ficou com nota 9.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O Português que nos pariu

SPOILER FREE

Eis um livro que li numa situação meio inusitada: minha mãe pediu que eu o comprasse para o marido português de uma amiga dela que mora na Bélgica e que iria nos visitar. Depois de algumas tentativas, encontrei o tal livro! Como boa viciada, parei para ler as orelhas e... me interessei. Mas aí fiquei pensando, comprar dois livros para quê? Ainda falta uma semana para a dona do livro chegar! Pois bem, li o livro na maior paranóia para não marcar a lombada ou as páginas. E consegui!

Aliás, inusitado é o conteúdo do livro... nada como a história não autorizada de qualquer um! Um prato cheio para o bom humor, ainda mais quando se trata da história de Portugal, e por consequência do Brasil, com direito a todas aquelas figuras manjadas do filme "Carlota Joaquina" e outras menos conhecidas também. A leitura é leve, com jeitão despretensioso, o que fica muito interessante com a quantidade de informações despejadas para o leitor. Se todo livro de história fosse assim seria uma das matérias mais legais da escola.

Recomendado para aqueles que não gostam de ler, para os amantes de história (principalmente portuguesa) e curiosos, além das possíveis misturas dessas categorias.

Apesar de ter gostado muitíssimo, só não recebe nota melhor porque meu pseudo-tio-primo escreveu um livro sobre o caminho de Santiago, num estilo mais despretensioso também, que ficou melhor :-P

Nota 8,5