Dezembro é o mês de um tema do Desafio Literário que já foi muito caro para mim: poesia. Afinal, fui uma adolescente que adorava ler e escrever poesia. Mas nos últimos anos confesso que me afastei muito desse estilo, pois a leitura do dia a dia do metrô não convida a ler calmamente poemas e ficar se deleitando com eles.
Mas é o desafio! Não podia deixar esse tema passar em branco! Mas daí surgiu outro problema, acho que já li praticamente tudo o que possuo de poesias, e o que eu não li são livros absolutamente proibitivos de se carregar na rua por causa do tamanho e do peso. Foi então que me lembrei de Rumi! O grande poeta persa que viveu em Konya (hoje na Turquia) e cujo túmulo eu pude visitar na minha viagem à Anatólia nesse ano.
Saquei o livro da estante de livros sufis (sim, eu tenho uma coleção deles) e tive um final de semana delicioso com ele!
Essa edição é simplesmente uma pérola! (só para usar uma das imagens mais presentes na obra de Rumi) Ela contém uma seleção de apenas 79 poemas de Jalal ud-Din Rumi, feitos para a sua alma gêmea (no sentido literal de alma, por favor) Shams de Tabriz. Para melhorar, o livro conta com 2 introduções muito boas sobre a história de Rumi e como o encontro com Shams mudou para sempre a história tanto desse místico quanto do sufismo, além de todos que foram influenciados pelo trabalho do grande poeta (e não foram poucos!).
E se você acha que é pouco, no final do volume tem uma sessão razoavelmente extensa que explica diversas figuras que Rumi utiliza nos seus versos. E, claro, tem as suas lindas poesias!
O tema central do Divan de Shams de Tabriz é o anseio pelo reencontro do mestre com o discípulo, do buscador com deus, do amante com o amado. É a busca de Rumi por Shams. E ainda trabalha a ideia de como depois da separação forçada, o discípulo torna-se mestre de si mesmo, como o buscador encontra deus dentro de si e o amante se torna o próprio amado, numa alquimia espiritual poderosa! É lindo!
Outro tema muito mencionado nos poemas selecionados é o Sema, o ritual sufi criado por Rumi que consiste em dançar girando em torno do seu próprio eixo até entrar em êxtase! Eu gostei especialmente desses versos.
Para quem gosta de poesia fica a dica de um livro muito bonito numa edição extremamente caprichada.
Nota 10