Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador Rumi. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Rumi. Mostrar todas as postagens

domingo, 8 de dezembro de 2019

A Year With Rumi by Rumi



SPOILER FREE

O poeta persa Rumi é um dos marcos da literatura mundial, tendo influenciado gerações de escritores, não apenas poetas. Quem acompanha o blog sabe que eu curto o autor também.

Esse foi meu primeiro livro do Rumi com tradução para o inglês e no formato Kindle. E posso dizer que curti a experiência. De forma geral, a tradução ficou bem interessante, e a seleção feita pelo Coleman Barks foi bem feita, tem muita coisa muito boa.

Por ser uma seleção para durar um ano inteiro, ela é um tanto longa, mas eu não fiz o proposto, que era ler um por dia, dependendo do dia, claro que li mais de uma poesia. Mesmo assim, o livro durou alguns meses na minha mão, até porque poesia não é para ser lida aos montes de uma vez.

O livro também tem uma introdução e um posfácio bem interessantes, que também valem a leitura.

De forma geral, eu sempre indico a leitura de Rumi, exceto quando a tradução é realmente ruim, infelizmente esses casos existem. Mas, não é esse o caso, pode pegar esse volume e se fartar sem medo!

Nota 10.

domingo, 22 de outubro de 2017

A Sombra do Amado: Poemas de Rûmî

O que fazer, se não me reconheço?
Não sou cristão, judeu ou muçulmano.

Se já não sou do Ocidente ou do Oriente,
não sou das minas, da terra ou do céu.

Não sou feito de terra, água, ar ou fogo;
não sou do Empíreo, do Ser ou da Essência.

Nem da China, da Índia ou Saxônia,
da Bulgária, do Iraque ou Khorasan.

Não sou do paraíso ou deste mundo,
não sou de Adão e Eva, nem do Hades.

O meu lugar é sempre o não-lugar,
não sou do corpo, da alma, sou do Amado.

O mundo é apenas Um, venci o Dois.
Sigo a cantar e a buscar sempre o Um.

"Primeiro e último, de dentro e fora,
eu canto e reconheço aquele que É."

Ébrio de amor, não sei de céu e terra.
Não passo do mais puro libertino.

Se houver passado um dia em minha vida
sem ti, eu desse dia me arrependo.

Se pudesse passar um só instante
contigo, eu dançaria nos dois mundos.

Shams de Tabriz, vou ébrio pelo mundo
e beijo com meus lábios a loucura.
 SPOILER FREE

Rumi é um dos meus poetas favoritos, então a escolha do livro me foi muito óbvia. Inclusive, tenho vários livros e traduções diferentes do poeta sufi persa. E foi muito emocionante para mim visitar o seu túmulo no interior da Turquia (pena que hoje em dia não indico mais essa viagem para ninguém, a coisa está estranha no Oriente Médio).

Dito isso, não sei explicar o que o tradutor fez, pois confesso que não gostei do livro. A escolha dos poemas (que na verdade são pedaços de obras mais longas) não ficou bom, a escolha das palavras também não, e as notas sobre cada poema simplesmente não me tocaram. Rumi era para ser pura emoção religiosa, entrega sem limite, e sem delimitação de crença, muito na linha do Kabir. Mas nessa tradução ficou muito sem graça.

O mais triste é que pouco depois de terminar esse livro, comprei outro do Rumi, e quando cheguei em casa percebi que era o mesmo tradutor. Espero que os anos entre uma tradução e outra tenham trazido um pouco mais de conhecimento, sensibilidade e profundidade ao seu trabalho.

Nota 5.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Poemas Místicos


Dezembro é o mês de um tema do Desafio Literário que já foi muito caro para mim: poesia. Afinal, fui uma adolescente que adorava ler e escrever poesia. Mas nos últimos anos confesso que me afastei muito desse estilo, pois a leitura do dia a dia do metrô não convida a ler calmamente poemas e ficar se deleitando com eles.

Mas é o desafio! Não podia deixar esse tema passar em branco! Mas daí surgiu outro problema, acho que já li praticamente tudo o que possuo de poesias, e o que eu não li são livros absolutamente proibitivos de se carregar na rua por causa do tamanho e do peso. Foi então que me lembrei de Rumi! O grande poeta persa que viveu em Konya (hoje na Turquia) e cujo túmulo eu pude visitar na minha viagem à Anatólia nesse ano.

Saquei o livro da estante de livros sufis (sim, eu tenho uma coleção deles) e tive um final de semana delicioso com ele!

Essa edição é simplesmente uma pérola! (só para usar uma das imagens mais presentes na obra de Rumi) Ela contém uma seleção de apenas 79 poemas de Jalal ud-Din Rumi, feitos para a sua alma gêmea (no sentido literal de alma, por favor) Shams de Tabriz. Para melhorar, o livro conta com 2 introduções muito boas sobre a história de Rumi e como o encontro com Shams mudou para sempre a história tanto desse místico quanto do sufismo, além de todos que foram  influenciados pelo trabalho do grande poeta (e não foram poucos!).

E se você acha que é pouco, no final do volume tem uma sessão razoavelmente extensa que explica diversas figuras que Rumi utiliza nos seus versos. E, claro, tem as suas lindas poesias!

O tema central do Divan de Shams de Tabriz é o anseio pelo reencontro do mestre com o discípulo, do buscador com deus, do amante com o amado. É a busca de Rumi por Shams. E ainda trabalha a ideia de como depois da separação forçada, o discípulo torna-se mestre de si mesmo, como o buscador encontra deus dentro de si e o amante se torna o próprio amado, numa alquimia espiritual poderosa! É lindo!

Outro tema muito mencionado nos poemas selecionados é o Sema, o ritual sufi criado por Rumi que consiste em dançar girando em torno do seu próprio eixo até entrar em êxtase! Eu gostei especialmente desses versos.

Para quem gosta de poesia fica a dica de um livro muito bonito numa edição extremamente caprichada.

Nota 10