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quinta-feira, 23 de abril de 2020

Doctor Sleep (The Shining #2) - Doutor Sono



SPOILER FREE

Depois de reler O Iluminado por causa do podcast de um amigo, eu não podia deixar de aproveitar a oportunidade e reler também Doutor Sono. Não só porque quando li da primeira vez eu não lembrava dos detalhes do primeiro livro, mas também porque não dá para falar de um filme sem falar do outro.

Apesar da distância enorme entre um lançamento e outro, Stephen King fez um bom trabalho de continuidade entre os dois. Lendo seguidinho não notei nada que indicasse o contrário, o que é uma proeza. Apesar de alguns detalhes desnecessários que o autor colocou em Doutor Sono que o filme fez super bem em ignorar. Ok, vou parar as comparações, mas é difícil.

Quando li esse livro pela primeira vez fiquei muito impressionada, porque ele é muito bom. Excelentes personagens, excelente enredo, e gostei mais das escolhas do autor para o personagem Danny na segunda leitura do que na primeira. Apesar disso, o fato de ter lido a maravilha que literária que é O Iluminado logo antes deixa Doutor Sono um tanto quanto apagado. O que é uma pena, pois o livro continua sendo excelente dentro da obra de Stephen King, seu único defeito é não ser tão maravilhoso quanto o primeiro.

E essa questão está muito na qualidade da escrita, em O Iluminado parece que o autor estava realmente muito inspirado ao escrever. Em Doutor Sono ele faz um excelente trabalho, mas não estava tão inspirado. Por favor, não deixem de ler esse livro por causa disso, ele ainda vale cada uma das suas mais de 600 páginas também!

Nota 9 em comparação.

The Shining - O Iluminado



SPOILER FREE

De tempos em tempos eu gosto de reler livros que me marcaram. Dessa vez o empurrãozinho que faltava era um amigo me convidar para um podcast de filmes. Explico, eu não sou entendida de cinema, mas gosto de pensar que depois de ler tanto entendo algo de livros, logo, sugeri como tema adaptações. Após algumas indas e vindas, um dos filmes que decidimos analisar foi O Iluminado. Para constar, ainda não gravamos o podcast, mas aviso aqui quando estiver pronto.

Reler O Iluminado foi uma experiência muito boa. Eu lembrava da sensação do livro ser maravilhoso, mas faz quase 10 anos que o li, então podia ser uma coisa de fase, de idade, de época... mas não, posso dizer que fiz o tira-teima, e O Iluminado passou com louvor. É provável que seja a obra-prima de Stephen King, de tão bem escrito.

Continuo achando que faz diferença saber pelo menos o casting do filme do Kubrick, pois, apesar das descrições físicas serem um pouco diferentes, os atores estão todos maravilhosos nesses papéis. E enriquece muito a leitura visualizar os personagens como Jack Nicholson, Shelley Duvall e Danny Lloyd. Apesar do livro ser muito melhor que o filme, o filme em si não faz feio, em especial por causa do trabalho impecável desses atores.

A grande diferença entre os dois está no final da história, onde o livro é bem mais interessante e angustiante. Não sei o que deu no Kubrick para mudar, talvez tenha sido uma questão de orçamento ou pura dificuldade técnica. Mas o livro consegue ser bem mais assustador. Vou tentar parar as comparações com o filme aqui para ter o que falar no podcast...

A edição que eu tenho do livro é de aniversário, então ela tem um prefácio do autor também, bem interessante, onde King fala sobre as escolhas que ele fez ao escrever O Iluminado e que tornam o trabalho tão rico. Muitos livros de King seguem uma vertente de terror bastante sobrenatural, e os antagonistas muitas vezes são bastantes simples (quem manda ser tão prolífico? não tem como ser maravilhoso sempre), mas aqui o autor fez uma decisão audaciosa: é difícil de definir quem é o verdadeiro culpado por toda a tragédia, o hotel Overlook ou Jack Torrence

Com exceção do Overlook, os personagens são bastante complexos, com questões emocionais próprias que por si só já bastariam para uma história muito interessante. Daí se soma o lado sobrenatural e você tem a riqueza que é O Iluminado. Vale cada uma das suas quase 700 páginas.

Nota 10, de novo.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Dreamcatcher - O apanhador de sonhos

   It became their motto, and Jonesy couldn't for the life of him remember witch of them started saying it first. Payback's a bitch, that was his. Fuck me Freddy and half a dozen even more colorful obscenities originated with Beaver. Henry was the one who taught them to say What goes around comes around, it was the kind of Zen shit Henry liked, even when they were kids. SSDD though; what about SSDD? Whose brainstorm had that been?
   Didn't matter. What mattered was that they believed the first half of it when they were a quartet and all of it when they were five and then the second half of it when they were a quartet again.
   When it was just the four of them again, the days got darker. There were more fuck-me-Freddy days. They knew it, but not why. They knew they were caught, but not exactly how. And all this long before the lights in the sky. Before McCarthy and Becky Shue.
   SSDD: Sometimes it's just what you say. And sometimes you believe in nothing but darkness. And then how do you go along?



 SPOILER FREE

Para variar estou atrasada nas resenhas... esse livro foi do tema do Desafio Literário de Fevereiro, onde a ideia era ler um marco de um gênero. Como eu já havia mencionado no meu planejamento de leituras do ano, resolvi ler qualquer coisa do Stephen King porque ele em si é um marco do gênero de terror.

Por uma razão de: achei esse primeiro entre os livros dele no meu Kindle (o que vou considerar como um quase sorteio, uma aleatoridade que está prevista no Desafio desse ano e que em teoria vale mais pontos, mas quem está contando? eu só conto livros) resolvi ler Dreamcatcher - O apanhador de sonhos na edição brasileira.

Apesar de um amigo meu ter comentado que esse volume não era o melhor do Stephen King (o que é verdade, ele não está no mesmo nível de um "Iluminado"), eu gostei muito do livro. Com um quê de ficção científica com direito a invasores alienígenas, Dreamcatcher não é uma história típica do Stephen, mas não é menos divertido por conta disso, até porque mesmo nesse caso o autor não conseguiu escapar completamente do seu gênero e do seu gosto pelo inexplicável que pode ser espiritual.

De quebra, um dos personagens importantes da história é especial! O que achei uma evolução nos livros de King (ainda não tinha encontrado personagens assim nos livros que li dele, então desculpem se deixei algum exemplo de fora). E esse fato não reduz em nada a quantidade de palavrões no texto, fiquem avisados.

Se Dreamcatcher tem um defeito é ser um tanto quanto longo, aproximadamente 900 páginas, o que deixam algumas passagens um pouco longas demais, apesar de que a mudança de ponto de vista da narrativa entre os diversos personagens suavize muito a sensação (e é um ponto positivo). Mas mesmo assim a leitura fica por vezes cansativa. Além, claro, de demorar para terminar. Não é a toa que a resenha acabou saindo no mês seguinte, mesmo não atrasando tanto assim para sair (quase uma semana).

Somando prós e contras, nota 9!

quarta-feira, 27 de julho de 2016

NOS4A2



SPOILER FREE

Eu sei que o título mais parece um erro de digitação, mas é isso mesmo. E a ideia é cumprir o tema de agosto do Desafio Literário, que é um livro com números no título. Mesmo que não seja apenas números, considero como bem escolhido, pois o título se refere à placa do carro de um dos personagens principais desse romance do Joe Hill e, além disso (em inglês apenas) é uma brincadeira com a palavra Nosferatu!

Acabei por comprar esse livro porque li "Horns" do mesmo autor e adorei, logo, quando teve um novo lançamento ele automaticamente foi para a minha wish list e quando entrou em promoção foi parar no meu kindle (que continua lotado, claro, mas eu juro que estou tentando). Joe Hill continua me surpreendendo, ele consegue seguir o mesmo estilo de história que tornou o seu pai, Stephen King, famoso, mas ele encontrou a sua própria voz e estilo literário. Imagina um Stephen King modernizado, é ele.

Dessa vez, ele traz a história de Victoria McQueen, uma menina que descobre que pode fazer coisas supostamente impossíveis, até que ela percebe que ela não é a única com dons especiais. Após um encontro desastroso com o dono do carro com a placa NOS4A2, ela termina por rever alguns "conceitos" na sua vida. Mas a experiência a mudará para sempre e ditará o seu destino e daqueles que ela ama.

O livro é uma mistura de terror com aventura, com diversos momentos simplesmente arrepiantes. Para dar uma ideia, esse foi um volume que eu me recusei a ler antes de dormir, porque sabia que não me deixaria cair no sono ou me daria pesadelos. Essa limitação acabou por me fazer demorar mais tempo do que eu previa na leitura das suas quase 700 páginas, mas valeu a pena. A personagem principal, Vickie, é maravilhosa! No estilo anti-herói, a mulher é poderosa, porque para aguentar tudo o que ela passou e ainda fazer o que ela fez, precisa ser muito badass. Foi um prazer imenso acompanhar a sua trajetória e fiquei com gosto de quero mais, o que, infelizmente, é improvável. Para meu maior deleite, o autor ainda fez referências a obras do seu pai, o que é sensacional para os fãs.

Nunca mais verei o Natal da mesma forma por causa desse livro.

Nota 10!



terça-feira, 5 de abril de 2016

Doctor Sleep - Doutor Sono



SPOILER FREE

Há alguns anos atrás eu resolvi ler "O iluminado", e gostei tanto da experiência que quando, 30 anos depois do lançamento desse best seller, Stephen King resolveu publicar uma continuação, ela entrou imediatamente na minha wishlist, e no momento em que entrou em promoção eu fui garantir uma cópia para o meu kindle.

Depois de alguns meses, por conta do meu atual projeto hercúleo de esvaziar o meu superlotado kindle (ele mostra um aviso de pouca memória toda vez que eu o ligo, tadinho), "Doctor Sleep" foi devidamente devorado.

Apesar de ser uma continuação, "Doctor Sleep", lançado em português como "Doutor Sono", não requer a leitura prévia do livro original, apesar dela ajudar, o que eu achei um ponto positivo, visto que eu já não me lembrava de um monte de coisas e o que é realmente necessário lembrar, o novo volume fornece ao leitor. Dito isso, o livro conta um pouquinho do que passa com o menininho "iliminado" pouco tempo após os acontecimentos do primeiro livro e logo pula uns 30 anos à frente, para relatar a vida adulta de Dan Torrance.

No início eu fiquei meio chocada e meio decepcionada com o menino já crescido ("como ele pode fazer isso???"), mas conforme a história evolui e fica mais claro as razões por ele ter escolhido o seu caminho de vida, eu fui simpatizando cada vez mais com ele. Além disso, vão sendo apresentadas as novas personagens, muitas delas interessantes e cativantes, que serão importantíssimas nessa nova trama, que apesar de ter origem independente do Hotel Overlook, tem lá as suas coincidências. Apesar desse tipo de história sobrenatural não costumar ter exatamente coincidências, aqui elas não soam falsas, e nem trazem aquele apelo de querer explicar tudo, o que também é um ponto positivo, na minha opinião.

Agora, apesar de não se centrar num enredo de fantasmas, o livro ainda é de terror, pois o seu tema principal é o poder psíquico de algumas pessoas, e como esse poder pode ser utilizado tanto de forma positiva, para ajudar os outros, como também de forma extremamente maligna e cruel. E é sobre como um grupo de pessoas com esse tipo de poder visam se manter imortais, e, para isso, são capazes de realizar atos terríveis.

Nota 10.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

At the mountains of madness


SPOILER FREE

O tema do mês de outubro foi um autor que eu já tivesse ouvido falar mas que nunca tivesse lido. Por insistência de um amigo meu, no final do ano passado eu acabei por adquirir baratinho na Amazon uma coletânea de toda a obra do H.P. Lovecraft, e com esse tema, achei que finalmente era a hora de atacar um clássico do terror.

Então, existe um motivo para a obra  de H.P. Lovecraft ser considerada um clássico, ele foi um dos primeiros a levar elementos da ficção científica para o terror. E a narrativa é montada de forma que traz uma montanha de suspense (olha a piadinha infame), porém, o ritmo da leitura é bem datado. Em outras palavras, o livro é lento. Existe na obra um preciosismo comum dessa época, início do século XX, de caprichar e detalhar um pouco demais as descrições das coisas e dos lugares, o que eu achei chato. A descrição dos monstros parece retirada de um livro de anatomia, o que pode ser o máximo para alguns, mas para mim só deu vontade de pular os parágrafos.

Mas fora isso, até quase o final, o livro é muito interessante e o suspense realmente funciona. Só que, quando chega na última parte do livro, o narrador em primeira pessoa resolve dar uma aula de história que, da forma como a narrativa é contada, é simplesmente implausível que o narrador fosse capaz de saber aquilo tudo. E a partir daí eu simplesmente não consegui mais entrar no clima do livro, a minha "suspensão voluntária da descrença" foi passear e não voltou mais.

O que mais me deixou chateada é que essa última parte, que causou todo o meu problema com o livro, era absolutamente desnecessária! O livro poderia ser mais enxuto e ainda mais interessante e envolvente sem essa enrolação no final. Definitivamente uma pena.

Para a minha primeira obra de H.P. Lovecraft, confesso que fiquei um pouco decepcionada. Mas no futuro pretendo dar uma segunda chance, afinal tenho todas as obras dele em mãos para escolher.

Nota 7.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Horns (O pacto)



SPOILER FREE

Tudo começou porque eu vi que iria sair o filme com o ator que fez Harry Potter, e pelo trailer eu fiquei morrendo de curiosidade. Daí descobri que era baseado num livro! E mais, o autor do livro é filho do Stephen King. Daí eu conseguir o livro foi um piscar de olhos. Em inglês, claro, porque só a tradução do título para o português é de assustar.

Mas, dessa vez fiz algo que eu não costumo fazer, vi o filme primeiro (e no Netflix, porque a lista de filmes e de leituras é realmente grande). E ADOREI. O filme é muito interessante, a total falta de explicação para o que acontece com o personagem principal, Ig, é simplesmente sensacional, porque no final das contas nem o filme nem o livro são sobre a transmutação em si, e sim sobre como ele e aqueles em sua volta lidam com isso. Lindo. O final é meio estranho, meio aberto demais, mas o resto do filme é tão divertido que nem liguei.

Fui ler o livro animadíssima, e o livro é ainda melhor que o filme. Claro que foram feitas algumas adaptações, mas a história é basicamente a mesma. Com exceção do final, que no livro é infinitamente melhor. Tudo bem que eu li já sabendo quem era o culpado do crime, mas o livro conseguiu prender a minha atenção mesmo assim, o que já diz bastante coisa. Até as referências bíblicas são mais interessantes no livro (e mais aprofundadas, claro).

Em termos gerais a história do livro é a seguinte: a namorada de Ig, Merrin, foi encontrada assassinada e estuprada numa espécie de floresta na cidadezinha em que eles moravam. Apesar de não haver provas concretas Ig é o único suspeito, e todos acreditam que ele é o culpado. O problema é que na noite em que Merrin foi assassinada, Ig teve uma bebedeira de proporções épicas, e não lembra do que aconteceu. Até o dia em que começam a crescer chifres na sua testa, e todos ao seu redor começam a agir de forma muito estranha.

Nota 9.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Anna dressed in blood



SPOILER FREE

Esse livro entrou na minha lista "para ler" por conta de uma indicação de uma amiga minha (que costuma acertar muito!), e depois do dramalhão de Romeu e Julieta achei que eu precisava de algo mais sombrio para desintoxicar.

Apesar de ainda não ter sido lançado no Brasil, "Anna dressed in blood" é o tipo de história de fantasmas que você poderia encontrar em qualquer lugar, e isso é apenas um dos seus muitos charmes, porque você consegue se identificar com ela. E o legal do livro é justamente que ele traz essas histórias de fantasmas que as crianças e adolescentes adoram contar uns para os outros, mas dessa vez elas são reais, tão reais que o protagonista e narrador, Cas, é um dos poucos seres humanos capazes de caçar e matar esses seres sobrenaturais. O livro traz então uma espécie de diário desse "caça-fantasmas", e como ele resolve tornar "Anna vestida de sangue" o seu próximo alvo, e como isso acaba trazendo uma grande reviravolta, não só na sua vida, mas também em tudo em que ele acredita.

O livro tem momentos extremamente tensos, dignos de Stephen King, e alguns momentos de violência gráfica que não seriam muito recomendados para crianças (adolescentes já é tranquilo), mas ao mesmo tempo consegue ser engraçado e divertido, além de ter um quê de romance, o que torna a leitura extremamente dinâmica e leve (exceto nos momentos de maior terror, teve um dia que eu achei que não fosse conseguir dormir). E confesso que, apesar da recomendação, fiquei extremamente surpresa com a qualidade da escrita, do desenvolvimento dos personagens e da narrativa. Já coloquei o segundo (e até o momento último) livro da série na minha lista de desejos da Amazon, e já catei alguns outros livros da autora, pois se ela conseguir manter o nível de "Anna dressed in blood" com certeza terei muita literatura de qualidade pela frente para ler.

Nota 10.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Frankestein


SPOILER FREE

Então, estou enrolando com essa resenha faz alguns dias, mas de hoje não passa.

Peguei esse clássico para ler porque um dos meus desafios literários (o de clássicos, claro) tinha como tema ler um clássico do terror, e assim como Drácula (que eu já li e recomendo), Frankestein está no topo da lista do que é um clássico de terror, ou pelo menos na teoria, certo?

Pois bem, na verdade não achei o livro grandes coisas, nem como terror, nem como literatura. Sendo franca, achei muuuuuuuuuuuuuuuuito chato. Tão chato que aconteceram duas coisas bizarras: um, eu inventava outras coisas para fazer para não lê-lo, dois, diversas vezes eu dormi no meio da leitura (com direito ao kindle cair algumas vezes na minha cara, e não, isso não é divertido).

Explico: Frankenstein não trata do monstro, em absoluto, o livro trata dos problemas emocionais do criador do monstro, e trata da aversão do ser humano pelo o que é diferente e feio. Só isso. Nada de grandes cenas de terror ou descrições terríveis, só o medo do ser humano, angústia, culpa e roooooonc

Ah sim, porque o livro trata dessas coisas de forma repetitiva, muito repetitiva mesmo. Saca a repetição da Bela de como o Edward é lindo? Esse nível de repetição. E não importa o que aconteça, não importa o quão ilógica seja a aversão pelo monstro (ele é até um cara legal! mais legal que muita gente! até ele enlouquecer... o que vamos combinar, é compreensível), a repetição do medo, angústia, culpa e aversão continua e continua e continua e continua. A história em si caberia num conto. E nada se resolve, nada se conclui. Nada se transforma ou leva a lugar algum. É só uma repetição sem fim de angústia, culpa, medo e aversão.

Terminei o livro às duras penas (e dormindo no final) e não entendo como é um clássico. E confesso que não lembro particularmente de nenhum filme sobre o Frankenstein para fazer alguma comparação, mas imagino que qualquer filme seja melhor, nem que seja por resumir a história.

Nota 3.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Carrie


SPOILER FREE

Dando uma pausa entre um livro e outro da Agatha Christie (tudo por causa do tema natalino do Desafio Literário), resolvi ler um livro que agora está nos cinemas, só para poder dizer que li antes de ver o filme. E como o kindle é tudo de bom, ainda por cima li sem carregar peso ou sentir cheiro de livro velho (a alergia agradece).

Podem julgar (eu não ligo), mas confesso que eu não tinha a menor ideia do que se tratava a história de "Carrie", e descobri que é puramente sobre bulling. Para quem esperava algo bem estilo "O iluminado", achei bobinho, pois não é um livro de terror ou assustador. Mas... Stephen King escreve muito. Inquestionável.

A forma como a história é contada é simplesmente das mais originais que já vi, alternando diversos tipos de narrativa: extratos de "livros" publicados por sobreviventes, matérias de jornal, "livros científicos", relatórios de comissões de investigação, e, como não podia faltar, uma narrativa clássica que ainda por cima tem seus toques de originalidade. E tudo isso é montado de uma forma para fazer a tensão ir num crescendo até o grande evento fatídico que é o clímax do livro, e terminando de uma forma suave e despretensiosa. Agora fiquei com vontade de ver o filme, mas confesso que acho que não vai chegar aos pés do livro, e corre um grande risco de virar só um filme trash cheio de sangue. Mas enfim... só vendo para poder dizer.

Então, como todos já devem saber, Carrie é uma garota que sofre demais com bulling na escola, até o dia em que ela descobre que tem um poder único, e resolve se vingar dos seus torturadores na noite da sua maior humilhação: o baile de formatura. Parece simples, mas Stephen King consegue fazer milagre com esse tema tão adolescente. Já viram que ele já está na lista de leitura programada para o ano que vem, né? Um livro dele por ano parece uma boa média (ano passado foi "O Iluminado").

Nota 8,5.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Histórias para não dormir


SPOILER FREE

Eis um livro que veio parar nas minhas mãos de forma pouco convencional... eu estava numa festa de aniversário, quando um amigo meu (vizinho do aniversariante em questão) veio me falar desse livro. Como ilustrador, ele achava o livro muito bonito, o que me deixou curiosa, dado que se trata de histórias de terror! Ao ver o meu interesse, esse amigo não perdeu tempo: foi até a sua casa (alguns andares acima) e trouxe o dito cujo para que eu olhasse.

Não deu outra, passei uma parte da festa num canto bebendo dry martíni acompanhada do livro. E justamente por ser um livro de contos curtos e por ser em quadrinhos, ele não durou nada na minha mão. O que foi bom, pois ainda consegui aproveitar parte da festa!

O livro é uma coletânea de contos de mestres como Guy de Maupassant, Sheridan Le Fannu, Edward White, J. William Polidori, Catherine Crowe, Robert Stevenson e Edgar Allan Poe. Cada um tem um conto adaptado e ilustrado pelo espanhol Pedro Rodríguez (ele tem um site fofo, veja aqui).

Todos os contos são interessantes, uns mais do que outros, claro. Pessoalmente eu gostei mais do último conto, do Poe, chamado "O Gato Preto", seguido do primeiro conto, "A Mão", cujo autor me escapa da memória. Tem história de vampiro, de fantasma, algo parecido com zumbis... enfim, é uma grande salada mista da literatura de terror do século XIX, e o tempo gasto com ele é muito bem aproveitado.

Mas confesso que depois de ler Stephen King e a literatura de terror atual com seus detalhes escatológicos, os contos de terror "de antigamente" deixam de ser tão assustadores, parecendo quase infantis, mas mesmo assim não perdem o seu charme. Não chega e dar insônia como promete o título (não para mim, pelo menos, O Iluminado foi muito muito muito muito pior nesse sentido), mas é o tipo de história bacana de se contar no escuro só com uma lanterna ligada!

Nota 8,5

sábado, 1 de setembro de 2012

The Shining


Para fechar com chave de ouro o mês com o tema TERROR do Desafio Literário, resolvi encarar uma das obras primas do gênero: O Iluminado.

Foram duas semanas suando frio e em pânico pelo garotinho preso no hotel mal-assombrado por causa da neve! Gente, se o filme do Kubrick já é de tirar o sono, o livro é mil vezes mais forte! Eu fui ficando tão impressionada com a história que eu precisava compartilhar com o maridão de vez em quando só para dar uma aliviada... e eu me sentia naqueles acampamentos ou noites em que as crianças contam histórias de terror umas para as outras e que as crianças que estão escutando vão só arregalando cada vez mais os olhos! Nunca iria imaginar que os olhos do Caike pudessem ficar tão grandes :-)

Detalhe importante: eu só contei a história para ele porque ele detesta livros de terror, portanto jamais pegaria no livro para ler.

Mas voltando ao livro, Stephen King realmente se superou. Eu já li outras obras dele, mas nada tão forte ou tão brilhante quanto The Shining (pun intended). E eu ainda dei sorte, porque consegui uma edição de bolso, novinha e em inglês, que tem uma introdução escrita pelo autor, sei lá, 20 anos depois do lançamento do livro, fazendo uma auto-análise sobre o sucesso da obra e porque ela foi um divisor de águas na sua escrita. Como não conheço tão bem as obras do autor (minha fase Stephen King foi rápida, e já faz muito tempo que acabou), não sei se O Iluminado foi realmente uma grande mudança na sua carreira. Mas que o livro é bom, isso é.

Uma das coisas que o autor menciona na introdução, e aí eu concordo mesmo, é que a profundidade do Iluminado está no fato do personagem Jack não ser apenas um monstro. Ele tem profundidade, não é apenas um cara enlouquecido, o seu passado (além da parte sobrenatural da história) poderia muito bem explicar por si só a sua loucura, tão bem interpretada pelo Jack Nickolson no filme, e é justamente isso que torna a história ainda mais arrepiante: ela ainda pode ser real mesmo sem os fantasmas.


E esse é um caso raro que eu indico ver o filme antes de ler o livro, porque ler o livro com a cara do Jack Nickolson na cabeça é muito assustador/legal, e o filme, apesar das suas adaptações, pega muito do clima do livro, então parece que você está vendo a versão estendida e melhorada do filme na sua cabeça. É uma experiência e tanto! Que me deixou genuinamente tensa. Além disso, o livro explica muita coisa que fica meio solta no filme, mas cujas imagens são fantásticas para a leitura, além de serem cult.

Agora eu quero relaxar com o próximo tema do Desafio Literário: Mitologia Universal! Tudo bem que não é algo tão relaxante assim (mitologia grega pode muito bem ser terror também), mas perto do Iluminado certamente será um passeio pelo parque. Não do Hotel Overlook, pelo amor de Deus!

Nota 10