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domingo, 15 de setembro de 2019

Female Energy Awakening - O Despertar Da Energia Feminina



SPOILER FREE

Depois de ler o primeiro livro da Miranda Gray, Lua Vermelha, fiquei muito animada em ler seus outros trabalhos. Além disso, o seu trabalho energético com a Bênção Mundial do Útero é extremamente bonito.

Dessa forma, preciso dizer que sou fã dela, mas nada me impede de ser crítica onde devo ser. O Despertar Da Energia Feminina é um livro muito interessante para quem já leu a Lua Vermelha, e para quem realmente curte o trabalho da Miranda. E apesar do conteúdo do livro ser muito rico e interessante, em especial a última parte do livro, que tem um ciclo enorme de exercícios e meditações que cobrem todo o ciclo menstrual, ele sofre de um defeito: propaganda.

Se você não conhece o trabalho da Miranda, não comece com esse livro, ele vai te deixar com uma má impressão nesse sentido, porque ele é cheio de propaganda dos eventos dela. Não que os eventos não sejam bons ou legais, pelo contrário, acho todos o máximo. Mas, num livro, preciso dizer que ficou um tanto estranho para quem nunca entrou em contato.

Em outras palavras, é um livro para quem ou já leu Lua Vermelha, ou para quem participa dos eventos da Miranda. Se você não faz parte de nenhum desses grupos, leia Lua Vermelha ou participe de uma Bênção Mundial antes de pegar O Despertar Da Energia Feminina, vai ser mais interessante e a leitura mais proveitosa.

Só por causa disso, nota 9.

domingo, 6 de janeiro de 2019

Crafting A Daily Practice

 
 
SPOILER FREE
 
Essa autora eu descobri meio que por acaso pela Amazon, ela escreve romances e livros esotéricos (na linha Wicca mais ou menos). Coisas estranhas que aparecem por aí e de repente a gente se anima, sabe?

Então, ainda não li nenhum romance dela, mas eles são bem cotados na Amazon americana, e por curiosidade, e porque o conteúdo me pareceu interessante, acabei comprando esse aqui.

Crafting a daily practice promete uma espécie de curso express sobre como criar e manter uma prática espiritual diária. Como eu bem gosto desse tipo de coisa resolvi ver qualé a do livro. E ele entrega exatamente o que promete.

O livro é extremamente curtinho e resumido, o que é interessante na hora de colocar em prática as ideias propostas. As ideias também são interessantes e eu gostei especialmente de algumas meditações sugeridas pela autora.

Mas, sempre tem um mas, ao ler o livro descobri que a T. Thorn Coyle tem outro livro sobre o mesmo assunto, e o outro livro parece ser bem mais completo e profundo. O outro livro em questão é citado com tanta precisão que vem até a localização do kindle dos capítulos sugeridos como leitura complementar.

Detalhe: essas leituras complementares incluem apenas esse outro livro da autora, não tem nenhuma indicação de outras leituras.
Confesso que achei uma afronta.

Compensada pelo fato que curti bastante o livro de forma geral. Tanto que já procurei o tal outro livro e coloquei na minha wishlist para esperar ele entrar em promoção. Eu passo vergonha, mas sou sincera.

Nota 8,5.

sábado, 23 de junho de 2018

A Mystic Guide to Cleansing & Clearing



SPOILER FREE

Quando comprei esse livro eu já imaginava que ele não seria tão completo, mas confesso que esperava algo um pouco menos genérico.

Eu também esperava que ele fosse mais voltado para limpeza de espaços físicos, ao invés de se concentrar tanto em limpeza espiritual pessoal. Mas, nesse ponto foi uma surpresa até positiva, pois achei muito interessante o material voltado para esse fim.

Os maiores problemas do livro, na verdade, são o seu excesso de generalismo, uma mistura um tanto exagerada de linhas espirituais, e o fato imperdoável da leitura dar sono. Não, ele não dava sono só antes de dormir por falta de adrenalina causada pela leitura, deu sono em todas as horas do dia em que peguei o livro para ler.

Cheguei à conclusão de que é um livro muito mais voltado para consulta de receitas do que para ler de cabo a rabo como eu fiz. As receitas em si são até bastante interessantes, em especial as de limpeza espiritual pessoal (estou doida para testar os banhos sugeridos), e na sua maioria simples, o que facilita muito a vida.

Mas no geral deixou muito a desejar para mim. Recomendo para iniciantes apenas.

Nota 7.


sábado, 26 de maio de 2018

Omnipresent: The Sacred Feminine Balance



SPOILER FREE

Esse é o tipo de livro que eu gosto de manter no meu celular. Diversos textos curtos e bens escritos, perfeito para ler antes de dormir. Mas, li ele inteiro fora desse objetivo por motivos que prefiro não mencionar aqui... o que foi uma pena no sentido que ele realmente é perfeito para isso.

 O livro consiste em pequenos textos escritos por mulheres acerca do que cada uma pensa sobre o sagrado feminino. Alguns eu gostei pessoalmente porque me identifiquei com diversos dos pensamentos expostos, outros me deram um certo nervoso, mas isso meio que já é normal para mim. Tenho uma visão muito particular e um tanto chata do que seria o sagrado feminino, visto a nossa necessidade como sociedade de um feminismo forte e militante, que esse feminismo não tem como não moldar a minha forma de pensar.

Dito isso, a maior parte dos textos é muito interessante, e eu leria outras obras de algumas autoras que estão nesse volume, como a Joss Burnel , Jacqueline L. Robinson, Britanny N. Selle, Beth Shekinah (que é de origem judia!) e a Melissa Rae Thompson.

Mas não sei dizer exatamente qual é o objetivo desse livro ou qual seria o seu público alvo principal. Os textos não são exatamente profundos e nem explanatórios sobre nada em particular. Eles são exatamente o que o subtítulo do livro indica: "contemplações sobre o divino na terra". Alguns textos tem um teor mais biográfico, outros um jeitão mais poético, outros são reminiscências. O que mantém a coesão do livro é fato de que todos os textos apresentam um ponto de vista mais pagão do que seria o sagrado feminino e todos as autoras são mulheres.

É uma leitura interessante, mas eu não diria imprescindível, sobre o assunto.

Nota 8,5.


domingo, 5 de março de 2017

A Viagem Iniciática


   Este livro é um depoimento sobre uma iniciação vivida nos dias de hoje no Ocidente e sobre o caminho que conduz a uma sabedoria, a uma plenitude, a uma harmonia que todos buscamos em nós mesmos e à nossa volta.
   Num bonito e frio dia de inverno, tive a sorte de encontrar um Mestre de Obras do século XX, um desses homens que continuam a transmitir um ritual e os valores iniciáticos.
  Quando esse homem de estatura média, ombros largos e cabelos prateados se aproximou de mim, compreendi que a minha vida iria se transformar. Eu contemplava, havia mais de uma hora, uma série de esculturas gravadas num dos pórticos da catedral de Metz, convencido de que a busca que me levara até aquele loca não havia sido em vão. As imagens representadas na pedra eram um relato extraordinário, oferecido aos olhos de todos. Contudo, ninguém tivera a ideia de lê-lo e eu mesmo estava perplexo.

SPOILER FREE

Mais um livro do Carnaval! Fazia muito tempo que eu não lia nada do Christian Jacq, um escritor francês que também é egiptólogo. Normalmente eu leio os seus romances históricos faraônicos, que são deliciosos, mas esse eu encontrei certo dia numa livraria (que não me lembro mais qual foi) e não resisti simplesmente porque trata dos símbolos encontrados numa catedral medieval. E eu adoro simbologia!

De certa forma, esse livro me lembrou muito o livro sufi "A conferência dos pássaros", só que menos poético, já que não há uma história, uma narrativa, que sirva de alegoria para o Caminho. As explicações são bem mais diretas, as alegorias ficam a cargo dos símbolos utilizados no portal da catedral para cada "grau de sabedoria" e dos mitos e histórias que são mencionados conforme a conversa entre o autor e a figura do Mestre de Obras vai se desdobrando.

De forma geral, o que me incomoda nesse tipo de livro é a total ausência de figuras ou alegorias ou símbolos femininos, o que eu considero muito bizarro, visto que o ser humano (estou sendo totalmente genérica aqui de propósito) possui traços masculinos e femininos que precisam ser equilibrados e trabalhados, ninguém pode esquecer nenhum dos dois lados dessa balança. Podemos argumentar que alguns dos símbolos apresentados tem conexão com o feminino, sim, mas a jornada em si parece ser exclusivamente masculina, no sentido em que parece ter sido pensada unicamente para um homem estereotipado, e um homem sem família.

Não deixa de ser bonito e informativo. O trabalho com símbolos é riquíssimo e cheio de ensinamentos valiosos, mas penso que para sermos mais completos precisamos ir além do que é apresentado aqui. Isso é uma birra pessoal minha com caminhos onde só existe um deus e ele é visto como uma figura masculina, sempre me incomodou.

Mas certamente vale a leitura. Christian Jacq sempre nos traz textos deliciosos de ler.

Nota 9.

sexta-feira, 3 de março de 2017

The Illustrious Jade Egg



SPOILER FREE

Esse é um livro tão curtinho que é quase um folheto sobre o uso do Jade Egg, mas extremamente informativo e tranquilo de ler. Imagine um guia rápido com as informações mais importantes que você precisa manter em mãos, é isso.

Para os curiosos (todos, imagino), o Jade Egg é uma prática milenar oriental ligada ao Taoísmo, que consiste no uso de uma gema feita de Jade no formato de um ovo (muito óbvia essa parte) para exercícios e meditações femininas para a saúde do sistema reprodutor feminino. Vale ressaltar que a autora, Saida, foi muito cuidadosa na linguagem que ela utiliza, de forma que o texto é amigável aos LGBTs, o que me surpreendeu positivamente, pois já cansei de ler textos de linhagens espirituais que poderiam não ser preconceituosas, mas que são até o último fio de cabelo.

Eu curti tanto o livro/folheto que fui catar mais livros escritos pela autora e já estou lendo outro, bem mais abrangente no assunto, que consegui encontrar na Amazon.

Nota 10

Leitores interessados no assunto, favor tratar inbox comigo, pois tenho indicações de contatos para esse trabalho no Brasil.

quarta-feira, 9 de março de 2016

The Witch's Broom

SPOILER FREE

Na minha corrida para esvaziar o meu kindle (é um esforço muito sincero que estou fazendo), resolvi apelar até para livros mais curtos sobre Wicca. Esse em especial é muito fofinho e é uma leitura interessante até para quem não é praticante, mas se interessa pelo assunto.

"The Witch's Broom" é uma espécie de coletânea de lendas, folclore e receitas de feitiços relacionados com vassouras. Ele trata desde o uso de vassouras e derivados ao longo da história da humanidade, até as diversas formas como a bruxaria moderna faz uso desse instrumento tão característico e antigo. Até as bruxas da Disney e Harry Potter são mencionados. Eu gostei particularmente das passagens escritas por outros autores contemporâneos de bruxaria, onde eles contam como fazem uso de vassouras nas suas práticas espirituais, o que se vê são práticas muito individuais e variadas em relatos bem honestos, eu curti.

Em alguns momentos a coisa fica um pouco clichê demais, e a autora parece estufar o livro de informações absolutamente desnecessárias (fica muito na cara que é enrolação para deixar o livro mais longo), o que é de revirar os olhos. Em outros a leitura pode ser meio maçante, se feita como eu fiz, lendo tudo de uma vez, mas isso porque o livro tem um capítulo específico só para rituais utilizando-se vassouras, e bom, é um capítulo mais voltado para consulta do que para ler de uma sentada só, já que o livro possui os rituais completos, que tem diversas partes absolutamente iguais em todos eles. Pessoalmente eu gostei muito, mas eu curto ritual Wicca, então minha opinião é muito tendenciosa.

No geral, o livro é bonitinho e tem coisas interessantes no meio. Mas não é uma leitura imperdível ou imprescindível. Para quem curte o assunto é legal porque concentra bastante informação sobre um tópico que normalmente não é muito trabalhado.

Nota 7,5.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

The Old Magic of Christmas



SPOILER FREE

Vou confessar: comecei a ler esse livro no ano passado. Mas como só terminei hoje no metrô, vou contabilizá-lo nas leituras de 2015. Explico: só aconteceu porque comecei a lê-lo entre o Natal e o Ano Novo, que é uma época muito cheia de coisas para fazer, e depois emendei com uma viagem de 15 dias, onde li muito pouco e dei preferência para livros físicos por conta das restrições nos aviões.

Mas terminei! E fiquei super satisfeita! O livro é um grande compêndio de folclores europeus (tanto do leste quanto do oeste) e americanos relacionados à época do Natal, começando em outubro e indo até janeiro, cobrindo festivais, santos, duendes, mitologias e crenças populares. E a grande qualidade da autora é que ela faz tudo parecer interessante e a leitura do livro é muito fácil e dinâmica, com direito a citações lindas de diversos contos de fadas e obras pesquisadas. Mas não pense que o livro só trata de coisas antigas, o bacana é que a autora consegue correlacionar diversos folclores antigos com obras literárias modernas, como Senhor dos Anéis, Nárnia e Harry Potter.

E para deixar tudo ainda mais fofo e divertido, o livro é recheado de instruções do tipo "faça você mesmo" para receitas de bolos, biscoitos, guirlandas, enfeites temáticos e pequenos rituais, tudo relacionado ao tema que ela está tratando.

Sugiro fortemente para quem gosta de mitologia, paganismo e relações inter-religiosas.

Nota 9.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

As Brumas de Avalon - 4 volumes



SPOILER FREE

Então, pela primeira vez esse ano estou super atrasada, isso porque inventei de ler mais um brutamontes: As Brumas de Avalon (a série completa de 4 livros, é claro, senão não tinha graça). E óbvio que eu dei "sorte" de tirar férias justamente nesse período, e meu tempo para ler simplesmente desapareceu e por isso demorei muito, mas muito mais do que o previsto lendo o volume único da série que eu tenho para kindle (graças a deus! imagina carregar o bruto no muque?).

Fiz essa escolha porque em agosto o tema de um dos Desafios Literários que estou seguindo era uma releitura (li essa série aos 15 anos, então faz muito mas muito tempo que eu li), de outro desafio o tema era uma aventura e de outro um clássico de aventura. E como considero que todas as versões da história do Rei Arthur são aventuras e As Brumas é um clássico, os 4 volumes da série estavam contando para todos os desafios (inclusive para o quarto desafio, que é ler 52 livros no ano - com esses cheguei a 46 segundo a contagem aproximada do Goodreads). Os livros que compõe a série conhecida como "As Brumas de Avalon" são: "A Senhora da Magia", "A Grande Rainha", "O Gamo-Rei" e "O Prisioneiro da Árvore", no total são aproximadamente mil páginas. Ah, sim, e caso alguém ainda não saiba, "As Brumas de Avalon" conta a história do Rei Arthur e sua corte, mas o seu diferencial é que ela é contada a partir do ponto de vista das mulheres presentes na história, além de focar na mudança religiosa do paganismo celta-druida para o cristianismo. Por isso, às vezes, a série é considerada feminista.

Mas indo para a análise do conteúdo dos livros, fazia muito tempo que eu não relia algo, e a experiência de ler novamente "As Brumas" foi muito especial. Lembro nitidamente da sensação de ler os livros pela primeira vez, do fascínio que senti e de como foi importante essas leituras para mim na época. Reler o texto hoje foi muito interessante, os livros continuam maravilhosos, e a história é tão cativante quanto eu me lembrava, mas depois de mais de 15 anos a minha forma de ver o mundo e os temas tratados pela autora, em especial o paganismo, é bem diferente, por isso a forma como li os pormenores da história foi completamente diversa da primeira leitura, e eu pude ser bem mais crítica do que quando era adolescente e pouco sabia dos assuntos ligados à Wicca.

Achei interessante confirmar algumas impressões bem fortes acerca de alguns personagens do livro, como a Guinevere ser uma chata, o Mordred um fdp e o Arthur meio bundão, mas, em compensação, na minha memória a Morgana era espetacular, e na releitura já não a achei tão especial assim. Confesso que em alguns momentos fiquei sem paciência com alguns personagens e achei que algumas situações foram alongadas talvez um pouco demais da conta ao longo das obras, mas no final a leitura continuou agradável. E eu continuo indicando os livros para qualquer um que se interesse pelas lendas arthurianas e por paganismo. Só não indico como fonte histórica de nada, pois além da mitologia arthuriana, que obviamente é apenas um mito, tem gente que acredita que a parte sobre o paganismo e a forma de culto da deusa e dos druidas e a relação das mulheres na sociedade na época (século V d.C. para os distraídos) esteja bem descrita nesse livro, e infelizmente isso não é verdade.

Outra coisa que achei interessante foi ver que alguns personagens presentes na Trilogia do Rei Arthur do autor Bernard Cornwell também estão presentes aqui, mas eu simplesmente não me lembrava deles nas Brumas de Avalon, talvez seja uma questão de importância que cada autor tenha dado para eles, talvez minha memória é que tenha falhado. De qualquer forma, achei interessante ver esses personagens sendo descritos de formas tão diversas, mas ainda assim mantendo a linha central do mito arthuriano. Agora fiquei com vontade de reler a obra do historiador inglês e fazer uma comparação mais rica entre os pontos de vista de cada autor. Quem sabe, se der tempo nos próximos meses de Desafios Literários? Dezembro é um mês de tema livre!

Nota 9,5 para a série, porque como li um volume único, fica um pouco complicado de dar notas separadas para cada livro.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O segredo do anel


SPOILER FREE

Segundo um dos meus desafios literários desse ano, fevereiro eu tinha que ler um livro que eu comprei por causa da capa. Confesso que isso é algo raro para mim (mas entendo e respeito quem faça isso com frequência), mas depois de dar uma vasculhada na estante lembrei desse livro. Lembro que o comprei numa feira de livros na Carioca, e ele estava bem baratinho, e que achei a capa tão linda e o preço tão bom para um livro novo que não resisti, apesar de não curtir o tema Maria Madalena na época (cristão demais para o meu gosto, apesar de ser cristão polêmico, o que sempre me deixa curiosa).

E depois de 6 anos esperando na estante, finalmente peguei o volume para ler! (É nessas horas que vejo como os Desafios Literários são bons para mim) E descobri que se trata de uma trilogia... fiquei possessa com isso, pois a contracapa não dá nenhum indício disso! E pior, apesar do segundo volume ter sido publicado em 2009 e o terceiro em 2010, só o segundo já foi traduzido para o português. Sacanagem, agora se eu quiser ler logo a continuação da história não poderei completar a coleção em português. O que, olhando pelo lado positivo, é bom para a minha estante de livros e para o espaço disponível na minha casa.

Problemas de espaço e com continuações inesperadas à parte, "O segredo do anel" me fisgou. A sua versão para a vida de Maria Madalena e Jesus é simplesmente linda e humana, e  faz  tanto sentido, mas tanto sentido, que todos aqueles detalhes na história "original" que normalmente me fazem revirar os olhos de repente viraram um "aaaahhhhh agora sim! faz mais sentido desse jeito". Além disso, a protagonista é uma jornalista que leva a sério suas pesquisas históricas, o que deixa a narrativa muito mais crível e cheia de informações e críticas deliciosas.

Apesar da estrutura narrativa lembrar muito "O Código Da Vinci", Kathleen McGowan sabe escrever, o que a deixa em posição de grande vantagem com relação a Dan Brown (que me perdoem os seus fãs). Apesar de algumas escorregadas meio melosas, e alguns relacionamentos que por gosto pessoal eu preferiria que não existissem entre alguns personagens contemporâneos da história, o livro como um todo é muito agradável de ler e os mistérios que envolvem a protagonista Maureen e seu destino são fascinantes. Já mencionei que é a melhor versão para a história de Jesus e Madalena que já li?

Elogios à parte, não sei se é um livro para qualquer um, imagino que para cristãos mais rígidos seja complicado ler uma versão desse tipo para os fatos bíblicos, mas na minha opinião não é tão chocante quanto pode parecer no início da história. Inclusive quanto a minha maior crítica ao cristianismo essa versão continua igual ao original (não, não vou dizer mais nada senão é spoiler), mas eu já esperava algo assim, dado que a autora é cristã (e, detalhe, acredita que é descendente de Jesus e Madalena, é claro, e já escreveu alguns livros de auto-ajuda voltados a orações ao senhor).

Nota 8,5

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

The Earth, The Gods and The Soul - A History of Pagan Philosophy


SPOILER FREE

Mais um livro comprado em promoção na Amazon... e, quem diria, um grande achado!

No início achei que o livro se propunha a algo muito complicado e difícil, mas o autor conseguiu se manter nas linhas em que ele mesmo definiu no início, e faz um grande passeio por milênios de filosofia que tem características pagãs. E ele faz questão de pontuar quando falta algum tipo de característica nos trabalhos que ele analisa para ser considerado realmente filosofia, mas também justifica porque mesmo sem essas características ele os selecionou para tratar no livro. Achei válido dentro do que ele expôs.

A primeira parte do livro cobre alguns textos antigos irlandeses (Poetic Edda e Prose Edda), que eu já tinha ouvido falar, mas que infelizmente nunca li (mas já tenho pelo menos um deles me esperando no kindle, oba!). A segunda parte fala sobre o "nascimento" da filosofia com os gregos, que, para quem é leigo como eu, é uma aula muito legal sobre o desenvolvimento dela. Depois ele passa pelos textos de diversos autores que certamente não se consideravam pagãos (afinal, já estamos falando da época em que o cristianismo se tornou a religião oficial de Roma e até o Renascimento) mas cujo pensamento tinha características que são consideradas pagãs. O mesmo processo ocorre quando ele analisa os trabalhos de autores iluministas, até que com o século XIX fica mais fácil de alguém se dizer não cristão, e aí ele analisa o trabalho de diversos naturalistas americanos e, como não podia deixar de faltar, Nietzsche.

A partir daí, o livro é um bálsamo, com uma análise crítica linda e bem pé no chão de clássicos como Blavatsky, Crowley, Gardner, o surgimento do termo "book of shadows", a inclusão da luta feminista dentro do pensamento pagão (Starhawk!), o entrelaçamento da consciência ecológica com o neopaganismo e a Hipótese Gaia. Inclusive, é justamente a partir do século XX que o livro fica cheio de informações mais interessantes e bem embasadas, de autores com maior calibre acadêmico produzindo textos muito mais profundos e de maior relevância, não só dentro do paganismo mas em estudos comparativos com outras linhas de pensamento.

De uma forma geral, as críticas do autor são muito bem colocadas, e apesar dele ser pagão, ele às vezes é tão certinho e rígido com sua linha de análise que ele aparenta não ser (o que achei um ponto muito positivo). Fiquei muito impressionada com isso. Além disso, ele escreve de forma bastante acessível e com um humor nerd que simplesmente me cativou.

O único problema desse livro é que me deixou com uma lista ainda maior de livros interessantes para ler. Graças aos deuses existe a lista de desejos da Amazon para deixar tudo anotado e aguardando o momento propício para compra-los.

Nota 10.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

O Sultão das Rosas


SPOILER FREE

Depois de ler o livro de contos da Yasmin há mais de 3 anos, confesso que minhas expectativas foram quase na lua com relação ao seu primeiro romance. Nota mental: diminuir sempre as expectativas, nunca dá certo.

Enfim, novamente tive a honra de participar do lançamento do livro da Yasmin Anukit, e dessa vez consegui ler o livro bem mais rápido do que da última vez. Mas infelizmente, como mencionei anteriormente, minhas expectativas eram um pouco altas.

Os textos dessa estudiosa do mundo oriental são sempre muito poéticos, e cheios de informações místicas, então para aqueles que curtem esse tipo de leitura, é um prato cheio. Pessoalmente, eu curto esse tipo de texto também, e as mensagens da autora são lindas e inspiradoras, como sempre. O meu problema foi que eu esperava um romance histórico, e me deparei com uma fábula histórica. Confesso que meu cérebro deu nó com as informações truncadas e isso tornou a minha leitura muito menos agradável do que eu esperava. Como eu disse, foi um problema de expectativa.

O livro de Yasmin Anukit é baseado em alguns fatos históricos e as descrições dos locais são muito acuradas, porém a forma como a história se desenrola não me convenceu como possível na época retratada, por isso vejo a sua obra mais como uma fábula. Visto desse ponto de vista, o livro não só convence como também fica muito mais bonito e rico. O meu problema foi lutar contra esse ponto de vista durante a leitura, um grande erro da minha parte.

Caso vocês decidam ler esse livro e mergulhar no mar de informações místicas sobre as religiões orientais, a Virgem Maria, Maria Madalena e o Conde de Saint Germain, lembrem que se trata de uma fábula e sejam felizes.

O livro retrata a viagem de 3 mulheres francesas à Istambul, no século XVIII, e conforme os fatos se desenrolam, Yasmin nos mostra o mundo oculto dos Haréns, das odaliscas, dos ciganos turcos e da política. Tudo regado de misticismo e informações preciosas.

Nota 7 por conta da confusão na minha cabeça.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Unveiling - the inner journey


SPOILER FREE

Enquanto esperava chegar outros livros de autores portugueses contemporâneos resolvi retomar essa leitura específica para bailarinas de dança do ventre e para mulheres interessadas em um caminho espiritual específico para mulheres.

Esse é um tema que hoje em dia me divide internamente, pois ao mesmo tempo em que vejo a necessidade específica para mulheres desse tipo de trabalho, atualmente tenho uma visão mais aberta do que seria feminino/masculino e do que isso significa para homens e mulheres, e essa forma mais abrangente de ver o problema me deixa desconfortável com algo feito exclusivamente para um sexo, ainda mais quando se trata apenas do sexo com o qual a pessoa nasce (isso quando ela nasce com um sexo bem definido, mas enfim).

O que hoje em dia eu acho que falta não é nem mais algo específico para mulheres, o que eu acho que falta é valorizar tudo o que é feminino, estando presente em quem quer ou o que quer que seja. Claro que esse processo pode e deve incluir algo voltado especificamente para o público feminino, mas voltado especificamente não significa, no meu ponto de vista, excludente ao público masculino. Até porque não são só as mulheres que precisam voltar a valorizar o que há de feminino nelas, os homens também precisam voltar a enxergar que eles também possuem traços femininos em si e voltar a ver isso com bons olhos, e não como falhas de caráter.

Feita essa introdução sobre o meu ponto de vista, vamos ao livro! A autora Alay'nya é uma bailarina de dança do ventre e cientista e PHD (no início do livro ela menciona o seu caminho acadêmico nesse sentido mas eu sinceramente não lembro mais dos detalhes), que durante anos praticou artes marciais antes de entrar em contato com a dança. A sua ideia com o livro é mostrar como a dança do ventre pode ser utilizado como um caminho espiritual para mulheres numa comparação quase que direta com outras formas mais conhecidas (e consideradas masculinas) como as artes marciais e a yôga.

Nesse quesito, de mostrar como a dança do ventre pode ser usada energeticamente, como ela trabalha o corpo físico e como isso pode ser transposto para o campo energético, além de como ela pode ser usada para o auto-conhecimento, a autora acertou lindamente. As passagens sobre os exercícios que a dança pode propor, tanto físicos quanto emocionais e espirituais são ótimas. A comparação que a autora faz dos caminhos que a dança pode proporcionar para trabalhar a jornada arquetípica contida nos arcanos maiores do tarô chegou a me deixar emocionada (e com vontade de estudar mais o assunto).

Porém, nos momentos em que a autora se propõe a falar sobre a psique feminina versus a psique masculina... achei um osso duro de roer. Não que fosse muito complexo, pelo contrário, nunca vi tantos clichês em toda a minha vida. Acho que ela colecionou todos os clichês de filmes estilo comédia romântica possíveis e resolveu colocar no livro como verdade universal amparado por pesquisas pseudo-científicas. Tem momentos que realmente dói ler as bobagens da autora.

O pior, na minha opinião, é que são os clichês mais machistas possíveis, daqueles que reduzem o homem a um ser simples que só quer saber de sexo, dinheiro e poder, e a mulher num ser "complexo" que ninguém entende porque ela quer ser dona de si mesma (afinal já passamos pela primeira revolução feminista, senão certamente esse pedaço não estaria no livro), dominar os homens, ser mãe e manter uma espécie de juventude eterna. A típica visão machista do mundo. Isso vindo de uma mulher que se acha feminista em alguns momentos e acha que "superou" o feminismo em outros. Enfim, a autora é uma mulher confusa, que, por consequência, acha que todas as mulheres são confusas.

Um dos problemas da visão apresentada pela autora, é que ela se baseia nos arquétipos da forma como são usados pela psicologia junguiana, e que ela infelizmente não entendeu bem. Veja só, só porque existem arquétipos femininos e masculinos isso não significa que homens só possuam arquétipos masculinos e mulheres só possuam arquétipos femininos. O que acontece é que na nossa sociedade nós ensinamos aos homens desde que eles nascem a reprimir os seus arquétipos femininos (aquela história de sempre: homem não chora, não brinca de casinha nem pode demonstrar sentimentos, né?) e enquanto isso ensinamos às mulheres que elas só podem demonstrar alguns arquétipos femininos (afinal, nem todo arquétipo feminino é considerado bom, ainda mais se for sobre liberdade sexual), a mulher ainda pode demonstrar alguns traços masculinos (claro, senão ela não sobrevive no mercado de trabalho masculinizado, né?) mas ai dela se se tornar masculina demais nesse processo. Em outras palavras, vivemos em uma sociedade em que tanto homens quanto mulheres se sentem incompletos e tolhidos de alguma forma (apesar deles demonstrarem isso de formas diferentes e, claro, as mulheres sofrerem mais por serem consideradas sempre inferiores).

E aí a autora perdeu uma oportunidade de ouro. Ao invés de falar do processo de "unveiling" como uma integração do ser como um todo, tanto dos arquétipos masculinos quanto femininos, podendo ser usado por qualquer pessoa, ela resolveu se ater ao caso da integração apenas dos arquétipos femininos nas mulheres. Sendo que o arquétipo da amazona é uma pseudo exceção que ela trata como sendo um traço masculino que as mulheres podem ter, e até devem cultivar nos dias de hoje, mas que deve ser domado para não tornar a mulher masculina demais. Veja bem, eu sou super a favor do equilíbrio das coisas, dos arquétipos e tudo o mais, o problema, no meu ponto de vista, é que o equilíbrio é diferente para cada um, então não existe isso de mulher masculina/feminina demais nem de homem masculino/feminino demais.

Enfim, sei que nem todos vêem as coisas assim (vide os posicionamentos da autora), mas espero que a humanidade esteja evoluindo nesse sentido. O que me entristeceu foi esperar algo mais interessante e progressista de uma bailarina de dança do ventre com tanta experiência em outros caminhos espirituais, ao invés da confirmação de um monte de preconceitos e clichês.

Nota 6.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Wisdom Comes Dancing





Quem acompanha o blog sabe que de vez em quando eu leio uns livros bem diferentes, e esse aqui é outro dessa safra! Nesse livro foram selecionados diversos textos, poemas e fotos da bailarina Ruth St. Denis, dando uma visão panorâmica sobre a sua filosofia com relação à dança e à espiritualidade.

A primeira parte do livro contem diversos textos de Ruth St. Denis sobre a Dança Divina, que parecem ensaios para um livro que ela planejava escrever sobre a dança, mas que nunca foi terminado ou publicado (o que realmente é uma pena). A segunda parte do livro está recheada de palestras que a bailarina deu, especialmente em 1936, na Society of Spiritual Arts em Nova Iorque. A terceira parte contem apenas poemas da bailarina, com os desenhos originais feitos por Ruth Harwood para ilustra-los (muitos poemas de Ruth St. Denis foram publicados na época). A quarta parte do livro contem alguns outros escritos da bailarina sobre o que significa dançar, ser bailarina, a dança como algo sagrado e os seus anseios de construir um templo onde a forma de louvar fosse a dança.

Ruth St. Denis era realmente uma mulher fantástica, nível Isadora Duncan de revolucionária no mundo da dança e na sua vida particular (levando em consideração a forma como as mulheres viviam na época, claro), e suas ideias lembram muito o trabalho teórico da sua contemporânea Isadora Duncan. A diferença entre elas está em como Ruth estudou muito mais o Oriente do que Isadora, e como ela misturava diversas religiões na sua forma de ver o divino e de se relacionar com ele, com ou sem a dança. Confesso que essa mistureba me deixou muito inquieta, mas o problema pode ser especificamente meu.

Outra diferença entre o trabalho de Ruth e Isadora tem a ver com a forma de se relacionar com o feminino, pois para Ruth todo ser humano tem dentro de si as duas forças, tanto a masculina quanto a feminina, e o equilíbrio divino estaria no meio do caminho entre as duas, isto é, no andrógino. Isso é especialmente marcante em algumas de suas fotos. (o livro tem uma sessão linda delas)

Agora, tanto para Ruth quanto para Isadora, o corpo, e por consequência a dança, é um canal de conexão com Deus, e por isso ele deve ser trabalhado de forma a ressaltar as suas qualidades nobres, para que o corpo possa servir de forma cada vez melhor como instrumento de oração, e também para melhor manifestar as qualidades divinas.

Algumas passagens que eu não resisto de colocar aqui:

"To dance is to relate one's self to the whole of the Universe. By placing one's body in the direct power of rhythm it becomes molded and developed in strength and beauty."

"Good posture and movement are natural and beautiful. In this culture of a future race we should learn to walk like gods instead of shuffling and stumbling like mortals."

"We should be like artists. Musicians regard their violin or piano with pride and care as the one thing necessary for their self-expression. Our bodies, likewise, should become the objects or our greatest concern. As musicians, onve having tuned their instrument to the correct pitch, promptly forget it in the joy of its use and the beauty it reveals, likewise our bodies, having been trained and harmonized, will be forgotten in the joy of our use. At present we neither value our bodies nor know how to use them to get the maximum of joy and health that is possible."

E para finalizar, o poema mais lindo de todos do livro (na minha humilde opinião):

Prayer for Artists

O, Divine Father and Mother,
Makers of heaven and earth,
Supreme artists of creation,
I, thy humble instrument
Kneel here at Thy feet.
I listen for Thy inward word
And I wait to behold Thy inward vision.

Cleanse Thou me
From all sin and self-righteousness
From all illusion of prided vanity and fear.
Make me sensitive to Thy sounds,
To Thy vision, and to Thy rhythms.

Let me express beauty,
The wonders of Thy universe 
And the immortal glories of my own soul
Which Thou hast given me.

Allow me to enter into that temple
Not made with hands
Wherein I may express the beauty of love
And the majesty of truth.

In humble and surrended gratitude
For life, for love and for wisdom
I offer again and yet again
To Thee, my heart, my body and my mind.

November 1936

Nota 10, né?

segunda-feira, 18 de março de 2013

A Conferência dos Pássaros


SPOILER FREE

Escrito no século XII, pelo poeta sufi Farid Ud-Din Attar, esta é uma obra de leitura obrigatória para quem se interessa pela forma de pensamento sufi. Originalmente escrito em forma de poesia, o livro infelizmente só está acessível em prosa (a não ser que você saiba farsi), e conta a saga de diversos pássaros (de diversas espécies) liderados pela poupa (um tipo de pássaro mencionado na bíblia pelo o que entendi) em busca do Simorgh, que é um pássaro mítico persa. Isso tudo porque ao se reunirem os pássaros decidem que precisam de um rei, e o Simorgh é o escolhido após ser apresentado aos demais pássaros pela poupa como um pássaro perfeito.

Dessa forma, Attar se utiliza dessa fábula para retratar a busca do ser humano por Deus, utilizando-se das falas dos pássaros e dos seus questionamentos à poupa para falar de forma alegórica da busca do ser humano pela união com o divino, que é a essência da busca do sufi (ou do Buscador no Caminho, como eles gostam de dizer). A primeira parte do livro trata, portanto, da decisão dos pássaros de seguirem ou não o caminho do desenvolvimento espiritual, onde cada pássaro apresenta a sua dificuldade (humana, extremamente humana) em largar a sua vida diária para mergulhar numa viagem do espírito. Os questionamentos à poupa que se seguem, onde cada pássaro dá motivos para desistir da viagem, simbolizam as falhas do ser humano que o impedem de evoluir espiritualmente.

A segunda parte trata de descrições filosóficas das etapas dessa viagem, porque segundo a visão sufi, ninguém pode descrever a união com o divino ou o caminho para que essa união aconteça, cada um precisa ter a sua própria experiência. Portanto, as descrições aqui são bem vagas e as aves precisam passar por 7 vales: Talab (ânsia), Eshq (amor), Marifat (gnose), Istighnah (desapego), Tawhid (unidade de Deus), Hayrat (perplexidade) e, finalmente, Fuqur e Fana (abnegação e extinção).

E a terceira parte trata do final da viagem, quando os pássaros chegam ao seu destino e descobrem que eles são o próprio Simorgh, pois na visão Sufi não existe separação entre Deus e o universo (incluindo o ser humano), Ele é a totalidade da existência.

Enfim, o livro é muito interessante e levanta pontos extremamente pertinentes, o que torna a sua leitura muito rica e proveitosa, pois, seguindo a tradição árabe, A Conferência dos Pássaros é cheio de pequenas histórias usadas para ilustrar os argumentos mostrados. E é aqui que surge o único problema desse livro (na minha humilde opinião), pois muitas dessas histórias são usadas para mostrar como o Islamismo é a única religião verdadeira, e apesar de eu entender a escolha do autor por essas histórias (há todo um contexto cultural e histórico a ser levado em consideração) elas me irritaram muitíssimo, e acabaram por desviar a minha atenção da parte boa da escrita de Attar.

Então, esse é um livro interessante, mas que precisa ter alguns pontos solenemente ignorados para sua completa degustação.

Nota 9

Atualização:
Questionaram o título do livro, e na época eu não tinha encontrado na web uma imagem da capa da minha edição, mas agora encontrei, aqui:

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Skin of Glass


SPOILER FREE

Eis um livro extremamente diferente que me foi indicado por uma querida amiga da dança, "Skin of Glass - finding spirit in the flesh" de Dunya Dianne McPherson. Eu achava que era um livro sobre dança-meditação, mas descobri que é uma mistura de autobiografia com memórias.

O livro é emocionante do início ao fim, pois a vida Dunya é realmente fora do comum. Tudo começa com a dança clássica (balé) na sua infância, e na sua transformação em bailarina profissional. E tudo muda quando, em plenos anos 70, época do amor livre, Dunya acaba por sofrer um trauma na coluna que a impossibilita de dançar. Nessa época ela conhece um Mestre Sufi que a apresenta ao caminho da dança como forma de meditação e busca pela espiritualidade, através não só dos tradicionais giros sufis mas também da dança do ventre.

Dunya conta com detalhes como foi essa mudança de paradigma: a dança que era feita apenas para o olhar dos outros passa a ser feita apenas com o intuito de se olhar para dentro. E o que foi que ela encontrou dentro de si mesma nesse processo. Tudo isso narrado de forma extremamente poética e cheio de citações sufis e do Corão.

O interessante não é só o fato dela narrar toda essa transformação, mas ela também fazer isso do ponto de vista feminino, que contesta a espiritualidade "masculina" imposta a ela como sendo o único caminho a ser seguido pelo ser humano, além de estudar o papel da mulher na sociedade e nos relacionamentos. E nós acompanhamos a autora nessa viagem ao seu passado, que nem sempre traz boas lembranças, pois o caminho da espiritualidade não é desprovido de dor e decepções, tanto novas quanto desenterradas.

Fiquei absolutamente extasiada com o seu relato, e triste quando o livro acabou. Eu queria mais, muito mais. Agora vou correr atrás dos DVDs da autora, pois o livro não é sobre como meditar dançando, e sim como isso nos leva numa viagem para dentro de nós mesmos. E agora eu quero saber o caminho das pedras!

Quem curte autobiografias e memórias vai adorar esse livro. Quem gostaria de saber como é se entregar completamente à dança, leia o livro também. Quem gosta de livros sobre a espiritualidade também vai gostar. E para quem curte poesia, também é um ótimo pedido.

Nota 9 com muito zagroota*!


* nome dado ao grito ululante que as mulheres árabes fazem que denota contentamento, muito presente em festas de aniversário, casamento, e, no contexto da dança do ventre, de aprovação à bailarina. O famoso "lilililililililiiiiiiiii"