Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador Agatha Christie. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Agatha Christie. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 30 de maio de 2022

Os cinco porquinhos - Five little pigs


SPOILER FREE

Para o Desafio Literário Popoca 2022 de maio, com o tema um livro com o número cinco no título, me deparei com o problema de ter poucos livros (ou quase nenhum) ainda não lidos que se encaixavam nessa categoria. Ao mesmo tempo, me encontrei com uma oportunidade de ler um livro que eu confesso que tinha um certo preconceito somente por causa do título. 

Os cinco porquinhos, um mistério da grande rainha Agatha Christie, do seu famoso detetive Poirot, recebe esse título por conta de uma rima infantil, que em inglês tem até mais de uma versão. Toda a questão ocorre em torno de cinco personagens principais, que foram testemunhas de um caso antigo e já considerado encerrado, a morte do pintor Crale, cuja esposa, Caroline, foi declarada culpada do seu assassinato. Entretanto, a filha do casal, uma criança de colo na época do ocorrido, às vésperas de seu casamento, contrata Poirot para provar que sua mãe era inocente.

Uma das coisas mais interessantes desse volume, é que é um dos poucos que vi da Agatha (se não o único que li até agora dela assim) onde é possível encontrar a história sendo contada de diversos pontos de vista diferentes. E não apenas porque Poirot vai conversar com cada um dos cinco envolvidos: Philip Blake (amigo de Crale), seu irmão Meredith Blake, Elsa Greer (a amante), Cecilia Williams (a governanta) e Angela Warren (irmã de Caroline). Além das entrevistas, cada um deles escreve uma espécie de carta, relatando tudo o que lembra do fatídico dia do assassinato.

O mistério, dessa forma, nos é apresentado em diversas camadas e ângulos distintos, o que é imprescindível por se tratar de um crime de arquivo morto, isto é, muito antigo e considerado já resolvido. E além das questões tradicionais dos livros de mistério da Agatha, esse ainda traz uma discussão bastante interessante sobre a memória.

De forma geral, a leitura, como na maioria dos livros da Rainha do Crime, é uma delícia, fluida e gostosa. E preciso dizer que Os cinco porquinhos me impressionou muito, e consigo dizer sem medo que, dos livros que já li dela, é simplesmente dos melhores, se não o melhor. Vale muito a pena.

Nota 10.

domingo, 24 de dezembro de 2017

The Murder at the Vicarage - Assassinato na casa do pastor

      It is difficult to know quite where to begin this story, but I have fixed my choice on a certain Wednesday at luncheon at the Vicarage. The conversation, though in the main irrelevant to the matter in hand, yet contained one or two suggestive incidents wich influenced later developments.
     I had just finished carving some boiled beef (remarkably  tough by the way) and on resuming my seat I remarked, in a spirit most unbecomng to my cloth, that anyone who murdered Colonel Protheroe would be doing the world at large a service.

SPOILER FREE

Mais um livro da rainha do romance de detetive, a inglesa Agatha Christie. Depois de passar anos (tipo, uns vinte) sem ler nada dela, voltei a ler alguns volumes há alguns anos e me reapaixonei. Existe um motivo para ela ser tão perene e tão famosa. E certamente não é porque ela escreveu inúmeros livros, é porque ela é boa mesmo.

É preciso reconhecer que Agatha Christie sabia o que ela estava fazendo. Não é só uma questão dos mistérios serem tão maravilhosos ou complicados, até porque nesse quesito ela ficou um tanto datada, o que é o destino de todos os autores que lidam com a ciência que os policiais usam para desvendar assassinatos, mas sim da forma como ela cria e apresenta seus personagens principais.

Eu tenho um fraco pela Miss Marple. Ela é uma velhinha tão simpática, daquelas que poderia ser a vizinha de qualquer um. E no fundo, ela é só uma fofoqueira. Tem coisa mais comum que uma velhinha fofoqueira? Mas ela é descrita de tal forma que não tem como não se apaixonar por ela.

Aparentemente, esse foi o primeiro livro que a autora lançou da Miss Marple, o que o torna especial por um lado, mas meio fora do que você está acostumado de ler da solteirona por outro. O narrador é o pastor, dono da casa onde acontece o assassinato do título, e na verdade, a Miss Marple não aparece tanto assim, afinal, ela ainda não era famosa.

E mesmo sem se apoiar tanto no carisma de uma de suas personagens mais famosas, Agatha Christie faz um romance de primeira qualidade. Não é um dos seus maiores clássicos, mas faz jus ao nome da autora. Além de que, foge um pouco da sua fórmula mais comum, o que o torna interessante.

Nota 8,5.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Secret Adversary - O inimigo secreto



SPOILER FREE

Mais um livro da série "esvaziando o kindle"! Dessa vez elegi o "O inimigo secreto", segundo romance publicado pela rainha do mistério, Agatha Christie, e o primeiro da dupla Tommy e Tuppence.

Confesso que nunca tinha ouvido falar deles, o que foi interessante, pois descobri novos personagens. Em compensação, para mim ficou muito claro que esse livro, por ser dos primeiros da autora, imagino, está muito longe do que Agatha já escreveu de realmente bom. O enredo é meio fraco em termos de mistério, eu passei a última metade do livro sabendo quem era o tal inimigo, o que tira parte da graça de ler algo desse gênero literário. Se os personagens fossem muito cativantes e o ambiente em que passa a história fosse interessante, acho que esse problema da falta de mistério não seria tão grande, porém nenhum desses pontos chamam atenção nesse volume.

A vantagem, para mim, é que o livro é curto, o que favoreceu o meu objetivo de esvaziar o meu aparelho, e também ajudou a conseguir terminar a leitura sem a autora cair do seu pedestal na minha humilde opinião. Não vou parar de ler Agatha Christie porque não gostei desse livro, definitivamente.

Em rápidas palavras, "O inimigo secreto" trata de dois amigos de infância, Tommy e Tuppence, que numa tentativa de melhorarem as suas finanças acabam se envolvendo num jogo de poder entre interesses ingleses e internacionais, envolvendo documentos que estavam a bordo do torpedeado RMS Lusitania, em 1915. Eles acabam enredados na trama de um misterioso Mr. Brown, figura inteligente e temida pelo governo britânico, que tenta a todas custas evitar o vazamento de informações poderiam ter grandes repercussões políticas.

Nota 6.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

The body in the library - Um corpo na biblioteca



SPOILER FREE

Tentando colocar o atraso em dia, esse é o livro que escolhi para o tema de Outubro, um livro com um protagonista idoso. Confesso que fui preguiçosa e não pesquisei muito, simplesmente escolhi um livro da Agatha Christie que tivesse a Miss Marple.

É aquilo, tudo da Agatha Christie é um clássico, não tem como errar etc. E, sim, "Um corpo na biblioteca" não foge à regra. É um livro curto, razoavelmente leve (ainda tem assassinatos, né?), fácil e tranquilo de ler e com a qualidade esperada da autora inglesa.

Mas é preciso lembrar que Agatha trabalha com fórmulas nos seus livros, isto é, todos eles seguem um padrão, de acordo com o detetive escolhido. E Miss Marple não é uma detetive que envolva ação ou perseguições, afinal ela é uma velhinha que tem "apenas" um grande poder de observação e conhecimento sobre a natureza humana. Em outras palavras, depois da adrenalina da trilogia "Millenium", eu confesso que achei "Um corpo na biblioteca" um tanto devagar.

Nesse livro, os Bantry acordam certo dia e encontram a casa em polvorosa por conta da descoberta do corpo de uma linda jovem na sua biblioteca. Dolly Bantry não hesita e chama imediatamente sua amiga, Miss Marple, para ajudar a resolver o mistério e limpar a reputação do casal.

O mistério em si é bem intrincado e interessante, claro, mas o fato da história toda ser baseada em conversas dos policiais e da Miss Marple com os suspeitos e outros personagens envolvidos deixa o ritmo meio lento e um tanto datado. Confesso que precisei ficar me lembrando que o livro foi publicado na década de 40, tanto por conta do elitismo dos personagens, quanto por conta das limitações dos policiais com relação à cena do crime.

Mas isso sou eu sendo chata e cri cri. O livro vale a pena a leitura.

Nota 8.


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

O Natal de Poirot


SPOILER FREE

Pois é, mais um livro da Agatha Christie... tudo por conta do tema Natal do quase falecido Desafio Literário. E quem diria, até mesmo ebooks podem ter história. Essa começou no início de 2013, quando quase entrei em pânico por não ter nenhum livro em casa no tema definido no Desafio, nenhumzinho! Daí, achando que os livros da Agatha fossem domínio público, lá fui eu catar um PDF do "Natal de Poirot". Quando finalmente peguei o arquivo para ler (depois de ter devidamente convertido em MOBI para ler no kindle), descobri algumas coisas: primeiro, descobri que a autora ainda não caiu em domínio público (uma semana antes eu li outro livro dela que precisei comprar na Amazon), segundo, a versão que eu tinha conseguido era em português de Portugal (imagine isso falado com sotaque para ficar mais divertido), e terceiro, mas não menos importante, na verdade, mais importante do que tudo isso, o arquivo que eu tinha conseguido veio corrompido. Tipo, no meio do livro (meio mesmo, 50% de leitura de acordo com o kindle) começou a aparecer um monte de palavras pela metade soltas pelas páginas.

Imagina o meu pânico! Como você vai ler um livro de mistério como os da Agatha Christie sem ter ideia se está perdendo um monte de parágrafos ou não? Obviamente que não consegui continuar lendo desse jeito. Entrei no site da Amazon e acabei por comprar a versão original (uma lição bem dada sobre pirataria, só que não, já topei com diversos livros "originais" com resenhas assustadoras sobre diagramação na Amazon, isso é azar mesmo).

Bom, historietas à parte, vamos ao livro em si! "O Natal de Poirot" é mais uma narrativa clássica da autora inglesa. Muito divertido de ler, e, para variar, não dá para largar até o fim, e, para variar, a solução do mistério não só é brilhante, como também é, para variar, surpreendente. No estilo "não tinha como adivinhar". Agatha Christie certamente era uma mulher extremamente criativa e definitivamente brilhante.

Porém, confesso que a sua fórmula é um pouco cansativa. Porque, apesar de tudo, os livros dela me parecem seguir sempre o mesmo roteiro, apesar das diferenças entre os crimes. E mesmo sendo muito agradável a sua leitura, cheguei à conclusão de que preciso de variedade na minha vida literária. Ler muitos livros do mesmo estilo um atrás do outro cansa e desanima, diminuindo o ritmo de leitura e, por consequência, o total de livros lidos no ano.

Para quem não sabe, o "Natal de Poirot" trata de um assassinato que acontece numa mansão de uma família riquíssima da Inglaterra no dia do Natal, numa ocasião por si só extraordinária, pois após tantos anos finalmente toda a família se reuniu. E no meio das brigas e disputas familiares, Poirot precisa descobrir quem é o assassino, antes que ele fuja ou encubra definitivamente os seus traços.

Nota 9, porque, apesar do meu cansaço, sei apreciar um bom livro, se eu tivesse lido esse livro sem ter lido o outro conto da Agatha Christie esse mês, tenho certeza que eu teria gostado muito mais :-)

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

A Christmas Tragedy - A short story


SPOILER FREE

Então, como está chegando o Natal, o último mês do último Desafio Literário tem como tema histórias natalinas. Como mencionei no final do ano passado, eu não tinha nenhum livro com esse tema em casa que eu ainda não tivesse lido, mas como agora tenho um Kindle, resolvi pesquisar algo em conta na Amazon e encontrei essa pequena pérola da Agatha Christie.

Confesso que fiquei chateada ao descobrir que os livros dessa autora clássica ainda não são grátis, mas pelo menos eles são realmente bem baratinhos. Esse em especial, estava ainda mais barato por ser praticamente um conto.Quem sabe no futuro comprarei outros por preço de banana para ler no original?

Voltando ao conto, "A Christimas Tragedy" segue a estrutura clássica da Agatha Christie, Miss Marple surpreende sempre a todos com a sua percepção aguçada da natureza humana e uma memória prodigiosa para detalhes (ainda mais prodigiosa em se tratando de uma senhora de idade), e, como sempre, o final surpreende! Aí está uma coisa que nunca consegui compreender nesse tipo de livro (e de autor), como eles conseguem montar a história de um jeito que o leitor não consegue vislumbrar quem é o assassino ou como a história vai terminar! Acho fantástico isso, e adoro a sensação de surpresa!

No mais, o livro não tem nada de tão extraordinário, é a receita de sempre da autora, para quem gosta da Miss Marple é um prato cheio, para quem gosta do estilo também, mas se você procura algo diferente, não vai encontrar aqui.

Nota 9.