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quinta-feira, 30 de junho de 2022

Os noivos do inverno - Les Fiancés de l'hiver (La Passe-Miroir - A Passa-Espelhos #1)


 

SPOILER FREE

Para o mês de junho do Desafio Literário Popoca 2022, com o tema um livro com inverno no título ou que se passe no inverno, consegui escolher um que se encaixa nas duas características, Os noivos do inverno da escritora francesa Christelle Dabos.

Aviso que li o livro em francês e por isso posso usar nomes ou termos diferentes do que se encontra na tradução para o português da editora Morro Branco

A escritora Christelle Dabos é de uma família de músicos, e se formou em biblioteconomia, e começou a escrever a série A Passa-Espelhos quando descobriu que estava com câncer. Ao receber boas respostas de uma comunidade de escritores na internet, ela finalmente publicou Os noivos do inverno em 2013, aos 33 anos de idade, e ganhou logo de cara um prêmio pela obra, que depois veio a ganhar outros prêmios, inclusive o mais importante de ficção especulativa da França, o Grand prix de l’Imaginaire. Desde então, já foram 4 volumes publicados e ela agora se dedica unicamente a escrever fantasia.

Os livros já foram traduzidos para diversos idiomas, e ela fez bastante sucesso com a série, sendo até mesmo comparada a JK Rowling e Philip Pullman. Depois de ler seu primeiro livro, posso dizer que a comparação não é descabida.

Os noivos do inverno introduz a história de Ophélie, que vive no arche Anima, uma espécie de pedaço que sobrou do planeta terra depois de uma tragédia, a Déchirure. Nesse mundo, existem vários desses arches, que são espécies de ilhas flutuantes. Cada ilha possui um "espírito de família", que é um ser ancestral imortal de quem descende todos os seus habitantes. Em Anima, os habitantes possuem poderes de controle dos objetos, e Ophélie é capaz de ler a história dos objetos que toca, além de conseguir se transportar através de espelhos.

Apesar de viver uma vida bastante pacata em Anima, sendo rebelde apenas no ponto de não querer casar com os pretendentes escolhidos pela família e só querer ficar trabalhando no museu junto com o seu tio avô, Ophélie acaba sendo escolhida pelas matriarcas para um casamento quase que diplomático. Ela se torna noiva de Thorn, uma figura importante de outra ilha, o Polo Norte. Amparada dos parcos conhecimentos desse lugar que ela conseguiu obter no museu e acompanhada de uma tia distante, ela parte com Thorn para o Polo Norte, um lugar onde os poderes de seus habitantes são bem diferentes, e onde o inverno é brutal.

A história por um lado é muito aventuresca, com momentos de muita adrenalina, com o extra do mundo maravilhoso criado pela autora, que é bastante complexo e muito diferente de tudo que já li de fantasia, por outro, é uma aventura regada a política de corte e artimanhas, que Ophélie precisa navegar para conseguir sobreviver ao inverno até a data do casamento.

O ritmo do texto de Christelle Dabos é tão delicioso, que eu precisei emendar o primeiro volume com o segundo, de tanto que gostei. O mundo que ela criou é muito redondo (mesmo estando em pedaços) até onde fui na narrativa, e conforme a protagonista vai descobrindo mais sobre sua nova casa, mais as coisas ficam interessantes. Apesar do livro ser grande, com cerca de 600 páginas, não dá pra sentir e eu terminei o livro bastante rápido, ainda que estivesse enferrujada no francês.

Recomendo muitíssimo para quem gosta de fantasia e para quem gosta de livros young adult. Vale a pena carregar esse calhamaço por aí, mas, podendo, recomendo a versão kindle que é mais leve.

Nota 10.

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

O Cara dos Meus Sonhos - Alex, Approximately

SPOILER FREE

Me animei de ler esse livro por indicação de uma amiga, que não só leu esse volume da autora americana Jenn Bennet, mas alguns outros, e ela sempre elogia. Como confio nessa amiga, e eu estava precisando de algo leve, mergulhei de cabeça em O cara dos meus sonhos, como ficou a tradução de Alex, approximately em português pela editora Plataforma 21.

Gosto especialmente de indicações acertadas, tanto quanto gosto daquela leitura que acontece no momento certo. Apesar de que O cara dos meus sonhos me parece ser uma delícia de ler a qualquer momento, porque, nossa, que história mais fofa!

O enredo é bastante simples, Bailey está apaixonada por um cara que conheceu na internet, mas, como tem a cabeça no lugar (em termos) sabe que é um risco simplesmente marcar de encontrar um desconhecido, por mais simpático que ele seja online. Como os dois moram em lados opostos dos EUA, isso nunca tinha sido uma preocupação, até que ela resolve ir morar com o pai, que, coincidências do enredo do plot do roteiro da vida mora na mesma cidade do seu crush, Alex

Esperta como ela só, Bailey se muda sem dizer nada para o amigo, e decide passar o verão tentando descobrir quem ele é. Só que nesse plano perfeito surge um problema, na forma de um surfista sexy, Porter Roth, e que trabalha com ela no mesmo lugar, um museu caça-turista. Enquanto ela enrola Alex online, tenta achar quem ele é na vida real, Bailey e Porter embarcam num verão inesquecível. Só que Porter também tem lá os seus segredos.

Não é o enredo mais maravilhoso ou surpreendente do mundo. Mas, também fica claro que o objetivo da autora não era esse, e sim tratar de como desenvolver amizades, lidar com o mundo e saber olhar para suas próprias feridas. E se isso acontece no meio de uma história romântica super fofa, ninguém vai reclamar. De quebra, você leva um show de relacionamentos saudáveis como o objetivo da história.

O resultado é um livro leve, despretensioso e gostoso de ler. Excelente para aqueles momentos que você precisa de algo para levantar o seu astral sem comprometer os seus neurônios.

Nota 8,5.

Você pode adquirir o seu Cara dos meus sonhos aqui.

P.S.: Se você quiser spoiler da história, é só escutar a música Escape (The Piña Colada Song), que faz parte da trilha sonora de Guardians of the Galaxy.

Tunnel of Bones - Cassidy Blake #2


 

SPOILER FREE

Depois de me apaixonar pelos personagens de A cidade dos fantasmas, dei sorte, e o livro seguinte da série da autora americana Victoria Schwab entrou em promoção e eu comprei e comecei a ler. O que posso fazer? A ansiedade falou mais alto.

Aviso importante, o primeiro livro da série só foi publicado no Brasil pela Galera Record em maio de 2021, então, o Túnel de Ossos (tradução livre minha) ainda não tem data prevista de lançamento em português.

Mas, temos uma boa notícia! Os direitos dos livros foram comprados pela emissora ABC para se tornar uma série, e a autora vai participar como produtora executiva! Tomara que as aventuras de Cass cheguem logo às telas!

Voltando ao livro, a continuação da saga de Cassidy Blake acompanha nossa heroína em Paris, a segunda parada dos seus pais na gravação de uma série de televisão sobre cidades mal assombradas. Em meio a vistas em locais turísticos, mas às vezes de turistas mais corajosos, Cass e seu melhor amigo fantasma Jacob acabam despertando um espírito um tanto quanto forte, e eles precisam desvendar um mistério antes que a assombração se torne forte demais.

Como todo livro de série de aventura, Tunnel of Bones segue uma certa fórmula, claro, temos o vilão da semana, um novo obstáculo para nossa protagonista superar, coisas novas para aprender etc. Mas, o interessante do trabalho da autora Victoria Schwab é como ela consegue seguir essa receita de forma interessante e sem cair nos clichês de sempre dos livros young adult. Eu gosto particularmente do fato que Cass e Jacob são apenas amigos, e amigos de verdade, com um relacionamento com problemas que amigos têm mesmo.

Outra coisa que sai do clichê crianças nunca são levadas a sério é que Cass, mesmo sendo adolescente, não deixa de ser levada a sério por isso. A questão é que o quê ela tem para contar é um pouco difícil de acreditar, e é por isso que ela escapa dos pais. Outros adultos que têm experiências paranormais não deixam de acreditar nela.

Além disso, gente, a história se passa em Paris, como não amar? A descrição das catacumbas está excelente, e eu visitei, posso atestar. Temos alguns clichês sobre Paris? Temos, mas são clichês por razões de serem bem verdadeiros, como a comida excelente, o metrô um tanto quanto complicado, o jeitão fechado dos franceses. Garanto que ficou melhor do que os clichês de Emily in Paris.

Outro ponto positivo é que finalmente temos uma aparição de um vilão maior e mais interessante para os próximos livros da série! E não direi mais nada sobre isso...

Enfim, um excelente livro de ação e aventura, com uma pitada de mistério, de personagens interessantes, que foge dos maiores clichês do gênero e, de quebra, de uma autora LGBTQ+. Recomendo!

Nota 9.

domingo, 1 de agosto de 2021

A Menina Mais Fria de Coldtown - The Coldest Girl in Coldtown


SPOILER FREE

Quando peguei esse livro da autora americana Holly Black eu só estava procurando por um bom livro de vampiros, mas logo percebi que ele seria perfeito para o Desafio Literário Popoca de agosto, com o tema pandemias e doenças. Hein? Vampiros para o tema pandemia e doenças?

Se você já viu o filme Army of the dead (disponível no Netflix, é divertido, recomendo pela Tig Notaro que está impagável), você vai entender. A receita é: pegue um ser sobrenatural, nesse caso vampiros, não os zumbis do filme, considere que a transformação de uma pessoa normal nesse ser é na verdade uma doença sem cura, o que leva as autoridades a criarem zonas de quarentena nas cidades mais atingidas pela pandemia, as tais Coldtowns do livro, e você tem o pano de fundo de A menina mais fria de Coldtown, no título traduzido no Brasil pela editora Novo Conceito.

Mas essa é só a ambientação, Holly Black traz a história de Tana, uma jovem que já viu de perto os horrores de pessoas contaminadas pelo Cold (não sei como ficou em português) que é a doença que leva alguém a se tornar um vampiro, e que por conta disso não entende a fascinação de muita gente pelos seres da noite. Entretanto, logo no primeiro capítulo, ela acorda numa festa que deu muito errado, e no meio de todo o horror causado pelos vampiros ela se vê numa jornada justamente para uma Coldtown, na presença de um ex-namorado, dois jovens aspirantes a vampiros e um vampiro em carne e osso.

Fazia muito tempo que eu não lia algo tão bom de vampiros, não só porque a autora faz referências maravilhosas aos grandes autores do gênero (Anne Rice deve ter ficado orgulhosa), mas porque ela consegue trazer uma história nova, bastante atual, mas sem abandonar o que é um vampiro clássico. Os vampiros de Holly Black são assustadores, violentos e charmosos, a combinação perfeita do gênero, e que é muito difícil de fazer de forma crível. E ela consegue isso na história de Tana, que é uma personagem muito interessante e complexa.

A autora conseguiu criar um enredo não só instigante e cheio de adrenalina, mas onde nenhum dos personagens é simples, ninguém é totalmente bom ou mau, estão todos numa escala de cinza. Fiquei impressionada, não esperava isso num livro young adult. Aliás, o nível de violência também não é muito comum, mas considerando que se trata de vampiros, é inevitável.

Acredito que o final não seja do agrado de todos, mas, pessoalmente, eu gostei. E fiquei tão impressionada com a autora, que já comecei a catar outros livros dela, não é a toa que ela anda fazendo sucesso. Virei fã também.

Nota 9,5.

domingo, 18 de julho de 2021

Fangirl


 

SPOILER FREE

Depois de ler dois livros bem diferentes da autora americana Rainbow Rowell, eu finalmente tirei da estante um dos seus best sellers! Bom, de forma geral, tudo que ela escreve vira best seller, mas esse foi dos primeiros que ela publicou, e o único que gerou um spinoff e uma versão em mangá.

Fangirl, que tem o mesmo título em português, conta a história de Cath, uma jovem extremamente tímida, que sofre de ansiedade, e que está entrando na faculdade com sua irmã gêmea Wren. As duas são tão iguais quanto são diferentes, e Cath pela primeira vez vai dividir um quarto com alguém que não sua irmã. Um dos traços mais marcantes de Cath é que ela escreve fanfiction de Simon Snow, que é algo que parece uma paródia maravilhosa de Harry Potter (para quem vive em outro planeta, fanfiction são versões alternativas de determinadas histórias ou mundos de fantasia de obras de sucesso, experimente por sua conta e risco ler). 


Esse pedaço do enredo é extremamente importante, e fez tanto sucesso que o spinoff de Fangirl se chama Carry On, o nome da fanfic de Cath, e já tem um três volumes lançados (Carry On, Wayward Son / O filho rebelde e Any way the wind blows / Venha o que vier). Eles já estão na minha pilha eternamente crescente de livros para ler.

Eu sinceramente não sei se gostei mais da história principal, com Cath, sua inesquecível colega de quarto Reagan e o seu namorado Levi, e sua a irmã Wren, ou se gostei mais dos textos que entremeiam os capítulos principais com pedaços dos textos "originais" de Simon Snow e a fanfic Carry On. Os dois são extremamente divertidos, e absurdamente fofos.

 

O drama de Cath é bastante centrado na sua dificuldade com lidar com pessoas, mas, não se limita a isso, o que dá uma dinâmica interessante ao livro. Além disso, tem toda a questão de se tornar independente, descobrir o que quer fazer da vida na universidade, lidar com seu pai que tem problemas psiquiátricos, a irmã querendo testar limites e sua mãe que abandonou a família. Enfim, coisas da vida e que fazem parte do processo de crescer.

Mas Cath também precisa aprender que não precisa lidar com nada disso sozinha. E apesar da sua dificuldade inerente com relacionamentos, eles são o ponto alto do livro de Rainbow Rowell. Juro que procurei outras descrições, mas fofo continua sendo o melhor adjetivo.


Não é a toa que fez tanto sucesso e que anos depois do lançamento está virando mangá. Os personagens são muito originais e humanos, e trazem para o enredo a importância das histórias para as pessoas, seja em forma de livro, seja em forma de filme ou audiolivro. As histórias são uma das melhores ferramentas para desenvolver uma habilidade extremamente importante: a empatia.

Para variar, Rainbow Rowell acertou em cheio, de novo.

Nota 10.

domingo, 11 de julho de 2021

The Honey-Don't List


 

SPOILER FREE

A dupla de autoras Christina Lauren é uma máquina de produzir livros. Em pouco tempo as irmãs lançaram vários títulos de comédias românticas, é até difícil de acompanhar. Além disso, ou por causa disso, a qualidade do seu material varia.

Pessoalmente tive uma boa experiência com Josh and Hazel, mas com Twice in a blue moon já não foi tão interessante. Então, demorei um pouco a me animar a ler novamente algo delas. Com a pandemia, leituras mais leves têm sido meu prato literário principal, e por isso The Honey Don't List pulou a fila de livros pra ler.

Dessa vez, as autoras trazem a história de dois casais, um já formado e casado há anos e que estão numa crescente de sucesso profissional, Melissa e Rusty Tripp, e seus assistentes Carey e James. Mel e Rusty fazem sucesso com um show de design de interiores, onde ela faz as redecorações dos ambientes e ele é o carpinteiro / mestre de obras. Nas telas eles formam um casal perfeito, duas metades que se completam, e estão se preparando para lançar um livro sobre como manter a paixão no casamento.

Carey é uma jovem que, na verdade, começou a trabalhar para os Tripp antes mesmo deles fazerem sucesso, e, por conta disso, tem um relacionamento complicado com o casal. Oficialmente, ela é assistente da Melissa, mas, por baixo dos panos, ela faz muito mais do que é creditada. Enquanto James é um engenheiro tentando dar uma reviravolta em sua carreira após sua antiga firma ser envolvida num grande escândalo empresarial, só que apesar de ter sido contratado como engenheiro, acaba tendo que fazer trabalho de assistente de Rusty.

Claro que Mel e Rusty na verdade são muito diferentes daquilo que eles transparecem na TV, e por conta da última briga épica do casal, Carey e James acabam tendo que fazer trabalho de babá dos dois durante a turnê de lançamento do livro, o que abre a oportunidade de finalmente se conhecerem.

O livro, como dá para perceber, tem seus clichês, mas, ele também tem questões bastante originais no meio do mais do mesmo, o que é um tanto quanto inevitável quando falamos de comédias românticas. Mas, para mim, sua melhor qualidade é o humor. A forma como Christina Lauren descreve as situações é extremamente divertida, e minha leitura precisou ser interrompida diversas vezes para gargalhar em voz alta. Pelo menos não passei vergonha no metrô porque continuo em teletrabalho, graças aos deuses.

O mesmo enredo poderia ser apenas uma sucessão de clichês, ou poderia ser apenas drama seguido de drama, mas as autoras fazem da história uma grande sequência de piadas e situações divertidas. E elas conseguem fazer isso bem, acho que é o livro mais engraçado que li até o momento esse ano. E, considerando as situações abusivas bizarras, Christina Lauren acertou em cheio. E por isso The Honey Don't List é um livro tão original.

É um livro perfeito? Não. Mas vale cada minuto gasto na leitura.

Nota 9.

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Infinite Magic (Dragon's Gift: The Huntress #5)


SPOILER FREE

E finalmente cheguei no último livro da série The Huntress, a primeira série de Dragon's Gift, que pelo que descobri, tem pelo menos mais duas séries completas: The Seeker e The Protector, cada uma sobre uma das irmãs de Cass, nossa protagonista até o momento.

Se eu for resumir Infinite Magic em uma palavra, escolho apoteótico. É um final bem dramático, com batalhas de nível épico. E isso é uma das coisas que me deixou triste, porque coisas desse nível podem ser muito boas, e é triste ver isso ser desperdiçado.

Depois de 4 volumes que vão aumentando a curiosidade com relação ao enredo principal, o desfecho não só é cheio de buracos, como também não aproveita a potencialidade do que foi mostrado para o leitor até o momento. É um épico mé, com direito a decisões estúpidas e poucas explicações, provavelmente porque, primeiro, não tem como tampar todos os buracos, segundo, porque a autora fez mais duas séries e precisa sobrar mistério para elas.

O resultado é um enredo com boas ideias, mas feito de um jeito que passa a sensação de que Linsey Hall estava enrolando para esticar a história. E ainda por cima com os problemas que mencionei nas resenhas anteriores.

Apesar de já ter os primeiros volumes das séries seguintes, não me animo de ler, porque algo me diz que vou encontrar mais do mesmo, e depois de cinco livros assim, não tenho energia para encarar mais dez livros desses. Sim, a série toda tem 15 livros, 5 para cada irmã. Enrolação pouca é bobagem. Teria sido muito melhor fazer 5 livros sobre as três irmãs juntas, cada um com mais conteúdo.

Nota 4.

domingo, 4 de julho de 2021

Nona Casa - Ninth House (Alex Stern #1)


 

SPOILER FREE

Depois de me divertir com a série Grisha, que eu ainda não terminei os spin-offs por motivo de não ter todos os volumes, resolvi pegar um livro da autora Leigh Bardugo que eu achava que era um solo.

Por um lado, acho que escolhi super bem, pois, spoiler da resenha, é o melhor livro que já li até o momento da autora. Por outro lado, descobri que é o primeiro de uma série nova, e que, apesar de ter sido lançado em 2019, por motivos da série do Netflix, o volume seguinte não tem nem título nem data prevista de lançamento. Bardugo, você está devendo. Larga Grisha mulher, Alex Stern é muito melhor.

Mas voltando ao livro Nona Casa, como ficou a tradução da editora Planeta em português, Leigh Bardugo nos apresenta um enredo cheio de magia, sociedades secretas e a sua protagonista mais pé no chão até o momento. A história se passa na universidade de Yale (e a autora fez pesquisa de campo, olha que lindo) e traz Galaxy, isto é, Alex Stern, filha de uma mãe solo judia, que é capaz de ver fantasmas, e porque ninguém mais os vê ou acredita nela, acaba abandonando a escola e se envolvendo muito cedo com drogas.

Após ser a única sobrevivente num massacre num ponto de vendas, Alex é contatada pelo diretor da Nona Casa das sociedades secretas de Yale, que é responsável por controlar o que as demais sociedades estão fazendo para minimizar danos colaterais. Ela vira então Dante, nome do posto de aprendiz, e o universitário Darlington, ex-Dante, assume o posto de Virgílio (sim, referência direta aos círculos do inferno, lindo). 

Mas algo estranho está acontecendo com as casas das sociedades, Virgílio desaparece, e agora Alex, sem treinamento completo, precisa assumir tudo sozinha. E ainda precisa passar nas matérias da faculdade, para o qual ela também não tem preparo. Mas, se ela quiser sobreviver a esse período, ela vai precisar se virar e descobrir o quê ou quem está matando pelo campus.

O enredo se desenvolve a partir daí, num misto de magia, teorias da conspiração e trama estilo Agatha Christie, com doses pesadas de realidade com drogas, violência sexual, patriarcado, racismo e privilégio de classe. A história é contada do ponto de vista de Alex, que não é exatamente uma narradora confiável, mas que, conforme vai narrando também a sua própria história até ser levada para Yale, você se apaixona por ela.

Fazia tempo que eu não amava tanto uma protagonista como amei Alex Stern. E ela está longe de ser perfeita, mas isso é o que a torna tão interessante e comovente, e, o mais difícil, realista. Sua história e toda a confusão em torno das sociedades secretas é tão interessante e cheia de detalhes que eu até perdoo Leigh Bardugo por fazer uso do seu clichê de estimação. Sim, claro que Nona Casa tem aquele personagem que não é quem você imagina. 

Mas no meio de tanta reviravolta por conta dos mistérios em torno dos acontecimentos bizarros do primeiro ano de Alex em Yale, esse clichê fica até passável. E apesar do final aberto que a autora deixou para poder fazer uma continuação para a série (que eu já li em algum lugar que pode chegar a 5 volumes, deus dai-me paciência para esperar), o enredo principal desse livro termina, o que dá uma boa sensação de fechamento para o leitor.

Sinceramente, é o melhor livro que já li até agora da autora, e dentro do estilo young adult, é dos melhores que já li também. E isso não é pouca coisa, e quem me conhece, sabe que não digo de forma leviana. Vale muito a pena a leitura.

Bardugo, larga tudo e vai escrever!

Nota 10.

Eternal Magic (Dragon's Gift: The Huntress #4)


SPOILER FREE

Depois de três volumes eu não podia parar no meio a história de Cass, The Huntress, suas irmãs de consideração e finalmente descobrir quem é o grande monstro que persegue as três FireSouls. Se o primeiro livro foi uma boa introdução, o segundo começou a patinar e o terceiro continuou numa vibe mais do mesmo, pelo menos o quarto livro faz a história andar e traz elementos novos interessantes.

Cass finalmente começa a lembrar e entrar em contato com o passado que foi apagado da sua memória, e essa é a parte mais interessante desse volume. Por outro lado, os defeitos da série se mantém firmes e fortes, Linsey Hall faz recapitulações chatíssimas e de revirar os olhos, a tensão sexual e o instalove não são aproveitados para pelo menos termos cenas mais calientes, essas são deixadas de fora do livro, e, por fim, apesar do enredo interessante e cheio de adrenalina, as personagens começam a dar sinais de no fundo serem estúpidas, o que não condiz com o que foi apresentado até aqui.

No final das contas, temos uma história super interessante e instigante, com um mundo bem montado e estimulante, cheio de possibilidades que são bem aproveitadas no enredo. No entanto, a realização deixa a desejar. Sabe aquele gostinho de podia ser muito melhor?

O pior de tudo é que não consigo parar de ler a série. Sei de todos os defeitos, eles me irritam, mas a curiosidade é maior. Confesso que já estou até de olho nas séries das irmãs, pode isso? Acho que no fundo sou uma pessoa otimista.

Nota 7.


domingo, 27 de junho de 2021

Stolen Magic (Dragon's Gift: The Huntress #3)


 

SPOILER FREE

Depois de ler os dois primeiros volumes da série The Huntress, eu tinha que continuar a história de Cass com Stolen Magic. O primeiro livro foi uma excelente apresentação do mundo de Dragon's Gift, já o segundo livro não foi tão interessante e tinha alguns defeitos chatos.

Eu confesso que esperava que o terceiro volume fosse melhorar, pois isso não é incomum em séries mais longas, onde parece que a autora já tinha um enredo principal em mente para fechar o arco de Cass Clereaux. Infelizmente minhas esperanças foram em vão. Não só o terceiro livro tem os mesmos defeitos dos volumes anteriores, como a repetição deles torna a leitura mais chata.

Linsey Hall manteve aqui a recapitulação nada discreta dos acontecimentos anteriores e de quem é quem, muito chato. O romance com Aidan Merrick é pura enrolação, já vi gente dizendo que não é insta-love, gente, é sim, só que enrolando pra ter o que contar por cinco livros. Chato.

O que salva é o enredo principal, o mistério que quem é o grande vilão e o que ele quer com as FireSouls e como as três irmãs vão conseguir continuar se escondendo com toda a confusão que elas estão se metendo e tão perto das grandes autoridades responsáveis por caçá-las. Em outras palavras, a grande quantidade de ação e de adrenalina é que salva o livro.

Aparecem também novos personagens que enriquecem bastante a leitura e todo o amor e camaradagem das irmãs e seus amigos é simplesmente fofo. O que também ajuda a balancear o resultado.

Nota 7.

sábado, 19 de junho de 2021

Mirror Mage (Dragon's Gift: The Huntress #2)


SPOILER FREE

Como falei na resenha do primeiro livro da série The Huntress, estou numa fase de leituras leves. De pesado já basta todo o resto, especialmente com mais de um ano de quarentena e contando. Então, apesar de não ter achado numa coisa super maravilhosa, a história estilo Lara Croft de Cass Clereaux foi divertida o suficiente para me animar em ler mais dos seus 5 volumes.

Nesse segundo livro, Mirror Mage, continuamos a saga de Cass, que agora precisa lidar de fato com seus poderes mágicos e realmente aprender a usá-los. Ainda mais porque agora ela tem mais de um poder, visto que como uma FireSoul ela é capaz de absorver poderes de quem ela mata, o que ocorreu sem ela realmente querer. Agora, além de ser uma Mirror Mage (uma Magica capaz de copiar poderes alheios), ela é capaz de soltar raios. Sim, como Zeus.

Ela continua às voltas com Aidan Merrick, que eu queria muito que fosse mais explorado nesse segundo volume, mas a autora ainda escreve para pré-adolescente com personagens adultos. Desperdício de shifter e tensão sexual na minha opinião... mas enfim. Agora, o Alpha Council, uma espécie de governo central dos shifters, que, surpresa, o Aidan não participa, tem uma missão para Cass que ela não consegue recusar, apesar do seu receio de ficar perto deles, porque, sim, eles caçam e prendem FireSouls.

Novamente o enredo é cheio de ação e adrenalina, com vários momentos tomb raider, e finalmente o grande enredo e o grande vilão da série se anuncia, com um Magica maléfico sem nome que caça e escraviza FireSouls. De quem Cass e suas irmãs fugiram apesar de não terem memórias disso.

Outro defeito do livro é a recapitulação nada discreta dos acontecimentos anteriores e de quem é quem. Já li muita série, mas essa certamente é uma das piores nesse sentido, a forma como Linsey Hall repete o básico do mundo da história faz o leitor se sentir burro. É de revirar os olhos.

Fora isso, a leitura é divertida e rápida, com um bom ritmo de aventura, o que compensa pelos defeitos. O enredo ainda é bastante misterioso e os personagens intrigantes, dá vontade de continuar lendo para saber onde isso tudo vai dar.

Nota 8.

quarta-feira, 16 de junho de 2021

Ancient Magic (Dragon's Gift: The Huntress #1)

 


SPOILER FREE

Então... depois de mais de um ano de quarentena estou definitivamente apelando para leituras mais leves. E confesso que achei que um livro descrito como romance paranormal seria uma boa ideia.

A autora americana Linsey Hall tem feito muito sucesso com uma série de séries de livros num mesmo universo, chamado de Dragon's Gift, que começou com esse aqui: Ancient Magic, o primeiro volume da série The Huntress. A premissa é um mundo de magia onde existem os shifters, capazes de se transformar em animais e os Magica, que possuem poderes mágicos limitados, mas bastante diversos. Nossa personagem principal, Cass Clereaux, a tal Huntress, é uma FireSoul, que é um tipo de Magica perseguido porque tem o poder de roubar os poderes de outros seres quando os mata.

Cass tem duas irmãs de consideração, que formaram uma amizade especial quando se conheceram ao fugirem juntas sem terem nenhuma memória de quem eram, apenas sabiam que eram FireSouls, e as três possuem uma loja de artefatos mágicos antigos. Sim, o enredo tem uma vibe Indiana Jones. Talvez mais para Lara Croft. E a autora é arqueóloga, o que deixa algumas coisas interessantes nesse sentido.

Nesse primeiro volume, o enredo acontece em torno de uma missão de Cass para encontrar um artefato em específico (ela é a Lara Croft da família), que acaba sendo mais complicada do que deveria. Não só ela acaba entrando no radar de Aidan Merrick (o shifter mais poderoso do mundo por ser capaz de se transformar em qualquer animal), mas, demônios estranhos começam a aparecer. De quebra, Aidan a contrata para caçar um outro artefato, que pode expor a sua identidade como FireSoul.

Como eu disse, uma leitura leve e tranquila. O livro tem muita ação, personagens divertidos, por mais que pouco profundos, um mundo interessante e a autora escreve direitinho. A única coisa que eu confesso que esperava era um pouco de cenas picantes, e nisso, o livro é mais para young do que adult, apesar das personagens não serem adolescentes. Achei uma pena, confesso, porque era isso que eu estava esperando. Mas enfim, julguei mal a capa e o blurb. Paciência. Mas bem que Linsey Hall podia ser mais para Sarah Maas...

Nota 8,5 dentro do estilo.

domingo, 13 de junho de 2021

A cidade dos fantasmas - City of Ghosts


 

SPOILER FREE

Estamos no mês do orgulho LGBTQ+! E de forma apropriada, o tema do Desafio Literário Popoca de junho é um autor LGBTQ+. Dessa vez resolvi escolher uma autora recém saída do armário e cuja obra young adult não é conhecida por ser, digamos, desse tema em específico, Victoria Schwab.

Victoria, que também escreve com o nome V.E. Schwab, ficou conhecida pela série Villains e Shades of Magic, mas desde então escreveu várias outras obras de sucesso. E após anos de sucesso ela finalmente conseguiu sair do armário ano passado, num belíssimo texto que foi publicado na OprahMagazine (recomendo clicar no link e ler). Apesar de ter alguns livros dela esperando há anos na lista de leituras, e gostar de diversas entrevistas e palestras que ela já deu por aí sobre literatura e a importância dos livros de fantasia, A cidade dos fantasmas foi meu primeiro contato direto com sua escrita.

Nesse livro, o primeiro de uma série com a protagonista Cassidy Blake, somos apresentados a Cass, uma jovem adolescente que sobreviveu a um encontro próximo com a morte e desde então é capaz de ver fantasmas. Cass é um tanto quanto antissocial, tanto que seu melhor amigo é o espírito Jacob. Por ironia, seus pais escrevem sobre fenômenos paranormais, mas não têm ideia do que a filha é capaz, e acham que Jacob é uma espécie de amigo imaginário. E nessas férias, que Cass mal pode esperar para aproveitar e ficar longe dos mortos, seus pais são convidados para fazer uma série de TV sobre assombrações, e o primeiro episódio vai ser filmado numa das cidades mais cheias de tipo de histórias, Edimburgo na Escócia.

Esse primeiro volume é uma história de aventura de Cass numa cidade cheia de fantasmas, e Victoria aproveita para expor sua paixão por Harry Potter e quadrinhos, o que dá um gosto especial ao texto. A escrita é fluida, cheia de ação e muito gostosa de ler. E apesar de ter todo o espaço do mundo, especialmente num livro young adult, Schwab consegue escrever um enredo onde não há romance. Fiquei impressionada, é algo muito raro ver livros assim. Ela resiste ao clichê do melhor amigo com interesses românticos, que seria o amor proibido ainda por cima, e resiste ao clichê da descoberta de uma sexualidade lésbica com relação a uma outra personagem importante na trama. E o resultado é um volume extremamente divertido, despretensioso, com adrenalina e sem os maiores clichês do estilo. Merece aplausos.

Fiquei muito satisfeita em saber que a série já tem outros livros, pois certamente quero ler mais aventuras de Cass e Jacob. E fiquei mais animada em ler as outras séries da autora. Ela certamente merece o reconhecimento e o sucesso que tem.

Nota 9.

domingo, 30 de maio de 2021

Ruína e ascensão - Ruin and Rising - The Shadow and Bone Trilogy #3


SPOILER FREE

E finalmente cheguei no terceiro e último livro da primeira série do Grishaverse, da autora Leigh Bardugo! Depois de dois livros, Sombra e Ossos e Sol e Tormenta, chegamos ao fim da história da conjuradora do sol Alina Starkov com o emocionante título Ruína e Ascensão.

Depois de volumes interessantes e bem escritos, apensar do eterno tema da identidade revelada que muda tudo, eu esperava mais do final da série Grisha, que quando foi lançado não tinha perspectiva de séries seguintes no mesmo universo.

Uma coisa não decepcionou, claro que o livro conta com uma revelação de verdadeira identidade. Infelizmente ela fica muito clara no início do livro, mas os personagens só descobrem quase no final. É irritante.

O pior para mim de Ruína e Ascensão é que me pareceu que a autora foi aumentando a criticidade da situação das personagens até o ponto do é tudo ou nada. O que nada tem de errado em si, é interessante e um clímax de respeito. Mas, ela se viu numa sinuca de bico: como tornar o final aceitável a partir daí? E então, pra mim, ela tomou a decisão mais preguiçosa possível para agradar os fãs. Uma grande oportunidade perdida de se diferenciar de outros livros do gênero.

Depois de tantos arcos interessantes e escolhas difíceis que a autora impôs a Alina, Mal e Nicolai, o fim da história soa muito simplista. E não direi mais nada sobre isso.

Fora isso, o livro novamente é cheio de ação, a leitura é fácil e dinâmica. Mas, de todos os três, é o pior, o que é muito triste, considerando que é o último.

Mesmo assim, fiquei animada de ler as outras séries que se passam no Grishaverse, o que pretendo fazer antes da próxima temporada do Netflix, para melhor avaliar a junção de histórias que decidiram fazer.

Nota 6.

Nota da série: 7,5.

Sol e tormenta - Siege and Storm - The Shadow and Bone Trilogy #2


 

SPOILER FREE

Depois de ler o primeiro livro da Trilogia Grisha, Sombra e Ossos, e assistir a primeira temporada da série no Netflix, ler o volume seguinte era inevitável. Então, sem mais delonga peguei Sol e Tormenta, na tradução meio torta de Siege and Storm, da autora Leigh Bardugo.

Como explicado na resenha do primeiro volume, a primeira Trilogia no universo Grisha não tem os personagens de Six of Crows, centrando-se na história de Alina Starkov, a escolhida a conjuradora do sol, chamada também de Santa Alina pelos devotos da religião local. Nessa continuação, acompanhamos a tentativa dela e do Mal de se esconderem e fugirem do Darkling, que eles não sabem se sobreviveu ou não à travessia da Fenda, o que, pra quem viu a série no Netflix não é nenhum spoiler.

Então, eles realmente precisam fugir do conjurador de sombras, e terminam num barco, onde boa parte do enredo desse volume se passa, e onde, adivinha, surge um personagem cuja verdadeira identidade vai ser revelada! E sim, a grande reviravolta desse livro ocorre em torno dessa revelação. Eu não disse que Leigh Bardugo tem um amor pouco saudável a esse clichê?

Clichês repetidos à exaustão à parte, o enredo é bastante agitado e cheio de cenas de ação, com menos foco nas questões amorosas de Alina, o que é uma vantagem com relação ao livro anterior. Alina como personagem cresce bastante nesse volume, e toma decisões corajosas, o que me agradou muitíssimo. Esquece a Alina do Netflix, a do livro é uma delícia de acompanhar e ver o desenvolvimento e em sua complexidade.

Mas, como bom livro best-seller comercial, rola seguir uma fórmula. É uma fórmula que deu certo? Sim. É gostoso de ler e tem lá a sua originalidade? Sim de novo. Mas ainda é uma fórmula e algumas coisas a gente cheira de longe por causa disso.

E mesmo assim a leitura é cativante. Existe uma boa razão para o seu sucesso, é um Young Adult de qualidade. Vale as páginas todas e o frisson em torno das séries Grisha é justificável.

Vale dizer também que estou ansiosa por ver a próxima temporada do Netflix e, em especial, para ver o casting de personagens importantes desse livro, como Nicolai e os gêmeos Tamar e Tolya. Torço para que sejam bons atores, vai precisar para capturarem a complexidade deles.

Nota 8,5.

quinta-feira, 29 de abril de 2021

Shadow and Bone - Sombra e Ossos


 

SPOILER FREE

E para completar o Desafio Literário Popoca de abril, com o tema livros em que a mentira é parte importante da história, escolhi algo com utilidade dupla: está dentro do Desafio e estava na minha lista de ler para ontem porque saiu esse mês a série baseada no livro na Netflix: Shadow and Bone, da israelense criada nos EUA Leigh Bardugo, que na verdade é o primeiro de uma trilogia.

Talvez o livro, que saiu com o título Sombra e Ossos no Brasil, não seja uma escolha óbvia para o tema, mas, como uma amiga me chamou atenção certa vez, Bardugo tem um amor pouco saudável pelo plot twist o vilão na verdade é uma pessoa que parecia legal no início da história. Bom, nem sempre é o vilão, mas, ela gosta muito desse tema estilo Scooby Doo. Posso não ter mencionado com todas as letras na última resenha que fiz dela (veja a resenha de Mulher Maravilha aqui), mas era exatamente desse clichê que eu estava falando.

Então, boa parte do enredo de Sombra e Ossos se baseia em mentiras. Bastante apropriado na verdade.

Em tempo, para quem está acompanhando a série na Netflix e ainda não leu os livros do Grishaverse, fique avisado que o serviço de streaming está fazendo uma combinação de duas séries da autora dentro do universo Grisha: a trilogia Grisha, que começa com Sombra e Ossos, e a duologia Six of Crows. Então, metade dos personagens da belíssima primeira temporada não estão nos livros Grisha. E sim, o Netflix tem spoilers da série que você não leu, e diferenças com relação aos livros. Vale mencionar que o Grishaverse tem ainda a série King of Scars (2 livros) e o livro de contos The Language of Thorns.

Voltando ao livro, Leigh Bardugo fez sucesso mundial com os volumes de Grishaverse, e a razão para isso é clara, ela conseguiu criar um universo com um jeitão leste europeu que é realmente fascinante. Nesse universo existem as pessoas normais e os mutantes benders grishas, que são aqueles com poderes para manipular os elementos. Eles são manipuladores de ar e água (conjuradores), do corpo humano (curandeiros e assassinos) e capazes de mexer com a matéria (fabricadores).

Nossa personagem principal (que eu juro que é mais interessante no livro do que na série, não desanimem de ler, por favor) é Alina Starkov, que mora na versão grisha da Rússia Czarista, chamada Ravka, e que é um dos poucos países da região que não queimam os grishas como bruxas na idade média. Alina faz parte do primeiro exército, isto é, o exército de humanos, e numa travessia ao Não Mar (uma zona de escuridão com monstros criada há séculos por um grisha manipulador de sombras, que é um poder especial e muito raro), ela descobre que é capaz de conjurar a luz do sol. E a história se desenvolve a partir daí, com ela sendo levada para a ordem dos grisha, chamada de segundo exército, e como todos creem que ela será a salvadora da pátria e destruidora do Não Mar, que divide Ravka ao meio.

O enredo tem mais política e questionamentos sociais do que eu esperava, confesso, mas, é uma das coisas interessantes da série. Outra coisa interessante é toda a mitologia de santos que a autora criou para esse universo, que é bastante rica e complexa, apesar de ser pouco mencionada no primeiro livro da série. Por outro lado, como muitas séries young adult com protagonista feminina, o papel do romance no enredo é um tanto quanto exagerado. E sim, Alina é dependente demais do seu homem e fica tempo demais pensando nisso. Para compensar, o livro tem muita ação, violência numa boa medida e é fácil e gostoso de ler.

É uma boa leitura para quem gosta de fantasia, com um universo bem montado e coerente, ação e politicagem. 

Nota 8,5.

Vi a série, vale a pena ler o livro?

O livro e a série tem algumas diferenças, no livro, Alina é mais interessante, mas, a série a tornou metade Shu (uma etnia tipo os chineses nesse universo), o que ficou muito bom. O livro tem mais detalhes, e por isso o enredo é mais complexo e você entende melhor o funcionamento de algumas coisas, e tem o fato de não misturar com a duologia Six of Crows (que eu ainda não li e por isso não posso julgar). O visual da série ficou bonito, mas, o livro desenvolve mais diversos personagens secundários que não tem como ter tempo de tela para isso, e alguns plot twists são muito diferentes. 

Particularmente, acho as diferenças entre as duas versões grandes o suficiente para valer a pena a leitura e não ficar com cara de vale a pena ver de novo, caso isso te incomode. Spoilers são inevitáveis, mas, de forma geral o livro vale ser lido mesmo tendo visto a série, caso você tenha gostado da série, claro.

Eu achei a série linda visualmente, e com alguns acertos, como incluir a questão do racismo, o que o livro já tinha de alguma forma com os grishas, mas zero com relação aos povos de Shu Han (China) e Fjerda (vikings? alemães?). Mas, em compensação, falta química entre alguns atores chave, e, gente, o que fizeram com a Alina? Todos os demais personagens da série ficaram mais interessantes do que ela, só que ela é a protagonista! Como assim?

Nota da série: 7,5.

terça-feira, 3 de novembro de 2020

The New Guy (and Other Senior Year Distractions)


 

SPOILER FREE

Depois de uma excelente experiência com a autora Amy Spalding, no livro Kissing Ted Callahan (and other guys), eu não resisti e comprei The New Guy (and other senior year distractions), porque não há melhor propaganda que uma boa experiência.

Porém, nem sempre as pessoas acertam, incluindo-se autores.

Depois de uma protagonista tão divertida em Kissing, temos a insossa da Jules em The New Guy, que até que tem uma premissa bastante interessante! A super certinha e cdf Jules está para começar seu último ano antes da faculdade, e logo no primeiro dia ela tem como missão mostrar a escola para um novo aluno, Alex Powell, que nada mais é que um ex membro de uma boy band de um único hit, Chaos 4 all.

É o tipo de premissa que promete, nem que seja no quesito drama, o que não pode ficar de fora de um livro estilo young adult, infelizmente. Entretanto, Amy Spalding entrega uma história chatinha, com uma tensão que não faz sentido dentro do próprio enredo. Boa parte do tempo, toda a tensão só existe na cabeça da protagonista, que simplesmente não escuta seus amigos. Pura tortura de ler em algumas passagens.

Eu até entendo alguns dramas super fabricados, como o familiar drama do que não foi dito. Tudo acontece por falta de comunicação, e se resolve quando as cartas são colocadas na mesa. Não gosto, mas entendo, realmente tem gente assim e rola uma certa fixação por esse tipo de enredo. Porém, não consigo entender a graça do drama que só existe na imaginação da protagonista, e que nem chega a ser pelo fato do problema não ser ventilado, porque ele é.

Depois de um super acerto e um super erro, não sei o que fazer com a autora. Talvez eu só tope ler outra coisa dela se for muito bem recomendada.

Nota 6.

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

O Príncipe e a Costureira - The Prince and the Dressmaker


 

 SPOILER FREE

Peguei essa Graphic Novel para ler por motivos de pandemia, e o fato de que é uma unanimidade em termos de agradar os leitores. Pensa num conto de fadas, em que a princesa é Drag Queen, e você tem o maravilhoso e premiado O Príncipe e a Costureira

Publicado no Brasil pela Darkside, numa edição de capa dura com direito a adesivos fofos, o livro ganhou diversos prêmios internacionais em 2018, 2019 e 2020. A autora e ilustradora Jen Wang, é americana, filha de imigrantes de Taiwan, e esse foi o seu primeiro trabalho solo. Mas que trabalho! A Universal Studios adquiriu os direitos de O Príncipe e a Costureira ainda em 2018, e no início de 2020 foi anunciado que Kristen Anderson-Lopez e Bobby Lopez, a dupla por trás das trilhas sonoras de Frozen, Coco e Frozen 2, se juntarão à dramaturga Amy Herzog e ao produtor Marc Platt para fazer o filme.

E como descrever a beleza que é a história imaginada por Jen Wang? A costureira Frances tem como sonho trabalhar apenas com suas próprias criações e ter seu talento reconhecido em Paris. E numa tentativa de satisfazer uma cliente complicada, acaba chamando atenção do Príncipe Sebastian, da Bélgica, que tem como segredo o fato de que gosta de usar vestidos. Os dois se unem e nasce a fabulosa Lady Crystallia que causa alvoroço nas festas de Paris.


É uma Graphic Novel ousada para young adult, feita para quebrar diversos paradigmas, e lindamente ilustrada! Eu não sabia que precisava dela, mas todos precisam de uma história como essa. Fiquei muito feliz de saber que vai virar filme. Quero ir na estreia! E se for animação, torço para que mantenham o traço da Jen Wang, que acertou em cheio.

Nota 10!


domingo, 30 de agosto de 2020

A súbita aparição de Hope Arden - The Sudden Appearance of Hope


SPOILER FREE

Agosto está acabando, mas ainda dá tempo de colocar no ar as resenhas do Desafio Literário Popoca do mês, cujo tema é um livro escrito sob um pseudônimo!

Aproveitei o tema para ler mais um livro da maravilhosa Claire North, que já apareceu por aqui com As primeiras quinze vidas de Harry August. Pois bem, Claire North é um dos pseudônimos da escritora Catherine Webb, que já ganhou diversos prêmios por seus livros. Como Claire North ela prima por suas histórias de realismo fantástico, como também é o caso de A súbita aparição de Hope Arden, na tradução de Portugal, porque o livro ainda não foi publicado no Brasil.

Pela primeira vez a autora traz uma protagonista feminina, Hope Arden, que tem o estranho poder de ser absolutamente esquecível. Você pode passar horas conversando com ela, mas se em um minuto você para para prestar atenção em alguma outra coisa que não seja Hope, ela foge completamente da sua memória. Ela e tudo o que você conversou com ela.

Só uma personagem com essa característica já é pano para manga para uma história sensacional e com um viés psicológico intenso para a protagonista, que se encontra eternamente sozinha e sem conhecidos, o que é devidamente explorado pela autora. Mas Claire North gosta também de tornar esse tipo de personagem apenas mais uma das partes dos seus enredos complexos.

Hope tira algum tipo de proveito da sua situação única, claro, e se torna uma ladra profissional, e com uma forma de atuação bastante incomum. Ela é pega algumas vezes, mas, quem se lembra não é mesmo? Até que ela se depara com algo que promete mudar o mundo, o aplicativo Perfection.

O aplicativo promete transformar seus usuários em pessoas perfeitas, perfeitamente belas, perfeitamente bem vestidas, perfeitamente bem atendidas em lugares exclusivos e também perfeitos. Em troca, ele tem acesso total à toda vida do usuário. Toda a vida.

Hope, apesar de ser totalmente esquecível por humanos, não é esquecida por máquinas, e por isso ela decide ficar distante de Perfection. Porém, quando uma pessoa de quem ela gosta se suicida, ela imediatamente culpa o aplicativo e a empresa por trás dele, iniciando um grande enredo de gato e rato, com direito a terrorismo, perseguições e tramas extremamente complexas de espionagem.

Apesar da história ser contada do ponto de vista de Hope, com todo o peso psicológico que ela traz, o livro é recheado de personagens incríveis, com direito a muita ação e adrenalina. É um livro que dá muito gosto de ler, e cheio de passagens belamente escritas e que questionam o atual status de vigilância que as pessoas aceitam em suas vidas.

Claire North sabe montar enredos com essa cara, que poderiam ser fantásticos e bem mais básicos, mas ela não se limita ao básico e vira a história de tudo quanto é ângulo, trazendo profundidade para os seus textos. Não é à toa que ela já recebeu tantos prêmios, são todos merecidos.

Nota 10!

domingo, 21 de junho de 2020

Pulp



SPOILER FREE

Mantendo o tema de junho do Desafio Literário Popoca, segui lendo livros de temática LGBT, e tentei dar preferência pelos young adults, para ver o que tem sido publicado para esse público. Acabei por escolher Pulp, que conta duas histórias em épocas diferentes sobre mulheres jovens lésbicas, lançado em 2018 e ainda sem tradução para o português.

A autora Robin Talley se dispôs a retratar uma jovem em 2017 (durante o governo Trump) descobrindo a literatura lésbica dos anos 60, conhecida hoje por Pulp. E para isso ela conta não só a história atual de Abby, que decide fazer seu projeto final da escola sobre esse estilo literário, mas também de Janet Jones, uma jovem que em 1955 descobre que é lésbica ao ler um livro proibido.

Confesso que posterguei muito escrever essa resenha porque a premissa do livro é muito legal, e eu aprendi muito sobre a história do movimento LGBT nos EUA e sobre literatura Pulp. Tudo o que envolve essa parte do enredo no livro de Robin Talley é simplesmente sensacional.

Meu problema está com as personagens atuais, Abby e seu grupo super mega diverso. Gente, que personagens insuportáveis. Especialmente a narradora Abby, que está numa fase complicada porque se recusa a lidar com o iminente e óbvio divórcio dos pais, e para não ter que lidar com isso desenvolve uma fixação nada saudável, extremamente chata e repetitiva, com o livro escrito por Janet Jones. Quando eu digo repetitiva quero dizer que há literalmente diversos parágrafos e frases idênticas ao longo do livro.

Se o livro não contasse duas histórias ao mesmo tempo talvez o drama de Abby fosse mais emocionante ou pelo menos mais fácil de se simpatizar. Mas ao comparar com o que Janet Jones e outras lésbicas passaram nos anos 50 e 60, como Pulp acaba fazendo, o enredo de 2017 simplesmente perde o brilho e parece uma grande tempestade em copo d'água. Abby e seus amigos parecem grandes privilegiados que reclamam de coisas que não fazem muito sentido. Rola um desequilíbrio muito grande no livro nesse sentido.

O resultado é que metade do livro é muito bom e metade do livro é muito ruim, eu fiquei com vontade de pular metade dos capítulos.

Na média, nota 5.