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segunda-feira, 8 de julho de 2019

Professor Feelgood (Masters of Love #2)



SPOILER FREE

Como estou tranquila com os temas dos Desafios Literários de julho (tudo andando direitinho e adiantado), mas continuo meio doente, resolvi me dar uma folga e continuar lendo coisas leves. Como li há menos de um mês o meu primeiro livro da australiana Leisa Rayven e fiquei positivamente impressionada, e eu já tinha o volume seguinte da coleção Masters of Love por motivo de promoção, achei que era a hora de emendar.

Professor Feelgood traz a história da irmã da personagem principal de Mister Romance, a aspirante a editora Asha Tate. E num momento de ousadia, por conta de uma possível promoção, ela resolve entrar em contato com um poeta/fotógrafo do Instagram chamado Professor Feelgood, que além das fotos de babar, ainda escreve de um jeito que derrete as calcinhas das suas seguidoras.

O problema é que ele não era exatamente do jeito que ela imaginava, e agora ela precisa dar um jeito de fazer o tal livro que ela prometeu e eles assinaram um contrato milionário sair do papel.

Além das características típicas desse tipo de livro e suas coleções, Leisa Rayven me parece especialista em adiar as cenas tórridas nas suas histórias. Só que, ao invés de todo suspense e momentos animados mas sem grandes ações de Mister Romance, em Professor Feelgood ela não consegue manter exatamente o mesmo nível de temperatura até o grande momento.

E sério, diferente do primeiro volume, depois da primeira vez ela resolve dar uma economizada. Gente, eu pego esse tipo de livro pra ler cenas de sexo, no plural, não no singular. Tudo bem que uma boa história e bons personagens acrescentam muito e fazem tudo ficar melhor, mas sem a motivação principal perde boa parte da graça.

E tem a questão da história. Ela é fofa, não vou implicar muito, mas é muito batida e clichê perto do livro anterior. Parece que Leisa gastou toda a sua ousadia no primeiro livro e resolveu descansar no segundo, o que é uma pena. E o pior é que o livro nem é ruim, seu maior defeito é não ser tão bom quanto o primeiro.

Por isso ainda darei o benefício da dúvida para a autora e pretendo ler mais dela.

Nota 8.

domingo, 7 de julho de 2019

Guadalupe



SPOILER FREE

O tema do Desafio Literário Popoca de julho é Graphic Novel, e estou aproveitando para tirar várias leituras atrasadas da estante. Entre elas o quadrinho nacional Guadalupe!

Escrito pela poetisa Angélica Freitas (que eu já li um dos livros de poesia) e desenhado por Odyr Bernardi, ambos gaúchos, Guadalupe me pareceu uma escolha fantástica.

Mas nada me preparou psicologicamente para dois gaúchos escrevendo sobre cultura mexicana. Conhecendo um pouco os clichês que os norte americanos usam do México, confesso que eu esperava algo mais interessante do que encontrei em Guadalupe. Fiquei chocada em ver basicamente os mesmo clichês com um toque um tanto brasileiro em cima e com jeito de tentar parecer um pouco mais moderninho.

Não ajuda o fato que a melhor personagem de toda a história é a que está no caixão durante toda a viagem que realmente é a história por trás da Graphic Novel.

Talvez se a obra fosse mais longa e se aprofundasse nos dramas apresentados apenas de relance, o resultado fosse melhor, mas do jeito que ficou, mais parece um esboço de uma história com potencial do que uma Graphic Novel bacana de ler do início ao fim. O pior é que nem chega no final com jeito de quero mais, isso seria legal se tivesse mais para ler depois, mas com a sensação de "mas é só isso?", e sim, é só isso.

Confesso que esperava mais de Angélica. Do Odyr nem falo nada porque desconheço o seu trabalho, e esse não me ajudou a querer conhecer mais. 

Nota 4.


terça-feira, 2 de julho de 2019

Poemas da recordação



SPOILER FREE

Cheguei a escritora brasileira Conceição Evaristo através de amigas feministas, e preciso agradecer a indicação. Tenho por hábito marcar as páginas de livros de poesias quando vejo um poema particularmente bonito ou que me toque. Minha estante de livros de poesia é bastante colorida por causa disso, inclusive, utilizo a quantidade de marcadores para ver o quanto gostei do livro.

Poemas da Recordação não tem um único marcador. Porque não fazia sentido marcar todas as páginas, seria ridículo e um desperdício de material.

É extremamente raro encontrar um livro de poesia que você pode abrir totalmente a vontade e de forma aleatória e garantir que você vai encontrar uma boa poesia. Conceição Evaristo conseguiu essa façanha aqui. E ainda por cima tratando de temas complicados, como a pobreza, o preconceito e o machismo.

Fiquei tão abobalhada com o seu trabalho que mesmo antes de terminar o livro comecei a catar outros volumes da autora. Aguardem muitos livros dessa mineira, mulher, negra e poetiza espetacular.

Nota 10, mas se desse, dava 11.

Inside Out & Back Again

Resultado de imagem para Inside Out & Back Again by Thanhha Lai




SPOILER FREE

Estava "folheando" o kindle em busca de algo leve para ler quando me deparei com Inside Out & Back Again, que não lembro mais quando ou porque comprei, mas, lembrava que era literatura infantojuvenil. Pensei comigo mesma, perfeito!

Daí comecei a ler e não só descobri que era uma coletânea de poesias que contam uma história, mas também que a história é sobre uma menina vietnamita refugiada da época da Guerra do Vietnã. O livro é muita coisa, exceto leve.

A autora, Thanhha Lai, refugiada vietnamita da época da guerra, traz uma história linda, contada do ponto de vista de uma menina que precisa aprender a lidar não só com a perda do seu país, com tudo o que isso acarreta, mas também a se adaptar a uma nova realidade nos Estados Unidos. Não só ela, mas também sua mãe e irmãos. Nesse sentido, o livro é maravilhoso, não é a toa que ganhou o prêmio National Book Award for Young People's Literature (2011) e foi nomeado para diversos outros.

Apesar do tema pesado, a autora consegue tratar dele da uma forma quase leve, pois quem conta a história é uma criança. Mas a situação em si não é nada leve e os acontecimentos também são bem complicados. Contudo, considerando o mundo de hoje, esse é o tipo de história que se torna relevante e importante de ser tratada. É uma pena que o livro ainda não tenha sido traduzido para o português.

Apesar de todos os prêmios, a qualidade da história e tudo o mais, preciso dizer que não gostei do livro como obra poética. Talvez se a autora tivesse utilizado outro formato o resultado teria sido perfeito, mas do jeito que ficou...

Nota 8.

domingo, 30 de junho de 2019

Death



SPOILER FREE

O tema para o Desafio Literário Popoca de julho é uma Graphic Novel! Excelente tema para relaxar e avançar mais rápido na meta de livros do ano! E pensando nisso, escolhi algo do autor para qualquer momento e de quem eu leria até a lista de supermercado Neil Gaiman.

Depois de ler a coleção completa de Sandman, ou pelo menos as histórias originais, porque lançaram mais coisa depois, achei que era hora de começar a ler o que foi lançado depois. E nada como começar pela melhor personagem secundária de Sandman, a Morte!



Essa coletânea com histórias da Morte também foi lançada em português, e, se formos muito exatos ao significado de Graphic Novel, o que por si só não é algo muito exato, não necessariamente seria considerada uma. Mas isso não diminui em absolutamente nada a qualidade do material.

A coletânea abre com os dois capítulos de Sandman em que a Morte tem uma participação mais especial, o que serve para relembrar a personagem para quem já conhece e para apresentá-la para quem não leu Sandman. Em seguida temos o conto A Winter's Tale, uma história bem curtinha, que põe em evidência o ponto de vista da Morte sobre a morte.

Depois temos The High Cost of Living, uma história em 3 partes com a Morte como personagem principal no seu dia em que pode viver entre os mortais. Não tem como não se apaixonar por ela, caso você ainda não tenha se apaixonado até aqui, a partir desse ponto não tem mais retorno.



Em seguida temos um outro conto, The Wheel, onde Destruição e Morte aparecem para um menino. Neil Gaiman quando acerta faz bonito.

The Time of You Life retoma algumas personagens que apareceram em histórias anteriores, mas dessa vez como protagonistas de uma pequena saga em 3 partes onde a Morte aceita uma barganha. Fechando a coletânea temos Death and Venice, uma história um tanto quanto surreal bem no estilo Neil Gaiman, onde um homem conhece a morte quando criança e passa a vida pensando nela.

Depois de tantas histórias maravilhosas, o livro traz uma galeria de imagens da Morte e uma espécie de anúncio sobre a AIDS onde a morte fala sobre a doença e outras DSTs. Tem até um aviso antes, bem anos 90.

Considerando que é uma coletânea, a média da qualidade das histórias é muito alta. Vale a pena ler suas mais de 300 páginas. Recomendo para os fãs de Sandman e quadrinhos em geral.

Nota 10.

Z: A Novel of Zelda Fitzgerald



SPOILER FREE

O Desafio Literário Corujesco de julho (resolvi me adiantar um pouquinho) tem como tema um livro ambientado nos anos 20. Claro que o primeiro que me veio a cabeça foi Gastby, mas eu já li o clássico. Então encontrei no meu Kindle esse romance histórico que conta a história de Zelda Fitzgerald, esposa do autor de Gatsby, F. Scott Fitzgerald.

Confesso que eu não sabia nada da história dela, e que ao longo da leitura resolvi dar uma pesquisada. Fiquei muito impressionada com a história de Zelda, a primeira flapper, artista por si só, mas que foi totalmente ofuscada e, porque não dizer, plagiada pelo marido. Ela foi a síntese do que era a loucura dos anos 20, não se pode negar, e ela pagou um preço bastante caro por isso, tendo sido diagnosticada com esquizofrenia (o que tem sido questionado hoje em dia) e internada diversas vezes em manicômios. Sim, aqueles aterrorizantes do início do século XX, com aqueles tratamentos bizarros.

Sua morte é uma coisa totalmente sem sentido. E vou deixar quem quiser pesquisar, é muita tragédia.

Mas Zelda teve uma vida incrível, no meio da nata artística do entre guerras. E como ela colaborou, querendo ou não, diretamente ou não, com toda a produção do seu marido mais famoso. Eu não tinha a menor ideia de que ele tinha usado literalmente pedaços do diário e das cartas da esposa nos seus livros. Fiquei chocada.

Mas Z: A Novel of Zelda Fitzgerald, apesar de ainda não ter sido traduzido para o português, faz um excelente trabalho em contar a história dessa mulher tão interessante. Sendo um romance histórico, eu confesso que esperava que as partes do livro que trazem cartas de Zelda fossem reais, mas, a autora explica ao final que não, apesar das suas leituras e pesquisas terem incluído esse material. Como eu nunca li nada da Zelda Fiztgerald, não tenho como avaliar o quão próximo do material original elas são.

Como a própria autora, Therese Anne Fowler, conta, as pessoas que estudam a história dos Fitzgeralds se dividem em 2 tipos, o time Zelda e o time Scott. Aviso logo que o resultado de Z está do lado de Zelda, claro. E aparentemente, essa obra, juntamente com outras biografias de Zelda mais modernas, tem feito muitos historiadores repensarem o seu posicionamento nesses times. 

Imagine como teria sido para Zelda, uma mulher bastante a frente do seu tempo, mas casada com um alcoólatra que faz uso da sua vida particular para escrever, ter que se submeter ao marido, que a cada momento quer que ela tenha uma postura completamente diferente? Um momento ele quer fazer uso dos seus dons artísticos, no momento seguinte não quer que ela tenha a ambição de ser artista. É realmente de acabar com a sanidade mental de alguém. Acrescente a isso a quantidade enlouquecida de bebida que os dois bebiam, incluindo aí muito absinto, e temos uma receita para um desastre.

Nesse quesito, o romance histórico de Therese é maravilhoso. Você realmente se sente envolvido naquela época e com aqueles personagens, que no fundo são muito, muito reais. Fiquei bastante impressionada.

Nota 9.

sábado, 29 de junho de 2019

And Still I Rise



SPOILER FREE

Maya Angelou é uma das artistas negras americanas mais completas que já ouvi falar. Ela foi bailarina, atriz, cantora, escritora e poetisa. Apesar de ser mais conhecida na literatura americana por suas autobiografias, suas poesias também são muito conhecidas e utilizadas como hinos pelo movimento negro dos EUA. 

Uma das suas poesias mais famosas é justamente a que dá o título desse livro de poesias de Maya Angelou, And Still I Rise. E Maya também declamava muito bem, como pode ser visto abaixo:



Esse livro em particular, lançado em 1978, tem poesias muito voltadas para a questão negra, o que deixa a leitura por vezes bastante pesada. Mas Maya Angelou é conhecida porque ela não só retratava a situação dos negros, mas porque ela tinha orgulho de quem era e da cor de sua pele. Então, muitas das suas poesias são grandes odes ao poder negro, exatamente como a poesia título. E é lindo.

Como outros livros que já li da autora, And Still I Rise é uma delícia de ler e recheado de pérolas. Recomendadíssimo. É uma pena que ainda não tenha sido traduzido para o português, como outras obras da autora, como Eu sei por que o pássaro canta na gaiola.

Nota 10.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Fall (VIP #3)



SPOILER FREE

E finalmente cheguei no último livro da série VIP da autora americana Kristen Callihan. Depois de ler sobre Killian e Scott, agora é a vez do torturado Jax.

Apesar dos livros até funcionarem de forma aceitável se lidos separadamente, eu recomendo fortemente não fazer isso. Muita coisa está interconectada e é explicada com mais detalhes nos volumes anteriores, e isso é particularmente verdade no caso de Jax.

Nos livros anteriores Jax aparece com alguma frequência, e tem bastante importância no pano de fundo dos enredos, pois ele é o membro da banda Kill John que tentou suicídio, o que é mencionado muitas vezes. Por conta dessa escolha de Jax como personagem principal de Fall, a autora fez até um disclaimer sobre como foi escrever uma personagem que sofre de depressão, que é uma doença que também a acomete.

Considerando essa questão bastante central nesse personagem, o terceiro volume da série é bastante pesado, o que não dá muito para evitar. A questão das DSTs talvez tenha sido um exagero, mas é a forma que a autora encontrou para fazer mais impacto e criar parte dos conflitos que desencadeiam o processo depressivo de Jax. E temos a heroína da vez, Stella, uma ruiva que tem o emprego mais bizarro que já vi nesse tipo de literatura, e olha que isso é páreo duro. E que eu não posso dizer por conta de spoilers, parte da graça da história está na saga de Jax tentar descobrir o que ela faz.

Seguindo o padrão já estabelecido desde o primeiro livro, Kristen, para variar, faz excelentes diálogos. As discussões e farpas são muito divertidas e engraçadas. Um dos pontos altos do livro, assim como as cenas mais calientes... porém, assim como em Managed, a autora escorrega bonito em diversas armadilhas machistas. Só que aqui ela escorrega ainda mais fundo e com mais frequência. Pela primeira vez senti vergonha alheia e raiva lendo um livro dessa série.

Isso tudo é muito triste. Sem querer desconsiderar a parte depressiva da história, que tem lá os seus méritos. Mas, sério, Idol foi tão divertido, por mais que tivesse tido umas quedas no livro seguinte, não havia indicativos que a autora fosse chegar nesse ponto. É uma pena, porque ela sabe escrever coisas boas! 

Pretendo ler mais algum livro dela de tira-teima, dependendo do resultado ela fica ou sai definitivamente da minha lista de fornecedores.

Nota 5.

domingo, 23 de junho de 2019

Managed (VIP #2)



SPOILER FREE

Depois de me divertir horrores com o primeiro livro da série VIP, resolvi partir direto para o segundo. Normalmente essas séries costumam ter os mesmos personagens secundários, e no caso de uma série  sobre uma banda, confesso que eu esperava que o segundo livro fosse tratar de outro membro músico, mas Kristen Callihan resolveu fazer diferente.

Tudo bem que já está auto explicado no título, Managed é sobre o agente da banda Kill John, o sisudo Scott, e como a jovem Sophie Darling (é sério esse nome) finalmente consegue tirá-lo do sério. Scott aparece com alguma frequência em Idol, e é mostrado como um dos homens mais lindos do mundo, mas tão sério e inglês que as personagens femininas do primeiro livro dizem na cara dele que apesar dele ser bonito ele não tem sexy appeal. Por mais que ele esteja numa das cenas mais divertidas do primeiro livro, confesso que não esperava que ele tivesse tanto potencial.

Em termos de diversão nos diálogos, o que já foi o forte em Idol, esse conseguiu ser ainda melhor! A primeira parte do livro é simplesmente impagável de tão engraçada. Novamente devo ter assustado meu vizinho, porque não dava para parar de rir.

Em compensação, a história é bem menos crível do que no primeiro livro. A desculpa para Scott e Sophie passarem tempo juntos não cola. Os conflitos que fazem o enredo andar são bem fracos, e o drama é exagerado e foca nas coisas erradas, dando um ar machista complicado que eu confesso que não esperava por causa do conteúdo do livro anterior.

Então, é um livro com seus altos e baixos. Acaba valendo pelas cenas calientes e pelos diálogos divertidos, mas tem problemas que não dá para relevar.

Nota 7.


Idol (VIP #1)



SPOILER FREE

Continuando as resenhas dos livros eróticos que li durante minha convalescência, cheguei a série VIP, da autora americana Kristen Callihan, ganhadora do prêmio RITA Awards de Paranormal Romance em 2015, pelo livro Evernight.

Pela capa já é óbvio que o livro traz uma história dentro do clichê do artista famoso. E sim, é isso mesmo. Idol conta a história de como Libby, uma ilustradora que mora no interior dos EUA encontra o cantor e guitarrista Killian, da banda mais famosa do mundo, bêbado no quintal da sua casa. Claro que ela não reconhece Killian, e o ajuda, e depois disso os dois passam semanas um com o outro.

Apesar de ser clichê é preciso dizer que Idol é fofo. A história é fofa, com um pouco de suspensão de descrença, você compra o enredo, e ele é muito bonitinho, e sem medo de tratar de alguns temas que, por mais que sejam clichês, muitas vezes não são tratados com a devida importância ou profundidade. E tem os diálogos. O que mais curti no texto de Kristen foram os diálogos. As personagens são simplesmente muito divertidas. 

Preciso confessar que em diversos momentos eu chorei de tanto rir. Existe uma possibilidade do meu vizinho achar que eu sou uma maníaca por causa disso.

Curti tanto o livro que resolvi comprar o resto da série de 3 volumes.

Nota 9.

Royally Bad (Bad Boy Royals #1)



SPOILER FREE

Então, como andei comentando em posts anteriores, eu fiquei doente esse mês, e isso me levou a ler uma quantidade um pouco exagerada de literatura erótica. Isso também quer dizer que eu certamente iria acabar tropeçando em algo como Royally Bad.

O livro parece mais um filme pornô ruim do que um livro de literatura erótica escrito por uma mulher jovem. Sim, a autora americana Nora Flite é jovem, mas parece ter parado nos anos 80. O livro traz um monte de clichês que não exatamente combinam um com o outro, misturado com cenas de sexo dignas de 50 tons de cinza (não, não é um elogio) e recheado de machismo. É mesmo royally bad.

O enredo conta como Sammy se apaixona a primeira vista pelo machista Kain Badd (é sério esse nome), uma mistura de mafioso com príncipe. Isso mesmo, a família é de sangue azul, mas eles são mafiosos, que se acham bonzinhos porque não permitem que suas strippers sejam obrigadas a se prostituir. Gente muito legal, que acha normal prender pessoas em quartos luxuosos, o que não passa de um calabouço chique.

E ainda por cima o livro é mal escrito. Não sei mais o que dizer, além de que não achei nada que se salvasse no meio dessa bagunça pornográfica no sentido ruim da palavra. Pretendo passar longe de qualquer outra coisa escrita pela autora.

Nota 1.


Mister Romance (Masters of Love #1)



SPOILER FREE

Esse foi meu primeiro livro da autora australiana Leisa Rayven. Ela é conhecida pelo público brasileiro pelos livros da coleção Starcrossed, todos traduzidos para o português. Aliás, Mister Romance e o volume seguinte da coleção Masters of Love também já estão traduzidos para o português.

Mister Romance traz a história de Eden Tate, uma jornalista empacada num trabalho que ela detesta, até que ela vê a chance de uma matéria sensacional que pode levá-la a uma promoção: o misterioso Mister Romance, uma espécie de escort para mulheres ricas, capaz de realizar fantasias românticas. Mas Eden não acredita em romance, e procura na história um furo de um gigolô que arranca dinheiro de mulheres ricas e casadas, uma receita perfeita para um escândalo e seu tíquete para um trabalho melhor.

O livro tem excelentes cenas românticas, é preciso tirar o chapéu para a autora. E quando eu digo românticas, não é no sentido cor de rosa e suspirante, não, é no sentido sexy de e agora quando vai começar a cena de sexo? Mas, como prometido pelo Mister Romance, o trabalho dele não é bem esse, e você passa boa parte do livro vendo as personagens se torturarem mutuamente mas não chegando aos finalmentes. Mas vale a pena, a autora sabe exatamente o que ela está fazendo.

Preciso dizer que foi um dos melhores livros do gênero que li esse ano. Gostei tanto, mas tanto, e foi tão positivo no quesito não ter machismo, que já comecei a comprar outros livros da autora. Tomara que sejam tão bons quanto esse.

Nota 10 dentro do estilo.

Rat Queens vol 4



SPOILER FREE

Depois de muito drama nos bastidores, como expliquei aqui, Rat Queens voltou a ser produzida. Para dar uma repaginada, o autor incluiu uma nova personagem fixa no grupo, a orc Braga, além das já conhecidas Hannah, uma elfa necromante, Violet, uma guerreira anã de um clã de ferreiros, Dee, uma sacerdotisa ateia originária de uma religião bizarra e Betty, uma espécie de hobbit ladina.



O volume 4 traz justamente essa mudança, e não retoma de onde o volume 3 parou. Há um salto no tempo que, pelo menos nesse volume, ainda não está explicado o que aconteceu exatamente. Mas o pai de Hanna agora vive com as Queens, fazendo um papel próximo a dono de casa.

Nessa coletânea de 5 edições, temos um arco de uma quest que envolve não só as Queens, mas também um grupo formado pelo irmão de Violet, o que também serve de pretexto para melhor explorar o passado da personagem. Como fã do trabalho anterior, e de uma certa continuidade em histórias, preciso dizer que para mim o volume 4 não faz jus a tudo que foi feito anteriormente. A adição de Braga foi muito boa, uma excelente ideia, porém, é como se a história começasse novamente do zero quando escolhem não terminar o arco anterior.



A sensação que dá é que o leitor pulou alguns volumes. E isso não é legal.

No mais, o arco apresentado aqui, apesar de ter os seus pontos interessantes, não chega perto da diversão e adrenalina dos anteriores, o que é um balde de água fria num momento muito delicado da série. Afinal, ela ficou algum tempo sem ser publicada e teve sua imagem bastante abalada com as questões internas da sua produção.

Apesar de eu pretender ler os volumes seguintes, confesso que minha animação diminuiu muito. Vamos ver se os próximos volumes serão capazes de reverter essa tendência.

Nota 6.

sábado, 22 de junho de 2019

Adventures in Online Dating



SPOILER FREE

Esse mês eu fiquei doente, e como sempre faço quando fico doente, preciso de leituras que me façam ficar feliz e tranquila (não é a toa que tive problemas com March). Então, passei alguns dias lendo um livro erótico por dia. Sim, estou atrasada nessas resenhas por motivo já explicado.

Foi assim que li Adventures in Online Dating da autora americana Julie Particka. O livro traz a história da pseudo atuária Alexa, divorciada, mãe de 3 filhos, e que desde a separação não conseguiu um novo namorado que preste. (pseudo porque eu sou atuária e posso atestar que a descrição não é lá das mais corretas)

Como acontece na mente de alguns autores, porque atuária tem a ver com números, Alexa desenvolve um algoritmo para melhorar a seleção de pretendentes num aplicativo de encontros online, e ela faz um esquema na Coffee shop local para ver um homem diferente a cada 20 minutos. Claro que nenhum dos que aparecem conseguem ser mais interessantes do que o dono da Coffee shop, Marshall, que não pode ser cogitado pelo fato de ser mais novo do que Alexa.

Apesar das cenas que realmente interessam no livro serem boas, meu problema com esse volume é o preconceito e as motivações. Porque veja bem, a motivação de Alexa ao buscar um namorado não é se satisfazer, não, é buscar um modelo masculino para os filhos. Que isso seja um pré requisito é uma coisa, que seja motivação é outra completamente diferente. E tem o problema do preconceito. Marshall é descartado por ser mais novo, mas não é que ele seja universitário, adolescente, ou algo problemático do gênero (considerando que a personagem tem mais de 40 anos), o cara é dono do próprio negócio e já está na segunda metade dos 30 anos. O maior problema dele é que ele é nerd.

Como assim você descarta um cara legal, independente financeiramente e gostoso porque ele curte videogame e faz citação de filmes?

Gente, eu sou casada com um cara desses, e eu faço citação de filme também.

Fiquei muito danada da vida. Achei um absurdo e um desserviço.

Nota 6.

Rat Queens vol 3



SPOILER FREE

Então... finalmente cheguei no 3º volume das coletâneas de Rat Queens, mas antes de falar sobre o conteúdo, preciso apontar algumas coisas.

Na época do lançamento desse volume, foi veiculado na mídia que o ilustrador e co-autor de Rat Queens, John Upchurch, havia sido preso por violência doméstica. Considerando que grande parte dos leitores de Rat Queens é mulher, isso foi um verdadeiro problema.

Tem a questão dele ter sido preso por violência doméstica, o que é um problema por si só, e que justificaria ele ser afastado eternamente do projeto. E o que realmente levou a suspensão de Rat Queens por um tempo. E tem o problema dele ter retornado ao projeto posteriormente, o que foi apontado por uma das ilustradoras mulheres da série, Tess Fowler, o que a levou a se retirar definitivamente do mesmo.

Eu acho um absurdo ter que tentar explicar tudo o que existe de errado nessas histórias de bastidores. Artistas machistas e que cometem violência contra a mulher não podem JAMAIS se envolver em projetos que buscam empoderar mulheres ou que tenham algum cunho feminista. Não é por falta de projetos na indústria de quadrinhos, não existe nenhuma desculpa para esse tipo de coisa.



Claro que quando li Rat Queens eu não tinha a menor ideia de nada disso. E por isso, gostei muito do terceiro volume, que traz a saga de Hannah, uma elfa necromante, Violet, uma guerreira anã de um clã de ferreiros, Dee, uma sacerdotisa ateia originária de uma religião bizarra e Betty, uma espécie de hobbit ladina. Nesse volume, a história é uma busca pelo o que aconteceu com o pai de Hannah, que desapareceu.

Toda a saga aproveita para apresentar o passado de Hannah, e explicar a sua verdadeira linhagem. Apesar da história ser maravilhosa, ela termina com um senhor gancho, o que é perdoável pelo fato ser quadrinhos. E porque no final temos a história de origem de Braga, uma orc trans. Isso mesmo, trans. Sua história é fantástica.




Eu ia dar a nota máxima nesse volume, mas não posso separar o artista da obra, não acho justo.

Por isso, nota 7.

Rat Queens Vol 2



SPOILER FREE

Depois de um primeiro volume onde são introduzidas as personagens de Rat Queens, Kurtis J. Wiebe traz um pouco mais de recheio para Hannah, uma elfa necromante, Violet, uma guerreira anã de um clã de ferreiros, Dee, uma sacerdotisa ateia originária de uma religião bizarra e Betty, uma espécie de hobbit ladina.


Nas 5 edições reunidas nesse segundo volume, temos a saga de alguns personagens de Palisade, apresentados no volume anterior, com direito a aparição do deus N'rygoth, aquele da ateia Dee. E com isso, finalmente conhecemos parte do passado da sacerdotisa. Além disso, esse volume começa a aprofundar mais o passado de Hannah, Betty e Violet, abrindo caminho para a próxima coletânea.



Comparado com o primeiro volume, o segundo é bem melhor. Com as personagens já estabelecidas, os seus passados se tornam mais interessantes, e a história apresentada com início, meio e fim nas 5 edições é muito redonda e bem contada. Kurtis me pareceu mais relaxado também, para dar vazão a ideias mais interessantes e originais para suas personagens, o que é um tremendo ganho para a saga.

Para mim, esse é o melhor volume de toda a série! Confesso que nem reparei nos problemas que identifiquei no vol 1.

Nota 10. 

Rat Queens vol 1



SPOILER FREE

Amo meus amigos que indicam coisas legais e diferentes para ler! Rat Queens foi uma dessas indicações! O primeiro volume da coletânea traz os primeiros 5 volumes da série de quadrinhos que começou a ser publicada em 2014, e logo no primeiro ano ganhou o Hugo e foi nomeado ao Will Eisner e ao Goodreads Awards.

Para os fans de RPG, fica bastante claro que o grupo de mercenárias Rat Queens é um grupo bastante tradicional para quests, faltando apenas um bardo (não que eles não apareçam), só que formado apenas de mulheres. E que mulheres! As personagens femininas de Rat Queens fogem completamente das personagens femininas tradicionais dos quadrinhos, inclusive na questão da beleza.



A leitura de Rat Queens é leve (em termos) e divertida, e é muito interessante ver tantas personagens femininas juntas e agindo de forma tão pouco tradicional num ambiente de enredo tipicamente masculino. É aí que moram as melhores e as piores partes de Rat Queens.

Dentro dos arquétipos tradicionais, Rat Queens traz Hannah, uma elfa necromante, Violet, uma guerreira anã de um clã de ferreiros, Dee, uma sacerdotisa ateia originária de uma religião bizarra e Betty, uma espécie de hobbit ladina. O grupo vive em Palisade, um povoado cercado de monstros e perigos, e onde o bar local mantém um mural para quests. As histórias giram em torno das quests que as personagens resolvem aceitar toda vez que o dinheiro que elas detonam em drogas e bebidas acaba.

Por um lado, a representatividade trazida pelo autor canadense Kurtis J. Wiebe é muito sensacional. Por outro lado, preciso dizer que diversas vezes as personagens simplesmente parecem versões femininas de personagens masculinos, o que pessoalmente eu atribuo ao fato do autor ser homem. Boas intenções, boas tentativas, mas tem seus problemas e falhas.



Apesar disso, a leitura vale a pena para quem gosta de quadrinhos com muita ação, sangue, morte, destruição e piadas com palavrão. Pessoalmente, eu me diverti muito.

Nota 8.

O Senhor March



SPOILER FREE

O Desafio Literário Popoca de junho, com o tema um livro com um mês no título foi bem mais difícil de completar do que eu imaginava. Em compensação, me deu a oportunidade de tirar da estante um livro vencedor do Pulitzer de Melhor Ficção!

A autora australiana Geraldine Brooks, famosa por outros livros, como As memórias do livro e Nove partes do desejo, traz em March um romance histórico que retrata o que teria sido a história não contada no clássico Mulherzinhas do pai da família March.

Mr. March é um abolicionista radical e vegano, que conta através de cartas e uma espécie de diário, a sua história desde um jovem vendedor ambulante viajando pelo sul escravagista dos Estados Unidos, até o seu envolvimento na guerra de secessão, com direito a como se casou com a futura Ms. March e o nascimento de todas as personagens do clássico romance de Louisa May Alcott.

Geraldine Brooks fez um senhor trabalho histórico para escrever esse livro, com direito a estudar a família Alcott, que serviu de base para Mulherzinhas, vários descritivos da época da guerra, indo até os detalhes das batalhas mostradas no livro, a forma como os médicos trabalhavam, diários de escravos que conseguiram sua liberdade e como funcionava a rede subterrânea para escravos fugitivos. É um trabalho hercúleo, que transparece no texto do início ao fim.

Por se tratar de uma época muito conturbada, O Senhor March é uma leitura bastante pesada e, dependendo do seu estado de espírito, muito depressiva. É desconcertante ler como era considerado um ponto de vista radical, e até mesmo doentio, considerar que negros e brancos são iguais. E pior ainda, saber que muitas das asneiras racistas ditas pelos personagens desse livro continuam sendo repetidas até hoje.

Confesso que eu não estava psicologicamente preparada para esse tipo de leitura. Tive muita dificuldade de ler até o final, não porque o livro seja ruim, muito pelo contrário, existe uma razão dele ter ganho o prêmio Pulitzer. A minha questão é que eu não tive estômago para o seu conteúdo.

Fica o aviso, o livro vale a leitura, mas necessita de resiliência.

Nota 7 pela minha experiência, acredito que se tivesse lido em outro momento teria sido melhor.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Honeybee



SPOILER FREE

Eu descobri a poetisa norte americana descendente de palestinos em 2017, quando li o fofíssimo A Maze Me. Desde então coletei algumas obras dela, conforme foram entrando em promoção, como sempre, e agora peguei mais uma para ler (é tanta coisa que as prioridades deixam de existir ou simplesmente não fazem sentido).

Noami Shihab Nye novamente me surpreendeu quando li You & Yours, a minha primeira coletânea de textos mais orientais dela. Honeybee fica meio que no meio entre as duas.

Não é um senhor soco no estômago como You & Yours, ele tem muito da doçura de A Maze Me, mas sem ser infantil. Confesso que não sei dizer se gostei mais dos poemas ou dos textos/contos/crônicas. Mas preciso dizer que foi interessante descobrir que a autora é ainda mais flexível do que eu imaginava.

Para variar, o livro é lotado de material fácil de virar citações, como:
As for the “busy bee” thing, the word “busy” fell out of my vocabulary more than ten years ago. I haven’t missed it at all. “Busy” is not a word that helps us. It just makes us feel worse as we are doing all we have to do.
Ou:
The common phrase “I can’t wait” has always troubled me. Does it mean you want your life to pass more swiftly? This or that future moment will surely be better than the current moment, right? The moment we are living in may be lovely, but if we “can’t wait” for some other time, do we miss it?
Espero poder continuar aumentando minha coleção de livros dela. Vale muito a pena.

Nota 10.

The First Fifteen Lives of Harry August - As primeiras quinze vidas de Harry August



SPOILER FREE

O Desafio Literário Popoca de junho está dando trabalho. Confesso que eu não tinha ideia que seria tão difícil encontrar livros com meses no título. Mas nada é impossível e encontrei no meu kindle esse volume da autora britânica Claire North.

As primeiras quinze vidas de Harry August (não ligo que o mês seja o nome do personagem, ainda é um mês e está no título) ganhou o prêmio John Campbell Memorial Award for Best Science Fiction Novel of the Year em 2014, e foi nomeado também para o BSFA Award for Best Novel e Arthur C. Clarke Award for Best Science Fiction Novel. A autora tinha menos de 30 anos. Nada mal, não é?

O livro traz a história de Harry August, um homem que nasceu nos anos 20 na Inglaterra, lutou na segunda guerra mundial, teve uma vida longa e quando morreu nasceu de novo nos anos 20 no mesmo corpo e... bem, o título é meio autoexplicativo a partir desse ponto. E sim, o livro traz pelo menos pedaços de todas as primeiras quinze vidas do personagem principal. Fora de ordem. E a história faz sentido. E tem um apocalipse no meio.

É preciso tirar o chapéu para Claire North, ou Catherine Webb, ou Kate Griffin, a autora faz uso de alguns pseudônimos... o que ela conseguiu fazer nessa história é simplesmente incrível. O livro é uma mistura de ficção científica, mistério, espionagem e estudo sobre a natureza humana. E ela consegue trazer isso tudo numa história que tinha tudo para ser confusa ou repetitiva e no final a leitura é absolutamente fantástica. Fiquei pasma com a destreza da autora em alternar as quinze vidas do personagem principal sem se confundir, nem confundir o leitor, e ainda por cima fazer disso algo cheio de adrenalina a partir da metade do livro.

Não é para qualquer um. Fiquei muito impressionada. E ainda por cima o texto é bom, com várias passagens fáceis de virar citações. Vida longa a essa jovem autora, que ela ainda possa produzir muita literatura de alto nível, como As primeiras quinze vidas de Harry August. Fica a dica para leitura para o Desafio de junho!

Nota 10.



terça-feira, 11 de junho de 2019

Red Moon - Lua Vermelha



SPOILER FREE

Quem segue o meu blog com afinco já percebeu que eu tenho uma tendência de ler coisas sobre o feminino e sobre religiões menos comuns, por assim dizer. Lua Vermelha estava na minha lista de leituras há tempos. Como o livro Mulheres que dançam com os lobos (que ainda não li, está na lista também), ele está meio que na moda no meio dos círculos de mulheres.

O livro trata de um assunto bastante tabu mesmo entre mulheres: a menstruação. A questão abordada é a natureza cíclica dos hormônios femininos, que, como os primeiros calendários do mundo, em qualquer parte do mundo, não me deixam mentir, é diretamente conectada com a lua. 

Antes de mais nada, preciso de uma salva de palmas para Miranda Gray, que poderia ter escrito um livro muito bonito e bastante vazio sobre as fases da lua e as fases do ciclo menstrual. Mas ela foi muito, mas muito além disso. O livro tem lá as suas partes mais, digamos, esotéricas, mas ele foi muito bem pesquisado e bem fundamentado, em especial nas questões ligadas à mitologia e aos contos de fadas. Sim, as personagens femininas dos contos de fadas.

Foi aí que a autora me ganhou. Depois de todo o trabalho de coleta, estudo e ressignificação que ela fez com esse material, não dá para ignorar as conclusões e as sugestões que ela faz. Um trabalho realmente muito bom, profundo e de grande beleza e importância no mundo machista e misógino que vivemos. Kudos. 

Agora só preciso ler tudo o mais que essa mulher publicou, algo me diz que vai valer muito a pena.

Nota 10.


Map: Collected and Last Poems



SPOILER FREE

Quem conhece o meu gosto por poesia sabe que tenho uma paixão desmedida pela polonesa Wislawa Szymborska. E depois de ter lido tudo o que havia disponível em português dela, resolvi apelar para os livros em inglês.

Confesso que rolou um medinho: vai que a tradução não fosse boa? Vai que a questão linguística é tão forte que eu não a reconhecesse em outra língua?

“How should we live?” someone asked me in a letter. I had meant to ask him the same question.   Again, and as ever, as may be seen above, the most pressing questions are naïve ones.

Mas daí, eu tive um acesso de precisar dela e não estava em casa, mas, eu tenho kindle no celular, baixei e comecei a ler. Gente, é muito fácil reconhecer Wislawa Szymborska. Não é a toa que a poetisa recebeu um Nobel de Literatura. 

A capacidade da polonesa de criar poesia sobre as coisas mais comuns e mundanas é uma das coisas que mais gosto no trabalho dela. Isso e suas poesias mais melancólicas e ligadas à guerra. Acho muito incrível e não é à toa que seu trabalho pode ser bastante atemporal. Pode ser porque muitas vezes ela faz poesia com coisas do dia a dia que, sim, ou já são ou poderão se tornar obsoletas, e daí eu não poderei mais dizer que o seu trabalho é atemporal. Mas e daí? Ele continua lindo.

Dreams aren’t crazy— it’s the real world that’s insane, if only in the stubbornness with which it sticks to the current of events.

Poesia é uma coisa meio complicada, muita gente não gosta de ler. Eu, como grande fã do gênero, acho uma tristeza. Mas acho que isso é culpa da escola, que não ensina os alunos a lerem poesia como se deve, e ao invés de tentar fazer os jovens apreciarem, querem incutir um monte de informação de formato, rima, métrica e estilo que é muito século XIX.

Nesse sentido, Wislawa é um grande achado, ela tira a poesia daquele patamar do inalcançável. Seus poemas são limpos, diretos, simples (os mais difíceis de fazer, pelo o que dizem) e tratam de coisas palpáveis, sem melodrama. Acho maravilhoso para quem quer tentar explorar o gênero, mas vem de um passado de repulsa ou indiferença.

This terrifying world is not devoid of charms, of the mornings that make waking up worthwhile.

Por um mundo mais empático, e, por consequência, poético. Que todos possam apreciar Wislawa.

Nota 10.

Retrato en Sepia



SPOILER FREE

Confesso que esse ano fazer dois desafios literários ao mesmo tempo está me deixando meio doidinha, mas, como vale a pena! Para o mês de junho, o tema do Desafio Corujesco é literatura latino-americana, e eu aproveitei para ler mais da maravilhosa chilena Isabel Allende.

Apesar de ter um contato acima da média brasileira com o espanhol, e por causa do fato de nunca ter estudado o idioma, eu nunca tinha tido coragem de ler um livro em espanhol. Mas eu tenho feito um esforço há alguns meses para tentar superar isso e andei comprando diversos livros em espanhol na Amazon, o que é fácil, porque minha conta é americana. Sério, como tem livro em espanhol na Amazon americana.

E foi assim que acabei com uma coleção razoável de livros em espanhol, em especial da Isabel Allende. E acabei por pegar o primeiro livro dela que encontrei já baixado no meu kindle e comecei a ler. E sim, Isabel Allende é sempre uma boa escolha.

Retrato em Sépia traz a história da infância escondida de Aurora, uma jovem de sangue mestiço, meio chilena, meio descendente de ingleses e chineses (a história se passa em parte na Califórnia, o que explica os ingleses e chineses misturados). Toda a questão gira em torno de um trauma de infância e o fato que ela foi criada por uma avó que sempre escondeu dela seu passado. Para os fãs de carteirinha da autora, o livro traz alguns personagens secundários que aparecem em outras obras dela, como Casa dos Espíritos e Filha da Fortuna.

Mas não é necessário ter lido nada disso para apreciar Retrato em Sépia, que é uma obra em si só e de altíssimo calibre. Isabel Allende sabe escrever bem, não há a menor dúvida, é só pegar obras dela como essa para sanar isso. Fica a dica.

Nota 10.

terça-feira, 28 de maio de 2019

Good Omens - Belas Maldições



SPOILER FREE

Com o lançamento da série previsto para 2019, eu não podia deixar passar a oportunidade de reler a obra escrita a quatro mãos pelos mestres ingleses Terry Pratchett e Neil Gaiman.

Belas Maldições foi lançado numa época (início dos anos 90) em que os dois autores ainda não tinham alcançado o auge do seu sucesso. Terry Pratchett tinha lançado os primeiros volumes da sua série Disc World, e Neil Gaiman ainda estava construindo sua carreira de escritor. Mas, como eles mesmos contam nas suas respectivas introduções do livro (que são textos maravilhosos à parte, não compre uma edição sem eles), eles se tornaram amigos quando Neil Gaiman ainda trabalhava como jornalista e foi entrevistar o autor do recém lançado A Cor da Magia (primeiro livro de Terry Pratchett).

Depois de alguns anos de amizade, os dois começaram a trocar quase que cartas sobre um conto sem final que Neil Gaiman havia começado a escrever e enviou para Pratchett. A partir daí, ainda num mundo sem emails (imagine isso), os dois começaram a trabalhar em conjunto no manuscrito do que viria a se tornar o best seller Good Omens, ou Belas Maldições em português. Sim, o livro sofre com a tradição de traduções bizarras do Brasil. Mas as edições americanas, antes do lançamento da série de TV, conta com uma linda edição dupla (imagem aí em cima), que você pode escolher a capa de sua preferência.

Confesso que lembrava pouco da minha primeira leitura do livro, o que não é de estranhar, pois li um volume emprestado de uma amiga (que me fez jurar de pé junto que eu iria devolver, o que eu fiz, claro) na tradução para o português, há mais de dez anos. Desde então, eu já pensava em conseguir uma cópia no original para ler, o que demorou mais do que eu imaginava porque o livro nunca, nunca, mas nunca mesmo, entra em promoção na Amazon. Desisti e paguei o preço cheio, que, serei sincera, nem era tão caro assim.

E valeu cada centavo e cada minuto gasto na releitura. Para quem gosta de humor inglês, Queen (a banda), Terry Pratchett, Neil Gaiman e Lucifer (a série de TV), o livro é um prato cheio. Não só os autores estão afiadíssimos juntos, ao ponto de não ser possível identificar exatamente quem contribuiu com o quê, como eles montaram um dos enredos mais divertidos da literatura sarcástica inglesa.

Em tempo, Belas Maldições traz a história do Apocalipse, com o momento em que um demônio que vive na Terra, Crowley (e tem um pacto com um anjo, Aziraphale), recebe a missão de ajudar a colocar na família correta o Anti Cristo. A explicação para o nome completo do livro, The Nice and Accurate Prophecies of Agnes Nutter, Witch (As Justas e Precisas Profecias de Agnes Nutter, Bruxa), está no fato que todos os acontecimentos que se passam no livro foram previstos pela tal da Agnes, mas ela era uma bruxa do século XVII ou XVIII e não conseguia entender ou descrever boa parte do que ela previa, além de não ter ideia da ordem das coisas. Os Cavaleiros do Apocalipse são um show à parte, com atualizações simplesmente maravilhosas para o mundo contemporâneo.

Tomara que eles atualizem só mais um pouquinho e mantenham a "trilha sonora original".

Preciso dizer que fiquei ainda mais ansiosa para o lançamento da série?

Além de ser produzida e escrita pelo próprio Neil Gaiman, a série conta com um excelente elenco: David Tennant, Michael Sheen, Jon Hamm, Anna Maxwell Martin, Josie Lawrence, Adria Arjona, Michael McKean, Jack Whitehall, Miranda Richardson e Nick Offerman. A previsão é que seja lançada agora no dia 31 de maio, no Amazon Prime, e tenha seis episódios (espero que seja só isso, nada de virar American Gods, por favor, Deusa da Mídia), que depois deverão passar semanalmente na BBC.

Prontos para a contagem regressiva para o Apocalipse?

Nota 10!     

domingo, 26 de maio de 2019

Free Country: A Tale of The Children's Crusade



SPOILER FREE

Quem acompanha minhas resenhas sabe que eu tenho um certo amor pelo autor inglês Neil Gaiman. Como ele na verdade trabalha há mais tempo do que eu acompanho o seu trabalho, além de que ele publicou muita coisa em quadrinhos em parcerias com outros autores, de vez em quando, acabo descobrindo um trabalho novo que na verdade é velho dele. Free Country: A Tale of The Children's Crusade foi lançada pela Vertigo em 2015, mas ainda não possui tradução para o português.

Free Country é uma Graphic Novel com uma coleção de histórias que apresentam a saga da Cruzada das Crianças, onde ao longo do tempo diversas crianças descobrem uma espécie de mundo paralelo chamado Free Country. Com o tempo, algumas delas se organizam em um conselho e decidem salvar todas as crianças do mundo. Só que para isso, o mundo onde elas vivem precisa de mais energia, ou poder, e para isso eles precisam sequestrar algumas crianças especiais. Enquanto isso, uma cidade inteira sofre com o desaparecimento coletivo de todas as suas crianças, e uma irmã que estava viajando no momento resolve contratar dois detetives para descobrir o paradeiro do irmão mais novo.

Não é uma história simples, é cheia de personagens espalhados por tudo quanto é canto e com motivações extremamente distintas. Os capítulos vão alternando o grupo de personagens e o momento da narrativa, de forma que as coisas fiquem menos confusas. Mas existe um limite do que é possível fazer quando o total de capítulos soma apenas 200 páginas.

O enredo promete mais do que entrega nesse espaço, e a história sofre com momentos muito perdidos e sem sentido no meio de um excesso de informação. As personagens ficam muito simples e cartunescas, mesmo para histórias em quadrinhos. E no fundo, não é uma história para crianças. A impressão que me deu foi daqueles trabalhos de escola onde cada um fazia um pedaço e no final virava um Frankenstein. O que faz sentido, considerando que foram CINCO autores envolvidos. E sim, eles dividiram os capítulos entre si.

Uma boa ideia que não teve a atenção que merecia.

Nota 5.

sábado, 18 de maio de 2019

The Princess Bride - A Princesa Prometida



SPOILER FREE

Esta vai ser uma das resenhas mais difíceis da minha vida. É tanta informação que não é fácil organizar nem decidir por onde começar.

Escolhi ler esse livro para o Desafio Literário Popoca para o tema de maio, porque afinal toda a história do clássico filme, quer dizer, livro, gira em torno do casamento de Buttercup. Sim, eu mencionei que The Princess Bride também é um filme?

O filme dos anos 80 é simplesmente um clássico. Tem tanta coisa maravilhosamente tosca e tão icônica da época, que é difícil escolher qual é a melhor parte!

Será Inigo Montoya e sua busca pelo cavalheiro de seis dedos?


Será o uso indiscriminado da palavra inconcebível?



Ou o fato de que Buttercup é a atriz de House of Cards e uma das guerreiras mais fodas de Mulher Maravilha?


Confesso que até levei um susto quando descobri que o filme originalmente era um livro, lançado em 1973. O autor, William Goldman, é mais famoso por seus roteiros de cinema do que por seus livros, mas The Princess Bride foi um grande sucesso literário. E um dos motivos disso é justamente porque grande parte da história envolvendo o livro é uma grande mentira.

Sim, o livro foi propagandeado como uma versão resumida de um clássico da História (com H) de Florin (não perca tempo procurando no Google, o país obviamente não existe) escrito por um estudioso chamado S. Morgenstern (por favor, faça a pesquisa no Google, você vai se divertir). Toda a questão de Goldman com essa História, é que quando ele era criança o pai dele leu o livro para ele quando o pequeno William estava com pneumonia. A partir dessa grande mentira, o autor criou uma grande mística, envolvendo 3 gerações da sua família, sem que nenhum dos envolvidos seja uma pessoa real. Isso de alguma forma está no filme.



A fantasia, e o hype posterior por causa do filme, foi tão grande, que quando o livro completou 20 anos Goldman escreveu não só uma senhora introdução, aumentando ainda mais as mentiras envolvendo o livro, participações suas em diversos filmes e anedotas de pessoas famosas, como ele ainda escreveu o primeiro capítulo de uma continuação que nunca veio a existir, Buttercup's Baby, um volume que deveria ter sido resumido por ninguém menos que Stephen King.

Depois, quando o livro fez aniversário de 25 anos, o autor fez mais uma introdução.

O resultado disso é que se você conseguir uma versão mais moderna, é possível que ela tenha 3 introduções (que chegam a 1/5 do livro), uma carta resposta padrão da editora para quem pedisse um capítulo extra (que também não existe, claro) e o tal primeiro capítulo de Buttercup's Baby, com direito a uma introdução própria.

Sim, eu li uma versão assim.

Apesar de ser cansativo ler tantas introduções, vale a pena o esforço. William Goldman não só é um bom mentiroso, como sua escrita é realmente divertida. O livro é IGUAL ao filme. Pelo menos no que eu lembro do filme, claro. Certamente deve ter algumas diferenças, mas confesso que não acho isso importante. Pelo menos o que tiver de diferença não é gritante o suficiente para ter chamado atenção.

O único defeito de The Princess Bride, além do título bizarro em português, A Princesa Prometida, é que ele é um livro dos anos 70 que é um filme dos anos 80. E isso quer dizer que ele tem todos os clichês dessa época, incluindo os infames relacionados à única personagem feminina, Buttercup.

Mas se você conseguir relativizar essas coisas durante a leitura, é realmente divertido.

Nota 9.

An Unproductive Woman



SPOILER FREE

Acabei pegando esse livro para ler para o Desafio Literário Popoca do mês de maio, porque, bem, se encaixa no tema de casamentos importantes para a história.

O livro se encaixa porque traz a história de Asabe, uma mulher senegalesa, primeira esposa de um homem mais velho, que não consegue engravidar. Por isso, o seu marido resolve casar com uma segunda mulher. Mulher é exagero, é uma criança. E a partir daí a história é uma grande propaganda sobre como as mulheres muçulmanas devem manter a fé e serem boas esposas e boas mães.

É um dos livros mais deprimentes que já li. Vi diversas resenhas no Goodreads onde as pessoas apontam questões fantasiosas na história, e sim, até que elas existem, mas o meu problema não é esse, é que essas coisas são realmente vendidas no mundo islâmico como recompensas para quem se comportar. E o pior é que, sim, tem muitas histórias como a de Asabe no mundo.

Foi como ler uma versão água com açúcar de Girls of Riad, onde todas as tragédias são mostradas como provações para um prêmio no final. Não há nenhuma crítica aos problemas óbvios que são mostrados. A única crítica é a falta de fé. Uma versão islâmica de um romance daqueles que vendem histórias de crescimento espiritual através da dor e do sacrifício, com direito a justificar uma quantidade gigantesca de machismo.

Não consigo entender como a autora, uma americana, por mais que muçulmana, que foi indicada para prêmios de edição de ficção científica, tenha escrito isso. Se era para ser irônico, definitivamente não ficou claro.

Recomendo apenas para ilustrar o tipo de lavagem cerebral que religiões podem fazer com uma pessoa.

Nota 3.