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sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Robert Fisk on Afghanistan: Osama bin Laden: 9/11 to Death in Pakistan



SPOILER FREE

Há dois anos atrás eu li o meu primeiro livro do jornalista inglês, Robert Fisk, sobre a guerra civil na Argélia. E gostei tanto do trabalho dele que resolvi comprar outros livros. Como o tema do desafio literário de agosto (sim, estou atrasada na resenha para variar um pouquinho) era uma história em tempo de guerra, achei o livro com a coletânea do jornalista de guerra sobre o Afeganistão (que, por sinal, continua em guerra) uma escolha bastante apropriada.

Robert Fisk é um bom jornalista, e especializado no Oriente Médio (ele fala árabe fluente, o que é uma raridade no ocidente e ainda mais entre jornalistas), mas é preciso ressaltar que esse livro é uma coletânea, não uma narrativa arrumada bonitinho para ser um livro. Isso quer dizer que, separadamente, todos os textos de Fisk são bons e interessantes, porém, no conjunto eles são um tanto repetitivos e, convenhamos, ele não morou esse tempo todo no Afeganistão, logo, tem pedaços da história que ficaram sem muito registro.

Outro ponto importante, é que Robert Fisk é um jornalista, não um acadêmico ou historiador, então seus relatos são isso, relatos, as análises em si por vezes deixam a desejar e, por vezes, são tendenciosas.

Independentemente dos defeitos inerentes ao formato do livro e da natureza do autor, temos que tirar o chapéu para Fisk. Uma das coisas que mais me surpreendeu no livro é justamente o seu início, quando ele relata e critica o que estava acontecendo na cena política norte americana logo após o atentado do 11 de setembro. Os primeiros textos do autor são proféticos, é bizarro. Ele faz uma previsão absurdamente certeira do que vai acontecer no Afeganistão e com a coligação EUA/Inglaterra. E ao longo do livro ainda profetiza o que vai acontecer no Iraque, que é invadido pouco depois, e entre os possíveis futuros para a Síria ele acerta mais uma vez. Além de profetizar a recém aprovada lei estilo apartheid de Israel.

O cara é bom.

O resultado é que não me arrependo de ter comprado mais livros dele e pretendo continuar lendo o seu trabalho.

Infelizmente a maior parte dos seus livros, este inclusive, não foi publicado em português.

Nota 8.

domingo, 27 de agosto de 2017

The Prize: The Epic Quest for Oil, Money, and Power - O Petróleo





Winston Churchill changed his mind almost overnight. Until the summer of 1911, the young Churchill, Home Secretary, was one of the leaders of the "economists", the members of the British Cabinet critical of the increased military spending that was being promoted by some to keep ahead in the Anglo-German naval race. That competition had become the most rancorous element in the growing antagonism between the two nations. But Churchill argued emphatically that war with Germany was not inevitable, that Germany's intentions were not necessarily aggressive. The money would be better spent, he insisted, on domestic social programs than on extra battleships.

Then on July 1, 1911, Kaiser Wilhelm sent a German naval vessel, the Panther, steaming into the harbor at Agatir, on the Atlantic coast of Morocco. His aim was to check French influence in Africa and carve out a position for Germany. While the Panter
was only a gunboat and Agatir was a port city of only secondary importance, the arrival of the ship ignited a severe international crisis. The buildup of the German Army was already causing unease among its European neighbors; now Germany, in its drive for its "place in the sun", seemed to be directly challenging France and Britain's global positions. For several weeks, war fear gripped Europe. By the end of July, however, the tension had eased - as Churchill declared, "the bully is climbing down." But the crisis had transformed Churchill's outlook. Contrary to his earlier assessment of German intentions, he was now convinced that Germany sought hegemony and would exert its military muscle to gain it. War, he now concluded, was virtually inevitable, only a matter of time.

SPOILER FREE

"The Prize" é um livro que ocupava espaço na minha estante há quase 10 anos. O problema dele é ser muito grande e pesado, sendo impossível lê-lo sem o auxílio de uma mesa ou outro apoio, o que não ajudava. A questão dele ter mais de mil páginas com letra miúda também não estimulava. Então, eu cheguei a conclusão que estava na hora de um basta. Comprei a versão original em inglês para Kindle (a que eu tinha era uma reedição do livro traduzido para o português, com o título "O Petróleo") e comecei a ler. Acho que li até rápido, levei dois meses e meio.

Esse livro é considerado por muitos a obra prima do autor, Daniel Yergin, um economista americano que estudou por quase toda a sua carreira questões relacionadas a geopolítica e petróleo, e com esse trabalho ele ganhou o Pulitzer de não ficção de 1992. Esse livro também é considerado aqui no Brasil uma espécie de bíblia da geopolítica do petróleo, pois é uma das poucas (senão a única) obra que abarca a história do petróleo desde meados do século XIX até quase o fim do século XX. Não é a toa que o bicho tem mais de 1000 páginas, e quase um quarto delas é de referências.

Questões de posicionamento ideológico do autor à parte, o livro é realmente muito completo. Pense em qualquer coisa que possa se relacionar ao petróleo nesse período e ela estará minimamente descrita e explicada ao longo do texto. E com referências. Agora acrescente o fato de que Daniel Yergin sabe escrever, quer dizer, o seu texto é leve para um assunto tão denso e pesado, e dá gosto de ler, arrancando algumas gargalhadas no caminho. E para deixar ainda mais interessante, ele ainda consegue apresentar a história mundial desse período do ponto de vista do petróleo, não só como justificativa para resultados de conflitos como também como razão para eles ocorrerem. E não, ele não esquece de ninguém envolvido.
Apesar de ser um trabalho de pesquisa fenomenal e ainda por cima bem escrito, Daniel Yergin cai na armadilha das figuras pejorativas (que certamente ajudam na leveza do texto), que são o seu grande pecado com relação a imparcialidade. E, claro, isso ocorre de forma mais clara e é mais recorrente quando a vítima não é ocidental, mais especificamente americano ou europeu. E nem mesmo esses escapam por todas as vezes.
É um livro que realmente é leitura obrigatória para quem trabalha na indústria do petróleo, para os fãs de história também (em especial das guerras mundiais), mas como todo livro que se propõe a explicar/contar/analisar história, é preciso que seja lido com a devida cautela.
Super recomendo.
Nota 9.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Robert Fisk on Algeria

Nas minhas procuras de livros para melhor entender o Oriente Médio, acabei por esbarrar numa coletânea muito interessante de livros do Robert Fisk. O jornalista britânico foi correspondente de guerra em diversos países árabes, e isso torna o seu texto bastante interessante e bem contextualiazado. Esse livro em particular é sobre a antiga colônia francesa da Argélia, como o título indica de forma bastante óbvia.

A Argélia é um país norte africano riquíssimo em petróleo, e que umas 3 décadas depois da sua independência de fato da França, acabou por mergulhar numa guerra civil extremamente sangrenta. E é sobre essa guerra que a coletânea de artigos de Robert Fisk tratam.

Por ser uma coletânea de artigos, tem aquele problema previsível de ser meio repetitivo, pois todo início de artigo precisa contextualizar um leitor que pode nunca ter ouvido falar do assunto, e dá-lhe relembrar como tudo começou de novo, e de novo, e de novo, e de novo...

Mas fora isso, os artigos são muito interessantes, e não muito indicados para quem tem estômago fraco. Afinal, ainda estamos falando de uma guerra civil com um total de mortos que nunca foi fechado e onde todos os participantes foram responsáveis por grandes doses de violência. E que, de certa forma, também nunca realmente acabou, pois hoje temos a presença de células do Estado Islâmico dentro do país. E isso faz sentido ao se ler a história contada pelos artigos.

Apesar de não ser um estudo acadêmico sobre o que aconteceu no país, recomendo muito para quem quer saber um pouco sobre a história recente da Argélia e algumas correlações com outros países do Oriente Médio. O livro inclui até uma entrevista bastante curiosa com o Osama Bin Laden.

Nota 9.