Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador ficção científica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ficção científica. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Duna (Duna #1)



SPOILER FREE

Para o Desafio Literário Popoca de maio, com o tema revoluções e lutas contra sistemas opressores, resolvi encarar um tijolão clássico: Duna. Aclamado pelos amantes de ficção científica, o livro, ou melhor, a saga, já virou filme e série de TV. Além de ter sido uma das inspirações mais óbvias que já vi para Star Wars.

Frank Herbert se tornou um grande marco na literatura de ficção científica com o livro, que fez tanto sucesso que acabou virando uma saga de seis volumes generosos. Isso porque em pleno anos 60 ele criou um mundo futurista, com direito a viagens pelo espaço sideral com ajuda de drogas alucinógenas, toda uma nova ecologia manipulada por seres humanos baseadas num deserto e vários tipos diferentes de tecnologias envolvidos. Aliado a isso, Herbert fez uso de diversas culturas espalhadas pelo mundo, colocou tudo num caldeirão, misturou bem, incluiu diversas palavras de origem oriental e disso tirou várias culturas futuristas com forte base religiosa.

O tamanho do trabalho do autor faz a comparação com Tolkien bastante óbvia, especialmente porque os dois fazem uso de diversos mitos criados para seus próprios mundos para fazer o enredo andar e justificar um monte de coisas. Mas diferentemente de Tolkien, que criou do zero diversos idiomas e, apesar do cunho cristão, conseguiu criar uma mitologia bastante original, Herbert foi bem menos criativo, fazendo uma montanha de apropriações culturais que são bastante complicadas.

Muito da biologia e ecologia que Herbert usou, e que eram novidade na época da publicação do livro, são hoje consideradas bastante ultrapassadas e cheias de problemas e efeitos adversos considerados imprevisíveis. Mas eu não sou formada nisso, confesso que é pura orelhada por ter lido diversos casos que deram muito errado. E apesar do mundo principal onde se passa a história, o planeta deserto de Arrakis, ser muito interessante e diferente, o autor, como Tolkien, passa muito tempo descrevendo um monte de coisas, o que torna a leitura por vezes bastante lenta e pesada.

O enredo principal é supostamente uma jornada de herói. Temos Paul Atreides, que é um herói do tipo O Escolhido previsto numa profecia (Star Wars, duas vezes), que passa a ser reconhecido como tal em Tatooine, quer dizer, Arrakis. Eu disse supostamente? Então, a jornada do herói ou monomito tem de forma resumida as seguintes fases: o mundo comum (a vida do herói antes da jornada); o chamado para a aventura; uma ajuda sobrenatural no início da aventura que leva o herói a ultrapassar um primeiro portal de mudança; o herói encontra um mentor ou um "ajudante" que o guia numa fase de transformações e tentações; o desafio da morte ou abismo (pode ser literal ou não, mas traz revelações e transformam o herói); e o retorno do submundo transformado para a sua apoteose e grande conquista, muitas vezes é uma redenção. Basicamente: Luke Skywalker, Anakin Skywalker, Frodo, Bilbo... todos passam por essas fases nas suas jornadas.

Apesar de dizer lá em cima que não tem spoiler, o enredo é muito conhecido, e muito do que vou dizer está na sinopse do livro ou no primeiro capítulo. Paul é desde o início do livro marcado como o escolhido. Ele é perfeito demais, tem mais técnica, sabedoria e poderes do que deveria. O mundo comum já está previsto para acabar desde sempre, e Paul nunca fez parte dele por sua diferença com relação aos reles mortais. Você pode dizer que o chamado à aventura é a morte do pai dele? É, até dá, mas todos já sabem que isso vai acontecer e de uma forma ou de outra estão preparados para isso, inclusive Paul. Antes da morte do pai, ele já era chamado de profeta pelo povo de Arrakis. Depois da morte, ele tem ajudantes, que não são responsáveis por nenhuma das transformações ou tentações que Paul passa, ele, sendo profeta, o escolhido e superior, faz tudo basicamente sozinho, e também estava previsto na profecia isso. Não há desafio. Paul, podendo ver o futuro, passa por momentos em que o futuro tem possibilidades demais e ele não consegue enxergar bem, mas é só isso. Ah, ele toma narcóticos que o transformam de uma vez por todas e no processo fica em coma, mas para ele dura apenas uns minutos e ele não sofre. Apoteose? Não, temos a profecia se concretizando, algo que em momento algum do livro é posto em dúvida.

Então, o livro é uma jornada do herói incompleta, com pouca tensão e sem reviravoltas ao longo da narrativa. Paul segue quase que a anti-saga, porque ele sabe que é o escolhido e que seu futuro é a Jihad (sério, o autor rouba essa palavra, num orientalismo terrível e um grande desserviço aos muçulmanos). A princípio ele quer tentar evitar a Jihad, porque ele sabe que vai ser catastrófico. Boa parte de tudo o que ele faz no início é para evitar essa guerra, o que é muito heroico. Ele busca alternativas menos violentas. Daí ele cansa, e resolve que vai mesmo fazer a Jihad e pronto. Sem preocupações com quem vai morrer no caminho. Diferentemente da profecia clássica, onde o herói acaba por fazer com que ela aconteça ao tentar evitá-la, Paul sabe da profecia e a partir de um certo ponto decide que tudo bem ela acontecer, tava previsto mesmo, quem vai dizer que ele estava errado? E ele assume esse papel revolucionário por um lado, porque ele realmente luta contra o sistema opressor de Arrakis, mas em troca dele mesmo se tornar o novo grande opressor, o novo imperador profeta do universo. 

Frank Herbert usa vários elementos de narrativas clássicas e faz algumas alterações, o que poderiam torna-lo bastante original, mas cujo resultado não funciona bem dentro do próprio livro. O enredo se autodescreve como sendo a história de um herói (o que não é), e como um povo pode ser destruído ou causar grandes horrores ao seguir um herói. Paul Atreides não é um herói, e, por isso, muitos interpretam Duna como sendo uma narrativa para alertar sobre os problemas de uma civilização se apoiar num líder carismático. O que definitivamente é uma mensagem muito válida, especialmente hoje em dia. O problema é que Paul não é apenas um herói, ele é um profeta, e sua história é contada com uma dose cavalar de misturas de religiões reais que possuem profetas ou heróis e escolhidos, especialmente Cristianismo, Budismo e Islamismo. Ao invés de uma mensagem de cautela, ela pode também ser entendida como um ataque a diversos personagens religiosos importantes: Jesus, Buda, Maomé e outros. Em especial, de todas essas grandes figuras religiosas a que mais se aproxima de Paul e sua história em Duna é Maomé, somando-se o fato inegável que o povo de Arrakis é baseado em árabes e beduínos, o livro pode ser interpretado como um ataque ao Islã. Nos anos 60 ninguém ligava para isso, hoje em dia...

Tudo bem que eu sou chata para essa questão em específico, pois estudo o idioma árabe, história árabe e Islamismo há muitos anos. Mas toda vez que aparecia uma palavra sendo usada e as referências religiosas eu ficava me contorcendo e com vontade de jogar o kindle na parede. Infelizmente, tenho certeza que a maioria das pessoas não percebe nem uma fração do que me incomodou.

E tem a questão do machismo. A sociedade do livro é bastante patriarcal. Apenas homens possuem títulos, mulheres são responsáveis por gerar filhos. Não há mulheres em nenhum tipo de luta formal. Quando elas aparecem lutando ou é a exceção que confirma a regra, ou é uma forma de mostrar o quão bom de luta é determinado povo, onde mulheres, crianças e velhos são todos colocados juntos. Existe uma única casta com algum poder dominada por mulheres, as Bene Gesserit, que são chamadas de bruxas e malvadas durante todo o enredo. Elas possuem treinamento especial em manipulação, não só de pessoas, mas genética também. Ao longo dos séculos elas fazem triagem genética de pessoas em posição de poder para um dia surgir o tal profeta. E elas fazem isso através de casamentos arranjados entre elas mesmas e o imperador, duques, barões etc. Se alguém escrevesse algo assim hoje seria detonado, só digo isso.

Em resumo, é uma história e uma obra que marcou uma época, mas resistiu muito mal ao tempo. Tirando as alegorias mais chamativas que um dia foram originais e não problemáticas, o que sobra é um enredo sem reviravoltas, com muito machismo, apropriação cultural, deserto e areia.

Nota 5, arredondando pra cima.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

The First Fifteen Lives of Harry August - As primeiras quinze vidas de Harry August



SPOILER FREE

O Desafio Literário Popoca de junho está dando trabalho. Confesso que eu não tinha ideia que seria tão difícil encontrar livros com meses no título. Mas nada é impossível e encontrei no meu kindle esse volume da autora britânica Claire North.

As primeiras quinze vidas de Harry August (não ligo que o mês seja o nome do personagem, ainda é um mês e está no título) ganhou o prêmio John Campbell Memorial Award for Best Science Fiction Novel of the Year em 2014, e foi nomeado também para o BSFA Award for Best Novel e Arthur C. Clarke Award for Best Science Fiction Novel. A autora tinha menos de 30 anos. Nada mal, não é?

O livro traz a história de Harry August, um homem que nasceu nos anos 20 na Inglaterra, lutou na segunda guerra mundial, teve uma vida longa e quando morreu nasceu de novo nos anos 20 no mesmo corpo e... bem, o título é meio autoexplicativo a partir desse ponto. E sim, o livro traz pelo menos pedaços de todas as primeiras quinze vidas do personagem principal. Fora de ordem. E a história faz sentido. E tem um apocalipse no meio.

É preciso tirar o chapéu para Claire North, ou Catherine Webb, ou Kate Griffin, a autora faz uso de alguns pseudônimos... o que ela conseguiu fazer nessa história é simplesmente incrível. O livro é uma mistura de ficção científica, mistério, espionagem e estudo sobre a natureza humana. E ela consegue trazer isso tudo numa história que tinha tudo para ser confusa ou repetitiva e no final a leitura é absolutamente fantástica. Fiquei pasma com a destreza da autora em alternar as quinze vidas do personagem principal sem se confundir, nem confundir o leitor, e ainda por cima fazer disso algo cheio de adrenalina a partir da metade do livro.

Não é para qualquer um. Fiquei muito impressionada. E ainda por cima o texto é bom, com várias passagens fáceis de virar citações. Vida longa a essa jovem autora, que ela ainda possa produzir muita literatura de alto nível, como As primeiras quinze vidas de Harry August. Fica a dica para leitura para o Desafio de junho!

Nota 10.



sábado, 10 de novembro de 2018

Only Human (Themis Files #3)



SPOILER FREE

E finalmente chegamos no final da saga Themis Files! Depois de um primeiro livro fabuloso e muito original, o autor deu uma escorregada no segundo, mas aí levantou e foi para a galera no terceiro! Como amo resenhar bons livros...

Infelizmente o livro ainda não foi lançado no Brasil. Mas espero que isso seja corrigido em breve, visto que o nos EUA ele foi lançado em maio de 2018.

Sylvain Neuvel fez o improvável, conseguiu dar a volta por cima depois de um segundo volume bastante morno, o que comparado ao primeiro livro da série, tinha sido um banho de água fria para mim. Preciso confessar que eu não esperava grandes coisas do último livro da série, apesar de não ter conseguido me controlar e ler os dois seguidinho. A razão disso foi mais por conta do gancho no final do segundo volume do que pela obra maravilhosa, verdade seja dita.

Mas o canadense não titubeou. Usou o terceiro livro para um final simplesmente sensacional. Sylvain fez uma das melhores e mais contundentes críticas a geopolítica atual que já li. Não só as questões da política internacional, não, senhoras e senhores, ele fez questão de criticar a cultura dominante atualmente, e isso não quer dizer a cultura estado unidense. Em uma passagem que eu amei, ele resume:

"I hate this world. People are small. They’re ignorant, and they’re happy to stay that way. They make an effort to. They’ll spend time and energy finding ways not to learn things just to feel comfortable with their beliefs."

Em tradução livre minha:

"Eu odeio esse mundo. As pessoas são pequenas. Elas são ignorantes e são felizes em ficar assim. Elas fazem um esforço para se manter assim. Elas gastam tempo e energia para encontrar formas de não aprender as coisas apenas para se sentirem confortáveis com as suas crenças." 

Contundente é pouco para definir. Passei o livro inteiro sorrindo e gargalhando com a forma tão delicada quanto um chute na canela que o autor usou para criticar a humanidade. Amei cada palavra, cada crítica ferrenha, cada bizarrice tão atual e, infelizmente, real. 

Será que assim a galera vai entender a mensagem? Tomara. Quem sabe um choque de realidade via ficção científica não faz algumas pessoas acordarem. Já passou da hora, né?

Nota 10.
 

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Waking Gods (Themis Files #2) - Deuses Renascidos




SPOILER FREE

Depois de Gigantes Adormecidos, um livro muito original e recheado de excelentes personagens, Sylvain Neuvel volta a toda em Deuses Renascidos, publicado no Brasil em agosto de 2017. Depois de um final apoteótico no livro anterior, apesar de ser um gancho horrível daqueles que dão direito a escritores um cantinho especial no inferno, Deuses Renascidos traz acontecimentos ainda mais grandiosos.

O segundo volume na série The Themis Files me deixou bastante dividida. Por um lado, foi maravilhoso ler mais coisas sobre tantas personagens que aprendi a amar no primeiro livro, por outro lado, preciso confessar que não amei as escolhas do autor, nem para as personagens nem para a história.

Como a ideia é não dar spoiler, vou pular a parte das personagens e me concentrar na história. Como diz na contracapa, dessa vez Rose Franklin e o seu time no Corpo de Defesa da Terra precisam encontrar uma forma de lidar com um novo robô que surgiu do nada em Londres. Mais do que isso, novamente, spoilers. Livro difícil de resenhar.

O problema não são os robôs, veja bem, eles são uma das partes interessantes no enredo. O problema são os pilotos e o motivo dos usos dos robôs. É aí que o livro perde demais a conexão com a realidade e passa a ser apenas bizarro. Divertido, mas bizarro. A questão é que em algum momento a leitura não é mais tão imersiva, como no primeiro livro, ela passa a ser uma mistura de esquisitices com diálogos extremamente engraçados, se você curtir o tipo de humor do autor, que tem uma veia sarcástica um tanto forte.

Não ajuda o caso desse livro o fato dele ter a mesmíssima estrutura de Gigantes Adormecidos. Temos novamente aquela coleção de documentos que fariam parte do arquivo do governo sobre os acontecimentos, o que não é um problema em si, mas o formato por vezes fica cansativo, e um novo final em forma de gancho. Sylvain Neuvel já tem dois bilhetes direto para o tártaro dos autores, até porque se o primeiro gancho já era terrível de dar vontade de continuar lendo, o segundo consegue ser ainda pior. Esse segundo gancho foi tão poderoso que eu não consegui me controlar e comprei o terceiro livro.

De certa forma isso atesta que apesar dos problemas o livro é bom, senão eu não teria pago o que paguei pelo terceiro volume.

A minha expectativa é que o livro seguinte compense os problemas. Não sei como Sylvain vai fazer isso, mas a esperança é a última que morre. Nada como citar o tema do livro na resenha!

Nota 8.


sexta-feira, 13 de julho de 2018

Blade Runner: Do Androids Dream of Electric Sheep? - Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?



SPOILER FREE

Esse foi o livro que escolhi para o tema do desafio literário para o mês de julho: uma história que se passe num mundo pós-apocalíptico. Ah, ele também foi a inspiração para o clássico do cinema "Blade Runner".

Apesar de no filme isso não estar claro, a história original do escritor Philip K. Dick se passa num mundo pós guerra nuclear, quando uma poeira tóxica cobriu a terra e forçou a maior parte dos sobreviventes a imigrar para outros planetas (notadamente Marte). E para estimular as pessoas a irem para um planeta desértico foram criados os robôs que simulam escravos humanos.

Também diferentemente do filme, toda a questão com o caçador de androides Rick Deckard não é apenas pegar os novos modelos que fugiram de Marte (essa parte o filme cobre bem), mas toda a nova forma que a sociedade tomou entre aqueles que ficaram na Terra. Em especial, tem a questão do que diferencia os seres humanos dos androides, o questionamento se androides são ou não seres tão vivos quanto os seus criadores humanos, e também a questão do que fazer com aquelas pessoas tão afetadas pela poeira tóxica que se tornaram párias da sociedade.

Em outras palavras, mais do que uma história de ação, "Androides sonham com ovelhas elétricas?" é um livro de filosofia. Mais um exemplo de "o livro é melhor do que o filme". O livro é mais tudo, mais interessante, mais complexo, mais rico... e você ainda pode continuar imaginando os atores do filme original se quiser. E finalmente a maldita cena do filme com a coruja-robô faz sentido!

É um clássico, e por isso o livro merece ser lido. Porém, na minha humilde opinião ele ficou um pouco datado. Primeiro porque a história se passa em torno de 2015, o que é engraçado hoje em dia. Segundo porque, por se passar numa época tão próxima da gente, algumas projeções tecnológicas são muito estranhas. Por exemplo, o telefone possui telas, até aí ok, mas ele não é móvel, nada de celular, só telefone fixo, no máximo embutido em carros (que voam). Para se fazer ligações entre cidades é necessário chamar um operador! As pessoas consultam listas telefônicas em forma de livro! Eu não vejo uma dessas há tantos anos que acho que nem existem mais, e operadores telefônicos não é mais uma profissão. É engraçado demais imaginar um mundo com robôs tão bons que se passam por humanos, mas que não tem celular.

E, por fim, tem a questão do estilo de escrita. Datado também. O livro tem cara de anos 60/70 em todas as letras, com um ritmo bem lento para os padrões atuais. Não é exatamente o meu estilo favorito.

O livro é bom, veja bem, mas essas questões foram me cansando ao longo da leitura, de forma que no último terço do livro eu queria que ele acabasse logo. 

Por conta disso: Nota 8.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Sleeping giants - Gigantes adormecidos

It was my eleventh birthday. I'd gotten a new bike from my father: white and pink, with tassels on the handles. I really wanted to ride it, but my parents didn't want me to leave while my friends were there. They weren't really my friends though. I was never really good at making friends. I liked reading; I liked walking in the woods; I liked being alone. And I always felt a little out of place with kids my age. So when birthdays came by, my parents usually invited the neighbor's kids over. There were a lot of them, some whose names I barely knew. They were all very nice, and they all brought gifts. So I stayed. I blew out the candles. I opened the presents. I smiled a lot. I can't remember most hte gifts because all I could think of was getting out and trying that bicycle. It was about dinnertime by the time everyone left and I couldn't wait another minute. It would soon be dark; once ir was, my father wouldn't let me leave the house until morning.


SPOILER FREE

Esse foi um livro que escolhi para ler para o tema "uma história que se passa no futuro", e que eu comprei numa promoção da Amazon porque achei a premissa interessante, porque estava muito bem indicado pela internet, e, por fim, porque achei que o autor era mulher.

Primeiro, Sylvain não é mulher, apesar dos melhores personagens do livro serem femininas (o que já valeu a pena), segundo, o livro é de ficção científica, mas não é clara a época em que se passa a história (mas vou ignorar porque no desafio dizia que podia linhas temporais alternativas, o que certamente compreende esse enredo), terceiro, apesar disso tudo valeu muito ter comprado e lido o livro.

O livro é muito original, não só em termos de enredo e de personagens (amei todos eles, mas especialmente as personagens femininas, que são maravilhosas), mas também em formato. O livro é todo escrito em forma de arquivo, como se você tivesse acompanhando os registros de um caso do governo, com direito a diários de bordo e entrevistas (tem mais entrevistas do que qualquer outra modalidade, mas isso também é original). Por conta dessa característica, confesso que estou doida para ver uma adaptação para cinema ou televisão, ficaria lindo.

O único defeito do livro é que ele tem uma continuação, e o final desse volume é um senhor gancho que torna difícil o leitor se controlar e não comprar logo o volume seguinte (estou exercitando fortemente o meu autocontrole desde então).

Em linhas gerais, o livro tem uma série de entrevistas conduzidas por um personagem que ninguém sabe quem é (ele parece um desses agentes de agências que formalmente não existem), que conversa com diversas pessoas envolvidas num projeto gigantesco envolvendo uma espécie de robô gigante que se supõe que foi criado por extraterrestres quando o ser humano ainda vivia na idade da pedra. Por motivos óbvios, o livro tem uma pegada um tanto de anime japonês. O que, para mim, é positivo.

"Sleeping Giants", lançado ano passado por aqui com o título "Gigantes Adormecidos", é um dos livros de ficção científica mais interessantes que li, e espero que a continuação entre logo em promoção, porque quero saber como a história continua!

Nota 10, acho que a primeira para esse estilo que eu dou!


sexta-feira, 3 de março de 2017

Dreamcatcher - O apanhador de sonhos

   It became their motto, and Jonesy couldn't for the life of him remember witch of them started saying it first. Payback's a bitch, that was his. Fuck me Freddy and half a dozen even more colorful obscenities originated with Beaver. Henry was the one who taught them to say What goes around comes around, it was the kind of Zen shit Henry liked, even when they were kids. SSDD though; what about SSDD? Whose brainstorm had that been?
   Didn't matter. What mattered was that they believed the first half of it when they were a quartet and all of it when they were five and then the second half of it when they were a quartet again.
   When it was just the four of them again, the days got darker. There were more fuck-me-Freddy days. They knew it, but not why. They knew they were caught, but not exactly how. And all this long before the lights in the sky. Before McCarthy and Becky Shue.
   SSDD: Sometimes it's just what you say. And sometimes you believe in nothing but darkness. And then how do you go along?



 SPOILER FREE

Para variar estou atrasada nas resenhas... esse livro foi do tema do Desafio Literário de Fevereiro, onde a ideia era ler um marco de um gênero. Como eu já havia mencionado no meu planejamento de leituras do ano, resolvi ler qualquer coisa do Stephen King porque ele em si é um marco do gênero de terror.

Por uma razão de: achei esse primeiro entre os livros dele no meu Kindle (o que vou considerar como um quase sorteio, uma aleatoridade que está prevista no Desafio desse ano e que em teoria vale mais pontos, mas quem está contando? eu só conto livros) resolvi ler Dreamcatcher - O apanhador de sonhos na edição brasileira.

Apesar de um amigo meu ter comentado que esse volume não era o melhor do Stephen King (o que é verdade, ele não está no mesmo nível de um "Iluminado"), eu gostei muito do livro. Com um quê de ficção científica com direito a invasores alienígenas, Dreamcatcher não é uma história típica do Stephen, mas não é menos divertido por conta disso, até porque mesmo nesse caso o autor não conseguiu escapar completamente do seu gênero e do seu gosto pelo inexplicável que pode ser espiritual.

De quebra, um dos personagens importantes da história é especial! O que achei uma evolução nos livros de King (ainda não tinha encontrado personagens assim nos livros que li dele, então desculpem se deixei algum exemplo de fora). E esse fato não reduz em nada a quantidade de palavrões no texto, fiquem avisados.

Se Dreamcatcher tem um defeito é ser um tanto quanto longo, aproximadamente 900 páginas, o que deixam algumas passagens um pouco longas demais, apesar de que a mudança de ponto de vista da narrativa entre os diversos personagens suavize muito a sensação (e é um ponto positivo). Mas mesmo assim a leitura fica por vezes cansativa. Além, claro, de demorar para terminar. Não é a toa que a resenha acabou saindo no mês seguinte, mesmo não atrasando tanto assim para sair (quase uma semana).

Somando prós e contras, nota 9!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

At the mountains of madness


SPOILER FREE

O tema do mês de outubro foi um autor que eu já tivesse ouvido falar mas que nunca tivesse lido. Por insistência de um amigo meu, no final do ano passado eu acabei por adquirir baratinho na Amazon uma coletânea de toda a obra do H.P. Lovecraft, e com esse tema, achei que finalmente era a hora de atacar um clássico do terror.

Então, existe um motivo para a obra  de H.P. Lovecraft ser considerada um clássico, ele foi um dos primeiros a levar elementos da ficção científica para o terror. E a narrativa é montada de forma que traz uma montanha de suspense (olha a piadinha infame), porém, o ritmo da leitura é bem datado. Em outras palavras, o livro é lento. Existe na obra um preciosismo comum dessa época, início do século XX, de caprichar e detalhar um pouco demais as descrições das coisas e dos lugares, o que eu achei chato. A descrição dos monstros parece retirada de um livro de anatomia, o que pode ser o máximo para alguns, mas para mim só deu vontade de pular os parágrafos.

Mas fora isso, até quase o final, o livro é muito interessante e o suspense realmente funciona. Só que, quando chega na última parte do livro, o narrador em primeira pessoa resolve dar uma aula de história que, da forma como a narrativa é contada, é simplesmente implausível que o narrador fosse capaz de saber aquilo tudo. E a partir daí eu simplesmente não consegui mais entrar no clima do livro, a minha "suspensão voluntária da descrença" foi passear e não voltou mais.

O que mais me deixou chateada é que essa última parte, que causou todo o meu problema com o livro, era absolutamente desnecessária! O livro poderia ser mais enxuto e ainda mais interessante e envolvente sem essa enrolação no final. Definitivamente uma pena.

Para a minha primeira obra de H.P. Lovecraft, confesso que fiquei um pouco decepcionada. Mas no futuro pretendo dar uma segunda chance, afinal tenho todas as obras dele em mãos para escolher.

Nota 7.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Bloodchild and other stories



SPOILER FREE

Um dos temas dos meus desafios literários desse mês era ler um autor negro. Resolvi ir mais longe, uma mulher negra que escreve ficção científica! Octavia E. Butler é um ícone, e eu nunca havia lido nada dela, um absurdo que precisava ser remediado o mais rápido possível.

Esse livro, para variar, eu consegui numa promoção para o kindle, e contém 6 contos dessa autora premiada, com direito a um pequeno posfácio para cada um deles, escrito pela própria autora, comentando sobre as razões e inspirações para cada um. Eu nem sei do quê gostei mais, dos contos ou dos posfácios, acho que o que torna essa edição tão interessante é poder ler os dois juntos, que foi uma experiência sensacional.

As histórias dela são pérolas da ficção científica, com um quê de mundo pós-apocalíptico que muitas vezes é de partir o coração. Todos os contos também te deixam refletindo, pois Octavia está sempre brincando com a natureza humana no que ela escreve, de forma que dá pano pra manga para diversas discussões e reflexões.

A escrita de Octavia é fluida e profunda, uma coisa rara de se ver e que dá um prazer imenso de ler. Essa mulher merece todos os prêmios que já recebeu, e mais alguns. E eu que nem curto muito o gênero ficção científica fiquei completamente apaixonada, daqui a pouco pegarei outras obras dela para devorar também, se forem do mesmo nível que os seus contos terei leituras sensacionais no futuro.

Nota 10.


segunda-feira, 27 de abril de 2015

Outlander



SPOILER FREE

Eu confesso que já não me lembro exatamente por qual razão resolvi tirar esse livro da estante para ler, mas lembro que o comprei simplesmente porque a série de televisão baseada nele estava fazendo sucesso, o que me fez descobrir que ele existia, e que ele gerava uma certa discussão no meio feminista. A curiosidade falou mais alto e eu resolvi comprar para um dia tirar as minhas próprias conclusões.

A discussão no meio feminista é por conta das cenas de violência sexual contidas no livro. Eu entendo que muita gente não goste de ler esse tipo de livro e até aí está tudo bem, cenas de violência nunca são legais, mas infelizmente fazem parte do mundo em que vivemos, daí o problema delas estarem expostas em livros não é um problema em si, a forma em que elas são mostradas aí sim pode ser problemático no sentido de banalizar aquela violência, isto é, mostrá-la como algo normal e/ou esperado.

Aí entram algumas considerações que são importantes ao lermos um livro com cenas desse tipo que precisam ser analisadas: a época em que o livro foi escrito (publicado em 1991 no caso), a época em que se passa a história (a personagem principal nasceu no início do século XX, e na década de 40 ela acaba viajando no tempo para o século XVIII), e como o assunto é tratado de acordo com essas informações. Então, vamos lá, sem querer passar a mão na cabeça de ninguém, o livro foi publicado numa época em que a violência contra a mulher ainda não tinha chegado ao ponto em que estamos hoje, de virar assunto de tudo quanto é tipo de mídia e termos diversas passeatas pelo mundo, a personagem principal é uma mulher com mentalidade do início do século XX, e a maior parte da história se passa no século XVIII. Há de se convir que nessas épocas a violência contra a mulher era algo visto como normal (graças aos deuses estamos mudando). Dentro dessa perspectiva, o que é retratado no livro não é absurdo, não mesmo. Comparado com diversos outros livros que eu já li, inclusive, é até muito leve.

E esse é o único ponto "positivo" que eu consigo mencionar do livro.

De uma forma geral, a história é muito fraca, os personagens são rasos, a escrita não compromete mas não traz nada de interessante, as cenas que supostamente deveriam tornar o livro mais picante são ou sem graça, ou com violência no meio e há um excesso de tentativas da autora de complicar a história, o que torna a narrativa pouco crível. E não, o problema não é a viagem no tempo.

É basicamente um romance daqueles de banca de jornal com um toque de ficção científica.

Tanta coisa me incomodou nesse livro que se eu fosse escrever sobre tudo daria um post gigante, então vou me ater apenas no que me incomodou mais: o romance principal da história, entre a protagonista e um cara que ela conhece no século XVIII. O tal cara pode ser muita coisa, mas o romance entre eles simplesmente não faz sentido. Tudo o que ela gosta nele é o sexo e a aparência, e ela só se ferra vivendo no passado, e vai me convencer decisão dela faz sentido? Não faz.

Eu sofri tanto para chegar no final das mais de 500 páginas desse primeiro volume que resolvi ler as sinopses dos livros seguintes (são uns 9 livros nessa série), e o que eu li me deixou tão desanimada, mas tão desanimada, que resolvi que simplesmente não valia o esforço, nem que seja pra falar mal. E pelas sinopses eu nem preciso! Elas falam mal da série sozinhas.

Nota 2,5.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Ender's Game



SPOILER FREE

Setembro está um mês apertado por causa do atraso com As Brumas de Avalon, mas estou conseguindo dar conta de todos os desafios literários! No desafio de clássicos, setembro tinha como tema um clássico do século XX, e como fazia um certo tempo que eu queria ler "Ender's Game" (afinal eu já vi o filme mas ainda não tinha lido o livro) resolvi que era uma ótima oportunidade.

Uma amiga minha comentou comigo que achou o livro datado, e talvez ela tenha mesmo razão com relação a algumas tecnologias mencionadas, mas na minha opinião isso não influencia na qualidade da história sendo contada. O livro é daqueles que depois de um certo ponto você não consegue mais parar de ler, dá um comichão e você vai lendo de forma ensandecida até terminar o último capítulo.

A história é muito legal, e as descrições dos jogos são sensacionais, o filme não faz jus ao livro nesse sentido. Aliás, o filme deixa muito a desejar em diversos aspectos, para variar o livro é muito melhor. E olha que o livro é bom mas não é essa Brastemp toda não.

Como livro de ficção científica (na minha humilde opinião de não tão fã assim do gênero) eu achei o livro muito legal, a trama é bem interessante e instigante, mas tem alguns problemas quando você para para analisar um pouco melhor alguns aspectos narrativos. Não chega a ser problemático, mas Ender e seus irmãos são retratados como tão geniais que às vezes você fica se perguntando como eles foram enrolados de alguma forma. Tudo bem que são crianças e isso é o que torna a coisa toda passável, mas talvez se o gênio deles não fosse tão exagerado eu tivesse tido essa sensação de estranhamento. Definitivamente não é um ponto que estrague o livro ou a história, mas faz a diferença entre um bom livro e um livro excelente.

Inclusive essa é a minha maior impressão com o primeiro livro da série do Ender, é bom, mas não é excelente. É cativante, é divertido e extremamente viciante, mas você fica com a sensação de que ficou faltando alguma coisa para ficar sensacional, quando ele tinha o potencial para chegar lá.

A série toda tem 5 livros, e "Ender's Game" é só o primeiro! Mas bem poderia ser um romance sozinho, porque o final é bem claro e sem ganchos daqueles que fazer você querer matar o autor ou ler o próximo livro em seguida. Tanto que se você quiser parar por aí me parece muito tranquilo. Por enquanto vou me aventurar por outras leituras, mas um dia pretendo voltar ao mundo do Ender e continuar acompanhando a sua história.

Nota 9.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Tropas Estelares



SPOILER FREE

Mais um livro emprestado (um dos temas desse mês em um dos desafios que estou seguindo), e que de quebra é um clássico da ficção científica (cumprindo mais dois desafios literários de uma só tacada, ou leitura).

O maridão já tinha me "obrigado" a assistir ao filme, que ele classifica muito pertinentemente como "o melhor filme ruim de todos os tempos" (é isso mesmo), simplesmente porque o filme é muito ruim, mas é tão bom em termos de ironia e sacanagem com ideias mais comuns do que as pessoas gostariam de admitir, que é uma obra prima. Tendo o filme em mente, eu esperava um livro ruim que eu não conseguia entender como poderia um dia ter sido considerado um clássico, mas descobri que os dois são completamente diferentes, especialmente no tom irônico, que é inexistente no livro.

O livro é uma ode à direita militarista disfarçado de ficção científica, utilizando a história da guerra contra os insetóides para justificar toda uma explicação "lógica" sobre a inadequação da democracia como sistema político viável, explicando como num futuro não tão longínquo o mundo será dividido entre cidadãos e não-cidadãos, sendo que apenas os que serviram no exército podem ter cidadania. Imagino que esse tipo de ideia tenha feito muito sucesso durante a Guerra Fria e isso (e a guerra contra os insetos) seja a explicação para o livro ser tão premiado e ser considerado um clássico, porque sinceramente o livro e suas visões filosóficas são de dar medo e nojo. Ah sim, porque, claro, não podia faltar os toques de misoginia e heteronormatismo no livro.

Depois de sobreviver à leitura, precisei ver novamente o filme, e confesso que passei a gostar ainda mais dele, porque finalmente entendi que a película é uma grande crítica aos principais pontos absurdos do livro, e isso é feito de uma forma absolutamente genial (além de quebrar todos os preconceitos contra a mulher presentes no livro). Agora posso dizer com todas as letras e com convicção: Tropas Estelares é o melhor filme ruim de todos os tempos.

Nota 6 para o livro e 10 para o filme.

PS: quase esqueci do bônus do desafio, que é mandar um recado para quem me emprestou/indicou o livro: Claudio, entendo o porquê você gosta do livro, mas sinceramente não dá para concordar com nada dele e não sei porque você quis que eu lesse isso.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Wolverine - Arma X


SPOILER FREE

Então, em abril o tema de um dos desafios literários que estou seguindo é ler um livro emprestado... e por acaso eu estava com 2 livros emprestados de um amigo do trabalho (o segundo já está sendo devorado), e resolvi que era a hora de lê-los e devolvê-los (já estão comigo há quase um ano!!!). E bem, como eles foram quase empurrados para mim, estão bem de acordo com o solicitado no desafio :-)

O primeiro da lista acabou sendo "Wolverine - Arma X" só porque eu realmente curto o personagem (sim, eu lia os quadrinhos quando era mais nova, hoje eu só vejo os filmes, TODOS os filmes). Confesso que eu não dava nada pelo livro (um certo trauma com alguns livros de Babylon 5 me deixaram ressabiada com esse tipo de literatura), mas me surpreendi! Primeiro, ele não é mal escrito (o que não quer dizer que é uma beleza também), segundo, ele dá uma sensação muito engraçada de que você está lendo uma revista em quadrinhos só que sem os quadrinhos. O único defeito imperdoável é a edição desleixada, porque é muito erro de português para um livro só, pura falta de revisão.

O livro conta como foi o processo que tornou Logan o Wolverine, o que também já foi explicado de diversas formas diferentes, essa é só mais uma, mas é das melhores, com direito a explicações científicas passáveis (pelo menos não me incomodaram, o que já é suficiente para mim) e pontos de vista de outros personagens, o que achei bem legal. É aquilo, num livro pode-se explorar outros pontos da história e de outras formas que não são compatíveis com quadrinhos.

Uma leitura leve e divertida, bem de acordo com o esperado.

E obrigada ao Claudio pela indicação, foi realmente divertido, apesar da revisão ruim, agora fiquei devendo uma indicação legal de volta...

Nota 8.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Allegiant


SPOILER FREE

E finalmente terminei o terceiro livro! Depois de Divergent e Insurgent, eu não esperava muita coisa de Allegiant, mas mesmo assim consegui me surpreender de forma negativa.

Não entendi a necessidade da autora de tentar explicar ainda mais o que já não fazia sentido, e conseguir a proeza de se enrolar ainda mais e fazer menos sentido ainda. Para piorar, ela resolveu repetir o enredo do segundo livro, sério, é extamente a mesma história só que com nomes diferentes. Além disso, ainda resolveu introduzir diversos personagens novos (todos cópias de personagens dos livros anteriores) sem terminar de desenvolver os antigos. Desenvolver, não, desculpe, o que ela faz nesse livro com os personagens antigos é andar para trás, é impressionante como eles simplesmente ficam mais infantis. A coisa é tão mal feita que nesse livro a autora resolveu alternar o narrador entre a personagem principal dos livros anteriores e o seu par romântico, mas a única forma de diferenciar um narrador do outro é pelo subtítulo de cada capítulo.

E o final? Bom, é apenas uma tentativa de tornar a resolução do livro mais original, sacrificando ainda mais a lógica da história e o pouco de desenvolvimento que os personagens tiveram. Lógica e sentido pra quê? Totalmente desnecessário.

Fico triste quando tento pensar em algo que se salve nessa bagunça e não consigo pensar em nada além de "bem, podia ser pior". E fico mais triste ainda quando lembro que conheço casos piores.

Nota 2.

Média da trilogia: 3

PS: se você entende minimamente de genética e quer manter a sua sanidade, fique longe desse livro.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Insurgente


SPOILER FREE

Eu devo ser masoquista, porque mesmo sem ter gostado do primeiro livro, Divergent, resolvi ler a continuação. Mas minha desculpa oficial é que se é para reclamar tem que reclamar com propriedade, isto é, depois de ler o livro (anotaram?).

Enfim, Insurgente não é melhor do que o primeiro livro em nenhum aspecto. Na verdade, é até mais chato, pois o fator "adolescente tendo ataque" é até mais forte nesse volume, o que é compreensível pelo andar do enredo (sofrimento, morte e destruição, claro, o básico de distopia), mas não justifica a escolha da autora em observar justamente essa parte da história com lente de aumento, tanta coisa mais interessante acontecendo e ela resolve focar no drama.

Confesso que me diverti mais lendo as críticas a Insurgente do que o próprio livro, pois a quantidade de pessoas que ficou decepcionada com o fator "Bella" (personagem principal de Crepúsculo para os não-iniciados) que escorre das páginas do livro, mas eu sinceramente já sabia que isso ia acontecer desde o primeiro livro, e acho que Tris já era uma versão mais bombada da Bella desde sempre, então não me surpreendeu. O que me surpreendeu negativamente foi o par romântico, Four, que apesar dos pesares não parecia ser tão sem graça em Divergent.

O enredo e o mundo criado continuam cheios de furos e explicações meia boca, que eu inocentemente esperava diminuírem ao invés de aumentar (sim, eu sou otimista assim), e continuo sem entender as escolhas da autora. Acho que ela está no meio errado, se ela fosse roteirista de filme de ação adolescente ela seria mais bem sucedida, pois a melhor forma de melhorar os livros que eu consigo imaginar é cortar as explicações sem sentido e se ater à ação, que infelizmente não é tão presente em Insurgent quanto em Divergent, mas daria para 90min de película com folga. Já mencionei que eu espero que o filme seja melhor do que o livro? Pois repito: isso é muito provável. E é por isso que vou ler a continuação... além disso, a esperança é a última que morre.

Nota 4.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Divergente


SPOILER FREE

Então, resolvi correr atrás de mais uma série que vai sair nos cinemas esse ano, e que uma amiga minha tinha dito que era divertida.

E descobri que nem sempre meus amigos têm razão quando me indicam livros. Acontece com todo o mundo, né?

Vamos por partes, Divergente é uma mistura de Hunger Games com Harry Potter, temos um futuro distópico, diversas facções que dividem a população e, claro, os pobres coitados que não pertencem a facção nenhuma e por isso vivem no meio do lixo. A parte Harry Potter fica muito por conta da forma como as pessoas são levadas a escolher uma determinada facção. Mas até aí, não há nada demais, afinal é reciclando que se cria coisas novas.

O problema de "Divergent" é que apesar da ideia ser bacana, ela não é bem desenvolvida, a história tem mais buraco do que queijo suíço. E não é algo discreto, é buraco do tipo "como assim? Não faz sentido!", e quando você repara não está mais mergulhado na história, e sim pensando nas diversas alternativas possíveis de consertar os problemas que vão surgindo um atrás do outro no livro. Isso quando você não é surpreendido por momentos de vergonha alheia no meio da história.

Esse último problema em específico é derivado do fato da história ser adolescente demais. Veja bem, eu curto histórias de adolescentes, mas tenho limites com relação ao excesso de drama e histeria que volta e meia aparecem nesse tipo de história. "Divergent" passou desses limites, e assim entrou para a minha lista de livros que eu tive vontade de jogar longe enquanto eu lia, e na lista dos livros em que eu tive vontade de bater no protagonista. Mas isso tudo faz um certo sentido quando você descobre que a autora desenhou o enredo da série enquanto era adolescente.

De qualquer forma, se eu estivesse com paciência ainda dava para fazer uma análise feminista em cima disso tudo, mas o resultado seria tão feio que pareceria surra em cachorro morto. Vou deixar para a próxima.

Apesar de tudo, o livro é minimamente divertido se você conseguir desligar o cérebro enquanto lê, e o trailer do filme promete... acho que será um daqueles raros casos em que o filme é melhor do que o livro.

Nota 4.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Mockingjay


SPOILER FREE

Finalmente terminei a trilogia Hunger Games! Depois de amar o primeiro livro e não gostar do segundo, Mockingjay me deixou dividida. Sem dúvida nenhuma é melhor do que Catching Fire, mas ainda fica longe do início da saga.

Dessa vez o meu problema foi com o desenvolvimento dos personagens. A história em si eu achei bem interessante, e foi bem desenvolvida. A solução para o mundo distópico criado pela Suzanne Collins ficou legal. Mas a personagem principal, Katniss, resolveu sofrer de múltipla personalidade. Suas reações não combinam com o que foi apresentado anteriormente sobre ela, e no final ela cai numa contradição tão gritante, que me deu vontade de socar a tela do computador (li novamente os livros no computador... já tinha mesmo os 3 em pdf, eu não ia gastar dinheiro comprando os livros quando não gostei do segundo volume). Fora uma morte em específico que eu achei absurdamente gratuita, pois a explicação dada no livro não faz o menor sentido, pois para ela fazer sentido a personagem principal precisava ter outra personalidade. Espera, isso acontece! Entende porquê não gostei tanto do livro?

Mas fora a Katniss enlouquecida e a morte gratuita, o plot desenvolvido é bem legal. A solução dada pela autora para o Peeta ficou interessante (apesar do final ser sem grandes explicações também... perto dos outros problemas é passável), e eu gostei da tensão Katniss-Gale, pois retoma o relacionamento meio dúbio que eles tinham lá no início, o que fez muito sentido pra mim.

No geral fico um pouco decepcionada com a série como um todo, pois o primeiro livro prometia muito mais do que as continuações realmente entregam, mas também não ficou ruim como imaginei que ficaria após ler o segundo livro, e isso atenuou o meu desconforto.

Nota 8 para Mockingjay e para a série como um todo.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Catching Fire


SPOILER FREE

Esse livro eu demorei meses para acabar... mas isso foi por conta de um mega intervalo que eu dei na leitura. E já descobri que isso não é bom, pois parece que eu saio do clima do livro, sabe? Mas ao mesmo tempo acho chato ficar relendo tudo de novo, pois não faz tempo o suficiente para uma releitura sem ficar com cara de que já sei aquilo tudo de cor.

Agora, estando ou não estando no clima do livro, não gostei das escolhas da autora para o prosseguimento da história, não ficou bom, achei meio forçado, quase uma coisa deus ex maquina. As personagens, em compensação, me surpreenderam, e gostei muito das reviravoltas de alianças e pactos entre elas com o desenrolar da história. Muito bem montado. Meu problema foi com a história mesmo.

Não tem o mesmo frescor de novidade de Hunger Games... e na tentativa de fazer algo diferente do primeiro livro, a autora se enrolou e fez uma trama chatinha e previsível, mas isso porquê ela mesma se colocou numa situação ruim, pois não havia saída para o enredo proposto que não copiasse o primeiro livro, daí a solução bizarra deus ex maquina que ela arranjou. E ao invés de seguir na construção de um mundo distópico e sem esperanças, ela enveredou pelo caminho da teoria da conspiração.

Confesso que me deixou até dividida entre ler ou não o terceiro livro, pois acho que já sei pra onde as coisas vão caminhar e continuo não gostando da ideia. Mas, vou deixar o preconceito de lado e ler Mockingjay, vai que me surpreende? (o maridão acha que não - ele já leu - mas sei lá, né?)

Nota 6.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

A Mulher do Viajante no Tempo



SPOILER FREE

Na verdade eu terminei esse livro do Desafio Literário semana passada, mas daí descobri que tinha um filme, então resolvi ver o filme antes de comentar o livro aqui.

Vamos começar pelo livro! Adorei! (minha sogra detestou, mas gosto não se discute rsrsrsrs) A autora, sabiamente, resolveu optar pela teoria de viagem do tempo em que não se pode mudar o que já aconteceu, o que facilita muito as coisas (e eu pessoalmente prefiro também, essa história de ficar mudando as coisas complica muito a narrativa e começa a dar possibilidade de linhas históricas paralelas ou alternativas que só quem trabalha bem com ficção científica faz ficar legal e mesmo assim dá margem a muito furo narrativo). Portanto, a história se desenrola com o ar de inevitabilidade das tragédias gregas (o que é legal, é clássico!), e a autora aproveita para realmente dar um ar de tragédia no final.

Daí o livro começa te prendendo, com uma história muito interessante e altamente inusitada de um homem que viaja no tempo e portanto conhece a sua esposa antes mesmo deles se conhecerem, gerando situações no mínimo bizarras. E nesse quesito, bizarrices temporais, o livro é ótimo! São tantos momentos inusitados que você fica tonto! E a autora não se perde! O que ela consegue fazer é contar a história de forma que as diversas lacunas vão sendo preenchidas conforme o personagem principal vai viajando pelo tempo.

E conforme ele não só descobre o passado, ele também desvenda o seu próprio futuro (ah, sim, ele não viaja só para trás), e aí se instala o verdadeiro clima de tragédia grega: o drama anunciado e inevitável. Conforme o livro vai chegando no fim, a contagem regressiva para o desastre se desenrola e eu fui ficando cada vez mais tensa e angustiada. Nesse momento cheguei a detestar o livro, porque estava me deixando de mau humor. O final é triste demais, e você sabe qual é por antecedência, vai dando um aperto no coração... é terrível! Terminei o livro num misto de alívio e tristeza.

E daí fui ver o filme. Bom, confesso que eu já sabia que não podia ser grande coisa, afinal adaptar 600 páginas para um filme de 1:45h não pode dar muito certo. Mas eu não esperava que fosse tão ruim. Tudo o que funciona no livro por conta da construção lenta das personagens acaba por não ter tempo de ser apresentada no filme, daí fica difícil comprar o relacionamento entre elas. Em outras palavras filme se mostra superficial e eu não consegui entrar no clima. Achei algumas adaptações ruins (no filme a personagem da Clare se mostra muito manipuladora em comparação com o livro), e a escolha do elenco fraca. Para um filme que para te fazer comprar a ideia de romance se limita apenas à química entre os atores principais, deveriam ter escolhido alguém mais expressivo que o Eric Bana (apesar de eu ter gostado da escolha visual). E a coitada da Rachel McAdams parece perdida em cena. Fiquei até com pena. E o trabalho de envelhecimento dos personagens está péssimo para um filme que conta uma história de viagens no tempo.

Enfim, para o livro nota 9, já para o filme... melhor ficar quieta, apenas sugiro que leiam o livro e fiquem longe do filme.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

The Hunger Games


SPOILER FREE

Eis um livro que eu peguei para ler correndo só para poder assistir ao filme! E dessa vez li no computador, porque não dava tempo de esperar o livro chegar rsrsrsrs

O livro em si é perturbador, porque traz um mundo pós-apocalítico extremamente possível, com direito a territórios reduzidos por conta do aumento dos mares e a reality shows de partir o coração. As personagens são todas interessantes, apesar da história se limitar a ser contada do ponto de vista da protagonista, mostrando como o ser humano é capaz de se adaptar para sobreviver. E como se adapta... sendo capaz de aceitar o inaceitável. Mas aí é que entra a grande graça do livro: até onde somos capazes de aceitar o inaceitável? Mais do que sobre um jogo violento e um mundo pós-apocalítico, Hunger Games, ou Jogos Vorazes em português, é sobre os limites do ser humano.

Escrito de uma forma leve para uma ficção científica e com uma quantidade de violência controlada (não chega perto da descrição de cenas violentas e sanguinárias de diversos serial killers, mas ainda assim tem muito sangue), é o tipo de livro que você não consegue largar antes de terminar, e como ele ainda por cima é curto, você termina bem rapidinho. E quer começar logo o segundo!!! Totalmente viciante... até sonhei com ele!

Agora uma dica: quem quiser ver o filme e deixar para ler o livro depois: não recomendo! Perde boa parte da graça do livro. E quem já leu o primeiro livro e quer ver o filme, outra dica: comecem pelo menos a ler o segundo livro antes de ver o filme, porque tem spoiler! O que eu achei bom, veja bem, a autora ajudou a escrever o roteiro do filme (que ficou muito bem adaptado por sinal) e resolveu dar uma pincelada do que acontece no segundo livro para ajudar a platéia a entender a ambientação. Ficou muito bom.

Nota 9,5