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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Elegias de Duíno



SPOILER FREE

Então, como eu comentei mês passado, desde que reorganizei os livros na minha casa, tenho lido poesia todos os dias, o que tem se mostrado um hábito delicioso.

E no final de novembro eu terminei essa edição bilíngue do Rainer Maria Rilke. Essa edição em particular foi traduzida por uma brasileira especialista em Rilke, que inclui no final umas análises bem interessantes de cada um dos poemas que compõem as Elegias de Duíno.

Rilke é considerado um autor clássico de poesia, e o seu trabalho é realmente muito bonito e bastante emotivo, mas eu confesso que prefiro Blake. Rilke tem um jeito mais dramático, meio deprê, que é maravilhoso dentro da sua proposta de sofrimento cristão e vale a leitura sem a menor sombra de dúvida, mas gosto é gosto.

Já tenho outro livro dele na estante me esperando e certamente vou lê-lo em algum momento.

Nota 9.

Friendly Fire



SPOILER FREE

E novamente estou com o problema do Kindle lotado. Talvez agora a situação esteja ainda mais crítica, tem uma lista de uns 20 ou 30 livros que estão aguardando espaço para serem baixados. Uma vergonha completa. Então, voltei a correr atrás da meta esvaziar o kindle!

Pensando nisso, resolvi pegar mais um livro do autor egípcio mais famoso da atualidade Alaa Al Aswany, que escreveu o aclamado "Edifício Yacoubian". Dessa vez peguei um livro de contos que por um acaso tem uma novela no início. "Friendly Fire", que saiu em português com o título "E nós cobrimos os seus olhos", começa com uma explicação do autor sobre como ele nunca conseguiu publicar a tal novela no Egito por problemas de censura, o que também te prepara para a história, que é realmente sensacional apesar de um tanto dura, e pelo ponto de vista de um censor faz todo sentido que ela nunca tenha sido publicada.

Além dessa novela, que é quase um livro por si só, "Friendly Fire" tem uma quantidade grande de contos do autor, todos eles com o mesmo clima de querer mostrar a realidade nua, crua e dolorosa do Egito. Como todo livro de contos, nem tudo ali é digno de ser chamado de obra-prima, tendo os seus altos e baixos, mas no geral o livro é muito bom. A qualidade média dos contos é excelente.

Alaa Al Aswany é um escritor de mão cheia, do que eu já li dele até agora achei tudo maravilhoso, mas ele é aquele tipo de autor de um país pobre que gosta de falar dos problemas da sua terra natal (ya baladi!), o que não é um tópico sempre agradável e não é todo o mundo que curte ler. Para quem curte o mundo árabe (o meu caso, claro) acaba sendo sempre proveitoso, mesmo que não goste do estilo.

Para os fãs do finado prêmio Nobel Naguib Mahfouz, Aswany é uma ótima sugestão, pois ele segue numa linha um pouco mais contemporânea de literatura realista, com a vantagem de ainda estar escrevendo, o que traz a possibilidade de novas leituras!

Nota 10!

Mary Poppins



SPOILER FREE

Eis um livro que fiquei com vontade de ler depois de ter visto o filme sobre a autora P.L.Travers, "Saving Mr. Banks" (em português "Walt nos bastidores de Mary Poppins") com Tom Hanks e Emma Thompson, muito indicado aliás.

Claro que o comprei numa promoção do Kindle, e como ele era ilustrado, acabei lendo no celular, o que foi um teste bastante interessante para o aplicativo, que já até utilizei outras vezes e está aprovadíssimo, pelo menos no meu aparelho.

Mas Mary Poppins me surpreendeu, antes eu imaginava algo mais parecido com o filme dos anos 60, mas depois de ter visto "Saving Mr. Banks" passei a achar que talvez não fosse bem assim, mas mesmo assim o livro me surpreendeu. Primeiro porque a personagem é absolutamente diferente do que foi apresentado pela Julie Andrews sorridente e cantante do Walt Disney, sendo muito mais inglesa do que eu imaginava, o que, na verdade, não deveria ter sido uma surpresa, mas foi. Segundo, o livro é até grandinho, tem muito mais histórias do que eu esperava, e algumas até bem psicodélicas, o que achei extremamente interessante.

E claro, o livro fez tanto sucesso que tem diversas continuações, o que mostra que essa moda não é de hoje. E, claro, fiquei com vontade de lê-las. Aliás, em 2018 uma dessas continuações deve virar filme com a Emily Blunt como Mary Poppins. Fica a dica.

Em português, foi lançado há razoavelmente pouco tempo uma edição de Mary Poppins comemorativa de 80 anos do seu lançamento, uma coisa lindíssima da Cosac Naify, mais um motivo para chorar o fechamento da editora. Mas até onde sei, nenhuma das continuações foi lançada em português.

Nota 10.

O Árabe do Futuro 2



SPOILER FREE

Essa resenha está atrasada, pois minha vida está um caos, mas é temporário, daqui a pouco voltamos à programação normal.

Li esse livro também no desafio literário de novembro, o esquema de ler um livro de "uma sentada só", simplesmente porque adorei o primeiro volume e como eu já tinha o segundo em casa eu simplesmente não consegui esperar.

Riad Satouff é um cartunista filho de pai sírio e mãe francesa, nascido na França mas criado em diversos lugares diferentes. Seguindo a linha de Persépolis, a coleção "O Árabe do Futuro" é sua autobiografia, que traz os detalhes de uma infância bem incomum (para ler a resenha do primeiro volume clique aqui).

Nesse segundo livro, a história se passa quase que inteiramente na Síria, com poucas passagens fora do país. E nesse volume também que ele conta uma história extremamente emblemática sobre como os muçulmanos estudam o Corão, e que ajuda a entender um pouco do porque de existir tantos movimentos radicais dentro do Islã e como eles conseguem manipular as pessoas. Vale a leitura nem que seja por conta desse trecho.

Assim como no primeiro livro, a leitura é extremamente leve e divertida, e novamente dá aquela sensação de quero mais no final. Infelizmente o volume seguinte ainda não foi traduzido para o português e encontrá-lo em francês não é exatamente fácil ou barato. Então, a parte ruim é que teremos que esperar.

Nota 10!

A lógica do Cisne Negro



SPOILER FREE

Eis um livro que veio parar na minha mão por sugestão de um colega de trabalho, porque, afinal de contas, sou formada em estatística e um livro que fala sobre probabilidade faz as pessoas lembrarem de mim.

O livro foi escrito por um libanês que fez sucesso (e dinheiro) no mercado financeiro, se utilizando de métodos estatísticos menos usuais para medir e estudar riscos, especialmente o que ele chama de cisne negro. A ideia é que o cisne negro é aquele acontecimento que até o momento em que ele acontece mão existiam evidências de que ele poderia ocorrer, o que torna as estatísticas do passado irrelevantes para o seu estudo.

É um tema realmente fascinante.

E o autor sabe explorar bem o tema e sabe escrever bem, o livro prende o leitor e, por não ser nada técnico, é de fácil compreensão. De quebra, Nassim Taleb é muito culto, o que o permite incluir inúmeras referências de diversas áreas sujeitas ao cisne negro, e, por ter um ótimo senso de humor, as mescla com diversas anedotas e experiências pessoais que são extremamente divertidas.

Particularmente para mim, o que me incomodou foi justamente o livro ser pouco técnico, eu confesso que queria ter visto mais matemática ali no meio, mas entendo perfeitamente a escolha que o autor fez para melhorar as suas chances de sucesso literário. O que se provou uma decisão acertada, visto que ele já tem uns 3 livros publicados sobre o assunto e todos bem colocados na lista dos mais vendidos.

Nota 9.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

O Árabe do Futuro



SPOILER FREE

Mais um livro para o desafio literário de livros para ler num só dia!

Riad Satouff é um cartunista filho de pai sírio e mãe francesa, nascido na França mas criado em diversos lugares diferentes. Seguindo a linha de Persépolis, que fez muito sucesso e chegou a concorrer ao Oscar de melhor animação de 2008, "O Árabe do Futuro" é sua autobiografia, que traz os detalhes de uma infância bem incomum (para os padrões europeus).

Nesse primeiro volume (já saíram dois em português e o terceiro saiu na França esse ano), Riad faz um apanhado da história do seus pais e seus primeiros anos tanto na França quanto na Líbia e um pouquinho na Síria, trazendo à reboque um panorama histórico e político bastante interessantes e que, por si só, já valem a leitura. Além da questão anedótica e histórica da narrativa, Riad tem um traço marcante e um ótimo senso de humor, que permeia o livro de forma muito interessante e agradável.

O que dá pena é que o livro é curtinho, uma leitura bem rápida e leve, e que deixa um gosto de quero mais no final que se torna problemático apenas porque ainda não temos o terceiro volume em português. E pelo o que percebi, ainda teremos mais volumes a serem lançados...

Para estudantes de árabe o livro ainda tem como "diversão extra" as transliterações de diversas falas do árabe, que são mantidas transliteradas enquanto o narrador/autor não compreende o que está sendo dito.

Nota 10!

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Marvels

 
SPOILER FREE

Esse mês estou super animada com o tema de "livros para ler num só dia", e aproveitei o último final de semana para pegar um clássico dos quadrinhos da Marvel, "Marvels".

O que diferencia esse volume de outros quadrinhos, além da arte realista maravilhosa que enche os olhos, é o tema central da história, que não é exatamente os heróis, e sim um fotógrafo que vive em Nova Iorque e que tem a sua vida e a sua cidade tomados por acontecimentos bizarros e destruidores por conta dos heróis.

A edição em questão (essa aí da imagem) tem todos os volumes dessa série, onde cada "livro" retrata um dos grandes acontecimentos de sagas famosas da Marvel pelo ponto de vista dos civis, e de quebra ainda tem um prefácio fofo do Stan Lee (aquele velhinho fofinho que está em todos os filmes da Marvel) e uma sessão enorme com "bastidores", isto é, como o artista montou e estudou fotos com pessoas para criar as imagens maravilhosas que compõe a Graphic Novel.

O que me surpreendeu foi o tom melancólico da história, cujo final é de partir o coração. Além disso, por ela ser centrada em pessoas normais e sobre como elas se sentem com relação aos heróis, é meio assustador ver a questão das mudanças da opinião pública e o efeito de manada entre os habitantes nova-iorquinos, uma coisa que pode parecer exagerada, mas que exemplifica a eleição do Trump, que foi anunciada de ontem pra hoje e deixou o mundo em estado de choque. Será a realidade imitando a ficção ou será o contrário? Hum... é para se pensar.

Para quem gosta dos filmes da Marvel ou de quadrinhos em geral, Marvels é uma ótima pedida.

Nota 10.