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domingo, 20 de maio de 2018

The Life-Changing Magic of Not Giving a F*ck - A Mágica Transformadora do F*



SPOILER FREE

Resolvi ler esse livro porque uma amiga minha gostou muito e eu achei o título e a paródia absolutamente irresistíveis. Para quem não percebeu, a paródia é do livro da Marie Kondo "The Life-Changing Magic of Tidying" (ou "A mágica da arrumação" em português).

Não é preciso ter lido Marie Kondo para apreciar "A mágica transformadora do F*", mas a leitura fica muito mais engraçada se você tiver lido. Sarah Knight consegue escrever um livro estilo autoajuda que, enquanto você chora de rir, você não tem absoluta certeza se ela está falando sério ou só te sacaneando. Provavelmente os dois. Preciso dizer que adorei esse estilo de humor.

A leitura é especialmente leve e gostosa, apesar da abundância do f* (sei que tem pessoas que não gostam de leituras com esse tipo de vocabulário, mesmo em comédia, então fiquem avisados). Chega a ser libertador, e certamente esse era um dos objetivos da autora. E comédia ou não, você fica realmente pensando em aplicar diversas ideias na sua vida, o que certamente vai deixar seu dia a dia mais leve e feliz. E considerando que vivemos num mundo com excesso de informações e obrigações, talvez seja realmente necessário para ninguém enlouquecer e ter um dia de fúria. Ou sair xingando meio mundo no whatsapp ou no facebook.

Leitura recomendada.

Nota 10.


Nine Parts of Desire: The Hidden World of Islamic Women - Nove Partes do Desejo - O Mundo Secreto das Mulheres Islâmicas



SPOILER FREE

Virei fã da Geraldine Brooks quando li As Memórias do Livro, um livro indicado pela minha sogra. E como eu gostei muito, ela ainda me deu de presente essa preciosidade. Como esse seria um livro que eu precisaria fazer diversas anotações e apontamentos, e somando a minha campanha de trocar meus livros físicos por livros digitais (campanha ainda em andamento e de sucesso limitado por questões de amor por livros), acabei por conseguir uma versão em kindle com o texto original em inglês (vide a capa original acima).

Logo, percebe-se que esse foi um livro que já estava na minha lista de leituras há algum tempo, o que é muito normal, mas eu leio tentando diminuir a lista, que só aumenta (novamente a questão de amor por livros). De qualquer forma, finalmente ele entrou em pauta, e novamente não me arrependi de ler Geraldine Brooks.

Além de autora de romances, Geraldine foi durante muitos anos uma repórter que trabalhou exclusivamente com Oriente Médio, morando em diversos países árabes com seu marido, um judeu. Nove partes do desejo é um grande levantamento de tudo o que ela viveu e experienciou durante os anos de estadia em países como Irã, Marrocos, Iraque, Arábia Saudita e Egito.

Levando em consideração que ela é judia (por conversão por conta do casamento), eu confesso que fiquei positivamente surpresa com suas leituras e posicionamentos relativamente sem preconceito (não são 100% livres de preconceito não, preciso apontar). Por questões culturais locais, ela acabou por se relacionar muito mais com as mulheres nesses lugares, e a vida feminina no mundo árabe acabou por se tornar o seu tema principal de trabalho, o que a torna uma das poucas jornalistas que tratam especificamente desse assunto.

Dessa forma, o livro é maravilhosamente rico em informação sobre como as mulheres árabes vivem, sem fantasias orientalistas. Sendo necessário lembrar apenas que esse livro foi lançado no meio da década de 90, e alguma coisa certamente já mudou desde então, enquanto outros temas do livro parecem absolutamente contemporâneos, como a questão da permissão para mulheres sauditas dirigirem.

Fora a questão puramente jornalística, que é muito boa no livro, Geraldine inclui no seu texto diversas críticas relacionadas à questão das mulheres no mundo islâmico. Na maior parte das vezes suas críticas são feitas de forma muito construtiva e até justa. Mas infelizmente é aí que de vez em quando seu posicionamento pode se tornar um tanto quanto preconceituoso, e é necessário que o leitor exerça um certo grau de cuidado na leitura, para acabar não repetindo alguns exageros.

No geral, é um livro absolutamente maravilhoso e uma excelente fonte de informação e até mesmo de quebra de alguns paradigmas. Recomendo. E pretendo ler mais da autora.

Nota 9.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

The Golem and the Jinni



SPOILER FREE


Esse foi um livro que ouvi falar bem no Goodreads, daí entrou na minha wishlist, depois uma amiga leu e confirmou que era bom e me deu um ultimato para ler logo. Soma-se a isso o fato de que o tema do desafio literário do mês de abril era uma história oriental...

Deixe-me explicar, realmente, a autora não é oriental, ela é norte-americana. Porém, toda a mitologia que ela pesquisou para escrever Golem e o Gênio (título do livro em português) é, sim, oriental. E ela fez escolhas felizes nesse sentido, um Golem é um ser animado feito a partir de argila que existe na mitologia/simbologia/cabala judaica, enquanto um gênio é um ser feito de fogo que existe na mitologia árabe. Tem coisa mais simbólica do que misturar mitologia árabe e judaica? Ficou tão lindo que a autora até ganhou o prêmio Nebula com esse livro.

Mas ela mereceu o prêmio não só pelo enredo tão simbólico nos dias de hoje, mas também pela sua qualidade narrativa. O livro é tão bem escrito que eu quase chorei quando procurei e não encontrei outros livros publicados da autora. É triste demais isso. Pessoas que escrevem bem assim precisam publicar muito!!!

Mas eu entendo que um livro dessa qualidade e quantidade de pesquisa demore para ser escrito.

Porque veja bem, Helene não só pesquisou as mitologias necessárias, mas como a história se passa em diferentes comunidades de imigrantes em Nova Iorque no final do século XIX, foi necessário toda uma pesquisa sobre como eram essas comunidades, que tipos de pessoas migravam e como era a cidade na época. E, do que eu conheço do assunto (o que não é muito, mas também não é zero), posso dizer que a pesquisa dela foi um primor.

As suas descrições de Nova Iorque são uma beleza, assim como as descrições de diversas cidades e lugares do Oriente Médio, de onde vem quase todos os personagens do livro. E que personagens! São todos maravilhosos, não quero dizer que sejam todos bonzinhos, eles são todos bons personagens, com complexidade, críveis.

Se me deixarem vou escrever páginas e páginas de louvores a esse livro, então, vamos fechar:

Nota 10.

Let's Pretend This Never Happened: A Mostly True Memoir



SPOILER FREE


Esse é um livro que entrou na minha whishlist da Amazon (e lá ficou mais de um ano aguardando uma promoção que finalmente chegou) assim que eu terminei de ler outro livro da autora, Furiously Happy (ou Alucinadamente Feliz em português), por conta de amor puro e genuíno.

A autora, Jenny Lawson, sofre de uma lista um tanto quando grande de problemas psiquiátricos, porém, ou por causa disso mesmo, ela possui um senso de humor único e maravilhoso. Nesse sentido, esse livro é tão bom quanto Alucinadamente Feliz e vale muito a leitura, super recomendo.

Caso você ainda não tenha lido nenhum dois dois livros, sugiro fortemente que você comece por Vamos fingir que isso nunca aconteceu (título do livro na tradução em português), simplesmente porque ele foi lançado antes, logo, as histórias contadas aqui acontecem antes do livro seguinte, e você não vai querer spoiler, não é? Piadas a parte, eu juro que faz diferença na graça da leitura.

Sabe aquele ditado que diz que deus protege os loucos? Então, Jenny prova tanto que ele é verdade quanto ele não é. Porque não é possível que tanta coisa estranha aconteça com uma única pessoa, e justamente uma pessoa que vai ver a situação estranha de uma forma tão completamente diferente. Mas ao mesmo tempo, no final tudo dá certo. Sortuda.

Nota 10.

Guinevere: The Legend in Autumn (Guinevere #3)



SPOILER FREE

Esse é o livro culpado pelo meu atraso nas resenhas. Fiquei algumas semanas fugindo de escrever a resenha dele.

Como último livro da trilogia sobre a Guinevere que já havia me deixado feliz e triste ao mesmo tempo (veja as resenhas anteriores aqui e aqui), posso dizer que ele realmente faz parte dessa trilogia. Isto é, possui exatamente os mesmos problemas, talvez um pouco mais intensamente.

Minha questão com o livro não é o fato de ser triste, veja bem, estamos falando da saga do Rei Arthur, ninguém espera um final feliz, certo? Mas a questão é a construção desse final. Tem o problema da narradora, a própria Guinevere, que como até brincaram comigo quando reclamei para meus amigos, deve sofrer de algum tipo de doença neural degenerativa quando resolveu contar a história, porque ela nunca sabe se está contando algo que aconteceu há muitos anos ou está acontecendo no momento. Como o foco não é uma possível doença da narradora, isso só torna a leitura confusa e chata.

Outro problema é a escolha entre os momentos da história para alternar a leitura, numa tentativa de fazer a leitura mais dinâmica e prender o leitor. Sim, isso é uma técnica, leia Dan Brown para ver exemplos gritantes disso. O problema aqui foi a escolha da autora, entre um momento super empolgante e cheio de adrenalina e outro em que NADA acontece. Isso dura metade do livro, METADE. A outra metade é só muito, muito, muito deprê. E não é só por causa dos acontecimentos, mas também por conta das atitudes da Guinevere, que não parece mais a mesma personagem forte dos livros anteriores. Muito triste quando isso acontece assim, na ordem contrária do que seria bacana de ler.

Sendo muito boazinha, nota 6.

Nota da série: 6,5.

domingo, 8 de abril de 2018

Extraordinary Women from the Muslim World



SPOILER FREE

Esse é um dos livros que escolhi para o desafio literário de abril, que tem como tema "Uma História Oriental", e como ando num clima de ler mulheres falando sobre mulheres (a resenha do último livro da trilogia da Guinevere já vem, aguardem), nada melhor do que escolher um livro escrito por uma mulher, ilustrado por outra mulher e que fale sobre mulheres muçulmanas.

O livro em si é bem simples, consiste em capítulos pequenos onde cada um fala sobre uma mulher importante na história do mundo muçulmano (que é muito maior do que as pessoas costumam imaginar). As mulheres estão ordenadas de forma histórica, das mais antigas para as mais modernas, e todo capítulo possui uma ilustração belíssima da mulher em questão.

Uma das coisas interessantes é que todos os envolvidos nesse livro também são muçulmanos e de diversos lugares diferentes! E as mulheres retratadas são tão diversas quanto os autores! Coisa linda de ver! Tem mulher santa, poetisa, guerreira, educadora, advogada, intelectual... e de lugares absurdamente diferentes: Egito, Irã, Turquia, Iêmen, Índia, Nigéria e Arábia Saudita. Todas as mulheres retratas tem histórias incríveis e a leitura é rápida e uma delícia. O único porém é que são rápidas demais, eu gostaria de saber mais sobre cada uma delas, de tão incríveis que elas são. É o único defeito do livro.

As mulheres retratadas são: Khadija bint Khuwaylid, da Arábia, primeira esposa do profeta Maomé; Aisha bint Abi Bakr, da Arábia, esposa favorita do profeta e intelectual (a maior parte dos Hadith são de sua autoria); Al-Khansa, da Arábia, poetisa pré-islâmica que se converteu ao Islã e se tornou uma dos primeiros poetas muçulmanos; Rabia al-Adawiyya, do Iraque, santa sufi, um dos santos mais proeminentes do sufismo; Arwa bint Ahmed al-Sulayhiyya, rainha do Iêmen, mulher de história sensacional; Sultão Razia, da Índia, Rainha guerreira de Delhi, recebeu o título de Sultão ao invés de Sultana; Nana Asmau, da Nigéria, intelectual, poetisa e educadora do século XIX; Tjut Njak Dien, da Indonésia, intelectual e líder guerrilheira; Halide Edib Adivar , da Turquia, autora da única autobiografia feminina que se passa durante a primeira guerra mundial na Turquia, ativista dos direitos das mulheres; Umm Kulthum, do Egito, cantora célebre em todo o mundo árabe e uma das minhas ídolas da música árabe; Sabiha Gokcen, da Turquia, piloto militar, filha adotada do fundador da Turquia moderna, Ataturk, um dos aeroportos de Istambul leva o seu nome; Chaibia Tallal, do Marrocos, pintora do século XX; Shirin Ebadi, do Irã, advogada, juíza e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz.

Como eu disse, só histórias incríveis.

Nota 9.

domingo, 1 de abril de 2018

Lucifer Book Five










SPOILER FREE

E finalmente terminei a saga de Lucifer. Hora de prestar as contas.

Vou confessar que me decepcionei. Depois da apresentação fantástica do personagem em Sandman e de um primeiro volume muito interessante, a série desanda. Não quero me repetir, então veja os motivos nas resenhas anteriores (volume 1, volume 2, volume 3 e volume 4).

Acho que todo o problema foi a expectativa. Eu realmente esperava muito mais do que o autor foi capaz de entregar. Com alguns poucos momentos interessantes e memoráveis de verdade, na média as histórias de Lucifer são simplesmente medianas. O pior é que dos momentos legais que mencionei nenhum deles é por causa do personagem principal.

Então não li o último volume muito animada ou esperançosa de um final épico. Ainda bem, assim não fiquei chateada quando não teve um. O final é bem sem graça mesmo. Mas Elaine tem um final mais interessante, apesar de não ser fantástico, menos mal, mesmo que não seja bom.

Nota 6.

Nota da série: 7