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terça-feira, 5 de abril de 2022

O Céu Não Sabe Dançar Sozinho


 

SPOILER FREE

Quem me acompanha sabe que eu tenho uma listinha de autores favoritos que eu tento ler algo com alguma frequência, Ondjaki é um deles. O autor angolano é uma preciosidade capaz de escrever em diversos estilos literários, incluindo poesia, livro infantil, livro adulto, contos e romances. E ele não só escreve de tudo, mas escreve tudo muito bem.

Esse livro já estava fora da estante, rodando por aí na minha bolsa de praia, mas só essa semana eu consegui sentar na areia e lê-lo, de uma vez só, diga-se de passagem. Ainda bem que estava debaixo de uma barraca e com protetor solar, porque só consegui fechar o livro quando terminei.

O céu não sabe dançar sozinho é uma coletânea de contos, com um quê de realismo fantástico, que parecem relatos do autor em suas estadias ao redor do mundo. Cada conto se passa numa cidade diferente, num continente diferente, mas todos tem aquele quê característico de Ondjaki.

Apesar do livro se passar por diversos cantos do mundo, não espere um relato de viagens ou descrições de diversas cidades. Isso talvez seja comum demais para o autor. Seja na África, na Ásia ou na Europa, o autor traz pequenos retratos do que é um ser humano num lugar onde não pertence, onde se sente um tanto quanto inseguro e incerto das regras, mas que mesmo assim tem uma razão para estar ali. Nem que essa razão seja estar aberto para o improvável e para novas experiências.

Assim como outros livros supostamente autobiográficos do autor, não é claro o quão real ou fantasioso ou uma mistura dos dois os contos são. E no fundo, esse é um dos trunfos de Ondjaki, ele consegue capturar o humano em situações por vezes estranhas, mas não necessariamente impossíveis. E com isso ele transmite uma beleza única em coisas que podem parecer banais ou simplesmente surreais.

Mais um livro do autor que entra na lista de mais uma razão para ler Ondjaki.

Nota 10.

segunda-feira, 4 de abril de 2022

Um de nós está mentindo - One of us is lying


 

SPOILER FREE

Fazia muito tempo que esse livro estava na minha lista de leituras, mas com pandemia e desafios literários, não havia surgido ainda o momento dele. Quando vi que iria sair a série no Netflix de One of us is lying, não teve jeito, precisei tirar o livro da estante virtual e lê-lo o mais rápido possível para poder assistir à série.

Confesso que não li o livro inteiro primeiro, quando cheguei na metade comecei a ver os episódios, o que foi uma experiência interessante, pois deu para saber bem direitinho todas as alterações que fizeram do livro para a TV. Claro que terminei o livro antes da série, porque prefiro assim, e ainda bem que fiz isso.

Esse foi o primeiro livro publicado da Karen M. McManus, e fez um enorme sucesso na época, o que nem faz muito tempo, ele é de 2017, e desde então sua carreira deslanchou, com mais uns 5 livros publicados, incluindo uma continuação (que sim, eu já tenho). O lance de best-sellers é que nem sempre a gente entende como eles chegaram lá. Mas Um de nós está mentindo, como ficou o título em português pela editora Galera, faz jus a todo o bafafá e ter virado série.


O livro é um mistério, daqueles em que você tem um assassinato e vários suspeitos e todo o enredo gira em torno de quem matou quem. Nesse caso, temos Simon, um garoto pouco social que criou um app de fofoca da sua escola, onde ele posta as histórias mais escabrosas (e sempre verdadeiras) de seus colegas. Claro, ele que foi assassinado. Na lista de suspeitos temos quatro estereótipos personagens muito diferentes entre si, a cdf Bronwyn, o atleta Cooper, a patricinha Addy e o encrenqueiro Nate.

A história é narrada trocando a voz entre esses quatro suspeitos, sendo que todos, claro, assim como o resto a escola, tinham motivo para se livrar de Simon. Misturando o dia a dia da escola, com o circo midiático que não poderia deixar de acontecer nos EUA, o enredo é cheio de reviravoltas e surpresas. Não só com relação ao conteúdo dos quatro de Bayview High no app de Simon, mas com relação a outros aspectos da vida de cada um dos personagens principais, que dá todo um sabor extra e complexidade para cada um deles.

Particularmente, amei demais o livro. Achei bem escrito, com boas reviravoltas, um final que me surpreendeu e bons personagens não só principais, mas secundários também. Incluindo aí a irmã da Addy, que amei de coração e fiquei danada de não ter aparecido na série, assim como outros bons personagens, como o advogado Eli. O relacionamento entre eles também foi muito bem explorado pela autora. Gostei tanto que estou animada de ler outros dos seus trabalhos.

E aí chegamos à série de TV, que aqui no Brasil está disponível no Netflix... por um lado, a adaptação é muito interessante, porque me parece que eles fizeram um esforço de deixar os personagens mais diversos do que no livro, o que é sempre bom. Outro ponto positivo é que eles capricharam na realidade online da juventude atual, que está no livro, mas é diferente quando você usa uma mídia visual para contar a história. 

Por outro lado, eles mudaram bastante coisa do texto original. Isso por si só não é um problema, adaptações precisam disso. Não me considero uma purista nesse sentido. Inclusive eu já esperava que eles fossem mudar o final da história, só pra não ficar exatamente como no livro. O meu problema com as alterações é que eu acho que elas deixaram a história mais boba e os personagens menos profundos. Se tiraram bons personagens secundários porque não ia dar tempo, eu entendo, faz parte, fico triste claro, mas entendo. Entretanto, colocaram no lugar toda uma história muito complicada com uma das professoras. E o desfecho dessa história foi péssimo em diversos sentidos na minha opinião.

Mais um caso de o livro era melhor.

Nota 10 para o livro.

A série foi renovada, mas sinceramente, não pretendo assistir outra temporada, vou ficar só nos livros, obrigada.

quinta-feira, 31 de março de 2022

O Apelo da Lua - Moon Called - Mercy Thompson #1


 

SPOILER FREE

Para o Desafio Literário Popoca 2022 de março, com o tema escritora de fantasia ou ficção científica, resolvi tirar da estante uma indicação antiga, Patricia Briggs. A autora estado-unidense ficou famosa com sua série Mercy Thompson, e vai lançar agora em agosto de 2022 seu livro nº 13! Mas eu não tinha lido nada dela ainda, por motivos de saber que era uma série longa, e eu não tinha conseguido comprar o livro nº 2, e, conhecendo o estilo literário, gostar do primeiro sem ter o segundo seria um problema. Que foi resolvido ainda em março, quando consegui o volume faltante numa promoção. 

E assim peguei para ler O Apelo da Lua, como ficou a tradução pela editora portuguesa Saída de Emergência, que já publicou os 6 primeiros volumes de Mercy Thompson em português na terrinha. Não sei como ficou a tradução, mas, é a mesma editora portuguesa da Charlaine Harris, então imagino que façam um bom trabalho.

A série traz como protagonista Mercy Thompson, uma walker, que é um mito nativo dos EUA, onde uma espécie de bruxa seria capaz de se transformar ou disfarçar de animais (ver skin-walker). No caso do livro, Mercy é filha de um indígena, e é capaz de se transformar em coiote. Sua mãe, que não chegou a conhecer bem o seu pai, morto durante a gravidez num acidente, quando vê um filhote de coiote no berço da filha vai atrás da família do cara, e Mercy acaba sendo criada numa matilha de lobisomens.

Se você não achou nada de muito original até agora, some o fato de que Mercy, ou Mercedes, se formou em história na universidade, e na impossibilidade de conseguir um emprego no seu ramo, virou mecânica de carros da Volkswagen (sim, é uma piada proposital), tendo aprendido o ofício com um gremlin. O mundo onde se passa a história ainda é povoado de vampiros, bruxas e outros seres mágicos.

O livro tem um jeito que lembra o estilo da Charlaine Harris na série Sookie Stackhouse, que deu origem a True Blood, mas o mundo de Patricia Briggs me parece mais complexo e interessante, pra ser sincera. Fora que todo o romance não é o tema central do enredo, o que dá um certo alívio, e mais espaço para ação e adrenalina. Mas, não se engane, tem romance, tem triângulo amoroso, afinal ainda é uma fantasia urbana que tem lá seu público específico.

Tem umas questões estranhas nos relacionamentos também, mas, justiça seja feita, a autora deixa claro que são coisas estranhas e não romantiza. Ponto pra ela. No quesito problemas femininos do livro, o que acho mais complicado é a ausência de amigas mulheres da Mercy, mas, tudo bem, ela tem amigos homens que são só amigos mesmo, e não é como se o livro não tivesse outras personagens femininas ou que a Mercy só falasse com mulheres sobre seus interesses românticos. Meio ponto, podia ser melhor.

Agora no quesito ação e aventura, acho que é aí que está o trunfo da Patricia Briggs. A ação e o mistério do enredo, que envolve uma conspiração contra as matilhas de lobisomens que nossa protagonista conhece, é de tirar o chapéu. Me deixou ligada na leitura até o fim, e nem respirei e já comecei o livro seguinte, como eu sabia que corria o risco.

É um bom livro de abertura de série, tem toda uma ambientação no início, explicando como algumas coisas funcionam e em que ponto o mundo se encontra (os seres mágicos são parcialmente conhecidos dos humanos porque é difícil de se esconder com a tecnologia e ciência atuais), mas sem perder o fio da meada. Quando você vê já está envolvido no enredo. Confesso que fazia tempo que eu não pegava um livro que me deixasse tão viciada.

Estou animada para os volumes seguintes.

Nota 9.

sábado, 26 de fevereiro de 2022

The Apocalypse of Elena Mendoza



SPOILER FREE

Continuando o Desafio Literário Popoca de fevereiro de 2022, com o tema livro com uma capa ou muito colorida ou um livro que foi comprado porque a capa era bonita, escolhi um livro que não só tem uma capa lindona (tanto a versão original dela quanto a nova), como tem um título super interessante, O apocalipse de Elena Mendoza (em tradução minha, porque nada do autor Shaun David Hutchinson foi traduzido até hoje para o português).

Dessa vez, o autor nos traz a história de Elena Mendoza, nascida de uma mãe virgem (e cientificamente comprovado como único caso de partenogênese da história), e que certo dia, colocada diante de uma situação inesperada, descobre que tem o poder da cura. Porém, cada vez que ela usa esse poder coisas terríveis acontecem.

Eu já conhecia o trabalho de Shaun David Hutchinson do livro The five stages of Andrew Brawley, e como amei, fui com convicção de que esse também seria bom. Adoro estar certa. O apocalipse de Elena Mendoza tem momentos tensos e de ação, mas a história não é sobre isso, é sobre o que cada um acredita estar certo, o poder de escolha individual, também conhecido como livre arbítrio, e ter empatia pela humanidade de todas as pessoas, independentemente de escolhas ruins ou más mesmo.

Por ser um livro sobre escolhas, e com uma protagonista com a escolha mais difícil a ser feita, o enredo é um tanto quanto lento, porque todo o drama gira entorno de como Elena vai escolher, e ela no fundo não quer fazer uma escolha. Mas, no caminho temos situações muito interessantes e um dos poucos livros que a maioria dos personagens não são héteros e onde isso não é o tema central da história que eu já li, o que é muito bom para variar. 

Shaun escreve muito bem, e sua voz para Elena convence e engaja o leitor no problema em questão, escolher quem deve ser salvo e como num apocalipse. E apesar do tema pesado e complexo em termos de como lidar com a fé das pessoas, Shaun não só faz escolhas interessantes e fora do padrão (inclusive em termos religiosos), como ele consegue trazer humor para a narrativa.

É um livro que vale tanto pela capa quanto pelo conteúdo.

Nota 9.

Broken (in the best possible way)

 


SPOILER FREE 

Para o Desafio Literário Popoca de fevereiro de 2022 o tema é livro com uma capa ou muito colorida ou um livro que foi comprado porque a capa era bonita. Esse caso é uma mistura de motivos. Particularmente, amo a capa de Broken pintada pelo artista Omar Rayyan, e teria pensado em comprar esse livro só por causa dela. Só que eu adoro o trabalho da autora Jenny Lawson, e teria comprado o livro independente da capa. Mas, claro, uma capa com a autora pintada segurando um monstro fofo é simplesmente irresistível e um bônus.

Jenny Lawson é uma figura interessante, seu blog me proporciona bons momentos semanais, e eu já li os dois outros livros dela, Alucinadamente Feliz e Vamos fingir que isso nunca aconteceu, e amei os dois. Não havia a menor chance de eu deixar Broken passar sem ler. 

A autora sofre de diversos distúrbios mentais e problemas de saúde, incluindo depressão, ansiedade e uma doença autoimune. Mas, ela consegue escrever sobre isso com uma honestidade bem humorada e sarcástica que não só torna a leitura agradável, mas também ajuda a entender melhor as suas questões e tornar o leitor mais empático com outras pessoas que possam ter problemas parecidos. Melhor tipo de literatura, né?

Entretanto, Broken foi escrito durante a pandemia, e eu confesso que acompanhei o processo no blog da Jenny, e não foi fácil. Atribuo a isso a minha sensação ao ler Broken, que foi diferente dos livros anteriores dela. Minha percepção é que a autora não estava nos seus melhores momentos, e, bem, por questões de prazo e da vida, ela fez o que dava para terminar o livro, mas, o resultado final não é o seu melhor trabalho. 

O livro tem bons momentos, assim como os volumes anteriores, é quase que uma coleção de causos e pensamentos da autora, e alguns dos capítulos são brilhantes. Porém, na média, Broken não é tão bom. Vale a leitura, claro, mas se você nunca leu nada dela eu indicaria os dois outros livros.

Mas, esse tem a capa mais bonita, sem a menor dúvida. Pena que como foi lançado em 2021, ainda não tem tradução para o português.

Nota 8.

domingo, 30 de janeiro de 2022

Beirute Noir


 

SPOILER FREE

Para abrir o ano, e o Desafio Literário Popoca 2022, que tem o tema de janeiro livro de contos, escolhi um exemplar da série Noir da editora liberal e alternativa Akashic Books. A editora se especializa em autores que são ignorados ou não querem trabalhar no mainstream editorial dos EUA, e a série Noir tem ainda um viés internacional, pois foca em autores de diversos países.

A série Noir hoje já conta com mais de 70 cidades espalhadas por todos os continentes, com contos de autores locais e histórias inéditas que se passam na cidade título do livro. Beirute Noir, a minha escolha da vez, pode ser encontrado também em português, pois foi publicado no Brasil pela Editora Tabla, especializada em literatura árabe.

Para a capital libanesa, a seleção de contos foi organizada pela autora Iman Humaydan, também libanesa, e contem 15 contos de 14 autores libaneses e um palestino criado no Líbano. Os contos foram originalmente escritos em três idiomas, árabe, francês e inglês, o que já uma traz uma característica bastante interessante do Líbano, onde não só é comum encontrar pessoas bilíngues, mas o país também possui uma diáspora considerável espalhada pelo mundo inteiro.

Uma característica da série Noir é que os contos acontecem por diversos bairros da cidade título, e no caso específico de Beirute, os contos ainda se passam durante a guerra civil libanesa, que ocorreu entre 1974 e 1990, acontecimento que marcou profundamente o país. Por ainda por cima ser um livro de temática noir e com contos passados durante uma guerra civil... já dá pra sentir que as histórias não são exatamente leves.

Como todo livro de contos, é claro que Beirute Noir tem seus altos e baixos, mas de forma geral os autores trazem um retrato bastante interessante da cidade dividida pela guerra, com personagens pertencentes às diversas etnias e religiões que dividem o país. Achei especialmente interessante ver os armênios (com direito a citação à fuga do que hoje é a Turquia e o genocídio armênio), os muçulmanos, os cristãos, com direito as suas variações... o Líbano é um país muito mais diverso do que se costuma imaginar.

Mas é preciso estar preparado para a brutalidade da guerra, que muitas vezes é retratada de forma corriqueira, e o fato de que nenhuma história vai ter um final feliz. Eu confesso que gostei particularmente das histórias cujos protagonistas são mulheres, e algumas com protagonistas homens foram especialmente marcantes também. Com exceção de um ou outro conto que não me caiu bem, a leitura foi bem rápida e surpreendente agradável, considerando o tema.

Recomendo muitíssimo para ter contato com autores que dificilmente temos acesso, especialmente em português. É uma oportunidade imperdível.

Nota 9.


terça-feira, 30 de novembro de 2021

Coffee will make you black

SPOILER FREE

Para o Desafio Literário Popoca 2021 de novembro, com o tema protagonista negro, escolhi um já quase clássico da autora norte americana April Sinclair, Coffee will make you black. Apesar do livro ter sido lançado em 1994, até hoje não foi traduzido para o português, então, traduzo eu mesma o título: Café vai fazer você ficar preto

Pode parecer estranho, mas o título se refere a um dito popular dos EUA, especialmente nos séculos XIX e XX, que se dizia para as crianças não quererem beber café, para que ficassem com medo de escurecer sua pele. Em outras palavras, o título desse livro sozinho já diz muita coisa e a quê ele se propõe.

April Sinclair, criada em Chicago durante o movimento dos direitos civis dos negros americanos, traz a história de Stevie, uma jovem negra que começa o livro com 12 anos, e que vive durante os anos 60, bem no meio do movimento Black Power. A narrativa é toda centrada no ponto de vista de Stevie, que mesmo sendo uma leitora voraz e boa aluna, quer muito ser considerada cool

Apesar do pano de fundo político forte e do tema constante do racismo institucional dos EUA, a história de Stevie é de uma jovem se descobrindo, brigando com sua mãe, tentando fazer e manter amizades e conseguir um namorado. Talvez hoje seja meio clichê já, mas esse é o livro mais antigo que já li com esse tema onde praticamente todos os personagens são negros e que não é uma autobiografia.

Dentro do tema criança virando adolescente e se descobrindo, Coffee will make you black é um volume bem dentro do esperado, bem escrito, com questões típicas, mas muito abrangente, porque a autora não fica só no basicão. Ela inclui por exemplo, questões de descoberta da sexualidade que não eram muito comuns em livros publicados nos anos 90. 

Entretanto, o pano de fundo do movimento dos direitos civis e a questão do racismo trazem um peso para a trama que o leitor precisa estar disposto a enfrentar. Além disso, mesmo em inglês a leitura não é das mais simples, porque April caprichou nas gírias da época, o que, pessoalmente, eu gosto, porque data a história sendo contada, o que é mesmo o objetivo, mas, por outro lado pode deixar a leitura mais lenta.

No geral, é um excelente livro, e estou animada para pegar o volume seguinte, pois é uma duologia. Mal posso esperar para ver para onde vai a história de Stevie em Ain't gona be the same fool twice!

Nota 9,5.