Espaço para eu escrever sobre o que eu leio... Com espaço também para falar sobre autores que eu gosto e que eu não gosto... porque falar dos outros é fácil!!!
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segunda-feira, 23 de junho de 2014
The Golden Lily
SPOILER FREE
Sabe aquela sensação de comer pipoca? Você começa e não quer parar por mais que saiba que não é saudável? É assim que eu estou me sentindo com a série "Bloodlines", da mesma autora de "Academia de Vampiros".
"The golden Lily", que saiu um português como "O lírio dourado", é a continuação de "Bloodlines", que me surpreendeu positivamente como o início de uma série spin-off de "Vampire Academy". Assim como no primeiro livro dessa série, "The golden Lily" é muito divertido e dinâmico de se ler, e assim como no primeiro livro, você percebe que a autora tem um certo apego (grande apego, na verdade) pelos seus personagens, o que até agora, nessa nova série, não comprometeu o andamento da história.
Dessa vez, Sidney, a personagem principal dessa nova série, se aprofunda cada vez mais na parte que eu achei interessante no primeiro volume: os seus questionamentos com relação às crenças que foram incutidas na sua cabeça desde que ela era criancinha e foi preparada para ser uma alquimista. É muito interessante perceber como a sua visão de mundo vai se tornando mais complexa, conforme ela vê que o mundo é muito mais cinza do que preto e branco, tornando-se uma pessoa muito mais madura enquanto sua percepção da realidade vai se tornando mais pessoal e menos uma mera cópia do que disseram para ela.
Claro que durante esse processo a autora aproveita para colocar os ingredientes básicos dos seus livros: uma draminha adolescente aqui, um bocado de ação ali, teorias da conspiração acolá, e surpreendentemente uma dose maior que o de costume de humor. O desenrolar do drama romântico adolescente é tão engraçado, mas tão engraçado, que diversas vezes dei graças a deus por estar lendo em casa, porque eu gargalhei compulsivamente diversas vezes, o que me deu até medo do que os vizinhos poderiam pensar da louca que não parava de rir. Mas, enfim, rir faz bem, então valeu a pena.
Levando tudo isso em consideração, apesar de novamente o enredo ser previsível, o desenrolar da história é tão divertido e engraçado que esse detalhe perde completamente a importância, deixando o segundo volume da série melhor do que o primeiro! Achei isso simplesmente surpreendente, pois não tinha esperanças de que a autora pudesse fazer isso, mas vamos ver até onde ela consegue levar, afinal já saíram 4 livros e mais um vai ser lançado em julho, será que ela mantem esse fôlego até o final?
Nota 9 pelas lágrimas de riso.
sexta-feira, 20 de junho de 2014
Bloodlines
SPOILER FREE
Então, como eu prometi lá em janeiro, resolvi pegar a série filhote de Academia de Vampiros para ler, porque depois de "Museu da inocência" e de "Alice através do espelho" e alguns meses de excesso de estresse, minha sede literária por "junk food" foi às alturas, coisa que só uma série adolescente sobre vampiros poderia suprir.
Tomei coragem e resolvi voltar ao universo dos moroi, strigoi, dhampir e alquimistas para ver o que mais a autora poderia oferecer se ela resolvesse criar novos personagens (afinal o apego dela por eles foi um dos grandes problemas na série original, como eu comentei nos livros aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui - sim, a série original tem 6 livros, ufa!). Nesse primeiro livro da nova série, que já tem 4 livros publicados e um quinto para sair no mês que vem, Richelle Mead resolveu inovar pouco, e com poucas exceções quase não há personagens novos, o que é compreensível num primeiro volume de um spin-off, mas eu confesso que esperava mais nesse quesito.
Ah, sim, melhor explicar rapidamente do que isso tudo se trata, né? Vamos lá, aula relâmpago: os moroi são vampiros bonzinhos, apesar de se alimentarem frequentemente de sangue humano e de serem seres com acesso à magia, eles não matam seu alimento e tentam manter sua vida pacífica e escondida dos seres humanos em geral; os strigoi são os vampiros clássicos, mortos vivos com sede insaciável por sangue e sem escrúpulos, eles são criados quando um moroi mata sua refeição e também da forma clássica de beber/dar sangue; os dhampir são seres híbridos, uma mistura entre moroi e seres humanos, mas como esse tipo de relação não é mais aceita, eles basicamente são uma mistura de dhampirs com moroi (dado que dhampirs não conseguem ter filhos entre si), eles são basicamente seres humanos com os sentidos aguçados, reflexos melhores e mais fortes; os alquimistas são uma espécie de sociedade secreta de humanos cuja missão é manter os seres sobrenaturais escondidos da sociedade humana em geral; a sociedade dos seres sobrenaturais funciona basicamente assim, os moroi são seres considerados superiores (por eles mesmos, claro), que são protegidos pelos dhampir (que dependem dos moroi para se reproduzir) e perseguidos pelos strigoi, que os consideram uma iguaria sublime. Os moroi vivem num sistema democrático-monárquico bizarro, onde seus reis e rainhas são escolhidos por voto, mas só podem se candidatar os membros mais velhos das famílias reais, o que deixa a maioria dos moroi de fora, claro, e o cargo é praticamente vitalício. Na primeira série, a personagem principal, Rose, é uma dhampir que possui uma ligação psíquica com uma princesa moroi, Vasilissa, e no final de muitas confusões Vasilissa é eleita rainha, mas ela pretende muitas reformas controversas e por isso não tem um apoio total dos moroi. Para complicar, ela só pode se manter no trono enquanto tiver algum outro membro vivo na sua família, o que se resume a uma meio irmã bastarda, que, é claro, vira alvo de todos os seus inimigos.
Dito tudo isso, a série "Bloodlines" conta a história de uma alquimista, Sidney, apresentada no 4° livro de Vampire Academy, que apesar de ter caído em desgraça com os alquimistas por seu envolvimento nos acontecimentos da série original, acaba sendo escalada para a missão de proteger a irmã bastarda da rainha, Jill. Claro que Jill tem um pequeno entourage, e, claro, todos nesse grupinho já apareciam na série original (como eu disse, a autora tem apego pelos seus personagens).
Quanto à história em si, é um bom desenvolvimento com relação à série original, a conexão está lá, faz sentido e é bem plausível e explicadinha, tudo como manda o figurino. No início achei a Sidney uma quase cópia da Rose da série original, especialmente na forma como suas ações são utilizadas para fazer a história andar, mas essa sensação vai mudando ao longo do livro, conforme a personagem vai ganhando mais profundidade e suas características vão ficando mais distintas.
O enredo em si é interessante, e apesar de ser um pouco previsível, a escrita da autora é cativante o suficiente para você não ligar muito para isso. O mais interessante, contudo, é o conflito interno de Sidney, pois conforme ela aumenta o seu contato com seres não-humanos todo o seu sistema de crenças vai sendo questionado, e isso é trabalhado de uma forma muito bacana. Some a isso uma certa dose de ação, magia, e um pouquinho de drama adolescente (muito, muito, muito suave nesse livro na minha opinião, o que é ótimo) e você tem a receita de Bloodlines, que em português foi publicado como "Laços de Sangue".
Não sei se por culpa dos livros que li anteriormente esse ano, mas fiquei com a sensação de que o livro é curto, e a leitura é extremamente dinâmica. Bem de acordo com o que eu procurava, com o bônus de ser bem escrito e não comprometer com problemas de enredo. Muito recomendado para quem curte livros para adolescentes (por falta de uma expressão em português para young adults - adultos jovens).
Nota 8,5.
sexta-feira, 13 de junho de 2014
Alice através do espelho
SPOILER FREE
Quem me conhece sabe que eu amo de paixão o livro "Alice no País das Maravilhas", logo, num mês cujo um dos temas de desafios literários que eu sigo é "clássico infantil", era meio óbvia a minha escolha pelo segundo livro mais famoso do Lewis Carroll, que curiosamente eu nunca tinha lido.
Eu confesso que eu tinha altas expectativas com relação ao livro, afinal é uma continuação de "Alice in Wonderland", mas depois de lutar com o volume por uma semana no kindle finalmente entendi porque ele não é nem de longe tão famoso, nem foi utilizado para nenhum tipo de filme da Disney. "Através do espelho" é chato, muito chato. Tudo o que Lewis Carroll consegue fazer de milagre do nonsense no primeiro livro simplesmente não funciona no segundo.
A sensação que eu tenho é que o autor resolveu experimentar todas as drogas alucinógenas disponíveis na sua época ao mesmo tempo e teve uma "bad trip". Porque mesmo o nonsense mais nonsense precisa ter um mínimo de coerência para ser divertido, sem isso vira apenas uma coletânea sem pé nem cabeça de jogos de palavras e ideias estapafúrdias, o que pode ser legal nas primeiras 5 páginas, mas depois cansa. Infelizmente achei que é esse o caso de "Through the looking-glass".
Uma pena, de longe parecia tão legal, tem tantos personagens famosos...
Nota 4.
quinta-feira, 12 de junho de 2014
O museu da inocência
SPOILER FREE
Então, esse foi o livro responsável pelo meu primeiro atraso nos desafios literários desse ano. Com quase 600 páginas, eu sabia que estava me metendo em confusão, mas eu também fiquei tão curiosa com ele quando o ganhei de presente em setembro do ano passado (dica, é meu aniversário tá?), que não pude resistir a lê-lo no mês de livros ganhos de presente.
Entenda a minha curiosidade, o tal museu que dá o título do livro realmente existe, fica lá em Istambul, e foi criado especificamente por causa do livro. O autor foi louco o suficiente para isso! Claro que no livro dá a entender que é o contrário, mas faz parte da ideia, né? Ah sim, e o museu é sobre o amor e a obsessão (e põe obsessão nisso) de um homem por uma mulher que, socialmente falando, ele não deve casar.
Então, depois de alguns meses namorando o tijolo na estante, resolvi encarar o desafio. E me dei mal, como é fácil de perceber, demorei quase um mês para ler o elefante adormecido. Parte da culpa é minha, confesso, pois fiquei doente no meio do caminho, mas parte é culpa do livro, claro.
Foi meu primeiro livro do Orhan Pamuk, o lendário escritor turco, mas eu imaginava algo mais palatável. O livro beira o genial, mas o que ele tem de genial é justamente o poder do autor de fazer com que o leitor se sinta como se fosse o personagem principal, que está na merda na maior parte da história. Se você curte livros que façam você se sentir na pele do personagem, e não se importa de se sentir deprimido por um bom tempo, esse é o livro perfeito pra você.
Pessoalmente, me senti extremamente dividida com o livro, porque gostei muito do primeiro e do último terço da história, mas quis jogar o volume pela janela durante o meio do caminho. Confesso que pensei em desistir no meio da leitura. Mas também confesso que fiquei extremamente feliz de não ter feito isso quando cheguei no final. Em outras palavras, apesar de ter sofrido para conseguir ler o livro, e ter detestado o meio dele, achei o conjunto da obra fantástico. Apesar de não ter gostado da experiência, achei genial a forma como o autor consegue fazer você sentir como se fosse mesmo o personagem.
Outro ponto que me fez gostar do livro é que ele se passa em Istambul, e foi uma delícia reconhecer os nomes de diversas ruas, praças e bairros da cidade turca... confesso que quase peguei o meu guia com os mapas para acompanhar a história! E de cerejinha, o autor aproveitou para fazer um retrato muito interessante sobre as mudanças que a sociedade turca passou desde os anos 60, um prato cheio para quem gosta de estudar Oriente Médio.
Nota 9,5.
quinta-feira, 22 de maio de 2014
O Pequeno Príncipe
Então... meu nome é Laura e eu sou viciada em livros, mas eu nunca tinha lido "O Pequeno Príncipe".
A grande vergonha admitida, vou passar adiante. Pois é, como eu comentei no último post, os temas dos desafios literários desse mês são livros que ganhei de presente, romance contemporâneo e um clássico europeu não inglês. Adivinha onde entrou nosso francês tão adorado? :-)
Para pegar menos mal por conta da vergonha de nunca ter lido esse clássico, resolvi pelo menos ler no original em francês (era o mínimo para compensar, né?). E fazia algum tempo que eu tinha conseguido essa versão aí em cima com as aquarelas originais do autor. Aparentemente, o livro foi publicado pela primeira vez nos EUA por conta da Guerra, e quando finalmente foi publicado na França, os desenhos sofreram algumas adaptações, e desde então ele foi publicado com as aquarelas adaptadas. Só no final dos anos 90 ou início dos anos 2000 (não lembro ao certo) que foi feito um trabalho de recuperação do trabalho original para uma nova edição, e foi essa que eu comprei, claro.
Mas ao ler o livro você percebe rapidamente porque ele é um clássico. É pura poesia! Tudo é lindo e/ou fofo, uma coisa realmente apaixonante. Não sei se eu teria gostado tanto dele quando criança (meu gosto era diferente, claro), mas hoje eu simplesmente achei o máximo, e é mesmo. Saint-Exupéry foi em gênio, não existe outra explicação. Ainda não li mais nada dele, mas confesso que fiquei com vontade. Mais livros para minha lista sem fim...
Vou evitar me alongar muito, porque clássico que é clássico dispensa apresentações, né?
Nota 10.
segunda-feira, 19 de maio de 2014
Fim
SPOILER FREE
E finalmente chegamos nos temas de maio para os meus Desafios Literários! Esse mês preciso ler romances contemporâneos, livros que ganhei de presente e algum clássico europeu que não seja inglês.
Dentro desses temas, o primeiro a sair da estante foi um livro menorzinho, porque a ideia era levá-lo comigo numa viagem a São Paulo que não previa muito tempo disponível para leitura (tiro e queda, só abri o volume no voo de volta). Esse livro eu ganhei no último Natal, presente da minha mãe, sempre cuidadosa em comprar livros que eu não tenha (tarefa difícil, eu sei). Para não arriscar ela comprou um lançamento de final de ano da atriz Fernanda Torres, um livro que tem recebido críticas muito positivas.
Apesar de não ter sido a época mais propícia para ler algum livro com o teor de "Fim", a autora me surpreendeu muito positivamente, porque o livro é muito bem escrito! Ele vem dividido em 5 partes, cada uma com o nome de um dos 5 personagens masculinos principais, que são amigos durante quase toda a vida. Dentro de cada parte você encontra diversos capítulos sobre o personagem título, sendo que os narradores variam entre os amigos, as mulheres (ex, amantes, de toda a vida, enfim, é variado) e alguns penetras no círculo de amizade. Dessa forma, o livro é uma grande colcha de retalhos com estilos de narrativa diferentes, onde tudo se encaixa dentro de diversas perspectivas sobre o dia a dia de 5 casais de amigos desde a juventude vivida no Rio de Janeiro da década de 60 (aproximadamente) até praticamente a morte.
As histórias são extremamente pitorescas, e talvez um pouco clichés, mas são contadas de forma tão divertida e variada, com tantos encontros, desencontros e mal entendidos, que a leitura flui de forma muito leve e rápida. Para um livro pequeno, há um certo excesso de personagens, o que confunde um pouco, e é necessário um certo esforço para acompanhar quem é casado com quem, quem se separou ou morreu, porque a história não é contada de forma linear e as relações entre os narradores e o personagem título nem sempre são óbvias, o que atrapalha ainda mais. Mas se isso não for um problema para você o livro é simplesmente delicioso.
Para um livro de estréia (corrijam-me se eu estiver errada nessa informação), achei fabuloso e muito acima da média. Dentro do que já li de literatura nacional ele também vai bem, apesar do excesso de nomes envolvidos na trama. Faltou talvez alguma surpresa, pois não há nada de surpreendente na estória, mas quem disse que isso é essencial, né?
Nota 9.
quarta-feira, 7 de maio de 2014
O Caçador de Pipas
SPOILER FREE
E depois de alguns anos fugindo desse livro, uma prima minha me emprestou (ele ainda foi lido em abril, mês dos livros emprestados) e resolvi finalmente encarar o best-seller.
Tinham me falado tanto de como esse livro é pesado que eu esperava algo muito pior do que o apresentado. Para pessoas mais sensíveis realmente a história pode ser chocante, mas, não sei, acho que já li tanta coisa complicada e ruim que não fiquei assustada (não sei se isso é bom, mas foi o que aconteceu). Não que diminua a gravidade da história, mas não achei nenhuma grande novidade.
Aliás, esse é um dos problemas do livro, é muito cheio de clichés. Outro problema é que a história não evolui, o personagem principal lida com o seu trauma de infância e sua culpa exatamente da mesma forma ao longo de quase toda a narrativa, o que além de ser chato, evidencia um personagem superficial, o que é fatal num livro onde todo o objetivo parece ser contar a sua evolução (com a história do Afeganistão como pano de fundo apenas). Eu esperava mais, muito mais.
Por conta disso, o livro passa uma sensação de repetição, é sempre a mesma ladainha, sem grandes floreios literários que poderiam tornar a coisa poética ao invés de chata. A leitura se torna lenta, e o que me fez continuar foi mais a curiosidade sobre como a história do Afeganistão se desenrolaria e o que o personagem teria para contar sobre isso do que sobre o seu drama pessoal. Achei uma pena, porque o enredo tinha muito potencial.
Nota 7.
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