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quarta-feira, 9 de março de 2016

The Witch's Broom

SPOILER FREE

Na minha corrida para esvaziar o meu kindle (é um esforço muito sincero que estou fazendo), resolvi apelar até para livros mais curtos sobre Wicca. Esse em especial é muito fofinho e é uma leitura interessante até para quem não é praticante, mas se interessa pelo assunto.

"The Witch's Broom" é uma espécie de coletânea de lendas, folclore e receitas de feitiços relacionados com vassouras. Ele trata desde o uso de vassouras e derivados ao longo da história da humanidade, até as diversas formas como a bruxaria moderna faz uso desse instrumento tão característico e antigo. Até as bruxas da Disney e Harry Potter são mencionados. Eu gostei particularmente das passagens escritas por outros autores contemporâneos de bruxaria, onde eles contam como fazem uso de vassouras nas suas práticas espirituais, o que se vê são práticas muito individuais e variadas em relatos bem honestos, eu curti.

Em alguns momentos a coisa fica um pouco clichê demais, e a autora parece estufar o livro de informações absolutamente desnecessárias (fica muito na cara que é enrolação para deixar o livro mais longo), o que é de revirar os olhos. Em outros a leitura pode ser meio maçante, se feita como eu fiz, lendo tudo de uma vez, mas isso porque o livro tem um capítulo específico só para rituais utilizando-se vassouras, e bom, é um capítulo mais voltado para consulta do que para ler de uma sentada só, já que o livro possui os rituais completos, que tem diversas partes absolutamente iguais em todos eles. Pessoalmente eu gostei muito, mas eu curto ritual Wicca, então minha opinião é muito tendenciosa.

No geral, o livro é bonitinho e tem coisas interessantes no meio. Mas não é uma leitura imperdível ou imprescindível. Para quem curte o assunto é legal porque concentra bastante informação sobre um tópico que normalmente não é muito trabalhado.

Nota 7,5.

quinta-feira, 3 de março de 2016

If I stay - Se eu ficar



SPOILER FREE

Como eu mencionei em outro post, estou com um problema de espaço/memória no meu kindle, por isso estou enlouquecida lendo tudo o que parece ser curtinho para esvaziar o aparelho e poder baixar alguns livros que ainda pretendo ler até o final do desafio literário desse ano. Por isso, assim que terminei o livro anterior, fui dar uma olhada no que eu tinha no início da minha lista de obras no kindle (a lista está tão grande que é difícil navegar por ela, uma vergonha), e quando passei por esse título pensei "taí um livro que tenho curiosidade de ler, já que o filme é tão bonitinho", e como ele parecia curtinho, foi ele mesmo.

E sim, o livro é muito pequeno. Fiquei surpresa quando cheguei no final, sabe aquela sensação de "já"? Pois é.

E o livro é realmente bonitinho, que nem o filme, só que bem melhor, claro. As diferenças entre um e outro é que o livro é fofo, apesar dos exageros inerentes de uma história dramática com adolescentes, enquanto o filme é piegas e mostra um relacionamento não muito saudável entre Mia, a personagem principal, e Adam.

A história em si é a típica armadilha: adolescente talentosa e com grande potencial artístico musical sofre um acidente de carro com a sua família e entra em coma, enquanto isso sua mente/espírito/o-que-quer-que-você-queira-interpretar continua presente e pode observar o que está acontecendo a sua volta. Intercale as situações no hospital/ambulância/etc com passagens do seu passado em forma de memórias, com direito a um relacionamento conturbado com outro adolescente músico, e você tem "Se eu ficar".

Vou confessar que o livro acabou me surpreendendo, tendo visto o filme, eu esperava algo bem mais meloso e com relacionamentos insalubres, e como não tem nada disso, superou as minhas expectativas. Dentro das premissas e do seu público alvo, e até muito bom. E, claro, tem uma continuação, que eu ainda não tenho, e só vou comprar se/quando entrar em promoção, lógico!

Mas não é nenhum suprassumo literário, nem nenhuma obra prima, e também não tem nada de novo.

Por isso, nota 8,5.

quarta-feira, 2 de março de 2016

The five stages of Andrew Brawley


SPOILER FREE

Então, estou numa situação meio bizarra. O meu kindle não tem mais espaço para livros. E como eu não quero deletar livros que ainda não li (senão eu sei que ficarão eternamente esquecidos na nuvem), comecei um projeto de tentar ler o maior número possível de livros no kindle, para tentar esvazia-lo e conseguir colocar nele o que ainda pretendo ler esse ano (nem que seja um livro só de cada tema, porque a situação é crítica).

Explicada a situação, esse livro eu comprei numa promoção (óbvio, eu quase não compro mais livros sem ser assim) e estava dando sopa no kindle, além de parecer curto (a pressa é inimiga dos livros grandes). Então, ele magicamente furou a fila e comecei a lê-lo. E não me arrependo nem de uma vírgula.

"The five stages od Andrew Brawley" é uma história lindíssima sobre um adolescente que mora escondido dentro de um hospital depois de perder toda a família. Claro, o livro tem o seu lado "armadilha", afinal é uma história de um garoto num processo de luto, e que fez amizades com pacientes e funcionários do hospital, o que é uma receita infalível para deixar os olhos marejados.

Mas sem levar o lado dramático de uma narrativa como essa em consideração, já que nada disso é levado ao exagero, o texto é realmente muito bem escrito, a voz de Andrew como narrador em primeira pessoa é tão bem feita que você simplesmente mergulha na sua história. E para colocar a cerejinha no bolo, o livro tem intercalado entre os seus capítulos os quadrinhos que o Andrew criou sobre um personagem muito interessante, chamado Paciente F. Como não amar uma coisa dessas?

E para melhorar ainda mais o meu conceito sobre esse livro, ele foge dos padrões ao colocar Andrew como um adolescente homossexual, e bem resolvido com isso. Em outras palavras, a única coisa que é influenciada por isso na história é o sexo do seu interesse romântico. É muito amor num livro só.

Super recomendado!

Nota 10.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Dear Life

SPOILER FREE

Alice Munro é uma escritora canadense vencedora do Nobel de Literatura em 2013, sua especialidade são contos, que normalmente se passam no interior do Canadá e cujos personagens costumam ser pessoas simples, mas que ilustram a complexidade da natureza humana.

Eu, como grande fã de literatura de fantasia, não costumo ler muita coisa nesse estilo, e foi uma surpresa extremamente agradável ver histórias tão "mundanas" serem tão interessantes e tão bem escritas. A parte do bem escrita eu já esperava, afinal, Alice ganhou o Nobel por algum motivo, mas daí a ser tão envolvente e me deixar genuinamente interessada foi algo que me pegou desprevenida.

Também foge das minhas leituras comuns as "short stories", e novamente fiquei maravilhada com a forma como Munro trabalha com elas. Como ela consegue tratar de personagens tão complexos em histórias curtas, de forma que o leitor não fica com a sensação de que ficou faltando algo, é simplesmente lindo de ver.

Fiquei tão encantada que já coloquei mais alguns livros dela na minha wishlist da Amazon e já pretendo procurar alguns títulos em português para dar de presente.

Essa é uma das coisas que me fazem continuar ano após ano em desafios literários, é muito bom sair da nossa zona de conforto e encontrar joias da literatura que nos agradam. Agora eu tenho mais uma autora para a minha lista de autores para acompanhar!

Nota 10.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Gone girl - Garota Exemplar



SPOILER FREE

Essa leitura está atrasada, porque normalmente eu tento ler os livros antes de ver os filmes, mas "Gone girl" estava na lista do Oscar do ano passado e eu acabei por assistir às pressas antes da premiação, o que obviamente não incluía tempo suficiente para ler o livro. Mas, antes tarde do que nunca, acabei pegando o livro para ler no final de janeiro.

O livro e o filme são basicamente iguais, e como o filme é muito bom, para quem não tem paciência para ler, também é um bom substituto. Porém o livro é sensacional, então vale o esforço de ler mesmo sabendo o que vai acontecer. E se não souber, melhor ainda!

A história é toda contada em primeira pessoa, ou pelo diário de Amy (a tal garota exemplar do título, ou só a garota no título original), ou numa narrativa feita pelo seu marido, Nick. Depois outras formas de narrativa surgem, mas se eu disser o que é já é spoiler. Para quem não sabe, tudo começa quando Amy desaparece, e conforme a polícia estuda o caso, Nick se torna um dos principais suspeitos.

Mas o mais interessante do enredo é a forma como a autora faz os personagens enganarem o leitor, tão completamente que quando as reviravoltas surgem você fica genuinamente surpreso. É tudo extremamente bem bolado e bem feito. E é isso que torna o livro (e o filme) uma obra acima da média.

Para quem gosta de mistério ou suspense é um prato cheio.

O único "porém" que eu tenho para reclamar é que o final não é exatamente à altura do livro como um todo. Porque as coisas escalam a tal ponto que o final que a autora bolou fica meio apagado, quase sem graça. O que não afeta a proeza do corpo do livro, mas deixa um gosto de poderia ser melhor.

E é por isso que a nota é 9. É bom, mas poderia ser melhor.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Dracula


SPOILER FREE

Não sei se realmente precisa ser "spoiler free", mas como as pessoas leem muitos livros sobre vampiros mas não necessariamente o-grande-clássico-que-começou-tudo acho que ainda é válido. 

Drácula foi uma releitura! Resolvi pegar para reler por dois motivos, o primeiro é que ele é todo escrito em forma de cartas e de diários escritos pelos personagens, o que o classifica no tema do desafio literário de janeiro. Segundo porque no início do ano fiz o maridão parar para assistir o filme Dracula do Coppola, que é um clássico também, e claro, fiquei com vontade  de reler o livro, até para fazer a obrigatória comparação entre os dois :-)

Pois então, Dracula de Bram Stoker é realmente tão sensacional quanto eu lembrava. Com um ritmo extremamente rápido para um livro escrito no século XIX, e com uma história muito envolvente e bem escrita, é a receita perfeita para um sucesso que atravessa gerações e que inspirou diversos outros clássicos, além de abrir as portas para a literatura supernatural.

A única coisa que me incomodou, foi que eu resolvi ler a versão original em inglês (claro!) e, além dela ter sido passada para o kindle por voluntários (o que gerou alguns problemas de formatação, que fazem parte dos livros gratuitos para kindle), o texto original é tão pomposo que precisei usar diversas vezes o dicionário (que sempre indicava que a palavra era de uso antigo) e ler mais devagar, pois as frases eram escritas de uma outra forma, que não se usa mais, logo não estou acostumada. É quase um Shakespeare, só que mais fácil porque a ortografia ainda é a mesma. Exceto quando Bram Stoker simula o sotaque de marinheiros, essas partes eu simplesmente desisti de entender tudo.

Para quem não sabe, o livro narra a história de Jonathan Harker, um advogado que viaja para a Transilvânia, para tratar de um cliente excêntrico, o Conde Drácula. O Conde está comprando uma propriedade na Inglaterra e logo Jonathan percebe que tem algo estranho com o velho aristocrata, perdendo a noção do que é real e do que é sua imaginação. Enquanto isso, sua noiva Mina o aguarda, trocando cartas com sua amiga Lucy, que adoece de forma repentina. Para descobrir que doença exótica que ela tem, onde ela perde imensas quantidades de sangue é chamado o médico e cientista Professor Abraham Van Helsing (outro personagem clássico!).

Caso você não tenha paciência para ler o livro, que é realmente um pouco longo, o filme de 1992 do Coppola é uma boa adaptação cinematográfica. A única parte inventada para o cinema é o relacionamento bizarro entre Mina e Drácula.

Nota 10 (para o livro!), como não podia deixar de ser.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

As vantagens de ser invisível (The perks of being a wallflower)



SPOILER FREE

Ainda no tema livros em forma de cartas, para desintoxicar do primeiro livro do ano, resolvi ler o aclamado "as vantagens de ser invisível". E vou te dizer que o livro tem diversas razões para ter sido sucesso de crítica e de público.

Stephen Chbosky (como se lê isso?), em seu primeiro romance, traz a história de Charlie, um adolescente de 15 anos com dificuldades de se relacionar socialmente. O livro é todo feito de cartas escritas por Charlie para um "amigo", que na verdade ele não conhece, e justamente por isso é que ele resolve escrever para ele. O cuidado é tanto que ele avisa logo de cara que vai alterar os nomes de todos os envolvidos para que os mesmos não sejam reconhecidos. Eu mencionei o problema de relacionamento do personagem principal? Pois é. E nessas cartas Charlie fala sobre tudo, a escola, a família, seus amigos, sentimentos...

Um dos grandes trunfos do romance é justamente a forma como aos poucos Charlie vai se soltando e  se desenvolvendo, não só na sua forma de escrever, como também emocionalmente. É um dos protagonistas mais bonitos e bem construídos que já li na minha vida. Apesar das suas dificuldades sociais, Charlie é de uma sensibilidade tão grande que emociona o leitor. É simplesmente fantástico o trabalho do autor nesse sentido, a forma honesta como ele trabalha o seu protagonista, os demais personagens e a vida dos adolescentes. É tão sensacional que me peguei sorrindo para o livro diversas vezes.

Agora fiquei com muita vontade de ver o filme, não sei se vai ser tão bom quanto o livro, então, estou tentando controlar as minhas expectativas. Mas elas estão altas mesmo assim.

Nota 10!