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domingo, 20 de outubro de 2019

Love and Music (and Missing Ted Callahan): A Novella Sequel



SPOILER FREE

Depois de um livro tão divertido quanto Kissing Ted Callahan, é claro que eu dei um jeito de conseguir a continuação, por mais que ela seja uma novela e não outro livro.

Rever a personagem Riley é realmente uma delícia, que personagem divertida! Amy Spalding foi muito feliz na sua criação. E vê-la com menos drama do que no livro original também é interessante. A história aqui é bem mais simples, a banda de Riley vai se apresentar num festival, mas Ted Callahan não pode ir junto porque tinha outro compromisso.

Toda a história aqui é feita praticamente para você se divertir com as graças de Riley e sua tietagem com outros músicos, além de uma questão de confiança ou não em Ted, que se contrapõe com a forma como Reid, seu amigo de banda do primeiro livro, está se relacionando com a sua namorada. Nesse quesito, inclusive, a novela é nota 10. São poucas as vezes que se vê uma personagem principal num relacionamento tão saudável. Vale a pena só por isso.

Em compensação, talvez pela falta de conflito no enredo, Riley acaba por ficar um tanto quanto exagerada nessa história, e por isso parte da graça da personagem se esmaece. Inclusive, esse exagero é o maior defeito de Love and Music.

Por isso, nota 9.

domingo, 29 de setembro de 2019

Kissing Ted Callahan (and Other Guys)



SPOILER FREE

Apesar dos problemas que são inescapáveis em histórias adolescentes, preciso confessar que curto esse tipo de livro. Às vezes eu até encontro um muito acima média e onde os problemas tradicionais simplesmente não fazem diferença, e preciso começar essa resenha dizendo que Kissing Ted Callahan (and Other Guys) é uma dessas pérolas.

A autora americana Amy Spalding traz a história de Riley, uma baterista de 16 anos que descobre junto com seu amigo e colega de banda Reid, que os outros dois membros da banda, Lucy e Nathan, sendo que Lucy é sua melhor amiga, estão se pegando. O flagra acaba por gerar alguns conflitos para Riley e Reid, que resolvem unir forças para não serem mais os únicos celibatários da banda.

E é aí que a coisa já começa de forma interessante. Primeiro que Riley e Reid são amigos de verdade, e eles resolvem se ajudar a conseguir conquistar outros adolescentes através de trocas de experiências e dicas num caderno. Reid está topando quase qualquer coisa que tenha XX no seu DNA, enquanto Riley resolve focar no seu crush Ted Callahan. O problema, além de Riley considerar Ted inalcançável, é que ela descobre que outros adolescentes também são interessantes, e quem diz que ela precisa só do Ted?

De forma geral, o livro é uma leitura leve e extremamente divertida. Riley é uma das melhores personagens que já li, e suas aventuras são simplesmente maravilhosas. E o livro consegue escapar de diversos problemas, como misoginia, slutshaming, machismo e excesso de drama. 

Gostei tanto que nem esperei para pegar logo o livro seguinte, que não é uma continuação,  Kissing Ted Callahan (and Other Guys) pode ser lido sozinho e funciona muito bem assim.

Espero apenas que a autora amplie o leque de elogios que eu posso fazer aos seus textos, incluindo mais personagens de outras etnias e LGBT, se ela seguir nesse caminho vai ser ainda mais maravilhosa.

Nota 9.

Grand Bal du Printemps/Charmes de Londres



SPOILER FREE

Quem segue o meu blog sabe que eu leio poesia com alguma frequência, e que tenho uma paixão pelo autor francês Jacques Prévert.

Prévert é um desses autores que eu preciso ter sempre a mão, porque seus textos simplesmente me fazem bem. E apesar de não ter tantas traduções assim para o português, eu consigo lê-lo no original, o que torna a experiência muito mais interessante.

Prévert é um autor excêntrico. Seus livros de poesia muitas vezes são intercalados por textos supostamente de outros autores, como uma piada interna. Outras vezes os livros possuem imagens feitas pelo autor ou em colaboração com diversos outros artistas, porque Jacques Prévert trabalhou com muita gente diferente ao longo da sua carreira, além de se de embrenhar em diversas linhas artísticas distintas.

Algumas de suas poesias e textos têm um quê mais irreverente e um tanto quanto nonsense, enquanto outros trabalhos são focados em críticas sociais bastante duras, em especial com relação a pobreza, guerra, colonialismo e status social.

Os dois livros reunidos nesse volume da Folio que consegui não são muito diferentes disso. Ainda bem.

Tanto Grand Bal du Printemps quanto Charmes de Londres seguem as características marcantes do autor, que no fundo é a razão pela qual gosto dele. Então, para mim não há a menor dúvida:

Nota 10.

Zami: A New Spelling of My Name



SPOILER FREE

O tema do Desafio Literário Popoca de setembro é um livro que tenha sido lançado no ano que você nasceu, e eu posso dizer que fui bastante feliz com esse tema. 

Um dos livros lançados em 1982 é a autobiografia da ativista negra, lésbica, poetiza, filha de imigrantes caribenhos e uma das pioneiras nas definições que criariam o feminismo intersecional Audre Lorde. A autora americana têm diversos livros lançados, entre livros de poesia, livros de textos militantes e autobiografias, mas Zami é o primeiro que tive o privilégio de ler.

Infelizmente a autora é muito difícil de encontrar traduzida para o português, o que é uma pena, e mostra o quão atrasados estamos em algumas coisas, afinal, a autora nasceu em 1934 e começou a publicar ainda na década de 60.

Em Zami, Audre Lorde narra como foi a sua infância com seus pais imigrantes, e como era ser considerada cega, porque Audre tinha uma miopia tão forte que ela era considerada legalmente cega e mesmo com óculos tinha muita dificuldade de ver. Sua mãe conseguia passar por branca, mas seu pai, ela e suas irmãs, não. O racismo vivenciado em sua infância por sua família é algo que marca muito a sua escrita de forma geral, e em especial a primeira parte de Zami.

Mais tarde, além de negra, a autora se descobre lésbica, o que causa uma outra gama totalmente diferente de problemas e preconceitos. Como a cena lésbica na sua adolescência e início da fase adulta não era lá muito abrangente, Audre se envolve com diversas mulheres com muitas histórias diferentes, e muitas delas são brancas, o que a faz começar a pensar nas diferenças de preconceitos que ela e suas amantes brancas sofrem.

O livro cobre a vida de Audre Lorde até meados dos anos 50, antes dela começar a publicar suas poesias, e, a própria autora adverte que se trata de uma biomitografia, o que pode dar certas liberdades à autora com relação a veracidade daquilo que ela nos apresenta.

Mas o importante no texto de Audre definitivamente não é a veracidade dos acontecimentos, mas sim o retrato que ela nos mostra de uma época, além das reflexões e pensamentos que mais tarde iriam fomentar todo o seu ativismo. E nisso, Zami é um prato cheio, delicioso de ler. Apesar de ser um livro obviamente pesado, vale a pena cada palavra.

Nota 10.

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Sin and Ink (Sweetest Taboo #1)



SPOILER FREE

Quem segue o blog já percebeu que eu realmente gostei do estilo da escritora Naima Simone. E como literatura erótica costuma ser barata, confesso que minha biblioteca do gênero cresceu nos últimos tempos, e que Naima Simone tem muitos títulos nela.

Essa série, Sweetest Taboo, segue o esperado, cada volume fala de um homem diferente num determinado grupo, mas como esse é o primeiro volume, até agora todas as personagens são novidade. O lance é que nessa série, a autora trata de temas considerados de alguma forma tabu. Nesse volume o tabu é se apaixonar pelo irmão do seu marido morto.

Considerando que o marido já não está mais em cena, nem achei o tabu essa coisa toda, mas certamente Naima fez os personagens criarem uma senhora tempestade em torno do assunto. Nesse sentido, o livro é recheado de pensamentos torturantes e as personagens quase morrem de culpa. O que equilibra a situação, e torna a leitura mais interessante, é que a autora sabe escrever sexo. Quando eu ia ficando de saco cheio do drama vinha uma bela cena e eu me sentia melhor.

Outra questão positiva, é que dentro do gênero é infelizmente muito comum coisas machistas serem descritas como românticas, e certamente não é esse o caso na maioria dos livros de Naima. Knox e Eve tem um relacionamento bastante saudável nesse sentido, e rola todo um respeito e uma tentativa de um ajudar o outro sem querer dominar que é raro de ver nos livros. 

Não é a toa que tenho lido tanto Naima Simone. Sugiro fortemente para quem curte o gênero.

Nota 8.

How to Wake an Undead City (The Beginner's Guide to Necromancy #6)



SPOILER FREE

Depois de cinco livros torcendo para que pelo menos o final da história fosse satisfatório, finalmente cheguei no último livro da série The Beginner's Guide to Necromancy.

Confesso que quando peguei o sexto livro, eu já não tinha muitas esperanças da história acabar aqui, e fiquei muito, mas muito feliz, de descobrir que sim. Apesar de que ainda será lançada uma novela com um epílogo mais caprichado, e que Hailey Edwards já iniciou uma nova série que continua onde essa termina, mas com foco em outras personagens. Vou tentar não focar na nova série, porque ela já me irritou antes mesmo de eu ler, o que na verdade não pretendo fazer.

Depois de tudo o que aconteceu até esse momento em The Beginner's Guide to Necromancy, o final foi acima da média da série, mas não necessariamente ele é satisfatório. O básico dos problemas realmente foram finalizados, e aquele ar de felizes para sempre não é exatamente ruim, nem é longe do que eu esperava, para ser sincera.

O problema não é nem o fim, mas toda a construção para chegar ali e as coisas fazerem sentido. A série como um todo tem diversos problemas e enrolações que não têm como não influenciar no final, mesmo com um final mais bem escrito.

Um dos problemas é que a sociedade dos necromantes é descrita como matriarcal, e a isso se soma o fato de que a religião deles é centrada numa deusa (não vou tecer comentários sobre a escolha dessa deusa). A ideia em si é muito legal, e certamente torna a leitura interessante. Porém, se a autora não martelasse a descrição da sociedade como matriarcal, essa informação jamais seria óbvia, porque as personagens não se comportam como se vivessem numa sociedade matriarcal.

E é esse tipo de problema que assola a série como um todo. Por exemplo, o nível de poder que pode ser utilizado pelos necromantes parece oscilar ao longo da narrativa, e o poder relativo dos vampiros também. Em diversos momentos eu fiquei me perguntando porque os necromantes ainda eram supremos nessa sociedade se os vampiros me pareciam tão mais poderosos. Esse é o tipo de questionamento que acaba por desmontar o mundo onde a história se passa, e daí vem o poder da autora na narrativa, que se utiliza de descrições sumárias para afirmar coisas que não transparecem no enredo.

No fundo é uma pena, porque as ideias são muito boas, mas a realização deixa muito a desejar.

Nota 7 para o sexto livro e 5 para a série.

domingo, 15 de setembro de 2019

Os Trabalhos e as Noites



SPOILER FREE

Depois de ler meu primeiro livro da poetisa argentina Alejandra Pizarnik, me arrependi de não ter comprado logo de cara os dois únicos volumes disponíveis dela em português. Claro que corrigi esse erro logo depois de ter terminado Árvore de Diana.

Os Trabalhos e As Noites segue o mesmo cuidado da editora Relicário em Árvore de Diana, com belíssimos prefácio e posfácio, em uma edição muito bonita e bem trabalhada. Vale a leitura extra.

Alejandra Pizarnik tem um estilo muito interessante. Suas poesias são em geral curtas e bastante econômicas, não só na escolha das palavras, mas também nos temas, mas isso acaba por resultar num trabalho muito denso e intenso ao invés de puramente simples.

Pessoalmente, gostei muito dos seus livros, e minha única tristeza com isso é que eles acabam rápido demais, e o fato de não haver mais traduções me deixa com uma sensação de quero mais que não tem muita solução no momento. Até porque nem em Kindle tem muita coisa dela, pelo menos não em espanhol. 

Vou precisar reler para matar a vontade.

Nota 10.