Pesquisar este blog

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

The Simple Sabbat: A Family Friendly Approach to the Eight Pagan Holidays

 I bought and read every book I could get my hands on about Witchcraft, some were great, and others were not. One thing I noticed was that most of them had the same information surrounded by a whole lot of "fluff". I finally sought out a teacher and learned more with her than I ever did out of a book. It was during that process that I realized that magic and being Pagan didn't have to be as hard as it was portrayed in some books,it really is so very simple and natural. It is about connecting with the elements, the basic building blocks of the universe. This path seemed so natural and so fluid; like I was remembering something I once did a lifetime ago. Many things were as natural as breathing, I had already been doing them for years.

SPOILER FREE

Então, quem segue o blog sabe que às vezes eu leio sobre paganismo, e esse livro em particular me chamou atenção por prometer ideias simples de comemorar as datas especiais do roda do ano, e como estava em promoção, lá fui eu.

A autora é meio doidinha, preciso dizer isso, o seu site pessoal então, é de assustar os incautos, mas o livro em si é bem bonitinho e entrega o que promete: ideias para celebrar as estações do ano. Excelente pedido para quem não tem muito tempo disponível ou quem quer sugestões de atividades que possam ser feitas em família, em especial com crianças. Bem organizado e com itens fáceis de achar na versão digital, apesar de ter lá umas questões de formatação.

Pessoalmente, o meu único problema com o livro é que eu não sigo a tradição específica dele, logo, diversas coisas me soaram um tanto estranhas e seria necessário diversas adaptações, o que é normal no meio pagão, vamos combinar. Outro ponto que não curti muito foi algumas explicações de significado das estações, o que ainda está no mesmo problema da tradição, mas é um pouco mais complicado de adaptar do que direções e seus elementos.

Outra questão pessoal foi a parte de receitas, que apesar de ser legal para quem é vegetariano ou vegano, pois ela dá sugestões de adaptações, não tem nada que dê para aproveitar para quem não come glúten, que é justamente o meu caso. Por que a mania de pão e bolo, gente? 

Em resumo, é um livro para um público bastante específico, visto que não é para iniciantes e nem para quem já possui um grupo que já dê um suporte, mas é interessante para os curiosos também, visto que desmistifica algumas coisas para quem não conhece nada sobre paganismo.

Nota 8.

Invasão: um conto urbano

Equipamento de rádio pirata e um notebook. Não era o que gostaria de ter enquanto trinta zumbis arrombavam a porta do apartamento que nem era seu. Gabriel suspirou enquanto confirmava o que impedia a entrada: a estante de metal e tudo o que encontrou pela frente. Minutos para evitar o fim onde tudo começou.

SPOILER FREE

Eu sou uma pessoa abençoada. Tenho muitos amigos que escrevem, e para quem ama ler, isso realmente é uma bênção. Ou não, depende. A relação pode ficar complicada na hora de resenhar o trabalho deles.

Tiago Cordeiro é meu amigo há tantos anos que eu prefiro não fazer a conta, e eu estava devendo ler os seus livros (esse já é o segundo, e o primeiro que eu leio, vergonha! eu disse que nem sempre é uma bênção). Mas eu leio sempre suas crônicas que recebo confortavelmente por email (sei que ele vai ler essa resenha e espero que aceite minhas desculpas) e que adoro ler toda semana.

O tema do desafio literário de novembro é literatura brasileira, a desculpa perfeita para diminuir minha dívida! O que fiz mais rápido do que eu esperava, pois o conto invasão é realmente curtinho e já estava no meu aplicativo kindle para celular (Amazon, mesmo a americana, também vende autores brasileiros, é muito amor) aguardando uma oportunidade.

Invasão é realmente curto, e acho que poderia ser mais longo e ter aproveitado melhor a ideia, pois ela é muito legal, e eu não conheço mais nada escrito sobre zumbis no Brasil, o que o torna um provável primeiro livro/conto do gênero por aqui. Não sei se passou na mão de um editor, pois acho que merecia um certo banho de loja e umas arrumações para ficar mais bonito.

E essas são as duas razões pela nota, o tamanho e a cara de não ter passado por um editor. Talvez eu seja doida, mas prefiro ser sincera nas minhas resenhas, mesmo com os amigos. Espero que ele não me mate.

Nota 7.

Spark Joy

     Life truly begins only after you have put your house in order. That's why I've devoted most of my life to the study of tidyng. I want to help as many people as possible tidy up and for all.
    This doesn't mean, however, that you should just dump anything and everything. Far from it. Only when you know how to choose those things that saprk joy can you attain your ideal lifestyle.
    If you are confident that something brings you joy, keep it, regardless of what anyone else might say. Even if it isn't perfect, no matter how mundane it might be, when you use it with care and respect, you transform it into something priceless. As you repeat this selection process, you increase your sensitivity to joy. This not only accelerates your tidying pace but also hones your decision-making capacity in all areas of your life. Taking good care of your things leads to taking good care of yourself.

SPOILER FREE

Eu mencionei por aqui há alguns anos, quando li um livro sobre minimalismo, que eu acompanho um blog sobre organização do qual eu gosto muito. Foi lá que descobri a Marie Kondo, pouco antes dela fazer sucesso aqui no Brasil. Na época li tanto sobre o trabalho dela e vi tantos vídeos, que eu tinha certeza que já tinha lido um livro dela, e tomei um susto quando descobri que não, e que, inclusive, esse é o único livro dela que eu tenho.

Surpresas à parte, estamos quase no final do ano, época em que eu gosto de fazer aquela boa arrumação no meu armário, e achei que estava precisando de uma inspiração. E que inspiração! Assim como todas as minhas amigas que já leram Marie Kondo (com exceção de uma que detestou a parte do livro sobre se desfazer de livros), amei o método da japonesa.

Marie Kondo consegue fazer de um assunto aparentemente chato, como organização de gavetas e como destralhar sua casa, uma coisa bonita. Sim, bonita. Ela tem aquele quê das religiões orientais que deixam tudo bonito, com ar de filosófico e cheio de sabedoria.

A boa notícia é que seus livros já foram traduzidos para o português (ela publicou apenas dois), e que se você ler o segundo livro é suficiente e tem a vantagem de ser ilustrado (segundo a dica de uma amiga minha, eu não li os dois para atestar com todas as letras, mas confio nisso). Graças aos deuses, o que comprei e li foi justamente o segundo, cheio de ilustrações fofíssimas e bem japonesas de como dobrar roupas no método Marie Kondo. (em português esse seria o livro de capa azul)

O engraçado é que todos amam o seu método, mas confesso que não conheço ninguém que o tenha feito até o final, o que a autora afirma veementemente que precisa ser feito numa determinada ordem (que ela explica a razão e faz sentido), até o final (difícil isso...) e apenas uma vez (não conheço ninguém que acredite piamente nisso, mas como também ninguém nunca termina, fica complicado de dizer que não funciona!). Outra coisa interessante, é que ninguém usa as suas dicas para guardar o que sobrou depois do processo de se desfazer das coisas. Só uma amiga minha testou o jeito da Kondo de dobrar roupas, e eu confesso que estou animadíssima de tentar.

Claro, ainda nem comecei o processo, mas independentemente disso, amei a leitura e indico para todos.

Nota 10.

Castle in the Air (Howl's Moving Castle #2) - O Castelo no Ar

 
     Far to the south of the land of Ingary, in the Sultanates of Rashpuht, a young carpet merchant called Abdullah lived in the city of Zanzib. As merchants go, he was not rich. His father had been disappointed in him, and when he died, he had only left Abdullah just enough money to buy and stock a modest booth in the northwest corner of the Bazaar. The rest of his father's money, and the large carpet emporium in the center of the Bazaar, had all gone to the relatives of his father's first wife.
     Abdullah had never been told why his father was disappointed in him. A prophecy mad at Abdullah's birth had something to do with it. But Abdullah had never bothered to find out more. Instead, from a very early age,  he had simply made up daydreams about it. In his daydreams, he was really the long lost prince, which meant, of course, that his father was not really his father. It was a complete castle in the air, and Abdullah knew it was. Everyone told him that he inherited his father's looks. When he looked in a mirror, he saw a decidedly handsome young man, in a thin, hawk-faced way, and knew he looked very like the portrait of his father as a young man, always allowing for the fact that his father wore a flourishing mustashe, whereas Abdullah was still scraping together the six hairs on his upper lip and hoping they would multiply soon.

SPOILER FREE

Outro dia estava tentando arrumar meus livros digitais para facilitar a vida e percebi que eu já tinha comprado, sabe-se lá quando, em algum momento aleatório esse ano, as continuações de Castelo Animado, e deu vontade e comecei a ler.

Daí percebi duas coisas, minha memória é péssima para nomes até em livros, pois confundi todos os nomes do volume anterior, apesar de ter lido o livro em março desse ano (são só 7 meses de distância, mas isso se traduz em 38 livros entre um e outro, então preciso de um desconto), e ter lido Orientalismo foi muito legal, mas agora vejo problema em tudo.

Assim como no primeiro livro dessa série (são 3 livros no total, e o terceiro já está no kindle), a autora inglesa Diana Wynne Jones consegue trazer uma história fofíssima, não tão feministamente empoderadora como o livro original, mas bastante interessante mesmo assim. Porém, ela faz uso de diversas imagens que só podem ser caracterizadas como orientalistas. Não é o orientalismo mais complicado ou que denigra a imagem do oriente, mas é orientalismo mesmo assim.

Confesso que a fofura me fez engolir diversas coisas que talvez eu não devesse, mas foi irresistível. Foi mais forte do que eu.

A história do vendedor de tapetes Abdullah, com sua princesa, o gênio da lâmpada e um tapete voador é por demais gostosa de ler para ser deixada de lado. Diana simplesmente escreve bem, e seu humor inglês é muito bom, mesmo com os problemas. Agora preciso ler o livro seguinte. Vou aproveitar dezembro, que tem tema livre no desafio literário!

Nota 9.

Once Upon A Curse: 17 Dark Faerie Tales



SPOILER FREE

Nas minhas leituras noturnas diárias eu tenho dado preferência por livros de contos ou que não me mantenham acordada a noite inteira, e como no mês passado o tema era livros que lembrassem o Halloween (essa resenha está atrasada, claro), achei que uma coletânea de contos de fada um pouco mais dark seria bastante apropriado. E a capa, a capa desse livro é linda, totalmente irresistível na hora de comprar, levando em consideração que eu gosto do tema, claro.

Infelizmente, a coletânea não foi tão interessante quanto eu esperava. Nem muito porque os contos eram ruins (apesar de que alguns realmente caíram nessa classificação, o que acontece em coletâneas, mas eram minoria), mas porque muitos tinham mais jeito de amostra grátis para alguma obra do autor do que de contos mesmo. Muito desagradável você chegar no final de um suposto conto e ter um link para comprar a continuação. E isso aconteceu algumas vezes nesse livro.

Em contraste com isso, alguns contos, uns dois em especial, eu realmente gostei, e o fato de ler lido o livro no aplicativo do celular facilitou muito, pois, como mencionei, no final dos contos sempre tinha links para as páginas dos autores, e eu confesso que aproveitei e comprei alguns livros no processo. Compradores compulsivos de livros, fiquem avisados. Leiam sem wi-fi ou em papel.

Na média, infelizmente, o seleção do livro não ficou tão boa, apesar das minhas compras, e por isso, a nota: 6.5.

The Ghostwriter


     A gentle pull of my hand. I resist, turning away, and smile when I feel the tiny fingers pushing aside my bangs, the soft weight of a body against mine.
    "Mommy." A huff of breath against my cheek. "Mommmmmy."
   "Mommy's asleep," Simon whispers. "If we don't wake her up, we can eat all the delicious chocolate chips pancakes ourselves."
    I growl, and clamp a hand over his, which is sneaking under the edge of my sleepshirt. I open my eyes and look uo into his face, those handsome features dusted by flour and a smear of chocolate. "Easy," I warn him, pulling of his wrist and dragging him onto the mattress, my movements quick as I wiggle out of the covers and atop his waist. "You know the monster is grouchy when she is awoken."
SPOILER FREE

Esse livro foi uma indicação de uma amiga, que costuma acertar nas indicações para mim, e como ele estava na promoção da Amazon e a descrição era interessante, não resisti, comprei, e quase logo em seguida, comecei a ler. Ordem de leitura para quê nessa vida? Eu precisa de algo legal para me distrair.

Foram três dias muito tensos. No último dia, quando cheguei no clímax da história, quase passei mal e confesso que fugi da vida para conseguir terminar de ler a história o mais rápido possível. Terminar o livro ajudou, mas passei o resto do dia e o dia seguinte meio fora do ar, pensando no livro.

Independente do quanto você ama ou odeia os personagens, dependendo do quanto a história em si te afeta, isso faz de um livro uma experiência inesquecível, e livros assim não tem como não serem bons.

Esse foi meu primeiro livro da Alessandra Torre (que apesar do nome é americana, esse é um mundo moderno e globalizado people), então ela começou muito bem no meu conceito. Porém, a maior parte das suas obras não é bem desse gênero, mistério e suspense, e sim literatura erótica. O que me lembra muito os seus personagens nesse livro, visto que os personagens principais são escritores, e um deles de literatura erótica. Talvez ela queira dizer algo com isso... ou não, vai entender.

Razão do suspense e do mistério à parte, que eu prefiro não aprofundar muito senão estraga a experiência para quem vai ler, gostei muito das descrições dos personagens escritores. Levando em consideração o que tenho conversado ultimamente sobre o ato de escrever, prazos, formatos de produtividade para autores e assuntos correlatos com uma das minhas amigas que, adivinha, é escritora, achei a descrição do trabalho dos autores-personagens sensacional. E apesar de não serem personagens feitos para serem amados pelos leitores, eles são definitivamente interessantes.

Já o carro chefe do livro, a questão do suspense e do mistério da história, o bacana não é descobrir o que aconteceu, mas o porquê. E esse porquê foi que mexeu tanto comigo (e com mais dois terços das minhas amigas que já leram o livro, fizemos até um encontro para discutir o assunto, o último terço não achou realista - pelo o que entendi, ela deve ler essa resenha - o que eu discordo).

Então, super recomendo o livro, mas fique avisado que não é para os de estômago fraco.

Nota 10.

domingo, 22 de outubro de 2017

The Witches of New York

     In the dusky haze of evening a ruddy-cheeked newsboy strode along Fifth Avenue proclaiming the future: "The great Egyptian obelisk is about to land on our shores! The Brooklyn Bridge set to become the Eighth Wonder of the World! Broadway soon to glow with electric light!" In his wake, a crippled man shuffled, spouting prophecies of his own: "God's judgement is upon us! The end of the world is nigh!"
     New York had become a city of astonishments. Wonders and marvels came so frequent and fast, a day without spectacle was cause for concern.
    Men involved themselves with the business of making miracles. Men in starched collars and suits, men in wool caps and dirty boots. From courtrooms to boardrooms to the newsrooms of Park Row; from dockyards to scaffolds to Mr. Roebling's Great Bridge - every man to a one had a head full os schemes: to erect a monument to genius, to become a wizard of invention, to discover the unknown. They set their sights on greatness while setting their watches to the noontime drop of the Western Union Time Ball. Their dreams no longer came to them via stardust and angel's wings, but by tug, train, and telegraph. Sleep lost all meaning now that Time was in man's grasp.

SPOILER FREE

Para o tema de outubro, que obviamente é o Halloween, nada como ler uma história sobre bruxas! E que surpresa maravilhosa foi descobrir a autora americana Amy McKay.

"As bruxas de Nova Iorque" (numa tradução livre minha, o livro ainda não foi lançado em português) é uma graça de livro sobre 3 bruxas de origens muito diferentes, mas que acabam por se encontrar na Nova Iorque do final do século XIX. E eu digo uma graça porque as bruxas são mesmo o máximo e, de um jeito peculiar, muito fofas. Inclusive, passei a gostar mais de corvos por conta do "bichinho de estimação" de uma delas.

Claro que por se tratar de uma história envolvendo mulheres poderosas no final do século XIX, o livro precisa tratar de alguns assuntos espinhosos, como a forma como mulheres eram vistas, com o encarceramento de mulheres em clínicas psiquiátricas pelos motivos mais fúteis, perseguições religiosas e o movimento sufragista. Então, apesar de ser fantasia, o livro tem um pé bastante firme na história, o que torna a leitura muito mais interessante (e um tanto quanto pesada).

A autora faz um retrato bastante fiel da época, e a única magia que realmente aparece com força é o contato com os espíritos, o que torna o livro bastante realista dependendo do que você acredita. Além disso, o livro tem muita representatividade, com personagens homossexuais, de etnias menos comuns, como ciganos e egípcios, o que dá direito a pontos extras.

Outro detalhe que eu adorei é que os capítulos são marcados por datas, que são divididas por fases da lua, e eles sempre abrem com passagens de outros livros, com trechos de jornal (mesmo que fictícios) que relatam acontecimentos em paralelo à história mas que marcam o que está ocorrendo na cidade e também trechos do Grimoire de uma das bruxas. E cada capítulo tem subcapítulos, que são narrados em diferentes vozes, alternando entre os diversos personagens da história, o que não se limita apenas as 3 bruxas principais.

É um livro muito bem escrito, gostoso de ler e que quando você percebe já acabou e apesar da história não terminar exatamente com um gancho, deixa gostinho de quero mais. Espero que a autora escreva mais sobre essas personagens e sobre esse mundo mágico que ela criou. Preciso de mais livros assim para ler.

Nota 10.

Orientalismo

 On a visit to Beirut during the terrible civil war of 1975-1976 a Frech journalist wrote regretifully of the gutted downtown area that "it had once seemed to belong to... the Orient of Chateaubriand and Nerval." He was right about the place, of course, especially so far as a European was concerned. The Orient was almost a European invention, and had been since antiquity a place of romance, exotic beings, haunting memories and ladscapes, remarkable experiences. Now it was disappearing; in a sense it had happened, its time was over. Perhaps it seemed irrelevant that Orientals themselves had something at stake in the process, that even in the time of Chateaubriand and Nerval Orientals had lived there, and that now it was they who were suffering; the main thing for the European representation of the Orient and its contemporary fate, both which had a privileged communal significance for the journalist and his French readers.

SPOILER FREE

Finalmente tomei vergonha na cara e li Orientalismo, essa obra marcante do palestino Edward Said que aponta tantos julgamentos e preconceitos hoje considerados absurdos, mas que até bem pouco tempo atrás eram algo absolutamente normal.

É verdade que Orientalismo não foi a primeira obra que aborda esse assunto (nem será a última), mas sua importância está no fato de ser um dos estudos mais completos sobre a questão quando se trata do Oriente e por ter sido escrita por um árabe, ainda por cima palestino, e escrito para um público ocidental. Repercussões a parte (o próprio autor tem um prefácio escrito para a edição de aniversário de 25 anos do livro que trata sobre isso), o livro é com certeza uma leitura obrigatória para todos que querem estudar o Oriente Médio e também outras regiões ou povos que são estudados de um ponto de vista euro centrista.

Mas quem quer que venha a ler Orientalismo, fique avisado, o livro é pesado de ler. E não apenas por ser um trabalho intelectual pesado que envolve citações de inúmeros autores e análise dos textos citados, mas também porque o assunto em si não é leve. Ler a forma como outros povos foram e ainda são tratados em estudos de acadêmicos europeus, americanos ou simplesmente brancos, é um exercício de autocontrole. É tanto preconceito, julgamentos sem fundamento algum e generalizações que você não sabe se chora, joga o livro/kindle longe, amaldiçoa os autores em questão ou simplesmente se enche de raiva.

E isso se arrasta por todo o livro de Edward Said, autor analisado nenhum se salva, uns poucos são só menos piores, e se você acha que a entrada do século XX traz alguma melhora significativa, pense de novo, as mudanças positivas só chegarão com um pouco mais de força depois da publicação de Orientalismo, em 1978. E se você acha que a mudança de centro de poder da Europa/Inglaterra para os Estados Unidos pode ter trazido algo de novo ou positivo, pense de novo. O pior é que independentemente da época ou lugar, os estudos produzidos dessa forma foram usados para justificar ações políticas ou para escolhe-las.

É desolador e deprimente mesmo. E para me deixar mais animada, claro que vi paralelos com a questão dos negros, das mulheres e dos latino americanos de forma geral. Num mundo onde o Trump foi eleito, esse tipo de leitura deveria ser obrigatória, para ver se as pessoas acordam para a sua própria ignorância. Como o próprio Edward Said aponta, enquanto não formos mais humanistas estamos fadados a repetir esse tipo de erro, e enquanto isso acontecer não haverá entendimento, respeito e paz.

A nota só não será máxima porque a edição que eu li não tinha bibliografia, e eu fiquei muito zangada por isso.

Nota 9.

Tails of Wonder and Imagination

     What is it about cats? Why do they lend themselves to fiction so easily? There have been numerous anthologies of cat stories, several of them multi-volume series. There is no other animal about which writers from all genres seem to be obsessed. Mystery, horror, science fiction, and fantasy stories have been written about cats.
     It's possible that felines, thought to be domesticated by happenstance rather them intent, are considered more mysterious, and thus more interesting to write about than other animals. Canines are pretty up front about their feelings - they're considered to be loyal, obedient, and cheerful. Dogs, the oldest domesticated animal, have anthropomorphized themselves - become more like people. Cats have done very little of that. They are still strangers in the house. The cat does what it wants and goes its own way, which conjures up the darker images of willfulness, self-interest, and mystery.

SPOILER FREE

Então, esse foi o livro que escolhi para o desafio literário de agosto, que consistia em ler um conto por dia. Só que por ser um livro comprado no kindle, eu não tinha a menor ideia de que ele tinha mais de 600 páginas!Resultado: demorei muito mais do que o esperado para ler, ainda mais porque li no esquema um conto por dia antes de dormir. O que também não foi lá muito certinho, porque alguns contos na verdade eram mais novelas ou romances do que contos, de tão grandes.

Fora o pequeno problema de organização, a seleção de obras de histórias relacionadas a felinos de Ellen Datlow é de tirar o chapéu. Entre autores maravilhosos e famosos, como Neil Gaiman, Stephen King, Susanna Clarke e outros, as histórias são em sua maioria fabulosas, com poucas ficando como medianas. Além disso, o livro é exatamente o que a organizadora promete: extremamente variado. Tem ficção científica, terror, fantasia, história de detetive, contos sobre o dia a dia (tem até um que realmente é baseado em fatos reais), mitologia... enfim, variedade é que não falta.

Portanto, é um livro que não se cansa de ler, e como a média de qualidade dos trabalhos é muito alta, também não dá vontade de pular nada no caminho. São 39 histórias que realmente valem a pena ler. Ficarei de olho para outros livros organizados pela Ellen, ela tem bom gosto!

Nota 10!

A Sombra do Amado: Poemas de Rûmî

O que fazer, se não me reconheço?
Não sou cristão, judeu ou muçulmano.

Se já não sou do Ocidente ou do Oriente,
não sou das minas, da terra ou do céu.

Não sou feito de terra, água, ar ou fogo;
não sou do Empíreo, do Ser ou da Essência.

Nem da China, da Índia ou Saxônia,
da Bulgária, do Iraque ou Khorasan.

Não sou do paraíso ou deste mundo,
não sou de Adão e Eva, nem do Hades.

O meu lugar é sempre o não-lugar,
não sou do corpo, da alma, sou do Amado.

O mundo é apenas Um, venci o Dois.
Sigo a cantar e a buscar sempre o Um.

"Primeiro e último, de dentro e fora,
eu canto e reconheço aquele que É."

Ébrio de amor, não sei de céu e terra.
Não passo do mais puro libertino.

Se houver passado um dia em minha vida
sem ti, eu desse dia me arrependo.

Se pudesse passar um só instante
contigo, eu dançaria nos dois mundos.

Shams de Tabriz, vou ébrio pelo mundo
e beijo com meus lábios a loucura.
 SPOILER FREE

Rumi é um dos meus poetas favoritos, então a escolha do livro me foi muito óbvia. Inclusive, tenho vários livros e traduções diferentes do poeta sufi persa. E foi muito emocionante para mim visitar o seu túmulo no interior da Turquia (pena que hoje em dia não indico mais essa viagem para ninguém, a coisa está estranha no Oriente Médio).

Dito isso, não sei explicar o que o tradutor fez, pois confesso que não gostei do livro. A escolha dos poemas (que na verdade são pedaços de obras mais longas) não ficou bom, a escolha das palavras também não, e as notas sobre cada poema simplesmente não me tocaram. Rumi era para ser pura emoção religiosa, entrega sem limite, e sem delimitação de crença, muito na linha do Kabir. Mas nessa tradução ficou muito sem graça.

O mais triste é que pouco depois de terminar esse livro, comprei outro do Rumi, e quando cheguei em casa percebi que era o mesmo tradutor. Espero que os anos entre uma tradução e outra tenham trazido um pouco mais de conhecimento, sensibilidade e profundidade ao seu trabalho.

Nota 5.

[poemas escolhidos]

Idades

No início,
eu queria um instante.
A flor.

Depois,
nem a eternidade me bastava.
E desejava a vertigem
do incêndio partilhado.
O fruto.

Agora,
quero apenas
o que havia antes de haver vida.
A semente.
 
SPOILER FREE

Fiquei surpresa ao descobrir esse livro na estante de livros de poesia, eu confesso que não tinha a menor ideia de que Mia Couto escrevia poesia. Como gostei do outro livro que li dele, nem pensei muito, resolvi levar pra casa.

Foi então que descobri que gosto do Mia Couto como poeta. Sua poesia é muito terrosa, cheia de alusões a natureza e a família, tanto os antepassados quanto os filhos. E seguindo essa linha, ele faz uso de palavras simples, mas sempre cheias de significado pela forma como ele as usa. Seus poemas também costumam ser bem curtos e, definitivamente, uma delícia de ler.

Como não conheço muito dos outros livros do autor, não posso afirmar com certeza que mesmo quem não curtiu o sua prosa deveria experimentar sua poesia, mas para quem gosta de poesia, certamente é um prato cheio. O livro ficou lotado de marcações minhas. Espero encontrar outros livros de poesia dele por aí.

Nota 10.

Collected Poems - 1909-1962

A Dedication to my Wife

To whom I owe the leaping delight
That quickens my senses in our wakingtime
And the rhythm that governs the repose of our sleepingtime,
        The breathing in unison

Of lovers whose bodies smell of each other
Who think the same thoughts without need of speech
And babble the same speech without need of meaning.

No peevish winter wind shall chill
No sullen tropic sun shall wither
The roses in the rose-garden which is ours and ours only

But this dedication is for others to read:
These are private words addressed to you in public.


SPOILER FREE

Mais um livro de poesia da leva que terminei no início de outubro! O hábito de ler poesia todos os dias de manhã tem esses efeitos... além de outros muito agradáveis, como começar o dia bem.

T.S.Eliot é um autor americano que morou boa parte de sua vida fora dos Estados Unidos, e que ganhou o prêmio Nobel de literatura em 1948. Infelizmente essa coletânea não possui toda a sua obra, e eu fiquei babando por causa disso... mas ao mesmo tempo ela mostra o crescimento do autor, o que é muito legal de perceber.

Boa parte dos poemas iniciais desse livro mostram um autor querendo mostrar o seu conhecimento intelectual, o que para mim soou um tanto quanto arrogante, depois ele se aprofunda mais na questão religiosa, que perpassa por toda a obra, o que de vez em quando me incomoda e de vez em quando eu gosto. Lá pela metade do livro fiquei com a sensação que ele finalmente se achou, e aí sai de baixo, o trabalho de Eliot é realmente de cair o queixo, ele não ganhou o Nobel a toa, mesmo. Meus poemas favoritos dele infelizmente são absurdamente longos, divididos em partes diferentes mas que tratam do mesmo tema, e por isso era complicado de colocar algum como exemplo em cima dessa resenha.

Agora vou precisar procurar outras coisas dele, como seus romances e peças (alguns pedaços de peças estão até nesse livro, e eu curti), para ver suas outras facetas. Virei fã.

Nota 9.

The Bees

Bees

Here are my bees,
brazen, blurs on paper,
besotted; buzzwords, dancing
their flawless, airy maps.

Been deep, my poet bees,
in the parts of flowers,
in daffodil, thistle, rose, even
the golden lotus; so glide
gilded, glad, golden, thus -

wise - and know of us:
how your scent pervades
my shadowed, busy heart,
and honey is art.


SPOILER FREE

Há algumas semanas (estou atrasada nas resenhas, para variar um pouco) eu terminei vários livros de poesia num só dia, porque, bem, o hábito de ler vários livros diferentes ao longo da semana é uma consequência de ler um pouco de poesia todos os dias de manhã e uma hora os livros acabam, e a probabilidade de acabarem juntos não é exatamente pequena. Aliás, super recomendo fazer isso, o dia começa sempre muito melhor.

The Bees é um livro que achei meio perdido na Livraria Cultura do Centro do Rio, que também recomendo como lugar para visitar e fuxicar livros. Nunca tinha ouvido falar da autora, mas a edição era tão bonita, e ela era premiada, e o livro não estava caro, então, acabei voltando pra casa com ele. E não me arrependi. Carol Ann Duffy foi premiada com razão.

A única coisa que me deixou meio passada no seu trabalho nesse livro em particular (ainda não li outros, então não vou generalizar) é a quantidade de referências inglesas (especialmente a lugares) que eu não consegui acompanhar. Tipo, elas estavam lá, faziam parte da poesia e da obra, mas para mim não acrescentam nada, o que achei uma pena, tenho certeza que eu teria gostado muito mais do livro se pudesse pescar essas coisas.

Uma vantagem desse livro, é que as poesias variam muito, tem algumas que podem ser até lidas por crianças (fofíssimas), tem poesias bem deprês também que já não seriam adequadas, mas de uma forma ou de outra, Carol consegue fazer todas elas estarem conectadas com o tema abelhas. Gostei tanto que pretendo procurar outros livros da autora. O chato é que sei que dificilmente encontrarei livros físicos dela por aqui, terei de procurar na Amazon para kindle (que aliás, também já tem uma coleção legal de livros de poesia, inclusive já resenhei pelo menos um por aqui), e ler no kindle de manhã não é a mesma coisa que ler um livro físico, confesso que perde um pouco a magia. O ritual não é o mesmo...

Para fãs de poesia, fica a dia!

Nota 9.

domingo, 1 de outubro de 2017

Battle Hymn of the Tiger Mother - Grito de Guerra da Mãe-Tigre


A lot of people wonder how Chinese parents raise such stereotypically successful kids. They wonder what these parents do to produce so many math whizzes and music prodigies, what it's like inside the family, and whether they could do it too. Well, I can tell them, because I've done it. Here are some things my daughters, Sophia and Louisa, were never allowed to do:
  • attend a sleep over
  • have a playdate
  • be in a school play
  • complain about not been in a school play
  • watch TV or play computer games
  • choose their own extracurricular activities
  • get any grade less than an A
  • not be the #1 student in every subject except gym and drama
  • play any instrument other than the piano or violin
  • not play the piano or violin.

 SPOILER FREE

Já não lembro mais porque comprei esse livro na Amazon, mas o tema de setembro do Desafio Literário era ler um livro de um autor inédito, então como nunca tinha lido nada da Amy Chua, foi ela mesma. Durante a leitura descobri que ela escreveu outros livros sobre assuntos que me interessam (geopolítica) e eles já estão na minha wishlist da Amazon!

Mas "Grito de Guerra da Mãe-Tigre" é uma espécie de autobiografia, onde a autora faz uma descrição da sua decisão de criar suas filhas no formato chinês tradicional, sendo ela filha de chineses imigrantes nos Estados Unidos, e os sucessos e fracassos pessoais que ela teve seguindo esse modelo.

Confesso que minha primeira impressão foi terrível, no sentido "essa mulher é louca", "ela tortura suas próprias filhas", "que absurdo" e outras coisas nessa linha. Mas ao longo da narrativa fui percebendo que minha primeira impressão, de que Amy estava defendendo com unhas e dentes o modelo chinês de educação, estava um tanto quanto equivocada.

Amy Chua não pretende defender esse modelo, ela o descreve e mostra como pode dar certo e como pode dar errado, assim como todo e qualquer modelo de educação, e como é preciso adaptar de acordo com a criança sendo criada. Apesar de parecer uma mãe muito dura e rígida, seu amor por suas filhas é imenso, e o tipo de sacrifício que ela fez por elas deixa muitos pais no chinelo.

A parte mais assustadora do livro não tem nada a ver com a forma como ela decidiu criar as filhas (que nem é tão terrível quanto aparenta), e sim o posfácio, onde ela descreve o que aconteceu com ela e sua família após o lançamento do livro (o que eu tenho é uma 2ª ou 3ª edição). A descrição das suas entrevistas é muito pior do que qualquer coisa que ela tenha narrado que fez durante a educação das meninas. Mas também foi interessante ver a resposta positiva delas ao ataque feito à mãe, saindo em defesa do modelo em que foram criadas, o que também surgiu por parte de outras mães, que nem chinesas eram.

Educação é um tema espinhoso, sempre, não tem como escapar, assim como não tem uma única solução ou milagre, mas é sempre enriquecedor ver uma descrição tão honesta de uma mãe que foge do padrão da sociedade em que vive, ainda mais quando é feito de forma positiva e construtiva como Amy Chua consegue fazer.

Estou ansiosa por ler mais trabalhos da autora.

Nota 10.

domingo, 24 de setembro de 2017

milk and honey - outros jeitos de usar a boca









SPOILER FREE

Rupi Kaur nasceu na Índia numa família sikh, mas hoje é cidadã canadense, conhecida na internet por seus poemas curtos acompanhados de ilustrações, que tratam especialmente de temas femininos. A artista é ilustradora, poeta, artista plástica, escritora e artista performática.

"Milk and honey", lançado originalmente em 2015, foi traduzido há pouquíssimo tempo para o português com o título "outros jeitos de usar a boca", o que é até razoável para o conteúdo do livro, mas mostra um pouco como funciona a tradução de títulos no Brasil (esse problema não se restringe a filmes). O livro de poesias é divido em 4 partes, "the hurting", que trata de abusos (inclusive sexuais), "the loving", que trata quase que exclusivamente de amor romântico, "the breaking", que fala sobre desilusões amorosas, e finalmente, "the healing", que traz diversas mensagens feministas importantes.

O texto de Rupi é sempre muito simples, assim como suas ilustrações, o que torna suas mensagens mais fortes e pungentes. Nesse sentido, fica muito claro que ela é uma artista bem contemporânea e o seu trabalho se encaixa perfeitamente na internet, o que é muito diferente do que eu já li de poesia. E eu gostei. Como as ilustrações são todas em preto e branco, o livro também funciona muito bem para kindle.

Como eu li cada um dos capítulos de uma só vez, o livro foi uma experiência muito interessante e gostosa, mas entendo que o estilo e o conteúdo podem não ser para qualquer leitor. A primeira parte é realmente muito pesada e chocante, já as outras podem desagradar por conta da simplicidade da escrita da autora. Mas pessoalmente eu amei. Já estou aguardando o lançamento do próximo livro dela, agora em outubro.

Nota 10.


Tower of Dawn (Throne of Glass 6) - série Trono de Vidro


   Chaol Westfall, former Captain of the Royal Guard and now Hand of the newly crowned King of Adarlan, had discovered that he hated one sound above all others.
   Wheels.
   Specifically, their clattering along the planks of the ship on which he'd spent the past three weeks sailing through storm-tossed waters. And now their rattle and thunk over the shining green marble floors and intricate mosaics throught the Khagan of the Southern Continent's shining palace in Antica.
   With nothing to do beyond sit in the wheeled chair that he'd deemed had become both his prison and his only path to seeing the world, Chaol took in the details of the sprawling palace perched atop one of the capital city's constless hills. Every bit of material had been taken from and built in honor of some portion of the khagan's mighty empire.

SPOILER FREE

Finalmente consigo parar para fazer essa resenha! Como eu mencionei no post anterior dessa saga (veja aqui para lembrar), comecei a ler esse livro no dia em que ele foi lançado, graças ao Kindle, como eu amo esse aparelho.

Minha primeira impressão foi um choque. Não esperava que esse volume fosse ser sobre o personagem do Chaol (coisa de quem não presta atenção em blurb), primeiro porque o final do livro anterior me deixou absurdamente ansiosa para saber o que aconteceria com a Celaena/Aelin, segundo porque eu não gosto do Chaol.

Passado o choque inicial, resolvi dar uma chance, claro, tudo na série até o momento era bom, só porque agora envolveria o Chaol não precisava ser necessariamente ruim, certo? Ainda bem que fui em frente, "Tower of Dawn" é uma excelente continuação, e realmente muito importante para a saga como um todo, traz revelações impactantes que vão mudar tudo para o próximo (e último? Tomara,7 livros tá bom, né?) volume da saga!

Depois desse livro eu passei até a gostar mais do Chaol, o que realmente não achava que seria possível, mas não, ainda não caio de amores por ele. E como livro, o único defeito é o excesso de pares românticos dessa parte da história. Realmente precisava que todos, absolutamente todos os personagens tivessem ou desenvolvessem um caso amoroso? Para amenizar isso, pelo menos tem casal não normativo. Ponto positivo para a Sarah, a autora tem futuro.

Em termos de qualidade literária, assim como no volume anterior, dá para perceber o crescimento da autora como escritora, e estou adorando ver isso, espera só ela ficar madura, vai ser sensacional. Mas o estilo dela está ficando um tanto quanto descritivo demais, o que pode ser chato para alguns leitores, e o que torna os livros um tanto longos (esse livro, por exemplo, tem 700 páginas!). Pelo menos ela descreve coisas importantes, e não gasta páginas e páginas falando das árvores.

Se eu já estava ansiosa para a continuação da saga, agora estou mais ainda! Agora, só em maio de 2018... ainda bem que tenho uma montanha de livros para ler (e isso é praticamente literal, prefiro nem pensar no assunto).

Nota 9.

domingo, 17 de setembro de 2017

13 dates





     I fall in love with Angel the moment I see her.
    Though when I think about this later, I realise it's before I see her - more accurately, when I hear her, in Starbucks (and even more accurately at 12.46 p.m. on Saturday, 6 May, 2017). She's standing in front of me in the queue, and unlike people before her, who all seem to have ordered their coffee just the way they want it in terms of type, strength, size, temperature, and almost what the cow that provided the milk's been eating, like their lives depend on getting it right, when it comes to her turn, Angel just stares up at the menu board as if she's only just spotted it.
   'Next', says the barista impatiently. He looks like he's been put together in the Starbucks factory - slightly too-bushy beard, shiny, pomated, slicked-into-a-huge-quiff hair, shirtsleeves rolled up just enough to expose the tattoos in his forearms - and his brusque enquiry makes Angel jump.

SPOILER FREE

Como mencionei na minha última resenha, eu fiquei com uns dias sobrando entre o último livro que eu tinha e o lançamento do próximo livro da série Trono de Vidro, então escolhi o livro mais leve e o que parecia mais curto disponível no meu kindle (que não está mais lotado, pelo motivo de que precisei trocar de aparelho, o meu anterior morreu), então acabei por ler meu primeiro livro do autor inglês Matt Dunn.

Acho que a melhor forma de explicar o tipo de livro que é "13 dates" (ainda sem tradução para o português, mas seria algo como "13 encontros") é "chick lit versão masculina". Isso quer dizer que o livro é uma história romântica contada do ponto de vista do rapaz que se apaixona pela moça, que por um motivo emocionalmente tocante tenta não se envolver emocionalmente com ninguém. E, claro, como quase todo chick lit, tem um enredo razoavelmente previsível.

Agora o livro, apesar dos defeitos (todos comuns no gênero chick lit), é fofo e tem momentos bastante engraçados, além de ser bem escrito. Mas não tem nada que o torne exatamente especial, ficando acima da média, sem ser extraordinário. É o tipo de livro que só serve mesmo para passar o tempo, sem incomodar muito.

Nota 7,5.

domingo, 10 de setembro de 2017

Empire of Storms (Throne of Glass 5) - Império de Tempestades


     The bone drums had been pounding across the jagged slopes of the Black Mountains since sundown.
    From the rocky outcroppingon which her war tent groaned against the dry wind, Princess Elena Galathynius had monitored the dread-lord's army all afternoon as it washed across those mountais in ebony waves. And now that the sun had long since vanished, the enemy campfires flickered across the mountains and valley below like a blanket of stars.
     So many fires - so many, compared to those burning on her side of the valley.
     She did not need the gift of her Fae ears to hear the prayers of her human army, both spoken and silent. She'd offered up several herself in the past few hours, though she knew they would go unanswered.

SPOILER FREE

Como no início de setembro, quase um presente de aniversário, foi lançado o sexto livro da série "Throne of Glass" (Trono de Vidro em português), resolvi que era um bom momento para lembrar um pouco da história e ler o livro anterior, que eu já havia comprado mas acabei não lendo.

(Para quem quiser relembrar comigo: Throne of Glass, Crown of Midnight, Heir of Fire e Queen of Shadows)  


Eu estou adorando a saga de Celaena/Aelin, mas o problema de sagas muito longas, como essa, onde existem muitos personagens para acompanhar, e diversos detalhes para lembrar, é que quando se fica quase um ano sem ler um livro, quando se retoma a memória não acompanha muito bem, eu simplesmente tive dificuldade de lembrar de diversas coisas. O ponto positivo é que a autora, Sarah J. Maas não é daquelas que ficam te lembrando de tudo o tempo todo (o que realmente me irrita, ainda mais quando leio os volumes seguidinho), o negativo é que eu acho que não aproveitei tão bem quanto poderia a história.

(Não é a toa que me recuso a ler Game of Thrones enquanto não terminarem de publicar tudo!)

A continuação da história de Erileia é tão boa, senão melhor, que os livros anteriores, com a vantagem que a autora está melhorando cada vez mais sua capacidade de escrita, definição de personagens e criação de arcos de narrativa. A forma como ela consegue me surpreender no enredo é sensacional. E conforme a saga vai caminhando, Sarah tem aumentado o número de narradores contando a história, e ela tem ficado cada vez melhor na troca de vozes deles.

Tomara que ela continue assim e continue escrevendo muito, vai ser maravilhoso acompanhar seu desenvolvimento.

E finalmente chegou o ponto da história em que os interesses românticos resolvem ser mais escancarados, o que traz diversas passagens que deixam "50 tons" no chinelo (o que não é difícil, mas deu para entender o recado). Pontos extras para quem curte.

A única coisa que me incomodou nesse volume é que talvez a autora tenha exagerado um pouco no sofrimento imposto a personagem principal. Tudo bem que ela é maravilhosa, forte e uma das melhores protagonistas femininas que já li, mas precisava disso tudo? Fiquei um tanto incomodada. Não sei o quão necessário era.

Mas fora isso, me deixou doidinha pra ler o livro seguinte, tanto que comecei a ler no dia que lançou (agradeço aos deuses pelo Kindle ser wireless) e já estou quase acabando. Aguardem a resenha. Vale mencionar parte da loucura para ler o livro seguinte foi devido ao gancho absurdo no final. Só não foi tão ruim assim porque veio num quase anticlímax e acompanhado de tanta violência que realmente... confesso que foi bom ter uns dias para descansar (foram 2 dias lendo outro livro).

Nota 9,5.

The Dance Gods: A New York Memoir

     I looked into the U.S. Immigration Officer in the eye and lied. The lie was planned and consisted of one sentence; my hopes of having a New York City career, dancing with the legendary Martha Graham Dace Company, depended on me saying it convincingly.
     I had spent the past two hours on a packed train, travelling from Toronto to the Canada - U.S. border near Buffalo, practising "the lie". Now the moment had come to sell it. The officer standing beside my seat was tall, thick and anonymous behind blue-tinted sunglasses. He asked the expected question: "What is the purpose of your visit?"
     The truth would have been: "I'm planning on living and working in your country illegally for many years without the required visa or Green Card." I gave my rehearsed answer instead, somehow managing to direct it intact through the butterfly wings beating frantically in my gut: "I'm going to spend a week in New York as a tourist to see the sights."
 
SPOILER FREE

Kenny Pearl foi um bailarino nos anos 70, dançando em companhias de prestígio, como da lendária Martha Graham e Alvin Ailey. Canadense e judeu, diferente de muitos grandes bailarinos, começou a dançar muito tarde, e apesar disso, chegou no topo do mundo da dança.

Em "The Dance Gods" ele nos traz com uma generosidade incrível momentos da sua trajetória, e, não tem como escapar, da história da dança e de diversas lendas, como a própria Martha Graham. E como artista, ele apresenta suas memórias em conjunto com o que acontecia no mundo a sua volta, entrelaçando movimentos culturais, política, história e seus sentimentos e pensamentos.

Além disso, Kenny é muito honesto, não deixa de lado nada do que pode pesar contra ele, como decisões ruins, sentimentos mesquinhos e ações duvidosas. Em contrapartida, ele é muito generoso e respeitoso com seus colegas e mentores, sem deixar de colocar peso em fatos menos agradáveis dos mesmos. Ele nos apresenta pessoas reais, que apesar dos defeitos, tem bom coração e merecem a fama que atingiram.

Em particular, Kenny nos oferece suas pensamentos sobre a dança, o que é ser bailarino, e sua relação com o corpo, a mente, os sentimentos, e o que o descuido com o corpo pode fazer com um artista que depende do corpo para se expressar. Num momento onde várias drogas novas surgiram, assim como novos cuidados médicos, a questão da relação do corpo com uma atividade como a dança é algo muito interessante. E nada simples. Como balancear corpo, mente, sentimentos e arte?

Numa prosa fluida e num belo texto, Kenny Pearl abre o seu coração de artista e sua experiência aprendendo a dançar e dançando ao redor do mundo ao lado de grandes nomes da dança. É um dos livros mais bonitos que já li sobre o assunto. Sensacional não é suficiente para descrever.

Nota 10.

A hidden witch (A modern witch 2)

     It wasn't the first time in her life Elorie had wished for magic of her own, and it likely wouldn't be the last.
     "Sean James O'Reilly, you'll be walking the plank matey." The illusion spell that had just turned her into a pirate came complete with growly voice and glinting teeth, so all she accomplished was sending Seand and his two classmates into hysterics.
     She couldn't blame him - witch history lessons tended to be a little long-winded. Grand had dealt with plenty of witchlings pranks in her years of teaching, but she'd also had enough power to magically counteract the more embarassing stunts.
     Elorie was not so blessed, but there was more  than one way to handle a ten-year-ld boy. She walked over to the bookshelf in the corner of her living room and pulled out the thickest volume of witch history she could find.
The Trials and Tribulations of Edward C. Millgibbons, Hedgewitch, on his Journeys about the Countryside. That seemed like a suitable weapon.

SPOILER FREE

De vez em quando eu preciso de livros que simplesmente não me façam pensar, tipo novela, só que sem gritos, exageros ou coisas que sejam ofensivas (logo, novela nenhuma de TV conta). E ano passado eu achei algo nessa linha com "A modern witch".

Então, quando senti que estava precisando novamente de algo assim, nem pensei duas vezes, peguei a continuação e li. Não é exatamente uma continuação porque a história é totalmente diferente, apesar de terem diversos personagens em comum. Mas é tão fofo quanto e segue exatamente a mesma receita.

Para quem teve preguiça de clicar no link: "o livro é recheado de referências do paganismo moderno/wicca (serei propositalmente genérica aqui, não fiquem chateados, por favor), mas de uma forma bem despretensiosa e com direito a algumas modernidades simplesmente engraçadas, como feitiços escritos em código de computador."

"Os personagens são todos uns fofos e a história em si é bem simples e bobinha. Nem clímax o livro tem, visto que não há conflito digno de nota ou que realmente faça diferença na vida dos personagens. Tudo é tranquilo, com direito a nuvens de algodão e céu de brigadeiro."

Toda a história nos dois livros acontece em torno de um jogo de computador tipo WOW, só que se você for bruxa/o pode entrar em outras fases e mundos onde pode usar feitiços em código de computação. E seguindo essa linha, existem chats e feitiços para identificar bruxos/as pela internet, e assim as comunidades apresentadas nos livros vai crescendo e treinando novos "adeptos".

Como eu disse, é bobo, fofo e com referências engraçadas. E sem coisas ofensivas, tipo relacionamentos abusivos disfarçados de romance, enredo que só anda por decisões estúpidas e machismo descarado sendo tratado como algo normal.

Em compensação, não é literatura de qualidade, claro. Logo, só serve para leitores e momentos específicos.

Dentro de todos os limites acima, nota 9.

domingo, 27 de agosto de 2017

The Prize: The Epic Quest for Oil, Money, and Power - O Petróleo





Winston Churchill changed his mind almost overnight. Until the summer of 1911, the young Churchill, Home Secretary, was one of the leaders of the "economists", the members of the British Cabinet critical of the increased military spending that was being promoted by some to keep ahead in the Anglo-German naval race. That competition had become the most rancorous element in the growing antagonism between the two nations. But Churchill argued emphatically that war with Germany was not inevitable, that Germany's intentions were not necessarily aggressive. The money would be better spent, he insisted, on domestic social programs than on extra battleships.

Then on July 1, 1911, Kaiser Wilhelm sent a German naval vessel, the Panther, steaming into the harbor at Agatir, on the Atlantic coast of Morocco. His aim was to check French influence in Africa and carve out a position for Germany. While the Panter
was only a gunboat and Agatir was a port city of only secondary importance, the arrival of the ship ignited a severe international crisis. The buildup of the German Army was already causing unease among its European neighbors; now Germany, in its drive for its "place in the sun", seemed to be directly challenging France and Britain's global positions. For several weeks, war fear gripped Europe. By the end of July, however, the tension had eased - as Churchill declared, "the bully is climbing down." But the crisis had transformed Churchill's outlook. Contrary to his earlier assessment of German intentions, he was now convinced that Germany sought hegemony and would exert its military muscle to gain it. War, he now concluded, was virtually inevitable, only a matter of time.

SPOILER FREE

"The Prize" é um livro que ocupava espaço na minha estante há quase 10 anos. O problema dele é ser muito grande e pesado, sendo impossível lê-lo sem o auxílio de uma mesa ou outro apoio, o que não ajudava. A questão dele ter mais de mil páginas com letra miúda também não estimulava. Então, eu cheguei a conclusão que estava na hora de um basta. Comprei a versão original em inglês para Kindle (a que eu tinha era uma reedição do livro traduzido para o português, com o título "O Petróleo") e comecei a ler. Acho que li até rápido, levei dois meses e meio.

Esse livro é considerado por muitos a obra prima do autor, Daniel Yergin, um economista americano que estudou por quase toda a sua carreira questões relacionadas a geopolítica e petróleo, e com esse trabalho ele ganhou o Pulitzer de não ficção de 1992. Esse livro também é considerado aqui no Brasil uma espécie de bíblia da geopolítica do petróleo, pois é uma das poucas (senão a única) obra que abarca a história do petróleo desde meados do século XIX até quase o fim do século XX. Não é a toa que o bicho tem mais de 1000 páginas, e quase um quarto delas é de referências.

Questões de posicionamento ideológico do autor à parte, o livro é realmente muito completo. Pense em qualquer coisa que possa se relacionar ao petróleo nesse período e ela estará minimamente descrita e explicada ao longo do texto. E com referências. Agora acrescente o fato de que Daniel Yergin sabe escrever, quer dizer, o seu texto é leve para um assunto tão denso e pesado, e dá gosto de ler, arrancando algumas gargalhadas no caminho. E para deixar ainda mais interessante, ele ainda consegue apresentar a história mundial desse período do ponto de vista do petróleo, não só como justificativa para resultados de conflitos como também como razão para eles ocorrerem. E não, ele não esquece de ninguém envolvido.
Apesar de ser um trabalho de pesquisa fenomenal e ainda por cima bem escrito, Daniel Yergin cai na armadilha das figuras pejorativas (que certamente ajudam na leveza do texto), que são o seu grande pecado com relação a imparcialidade. E, claro, isso ocorre de forma mais clara e é mais recorrente quando a vítima não é ocidental, mais especificamente americano ou europeu. E nem mesmo esses escapam por todas as vezes.
É um livro que realmente é leitura obrigatória para quem trabalha na indústria do petróleo, para os fãs de história também (em especial das guerras mundiais), mas como todo livro que se propõe a explicar/contar/analisar história, é preciso que seja lido com a devida cautela.
Super recomendo.
Nota 9.

Beautiful Mistake


There has to be a corollary scientific relationship between being genetically blessed and acting like an asshole.

I looked again at the reason for my friend's inebriation standing outside the men's room. Of course, the line for the ladies' room was five deep, because only men should be allowed to relieve themselves at their leisure. Married Guy was standing there, texting away on his phone - probably lying to some other unsuspecting woman. I studied his left ring finger as his fingers worked furiously. No ring. Shocker. I'm sure a shiny metal band that symbolizes eternally committing yourself to another person tends to make selling that you're single and looking for the woman of your dreams more difficult.

SPOILER FREE

Infelizmente já não é mais segredo que eu curto ler esse tipo de livro mais "trash" de vez em quando. Mas mesmo esse tipo de livro tem lá seus padrões de qualidade dentro do gênero (o mais baixo, por exemplo, são coisas tipo "50 tons de cinza" - uma das resenhas que mais me diverti em fazer).

O problema da Vi Keeland não é a qualidade da escrita (como acontece com os livros cinzas), mas a questão do que ela considera sexy. Qualquer cena de sexo que começa com "eu devia me sentir mal/humilhada/coloque o adjetivo ruim de sua preferência MAS eu me sinto o contrário" não pode ser boa. Então, a razão maior de existir desse tipo específico de livro não funcionou para mim em "Beautiful Mistake", o que é uma pena, pois é desperdício de escrita razoável, personagens interessantes e ideia principal de enredo com potencial.

Eu digo ideia principal porque o enredo também tem lá os seus problemas. O maior deles a questão de ser muito, muito, muito clichê. A pior parte é que não precisava ser.

Enfim, não pretendo ler mais livros dessa autora. Prefiro esperar outros da Vivian Wolkoff.

Nota 4.

sábado, 19 de agosto de 2017

The Tiny Book of Tiny Stories, Vol. 3



SPOILER FREE

Preguiça é uma coisa muito feia, mas às vezes irresistível (e alguns argumentam que move as inovações tecnológicas), então, vou dar uma copiada bonita em algumas passagens que escrevi para a resenha do "The Tiny Book of Tiny Stories, Vol. 2", até porque a diferença entre o vol.2 e o vol.3 é apenas o conteúdo em si, a alma do livro e o nível de qualidade é simplesmente o mesmo.

Esse é um livro que me foi sugerido por um site meio filosófico, que nem sempre tenho tempo de ler, infelizmente, chamado Brain Pickings. E apesar do nome do autor dizer um ator famoso, mas lá com os seus problemas artísticos, o livro na verdade é de um coletivo de artistas, esse sim "organizado" pelo tal ator.

E apesar da capa com jeito de livro infantil, o conteúdo é puramente artístico, composto de imagens com uma ou duas frases agregadas que trazem reflexões, contam histórias ou só são bonitas de ver.
É o tipo de livro leve, rápido e sensível que pode ser apreciado por qualquer pessoa de qualquer idade.

A versão eletrônica é melhor apreciada em tablet (ou pelo menos um celular com uma tela legal), e vale a pena conferir o tamanho das páginas no aplicativo para melhor observar os desenhos e as palavras, mas para quem curte um livro de papel, sugiro fortemente as versões físicas, que possuem uma capa dura lindíssima.
Acho que essa foi a resenha mais rápida e fácil que já escrevi! Ha! Mas brincadeiras e autoplágio à parte, curti mesmo o terceiro volume, tanto quanto o segundo, e novamente li no esquema "preciso de algo leve enquanto faço inalação por conta de uma sinusite chata". A parte triste é que não existe volume 4. Eu não me importaria nem um pouco de ler mais um desses.

Nota 9,5.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Adulthood is a myth - Ninguém Vira Adulto De Verdade



SPOILER FREE

Nas minhas leituras noturnas eu tenho dado preferência para livros como esse, da ilustradora e quadrinista americana Sarah Andersen, conhecida pela sua tirinha "Sarah's Scribbles". Mas esse não foi o caso! No final de junho e início de julho (para você ver como estou atrasada nas resenhas) eu peguei uma sinusite terrível, e precisei ficar 20 minutos duas vezes por dia fazendo inalação, e como isso é muito chato, eu acabava usando o tempo para ler. E por estar doente, dei preferência por leituras leves.

Sarah é uma personalidade bastante conhecida na internet, suas tirinhas tem fama de memes com alguma frequência e vivem aparecendo na minha timeline no Facebook, e olha que eu ainda não curtia a sua página (passei a fazer isso hoje ao pesquisar o link para o blog!). Então, não sei o quão útil é apresentar a autora e o seu trabalho. Ela é tão conhecida que o livro já saiu até aqui, com o título "Ninguém vira adulto de verdade" (não sei o quão aceitável ficou a tradução, li no original).

Para a galera que curte não gastar dinheiro, é bem provável que você encontre todo o conteúdo do livro na internet, mas não vai estar tudo juntinho, bonitinho e arrumadinho como no livro. Além de que autores da era digital também precisam de apoio financeiro, ninguém vive de curtida no facebook (quer dizer, poucos realmente conseguem essas coisas e mesmo assim não paga exatamente bem).

E para quem nunca ouviu falar (o que espero que seja raríssimo) segue uma página do livro para ter uma ideia da "pegada" da autora!



Como eu sou fã do seu trabalho, adoro o humor da Sarah, nota 10!

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Sleeping giants - Gigantes adormecidos

It was my eleventh birthday. I'd gotten a new bike from my father: white and pink, with tassels on the handles. I really wanted to ride it, but my parents didn't want me to leave while my friends were there. They weren't really my friends though. I was never really good at making friends. I liked reading; I liked walking in the woods; I liked being alone. And I always felt a little out of place with kids my age. So when birthdays came by, my parents usually invited the neighbor's kids over. There were a lot of them, some whose names I barely knew. They were all very nice, and they all brought gifts. So I stayed. I blew out the candles. I opened the presents. I smiled a lot. I can't remember most hte gifts because all I could think of was getting out and trying that bicycle. It was about dinnertime by the time everyone left and I couldn't wait another minute. It would soon be dark; once ir was, my father wouldn't let me leave the house until morning.


SPOILER FREE

Esse foi um livro que escolhi para ler para o tema "uma história que se passa no futuro", e que eu comprei numa promoção da Amazon porque achei a premissa interessante, porque estava muito bem indicado pela internet, e, por fim, porque achei que o autor era mulher.

Primeiro, Sylvain não é mulher, apesar dos melhores personagens do livro serem femininas (o que já valeu a pena), segundo, o livro é de ficção científica, mas não é clara a época em que se passa a história (mas vou ignorar porque no desafio dizia que podia linhas temporais alternativas, o que certamente compreende esse enredo), terceiro, apesar disso tudo valeu muito ter comprado e lido o livro.

O livro é muito original, não só em termos de enredo e de personagens (amei todos eles, mas especialmente as personagens femininas, que são maravilhosas), mas também em formato. O livro é todo escrito em forma de arquivo, como se você tivesse acompanhando os registros de um caso do governo, com direito a diários de bordo e entrevistas (tem mais entrevistas do que qualquer outra modalidade, mas isso também é original). Por conta dessa característica, confesso que estou doida para ver uma adaptação para cinema ou televisão, ficaria lindo.

O único defeito do livro é que ele tem uma continuação, e o final desse volume é um senhor gancho que torna difícil o leitor se controlar e não comprar logo o volume seguinte (estou exercitando fortemente o meu autocontrole desde então).

Em linhas gerais, o livro tem uma série de entrevistas conduzidas por um personagem que ninguém sabe quem é (ele parece um desses agentes de agências que formalmente não existem), que conversa com diversas pessoas envolvidas num projeto gigantesco envolvendo uma espécie de robô gigante que se supõe que foi criado por extraterrestres quando o ser humano ainda vivia na idade da pedra. Por motivos óbvios, o livro tem uma pegada um tanto de anime japonês. O que, para mim, é positivo.

"Sleeping Giants", lançado ano passado por aqui com o título "Gigantes Adormecidos", é um dos livros de ficção científica mais interessantes que li, e espero que a continuação entre logo em promoção, porque quero saber como a história continua!

Nota 10, acho que a primeira para esse estilo que eu dou!


domingo, 13 de agosto de 2017

Trigger warning - alerta de risco


 Making a chair

Today I intended to begin to write.
Stories are waiting like distant thunderstorms
grumbling and flickering on the gray horizon
and there are emails and introductions
and a book, a whole damn book
about a country and a journey and belief
I'm here to write.

I made a chair.
I opened a cardboard box with a blade
(I assembled the blade)
removed the parts, carried them, carefully, up the stairs.

"Functional seating for today's workplace"
I pressed five casters into the base,
learned that they press in with a most satisfying pop.
Attached the armrests with the screws,
puzzling over the left and the right of it,
the screws not being what they should be
as described in the instructions. And then the base
beneath the seat,
which attached with six 40mm screws (that were
puzzlingly six 45mm screws).

The the headpiece to the chairback,
the cairback to the seat, which is where the problems start
as the middle screw on either side declines
to penetrate and thread.

This all takes time. Orson Welles is Harry Lime
on the old radio as I assemble my chair. Orson meets a dame
and a crooked fortune-teller, and a fat man,
and a New York gang boss in exile,
and has slept with the dame, solved the mystery,
read the script
and pocketed the money
before I have assembled my chair.

SPOILER FREE

Nunca imaginei que eu fosse ficar tão atrasada com minhas resenhas, ainda mais quando o próximo livro na lista fosse do Neil Gaiman.

Como comentei em outros posts, adquiri como novo hábito ler no celular antes de dormir, o que significa que agora eu tenho lido pelo menos 2 livros ao mesmo tempo, um no kindle e outro no celular. E no celular eu tenho dado preferência por livros que não tirem o meu sono, em outras palavras, livros de contos são ótimos para isso e os meus agora tem voado da estante virtual.

"Trigger warning", ou "Alerta de risco" em sua tradução para o português, é um livro de contos do autor inglês Neil Gaiman, famoso por aqui no blog por eu ser uma grande fã. Gaiman é um autor que eu gosto especialmente pelo seu lado sombrio, inclusive quando escreve histórias supostamente infantis. Outros livros de contos que já li dele você pode encontrar aqui e aqui.

Como todo livro de contos, é claro que tem os seus altos e baixos, mas sendo Neil Gaiman os baixos são mais para altos. Além disso, nem tudo são exatamente contos, alguns são novelas (um termo usado pelos americanos para um conto muito grande ou um romance curto), outros são poemas, como o que está ilustrando essa resenha. E para os fãs de carteirinha, esse livro inclui o texto original de "The Sleeper and The Spindle" e um conto com o personagem principal de "American Gods" (que agora virou uma excelente série de TV) Shadow Moon, que é o ponto alto desse volume, na minha opinião.

De forma geral, é um dos livros de contos do Gaiman mais eclético que já li, o que o torna uma excelente opção para quem quer conhecer o autor. Com exceção do último conto, do Shadow Moon, que se aprecia melhor já tendo lido American Gods (ter visto a série não conta, ainda, quem sabe depois da segunda temporada).

Nota 9.

domingo, 23 de julho de 2017

Lost in Translation



SPOILER FREE

Eis um livro muito fofo que eu confesso que usei para ler antes de dormir simplesmente porque  sabia que não me tiraria o sono. Composto de imagens misturadas com traduções de palavras de diversas línguas, "Lost in translation" é uma delícia para ser apreciada. (não confundir com o filme!)

Ilustrado pela Ella France Sanders, de quem eu não consegui descobrir nada pela internet além do fato de ser ilustradora e ter vivido em diversos lugares, o livro tem momentos realmente sensacionais. O ser humano é realmente incrível, e nossa criatividade para inventar palavras é impressionante.
O livro se resume em definir diversas palavras "estranhas" que, a princípio, só existem no seu idioma de origem, precisando de toda uma explicação em outras línguas, o que nos faz pensar sobre a cultura que cunhou a tal palavra. O único problema é que eu pessoalmente não curti muito as traduções das palavras de origem portuguesa do livro, não que estejam erradas, mas não são lá muito exatas. Mas imagino que seja esse o maior problema de toda e qualquer tradução, não é mesmo? Ainda mais de casos como os propostos pela autora/ilustradora.

Um livro gostoso de ler e ótima sugestão de leitura para qualquer momento.

Nota 9.




segunda-feira, 19 de junho de 2017

Feminist Fight Club: An Office Survival Manual for a Sexist Workplace

   There is no right way to read this book. Read it front front to back, open it in the middle, or treat it like a cookbook: flip to the sections you like best, put comments and notes where you want, copy them out and slide them underneath your boss's door.
   The goal of this book is to provide you with battle tactics: simple, easy to follow, effective tricks for combatting sexist, subtle sexist, overtly sexist, and sometimes just oblivious behaviors that exist in even our most progressive offices.
    Much of what you'll read here is inspired by my own experiences, sources, and friends. But it is also backed up by data: vetted, published, peer-reviewed research you can find documented at the end. The tone of this book may be light, but tis basis is not-and not a premise or fight move exists without statistical evidence to back it up.

SPOILER FREE

Esse foi um livro perfeito para as minha leituras antes de dormir, capítulos curtos e divertidos, sem linha narrativa que tirasse o meu sono. E de quebra, cheio de ideias interessantes para colocar em prática em casos de sexismo no local de trabalho (quem nunca?).

A melhor parte do livro, entretanto, é a parte de dados estatísticos (como não achar isso sendo estatística?), visto que nem sempre as ideias são muito aplicáveis quando você é a única mulher numa reunião, por exemplo. Ou quando algumas sugestões não fazem muito sentido fora da cultura estado-unidense. Mas estatísticas são sempre úteis, e estatísticas de um país que a maioria no ambiente corporativo julgam como "o máximo", "perfeito" ou "muito melhor que o Brasil" são ainda melhores, porque se lá a coisa é feia, imagine aqui.

Agora, o livro é dividido em temas, uma parte dedicada apenas a estereótipos masculinos sexistas (entre os objetivamente sexistas e os que "não percebem" que o são), outra apenas a estereótipos femininos (no sentido de você perceber que as coisas não são bem assim e como fugir deles), tudo com muito bom humor e sempre incentivando o sentimento de sororidade. Tudo muito lindo e muito divertido, mas um tanto quanto repetitivo, visto que segue uma formuleta: primeiro uma descrição engraçada, depois uma lista de sugestões de como tratar o problema, de vez em quando tem uma ilustração legal no meio.

E no final do livro tem uma lista que eu curti particularmente. Uma lista de movimentos e grupos feministas ao longo da história (mas basicamente a partir do século XIX), cheio de ideias e atitudes sensacionais. É uma grande lista de realizações de mulheres poderosas e cheias de atitude! Dá gosto de ler.

A notícia ruim é que ainda não foi traduzido para o português, a notícia boa é que é possível encontrar na Amazon e na Livraria Cultura em forma de livro digital.

Precisamos de mais livros e grupos e atitudes assim.

Nota 9,5

terça-feira, 13 de junho de 2017

The Story of the Lost Child - A história da menina perdida

From October 1976 until 1979, when I returned to Naples to live, I avoided resuming a steady relationship with Lila. But it wasn't easy. She almost immediately tried to reenter my life by force, and I ignored her, tolerated her, endured her. Even if she acted as if there were nothing she wanted more than to be close to me at a difficult moment, I couldn't forget the contempt with which she had treated me.

SPOILER FREE

E esse é o último volume da quadrilogia napolitana da autora italiana Elena Ferrante. Em português o livro foi lançado com o título "A história da menina perdida", mas como comentei anteriormente, eu li essa série num Kindle emprestado, e a dona do Kindle só tinha o último volume em inglês (não sei por qual razão misteriosa), então, li o bendito em inglês mesmo.

Como nos livros anteriores, Elena Ferrante dá uma aula de narrativa, sensibilidade e realismo, com uma qualidade literária simplesmente notável. A princípio a mudança no idioma me "soou" estranha, e o uso de algumas expressões direto do italiano por falta de uma opção razoável em inglês, o que não ocorre nas traduções brasileiras, ficou engraçado até me acostumar.

Fora a questão idiomática, os dramas que surgem nesse volume são excelentes, não só para ilustrar todas as questões femininas que já estavam sendo tratadas e desenvolvidas ao longo da narrativa até esse momento, mas como fechamento dessa história. É uma história completa, tem amor, ódio, tristeza, felicidade, traição... é uma grande colcha de retalhos de sentimentos, num retrato bastante realista da vida. Não é à toa que acham que a obra é autobiográfica.

Nesse último livro da quadrilogia, Elena traz a fase madura de sua vida e de sua amizade com Lila, quando as duas já possuem vidas e carreiras estabelecidas, o que não as torna imunes a tragédias. E quando a(s) tragédia(s) acontece(m) toda a questão passa ser como se reage a ela(s) e se ela(s) é (são) superáveis pela personagem.

Elena Ferrante produziu uma obra de peso. Depois dessa quadrilogia estou curiosa com outros livros já publicados pela autora.

Nota 10.

História de Quem Foge e de Quem Fica


Encontrei Lila pela última vez cinco anos trás, no inverno de 2005. Estávamos passeando de manhã cedo pelo estradão e, como há anos vinha acontecendo, não conseguíamos nos sentir à vontade. Lembro que apenas eu falava; ela cantarolava, cumprimentava gente que nem respondia, e nas raras vezes que me interrompia só pronunciava frases exclamativas, sem um nexo evidente com o que eu dizia. Ao longo dos anos, muita coisa ruim tinha ocorrido, algumas horríveis, e para retomar a via da intimidade teríamos de nos fazer confidências secretas, mas eu não tinha a força para encontrar as palavras, e ela - a quem talvez não faltasse força - não tinha a vontade, nem via utilidade nisso.

SPOILER FREE

Terceiro livro da quadrilogia napolitana de Elena Ferrante, a "História de quem foge e de quem fica" traz a vida de Lenú e Lila já na fase adulta, onde os dramas adolescentes dão lugar a problemas maiores, como o matrimônio, a maternidade, o mercado de trabalho e os dramas políticos da época.

Eu confesso que tenho uma certa dificuldade de lembrar exatamente onde cada livro começa e termina, pois a linha histórica e a estrutura narrativa são muito consistentes. Parte dessa sensação pode ser por conta do fato de eu ter lido os livros um em seguida do outro, mas prefiro colocar na conta da qualidade e consistência do trabalho da autora. E eu sinceramente me sinto feliz de ter lido os livros assim, não sei se conseguiria esperar entre um lançamento e outro, nem se conseguiria aproveitar tão bem a leitura sem ter diversos detalhes ainda frescos na memória. E a memória é importante numa narrativa que se presta a narrar mais de meio século de vivências.

Uma discussão que tenho visto com frequência é o questionamento de quanto do livro é autobiográfico ou não, o que é compreensível, pois o realismo no texto é realmente impressionante. Mas, sinceramente, isso não me interessa, pois não é relevante diante da qualidade literária de Ferrante e dos temas que ela trata. E apesar dessa teoria ser enormemente alimentada pelo fato da escritora publicar sob pseudônimo, fico me perguntando o porquê desse tipo de questionamento. Só porque é muito realista a autora não teria capacidade de ter escrito de forma ficcional? Acho isso intrigante.

De toda forma, esse é o volume mais voltado para a narradora, e, portanto, o que mais parece autobiográfico, e o que traz de forma mais intensa os sentimentos e questionamentos internos de uma escritora que pensa sobre o feminismo nas décadas de 60, 70 e 80. Só isso já é razão suficiente para ler o livro.

Nota 10.