Pesquisar este blog

Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta guinevere. Ordenar por data Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta guinevere. Ordenar por data Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 2 de março de 2018

Child of the Northern Spring (Guinevere #1)

 
 

SPOILER FREE

Acabei escolhendo a trilogia da autora Persia Woolley sobre a Guinevere para o tema do desafio literário de março, que pede livros sobre uma estação ou com uma estação no título. Como eu já gosto de versões da história do Rei Arthur e a trilogia foi indicada por uma amiga minha, não tinha muita dúvida.

O livro chegou a ser lançado em português como "Filha da primavera", mas infelizmente está esgotado e só é encontrado em sebos. Mas, para os amantes de histórias arturianas, fica a dica.

Nesse primeiro volume da trilogia a autora nos apresenta a infância de Guinevere, e como ela foi escolhida para se casar com o Rei Arthur, e a história vai até a criação da Távola Redonda. A história é contada pela própria Guinevere, e até pouco mais da metade do livro é recheada de flashbacks. O que foi um artifício interessante escolhido pela autora para manter a escrita em primeira pessoa e só passar pelos episódios importantes, além de preencher o tempo e mostrar a transformação interna da personagem no seu caminho de casa até o casamento.

Uma das características interessantes do trabalho da Persia é que ela escolheu contar uma versão historicamente correta da lenda. Isto é, ela fez toda uma pesquisa sobre como se vivia na época, quais lugares existiam e em que estado estavam e o que se fazia em termos de alimentos, comércio, roupas, transportes etc. Só isso já torna a leitura muito interessante.

Agora soma-se a isso o fato que a época em que se diz que poderia ter existido a corte de Arthur foi de transformação. Nessa época a Inglaterra estava dividida entre seguidores de diversas religiões pagãs e cristãos, e muitas vezes eles conviviam de forma bastante pacífica. Também nesse período ainda não havia sido amplamente implantada a cultura de que a mulher deve ficar reclusa em casa (isso em termos de mulheres de status, claro, pobre nunca teve esse problema), e ainda era comum encontrar mulheres nobres que entendiam de estratégia militar, comércio e cavalos.

E fazendo uso de toda essa gama de possibilidades, Persia criou uma Guinevere marcante, de personalidade forte e excelente cavaleira. Uma delícia de se ler sobre ela, pois é uma personagem fascinante. De forma geral, as escolhas da autora para as personagens foram todas muito interessantes e felizes, pois elas compõe um mosaico bastante diverso, mas coeso dentro da história. E na versão para kindle que eu tenho, o livro ainda tem diversas explicações da autora sobre as suas pesquisas e as razões para essas escolhas. É muito bom ter essa possibilidade do autor não só contar a sua história mas também apresentá-la.

Em compensação, a qualidade do texto em si não é tão fantástica. A escolha da primeira pessoa em si não é ruim, mas a autora acaba por cometer uns deslizes. Por exemplo, por vezes Guinevere dá a entender que ela está contando a história no passado, e por isso ela sabe o que acontece depois, outras vezes a história parece estar sendo contada no presente.

Outra questão, mas daí é puro gosto meu, é que não curti algumas escolhas da autora para as reações da Guinevere. Dado que ela é tão sensacional em diversos aspectos, achei que ela fica diminuída com algumas passagens. Não que ela precise ser perfeita, claro, mas achei que não combinava. E isso me incomodou. Inclusive foi a partir desses momentos de incômodo, tanto com alguns aspectos da Guinevere quanto alguns aspectos do próprio Arthur que comecei a reparar mais nos problemas de estilo.

Então, apesar da nota que vou dar, acho que valeu a leitura, e ainda indico para os fãs de lendas arturianas. Eu pretendo ler a trilogia até o fim, e acho que vai ser divertido.

Nota 7.

segunda-feira, 12 de março de 2018

Queen of the Summer Stars (Guinevere #2)



SPOILER FREE

Acabei escolhendo a trilogia da autora Persia Woolley sobre a Guinevere para o tema do desafio literário de março, que pede livros sobre uma estação ou com uma estação no título. Como eu já gosto de versões da história do Rei Arthur e a trilogia foi indicada por uma amiga minha, não tinha muita dúvida.

A trilogia chegou a ser publicada também em português, mas está esgotada e agora só procurando muito em sebos.

Apesar de eu ter achado o primeiro livro da trilogia interessante, mas deixando a desejar em alguns aspectos (para detalhes, leia aqui), resolvi ler os demais livros da série. E valeu a pena! O segundo livro, "Rainha das Estrelas de Verão" (em tradução livre), é bem mais interessante que o primeiro em termos técnicos. Ainda não é uma obra prima literária, mas a leitura incomoda menos com relação aos problemas do primeiro volume. Mas aviso que o livro também é em primeira pessoa, para quem não gosta desse estilo já ficar sabendo de antemão.

Além disso, aqui Guinevere já é rainha, e já está se mostrando mais esperta nas questões diplomáticas da corte, apesar de cometer uns deslizes de vez em quando, como qualquer pessoa. Alguns com consequências maiores, outros menores. É nesse volume que ela desabrocha como mulher, rainha e personagem, ganhando mais profundidade e finalmente surgindo passagens bastante clássicas nas lendas arturianas. Como a questão entre Artur, Guinevere e Lancelote. E, eu não sabia que era uma passagem clássica, mas descobri na introdução do livro, a questão do rapto e desfecho desse rapto de Guinevere (como eu não sabia, vou supor que outros também não sabem e manter o suspense).

Diversos outros marcos militares estão nesse volume da trilogia, e nesse sentido o livro não entra em tantos detalhes justamente porque o ponto de vista da história continua sendo da Guinevere, que não participa pessoalmente das grandes batalhas, apesar dela testemunhar algum grau de violência, claro. Outra opção da autora pelo clássico, é a forma como ela retrata a Morgana das Fadas, que não lembra em quase nada a famosa descrição da personagem em Brumas de Avalon.

Nesse sentido, a quantidade de personagens femininas más me incomodou um pouco. Apesar do livro ter lá a sua leva de personagens masculinos maldosos, na maioria das vezes eles são violentos ou conquistadores de terras, não exatamente maus. Com uma grande exceção que talvez compense o desequilíbrio final das coisas. Pelo menos até o final do segundo livro da trilogia, vai que no terceiro as coisas voltem a se nivelar?

No mais, a leitura é agradável e tem passagens de grande suspense que não dá para parar de ler, o que é sempre um bom sinal num livro. A escrita melhorou, apesar de ainda ter algumas questões, especialmente os erros de digitação, que eu não sei como estão nas versões impressas ou traduzidas, visto que li no kindle.

Vale uma nota 8.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Guinevere: The Legend in Autumn (Guinevere #3)



SPOILER FREE

Esse é o livro culpado pelo meu atraso nas resenhas. Fiquei algumas semanas fugindo de escrever a resenha dele.

Como último livro da trilogia sobre a Guinevere que já havia me deixado feliz e triste ao mesmo tempo (veja as resenhas anteriores aqui e aqui), posso dizer que ele realmente faz parte dessa trilogia. Isto é, possui exatamente os mesmos problemas, talvez um pouco mais intensamente.

Minha questão com o livro não é o fato de ser triste, veja bem, estamos falando da saga do Rei Arthur, ninguém espera um final feliz, certo? Mas a questão é a construção desse final. Tem o problema da narradora, a própria Guinevere, que como até brincaram comigo quando reclamei para meus amigos, deve sofrer de algum tipo de doença neural degenerativa quando resolveu contar a história, porque ela nunca sabe se está contando algo que aconteceu há muitos anos ou está acontecendo no momento. Como o foco não é uma possível doença da narradora, isso só torna a leitura confusa e chata.

Outro problema é a escolha entre os momentos da história para alternar a leitura, numa tentativa de fazer a leitura mais dinâmica e prender o leitor. Sim, isso é uma técnica, leia Dan Brown para ver exemplos gritantes disso. O problema aqui foi a escolha da autora, entre um momento super empolgante e cheio de adrenalina e outro em que NADA acontece. Isso dura metade do livro, METADE. A outra metade é só muito, muito, muito deprê. E não é só por causa dos acontecimentos, mas também por conta das atitudes da Guinevere, que não parece mais a mesma personagem forte dos livros anteriores. Muito triste quando isso acontece assim, na ordem contrária do que seria bacana de ler.

Sendo muito boazinha, nota 6.

Nota da série: 6,5.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

As Brumas de Avalon - 4 volumes



SPOILER FREE

Então, pela primeira vez esse ano estou super atrasada, isso porque inventei de ler mais um brutamontes: As Brumas de Avalon (a série completa de 4 livros, é claro, senão não tinha graça). E óbvio que eu dei "sorte" de tirar férias justamente nesse período, e meu tempo para ler simplesmente desapareceu e por isso demorei muito, mas muito mais do que o previsto lendo o volume único da série que eu tenho para kindle (graças a deus! imagina carregar o bruto no muque?).

Fiz essa escolha porque em agosto o tema de um dos Desafios Literários que estou seguindo era uma releitura (li essa série aos 15 anos, então faz muito mas muito tempo que eu li), de outro desafio o tema era uma aventura e de outro um clássico de aventura. E como considero que todas as versões da história do Rei Arthur são aventuras e As Brumas é um clássico, os 4 volumes da série estavam contando para todos os desafios (inclusive para o quarto desafio, que é ler 52 livros no ano - com esses cheguei a 46 segundo a contagem aproximada do Goodreads). Os livros que compõe a série conhecida como "As Brumas de Avalon" são: "A Senhora da Magia", "A Grande Rainha", "O Gamo-Rei" e "O Prisioneiro da Árvore", no total são aproximadamente mil páginas. Ah, sim, e caso alguém ainda não saiba, "As Brumas de Avalon" conta a história do Rei Arthur e sua corte, mas o seu diferencial é que ela é contada a partir do ponto de vista das mulheres presentes na história, além de focar na mudança religiosa do paganismo celta-druida para o cristianismo. Por isso, às vezes, a série é considerada feminista.

Mas indo para a análise do conteúdo dos livros, fazia muito tempo que eu não relia algo, e a experiência de ler novamente "As Brumas" foi muito especial. Lembro nitidamente da sensação de ler os livros pela primeira vez, do fascínio que senti e de como foi importante essas leituras para mim na época. Reler o texto hoje foi muito interessante, os livros continuam maravilhosos, e a história é tão cativante quanto eu me lembrava, mas depois de mais de 15 anos a minha forma de ver o mundo e os temas tratados pela autora, em especial o paganismo, é bem diferente, por isso a forma como li os pormenores da história foi completamente diversa da primeira leitura, e eu pude ser bem mais crítica do que quando era adolescente e pouco sabia dos assuntos ligados à Wicca.

Achei interessante confirmar algumas impressões bem fortes acerca de alguns personagens do livro, como a Guinevere ser uma chata, o Mordred um fdp e o Arthur meio bundão, mas, em compensação, na minha memória a Morgana era espetacular, e na releitura já não a achei tão especial assim. Confesso que em alguns momentos fiquei sem paciência com alguns personagens e achei que algumas situações foram alongadas talvez um pouco demais da conta ao longo das obras, mas no final a leitura continuou agradável. E eu continuo indicando os livros para qualquer um que se interesse pelas lendas arthurianas e por paganismo. Só não indico como fonte histórica de nada, pois além da mitologia arthuriana, que obviamente é apenas um mito, tem gente que acredita que a parte sobre o paganismo e a forma de culto da deusa e dos druidas e a relação das mulheres na sociedade na época (século V d.C. para os distraídos) esteja bem descrita nesse livro, e infelizmente isso não é verdade.

Outra coisa que achei interessante foi ver que alguns personagens presentes na Trilogia do Rei Arthur do autor Bernard Cornwell também estão presentes aqui, mas eu simplesmente não me lembrava deles nas Brumas de Avalon, talvez seja uma questão de importância que cada autor tenha dado para eles, talvez minha memória é que tenha falhado. De qualquer forma, achei interessante ver esses personagens sendo descritos de formas tão diversas, mas ainda assim mantendo a linha central do mito arthuriano. Agora fiquei com vontade de reler a obra do historiador inglês e fazer uma comparação mais rica entre os pontos de vista de cada autor. Quem sabe, se der tempo nos próximos meses de Desafios Literários? Dezembro é um mês de tema livre!

Nota 9,5 para a série, porque como li um volume único, fica um pouco complicado de dar notas separadas para cada livro.

domingo, 8 de abril de 2018

Extraordinary Women from the Muslim World



SPOILER FREE

Esse é um dos livros que escolhi para o desafio literário de abril, que tem como tema "Uma História Oriental", e como ando num clima de ler mulheres falando sobre mulheres (a resenha do último livro da trilogia da Guinevere já vem, aguardem), nada melhor do que escolher um livro escrito por uma mulher, ilustrado por outra mulher e que fale sobre mulheres muçulmanas.

O livro em si é bem simples, consiste em capítulos pequenos onde cada um fala sobre uma mulher importante na história do mundo muçulmano (que é muito maior do que as pessoas costumam imaginar). As mulheres estão ordenadas de forma histórica, das mais antigas para as mais modernas, e todo capítulo possui uma ilustração belíssima da mulher em questão.

Uma das coisas interessantes é que todos os envolvidos nesse livro também são muçulmanos e de diversos lugares diferentes! E as mulheres retratadas são tão diversas quanto os autores! Coisa linda de ver! Tem mulher santa, poetisa, guerreira, educadora, advogada, intelectual... e de lugares absurdamente diferentes: Egito, Irã, Turquia, Iêmen, Índia, Nigéria e Arábia Saudita. Todas as mulheres retratas tem histórias incríveis e a leitura é rápida e uma delícia. O único porém é que são rápidas demais, eu gostaria de saber mais sobre cada uma delas, de tão incríveis que elas são. É o único defeito do livro.

As mulheres retratadas são: Khadija bint Khuwaylid, da Arábia, primeira esposa do profeta Maomé; Aisha bint Abi Bakr, da Arábia, esposa favorita do profeta e intelectual (a maior parte dos Hadith são de sua autoria); Al-Khansa, da Arábia, poetisa pré-islâmica que se converteu ao Islã e se tornou uma dos primeiros poetas muçulmanos; Rabia al-Adawiyya, do Iraque, santa sufi, um dos santos mais proeminentes do sufismo; Arwa bint Ahmed al-Sulayhiyya, rainha do Iêmen, mulher de história sensacional; Sultão Razia, da Índia, Rainha guerreira de Delhi, recebeu o título de Sultão ao invés de Sultana; Nana Asmau, da Nigéria, intelectual, poetisa e educadora do século XIX; Tjut Njak Dien, da Indonésia, intelectual e líder guerrilheira; Halide Edib Adivar , da Turquia, autora da única autobiografia feminina que se passa durante a primeira guerra mundial na Turquia, ativista dos direitos das mulheres; Umm Kulthum, do Egito, cantora célebre em todo o mundo árabe e uma das minhas ídolas da música árabe; Sabiha Gokcen, da Turquia, piloto militar, filha adotada do fundador da Turquia moderna, Ataturk, um dos aeroportos de Istambul leva o seu nome; Chaibia Tallal, do Marrocos, pintora do século XX; Shirin Ebadi, do Irã, advogada, juíza e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz.

Como eu disse, só histórias incríveis.

Nota 9.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Retrospectiva 2018


Esse ano de 2018 foi especial para as minhas leituras, primeiro porque li muita coisa legal, segundo porque pela primeira vez na vida cheguei no marco de 100 livros lidos. Confesso que nunca imaginei que chegaria nesse número. No dia que terminei o livro n°100 eu comemorei. Aliás, se você quiser dicas minhas de como chegar lá também, veja aqui!

Agora eu preciso confessar que não tenho a menor ideia se chegarei de novo nesse número. (ano novo é para se começar sem culpas ou sujeira embaixo do tapete, então essa é a hora das confissões)

O final do ano se aproxima e eu não tenho a menor ideia de como serão os meus horários ou minha agenda no próximo ano, por questões totalmente alheias ao meu controle, portanto, não é um bom momento para pensar em metas ousadas para 2019. Quem sabe ao longo do ano eu perceba que é possível chegar de novo nessa quantidade e eu volto a pensar no assunto.

Até lá, vamos para a Retrospectiva 2018! Sente-se num lugar confortável e com uma bebida geladinha (no hemisfério sul, nesse verão de rachar) ou quentinha (no hemisfério norte, que o inverno está prometendo ser pesado esse ano), porque haja retrospectiva para cobrir tanto livro. Tentarei ser sucinta.

O início do ano vai ser rápido de rever, foram duas séries completas de Graphic Novels que aproveitei para ler nas férias e no Carnaval. Comecei o ano com Sandman, numa edição dividida em 10 volumes, o clássico que lançou ao estrelato o maravilhoso Neil Gaiman, e que deu origem aos quadrinhos de Lucifer (que totalizam 5 volumes), um filhote meio bastardo do Mike Carey, que infelizmente não chegou aos pés do brilhantismo de Gaiman.

Mais ou menos na mesma época eu li um livro de poesia da mineira Adélia Prado, que aprendi a apreciar, mais um clássico, Robinson Crusoé, que não consegui entender porque ainda é lido, porque é chato até dizer chegar, e uma série arthuriana de 3 volumes, dessa vez do ponto de vista da Guinevere, que, apesar de ter boas intenções, teve lá os seus problemas de execução.

Terminando esse monte de séries resolvi ler coisas que não tivessem continuação, daí sobre o mundo árabe eu li O Corão (não fiz resenha por motivos éticos), Extraordinary Women, com rápidas biografias de mulheres incríveis do mundo islâmico, Nove Partes do Desejo, um estudo jornalístico sobre as mulheres no mundo muçulmano, Madinah, uma coletânea de contos de autores árabes que me gerou uma lista de autores para pesquisar, e Islã da historiadora Karen Armstrong.

Para dar uma quebrada nesse clima, eu li também Let's Pretend This Never Happened, da mesma autora de Furiously Happy, o que é sempre certeza de diversão, The Golem and The Jinni, que mistura as mitologias judaica e árabe, uma obra belíssima que deve receber uma continuação (desnecessária mas quem sou eu para reclamar) no próximo ano, The life-changing magic of not giving a f*ck, uma paródia maravilhosa do livro da Marie Kondo, Mr. Penumbra's 24-hous Bookstore, um livro muito doido que me surpreendeu e amei, Her Reasons, meu primeiro livro da linha harém reverso, o que descobri que existia esse ano e, bem, não posso reclamar da sua existência, e num tom mais espiritual li Omnipresent, uma coletânea de textos sobre a(s) deusa(s).

Daí precisei de uma limpeza cerebral mais pesada e fui terminar séries, começando com Where she Went, mais uma continuação desnecessária mas fofa, Real Vampires take no prisoners, cuja série simplesmente deixou de me agradar e não pretendo ler mais nada da autora por falta de paciência até alguém me convencer, e o mais erótico Jock Row, porque, bem, eu gosto.

Limpeza mental feita, li os mais técnicos Belly Dance Around The World, uma coleção de artigos na linha das ciências sociais sobre a dança do ventre ao redor do mundo, No God But God, uma breve história do Islã do iraniano Reza Aslan, Muhammad's wives, sobre as diversas esposas oficiais do profeta Maomé e Kings and Presidents, uma análise de um ex-agente da CIA sobre a relação entre os reis sauditas (desde a fundação da atual Arábia Saudita) e os respectivos presidentes norte americanos.

Mais ou menos nessa época terminei vários livros de poesias, entre eles: A arte de pássaros do Neruda, que não parece Neruda, The garden of Heaven do Hafiz, numa tradução meio blé, A criança em ruínas do português José Luís Peixoto, um dos melhores livros de poesia desse ano, Letter to my daughter da maravilhosa Maya Angelou, virei fã e quero mais, e, por fim, Dog Songs da Mary Oliver, que pela fama eu esperava mais.

Entre os livros mais pesados e as poesias, li The Astonishing Color of After, um livro lindo demais e que estou doida pra ser lançado no Brasil, Ten Women da chilena Marcela Serrano, uma grande descoberta para mim de autoras latino-americanas. Num tom mais leve, Getting over Garrett Delaney, um livro muito bom para adolescentes, Celtic Tales, cujo título já explica que são histórias celtas, The Collaborative Habit da bailarina americana Twyla Tharp, que prometia mais do que entregou, A Mystic Guide to cleansing and clearing, que mais pareceu um livro de receitas, para o bem e para o mal, e The hating game, o melhor livro que já li da linha de inimigos a amantes.

Depois de tanta coisa levinha li para compensar um livro do maravilhoso autor egípcio ganhador do Nobel, Naguib Mahfouz, The Harafish, fechando minha meta anual de ler algo dele sempre, Girls of Ryad, um romance escrito por uma saudita que é simplesmente chocante, o clássico do Philip K. Dick que deu origem ao filme Blade Runner, Androides sonham com ovelhas elétricas?

Daí um tive outro surto de limpeza mental e li seguidinho Heartbreakers e Paper Hearts da Ali Novak, Love Machine da Kendall Ryan, The Accidental Harem da JJ Knight, The Player e The Catch da K. Bromberg e Taking the heat da Victoria Dahl. Desses eu só recomendo o Accidental Harem.

Para não perder o ritmo, pois a limpeza mental não tinha sido lá essas coisas, li 3 livros de histórias curtinhas, A lâmina assassina, novelas do universo de Trono de Vidro que serviram para refrescar a memória enquanto eu aguardava o lançamento do último livro da série, The Djinn Falls in Love, uma coletânea de contos sobre gênios (os da lâmpada mesmo) e Broad Strokes, uma coletânea de breves biografias e análises de 15 mulheres artistas plásticas.

Por ocasião do dia dos pais li Morreste-me, mais um livro do português José Luís Peixoto, que caiu super bem para mim. E continuei na saga de terminar séries de livros deixadas pela metade, com os três últimos livros de Please Don't Tell My Parents I'm a Supervillan, que eu adoro de paixão e de fofura, Always and Forever Lara Jean, porque estava na hora antes que eu esquecesse o nome das personagens todas, e no embalo li a série completa de Corte de Espinhos e Rosas (4 livros).

Para contrabalancear, eu li Robert Fisk on Afghanistan, com as matérias do jornalista especialista em Oriente Médio durante a guerra contra o Talibã, A Belly Dance Journal, um livro bastante técnico apesar de simples com sugestões de práticas voltadas para a dança do ventre, e terminei O Tarô Mitológico, que é uma versão das cartas do tarô usando mitologia grega. Terminei também os livros de poesia Poesia Completa de Yu Xuanji, uma das poetisas chinesas mais importantes e Les Fleurs du Mal, do francês Baudelaire, que eu nem sei quanto tempo levei para ler.

Daí entrei numa vibe ler sobre mulheres e devorei Men Explain Things to Me, que achei maravilhoso e bem no ponto, assim como I'm Judging You da nigeriana Luvvie Ajayi. Virei fã dela. No ramo ficção li The girl you left behind, uma história linda de mulheres incríveis, a série já publicada de Monstress (apenas 3 volumes até hoje), terminei a série Themis Files (2 livros e um mini conto), que apesar de não ser escrita por uma mulher tem mulheres fodas. Li a poetisa brasileira Laura Erber com A Retornada, e finalmente o último livro da série Trono de Vidro.

No meio dessa leitura feminina toda, eu li Odd and the Frost Giants do Neil Gaiman, que é uma categoria a parte, publicação da mortalidade, do português Valter Hugo Mãe, e o livro Histoires do francês Jacques Prévert, que eu amo.

Fora isso, continuei firme na linha feminina, com Made you up da Francesca Zappia, Poeta X da Elizabeth Acevedo, A filha perdida da Elena Ferrante, dois livros da Sarah Andersen, Herding Cats e Big Mushy Happy Lump, Dance was her religion, sobre 3 bailarinas do início do século XX que só criaram a dança moderna e mais uma corrida de livros que eu esperava que fossem eróticos mas... deixaram a desejar: A passionate love affair with a total stranger da inglesa Lucy Robinson, Sweetshop of dreams da inglesa Jenny Colgan, Part-time lover da Lauren Blakely e Dear Jane da Kendall Ryan, vencedor do título pior livro do ano. Em compensação teve o delicinha Scoring the wrong twin da Naima Simone.

Fechando o ano, terminei o livro da poetisa argentina Alejandra Pizarnik e dois livros de poetas de Moçambique, Rui Knopfli e Sangare Okapi. O livro super feminista para adolescentes Moxie e um de contos de natal, My True Love Gave to Me. Ufa.

Que 2019 seja recheado de livros maravilhosos para todos! Aliás, já viram o Desafio Literário do Popoca para o próximo ano? Excelentes dicas de livros para ler! Nem todas minhas, mas o que não foi meu eu pretendo usar! Clica aqui!