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sexta-feira, 12 de outubro de 2018

A Court of Wings and Ruin - Corte de Asas e Ruína

 
 
SPOILER FREE

Se o primeiro livro foi ruim, talvez de propósito ou não, e o segundo foi uma lição aprendida a duras e longas penas sobre relacionamentos abusivos e como treinar para ser uma High Fae guerreira, o terceiro livro, Corte de Asas e Ruína é a guerra!

No terceiro livro da saga Corte de Espinhos e Rosas, Sarah J. Maas leva Feyre de volta para a Corte da Primavera, mas dessa vez ela está preparada para lidar com a situação e sabe exatamente o que ela quer. E isso é só o que antecede a grande guerra contra Hybern. E a guerra toma conta de todo o livro, no final das contas, intercalado com romance e sexo, claro.

Se o segundo livro é sobre Feyre descobrir o que é legal para ela e se aperfeiçoar, o terceiro é a hora de colocar as mãos na massa, num grande épico cheio de lutas, sacrifícios, traições e revelações! Sarah J. Maas vem mostrar como pode ser eclética, com cenas apoteóticas de batalhas. Porque um romance young adult não precisa ser focado apenas nos relacionamentos amorosos, claro que não. Apesar deles abundarem ao longo de todo o livro e serem o provável motivo de muito leitor continuar a série.

A autora resolve abraçar algumas pautas feministas ao longo da narrativa, aproveitando para fazer os próprios personagens questionarem o que acontece no seu mundo, que por sinal é bastante machista, caso você ainda não tenha percebido nos livros anteriores. Não só questionarem mas também tomarem ações para mudar o que eles acreditam ser injusto. É bem interessante, porém nem sempre Sarah acertar na dose.

Como experiência de leitura, apesar de ser maior que o segundo, achei que Corte de Asas e Ruína é mais rápido e objetivo de ler, e cansa menos. Talvez por conta das batalhas e de todo o clima de intriga entre as cortes do mundo High Fae, que dificulta muito parar no meio da leitura. Confesso que foram 6 dias tensos, pensando nos próximos minutos livres que eu teria para continuar a ler. Excelente sinal para qualquer livro.

Mas o livro não é perfeito. Independentemente das tentativas feministas e de representatividade de algumas minorias, Sarah J. Maas insiste em algumas coisas que me incomodam, mas que fazem parte da avassaladora maioria dos livros young adult. Tanto em Corte de Espinhos e Rosas quanto em Trono de Vidro ela insiste na questão de ter um mate (não sei como traduziram esse termo), que é equivalente a ideia da alma gêmea. Gente, coisa do século passado isso, por favor. E todo o mundo precisa ter um, para que esse exagero? Ninguém existe sozinho. Os que não possuem mates são todos maus na história, sério. Eu entendo a questão dos hormônios, a galera quer ler sobre casais, ok, mas vamos colocar limite?

Além disso, preciso dizer que o final não me agradou. Depois de tanto esforço para ser diferente no universo atual de young adult, Sarah J. Maas caiu no clichê logo no finalzinho da corrida. Uma pena! E ainda por cima num clichê tão cheio de água com açúcar que meus olhos quase caíram de tanto revirar. Receito o uso de insulina literária para a leitura desse final.

E para que deixar um final tão aberto? Mais 50 páginas (o que são mais 50 páginas depois de 700?) e ela podia terminar a série ali. Mas não. Ela precisava escrever mais um livro. O livro seguinte, Corte de Gelo e Estrelas, que saiu agora em maio desse ano, é tão pequeno perto dos demais (tem menos de 300 páginas) que você fica se perguntando para que ele serve. Além dela ganhar uma grana extra, claro.

Independente do que vai acontecer no quarto livro, Sarah J. Maas já avisou que o quinto livro vai ser um spin-off, isto é, a série em si acaba no quarto livro. Graças aos deuses, de série longa dela já basta Trono de Vidro. Não entendo essa necessidade de fazer essas séries de livros que não terminam nunca.

A questão no final das contas é que a série é bem interessante para aqueles que ainda não percebem a necessidade do feminismo, e de como algumas questões sociais que ainda temos muito forte hoje em dia precisam ser mudadas. Mas, se você já está numa fase mais desconstruída, os livros não parecem grandes coisas.

Tudo depende do que você achou do primeiro livro, quanto mais você gostou dele mais você precisa ler os seguintes.
Nota 8.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

A Court of Mist and Fury (A Court of Thorns and Roses, #2) - Corte de Névoa e Fúria


SPOILER FREE

Depois de um primeiro livro morno, beirando ao ruim, Sarah J. Maas resolveu pagar todos os seus pecados e acertar todos os problemas no segundo livro. E no processo conseguiu reverter completamente a minha percepção dessa série.

Em resumo: depois de sobreviver, numa forçação do sentido da palavra, aos testes de Amarantha, Feyre retorna à Corte da Primavera com o amor da sua vida. Mas coisas começam a acontecer e ela passa a perceber que o seu conto de fadas não é lá essas grandes coisas e a se perguntar se é isso mesmo que ela quer para a sua nova vida (literalmente).

Sarah J. Maas resolveu, não sei por questões de pegar a galera do amor-romântico-possessivo pelo pé, ou se por questões de mas você já reparou que a história que você escreveu é machista?, que estava na hora de apontar tintim por tintim todos os problemas do relacionamento abusivo do primeiro livro. E isso ela faz extensamente. Por mais de 600 páginas de livro. É muito defeito para apontar e corrigir, gente.

Tudo bem que ela incluiu aí no meio todo o treinamento de Feyre para se tornar uma guerreira e dominar as magias que ela ganhou no final do primeiro livro. E isso tudo inclui uma quantidade difícil de enumerar de clímaces (precisei pesquisar esse plural) e uma lição bastante completa e abrangente de como um relacionamento legal deve ser.

Pessoas, em especial os homens héteros, leiam esse livro para aprender como devem tratar suas parceiras, por favor. Inclui instruções na cama.

Mulheres hétero, de nada.

Preciso dizer que o segundo livro acaba fazendo valer a leitura do primeiro, por todos os seus pontos positivos. Ele me fez me apaixonar tanto pelos personagens que agora eu estou com medo de que a Sarah os mate nos livros seguintes. Preciso de mais Feyre, Rhysand, Mor, Azriel, Cassian e Amren na minha vida de leitora. Toda a dinâmica que ela conseguiu construir para eles é muito divertida de ler.

Mas nem tudo são rosas. O livro é longo demais, detalhado demais, tudo demais. É tanta coisa que acontece que o resumo que eu pude usar aqui é ridículo de pequeno. Pode ser viciante e gostoso de ler, mas cansa. Me senti numa maratona de leitura!

E Sarah ainda comete um pecado capital para mim: o livro termina num gancho. Um gancho daqueles bem ruins de você ler e não ter o livro seguinte para começar assim que virar a última página. Maldade pura.

Problemas à parte, Sarah J. Maas subiu de novo no meu conceito e eu recomendo muitíssimo a leitura dos dois primeiros livros de Corte de Espinhos e Rosas. Vale o esforço e o gancho, mas já deixe o volume seguinte a postos.

Nota 9.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

A Court of Frost and Starlight - Corte de Gelo e Estrelas



SPOILER FREE

Confesso que já comecei a leitura do quarto livro da série Corte de Espinhos e Rosas bem desanimada, por motivos de não entender a necessidade de existir mais um volume (como você pode ver aqui na resenha do volume anterior).

Uma das coisas mais tristes que podem acontecer com um livro é você ter expectativas ruins sobre ele e elas se realizarem. Infelizmente esse foi o caso.

Corte de Gelo e Estrelas não é exatamente mais um volume na série, tanto que a autora o chamou de "novella", o que quer dizer que no final das contas ele é uma história razoavelmente curta no universo da série Corte de Espinhos e Rosas. Mas o problema na verdade não é o tamanho do livro, é a falta de conteúdo.

Depois de 3 livros tensos e cheios de história (cheios até demais), Sarah J. Maas gasta quase 300 páginas para falar de uma festa, sobre o ponto de vista de diversos personagens. Tentativa de ponto de vista, pois alguns personagens parecem os mesmos, se não fosse o nome no início do capítulo eu não saberia quem que estava falando.

Com exceção de alguns capítulos, ou ponto de vista de poucos personagens, o livro é uma grande ode à perfeição do casal principal. É tanto açúcar que mais parece uma fanfic do que um trabalho original da Sarah. Eu já tinha sentido isso no terceiro livro da série, que ela estava começando a exagerar na dose de Feyre e Rhysand, mas aqui ela perde completamente o controle. O livro fica chato, repetitivo e eu não aguento mais ler a palavra mate. 

Não sei como ficou a tradução de mate em português, mas a ideia na história é de alma gêmea. O problema é que em inglês o termo também denota companheiro, amigo, e é usado a rodo no Reino Unido em geral entre os homens. Ela usa tanto essa palavra que mais parece um livro inglês do que americano. Aliás, li uma parte do livro imaginando dois homens tendo os diálogos entre Feyre e Rhysand e foi a melhor parte da leitura.

E o que ela resolveu fazer com a Nesta? A irmã mais velha de Feyre era um personagem tão interessante, e agora ela se tornou só chata. Sarah resolveu fazer todos os seus leitores odiarem a Nesta. E eu não entendi o motivo, visto que, pelo pedacinho do livro seguinte que veio na minha edição, o quinto livro/spin-off da série vai ser justamente sobre ela.

Faltou um bom assessoramento editorial aí.

Não faz jus aos outros trabalhos da autora.

Nota 5.

sábado, 17 de novembro de 2018

Kingdom of Ash (Throne of Glass #7)



SPOILER FREE

E finalmente foi publicado o último volume da mega saga Trono de Vidro! A louca aqui, claro, comprou o livro ainda no pré-lançamento, e ficou só esperando o bendito aparecer no kindle. Vantagens da vida moderna!

Confesso que não sei quando a Record vai lançar esse livro, e há uma chance deles fazerem o mesmo que fizeram com Império de Tempestades, que foi vendido no Brasil dividido em dois tomos. Isso porque o livro tem quase mil páginas. Você leu certo. Mil páginas!

As mil páginas parecem menos do que isso, vou logo avisando, porque Sarah J. Maas resolveu elevar a um novo nível a alternância entre diversos pontos de vista. Ela já tinha feito testes desse formato em livros anteriores da série, e realmente ela foi ficando melhor nisso, e acredito que isso tenha dado a coragem necessária para finalmente colocar a sua habilidade a prova aqui. Entre os pontos de vista da Aelin, Chaol, Aedion, Dorian, Rowan, Manon e mais alguns, ela consegue não se perder e manter o ritmo da leitura ao fazer o estilo de narrativa de alternância de histórias que sempre pausam em momentos dramáticos.

Não é o meu estilo favorito. Me lembra muito Dan Brown, o que eu não considero um elogio.

Mas como ela consegue manter isso tudo indo por mil páginas? A resposta: muitas batalhas. Sério, eu nem sei quantas batalhas épicas ela inclui no livro, não me dei o trabalho de contar. São muitas, e todas bastante emocionantes, é preciso dizer. E claro, tinha aquele um zilhão de pontas soltas que ela foi deixando ao longo dos livros anteriores, até porque o livro sexto não tratou de nenhuma delas, só acrescentou.

Considerando isso tudo, o livro é satisfatório, porque realmente trata de todas elas, ou pelo menos de todas as mais importantes (considerando que essas sejam as que eu mesma conseguia lembrar). Tem uma questão deus ex maquina, tem, claro que tem, é um livro da Sarah J. Maas num mundo cheio de magia e seres fantásticos. E eu preciso lembrar que a autora ainda por cima tem um amor por personagens que beiram a perfeição, por mais que sejam imperfeitos?

Tem o problema dos mates? Tem, mas talvez por ter outras histórias e coisas acontecendo ao mesmo tempo a questão fica menos presente, ou pelo menos chama menos atenção e não enche tanto o saco. Exceto nas vozes da Aelin e do Rowan, nesses momentos uma dose de insulina é necessária.

Ela mata personagens importantes? Bem... é uma questão controversa, primeiro porque não quero dar spoiler, segundo porque precisa definir o que é ou não importante... mas sim, temos mortes no livro, e vou deixar só isso. Até porque com tantas batalhas como poderia ficar sem mortes?

Eu entendo o dilema que a autora acabou criando com relação a essa questão. Depois de tantos livros com personagens tão marcantes que tanta gente se apaixonou, as batalhas finais precisam de sangue, mas como decidir entre todas essas personagens? Considerando que o estilo young adult tem uma propensão maior a seguir as vontades dos fãs e a criar finais felizes, Sarah J. Maas se colocou realmente numa sinuca de bico.

É preciso levar isso em consideração para avaliar o livro. Kingdom of Ash não faz feio no final das contas, e a leitura é muito agradável, dinâmica e possui muitos bons momentos de adrenalina. Dentro do estilo que a autora está desenvolvendo é um dos melhores livros dela, e isso é muito positivo. Mas o livro não é perfeito e não é genial.

Acredito que Sarah J. Maas tem potencial para fazer coisas muito melhores do que essa série. Mas não sei se vão permitir que ela alce esse tipo de voo. A indústria da literatura young adult é bastante poderosa e Sarah me parece que já foi engolida por ela. Prevejo que ela vai continuar escrevendo bons young adult, mas infelizmente não acredito que ela vá largar esse osso e tentar coisas mais abrangentes como ela me parecia ter vontade nos livros anteriores. Nesse sentido, Kingdom of Ash me parece um aviso da autora sobre o que ela pretende fazer no futuro.

Agora nos resta aguardar a nova série spin-off de Corte de Espinhos e Rosas para ver se estou certa ou não.

Nota 9.

Nota da série: 8.

Não lembra da série? Veja as resenhas anteriores aqui:

Trono de Vidro
Coroa da Meia Noite
Herdeira do Fogo
Rainha das Sombras
Império de Tempestades
Torre do Alvorecer
A lâmina da assassina - novelas

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Retrospectiva 2018


Esse ano de 2018 foi especial para as minhas leituras, primeiro porque li muita coisa legal, segundo porque pela primeira vez na vida cheguei no marco de 100 livros lidos. Confesso que nunca imaginei que chegaria nesse número. No dia que terminei o livro n°100 eu comemorei. Aliás, se você quiser dicas minhas de como chegar lá também, veja aqui!

Agora eu preciso confessar que não tenho a menor ideia se chegarei de novo nesse número. (ano novo é para se começar sem culpas ou sujeira embaixo do tapete, então essa é a hora das confissões)

O final do ano se aproxima e eu não tenho a menor ideia de como serão os meus horários ou minha agenda no próximo ano, por questões totalmente alheias ao meu controle, portanto, não é um bom momento para pensar em metas ousadas para 2019. Quem sabe ao longo do ano eu perceba que é possível chegar de novo nessa quantidade e eu volto a pensar no assunto.

Até lá, vamos para a Retrospectiva 2018! Sente-se num lugar confortável e com uma bebida geladinha (no hemisfério sul, nesse verão de rachar) ou quentinha (no hemisfério norte, que o inverno está prometendo ser pesado esse ano), porque haja retrospectiva para cobrir tanto livro. Tentarei ser sucinta.

O início do ano vai ser rápido de rever, foram duas séries completas de Graphic Novels que aproveitei para ler nas férias e no Carnaval. Comecei o ano com Sandman, numa edição dividida em 10 volumes, o clássico que lançou ao estrelato o maravilhoso Neil Gaiman, e que deu origem aos quadrinhos de Lucifer (que totalizam 5 volumes), um filhote meio bastardo do Mike Carey, que infelizmente não chegou aos pés do brilhantismo de Gaiman.

Mais ou menos na mesma época eu li um livro de poesia da mineira Adélia Prado, que aprendi a apreciar, mais um clássico, Robinson Crusoé, que não consegui entender porque ainda é lido, porque é chato até dizer chegar, e uma série arthuriana de 3 volumes, dessa vez do ponto de vista da Guinevere, que, apesar de ter boas intenções, teve lá os seus problemas de execução.

Terminando esse monte de séries resolvi ler coisas que não tivessem continuação, daí sobre o mundo árabe eu li O Corão (não fiz resenha por motivos éticos), Extraordinary Women, com rápidas biografias de mulheres incríveis do mundo islâmico, Nove Partes do Desejo, um estudo jornalístico sobre as mulheres no mundo muçulmano, Madinah, uma coletânea de contos de autores árabes que me gerou uma lista de autores para pesquisar, e Islã da historiadora Karen Armstrong.

Para dar uma quebrada nesse clima, eu li também Let's Pretend This Never Happened, da mesma autora de Furiously Happy, o que é sempre certeza de diversão, The Golem and The Jinni, que mistura as mitologias judaica e árabe, uma obra belíssima que deve receber uma continuação (desnecessária mas quem sou eu para reclamar) no próximo ano, The life-changing magic of not giving a f*ck, uma paródia maravilhosa do livro da Marie Kondo, Mr. Penumbra's 24-hous Bookstore, um livro muito doido que me surpreendeu e amei, Her Reasons, meu primeiro livro da linha harém reverso, o que descobri que existia esse ano e, bem, não posso reclamar da sua existência, e num tom mais espiritual li Omnipresent, uma coletânea de textos sobre a(s) deusa(s).

Daí precisei de uma limpeza cerebral mais pesada e fui terminar séries, começando com Where she Went, mais uma continuação desnecessária mas fofa, Real Vampires take no prisoners, cuja série simplesmente deixou de me agradar e não pretendo ler mais nada da autora por falta de paciência até alguém me convencer, e o mais erótico Jock Row, porque, bem, eu gosto.

Limpeza mental feita, li os mais técnicos Belly Dance Around The World, uma coleção de artigos na linha das ciências sociais sobre a dança do ventre ao redor do mundo, No God But God, uma breve história do Islã do iraniano Reza Aslan, Muhammad's wives, sobre as diversas esposas oficiais do profeta Maomé e Kings and Presidents, uma análise de um ex-agente da CIA sobre a relação entre os reis sauditas (desde a fundação da atual Arábia Saudita) e os respectivos presidentes norte americanos.

Mais ou menos nessa época terminei vários livros de poesias, entre eles: A arte de pássaros do Neruda, que não parece Neruda, The garden of Heaven do Hafiz, numa tradução meio blé, A criança em ruínas do português José Luís Peixoto, um dos melhores livros de poesia desse ano, Letter to my daughter da maravilhosa Maya Angelou, virei fã e quero mais, e, por fim, Dog Songs da Mary Oliver, que pela fama eu esperava mais.

Entre os livros mais pesados e as poesias, li The Astonishing Color of After, um livro lindo demais e que estou doida pra ser lançado no Brasil, Ten Women da chilena Marcela Serrano, uma grande descoberta para mim de autoras latino-americanas. Num tom mais leve, Getting over Garrett Delaney, um livro muito bom para adolescentes, Celtic Tales, cujo título já explica que são histórias celtas, The Collaborative Habit da bailarina americana Twyla Tharp, que prometia mais do que entregou, A Mystic Guide to cleansing and clearing, que mais pareceu um livro de receitas, para o bem e para o mal, e The hating game, o melhor livro que já li da linha de inimigos a amantes.

Depois de tanta coisa levinha li para compensar um livro do maravilhoso autor egípcio ganhador do Nobel, Naguib Mahfouz, The Harafish, fechando minha meta anual de ler algo dele sempre, Girls of Ryad, um romance escrito por uma saudita que é simplesmente chocante, o clássico do Philip K. Dick que deu origem ao filme Blade Runner, Androides sonham com ovelhas elétricas?

Daí um tive outro surto de limpeza mental e li seguidinho Heartbreakers e Paper Hearts da Ali Novak, Love Machine da Kendall Ryan, The Accidental Harem da JJ Knight, The Player e The Catch da K. Bromberg e Taking the heat da Victoria Dahl. Desses eu só recomendo o Accidental Harem.

Para não perder o ritmo, pois a limpeza mental não tinha sido lá essas coisas, li 3 livros de histórias curtinhas, A lâmina assassina, novelas do universo de Trono de Vidro que serviram para refrescar a memória enquanto eu aguardava o lançamento do último livro da série, The Djinn Falls in Love, uma coletânea de contos sobre gênios (os da lâmpada mesmo) e Broad Strokes, uma coletânea de breves biografias e análises de 15 mulheres artistas plásticas.

Por ocasião do dia dos pais li Morreste-me, mais um livro do português José Luís Peixoto, que caiu super bem para mim. E continuei na saga de terminar séries de livros deixadas pela metade, com os três últimos livros de Please Don't Tell My Parents I'm a Supervillan, que eu adoro de paixão e de fofura, Always and Forever Lara Jean, porque estava na hora antes que eu esquecesse o nome das personagens todas, e no embalo li a série completa de Corte de Espinhos e Rosas (4 livros).

Para contrabalancear, eu li Robert Fisk on Afghanistan, com as matérias do jornalista especialista em Oriente Médio durante a guerra contra o Talibã, A Belly Dance Journal, um livro bastante técnico apesar de simples com sugestões de práticas voltadas para a dança do ventre, e terminei O Tarô Mitológico, que é uma versão das cartas do tarô usando mitologia grega. Terminei também os livros de poesia Poesia Completa de Yu Xuanji, uma das poetisas chinesas mais importantes e Les Fleurs du Mal, do francês Baudelaire, que eu nem sei quanto tempo levei para ler.

Daí entrei numa vibe ler sobre mulheres e devorei Men Explain Things to Me, que achei maravilhoso e bem no ponto, assim como I'm Judging You da nigeriana Luvvie Ajayi. Virei fã dela. No ramo ficção li The girl you left behind, uma história linda de mulheres incríveis, a série já publicada de Monstress (apenas 3 volumes até hoje), terminei a série Themis Files (2 livros e um mini conto), que apesar de não ser escrita por uma mulher tem mulheres fodas. Li a poetisa brasileira Laura Erber com A Retornada, e finalmente o último livro da série Trono de Vidro.

No meio dessa leitura feminina toda, eu li Odd and the Frost Giants do Neil Gaiman, que é uma categoria a parte, publicação da mortalidade, do português Valter Hugo Mãe, e o livro Histoires do francês Jacques Prévert, que eu amo.

Fora isso, continuei firme na linha feminina, com Made you up da Francesca Zappia, Poeta X da Elizabeth Acevedo, A filha perdida da Elena Ferrante, dois livros da Sarah Andersen, Herding Cats e Big Mushy Happy Lump, Dance was her religion, sobre 3 bailarinas do início do século XX que só criaram a dança moderna e mais uma corrida de livros que eu esperava que fossem eróticos mas... deixaram a desejar: A passionate love affair with a total stranger da inglesa Lucy Robinson, Sweetshop of dreams da inglesa Jenny Colgan, Part-time lover da Lauren Blakely e Dear Jane da Kendall Ryan, vencedor do título pior livro do ano. Em compensação teve o delicinha Scoring the wrong twin da Naima Simone.

Fechando o ano, terminei o livro da poetisa argentina Alejandra Pizarnik e dois livros de poetas de Moçambique, Rui Knopfli e Sangare Okapi. O livro super feminista para adolescentes Moxie e um de contos de natal, My True Love Gave to Me. Ufa.

Que 2019 seja recheado de livros maravilhosos para todos! Aliás, já viram o Desafio Literário do Popoca para o próximo ano? Excelentes dicas de livros para ler! Nem todas minhas, mas o que não foi meu eu pretendo usar! Clica aqui!

domingo, 30 de setembro de 2018

A Court of Thorns and Roses - Corte de Espinhos e Rosas



SPOILER FREE

Acho que essa vai ser uma das resenhas mais difíceis que já fiz. Não só porque o tema é espinhoso (piadinha infame proposital), mas porque comecei a ler o livro seguinte e isso muda muito a perspectiva, porém vou registrar minha primeira impressão aqui.

Sarah J. Maas é a mesma autora de Trono de Vidro, mas essa é a segunda série que ela publicou. Nos últimos anos ela tem alternado as publicações das continuações das duas séries, mas Trono de Vidro veio primeiro.

Isso fica bastante claro na qualidade da escrita da autora, que aqui é mais parecida com o segundo ou terceiro livro de Trono de Vidro, o que é bastante positivo para a história. E novamente ela traz uma personagem feminina principal, Feyre, que é forte e precisa lutar por sua sobrevivência e pela segurança das pessoas que ela ama.. Até aí tudo lindo e maravilhoso.

O problema começa pelo fato de que Corte de Espinhos e Rosas é uma história baseada em A Bela e A Fera. Sim, isso mesmo, e não, não há como negar, todos os principais pontos do conto de fadas estão presentes aqui. Isso é tão claro que está em todos os blurbs desse livro. A questão é que eu detesto a história de A Bela e A Fera, para mim esse conto de fadas é uma história de uma relação abusiva vendida como romântica.

E é exatamente isso que acontece nesse livro. Temos uma relação absurdamente abusiva que é vendida como romântica, e a autora leva o abuso de forma muito literal, com direito a diversas passagens bastante pesadas em termos de violência. Já saquei que Sarah J. Maas adora torturar suas personagens, o que não é exatamente ruim por si, mas às vezes eu acho que ela exagera na mão.

Para piorar a situação, diferente da Celaena de Trono de Vidro, Feyre não é exatamente brilhante. Preciso confessar que passei boa parte do livro revirando os olhos e xingando mentalmente a personagem principal. Parte desse problema é até explicável pela história de vida da personagem, mas parte não é. Mais um ponto onde eu acho que a autora pesou demais na mão.

Como um livro solo, os pontos positivos são poucos perto dos negativos, e preciso dizer que a experiência como um todo não me agradou. Só me decidi por ler os livros seguintes da série porque uma grande amiga minha me prometeu que a série em si era boa. O primeiro livro não me convenceu em nada disso.

Nota 6.